Quatro atores foram os responsáveis por
suprir o mercado cinematográfico com faroestes nos anos 50. São eles Randolph
Scott, Joel McCrea, Audie Murphy e George Montgomery. Juntos fizeram quase uma
centena de westerns e a contribuição de George Montgomery foi muito grande,
ainda mais se for considerado que nesse período ele nunca foi dirigido por um
grande diretor. Ray Nazarro, que passou anos na série ‘Durango Kid’, foi um dos
inexpressivos diretores responsáveis por alguns dos faroestes estrelados por Montgomery.
Em “De Homem para Homem” (Gun Belt), produzido em 1953, o resultado poderia ter
sido acima da média e ficado entre os melhores westerns do ator-escultor George
Montgomery.
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A família 'Ringo': John Dehner, Tab Hunter e George Montgomery. |
Ringos,
Earps e Ike Clinton - Lançado no Brasil em 1954, o western
de Ray Nazarro recebeu o título “Pistola”, equivocada tradução do original ‘Gun
Belt’, que significa cinturão. Ao ser exibido na TV, passou a se chamar “De
Homem para Homem”, criando certa confusão entre o público. Seja com qualquer
dos dois títulos, ‘Gun Belt’ possui uma história tortuosa, digna dos filmes
noir dos anos 40. E para confundir ainda mais o espectador, os nomes de alguns
personagens lembram os de figuras históricas do Velho Oeste. Há três ‘Ringos’,
mas nenhum deles o verdadeiro Johnny Ringo. E o facínora principal chama-se
‘Ike Clinton’ e não ‘Ike Clanton’ personagem importante no tiroteio travado no
OK Corral em 1881. Os irmãos Wyatt e Virgil Earp são os responsáveis por manter
a ordem em Tombstone e imediações, como a cidade de Alamitos. Meio assim como
um ‘samba do crioulo doido’, a complicada história escrita por Arthur E. Orloff
e roteirizada por Jack DeWitt e Richard Schayer é desenvolvida exigindo muita
atenção do espectador.
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| George Montgomery e Helen Westcott. |
Trama
emaranhada - Billy Ringo (George Montgomery) é um ex-fora-da-lei regenerado que vive num rancho com seu sobrinho Chip Ringo (Tab Hunter),
enquanto Matt Ringo (John Dehner) o pai de chip e irmão de Billy cumpre pena em
Yuma. Matt Ringo foge da penitenciária federal e com seu bando é contatado por
Douglas Fraser (Hugh Sanders) para praticar um assalto aos 500 mil dólares que
deverão chegar de um grande banco, quantia vultosa que será distribuída aos
bancos da região sem fluxo de caixa. Ocorre que Fraser quer a presença de Billy
Ringo na quadrilha. Billy, porém, está de casamento marcado e não que voltar ao
crime, sendo vítima de um engenhoso plano arquitetado por seu irmão Matt, que o
torna suspeito de um assalto ao pequeno banco de Alamitos. Revoltado Billy luta
com o irmão Matt e acaba disparando contra este acidentalmente, passando a ser
procurado pelos irmãos Wyatt e Virgil Earp (James Millican e Bruce Cowling).
Surge então Ike Clinton (William Bishop), sócio de Fraser que não quer a participação de Billy
Ringo no assalto. Chip Ringo, que passa a ser chamado de 'Kid Ringo' quer vingar
a morte do pai acertando as contas com seu tio Billy Ringo. Kid Ringo é
contratado por Ike Clinton para ajudá-lo no próximo roubo. Billy Ringo
precisa provar sua inocência e ganha a confiança dos irmãos Earp, tornando-se
um espião infiltrado na quadrilha de Clinton. Numa operação arriscada Billy
Ringo consegue desbaratar o bando e ainda reconquistar a confiança do sobrinho.
O dinheiro dos dois assaltos é recuperado, Ike Clinton é preso e Billy pode
finalmente realizar seu projeto de casamento com Arlene Reach (Helen Westcott).
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| William Bishop à frente de seu bando. |
A pouca competência de Nazarro - Apesar de um pouco confuso, “De Homem
para Homem” é razoavelmente bem realizado por Ray Nazarro, faltando-lhe no
entanto o know-how necessário para grandes cenas de ação. Os dois melhores
momentos do filme que seriam o assalto ao posto de troca de cavalos e a
sequência seguinte do encontro de Billy Ringo com os homens de Clinton são
fracos, sem emoção e previsíveis. A cena em que Kid Ringo simula atirar no tio
antes de ser alvejado por Ike Clinton é patética e digna dos piores dias de Ray
Nazarro nos 'bezinhos' da Colúmbia dirigindo Durango Kid. Há diversas mortes, como as de Dixon
(Douglas Kennedy), Kolloway (Jack Elam) e Curley (William Phillips), nada
convincentes, além do desperdício da presença de stuntmen como Chuck Roberson e
Boyd ‘Red’ Morgan, capazes de criar grandes emoções nas cenas de ação que não
acontecem. Nazarro se satisfaz com resultados simplificados e compromete um
filme que poderia ser muito, mas muito mesmo acima da média.
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| Tab Hunter |
O
pior cowboy jovem dos anos 50 - Outro
pecado de “De Homem para Homem” é o desaparecimento prematuro de John Dehner
com apenas 20 minutos de filme, dando vez para o careteiro William Bishop que
criou um vilão ao estilo de Dan Duryea. A diferença é que Bishop não é Duryea. Sem o ótimo John Dehner o filme perde bastante e seu personagem poderia
ser ‘esticado’. Jack Elam e Douglas Kennedy fazem apenas figuração para as
presenças dos atores principais. George Montgomery jamais sai de sua persona
íntegra enquanto Tab Hunter leva o prêmio de pior cowboy jovem dos anos 50. A
mais interessante subtrama deste western é a da relação amizade-ódio entre o
tio Billy e o sobrinho Chip, que não é melhor aprofundada pelo diretor. A bela
Helen Westcott, de “O Matador”, tem papel irrelevante como a noiva de Billy
Ringo. Para uma produção bastante modesta, “De Homem para Homem” tem boa
fotografia e música, podendo agradar o fã de faroestes que for menos exigente.
Mas certamente este espectador também ficará com a impressão que nas mãos de
diretores como Budd Boetticher ou André De Toth, o resultado seria
infinitamente melhor.
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Acima à esquerda John Dehner, que sai cedo do filme; à direita John Dehner e Jack Elam; embaixo George Montgomery e John Dehner; Douglas Kennedy.
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| O mocinho George Montgomery em "De Homem para Homem". |
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