UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN
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27 de junho de 2025

TERRA DO TERROR (OKLAHOMA BADLANDS)


 Faroeste com Allan ‘Rocky’ Lane é sinônimo de muita ação, com lutas, cavalgadas e tiroteios. Se o diretor for Yakima Canutt, essas sequências emocionantes ganham muito em qualidade beirando a perfeição e isso mesmo fazendo parte de um B-Western. Allan Lane sempre foi muito exigente nas filmagens, um exato perfeccionista e, dirigido por aquele que foi um dos mais notáveis dublês do cinema, o resultado é um dos melhores faroestes da série ‘Rocky’ Lane. E se a ação é perfeita, o roteiro de Robert Creighton Williams é dos mais inventivos, fugindo à regra simplista desse tipo de filme. Produzido pela Republic Pictures, que tinha ‘Rocky’ Lane sob contrato, este foi um dos dois únicos westerns do mocinho ‘Rocky’ Lane dirigidos pelo lendário Yakima Canutt (o outro foi “Vingança Tenebrosa”/Carson Cuity Raiders), ele, que nove anos antes, em 1939, seria visto dublando John Wayne e saltando sobre as três parelhas de six black horses da diligência em disparada numa das sequências mais marcantes e imitadas dos westerns em “No Tempo das Diligências” (Stagecoach). E depois de longa carreira como ator, diretor e principalmente stuntmen, Canutt passou a coordenador das sequências de ação em filmes como “Spartacus”, “El Cid” e no premiadíssimo “Ben-Hur”, entre dezenas e dezenas de trabalhos. A contribuição de Yakima Canutt para o cinema é extraordinária e sua contribuição para o modesto “Terra do Terror” (Oklahoma Badlands) foi igualmente preciosa.

 


Confusão em Grass Valley - O ganancioso Oliver Budge (Gene Roth) é o editor do Grass Valley Tribune e quer ampliar seus tentáculos dominando uma vasta porção de terras. Para isso é necessário se apoderar do rancho do falecido Rawlins. Sanders (Roy Barcroft) e Sharkey (Dale Van Sickel) são os principais capangas de Budge, matam o velho Rawlins e depois seu filho Ken Rawlins (Jay Kirby). Antes de ser morto, Ken Rawlins envia menagem para seu amigo ‘Rocky’ Lane pedindo ajuda. Vivia em Saint Louis uma herdeira do rancho, de nome Leslie Rawlins (Mildred Coles) que veio tomar posse da propriedade herdada. Os bandidos liderados por Sanders atacam a diligência na qual está Leslie e acreditando que Leslie fosse um homem tentam assassinar um dos passageiros, sendo contidos por um estranho que se aproxima. Ele é ‘Rocky’ Lane que então se faz passar por Leslie Rawlins. E a verdadeira Leslie Rawlins passa a trabalhar no seu rancho usando outra identidade. Budge e seus homens encontram dificuldades para intimidar o estranho que acreditam ser Leslie Rawlins. A confusão é desfeita por acaso quando Budge descobre que Leslie é uma mulher e então sequestra a verdadeira Leslie Rawlins tentando levá-la para longe da cidade. ‘Rocky’ Lane persegue a diligência, abate os facínoras e o rancho volta para as mãos da verdadeira dona.

 

'Rocky' Lane; 'Rocky' e Mildred Coles

Roy Barcroft muito cansado - ‘Rocky’ Lane raramente sorria em seus westerns, mas em “Terra do Terror” ele está visivelmente mais feliz e até seu sidekick Nugett Clark (Eddy Waller) está mais engraçado. Para isso muito ajudam as confusões promovidas pelo roteiro com as trocas de identidades não só da moça Leslie mas também de um falso tio (Earle Hodgins) que é um ator contratado para se passar pelo tio verdadeiro. Nuggett Clark já é meio atrapalhado e essas situações fazem com que ele menos ainda entenda o que se passa. Mas quem se atrapalha de fato é Oliver Budge que não contava com a presença de ‘Rocky’ Lane para estragar seus planos. E mais ainda porque Roy Barcroft (Sanders) não estava nos seus melhores dias, passando mais tempo deitado num sofá que provocando ‘Rocky’ Lane, de quem toma apenas uma surra. Mas que surra! Sanders e ‘Rocky’ Lane travam uma luta violenta em cima de uma diligência em movimento no momento de maior emoção de “Terra do Terror”. ‘Rocky’ Lane e seu cavalo Blackjack brilham em cada sequência e como de hábito, ‘Rocky’ não fica com a mocinha Mildred Coles. Os fãs de Roy Barcroft ficam um pouco decepcionados porque os melhores bandidos do filme são Gene Roth (que muitas vezes era creditado como Eugene Stutenroth ou Eugene Roth) e Dale Van Sickel. “Terra do Terror” não é apenas cima da média dos Westerns-B, mas um dos melhores de ‘Rocky’ Lane, o que não é pouca coisa.

