UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

6 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE ANTÔNIO DA CUNHA PENNA

 


  Antônio da Cunha Penna é mineiro de Santa Bárbara, uma das cidades históricas do ciclo do ouro de Minas Gerais, e aos doze anos de idade se mudou com a família para Indaiatuba. Poucos indaiatubenses amam mais essa cidade que Antônio, ou Penna como ele é mais conhecido devido a suas múltiplas atividades, quase todas elas relacionadas com a cultura. Depois de assistir “Blow-Up”, filme inglês de 1966 em que o ator David Hemmings interpreta um fotógrafo, Penna decidiu que queria ser fotógrafo, passando a clicar suas objetivas Nikon ou Mamiya pelas décadas seguintes. Essa atividade o levou a viver o dia a dia de Indaiatuba, registrando com suas lentes praticamente tudo que acontecia na cidade. A fotografia é uma arte, mas Penna não se contentava com as fotos caprichadas que fazia e não conteve outros dons nos quais demonstrou excelência igual à do fotógrafo. Enveredou então pela música e pela literatura tornando-se compositor e autor, tendo sido lançado recentemente seu quarto livro, intitulado “Retrovisões”. Escreveu crônicas para a ‘Revista da Tribuna’, posteriormente publicadas no livro “Só Dói Quando Dou Risada”. Figura das mais conhecidas de Indaiatuba, Penna ocupou cargos importantes em praticamente todos os órgãos culturais da cidade e não se afastando da fotografia foi cofundador do Fotoclube ‘Olhar Fotográfico’, da Casa da Memória e do Cineclube Indaiatuba. Como escritor Penna gosta e muito de escrever sobre o cotidiano da cidade que o acolheu e o referido “Retrovisões” escrito em forma dos saudosos almanaques, faz um levantamento das atividades culturais desenvolvidas por lá desde o início do século passado, com destaque para o cinema.

 

Alguns dos livros de Antônio da Cunha Penna;
e o premiado fotógrafo de tantas e tantas exposições

         Em “Retrovisões” acompanha-se semana a semana as programações dos desaparecidos Cine Rex e Alvorada, até chegar ao Cine Topázio com seus programas especiais dedicados à faixa de público que viveu os dias esplendorosos do Rex e do Alvorada. E Penna não esconde a saudade dessas décadas e dos grandes filmes que assistiu. Curiosamente, a primeira imagem que viu em um cinema o assustou: era Charles Starrett como Durango Kid, imenso na tela montado em seu cavalo branco chamado ‘Raider’. Depois o menino se acostumou e passou a vibrar com os mocinhos como Roy Rogers com quem logo simpatizou e que, segundo Penna, “...Tinha cara de pediatra, era casado e pouco atlético. Diferente dos demais: antes de reagir apanhava além do necessário. Quando menos se esperava começava a cantar... Os outros heróis eram solteiros e cheios de espertezas. Partiam logo para a briga e não titubeavam em sacar a arma. Se bem que gostasse deles, Roy Rogers me parecia familiar”. Esse livro contendo muita informação é entremeado pelas observações argutas, objetivas, muito sinceras e não raro irônicas do autor. E não é que o Penna lembra que Lorna Gray (Adrian Booth) como a vilã ‘Vultura’ era mais sensual que a insípida e tão querida pelo público Kay Aldridge, do seriado “Perigos de Nyoka”? Mais adiante Penna confessa que foi apaixonado por Deborah Kerr (quem não foi?) e que ficou tomado de ciúmes ao vê-la com Burt Lancaster na sequência do beijo na praia em “A Um Passo da Eternidade”. Com o cinema presente em quase todas as páginas com pelo menos um tópico em cada uma delas, o autor relembra ter criado a primeira locadora de Indaiatuba e antes de ser cofundador do Cineclube Indaiatuba ele quase fez parte da célebre confraria chamada de ‘Legionários’, que se reunia semanalmente para assistir filmes e seriados que os cinemas não mais exibiam. Saboroso de forma geral pelo estilo de escrever do autor, “Retrovisões” desperta certa melancolia quando Penna fala do fim dos Cine Rex e Alvorada, tristeza logo superada ao citar o Cine Topázio com seus imperdíveis programas promovidos pelo exibidor Paulo Lui.

 

Durango Kid montado em Raider; Kay Aldridge,
a Nyoka com o punhal; o pensativo Roy Rogers;
e a maravilhosa Deborah Kerr

         “Shane” é o faroeste preferido de Penna que em seu “Retrovisões” escreve  “...Os Brutos Também Amam esconde tanto quanto explícita. É a arte sublimando a realidade. Só grandes artistas conseguem tal façanha sem soar falso. É, sem dúvida, um clássico absoluto”. Em outro trecho Penna fala da música de “Shane”: “...Não sei o que há na música ‘The Call of the Faraway Hills’ (O chamado das colinas distantes), de Victor Young. Seu caráter reverente e ritmo em sintonia com a cadência do cavaleiro solitário chegando à pradaria me levam para aquele mundo onde, uma hora e 59 minutos depois, dou por mim com os olhos úmidos em razão dos gritos desesperançados do menino Joey”. Da primeira imagem de Durango Kid à do cavaleiro dos vales perdidos do filme de George Stevens, Antônio da Cunha Penna assistiu a um número incontável de faroestes e para o blog Westerncinemania ele relacionou o seu Top-Ten Westerns que é este:

  

Penna diante do cenário de seu faroeste preferido

  1.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  2.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  3.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinnemann

  4.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance), 1962 - Dir.: John Ford

