UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN
Mostrando postagens com marcador Top-Ten José Tadeu Barros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Top-Ten José Tadeu Barros. Mostrar todas as postagens

10 de março de 2013

TOP-TEN WESTERN DE JOSÉ TADEU BARROS, UM FÃ DE ANTHONY MANN


José Tadeu Barros é daqueles leitores que transformam cada um de seus esperados comentários em pequenas lições de cinema. Lições inteligentes, redigidas com estilo pessoal, respeitando a gramática e sempre com uma dose de afiado humor. Feliz do blog que tem como leitor um cinéfilo como Tadeu. E a pedido do WESTERNCINEMANIA, José Tadeu Barros, lá da encantadora cidade de Poços de Caldas, listou, por ordem alfabética, os dez westerns que considera os melhores entre tantos já produzidos. A cada faroeste Tadeu faz um comentário que confirma ser ele um cinéfilo de alto calibre, ainda mais quando o assunto é seu gênero de filmes preferido, o western. E para alegria dos leitores Tadeu complementa sua lista com mais dez faroestes que, com pesar, ele deixou de fora e os quais considera todos como os décimos-primeiros de seu Top-Ten. Antes da lista, José Tadeu de Barros parafraseando John Ford, conta para os leitores do WESTERNCINEMANIA um pouco de sua trajetória como cinéfilo e como fã de música, quadrinhos e literatura.



George Montgomery
Meu nome é José Tadeu Barros. Eu assisto westerns... Como nasci em 1952, não vivi a era dos seriados nem a dos faroestes B, de Buck Jones, Roy Rogers, Durango Kid etc. Os primeiros filmes que assisti, pelas mãos de meus pais, foram “A Primeira Missa” e “O Rei dos Reis”. Por vontade própria, o primeiro foi uma “aventura de selva” chamada “O Leão”. Seguiu-se “O Menino e os Piratas” e só depois dele vi meu primeiro faroeste. O nome? “Fúria Negra/King of the Wild Stallions”, com George Montgomery. O assunto é meio infantil, sobre a amizade de um menino e um cavalo. A produção, como quase tudo da Allied Artists, é capenga. Nada disso importava na época, pois durante toda a projeção eu fiquei em êxtase absoluto e meus olhos brilhavam como brilhavam os olhos de Joey ao ver Shane disparar seu revólver. Dali em diante, foi filme do Audie Murphy um atrás do outro...

Edições números um de 'Jerônimo, o Herói do
Sertão' e de 'Flecha Ligeira'.
Eu já lia quadrinhos, desde Jerônimo, O Herói do Sertão a Flecha Ligeira, Zorro, Tarzan, Fantasma, Reis do Faroeste, Mandrake, todas elas. Lia também as revistas da Ediex (Foto Aventuras, Foto West, Colt 45, Superaventuras, Antar, Ultra Ciência etc) e muitos filmes que assisti depois, eu conheci primeiro nelas: Último Trem de Gun Hill (Duelo de Titãs), O Homem dos Vales Perdidos (Os Brutos Também Amam), Trem de 3:10 Para Yuma (Galante e Sanguinário) etc. Ainda tenho muitas delas aqui em casa.

The Lovely Emmylou Harris
Bem, depois eu cresci, casei, fui professor e finalmente me aposentei pela Caixa Federal, onde trabalhei trinta anos. Hoje em dia escrevo verbetes para a Wikipédia lusófona. Já escrevi sobre Balzac, William Faulkner, Emmylou Harris e outros, mas atualmente me concentro na Hollywood clássica. Escrevi sobre diretores (Burt Kennedy, Budd Boetticher, Edward Dmytryk...), atores (Guy Madison, Audie Murphy, Rhonda Fleming, Rod Cameron...), e dei uma geral nos filmes da Paramount e da RKO. Atualmente estou envolvido com a filmografia de Tarzan, um de meus heróis prediletos desde os tempos dos quadrinhos.