 

Roy Barcroft e Cactus Mack; Dale Van Sickel; a luta entre 'Rocky' Lane e Barcroft; Barcroft e Gene Roth


Allan 'Rocky' Lane e Blackjack; Eddy Waller; Yakima Canutt

28 de outubro de 2013

ARMADILHA DA MORTE (Desperadoes of Dodge City) – ROCKY LANE DESVENDA QUEM É McBRIDE


Em 1948 a Republic Pictures passou a produzir uma nova série de faroestes B com Allan ‘Rocky’ Lane. No Brasil o mocinho era chamado apenas de ‘Rocky Lane’. A série foi encerrada em 1953 e teve 38 filmes, tornando-se uma das mais movimentadas e admiradas que o estúdio de Herbert J. Yates produziu. O orçamento de cada um desses faroestes B não ultrapassava os 50 mil dólares e rendiam nas bilheterias norte-americanas sempre acima de 500 mil dólares, ou seja, lucro garantido para a Republic Pictures. Para não exceder os 50 mil dólares, em todos os filmes da série eram utilizadas cenas de arquivo, aquelas em que havia mais que três ou quatro homens a cavalo e mais que dois ou três carroções. Em “Armadilha da Morte” (Desperadoes of Dodge City), de 1948, observa-se bem essa técnica da Republic, que com uma boa montagem colocava Rocky Lane em meio à ação intensa. A maior parte das sequências, porém, foram filmadas em estúdio e algumas, como de hábito, no Iverson Ranch, em Santa Susanna, na Califórnia.




Como se diz...Qualquer semelhança é
mera coincidência da cena acima com
"No Tempo das Diligências"; abaixo
a troca da estranha senha.
Os suspeitos passageiros - Em “Armadilha da Morte” um homem conhecido apenas por McBride é temido por todos em Dodge City pois comanda uma quadrilha que impõe o terror entre os colonos. Stockton (John Hamilton), o Comissário de Terras de Dodge City elabora um plano para fazer com que o Exército intervenha. O plano consiste em fazer chegar até o Forte Henry uma solicitação de ajuda e para isso é criada uma senha entre os mensageiros. A senha é “Você hesitou?”, seguida da resposta “Apenas até um novo dia”. Os homens de McBride conseguem interceptar o cavaleiro incumbido de entregar a mensagem a Rocky Lane. Para recuperar a mensagem Rocky se faz passar por passageiro de uma diligência que conduz quatro homens e uma mulher. São eles o jogador Ace Durant (Tristram Coffin), Calvin Sutton (James Craven), Ted Loring (William Phipps), a atriz Gloria Lamoreaux (Mildred Coles) e um rancheiro que não se identifica (Roy Barcroft). Um deles pode ser o temido McBride que Rocky Lane e seu amigo Nugget Clark (Eddy Waller) se empenham em descobrir. Todos permanecem num posto de diligência sendo sitiados pelos homens e McBride. Conseguem escapar por uma passagem secreta e só então é descoberta a identidade de McBride, que é, de fato, um dos passageiros da diligência e é morto por Rocky Lane num confronto entre ambos.

Cena rara: Roy Barcroft nos braços de
 Rocky Lane sem que estejam lutando;
abaixo o cãozinho e seu dono morto.
Costumeiros vilões - Roy Barcroft foi o ator que mais vezes interpretou o principal bandido nos faroestes de Rocky Lane e por essa razão deveria ser o principal suspeito de ser o criminoso McBride em “Armadilha da Morte”. Ainda mais que seu personagem é rude e se comporta de maneira hostil com os demais passageiros da diligência. O roteiro desta aventura de Rocky Lane joga habilmente com esta errônea presunção durante boa parte do filme. Outro possível suspeito seria o também comumente vilão Tristram Coffin, mas somente nos minutos finais de “Armadilha da Morte” é que o espectador saberá quem é McBride. Até lá Rocky Lane terá algum trabalho e se mostrará em excepcional forma física (Allan Lane estava então com 44 anos de idade). Falta ao filme a normalmente violenta luta de socos entre Rocky Lane e Roy Barcroft, o que é compensado com o mistério da trama. Bastante interessante é a sequência da morte do velho surdo com seu cão se recusando a abandonar o corpo inerte do dono. Teria George Stevens se inspirado neste faroeste B para criar a bela sequência do enterro em “Os Brutos Também Amam”?