  5.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  6.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Una Volta Il West), 1968 - Dir.: Sergio Leone

  7.º) Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 - Dir.: Budd Boetticher

  8.º) O Último Pôr-do-Sol (The Last Sunset), 1961 - Dir.: Robert Aldrich

  9.º) Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 - Dir.: Clint Eastwood

10.º) A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1960 - Dir.: Marlon Brando

 

Penna com o grande amigo Laudney Mioli no 'Pingado, Pão e Manteiga" semanal que ocorre aos sábados em Indaiatuba


4 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE NELSON PECORARO

 


  É difícil, senão impossível, falar de Nelson Pecoraro sem usar superlativos. Entrando para o Clube Amigos do Western em 1981, Nelson rapidamente, pelo seu amplo conhecimento tecnológico, passou a dominar a área mais importante da confraria, que era a projeção de filmes. Antes de Nelson as sessões ocorriam com a projeção em 16mm dos poucos e já desgastados filmes do acervo do fundador do clube, Dr. Aulo ‘Doc’ Barretti. Nelson conseguiu adquirir um lote enorme de filmes que a TV Cultura repassou para Ademar Carvalhaes, crítico e professor de Cinema, que havia falecido. No pacote Nelson pediu para ser incluída uma das máquinas de telecinagem e com isso mudou a vida de todos aqueles aficionados por faroestes, filmes clássicos (todos em preto e branco) e alguns seriados. Chegou o tempo do Vídeo Cassete Record e quando muitos nunca haviam sequer ouvido falar dessa modernidade, Nelson já passava os filmes telecinados para as fitas VHS que eram exibidas no clube com qualidade e variedade imensamente superior às projeções em 16mm. Passou-se mais um tempo e surgiu o DVD e com ele a possibilidade do uso de projetores modernos. O que era uma minúscula telinha virou uma tela muito maior que Nelson instalou para alegria dos sócios do CAW. Não só membros da confraria ficaram felizes com os conhecimentos de Nelson Pecoraro, mas também Paulo Tardin, comerciante de filmes do Rio de Janeiro e que visitando Nelson tomou aulas de como fazer telecinagens e cópias de filmes que passou a vender como água. Nelson, por seu lado, não tinha interesse nesse tipo de comércio e somente atendia os amigos quando estes lhe pediam determinadas cópias de filmes que só ele possuía. A preço de custo e não aos valores extorsivos que se praticava,

 

Nelson com os antigos projetores que tantos filmes
exibiram no clube dos cowboys paulistanos

           Com toda essa importãncia é de se imaginar que Nelson fosse uma pessoa que se presumisse insubstituível. Mas não era assim pois a personalidade de Nelson Pecoraro era a de um homem discreto, quase sempre escondido atrás de um projetor ou no fundo da sala, raramente emitindo alguma opinião entre os tantos sabichões que havia no clube. Justamente ele que dos nove aos 20 anos de idade, depois de se mudar da cidade de Ibitinga (interior de São Paulo) para a Vila Prudente (bairro de SP), não deixava jamais, a não ser por razão de força maior, de frequentar o Cine Dom Bosco no seu bairro ou os cinemas maiores da vizinha São Caetano do Sul. Em sua conta foram mais de 500 sessões e muitas delas com programa duplo. O conhecimento como cinéfilo de Nelson não era fruto apenas das sessões que ele frequentava, mas também dos livros e revistas sobre cinema que ele desde cedo passou a colecionar. Quem pensa que Nelson, por ser apaixonado por tecnologia áudio-visual trabalhasse nessa área, se engana. Nelson durante toda sua idade adulta foi um representante comercial respeitadíssimo na empresa onde trabalhou por décadas, até se aposentar.

 

Nelson 'Pecos' Bill e 'Doc' Barretti, respectivamente
o pioneiro e o fundador do Clube Amigos do Western

           E da mesma forma que Nelson amava o cinema, ele gostava de música e até mesmo de cantar, soltando a voz em árias que ele conhecia bem ou nos boleros que era seu gênero musical preferido. Seu vasto acervo, então o maior da confraria continha centenas de LPs e depois CDs. E filmes de gêneros variados e a prova disso é que só de filmes mexicanos, da fase áurea estrelada por Dolores Del Rio, Pedro Armendáris, Maria Félix, Emílio Fernández, Columba Dominguez e muitos outros, Nelson possuía quase uma centena de filmes. Um fato que muito alegrou os autor destas linhas foi quando da publicação da edição da revista ‘Pardner’ biografando Nelson Pecoraro. Logo a seguir à publicação, Nelson me pediu cinco cópias da revista para presentear filhos e parentes próximos. A própria filha de Pecoraro fez questão de agradecer dizendo-se emocionada ao ler o extenso relato sobre seu pai. Assim era Nelson Pecoraro, a viga mestra do Clube Amigos do Western, a quem o clube deve muito de sua existência e a quem os membros da confraria devem muito, igualmente. Se tivesse que definir Nelson Pecoraro eu diria: ‘Um Homem Generoso’. Um homem generoso, sempre pronto a ajudar no que fosse preciso a quem precisasse. Cowboy especial o Nelson Pecoraro. Muito especial.

