68 westerns foram filmados em 1957 nos Estados Unidos, nenhum com John Wayne. Esse era um tempo em que Randolph Scott reinava absoluto como o Rei do Faroeste nas telas, atuando em três westerns nesse ano. Joel McCrea e George Montgomery secundavam Randy Scott fazendo também muitos faroestes. Em 1957 Montgomery fez quatro e Joel McCrea atuou em outros quatro: “Quando as Pistolas Decidem” (The Oklahoman), “Vingança no Coração” (Trooper Hook), “Audácia de um Estranho” (The Tall Stranger) e “Chuva de Balas” (Gunsight Ridge) que não é o melhor deles, mas é um significativo exemplar dos faroestes desse período.
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| Mark Stevens ao piano |
O BANDIDO PIANISTA - Os faroestes dos anos 50 geralmente continham um componente psicológico e eram mais dialogados com prejuízo da ação. “Chuva de Balas” caminha por aí e apresenta um bandido diferente que tendo aprendido a tocar piano e sendo talentoso, não pode desenvolver os estudos por ser pobre. Isso o leva a ser acometido de traumas a cada vez que vê um piano, não resistindo a executar uma canção. As mesmas mãos que deslizam suavemente nas teclas são também hábeis no manejo das cartas, revólveres e rifles. Portanto não sem razão esse fora-da-lei pianista tem o nome de ‘Velvet’ (Veludo). Velvet Clark (Mark Stevens), homem procurado por Mike Ryan (Joel McCrea), agente federal que chega a Bancroft sem revelar sua verdadeira identidade. Apesar de sua sensibilidade musical tão apurada, Velvet é impiedoso na sua trilha criminosa, não hesitando em matar quem atravessa seu caminho de assaltante de diligências e de ladrão de bancos. Velvet é também adepto da filosofia segundo a qual ‘Ladrão que rouba ladrão sempre merece perdão’, tanto que em seu último golpe se apodera de 30 mil dólares que foram roubados de um trem por quatro ineptos ladrões. É quando, afinal, o agente Mike Ryan consegue encurralar Velvet num local chamado ‘Gunsight Ridge’, acabando com sua sanha criminosa. Como prêmio Mike Ryan ganha o amor de Molly Jones, filha do idoso xerife Tom Jones que fora assassinado por Velvet.
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| McCrea com Darlene Fieds; Carolyn Craig com o rifle; Joan Weldon; Cindy Robbins e Kitty Kelly nas fotos menores |
OS CONHECIDOS PERSONAGENS DE BANCROFT - O que poderia resultar num filme interessante pela presença do refinado bandido-pianista, personagem inusitado nos faroestes, transforma-se num filme sem brilho pela direção insípida de Francis D. Lyon, o mesmo dos bons e bastante mais movimentados “Têmpera de Bravos” (The Great Locomotive Chase) e “Missão Audaciosa” (Escort West). Todo o desenvolvimento da trama em “Chuva de Balas” é previsível, assim como cada um de seus padronizados personagens, a começar pelo herói que chega à cidade para limpá-la dos malfeitores. Lá estão ainda o xerife honesto porém incapaz, os cidadãos de bem que temem pelos seus negócios, o grupo de cowboys que tira o sossego do xerife e as mulheres. Os roteiristas Talbot e Elizabeth Jennings se esmeraram ao colocar nada menos que cinco mulheres neste pequeno western: Molly Jones, a filha do xerife que a princípio antipatiza com o herói para mais tarde se apaixonar por ele; Rosa, a experiente garota do saloon, cuja chance de mudar de vida é acreditar no amor do bandido-pianista; a ansiosa noivinha que vê seu casamento ser interrompido pela chegada dos bandidos; uma garota decidida que na ausência dos familiares enfrenta armada com uma espingarda quem se aproxima de seu rancho, cedendo, no entanto, aos encantos do bandido das mãos de veludo; e finalmente a senhora Donahue, a desconfiada viúva dona da pensão. Sem dúvida você já viu todos esses personagens em outros filmes.
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| Slim Pickens na diligência; Dan Blocker antes de se tornar Hoss Cartwright |
ÁLBUM DE COADJUVANTES - “Chuva de Balas” até que começa bem com um assalto à diligência que é conduzida espetacularmente por Slim Pickens sem dublê. Na sequência as cenas mais movimentadas ficam para Mark Stevens que quando não é seduzido pelas teclas de um piano é atraído pelo crime. Quando chamado a intervir Joel McCrea demonstra porque era um dos principais cowboys de Hollywood, fazendo aquela linha do mocinho de poucas palavras, austero, vigoroso e simpático. Um dos principais atrativos de “Chuva de Balas” é a presença de muitos atores coadjuvantes bastante conhecidos do público, a começar por Dan Blocker dois anos antes de se tornar Hoss Cartwright em “Bonanza”; L.Q. Jones antes de integrar a Sam Peckinpah Stock Company; Slim Pickens após a fase sidekick de Rex Allen; Hank Patterson (da série “O Fazendeiro do Asfalto); George Chandler; Morgan Woodward; o espanhol Martin Garralaga que foi Pancho do Cisco Kid de Duncan Renaldo; e uma boa oportunidade de ver em ação Dale Van Sickel, ator e stuntman que participou de quase todos os seriados da Republic Pictures, morrendo espetacularmente em algum capítulo de praticamente todos eles. Rever toda essa gente num só filme já torna “Chuva de Balas” um bom programa e além disso há a agradável surpresa da presença da desconhecida porém ótima atriz Darlene Fields interpretando Rosa, a saloon girl.
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| Cena final de "Chuva de Balas" com Joel McCrea e Mark Stevens |
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| Acima McCrea e Mark Stevens; abaixo Morgan Woodward supreendido por Dale Van Sickel |
INFLUÊNCIA DE ANTHONY MANN - Como se tornou comum não só nos faroestes mas também em outros gêneros de filmes, “Chuva de Balas” se inicia ao som de uma balada narrativa dos acontecimentos de algum outro filme pois nada tem a ver com este, na voz de Dean Jones. Mais ator que cantor, Jones ficaria conhecido como Jim, o piloto de ‘Herbie’ em “Se Meu Fusca Falasse”. Jody McCrea, filho de Joel tem uma pequena participação, num dos primeiros trabalhos de uma carreira que começou à sombra de papai McCrea e terminou nos filmes músculos e biquinis dos anos 60, muito distante da brilhante carreira do velho Joel. A cena em que Jody McCrea participa poderia acrescentar a “Chuva de Balas” um momento hilariante, mas a falta de talento do diretor Francis D. Lyon desperdiçou essa boa oportunidade de fazer aquilo que Ford e Hawks nunca deixavam de inserir em seus faroestes, o humor. E por falar nesses grandes nomes, vale lembrar ainda de Anthony Mann, cuja cena final de “Winchester 73” entre James Stewart e Stephen McNally foi muito imitada, inclusive na caçada de Joel McCrea a Mark Stevens nas escarpas de uma colina de Gunsight Ridge. Fotografia em preto e branco a cargo de Ernest Lazlo (“Vera Cruz” e “O Último Pôr-do-Sol”) e música magnífica do compositor David Raksin.
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| Joel McCrea e Joan Weldon, a mocinha de "Chuva de Balas" |