Anthony Mann
Não me entendam mal: eu não assisto só faroestes e outros filmes antigos. Gosto muito dos atuais filmes de ação e ficção-científica, e também algumas comédias e dramas. Até hoje ouço rock e MPB dos anos 1960-1970, principalmente. E leio muito sobre cinema e música, além dos clássicos da literatura. Mas não à noite. À noite eu assisto filmes, sobretudo - ainda que não só - faroestes.

Minha seleção está em ordem alfabética de títulos nacionais. Ela não é imexível, é um retrato do momento. Infelizmente, só podemos listar 10 filmes (mas listei 20...) e tive de deixar de fora uma enormidade de títulos que me deram/dão prazer. Para não me xingarem muito, peço-lhes considerar TODOS os filmes que chamei de RUNNERS-UP como 11o. colocados, ok? Todos!

Fazer este Top Ten trouxe uma revelação para mim: eu sempre pensei que meu diretor de westerns preferido fosse John Ford. Agora descobri que é Anthony Mann.

... “and the road goes ever on.” (J. R. R. Tolkien)

Happy trails! - José Tadeu Barros



Cavalgada Trágica (Comanche Station), 1960 - Budd Boetticher
Randolph Scott
De 1946 em diante, Randolph Scott só fez faroestes. Com exceção dos mocinhos dos Westerns B, como Roy Rogers e Buck Jones, ele foi o ator que mais apareceu em filmes do gênero. A maioria é esquecível, apenas bang-bangs rotineiros, mas não os sete que fez com Boetticher. Ao contrário de John Ford, que traçava grandes painéis, com muitos atores e assuntos paralelos, os faroestes de Scott-Boetticher pegam o herói em um momento decisivo de sua história. Este é o último deles, com um Scott de cara mais granítica que nunca, pateticamente percorrendo o Oeste prá ver se encontra sua mulher, raptada pelos índios dez anos antes. Ele acaba encontrando outra - Nancy Gates - e a resgata, mas tem de defendê-la de Claude Akins e seu bando. Sempre excelente como bandido, Akins (Scott também?) pergunta-se porque o marido da moça prefere oferecer uma recompensa a ir atrás dela. A resposta vem em um tocante e revelador final.

Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Fred Zinnemann
Gary Cooper
No seu último dia como xerife, Will Kane (Gary Cooper) vai casar-se com Grace Kelly, 28 anos mais jovem. Por azar, um bandido que ele mandara prá cadeia deve chegar no trem do meio-dia, com vários capangas. O que eles querem? Vingança, claro. Will Kane, então, pede ajuda à população. Todos se omitem, cada um com uma desculpa diferente.  filme  foi uma reação ao crescente conformismo da sociedade americana com as perseguições e injustiças do mccartismo. O tempo passou e isso foi perdendo o sentido, o que é uma característica de obras engajadas. Uma particularidade sempre citada é que a ação é em tempo real, com relógios implacavelmente marcando o tempo que falta para o confronto com os foras-da-lei. Sempre em listas de melhores faroestes, Matar ou Morrer irritou John Wayne e Howard Hawks, que acharam que xerife nenhum ia pedir auxílio aos concidadãos, porque “a man’s gotta do what he’s gotta do”, uma coisa assim. Daí, eles fizeram “Onde Começa o Inferno”! Uma ironia é que Gary Cooper era tão radicalmente direitista quanto eles.

Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 - Sam Peckinpah
Ernest Borgnine
Este também frequenta Top Ten após Top Ten, com toda a razão, pois é uma obra-prima que influenciou muitos outros filmes que vieram depois, faroestes ou não.  O filme se passa quando o mítico Velho Oeste já chegara ao fim. O “bando selvagem” do título, envelhecido e desiludido, está deslocado no mundo de 1913. Perseguidos a contragosto pelo ex-companheiro Deke Thornton, eles são tocados para o México revolucionário, refúgio preferido dos derradeiros foras-da-lei enviados por Hollywood. Estamos longe dos tradicionais filmes onde bandido é bandido e mocinho é mocinho, enterrados em grande parte pelos spaghetti westerns. Aqui, a grosso modo, ninguém presta. O que diferencia o bando de Pike da patrulha de Deke e dos soldados do General Mapache é simplesmente um nunca mencionado Código de Honra. O banho de sangue no final é antológico e visto como uma das sequências mais impressionantes da história do cinema, mas minha cena favorita eu nunca vi ninguém comentar. Dura só um pouquinho, é provável que vocês nem tenham reparado nela, porém é um grande momento, cheio de sensibilidade, poesia e camaradagem.  É aquela em que o bando vai passando a garrafa de uísque de mão em mão mas, só prá chatear, põe Warren Oates na roda. Parecem crianças, mas crianças podem ser cruéis, conforme mostrado nas cenas iniciais.

O Caminho do Diabo (Devil’s Doorway), 1950 - Anthony Mann
Robert Taylor
Só porque serviu ao lado dos brancos na Guerra Civil e volta cheio de medalhas, o índio Lance Poole acha que será bem aceito por todos. No entanto, ele logo perde as ilusões ao ver que o preconceito contra sua raça está mais vivo do que nunca. Mas o próprio Lance parece que não está imune: num primeiro momento, ele não aceita seu advogado ao ver que se trata de uma mulher. Instala-se uma luta pelas terras indígenas. Apesar do outro lado - criadores de ovelhas - ter lá suas razões, Lance mostra-se inflexível na defesa de seu povo. Sabemos que ele não tem chances de vencer, é um fato histórico. No final, vestido com o uniforme do Exército, Lance se oferece em sacrifício, porque dali a cem anos sua lição “poderá ter servido para alguma coisa”. Sabemos que não serviu: cem anos depois, ainda enforcavam-se negros por dá cá aquela palha. Mais cinquenta anos (isto é, hoje), as guerras de religião, guerras por petróleo, guerras ideológicas etc atestam que nada mudou: o preconceito, a intolerância e a ganância continuam a nortear a Sociedade, mostrando que as questões levantadas pelo filme continuam mais vivas do que nunca.  Este é um filme de tese, mas também de muita ação e até um pouco de alívio cômico (meio sem graça), por cortesia da querida Spring Byington. Tive dificuldades de reconhecer Edgar Buchanan atrás de um imenso bigode, mas sua voz é inconfundível.

Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 - Howard Hawks
John Wayne
Todos sabem que o filme é uma resposta de John Wayne e Howard Hawks a “Matar ou Morrer/High Noon”, que eles acharam vergonhoso para os EUA. Também frequenta sempre o Top Ten daqui e de qualquer outro lugar, então não há mais muito o que falar. Ao contrário de Gary Cooper naquele filme, John Wayne não pede ajuda a ninguém, porque isso não é coisa que um homem da Lei faça - mas tem, sim, a ajuda de um alcoólatra, um velho tagarela manco (Walter Brennan, brilhante) e um jovem pistoleiro.  Tudo porque precisam impedir que Claude Akins, preso porque matou um cara, seja resgatado pelo irmão John Russell. O filme é muito mais parado do que a gente se recorda, mas sendo Hawks o cineasta da amizade masculina, o que mais nos cativa é a interação entre os quatro companheiros. E por falar em John Russell, aqui vai um sonho meu  que nunca vai se realizar: um filme com todos os cinco Johns coadjuvantes de tantos faroestes da década de 1950: John McIntire, John Dehner, John Russell, John Carradine e John Anderson. Já pensaram?

Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - George Stevens
Alan Ladd
Tudo já foi dito deste filme que é um dos preferidos de todo mundo, exceto Rubens Ewald Filho (uma surpresa que ele revelou na entrevista que deu para a Pardner, em 2003, recentemente reproduzida neste blog). O filme é uma fábula contada de maneira realista (as mortes de Elisha Cook Jr. e Jack Palance foram um marco na época, pela brutalidade com que são mostradas), a fábula do herói misterioso vindo de lugar nenhum, que faz seu trabalho e parte outra vez não se sabe prá onde. Shane, sem sobrenome ou passado, é o amigo que toda criança gostaria de ter, daí tornar-se objeto de adoração do menino Joey. Segundo Sam Peckinpah, quando Jack Palance mata Elisha Cook Jr., as coisas começaram a mudar. Ele tem razão: as coisas começaram a mudar, sim, mas na maneira de fazer faroestes. Porque no mundo mostrado pelo filme, a civilização já havia feito do Oeste uma terra de pequenos fazendeiros e agricultores. Os índios, dizimados, já não representavam perigo. Shane e Jack Wilson começavam a ficar anacrônicos. Um peixe fora d’água, Shane tem de ir embora.

Os Profissionais (The Professionals), 1966 - Richard Brooks
Lee Marvin
“Sete Homens e um Destino” introduziu no faroeste (e não só nele, como bem observou nosso colega Rafael Galvão) um tema novo, que é o de reunir um grupo de especialistas para realizar uma missão. Aqui, um rico texano contrata quatro homens para resgatar sua esposa, Maria, sequestrada pelo revolucionário mexicano Jesus Raza. Estamos já em 1917, portanto  o Oeste já foi domado e a esses mercenários só resta mesmo um difuso código de honra. Um deles é bom com armas, outro com explosivos, outro com cavalos e o último é mestre em atirar flechas com um arco quase do tamanho dele. A missão parece simples, mas eles descobrem que a história não está bem contada, porque Maria juntou-se a Jesus por livre e espontânea vontade. Isso muda tudo e nossos homens têm de decidir entre um capitalista mentiroso e um guerrilheiro (terrorista?) apaixonado. Burt Lancaster tem uma frase bonita: “Talvez só exista uma revolução: a dos bons contra os maus. A pergunta é: quem são os bons?” Bem, isso é o que eles tentarão ser, pois aquele empoeirado código de honra ainda não está morto.

Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962
Sam Peckinpah
Joel McCrea e Randolph Scott
Assim como “Os Profissionais” e  “Meu Ódio Será Sua Herança”, o filme é ambientado já no século XX, quando os primeiros carros cruzavam as pradarias do Velho Oeste. Relíquias de um tempo que não mais existe, Steve Judd (Joel McCrea) e Gil Westrum (Randolph Scott) sentem-se deslocados em um mundo que já não é o deles. Falam de reumatismos e netinhos, enquanto recordam histórias passadas... é o que lhes resta. Quando aparece a chance de uma última aventura - buscar um pequeno carregamento de ouro nas montanhas -, eles aceitam por diferentes motivos: Judd quer reviver os bons tempos e Gil quer ficar com o ouro, ele que nunca possuiu nada. Ao chegar ao destino, têm de enfrentar à moda antiga um selvagem grupo de mineradores. No esplêndido final, Judd olha ainda uma vez as montanhas onde passou toda a vida. Derradeiro filme de Scott, bem que poderia ter sido também o último de McCrea. Assim, o título em Português teria um duplo (ou triplo) sentido.

Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - John Ford
John Wayne
Ao contrário de 99,9% das pessoas, não sou grande fã do Monument Valley (olha só a heresia!). Os filmes feitos ali sempre me deram a impressão de que não saem do lugar, porque a paisagem é sempre muito parecida. Tenho dificuldades em visualizar John Wayne e Jeffrey Hunter andando prá lá e prá cá durante cinco anos, porque me parece que eles estão sempre ali pertinho da velha fazenda. Paradoxalmente, sou apaixonado pela fotografia do filme. Gosto quando, à aspereza da caçada de Ethan Edwards e Martin Pawley, Ford contrapõe as cenas civilizadas do lar dos Jorgensen, onde Vera Miles tem de ler cartas pessoais em voz alta! Gosto também de Hank Worden, em um papel maior que o normal. Como sempre meio desequilibrado, ele proporciona bons momentos de humor.
Aquele gesto de Wayne, de segurar o cotovelo esquerdo com a mão direita, diante da porta, era típico de Harry Carey, seu velho amigo. Carey foi casado até 1947 (quando morreu) com Olive Carey, a atriz que interpreta a Senhora Jorgensen, que abre e fecha a porta para Ethan. Foi uma homenagem bonita e tocante e diz muito de Wayne, um homem generoso e leal, malgrado seu reacionarismo.