 

Edição da revista 'Pardner' biografando Nelson
Pecoraro e ele desenhado por Umberto 'Hoppy' Losso

   1.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  2.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 - Dir.: John Ford

  3.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 - Dir.: Howard Hawks

  4.º) O Galante Aventureiro (The Westerner), 1940 - Dir.: William Wyler

  5.º) Região do Ódio (The Far Country), 1954 - Dir.: Anthony Mann

  6.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  7.º) Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 - Dir.: John Sturges

  8.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinnemann

  9.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

10.º) O Intrépido General Custer (They Died with Their Boots On), 1941 - Dir.: Raoul Walsh



3 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE ACHILLES HUA

 


           Se há algo que deixa alguém satisfeito é encontrar um amigo com quem se pode conversar sobre música, futebol e cinema. E assim é o paulistano Achilles Hua, com quem cada contato é um aprendizado, dada suas abalizadas opiniões sobre essas áreas de entretenimento. Se o assunto é cinema Achilles discorre sobre os grandes (e pequenos também) filmes da época de ouro da 7.ª Arte. Como Achilles fez parte da confraria que se reunia semanalmente para assistir faroestes e seriados, também sobre esses tipos de filmes ele demonstrava seu profundo conhecimento. Prova disso são os magníficos artigos que Achilles escreveu para a revista ‘Pardner’, trazendo não só informações como análises críticas bem fundamentadas. Primorosas as matérias que esse cinéfilo escreveu sobre westerns entre elas resenha “A Lei do Mais Forte” (The Oklahoma Kid), 1939; “Flechas de Fogo” (Broken Arrow), 1950; “Matar ou Morrer” (High Noon), 1952; “E o Sangue Semeou a Terra” (Bend of the River), 1952. Ou ainda matérias imperdíveis como ‘Faroestes de Michael Curtiz’ e ‘Faroestes de William A, Wellman. Daí sua lista ‘Top-Ten Westerns’ ser das mais aguardadas e na qual se constata que Achilles tem gosto apurado para esse gênero de filmes.

 

 

Achilles desenhado por Umberto 'Hoppy' Losso

          Quem quiser conhecer um pouco mais sobre Achilles Hua poderá ler, neste blog WESTERNCINEMANIA, a publicação ‘Cine Saudade’ focalizando nostalgicamente o cinema onde ele assistiu aos primeiros filmes e seriados. Difícil não se emocionar com o relato, muito parecido com os que viveram aqueles nascidos nas décadas de 40 e 50, com uma diferença: o imóvel onde funcionou o cineminha citado no ‘Cine Saudade’, o Cine Urquinha, ainda existe. Tal fato mais aumenta a nostalgia de quem o frequentou e lá vibrou com os seriados “Flash Gordon no Planeta Mongo” (Flash Gordon), 1936 ou “O Fantasma Voador” (The Phantom), 1943, apenas dois dos muitos seriados que o menino Achilles assistiu no ‘Urquinha’, como era chamado o cinema. Depois do seriado chegavam a galope Tim Holt, George O’Brien e outros colocando os foras-da-lei na prisão e fazendo a paz voltar ao Velho Oeste. Das centenas de filmes que Achilles assistiu naqueles tempos do Urquinha, aquele que ele costuma citar como um dos seus preferidos é “Sempre em meu Coração” (Always in my Heart, 1942). Nesse enternecedor drama romântico, ouve-se a versão de ‘Siempre in mi Corazón’, bolero de Ernesto Lecuona. E pode-se dizer que aí tenha-se iniciado a paixão de Achilles por esse gênero musical, o bolero.

 

"O Fantasma Voador" (acima) e "Sempre em Meu
Coração" (abaixo); à direita James Cagney em
"A lei do Mais Forte" e George O'Brien

                    Entre as muitas contribuições de Achilles na confraria, além de com sua fidalguia demonstrar seu conhecimento sobre cinema, está uma que poucos conhecem. Pois foi ele, ao lado dos também sócios Clóvis Ribeiro e Jáder Jesus Donato e do editor deste blog, quem deu início às reunões pós-sessões de cinema da confraria, reuniões que ocorriam em pizzarias e quando os debates e cantorias eram tanto ou mais saborosos que as próprias pizzas.. Esse era o complemento perfeito para as reuniões semanais do Clube Amigos do Western e que continuou a ocorrer pelos anos afora. Assim é Achilles Hua que gentilmente listou seus faroestes preferidos por ordem de ano de produção.

 

 

Aqui começaram as pizzas da confraria dos amigos do
Oeste: Achilles, Jáder jesus Donato e Clóvis Ribeiro

Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident), 1942 - Dir.: William A. Wellman

Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir. Fred Zinnemann

Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

Punidos pelo Próprio Sangue (Backlash), 1956 - Dir.: John Sturges

Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), 1958 - Dir.: William Wyler

Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill), 1959 - Dir.: John Sturges

A Noite da Emboscada (The Stalking Moon), 1968 - Dir.: Robert Mulligan

Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 - Dir.: Clint Eastwood

Pacto de Justiça (Open Range), 2003 - Dir.: Kevin Costner




2 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE ANTONIO DE OLIVEIRA RIBEIRO

 


 

  Em sua edição de número 12 (junho/2000), a revista ‘Pardner’, do Clube Amigos do Western biografou o sócio Antônio de Oliveira Ribeiro, o ‘Toninho’. A chamada da capa da revista dizia: “Um Cowboy com o ‘B’ nas veias”. Poucos no CAW conheciam tanto e tão bem sobre os B-westerns como Toninho, faroestes de produção econômica que dominavam as telas dos cinemas de bairros das grandes cidades ou cineminhas de cidades pequenas como Eldorado Paulista (antiga Xiririca), onde Toninho viveu sua infância nas décadas de 30 e 40. Posteriormente, trabalhando para os Correios, setor Seviço Regional de Correspondência Ambulante (SRCA) , Toninho viajava de trem de cidade em cidade do interior de São Paulo e conhecia todos os cineminhas dos lugarejos por onde passava. E feliz da vida porque nessa função não precisava fugir das mordidas dois cachorros como todo carteiro fazia.

