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13 de agosto de 2012

TOP-TEN WESTERNS DA CINÉFILA JANETE FELIX PALMA


WESTERNCINEMANIA tem publicado listas dos melhores faroestes de muitos cinéfilos e hoje publica um Top-Ten muito especial.  Especialíssimo mesmo pois foi elaborado por Janete Felix Palma, a primeira mulher a fazer parte do seleto grupo que mensalmente vem enriquecendo este blog com suas listas. Janete é esposa de Renato Luiz Pucci Jr., professor de cinema e autor de livros e ensaios sobre a 7.ª Arte. Janete faz parte do grupo Cinema Paradiso no qual é membro do Conselho Editorial e produtora gráfica do ‘Boletim Cinema Paradiso’ publicado quinzenalmente há 17 anos. Cinéfila de carteirinha, Janete chegou até ao WESTERNCINEMANIA quando fazia uma pesquisa sobre “Rio Vermelho”, de Howard Hawks. A partir de então Janete tornou-se seguidora do blog e é por mim considerada a ‘madrinha’ do WESTERNCINEMANIA. A própria Janete fala a seguir de seu amor pelo cinema e lista seu Top-Ten westerns:


O Homem Que Matou o Facínora teve que agir por que No Tempo das Diligências a lei era Matar ou Morrer, deixando Rastros de Ódio e transformando o lugar Onde Começa o Inferno num Rio Vermelho, em que os Sete Homens e um Destino lutavam para salvar camponeses dos bandidos, enquanto Butch Cassidy e Sundance Kid ficavam no saloon tocando violão com Johnny Guitar, pois, afinal, Os Brutos Também Amam.

Muito se fala que mulheres não gostam de western. Pode ser verdade, mas há exceções. Eu gosto, e muito, de faroestes. Cresci assistindo junto com meu pai os westerns americanos. Depois vieram os italianos nos tempos em que acompanhava minha irmã e meu futuro cunhado nas idas ao cinema. Ele fanático por cinema e por faroestes. Com eles assisti alguns bang-bangs do Trinity com destaque para os lindos olhos azuis de Terence Hill e também Por um Punhado de Dólares, com Clint Eastwood, outro com par de olhos azuis lindos. Isso para citar alguns, dos muitos que assisti.

Fazer meu Top-Ten dos filmes de faroestes. não foi fácil, ainda mais que tive que classificá-los. Posso garantir que os cinco primeiros são realmente os que mais gosto. Os outros cinco foram escolhidos através de duelos entre eles na minha lembrança. Os filmes de faroeste são um dos motivos que me levaram a gostar de assistir a filmes. Hoje, amo ir ao cinema e ver filmes na televisão que agora são mais diversificados nos gêneros, mas de vez em quando eu assisto aos filmes da minha infância, principalmente os faroestes.

1.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 – Fred Zinnemann
Considero “Matar ou Morrer” um dos melhores filmes de faroeste a que assisti. Um xerife recém-casado que, por motivos próprios, não segue para a sua lua-de-mel para ter que enfrentar um bandido, que chegará no trem do meio dia, e os seus capangas que o esperam. A espera da chegada do trem e o xerife pedindo ajuda às pessoas, que lhe é recusada, são momentos que nos deixa tenso, pois como ele enfrentará a todos sozinho? Embora o papel feminino de Katy Jurado tenha tido muito destaque, é Grace Kelly que no final, dá um tiro no vilão, salvando o marido.

2.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
“Os Brutos Também Amam” é um filme com certo heroísmo e romantismo. Não dá para dizer que é só faroeste. É também drama e romance. Um pistoleiro quer levar uma vida normal, mas se defronta com o destino de que sempre será um pistoleiro. Não há como deixar de ser, e ele deve abandonar a todos que ama. 

3.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
“Rastros de Ódio” é um western muito bem feito. O personagem de John Wayne, Ethan, sai em busca de sua sobrinha mais nova, raptada por índios, sem ter certeza de que ela estava viva, mas quando a encontra viva quer matá-la, por ter sido abusada pelos índios. Esse é um ponto importante, pois só no final é que podemos perceber o motivo de Ethan procurar sua sobrinha por cinco anos.

4.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
“No Tempo das Diligências” foi o primeiro filme em que John Ford utilizou o deslumbrante Monument Valley como cenário e que seria usado em outros filmes seus. Há alguns personagens com problemas sociais, o que faz o filme não ser apenas um faroeste de mocinho versus bandidos, mas também com tema de conflitos sociais, em que se mostra quem realmente tem o seu valor humano.

5.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man Whos Shot Liberty Valance), 1962 – John Ford
“Homem que Matou o Facínora” é um daqueles filmes que causam surpresas. Dois personagens antagônicos na maneira de ser, mas que têm o mesmo caminho: enfrentar Liberty Valance, um perigoso bandido. Um quer seguir as leis, mas o outro, segue a justiça com suas próprias mãos. E a surpresa é saber quem na verdade, matou o facínora.

6.º) Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven), 1960 – John Sturges
“Sete Homens e Um Destino” é um faroeste baseado em Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. O filme japonês, a meu ver, é melhor, porém o americano tem seus méritos também. Sete pistoleiros, cada um com a sua personalidade, têm apenas um motivo para estar juntos, o de ajudar um povo mexicano do ataque de ladrões. Embora sejam diferentes e entrem em conflitos, eles se unem para cumprir o que o destino lhes reservou.

7.º) Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid), 1969 – George Roy Hill
“Butch Cassidy” possui momentos inesquecíveis, como o do passeio de bicicleta de Paul Newman e Katherine Ross, ao som da famosa música Raindrops Keep Fallin' on My Head. E o mais intrigante é que se torce pelos vilões, que são mostrados meio atrapalhados e simpáticos. O final do filme é memorável para mim, com os dois amigos lutando e indo juntos para a morte inevitável.

8.º) Johnny Guitar, 1954 – Nicholas Ray
“Johnny Guitar” é um western em que duas mulheres se destacam, às vezes, até mais que os personagens masculinos, praticamente são as protagonistas, o que não existe muito em filmes do gênero. Mas, não considero um filme feminista. Destaque para a canção-tema composta por Victor Young e Peggy Lee.

9.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
Acredito que mesmo quem não goste de faroestes poderá gostar de “Onde Começa o Inferno”. Personagens diversificados, com destaque para Dean Martin no papel de bêbado. Embora seja um faroeste é um filme que está muito ligado à parte psicológica dos personagens. O filme tem drama, humor e ação. Tem uma oposição a Matar ou Morrer. O xerife recusa ajuda das pessoas da cidade.

10.º) Rio Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks
Gosto de “Rio Vermelho” por vários motivos, entre eles o papel de John Wayne, num misto de herói e anti-herói, que luta pelo seu patrimônio, o seu gado. E há uma cena fantástica que é a do estouro da boiada, por um motivo banal, mas que causa um grande sufoco aos vaqueiros.



                                                             Janete Felix Palma


Janete Felix Palma ladeada por Cibele Rocha e pelo editor deste blog
na festa de aniversário do grupo Cinema Paradiso no CineSesc.