Rocky Lane e seu sidekick Eddy Waller.
O sidekick Nugget Clark – O roteiro joga com o sentimento do público infanto-juvenil que não esqueceu do cão que ficou sem dono, fazendo com que ao final o novo casal de colonos (Ace Durant e Gloria Lamoreaux) o adotem. Uma das últimas cenas do filme mostra a alegria do cachorro entre os novos donos que reiniciam suas vidas. Roy Barcroft e Tristram Coffin, ambos sem bigodes, inspiram menor temor e os conhecidos foras-da-lei Dale Van Sickel e Robert J. Wilke têm pequenas participações em “Armadilha da Morte”. Este foi um dos primeiros filmes de William Phipps e a linda mocinha Mildred Coles é o destaque feminino. Este foi o terceiro e último faroeste da série Rocky Lane em que Mildred Coles atuou. Os fãs de Rocky Lane sabiam que com Eddy Waller interpretando o sidekick, o mocinho teria sempre uma ajuda providencial. Eddy Waller acompanhou Allan Lane em 32 das aventuras de 'Rocky Lane' na Republic Pictures, em todas elas demonstrando o ótimo ator que era mesmo interpretando o personagem rotineiro. Ainda que não tenha sido um faroeste dos mais vibrantes da série, “Armadilha da Morte” vale à pena ser visto, assim como todos os faroestes do mocinho Rocky Lane.

Acima as inevitáveis cenas de arquivo; abaixo Rocky Lane com dois dos
suspeitos de serem McBride; Rocky cavalgando Black Jack.


26 de outubro de 2013

DILIGÊNCIA MARCADA (STAGECOACH TO DENVER) – ALLAN LANE COMO ‘RED RYDER’


Duas versões de 'Red Ryder': acima Don
Barry com Tommy Cook; abaixo Bill
Elliott com Bobby (Robert) Blake.
Após as excelentes participações em quatro seriados da Republic Pictures, o estúdio teve a certeza que tinha em Allan Lane um perfeito herói para filmes de aventuras e faroestes. Lane inicialmente herdou a série western de Don ‘Red’ Barry que pretendia se afastar daquele nicho para atuar em produções melhores. Como novo mocinho da Republic, substituindo Don Barry, Allan Lane fez seis westerns B até que ‘Wild’ Bill Elliott decidiu não continuar com a série ‘Red Ryder’ a principal série western do estúdio. A história se repetiu e Allan Lane herdou o personagem ‘Red Ryder’, o qual interpretou em sete filmes da série. Finda a série ‘Red Ryder’ a Republic possibilitou a Allan Lane ter, finalmente, sua série própria com o personagem Allan ‘Rocky’ Lane. Os westerns que Lane fez como ‘Red Ryder’ tiveram excelente qualidade e “Diligência de Bandidos” (Stagecoach to Denver), de 1946, merece atenção por ser o mais diferente da série.


Allan Lane (acima); Roy Barcroft e
Peggy Stewart na outra foto.
Roy Barcroft espoliando os incautos - Vivia-se o apogeu do film noir e personagens femininos eram sempre importantíssimas nesse gênero de filme. Um tanto influenciado pelos filmes noir, em “Diligência de Bandidos” o mistério da trama gira em torno de uma moça chamada ‘Beautiful’ (Peggy Stewart). Beautiful é parte da quadrilha de Big Bill Lambert (Roy Barcrifot), escroque que pretende se apossar de terras valiosas entre as cidades de Elkrom e Denver. Os planos de Lambert caminham satisfatoriamente e ele tem o xerife Crooked (Ted Adams) como seu aliado. Lambert provoca a morte de Felton (Ed Cassidy) um Comissário de Terras que se dirigia a Denver, fazendo com que a diligência em que este viajava sofresse um acidente. Em seguida Lambert transforma Felton (Stanley Price), seu assecla de Denver, em Comissário de Terras e com isso facilita suas ações ilícitas. Na diligência para Denver viajava o menino Dickie (Bobby Hyatt), órfão de pais e que se dirigia àquela cidade para viver com sua tia. Dickie sai gravemente ferido do acidente necessitando uma cirurgia que só pode ser autorizada por um parente próximo. Lambert faz com que Beautiful, também membro de seu bando, venha de Denver e finja ser a tia de Dickie. Tudo se complica para Lambert quando Beautiful se condói do estado do pequeno Dickie e anuncia a Lambert que não mais fará parte de seus planos criminosos. Dickie e Beautiful permanecem no rancho de Coonskin (Emmett Lynn), amigo de Red Ryder (Allan Lane). Com a ajuda de Beautiful Red Ryder descobre as trapaças de Big Bill Lambert e coloca um fim no domínio do bandido.