 

Antônio de O. Ribeiro biografado na revista 'Pardner'

  Aos poucos juntou a Charles Starrett, Tim Holt e Hopalong Cassidy, que eram seus mocinhos preferidos, os astros de westerns mais bem produzidos, com destaque para Glenn Ford e Audie Murphy, cujos filmes procurava não perder. Vindo para a capital paulista a diversão principal de Toninho continuou a ser assistir filmes, de preferência os faroestes. Onde fosse exibido um faroeste estrelado por Glenn Ford ou Audie Murphy, Toninho ia atrás. De John Wayne Toninho nunca foi muito fã e mesmo assim presenciou o lançamento no Brasil de “Rastros de Ódio” (The Searchers), em 1956. Entre John Wayne e John Payne Toninho preferia este último, até porque ficou vuvamente impressionado com o westerns “Homens Indomáveis” (Silver Lode, 1954), dirigido por Allan Dwan. Mas o western que Toninho mais gostou foi mesmo “Os Brutos Também Amam) (Shane, 1953), faroeste que viu e reviu incontáveis vezes sempre que reprisado e mais tarde na TV e em VHS.

 

Apelidado de 'Toninho Ford-Murphy' na capa de um gibi antigo

  E com que alegria Toninho descobriu em 1989 o Clube Amigos do Western, ao qual se associou e pode rever as aventuras dos mocinhos que vira na infância, como Buck Jones cujas aventuras no seriado “Àguia Branca” (White Eagle, 1941) nunca saíram de sua memória. Para Toninho os melhores seriados que assistiu foram “A Legião do Zorro” (Zorro’s Fighting Legion, 1939) e “A Adaga de Salomão” (Secret Service in Darkest Africa, 1943), este último opinião compartilhada com Steven Spielberg, que inspirado nele filmou sua saga ‘Indiana Jones’. Conhecedor como poucos dos astros e estrelas, Toninho reconhecia de imediato qualquer coadjuvante que surgisse na tela da confraria, atores como Andrew Duggan, John Doucette e outros ainda menos conhecidos. Toninho era fã ardoroso de Glenn Ford e de Audie Muphy e suas atrizes preferidas eram Breanda Marshall e Jody Lawrence. Toninho falava o que sentia e sempre dizia que detestava Barbara Stanwyck, Bette Davis e Joan Crawford. Curiosamente um de seus westerns preferidos é estrelado justamente por Barbara Stanwyck, “Aliança de Aço”. Antônio Ribeiro mencionou para a revista ‘Pardner’ seus westerns favoritos que o blog WESTERNCINEMANIA transcreve e que são os seguintes:

 

Antônio de O. Ribeiro

  1.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  2.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  3.º) Winchester 73 (Winchester 73’), 1950 - Dir.: Anthony Mann

  4.º) Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 - Dir.: Robert Aldrich

  5.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  6.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 - Dir.: Howard Hawks

  7.º) Aliança de Aço (Union Pacific), 1939 - Dir.: Cecil B. DeMille

  8.º) Jornadas Heróicas (The Plainsman), 1936 - Dir.: Cecil B. DeMille

  9.º) Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957 - Dir.: Delmer Daves

10.º) O Último Duelo (The Cimarron Kid), 1952 - Dir.: Budd Boetticher

 

"Aliança de Aço", faroeste que Antônio Ribeiro
assistiu em sua adolescência

1 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE IONALDO A. CAVALCANTI

 


        Em seu período áureo o Clube Amigos do Westerns chegou a congregar 50 aficionados que se reuniam semanalmente, aos sábados à tarde, na sede da Rua José Getúlio, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Entre esses tantos associados havia advogados, professores, radialistas, jornalista, artistas, representantes comerciais, toda sorte enfim de apaixonados por faroestes. Um dos sócios era um artista na acepção do termo, ele que era (e é) verbete em muitos dicionários de arte e têm suas obras em museus diversos do Brasil e do Exterior. 

Multi-artista ou Cowboy? Por que não os dois...

        Com seu bigode a la Salvador Dali, Ionaldo Cavalcanti era a modéstia em pessoa, apesar de ser famoso no meio das artes plásticas. desenhista, gravurista e pintor, o pernambucano Ionaldo era ainda escritor, sendo de sua autoria os dois excelentes livros sobre personagens e autores de história em quadrinhos, obras fundamentais e que não podem faltar em nenhuma biblioteca de admiradores dessa arte atualmente bem mais valorizada. E Ionaldo era ainda apaixonado pela música brasileira e seu falecimento impediu que completasse e publicasse as pesquisas que fez por anos a fio.

Obras fundamentais para fãs das HQs,
de autoria de Ionaldo

          Ionaldo exerceu também o jornalismo e o autor destas linhas teve a honra de ser contemporâneo de Ionaldo no jornal Última Hora, de São Paulo, ele na redação, como principal diagramador e eu, como linotipista, na gráfica. Posteriormente trabalhamos ainda ao mesmo tempo na Imprensa Oficial do Estado, eu sempre como linotipista na gráfica e Ionaldo na direção do magnífico “Leitura”, caderno de cultura que hoje a Imesp não mais edita. Mas foi no Clube Amigos do Western que meu contato com Ionaldo se estreitou, quando eu aproveitava todas as oportunidades para com ele conversar e aprender sobre as diversas vertentes culturais que Ionaldo dominava como ninguém. Entre elas a arte cinematográfica que aos sábados se desviava para um subgênero que só mesmo naquele clube era desenvolvido, os faroestes ‘B’ e os seriados. 