Região de Ódio (The Far Country), 1955 - Anthony Mann
James Stewart
Passado no Alasca de fins do século XIX, o filme tem um Walter Brennan absolutamente impossível como a consciência boa de James Stewart (sem falar de John McIntire, um de meus vilões preferidos). Stewart faz um sujeito intratável, que só pensa em si, que não quer se meter na vida dos outros (o que é uma boa coisa...), que não ajuda ninguém e acha que nunca vai precisar da ajuda de ninguém. No final, ele descobre que a famosa frase de John Donne “nenhum homem é uma ilha isolada” não é só uma frase bonita, é também uma lição de vida. Note-se que Stewart está sempre ranzinza, reclamando ora disto, ora daquilo, enquanto McIntire é só simpatia. Essa reversão de expectativas pode ser notada também nos outros filmes que Stewart e Mann fizeram juntos. Em pequenos papéis, estão grandes coadjuvantes: Harry Morgan, Jack Elam, Royal Dano e Robert Wilke.


RUNNERS-UP:

A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1961 - Marlon Brando
Marlon Brando
Única experiência na direção de Brando, o filme nunca foi nenhuma unanimidade, pelos seus maneirismos, longa duração e exageros. História de uma amizade que não deu certo, o resultado, todavia, é bastante original, com sequências à beira-mar, singular posicionamento da câmera e curioso fundo edipiano. Além disso, nenhum dos personagens principais presta e há muita violência sádica, numa antecipação involuntária (?) dos westerns spaghetti.

Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid), 1969 - George Roy Hill
Redford e Newman
Também situado no início do século XX, este é um perfeito contraponto a “Meu Ódio Será Sua Herança/The Wild Bunch”, feito no mesmo ano. Uma tendência forte nos anos 1960 foi a dos westerns cômicos, como este. Butch Cassidy (Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford, em ascensão), personagens reais (coincidentemente, a quadrilha deles era conhecida como “the wild bunch”, vejam só!), são ladrões desastrados que passam o filme todo fugindo de uma incansável patrulha. O passeio de bicicleta de Butch e Etta (Katharine Ross) tornou-se antológico, assim como a derradeira cena, com os dois anti-heróis congelados no tempo e no espaço, para sempre vivos em nossas mentes, enquanto ouvem-se tiros ao fundo.

Gregory Peck
Céu Amarelo (Yellow Sky), 1948 - William Wellman
Céu Amarelo é uma cidade fantasma que fica lá longe, no meio do deserto. É a esse fim de mundo que chega uma quadrilha de ladrões de banco, liderada por Gregory Peck. Sem nada prá fazer, eles ficam de olho em Anne Baxter - e no ouro que ela e o avô, únicos habitantes do lugar, esconderam numa mina abandonada. Exceto o final, que achei meio condescendente, todo o resto é diamante puro.

Clint Eastwood
Josey Wales, o Fora-da-Lei (The Outlaw Josey Wales), 1976 - Clint Eastwood
Meu filme favorito de Eastwood. Um sitiante deixa suas terras para vingar a esposa e, em suas andanças, vai agregando outros proscritos que acabam por constituir uma comunidade agrícola.  Esses párias não acreditam nos planos de vingança de Clint e, aos poucos, ele começa a achar que, depois de tanto tempo e tantas mortes, isso perdeu mesmo o sentido - e volta a cultivar a terra. No elenco estão o desengonçado Royal Dano e Matt Clark, um coadjuvante muito ativo na década de 1970, mas que sumiu do radar.