Peggy Stewart como vilã fumando ao
lado de Stanley Price; abaixo Peggy com
Allan Lane e o pequeno Bobby Hyatt.
Trama melancólica - Os westerns B dos pequenos estúdios de Hollywood tinham como público predominante crianças e adolescentes e, por essa razão, suas histórias eram fáceis de serem compreendidas. “Diligência de Bandidos” foge à regra e apresenta não só uma trama bastante complexa como também uma atmosfera diferente, quase sombria. O menino Dickie, ameaçado de ficar paralítico, passa o filme todo imóvel numa cama. Aquela que seria a heroína do filme (Peggy Stewart, mocinha em dezenas de westerns B) é uma vilã que se arrepende e é alvejada, morrendo no final. O boboca Coonskin não tem oportunidade de fazer nenhuma graça e Little Beaver (Bobby Blake – Robert Blake) não participa de nenhuma ação em ajuda a Red Ryder. Isso tudo faz de “Diligência de Bandidos” um faroeste um tanto amargo. A Duquesa (Martha Wentworth), tia de Red Ryder, juntamente com Little Beaver e o sidekick de plantão eram personagens alegres e simpáticos que compensavam a seriedade de Allan Lane como Red Ryder. Neste faroeste, porém, todos eles dão espaço para a trama melancólica que se desenrola. Tudo melhora, no entanto quando Red Ryder entra em ação.

Roy Barcroft trama com seus capangas
Edmund Cobb e Ted Adams; abaixo
Barcroft levando a merecida lição.
O notório bandido - O melhor dos faroestes de Allan Lane, especialmente quando o vilão é Roy Barcroft, é a inevitável luta que se trava entre os dois. Esse aguardado momento tem lugar em “Diligência de Bandidos” bem antes do epílogo do filme e vale pelo filme todo, ainda que se possa perceber que Allan é dublado por Tom Steele e Barcroft, mais visivelmente, deixa os socos do mocinho para o dublê Fred Graham levar. Graham possuía vasta cabeleira e a calvície de Barcroft era pronunciada no alto da cabeça, fato que a Republic não se preocupou em disfarçar. E por falar em Roy Barcroft, vale lembrar que qualquer criança sabia desde o início de cada filme que ele era o bandidão, fato que o pouco sagaz mocinho demora a descobrir, o que incomodava os espectadores das matinês. Mas tudo se resolvia quando Allan Lane cavalgava Blackjack e acertava as contas com o malfeitor, de preferência Roy Barcroft. A direção deste faroeste, bem como dos demais cinco filmes da série 'Red Ryder' com Allan Lane, coube a R.G. Springsteen. Peggy Stewart como vilã redimida está ótima e o time de bandidos é de primeira, comandado por Barcroft e completado por Ted Adams, Edmund Cobb, Stanley Price e George Chesebro. “Diligência de Bandidos” foi mais um pequeno western que ajudou a elevar Allan Lane ao panteão dos grandes mocinhos dos westerns B nos anos 40, com direito a ter até mesmo uma duradoura série de gibis com seu nome na década seguinte.


Troca de tiros entre Edmund Cobb e Allan Lane; no lobbycard Emmett Lynn
atento à conversa entre Allan Lane e o xerife Ted Adams.

Pôster sem capricho de "Diligência de Bandidos": Allan Lane mais parecendo
Rod Cameron e Bobby Blake que pode ser confundido com Manuel King,
o 'Baru' do seriado clássico "A Deusa de Joba", de 1936.