O maravilhoso vitral do saguão de entrada da FAAP,
em São Paulo, com destaque para o vitral de Ionaldo

        Com que alegria aquele homem com ar sisudo discorria sobre seus mocinhos preferidos e os inesquecíveis seriados que ele revia em capítulos no CAW, isto após ter assistido a muitos deles nos cinemas de sua terra natal. Guardo como um verdadeiro tesouro um esboço de história em quadrinhos com desenhos de fazer inveja a Will Eisner, Alex Raymond, Hal Foster e outros gigantes dos criadores de comic books, esboço esse que Ionaldo me presenteou. E quando do lançamento da revista ‘Pardner’, Ionaldo foi o escolhido para ser o primeiro entrevistado, falando de suas preferências cinematográficas. Foi justamente nessa ocasião durante o longo bate-papo que Ionaldo relacionou os faroestes de sua preferência e que agora, em forma de Top-Ten, são publicados neste blog. Eis as preferências de Ionaldo Cavalcanti|:

 

  1.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinnemann

  2.º) Conquistadores (Western Union), 1941 - Dir.: Fritz Lang

  3.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  4.º) Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 - Dir.: John Sturges

  5.º) Indomável (The Spoilers), 1942 - Dir.: Ray Enright

  6.º) O Passado não Perdoa (The Unforgiven), 1960 - Dir. John Huston

  7.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  8.º) Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 - Dir.: John Sturges

  9.º) Os Imperdoáveis (Unforgiven), 19__ - Dir.: Clint Eastwood

10.º) Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill), 1959 - Dir.: John Sturges

  

"O Passado não Perdoa", que Ionaldo reputa como
um dos melhores westerns de todos os tempos

Abaixo texto publicado no número um da revista ‘Pardner’, que teve Ionaldo Andrade Cavalcanti como biografado.

 

O artista-cowboy Ionaldo visto pelo também artista-cowboy
Umberto 'Hoppy' Losso

          Início dos anos 80, fui consultar meu dicionário “O Mundo dos Quadrinhos” e percebi que várias páginas haviam sido arrancadas do livro. Autor do vandalismo: o filho caçula, punido com corte de mesada por várias semanas, até que o custo de um novo exemplar fosse coberto. Esse livro até hoje é consultado com satisfação por pai e filho, mesmo porque é obra única no gênero, no Brasil. Na contracapa havia a foto do bigodudo autor: Ionaldo A. Cavalcanti. Mais de uma década depois, lá estávamos, meu filho e eu, na pequena sala de projeção do Clube Amigos do Western, sentados ao lado daquele salvadordaliano bigode. Era, em pessoa, o próprio Ionaldo. Custamos a acreditar, mas passado o momento de estupefação, até conversamos com ele, que se revelou simpático e atencioso. Desse dia para cá uma sucessão de informações a respeito desse pernambucano ‘arretado’ foi conseguida e só fez aumentar a admiração pelo autor de “O Mundo dos Quadrinhos”. Foi seu amor pelos velhos faroestes que fez com que se juntasse aos cowboys do CAW. E sua paixão pelas histórias em quadrinhos fez com que escrevesse também “Esses Incríveis Heróis de Papel”.

          E que jornalista que é o Ionaldo! Dos poucos capazes de redigir, ilustrar e diagramar com igual perfeição, o que fez ao longo de quase 40 anos de carreira. E seus predicados artísticos parecem não ter fim, já que foi como extraordinário artista plástico que viu seu nome ultrapassar as fronteiras dos países ditos de Primeiro Mundo, para com suas telas disputar espaços com mestres internacionais em afamados museus como o MASP (Museu de Arte de São Paulo) e MAM (Museu de Arte Moderna), para falar só dos mais conhecidos e que ficam aqui em São Paulo. Ionaldo é daqueles artistas que conseguiram o respeito do público e crítica criando arte original e voltada para os variados temas da cultura brasileira. Como ninguém aborda as coisas do nosso país, temperando suas tintas com talento, sensibilidade e amor. E haja amor, tanto que extrapola a pintura e chega à música, à nossa legítima música popular, com suas importantes variantes, cujo carro-chefe é o samba. Do nosso samba Ionaldo é profundo estudioso, possuindo arquivo de dados de fazer inveja a qualquer Tinhorão.

          Quem observa o circunspecto Ionaldo, com sisudez apenas aparente, assistindo aos faroestes do nosso clube, mal é capaz de imaginar o múltiplo artista que ele é, com versatilidade só comparável a Mário de Andrade. Porém ele só fala de si quando perguntado e, mesmo assim, com a simplicidade dos grandes espíritos, sempre cativando simpatia. Certo que vez por outra lança um olhar feroz e reprovador para aqueles que conversam com insistência durante as projeções, fato que ajuda a dissimular ainda mais o homem espirituoso e brincalhão que com seu grupo particular de amigos se diz pertencer à ‘Cortina de Jabá’, alusão feita por Ignácio de Loyola Brandão às origens nordestinas da leva que aportou no extinto jornal ‘Última Hora’ no final dos anos 50. E quase nada escapa ao seu humor inteligente, nem mesmo a doença que recentemente o acometeu e, que depois de superada, foi comunicada aos amigos com o significativo e esclarecedor aviso: “Venci o filho da puta”. Com quase 40 anos de São Paulo, Ionaldo conserva a elegância e o charme da juventude, os quais, segundo consta, fizeram dele um galã que arrebatava os corações femininos. Esse nosso pardner que cavalgou do Recife até nosso clube é um inesgotável baú de inteligência, conhecimento e sensibilidade, baú esse que nos permitimos remexer para levar aos demais companheiros muito mais sobre um cowboy que, como nenhum outro, saca rápido do pincel ou da pena para enriquecer nossa cultura.