Gary Cooper
O Homem do Oeste (Man of the West), 1958 – Anthony Mann
Um senhor de 51 anos dá cabo sozinho de uma quadrilha inteira de ferozes bandoleiros (além de deixar Jack Lord quase nu, só com socos e pescoções). O novo Rambo? Não, o velho Gary Cooper, De quebra, ele conquista o coração da mocinha, 25 anos mais jovem que ele. Isto, meus amigos, é o que chamamos de “a magia do cinema”. O filme foi mal recebido quando lançado, tanto pela violência quanto pelo strip-tease de Julie London. Apesar de Cooper, quem rouba a cena é Lee J. Cobb, como seu diabólico ex-chefe. Royal Dano também está lá, mas não abre a boca.

O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shoot Liberty Valance),
1962 - John Ford
Lee Marvin
Outro campeão nas listas de melhores, o filme tornou famosa a frase “quando a lenda se torna realidade, imprima-se a lenda”. Ramson Stoddard (James Stewart) fica famoso como o homem que matou o feroz pistoleiro Liberty Valance (excepcional trabalho de Lee Marvin). Por isso, é eleito senador, mas no funeral de um tal Tom Doniphon (John Wayne), o verdadeiro matador do celerado, ele revela a verdade. Stoddard ficou com a fama e com a namorada de Doniphon. Por que será que Doniphon aceitou essa situação?

Robert Ryan
O Preço de um Homem
(The Naked Spur), 1953
Anthony Mann
Eu sempre tive uma queda por filmes com poucos personagens. Aqui são apenas cinco (exceto alguns índios que entram mudos e saem calados - ou melhor, mortos!). James Stewart, levemente fora de controle, e Robert Ryan, o bandido cínico e manipulador,  duelam como personagens e como atores e (parafraseando os comerciais de TV) quem ganha é o espectador. Considere a paisagem esplendorosa como o sexto personagem.

Robert Duvall e Kevin Costner
Pacto de Justiça (Open Range), 2003 - Kevin Costner
Grande homenagem ao gênero, com uma fotografia deslumbrante. Uma história clássica contada de um jeito moderno, o filme só tem um defeito - assim como “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”, ele tem finais demais. Último grande western produzido, na minha opinião (não vi “Django Livre”, mas duvido que Tarantino se interesse pela paisagem), voto em Kevin Costner para dirigir a refilmagem de “Shane”, com Lau Shane Mioli, Janete Palma e Vin LeMarc, conforme proposto pelo Darci.

Steve McQueen
Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 - John Sturges
O filme que inaugurou e deu o tom para o faroeste da década de 1960. Sua enorme influência pode ser sentida no spaghetti western, em outros faroestes (alguns citados acima), em filmes de outros gêneros, e chega tão longe quanto 1986, com a ótima comédia “Três Amigos/Three Amigos!”. Em um Oeste civilizado, já não há lugar para um punhado de pistoleiros (você já leu isso mais de uma vez neste texto) e eles aceitam ajudar uns pobres coitados adivinhem onde.... pois é, no México. O filme transformou vários nomes do elenco em astros, deu a trilha sonora para os cigarros Marlboro e fez a gente ter certeza de que, em filmes com a mesma temática, vários membros do grupo fatalmente morrerão no final.

James Stewart
Um Certo Capitão Lockhart (The Man from Laramie), 1955 - 
Anthony Mann
Um filme complexo, com diversos subenredos, ecos do shakespeareano “Rei Lear” e uma espécie de final feliz meio imprevisto. James Stewart é o capitão que procura se vingar de quem matou seu irmão. Numa das cenas mais violentas até então vistas no cinema, ele recebe um tiro à queima-roupa na mão. Esta foi a última colaboração entre Stewart e o diretor Mann. Foram cinco filmes, cinco obras-primas.