5 de novembro de 2012

DELEGADO SAGAZ (Sundown in Santa Fé) - ROCKY LANE E A ADAGA MISTERIOSA


No final da década de 40 a Republic Pictures mantinha uma linha de produção dividida em quatro segmentos: Premiere GradeDe LuxeAnniversaryJubilee. Antes de ser produzido, um filme da Republic era enquadrado num desses segmentos de acordo com seu custo de produção e era Premiere Grade o filme com custo de um milhão de dólares ou mais como os estrelados por John Wayne; De Luxe era o filme com custo entre 500 mil dólares e um milhão de dólares, seriados ou faroestes e policiais de melhor qualidade; Anniversary  era a classificação de um filme com custo entre 50 mil e 100 mil dólares como os de Roy Rogers. E a classificação Jubilee era para os filmes cuja produção se limitava a 50 mil dólares. Enquadravam-se na categoria Jubilee os Faroestes ‘B’ que raramente excediam esse limite. Mas diferentemente dos filmes das demais categorias, os Faroestes ‘B’ eram lucro garantido para o estúdio e um dos melhores exemplos eram os filmes de Allan 'Rocky' Lane cujas receitas líquidas eram sempre superiores a 500 mil dólares. E como eram bons esses pequenos faroestes como “Delegado Sagaz” (Sundown in Santa Fé).


Monte Hale, substituído por Rocky Lane.
Autor de seriados clássicos - Vivia-se em 1948 os tempos dos grandes filmes noir, com histórias intrincadas e tipos misteriosos, nunca faltando mulheres louras e objetos sinistros e trágicos como o falcão maltês de “Relíquia Macabra”. Pois “Delegado Sagaz” tem um pouco de tudo isso, numa história escrita por Norman S. Hall. O incansável Norman S. Hall foi o autor de alguns dos melhores roteiros escritos para seriados, como os clássicos “Flash Gordon” (com Buster Crabbe), “As Aventuras do Capitão Marvel” (com Tom Tyler), “Os Tambores de Fu-Manchu” (com Henry Brandon), “A Filha das Selvas” (com Frances Gifford), “O Terror dos Espiões” (com Kane Richmond) e mais uma dezena de filmes em capítulos. Finda a melhor fase dos seriados, Norman S. Hall passou a escrever roteiros para os faroestes do segmento Jubilee da Republic, ou seja, os mais baratos. “Delegado Sagaz” era um faroeste para ser estrelado por Monte Hale e quando a produção já estava pela metade, eis que Monte Hale fratura um braço. Para não perder tempo e nem o investimento já feito, a Republic fez Allan Rocky Lane vestir a camisa com a gola amarrada de Monte Hale, trocar sua calça jeans e assumir o personagem do filme refazendo cenas já filmadas com Monte Hale. N esse filmeRocky Lane nem pode usar seu querido cavalo Black Jack e até Nuggett Clark não é seu sidekick, interpretando outro personagem. A direção de “Delegado Sagaz” coube ao prolífico R.G. Springsteen acostumado a dirigir Allan Rocky Lane, como o fez em 14 westerns.

Roteiro de filme de mistério – Em “Delegado Sagaz” Rocky Lane é um agente governamental que recebe a missão de encontrar o bandido Walter Durant que havia sido o líder da trama que levou ao assassinato de Lincoln. E Rocky Lane deveria ainda desvendar a quadrilha que roubava cargas enviadas pelo Exército para o México. A única pista existente deixada nos assaltos eram as adagas encontradas após cada crime, geralmente cravadas nas costas de condutores de carroça. Chegando em Santa Fé, Rocky Lane é designado ajudante do xerife Jim Wyatt (Russell Simpson), cujo filho Tom (Rand Brooks) é noivo de Lola Gillette (Jean Dean), filha do rancheiro Tracy Gillette (Roy Barcroft). Pai e filha Gillette trabalham para John Stuart (Trevor Bardette), que não é outro senão o próprio Walter Durant mudando de identidade para fugir da lei. A insinuante Lola usa o noivo para obter as informações sobre as próximas cargas a serem roubadas. As adagas usadas para os crimes tinham sempre a inscrição em Latim ‘Sic Semper Tyrannus’, cuja mais significativa tradução é ‘Morte aos Tiranos’, frase gritada por John Wilkes Booth antes de assassinar Abraham Lincoln. Essa é a ligação entre a adaga e o disfarçado Walter Durant que como o maléfico John Stuart possui até mesmo uma ave apelidada ‘Jeb Stuart’. Como homem importante do Serviço de Inteligência e ainda ajudado por Horace Harvey (Eddy Waller), Rocky Lane descobre que Tom e Lola estão envolvidos com John Stuart. Depois de duas trocas de socos com Tom Owens (Lane Bradford), capataz de Tracy Gillette e um confronto com o próprio Gillette, Rocky Lane liquida John Stuart/Walter Durant, acabando com o terror e a onda de assaltos em Santa Fé.

Acima Eddy Waller como impressor e Rocky Lane com camisa diferente;
no centro o bandidão Lane Bradford mostrando sua habilidade; abaixo Russell
Simpson como xerife e Eddy Waller olhando Minerva Urecal matando a sede.



Roy Barcroft e Trevor Bardette, este pronto para matar
Barcroft com a adaga; abaixo Rocky Lane com a
arma misteriosa de "Delegado Sagaz".
Roy Barcroft, como segundo vilão – Além do roteiro muito acima da média para um faroeste ‘B’, o que não falta em “Delegado Sagaz” é ação de boa qualidade com perseguições e tiroteios. Mistério verdadeiramente não há no filme pois um faroeste B tem que primar pela fácil compreensão de sua história, mas a história é inegavelmente inteligente e por isso mesmo satisfaz até mesmo um público diferente daquele infanto-juvenil ao qual eram destinados os faroestes ‘B’. E acima de tudo está a figura de Rocky Lane, um dos grandes mocinhos do cinema, sempre convincente como ator e nas lutas contra com os bandidos. A lamentar que Rocky Lane não trave neste filme nenhuma daquelas encarniçadas e antológicas lutas contra Roy Barcroft, lutas que eram as mais emocionantes e violentas dos faroestes ‘B”. O principal adversário de Rocky Lane em “Delegado Sagaz” é o grandalhão e também violento Lane Bradford.  Em papel secundário, Barcroft é morto por uma das adagas ‘Sic Semper Tyrannus’ de Trevor Bardette, o principal vilão. Neste incomum faroeste o par romântico formado por Rand Brooks e pela loura Jean Dean são foras-da-lei, restando apenas do lado dos bons o infeliz xerife interpretado por Russell Simpson e Eddy Waller desta vez inesperadamente como um gráfico do jornal pertencente ao bandidão Trevor Bardette. A veterana Minerva Urecal é a responsável pelos momentos engraçados ao lado de Eddy Waller. Se você gosta de um bom faroeste, seja sagaz como o delegado e não perca este western de Rocky Lane que mesmo sem sua tradicional camisa com listras verticais mostra porque possuía uma invejável legião de fãs.





22 de janeiro de 2012

O TERROR DE TOPEKA (The Topeka Terror) - ALLAN (Rocky) LANE COM LINDA STIRLING


Na sua fase inicial como mocinho da Republic Pictures o ator Allan Lane ainda não usava o apelido 'Rocky'. Essa sua primeira série de faroestes rendeu seis filmes e "O Terror de Topeka" (The Topeka Terror) foi o quarto deles. Esses faroestes foram suficientes para o ator ser escolhido pela republic para ser o novo 'Red Ryder' e posteriormente se tornar Allan 'Rocky' Lane, sem dúvida um dos mais espetaculares mocinhos de todos os tempos.