          Foi lá pelos anos de 1942/43, em Recife, sua cidade natal, que Ionaldo começou a ir ao Cine Politheama, muitas vezes tendo que burlar a vigilância dos porteiros quando a censura era para menores de 10 anos. Dos filmes que viu nesse tempo lembra-se pouco, mas ainda estão em sua memória os seriados que faziam a alegria maior da garotada, como “Perturbadores dos Prados” (Wild West Days, 1937), com Johnny Mack Brown, “Cavaleiros da Morte” (Riders of Death Valley, 1941), com Dick Foran e Buck Jones, “Bandoleiros do Vale do Fogo” (Rustlers of Red Dog,1935), com Johnny Mack Brown. E também seriados não ambientados no Velho Oeste. Desses seriados vinha a inspiração para brincar de mocinho encarnando Buck Jones, por quem o menino de Recife tinha especial carinho, afeição aumentada pela traumática morte do ator. Mas às vezes o menino gostava de ser também George O’Brien, admiração compartilhada também pelo pai de Ionaldo que, a exemplo daquele ator, tinha físico privilegiado de atleta.

          Enquanto a matinê de domingo não chegava Ionaldo encontrava-se com outros heróis nos gibis que as bancas de jornais e revistas vendiam, preciosidades como ‘O Gibi Mensal’, ‘Globo Juvenil Mensal’, ‘o Mirim’ e ‘O Guri’, entre outros que ele lia avidamente. e cedo começou a ensaiar seus primeiros traços ilustrando roteiros que um amiguinho fazia. Era o pintor que nascia e que tinha especial preferência em desenhar Titan, o Homem Mistério, de Al Camy, que era publicado pelo ‘Gibi Mensal’. mais que simples preferência, o jovem pernambucano tinha verdadeira paixão por Titan, a quem copiava, bem como os inimigos desse heroi como O Caveira, O Homem Pantera, O Homem Fera e outros.Pouco tempo depois Ionaldo já identificaria O Espírito (The Spirit), de Will Eisner e O Príncipe Valente, de Harold Foster, como os maiores clássicos das Histórias em Quadrinhos.

          Os ídolos da tela do garoto Ionaldo ficaram para trás, dando lugar a astros como John Wayne, Clint Eastwood, Audrey Hepburn, Elizabeth Taylor, que estrelaram as grandes produções cinematográficas das décadas seguintes. Mas, curiosamente, seus filmes preferidos não são interpretados por gente tão famosa. Entre os filmes inesquecíveis de Ionaldo estão “Sapatinhos Vermelhos” (Red Shoes, 1948, de M. Powell-E. Pressburger), “Somos Todos Assassinos” (Nous Sommes Tous des Assassins, 1952, de André Cayatte), “O Ano Passado em Marienbad” (L’Année Dernière à Marienbad, 1961, de Alain Resnais), “A Morte num Beijo” (Kiss Me Deadly, 1955, de Robert Aldrich) e “Pânico nas Ruas” (Panic in the Streets, 1952, de Elia Kazan. A paixão pelos faroestes nunca deixou de existir e Ionaldo considera como exemplares clássicos do gênero “Matar ou Morrer” (High Noon, 1952), “Conquistadores”, (Western Union,1941), “Os Brutos Também Amam” (Shane, 1953), “Sem Lei e Sem Alma” (Gunfight at the OK Corral, 1957), “Indomável ” (The Spoilers, 1942), “Duelo de Titãs” (Last Train from Gun Hill, 1959), “No Tempo das Diligências” (Stagecoach, 1939) e “Sete Homens e um Destino” (The Magnificent Seven, 1960). Ionaldo julga “O Passado Não Perdoa” (The Unforgiven, 1960), como um dos mais importantes faroestes do cinema, verdadeiro divisor de águas pela temática abordada e clássico por sua narração e grandes interpretações. Isento de qualquer tipo de preconceito, gosta muito dos filmes de Clint Eastwood e do tipo de personagem que ele interpreta, definição quase perfeita do verdadeiro homem do oeste, como em “Os Imperdoáveis” (Unforgiven, 1992).

 

Ionaldo A. Cavalcanti não chegou a exercitar os recursos
digitais aplicados à arte, mas certamente com eles criaria
ainda muito mais do tanto que nos deixou

 


30 de agosto de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE GIULIO CESARE DE CASTRO PANDOLFI

 

O Cowboy Giulio Cesare

        O cinéfilo de verdade ama o cinema, mas há aquele tipo de cinéfilo que é apaixonado por um gênero de filmes em especial. Há os que preferem os musicais, ou os épicos, ou os dramas românticos, ou ainda os filmes de suspense e mistério que podem ser também os policiais. E há os que colocam o western acima de todos os outros gêneros. Giulio Cesare de Castro Pandolfi é um desses cinéfilos que podem ser chamados de westernmaníacos, não só porque assiste e coleciona esse gênero de filmes mais que todos os outros, mas também porque é um estudioso dos faroestes. Sua estante abriga farta literatura sobre o western, não só no que se refere aos filmes, mas também os que retratam a vida dos cowboys. Exemplo disso são os livros dos pintores Frederic Remington e Charles Russell, que Giulio possui, livros de arte importados por ele e nunca lançados no Brasil. Membro do Cineclube Amigos do Western por décadas, Giulio sempre foi um dos mais destacados sócios e voz das mais solicitadas nas discussões que ocorriam sobre o faroeste, seus filmes e suas histórias. Porém, quando o assunto nessas rodas era sobre o cinema de arte, norte-americano ou europeu, ou mesmo sobre o cinema brasileiro Giulio demonstrava o quanto sabia e gostava de discorrer com clareza citando nomes e datas. Lembro dele, certa ocasião, interessado no filme nacional “Viagem aos Seios de Duília”, de 1965, do diretor argentino Carlos Hugo Christensen, filme que certamente poucos conhecem ou se interessaram em conhecer.