Allan (Rocky) Lane e Linda Stirling
DISPUTA SUJA PELA POSSE DE TERRA - Patricia Harper foi a autora do argumento e do roteiro (juntamente com Norman S. Hall) de "O Terror de Topeka", localizando a história numa das mais famosas 'landrushs' (corridas por um pedaço de terra) do Velho Oeste, a Corrida de Oklahoma. Em 1889 o Governo norte-americano autorizou que cidadãos oriundos de diversas partes do país conquistassem seu tão sonhado pequeno rincão localizado numa parte dos dois milhões de acres de terras disponíveis. Um território denominado Cherokee Strip, tomado dos índios foi um dos alvos da lendária corrida e William Hardy (Tom London) conseguiu seu pedacinho de terra onde viveria com as filhas June (Linda Stirling) e Midge (Twinkle Watts). Acontece que os escroques Ben Jode (Roy Barcroft) e Clyde Flint (Bud Geary) tinham planos de se apossar da possessão de Hardy e de todas as demais pessoas humildes como ele. Para isso Jode e Flint forjam um livro de escrituras e obrigam o Agente de Terras do Governo Trent Parker (Frank Jaquet) a consumar a fraude. Parker  acumulou dívidas de jogo no valor de seis mil dólares nas roletas viciadas do Saloon Red Dust, de Flint e é forçado a aceitar a troca dos livros de possessões de terras. O que o grupo desonesto não contava é com a presença do Investigador Federal Chad Stevens (Allan Lane) que secretamente chega ao lugarejo para impedir esse tipo de falcatrua. Chad Stevens torna-se amigo e protetor da família Hardy e de um esquisito amigo deles, um advogado tagarela chamado Don Quixote Martindale (Earle Hodgins), a quem Chad apelida de 'Ipso-Facto'. O valente Chad desvenda a trama e captura Jode, Flint e os demais capangas possibilitando uma vida nova e feliz para aqueles que conseguiram as concessões das terras.

Acima os badmen Bud Geary e Roy Barcroft;
abaixo Barcroft com Allan Lane
UM HILÁRIO 'LINCOLN' - Esse argumento já foi usado em centenas de faroestes mas "O Terror de Topeka" tem diversos ingredientes que tornam este western-B muito saboroso de se assistir. A começar pelo ator Earle Hodgins que, na falta de um sidekick para o mocinho Allan Lane, cria uma hilariante figura, a do advogado Martindale, emulando Abraham Lincoln com casaca e cartola. Martindale fala pernosticamente o tempo todo e recheia suas observações com latinismos. Se contrariado ameaça sempre levar o caso à Corte Suprema ou ainda mais além... Martindale enfrenta destemidamente os bandidos mesmo que eles sejam interpretados por badmen como Roy Barcroft, Bud Geary, Fred Graham e ainda um Robert J. Wilke (Bob Wilke) bastante jovem. O mocinho Allan Lane que vinha de espetaculares atuações em seriados, um deles ao lado da Mulher-Tigre Linda Stirling, demonstra em dois sensacionais fistfights que viria a ser o mocinho das melhores brigas dos faroestes nos anos 40 e 50. Numa das lutas no Saloon Red Dust, Lane enfrenta o crupier Fred Graham e mais dois ou três capangas da dupla Roy Barcroft-Bud Geary. E próximo do final é Barcroft quem sofre a força dos punhos de Allan Lane, ainda que Barcroft seja visivelmente dublado na troca de socos pelo sempre pronto para apanhar stuntmen Fred Graham. Uma pena que Linda Stirling tenha presença decorativa em "O Terror de Topeka", justamente ela que se tornaria "A Rainha dos seriados" da Republic Pictures.


Acima Earle Hodgins com Monte Hale
a seu lado; abaixo Twinkle Watts.
CRIADOR E CRIATURAS - Dirigido pelo veterano Howard Bretherton, "O Terror de Topeka" é diversão garantida com todos os clichês do gênero, não faltando sequer a carroça em disparada com o mocinho Allan Lane salvando Tom London e Twinkle Watts da morte certa. Herbert J. Yates, o dono da Republic Pictures é notável pelas apostas erradas que sempre cometeu. A mais famosa dessas apostas foi ao tentar transformar sua namorada (mais tarde se casaram) tcheca Vera Hruba Ralston em estrela. Outra malfadada invenção de Yates foi criar a própria Shirley Temple da Republic, escolhendo para isso uma menina que tinha tanta graça e talento quanto sua amada Vera Ralston. Mas a alegria de ver na tela diversos atores dos pequenos westerns acaba fazendo o espectador esquecer de Twinkle Watts. Entre esses atores estão em "O Terror de Topeka" Tom London, Hank Bell, Bob Wilke, Bud Geary e até mesmo o rosto simpático e sorridente de Monte Hale fazendo figuração, isto enquanto aguardava o momento de se tornar outro mocinho daquela fantástica fábrica de felicidade para a garotada que era a Republic Pictures.