  

Giulio Cesare ao lado de 'Doc' Barretti, seu grande
amigo e, pode-se dizer, mentor, ambos
apaixonados pelo Western

        A ascendência italiana de Giulio o levou a gostar do cinema que produziu diretores como Fellini, Monicelli, Antonioni, Visconti, Bertolucci e outros. E por falar em cinema italiano, Giulio jamais menosprezou a vertente que foi apelidada de ‘Spaghetti Western’, tanto que um de seus westerns preferidos é de autoria de Sérgio Leone. Outra faceta de Giulio que merece ser lembrada é também o seu profundo conhecimento da música Country & Western da qual ele é também colecionador. Mas comente-se música brasileira ou internacional que Giulio sempre tem uma palavra abalizada e de extremo bom gosto. Recordo quando o assunto entre uma roda de cinéfilos era música e foi citada a canção “Bella Senz’Anima” que ninguém mais conhecia, exceção de Giulio que lembrou ser uma bela gravação italiana do cantor Riccardo Cocciante. Importante destacar que a lista de melhores westerns de Giulio Cesare não contém nenhum Western-B, isto por coerência. Mas Giulio é também admirador dos pequenos faroestes produzidos nos estúdios da Poverty Row e destaca entre seus cowboys favoritos Tim Holt. Porém neste momento o assunto é Top-Ten Westerns e Giulio Cesare indicou sua lista para o blog Westerncinemania:

 

Giulio Cesare como cowboy e soldado confederado

 

  1.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  2.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  3.ª) Paixão dos Fortes (My darling Clementine), 1946 - Dir.: John Ford

  4.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinnemann

  5.º) A Lei do Mais Valente (Yellowstone Kelly), 1959 - Dir.: Gordon Douglas

  6.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 - Dir.: Howard Hawks

  7.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance), 1963 - Dir.: John Ford

  8.º) Era uma Vez no Oeste (C’Era Una Volta Il West), 1968 - Dir.: Sergio Leone

  9.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

10.º) A Raposa Cinzenta (The Grey fox), 1982 - Dir.: Phillip Borsos

 

"A Lei do Mais Valente", um dos westerns que
Giulio Cesare mais admira.

27 de agosto de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE EDIVALDO MARTINS

           Fundado em 1977 pelo médico paulistano Dr. Aulo Barretti, o Clube Amigos do Westerns, renomeado mais tarde como Cineclube Amigos do Western teve alguns membros que se destacaram sobremaneira durante as muitas décadas que a confraria existiu. Além do criador do clube, o saudoso ‘Doc’ Barretti, poderia ser lembrado Nelson Pecoraro, incansável na busca de sintonizar o clube com os avanços tecnológicos, isto sem falar de seu profundo conhecimento como cinéfilo. Infelizmente não há como publicar o Top-Ten do falecido Nelson ‘Pecos Bill’. Quase tão importante para a confraria quanto os citados ‘Doc’ e ‘Pecos Bill’ foi Edivaldo Martins que nem bem chegou ao CAW e recebeu o apelido de ‘Eddie Lancaster’. Desnecessário explicar que Edivaldo tinha Burt Lancaster como seu ator preferido e que aceitou a alcunha com alegria.


Edição da revista 'Pardner' que biografou Edivaldo Martins.

           A trajetória de Eddie Lancaster no mais antigo clube de faroeste do Brasil foi marcada pelo seu entusiasmo pela confraria, participando de todos os momentos importantes do clube e raramente deixando de comparecer às sessões, a não ser por motivo de força maior. Eddie Lancaster era uma espécie de IMDb ambulante pois sabia praticamente tudo sobre cinema e mais especificamente sobre faroestes. Não havia ator ou atriz coadjuvante que Eddie desconhecesse ou nome de filme que ele não lembrasse, discorrendo inclusive sobre a ficha técnica da película. Mas o aspecto que mais se destacava da personalidade de Edivaldo, ou melhor, do Eddie Lancaster, era seu espírito empreendedor, tudo fazendo com entusiasmo para que o clube fosse o local onde todos os demais sócios se sentissem bem, quase como se estivessem nos inesquecíveis cinemas de antigamente.

  

O Major Eddie Lancaster do Confederate Army.

  A sala de projeção do Forte Santa Cruz (nome do espaço onde funcionou por anos o Cineclube) foi forrada por dezenas de quadros contendo ampliações fotográficas de queridos artistas de Hollywood ainda vivos, com os quais Eddie mantinha contato e recebia fotos autografadas com dedicatória ao Cineclube Amigos do Western. Kirk Douglas, Rita Moreno, Ernest Borgnine, Rhonda Fleming, Glenn Ford, Doris Day e Robert Duvall são apenas alguns dos artistas que enviaram fotos com dedicatória especial para Eddie Lancaster, destacando-se a amizade que fez com Rhonda Fleming e Peter Ford, filho de Glenn Ford. Assim era o Edivaldo Martins que tinha como filme de cabeceira “...E o Vento Levou” (Gone with the Wind) e como artistas mais queridos o já citado Burt Lancaster e Ava Gardner.