17 de junho de 2011

"À PROCURA DO BANDIDO" (SILVER CITY KID), PRIMEIRO WESTERN DO MOCINHO ALLAN LANE

Em seu primeiro western como mocinho na Republic, Allan Lane aqui ao
lado de Wally Vernon lembra pouco o espetacular Rocky Lane
Depois do sucesso nos dois seriados interpretando o Sergeant Dave King em “O Rei da Polícia Montada” (King of the Royal Mounted) e “Polícia Montada Contra a Sabotagem” (King of the Mounties) e também nos seriados “A Tribo Misteriosa” (Daredevils of the West) e “A Mulher Tigre” (The Tiger Woman), Allan Lane passou a ser um nome bastante conhecido da garotada que vibrava nas matinês dominicais. Ele já havia atuado num faroeste estrelado por Harry Carey chamado “A Lei na Terra dos Bandoleiros”, em 1938, mum papel pequeno e que não chamou muito a atenção. Em 1943 o ator de westerns da Republic Don ‘Red’ Barry decidiu passar a fazer filmes mais adultos e abriu uma vaga no time de cowboys do estúdio. A Republic Pictures não perdeu tempo, lançando Allan Lane como novo mocinho, concorrendo diretamente com Roy Rogers e Bill Eliott, os principais cowboys da casa. Quando a criançada (e mais discretamente muitos adultos também) souberam que seria lançado um faroeste com aquele mocinho corajoso e bom de briga que conheciam dos seriados, ficaram todos alvoroçados. Como seria ele, qual sua roupa, qual o nome de seu cavalo, teria um sidekick e que nome de mocinho ele teria, imaginavam os fãs. As respostas iriam demorar um pouco pois nem mesmo a própria Republic tinha inteira certeza que o novo mocinho cairia no gosto dos freqüentadores das matinês. E o aguardado primeiro western-B com Allan Lane finalmente chegou, exatamente em julho de 1944. Era "À Procura do Bandido” (Silver City Kid), que mostrou Allan Lane sem usar seu próprio nome, sem chamar seu cavalo preto por um nome e usando uma roupa sem graça que era uma camisa preta e uma calça um tanto desengonçada. O boboca (sidekick) de Allan Lane já era conhecido dos westerns de Don ‘Red’ Barry e chamava-se Wally Vernon, um baixinho muito mentiroso apelidado de ‘Wildcat’ (Gato Selvagem). Mesmo reclamando um pouco a garotada gostou do filme e já sabia que ali nascia um novo cowboy das matinês. O que a Republic fez mesmo foi passar para Allan Lane o sidekick (Wally), a mocinha (Peggy Stewart) e até a menininha Twinkle Watts, todos constantes nos filmes de Don Red Barry.

Twinkle Watts, Allan Lane e Peggy Stewart
HAJA BANDIDO PARA APANHAR - O faroeste tem o título original de “Silver City Kid”, porém não se passa em Silver City e não há sequer alguma referência a essa cidade. Muitos menos há algum garoto vindo desse lugar. Por sinal Allan Lane já estava com 35 anos e não podia ser chamado de ‘Kid’. Ao invés da prata do título original, o filme gira em torno de uma mina de um minério chamado molibdenium, mina pretendida pelo desonesto juiz da cidade Sam Ballard (Harry Woods). O juiz manda matar o dono da mina e tenta culpar a filha deste (Peggy Stewart). O ingênuo Sheriff Gibson (Tom London) deixa-se enganar por Sam Ballard, mas surge então Jack Adams (Allan Lane) e seu amigo Wildcat (Wally Vernon) para desvendar a trama. Dirigido por John English neste seu primeiro filme como mocinho, Allan Lane demonstra sua habilidade nas lutas com os bandidões Glenn Strange, Bud Geary, Fred Graham e o espetacular Tom Steele. Harry Woods também não escapa dos punhos de Allan Lane e termina sendo jogado do alto de um despenhadeiro. Ainda no elenco Jack Kirk, Lane Chandler e Frank Jaquet. Herdados de Don Red Barry, como foi dito, completam o elenco Peggy Stewart, Wally Vernon e a menina Twinkle Watts. Twinkle foi uma tentativa de resposta tardia da Republic a Shirley Temple que era um dos maiores salários do cinema. Esse excelente elenco demonstrou a confiança da Republic no novo mocinho Allan Lane que iniciou uma série de seis filmes, passando depois para a série Red Ryder e finalmente assumindo a identidade de Allan ‘Rocky’ Lane em sua série própria que teve 38 filmes. Aí sim, ele passou a montar Black Jack, a usar a famosa camisa com listras verticais, ter gibi próprio e se consagrar como um dos maiores mocinhos de todos os tempos.