 

Eddie Lancaster com um dos muitos quadros do Cineclube dos
Amigos do Western, exibindo foto com dedicatória de
Maureen O'Hara (ao lado de John Wayne, em 'Rio Grande').

           Conhecendo o gênero Western como poucos, Eddie Lancaster tinha também o seu Top-Ten, que Westerncinemania apresenta, aproveitando para lembrar de Edivaldo Martins, a quem a revista ‘Pardner’ biografou mostrando em detalhes ‘Como nasce um bravo’, parafraseando o título de um western de Glenn Ford. Este é o Top-Ten Westerns de Eddie Lancaster:

    1.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  2.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinnemann

  3.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  4.º) Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1954 - Dir.: Nicholas Ray

  5.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  6.º) O Preço de um Homem ( The Naked Spur), 1953 - Dir.: Anthony Mann

  7.º) Pacto de Justiça (Open Range), 2003 - Dir.: Kevin Costner

  8.º) Meu Ódio Será sua Herança (The Wild Bunch), 1969 - Dir.: Sam Peckinpah

  9.º) Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 - Dir.: King Vidor

10.º) Quando é Preciso Ser Homem (Soldier Blue), 1970 - Dir.: Ralph Nelson

 

Edivaldo Martins tinha especial predileção por westerns que abordassem
a luta e o extermínio dos nativos norte-americanos, como "Soldier Blue".,
na foto, vendo-se Peter Strauss e Candice Bergen.

18 de agosto de 2024

Top-Ten Westerns de José Luís Ilha


 Top-Ten Westerns de José Luís Ilha

 

  1.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 - Dir.: John Ford

  2.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  3.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  4.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 - Dir.: Sam Peckinpah

  5.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  6.º) Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 - Dir.: John Sturges

  7.º) Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill), 1959 - Dir.: John Sturges

  8.º) Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), 1958 - Dir.: William Wyler

  9.ª) Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo), 1966 - Dir.: Sergio Leone

10.º) Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 - Dir.: King Vidor

 


 

  José Luís Ilha é um gaúcho, da cidade de Viamão que desde criança se tornou fã das histórias de faroeste, seja por ler os comics (histórias em quadrinhos) que nos anos 70, período da infância do garoto José Luís ainda resistiam em algumas poucas publicações, ou ainda pelos filmes que ele assistia nas sessões da tarde pela televisão. Quando os próprios cinemas perdiam espaço entre o grande público, surgiu o vídeo-cassete e muitos antigos faroestes foram lançados em VHS e José Luís adquiria todos que pudesse, iniciando assim sua coleção. Com a transição para o DVD, aí então o acervo do cinéfilo gaúcho foi tomando proporções de um grande colecionador. José Luís admira não só as mais elaboradas produções cinematográficas do gênero western, mas também os westerns menores, aqueles da ‘Poverty Row’ e entre estes seu mocinho favorito é Tim Holt, que ele sabia ter tido também suas aventuras publicadas em histórias em quadrinhos. A sorte acompanhou esse fã de westerns e eis que teve início, a partir dos anos 90, a reprodução perfeita de edições dos antigos gibis, mesmo aqueles raros que estavam nos acervos dos colecionadores e não há semana em que José Luís não receba dois ou três exemplares das histórias em quadrinhos clássicas.

 


 

  A internet possibilitou a José Luís fazer contato e se tornar amigo de inúmeros cinéfilos, muitos deles também westernmaníacos, especialmente aqueles do famoso CAW, o Cineclube Amigos do Western, lamentando não morar em São Paulo para poder fazer parte daquela confraria. Decidiu então José Luís passar a se reunir com os cinéfilos gaúchos com quem fazia intercâmbio de filmes e gibis e esse pequeno clube chegou a ter como ‘sede’ por algum tempo uma sala no tradicional espaço cultural ‘Centro Mário Quintana’, em Porto Alegre. São fãs como José Luís que não esmorecem diante das dificuldades e não deixam morrer o amor pelas coisas do Velho Oeste. E o WESTERNCINEMANIA solicitou e foi prontamente atendido por José Luís para elaborar sua lista de faroestes preferidos, aqueles que ele julga serem os melhores de tantos e tantos que já assistiu e sempre assiste. Num momento em que a feliz geração de cinéfilos que assistiu aos grandes filmes nos cinemas está passando o bastão para os mais jovens, aqueles mais antigos se regozijam ao ver o entusiasmo de fãs como José Luís Ilha, autêntico westernmaníaco.

 


30 de novembro de 2021

OS MELHORES WESTERNS DE TODOS OS TEMPOS, ELEITOS PELA CONFRARIA DOS AMIGOS DO WESTERN DE SÃO PAULO

Há 22 anos a revista 'PARDNER' que eu, Darci Fonseca, editava para a Confraria dos Amigos do Western (SP) publicou o resultado de uma enquete que a revista fez para eleger os dez melhores westerns de todos os tempos. 55 membros da confraria, todos especialistas no gênero, votaram e os dez primeiros faroestes foram analisados por alguns dos sócios da confraria. Nesses 22 anos muitos bons westerns foram produzidos e até poderiam fazer parte da seleta lista elaborada, mas acredito que não haveria maiores alterações quanto ao resultado final. Eis a matéria completa: