UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

31 de maio de 2013

TOP-TEN WESTERNS DO ‘FILMÉFILO’ JOAILTON CARVALHO BUENOS AIRES


         Meu nome é Joailton Carvalho Buenos Aires, nasci em Itainópolis, Piauí, tenho 52 anos, sou Médico Radiologista, moro atualmente em Caruaru-Pe. Entrei num cinema pela primeira vez aos 8 anos de idade em Teresina e vi uma televisão funcionando, em Picos-Pi, quando fui morar lá, início dos anos 70, para fazer um exame de admissão e o ginásio. Na minha cidade só havia o antigo primário e olhe lá! Em Picos, havia dois lugares que projetavam filmes regularmente: um improvisado(O Círculo Operário) e o outro oficial, O Cine Spark, que também não conseguiu fugir de uma sentença de morte , decretada e disseminada de forma epidêmica, no final das anos 80, que atingiu inúmeros cinemas deste Brasil:”Virar um templo evangélico”.
        Em Picos, a televisão era apenas uma promessa e cara, os circos não passavam por lá todos os meses, transformando assim, o cinema como a principal e constante fonte de diversão de massa, onde o filme “de faroeste”, reinava absoluto. Lembro-me que fui muitas vezes impedido de ver estes filmes, por falta de idade e também pelo excesso de lotação do espaço em dias de exibição de um faroeste famoso. Curiosamente, estas pequenas cidades do interior do Brasil, exibiam muitos filmes como novidades, que já haviam sido lançados há 4 ou 5 anos. Sempre achávamos que eram novos, nos integrando ao velho conceito, que todo filme que você não viu, é novo e é lançamento. Quando o gênero faroeste já estava sem fôlego em outros mundos, paradoxalmente, no meu mundo, o das cidades do interior, na década de70, ainda reinava o faroeste na preferência popular e ainda estava num galope desenfreado nas pradarias da nossa ilusão e nós, simplesmente ignorávamos o conceito de gênero ou subgênero. Com certeza, naquela época, no interior, poucos de nós estavam interessados em enumerar e analisar as diferenças entre um faroeste Americano e o Italiano, só queríamos nos divertir e sair do cinema dando tiros. A verdade é que os faroestes Italianos reinaram absoluto naqueles tempos e que deixaram muita saudade.
       Não me enquadro no conceito de Cinéfilo, sou mais um “filméfilo”, não sou nenhuma autoridade no assunto, tenho uma lacuna irreparável, de muitos anos sem ver filmes, pois estava cuidando da minha formação e perambulei por alguns Estados, com mudanças esporádicas de lugares e de empregos, dentro deste imenso pais, tentando sobreviver; lacuna esta, que só recentemente com a internet está aos poucos sendo preenchida.
       A escolha de dez filmes entre dezenas, é sempre difícil e injusta e quase sempre depende do emocional daquele momento em que o assistimos;  com bastante esforço consegui chegar ao final desta missão.


1.º) Três Homens em Conflito (Il Buono,Il Brutto, Il Cattivo), 1966 – Sergio Leone

Uma história em que três pistoleiros, por acaso, “Blondie”(Clint Eastwood), Tuco(Eli Wallach), Angel Eyes(Lee Van Cleef), ficam sabendo da existência de duzentos mil dólares em ouro, enterrados num cemitério, durante a guerra civil americana e que a contragosto, se associam para buscar esta grana, mas logo torna-se óbvio, que esta associação não correrá tranquila, pois nenhum dos três, sabe por completo aquele segredo e inevitavelmente, terão que “confiar’ um no outro, se quiserem chegar à tão almejada fortuna.
Este filme fechou com maestria a Trilogia dos Dólares. O western com o maior grau de diversão do gênero. Ainda me lembro do quanto fiquei impressionado quando o vi pela primeira vez. Voltei ao cinema no outro dia, num dia de 1972. Ele tem tudo que os outros cineastas, ao longo de sessenta anos não fizeram, com esta maestria.  É um espetáculo diferente, que foge praticamente dos padrões Hollywoodianos, do já visto, do previsível, do lugar comum, dando sempre a impressão de que nunca havíamos visto aquilo antes, daquela maneira, com aquela roupagem, com aquela trilha sonora do (G)Ennio Morricone (este maestro, já esgotou todos os adjetivos que o qualificam), com cenas de ação em sequencias contínuas, bem encaixadas, imprevisíveis, num casamento perfeito entre a violência e o humor, com poucos diálogos. Como poderia dizer o Tuco: Filme de ação é para atirar e não para falar.
Um filme compacto, que tem literalmente começo, meio e fim, num mesmo ritmo. Não há pausas irritantes. São três horas de um absoluto deleite. Uma homenagem perfeita aos personagens do oeste “spaghettiano”, considerados os protótipos dos atuais politicamente incorretos. Imorais, violentos, gananciosos, covardes, frios, selvagens e torturadores. Ia me esquecendo: humanos. Em suma, uma junção perfeita, impensável e pouco provável de três anti-heróis, que chegarão ao final das suas aventuras, com um desfecho espetacular. Os personagens não estão envoltos com dramas psicológicos, não há o mínimo interesse em deixar mensagens construtivas e elevadas, para o desenvolvimento pessoal e moral de qualquer expectador, nada de proselitismo. Ninguém vai ver um spaghetti para auto-ajuda, vai para se divertir, passar o tempo e este filme realmente cumpre este papel com sobras.
Destaque 1 – TUCO – O personagem chave deste faroeste é o Tuco (O Feio), um vagabundo errante , uma espécie de andarilho perigoso e esperto, cheio de inimigos, que praticava um miríade de crimes por onde passava, um espécie de serviço geral do crime, do submundo do velho oeste, que ao contrário dos outros personagens, tem um nome (Benedicto Pacífico Juan-Maria Ramirez), teve uma família, um passado, uma história. Tuco acaba por tornar-se o principal personagem da trama, fazendo ou fazendo as piores maldades, mas mesmo assim torcemos por ele.
 As cenas de pancadarias são muito comuns nos westerns Italianos, não sendo incomum o personagem principal levar umas três surras ou até mais, durante o filme. Após uma farta refeição oferecida pelo seu algoz, Angel Eyes, regada a vinho e com direito a um fundo musical que era para facilitar a digestão, Tuco leva uma das mais longas (5 min), consistentes e convincentes surras da história do western. É inesquecível e cômica, uma paradinha rápida, nesta sessão de porradas, para o Tuco conferir, com os dedos na boca, quais dentes estão faltando ou quais ainda estão presentes.
Destaque 2 – O TRIELO – A mais famosa e criativa cena de duelo, jamais vista em qualquer outro filme ou imaginada, em qualquer gênero, nem mesmo escrita. É a marca registrada de Leone, que prolonga uma situação de tensão, que nos coloca magistralmente, durante uns cinco minutos cruéis, dentro de uma sufocante ansiedade, numa expectativa que parece não ter fim, quando os três homens se defrontam, para decidir quem vai ficar com o ouro. É a única cena em que há realmente um drama psicológico entre os personagens, pois é pra lá de cruel numa situação destas, não saber em quem vou atirar primeiro ou quem primeiro vai atirar em mim.  O desfecho dura só uns segundos, quando involuntariamente podemos até soltar um palavrão.


2.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Uma Volta Il West), 1968 – Sergio Leone

Um Irlandês Brett McBain (Frank Wolff), dono de muitas terras num lugar isolado do velho oeste, se prepara para transformar este lugar numa estação de trem, com o sonho de ficar rico. Mas, as suas terras estão nos planos de um poderoso empresário, Morton (Gabriele Ferzetti), que quer tomá-las e para isto usa um pistoleiro, Frank (Henry Fonda), que elimina sua família. Mas há uma herdeira, Jill McBain (Claudia Cardinale), uma ex-prostituta casada com Brett, que estava vindo do leste, para viver neste lugar e isto muda todos os planos de Morton e Frank. Ao mesmo tempo, outro pistoleiro, Harmônica (Charles Bronson), procura Frank para uma vingança , sem que ninguém saiba os motivos. Ao assassinar aquela família, Frank espalha evidências falsas, que incriminam um bandido fugitivo, Cheyenne (Jason Robards), que passa a se interessar também por Frank. A viúva Jill fará de tudo, ajudada pelos dois, Harmônica e Cheyenne, para construir a estação sonhada pelo marido e deter Frank.
Difícil o enquadramento de quem é o melhor: “Três Homens em Conflito” ou “Era Uma Vez no Oeste’?
“Três Homens em Conflito” é pura aventura e divertimento e “Era Uma Vez no Oeste” um filme sério e reflexivo. Coloquei nesta ordem apenas por que vi o primeiro, primeiro.
Incrivelmente, Leone dá início a outra trilogia, desta vez batizada de Trilogia da América, com um western praticamente imposto pela Paramount, onde ela só financiaria um outro filme dele se ele fizesse este, antes.
Novamente Leone surpreende com um western completamente fora do esperado pelos produtores, onde uma mulher é a protagonista principal, com uma história do fim do velho oeste e seus personagens típicos. O filme é iniciado fantasticamente com uma cena que já está na história do cinema, com duração de 12 minutos, numa estação de trem distante de tudo, aonde chegam três pistoleiros perigosos. Esta cena acontece sem diálogos, com uma trilha sonora inimaginável para a época, feita de sons ambiente: o vento, um cata-vento, um telégrafo, portas, uma mosca irritante, o estalar de dedos de um dos facínoras, uns pingos d’agua e da movimentação e expressões dos personagens, olhando o horizonte, como esperando um trem. Cena esta que só é interrompida com o apito de um trem distante, sobrepondo a um zumbido de uma mosca presa no cano de uma arma e assim começa um dos mais belos filmes de western, se não o mais belo, de todos os tempos.
O duelo final é a chave para desvendar um mistério, que Leone habilmente esconde do expectador até o fim, dando apenas mínimas e desfocadas pistas em flash back, mas insuficientes para decifrá-lo. A preparação para o duelo tem um cerimonial quase macabro, onde os personagens circulam, com aquela trilha sonora, que parece estar sussurrando aos protagonistas, que chegou a hora de apagar o passado e fazer as pazes com a morte.
Este filme, como parece ser uma regra, de tão grandioso, inovador e diferente, não fez sucesso quando lançado, como muitas outras obras de vanguarda, que quebraram paradigmas e só muito tempo depois foram reconhecidas. Hoje, pertence a muitas listas dos 10 melhores de todos os tempos e já é considerado um clássico, um Cult, uma obra prima.
Leone é um dos raros exemplos de evolução dentro da sua arte; tinha talento, era original, independente, realizando obras cada vez melhores que valorizavam as suas anteriores e o coloca dentro de um padrão, dando-lhe uma identidade própria, uma marca registrada, facilmente reconhecida. Talvez, o seu maior talento era o de ignorar os críticos, aqueles seres parasitas, que vivem as expensas dos verdadeiros artistas.
“Era Uma Vez no Oeste” é considerado o Spaghetti Western de gala, de fraque e cartola, maduro, definitivo, uma jóia lapidada e reinventada pela maestria de Leone, uma espécie de Bíblia do western, com homenagens merecidas ao Western Clássico, trazendo neste filme, referências os trabalhos dos geniais diretores americanos, entre eles, Anthony Mann, Howard Hawks, John Ford, Fred Zinnemann...
Como referido anteriormente, Leone e todos os cineastas Europeus, beberam bastante no cálice dos grandes diretores americanos, onde tiraram idéias, que certamente foram usadas para o desenvolvimento das suas idéias inovadoras e para uma marcante repaginação do western, pois dificilmente alguém cria algo do nada, fato corriqueiro e normal no mundo artístico. Mas, poucos admitirão, que Leone ditou tendências e que outros diretores beberam no cálice de Leone, sem sombra de dúvida. Para exemplificar, com um olhar livre de preconceitos, não será difícil perceber que, o diretor do tão aclamado filme “Meu Ódio Será Tua Herança” (The Wild Bunch), 1969, de Sam Peckinpah, bebeu neste cálice. Muitos recursos empregados neste filme trazem traços fortes do DNA de Leone, como: tom de cores gastas, enquadramento, zoons, violência explícita, cenas com som ambiente e câmera lenta.


3.º) Uma Bala para o General (El Chuncho), 1967 – Damiano Damiani

Este filme se passa durante a Revolução Mexicana, quando um trem com armas, soldados e pessoas comuns é atacado por El Chuncho (Gian Maria Volonté), pois ele é um fornecedor de armas para o General Elias (Jaime Fernandez), um revolucionário, entretanto, ele tem dificuldades para parar este trem, mas inesperadamente, o trem é parado por um americano que estava no trem como passageiro, Bill Tate - El Nino (Lou Castell), que cai nas graças de Chuncho por este feito e pede para acompanhar o bando. Logo El Nino começa a dar sinais que tem um objetivo obscuro, uma bala de ouro guardada e não terá escrúpulos para usar os bandoleiros para este fim.
O director Damiano Damiani, pode-se assim dizer, inaugura uma vertente que faltava no Gênero spaghetti sestern, que ganharia duas denominações: Zapata Spaghetti e ou Zapata Western, pois tendo uma conotação fortemente política e situado dentro da Revolução Mexicana. Considerado um dos melhores filmes do período, mostra aquele clássico mosaico de miséria do povo Mexicano, com seus conhecidos contrastes entre os ricos latifundiários, a fome e a miséria da população, que ainda se arrastam até hoje. Este filme teve forte influência em outro grande filme com o mesmo tema, feito em 1971, “Quando Explode a Vingança”, por Sergio Leone, mostrando o grau de competência de Damiani, em produzir uma obra inspiradora para outro diretor de porte de Leone.
Mais uma vez Volonté, uns dos poucos atores de verdade, nos Spaghetti Westerns, que com sua presença abrilhantou dois filmes de Leone (“Por um Punhado de Dólares” e “Por Uns Dólares a Mais”) tem uma atuação impecável, encarnando um personagem complexo, Chuncho, que tem variações repentinas no seu comportamento e que nos deixa realmente sem saber quem ele é afinal. Quais os seus objetivos? É um revolucionário, saqueador ou um vagabundo perigoso?  Sempre com um riso escrachado, parece que está numa grande brincadeira, ri feito uma criança ao disparar uma metralhadora, toca tambor e canta ao atacar um trem, é impiedoso, nutre um grande afeto pelo El Nino e não se importa em matar um dos seus homens por ele. Apesar de parecer um desses mexicanos desmiolados e perigosos, vamos perceber que ele tem muito sentimento, uma personalidade forte, inteligência e um fino senso de observação e  discernimento,  qualidades estas,  que vão definir o sua ação num final sensacional e inesperado deste filme, final este, por sinal, muito emblemático que nos obriga a refletir entre princípios e amizade.
Destaco ainda a presença de Klaus Kinski (El Santo), irmão de Chuncho,uma espécie de beato que reza, dá tiros,  joga bombas, sempre dominando a cena com o sua expressão de desajustado e também uma trilha sonora impecável, de Luis Bacalov, que realmente nos leva e ao México e nos coloca no meio de uma revolução.



4.º) O Dia da Desforra (La Resa Dei Conti), 1966 – Sergio Sollima

A um xerife competente, Jonathan Corbett (Lee Van Cleef), lhe é oferecido uma oportunidade de ser eleito senador, por um político corrupto, se ele capturar um mexicano, Cuchillo (Tomas Milian), acusado de estupro e morte de uma adolescente. Corbertt sai na captura de Cuchillo, mas logo percebe que a tarefa não é nada fácil, o mexicano é inteligente, cheio de artimanhas e perigoso com uma faca. Logo percebe que pode estar perseguindo o homem errado.
Outro Spaghetti Western, de cunho político, dirigido por um dos famosos participantes do clube dos Sergios Italianos, Sergio Sollima. Os outros dos Sergios, conhecidíssimos são: Sergio Leone e Sergio Corbucci. Neste, Sollima dá ênfase ao binômio que já nasceu de mãos dadas: política e corrupção. Um filme bastante movimentado, com as belas, conhecidas e imortalizadas paisagens do deserto Espanhol, tendo um fundo musical do onipresente Morricone. O mexicano Cuchillo dá um passo à frente, escapando com criatividade de todos os cercos do caçador, repetindo sempre, que jamais será apanhado.

Destaco a atuação excelente do Tomas Milian, ator de origem Cubana, com mais um convencível desempenho que lhe é peculiar, em todos os filmes em que atua. Este ator já esteve no Brasil, para atuar em um filme de cangaceiro, “Rebelião dos Brutos”, em 1972 e também contracenou com Volonté em outro clássico Italiano, “Face a Face – Quando os Brutos se Defrontam”, também do diretor Sergio Sollima.


5.º) Mato em Nome da Lei (Lawman), 1971 – Michael Winner

Um xerife durão e inflexível, Jared Maddoxv(Burt Lancaster), vai a uma cidade vizinha à sua, Sabbath, para prender 7 vaqueiros, empregados de um rico fazendeiro Vincent Bronson (Lee J. Cobb), que ao passarem pela sua cidade e após em bebedeira, atiraram aleatoriamente e mataram acidentalmente um morador da sua cidade. O xerife desta cidade, Cotton Ryan (Robert Ryan), corrompido por Bronson, nega-se ajudá-lo diretamente. Maddox dá um ultimato de 24 horas para os homens de Bronson se entreguem, mas eles recusam-se a ser presos e preferem enfrentar o xerife, que não mudará de opinião e cumprirá a lei até as últimas conseqüências.
Com um elenco de primeira categoria, especializado em westerns, dificilmente decepcionaria. Faroeste com muita violência e uma dose certa de psicologia. É interessante como este filme mostra que uma brincadeira inconseqüente, pode levar pessoas boas não adeptas da violência a autodestruição, pelo desdobramento de situações que aparentemente poderiam ser controladas. Mostra também, que existe uma quase invisível fronteira, que delimita até que ponto podemos chegar com nossas condutas, como também existe outra, em que outras pessoas podem não permitir que avancemos tanto. Quando resolveu recuar, Maddox, já havia ido longe demais.
A entrada do xerife na cidade transportando um cadáver num cavalo, lembra o início de “O Homem dos Olhos Frios’, com Henry Fonda (Dir. Anthony Mann) e a tenacidade do xerife para cumprir a sua missão a qualquer custo, com aquele jeitão mecânico, impassível aparentemente sem sentimentos, sem nenhum sorriso, também lembra “O Exterminador do Futuro”, com Arnold Schwarzenegger.


6.º) O Último Pistoleiro (The Shootist), 1976 – Don Siegel

No início do século 20, na cidade de Carson City, um famoso pistoleiro, J.B. Books, doente e velho, procura um médico seu amigo, Dr. E.W. Hostetler (James Stewart), que diagnostica um câncer incurável e o pistoleiro resolve ficar naquela cidade, numa pensão de uma viúva, Bond Rogers (Lauren Bacall), para morrer em paz. Mas um homem com um passado daqueles, não ficaria restrito a um quarto de pensão esperando que os seus movimentados dias, cheguem ao fim, de uma maneira monótona, sem emoção e preferiria morrer lutando. Aconselhado pelo médico, toma uma decisão e resolver ter um fim digno da sua história e manda um recado para três desafetos seus...
Este filme me marcou muito, quando vi o ídolo máximo do western, John Wayne, viver a sua história real e também porque presencio no meu cotidiano, situações parecidas, pessoas que vão morrer, não por tiros, mas com a mesma doença do ídolo em questão. Impressiona-me aquela sua face de cansaço, envelhecida, mas serena, sem esperar nenhuma compaixão, cheia de dignidade e ainda esbanjando um interessante humor negro. Escolhe a própria maneira de morrer, encomenda sua lápide a um coveiro vestido à caráter (John Carradine, também velho e doente com as suas mãos fritadas pela artrite reumatóide). Não pensa em suicídio, prefere uma eutanásia, não aquela convencional, num hospital, mas no mais clássico dos ambientes urbanos de interação do velho oeste, o Saloon e de preferência levando uns desafetos consigo.
É simbólico quando J.B. Books, no seu quarto de pensão, ao desfazer sua bagagem, dizendo que era um agente da lei; como um mágico, retira várias armas que carregava nos seus bolsos, cintura, sob o olhar atônito da viúva, mostrando o quanto ele era feito de armas, íntimo e dependente delas.
Pela grandeza e imortalidade do astro, Don Siegel e o cinema, não poderiam ter-lhes prestado maior homenagem com tamanha sensibilidade. Realmente, foram necessárias duas mortes para derrotar o quase imortal John Wayne e uma delas teria que ser pelas costas.

7.º) O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio), 1968 – Sergio Corbucci

Filme realizado inteiramente na neve, traz como tema principal um pistoleiro mudo (Silenzio - Jean-Louis Trintignant), que quando criança teve sua família morta e a sua garganta cortada, por caçadores de recompensa, passando a partir de então a exterminar qualquer caçador de recompensa, que cruzasse o seu caminho.
Silenzio é contratado por uma viúva Pauline (Vonetta McGee), de Snow Hill, em Utah, para matar Loco (Klaus Kinski), um caçador de recompensas que matou o seu marido, covardemente, entretanto, esta missão na será tão simples. Loco vive rodeado de outros caçadores de recompensa tão perigosos quanto ele.
Este é mais um daqueles westerns spaghettis sensacionais, que ficaram longe do grande público por um bom tempo, como uma espécie de condenação injusta, muito peculiar no cinema, quando este apresenta uma obra que traz uma dose cavalar de criatividade, inova, sai do já visto, dos clichês, surpreende os fãs e deixa os críticos perdidos.
Também com Sergio Corbucci, a crítica não poupou referências pejorativas, como: o segundo Sergio, o Sergio menor, o primeiro e o maior Sergio, evidentemente era Leone, que a exemplo deste, Corbucci também deu uma banana daquelas para os críticos e outros tantos pseudos-cinéfilos de plantão, continuou a produzir filmes e com muita criatividade deixando uma obra de respeito, mostrou também que não precisava da sombra de Leone e ainda ditou tendências.
Mesmo num cenário deslumbrante e espetacular da região dos montes Pirineus, este filme não deixa de criar no expectador um clima melancólico e até opressivo, acentuado pela trilha sonora do onipresente maestro dos spaghettis, Ennio Morricone, dentro da sua normalidade, ou seja, no máximo.
Klaus Kinski, no seu melhor western, mostra todo o seu talento sem nenhum esforço, naturalmente, como um ser ruim, cínico (“sempre respeito os mortos”), racista (“que tempos são esses?-um negro valendo igual a um branco!”) perverso, sanguinário, mais frio que o clima local e um auto controle de fazer inveja .


8.º) Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 – Budd Boetticher

Um ex-xerife, Ben Stride (Randolph Scott), anda à procura de sete homens, que ao assaltarem 20,000 dólares em ouro, de uma agência da famosa companhia Wells Fargo, matam a sua esposa que era uma funcionária. Nesta procura, Stride encontra um casal, Jack Greer  (Walter Reed) e Annie (Gail Russell) com sua carroça atolada. Após ajudá-los, ele os acompanha  como um protetor, pois o território está sendo atacado por índios e encontra um antigo fora-da-lei, que já havia sido preso por ele, Masters (Lee Marvin) e um seu cúmplice Clete(Donald Barry), interessados em ficar com o ouro roubado, mas eles não sabem que o casal tem um segredo.
Budd Boetticher dirigiu sete westerns com Randolph Scott, em meados dos anos 50 e em 1960. O primeiro foi Sete Homens Sem Destino. Se você viu este filme como o primeiro da série dos sete, há uma boa probabilidade de tratá-lo apenas como mais um western B típico dos anos 50: 80 minutos de duração, solução final da trama num piscar de olhos, nenhum glamour, roteiro com tema rotineiro e batido, a vingança, que praticamente é tema máximo de quase todos os westerns. Se os outros filmes posteriores a este forem vistos primeiro, aí sim, este filme ganha outras dimensões. Comparado rapidamente com outros filmes de Scott/Boetticher, de imediato é possível que não se perceba algumas diferenças, que transformam este filme tão igual em diferente.  Um faroeste que me cativou pela simplicidade, uma história muito simples sem rodeios, diria até um clássico da simplicidade, sem muita conversa, diálogos secos, cortantes, sem nenhuma lentidão, sem psicologismos, belíssimas paisagens rochosas e uma imagem magistral quando Scott entra num lago montado no seu inseparável star dust.
A cena inicial, já demonstra que este filme vai ser diferente. Um ambiente sombrio, chuvoso, relâmpagos, um homem a pé, de costas, lama, uma gruta, o encontro com dois bandidos, diálogos curtos, mas esclarecedores, um duelo que você sente subliminarmente que acontecerá (você não vai ver), a expressão facial dos dois homens, a tensão crescente, a maneira como Stride troca sutilmente a caneca de café de mão (café quente realmente!), dando a dica para o que vai acontecer, os disparos e a tensão dissipada pela agitação e relincho dos cavalos do lado de fora. Início de um western nada comum, para os americanos, Cena inicial por demais criativa e Incomum para um western americano, principalmente para um B.
Randolph Scott na sua naturalidade de sempre, face marmórea, respostas lacônicas,  sem sorrisos, tenso, com um férreo objetivo, cavaleiro nato, desenrolado com uma arma na mão. Sei que muitos outros westerns “enchem os olhos”, mas este também me presta para uma homenagem a um Cowboy, que fica apenas a um pequeno degrau do John Wayne. 
Lee Marvin mostra toda a sua categoria, como um bandido cínico e perverso; elimina um comparsa na maior tranquilidade e demonstra todo a sua frieza, ao acender seu cigarro com outro, retirado da boca do homem que acabara de covardemente liquidar.

9.º) A Morte Anda a Cavalo (Da Uomo a Uomo), 1967 – Giulio Petroni

Após um assalto, quatro bandoleiros, se abrigam de uma tempestade numa fazenda e matam quase toda a uma família, excetuando um garoto que é salvo do fogo por um quinto bandido. Já adulto, Bill ( John Phillip Law), se prepara para encontrar os assassinos, tendo como pista apenas uma espora deixada na noite do crime. Um pistoleiro traído por seus comparsas, Ryan (Lee Van Cleef), que cumpriu 15 anos de prisão, sai em busca dos bandidos que o traíram. Bill e Ryan acabam se conhecendo e saindo em busca dos mesmos, com alguns segredos a serem revelados.
Filme com uns dos títulos mais fortes do western spaghetti, novamente com uma magistral trilha sonora do onipresente Ennio Morricone, dentro de um tema clássico, a procura de vingança, mas tratada de uma maneira mais criativa que a média, onde dois personagens distintos se cruzam com o mesmo objetivo e com desenrolar dos acontecimentos, seus conflitos vêem à tona, se misturam e se acentuam, pois o jovem cego por vingança põe a própria vida em risco, obrigando o velho pistoleiro a usar a sua experiência e assim não colocar em risco o seu plano de vingança. Chamo a atenção para a caracterização dos bandidos mexicanos, nunca os vi tão feios, com um visual de meter medo.
Lee Van Cleef em boa atuação, já bem confortável na Europa, com sua carreira resgatada por dois filmes anteriores de Sergio Leone (“Por Uns Dólares a Mais” -1965 e “Três Homens em Conflito” -1966) e um de Sergio Sollima (“O Dia da Desforra’ - 1966), num papel parecido com outro, que faria no mesmo ano (“Dias de Ira” - 1967), onde serve de professor para um jovem pária humilhado e lixeiro (Giuliano Gemma).
John Phillip Law, um desconhecido em westerns, não compromete com a sua boa atuação (não é preciso muito talento para ser um ator num western), faz bem o papel do jovem inexperiente e “cabeçudo”. Não tenho notícias de outro western feito por ele. Faleceu em 13 de maio de 2008


10.º) Jogada Decisiva (A Big Hand for a Little Lady), 1966 – Fielder Cook

Um casal Henry Fonda (Meredith) Joanne Woodward (Mary Meredith) e um filho Jean-Michel Michenaud (Jackie Meredith), em mudança para a Califórnia, chegam a uma cidade onde cinco milionários vão fazer uma maratona de pôquer entre eles, com altas apostas. Meredith, um péssimo jogador entra no jogo, arrisca todo o dinheiro da família, tem um ataque cardíaco durante o jogo e coloca sua esposa, Mary para jogar no seu lugar, mas ela não sabe nada sobre como jogar pôquer e aí as surpresas começam a acontecer.
“Quando nos é dito que certo filme é um western, qualquer que seja o enredo, a violência da natureza e dos homens, é parte essencial da paisagem; e provavelmente o clímax emocional e moral acontecerá durante um ato singular de violência. (Buscombe, 1988, P. 233).”
Esta citação acima, perde completamente o sentido em “Jogada Decisiva’. Sou adepto de westerns com uma boa dose de violência, mas seria impossível não abrir uma dessa exceção. Neste filme, zero violência, zero morte. Ninguém morre, ninguém agride ninguém. Os dois únicos tiros disparados serviram apenas de aviso, que um dos jogadores havia chegado à casa de um parceiro. Considero um dos filmes mais inteligentes e criativos que já vi, com Henry Fonda e elenco num desempenho extraordinário, numa trama realizada em torno de um  jogo de pôquer. Mesmo quem não sabe o que é  high stakes, western rules, all in ou high rollers, ou não entende nada do jogo, assim como Eu, não perde de maneira nenhuma, em nenhum momento, o interesse por esta bela comédia; se envolve na trama e acaba tendo a mesma ansiedade do personagem principal. As expressões faciais do Fonda te encantam e corroboram a maestria da estrela que foi.
É o outro lado da moeda do western. Incrível como este filme é desconhecido.

N.E. - Todos os textos acima são de autoria de Joailton Carvalho Buenos Aires.

28 de maio de 2013

A ÚLTIMA BARRICADA (The Last Command) – O PEQUENO E BELO ÉPICO DA REPUBLIC PICTURES


As histórias de bastidores de certos filmes são por vezes até melhores que os próprios filmes e este é o caso de “A Última Barricada” (The Last Command), de 1955. E conhecer os fatos que levaram a Republic Pictures a filmar o cerco do Álamo pelo exército mexicano em 1836, torna praticamente obrigatória a revisão deste filme. Após a discutida versão de 1960 (de John Wayne) e a fracassada refilmagem de 2004 (de John Lee Hancock), e por ser um fato histórico bastante conhecido do público, a história do Álamo encontra o espectador familiarizado com o que vai assistir. Isso provoca as inevitáveis comparações entre os filmes, personagens e intérpretes. “A Última Barricada” surpreende por mostrar um Davy Crockett diferente e divertido; um Coronel Travis menos soberbo; e um Jim Bowie verdadeiramente heroico e a figura central do filme.


O Generalíssimo Santa Anna e seu
amigo Jim Bowie.
13 dias para uma derrota histórica - Quem assina a história de “A Última Barricada” é Sy Bartlett, com roteiro de autoria de Warren Duff, ambos fugindo por vezes à exatidão dos fatos históricos. Em “A Última Barricada” James ‘Jim’ Bowie (Sterling Hayden) é um dono de terras no México que participa das discussões politicas de norte-americanos em San Antonio para fazer com que o General Santa Ana (J. Carroll Naish) respeite a Constituição de 1824 que dava autonomia à Província do Texas. De início relutante, Bowie adere à causa dos texanos e expõe sua posição ao seu amigo General Santa Anna. A intransigência de ambos os lados leva ao conflito armado e os norte-americanos decidem resistir fazendo de uma missão em ruínas construída pelos espanhóis e abandonada em San Antonio de Bexar seu reduto. O nome da missão é O Álamo e nesse abrigo precário enfrentam o exército de Santa Ana. Jim Bowie e o Coronel William B. Travis (Richard Carlson) são os líderes da resistência que contam em vão com reforços que nunca chegarão. Bowie e Travis recebem apenas um grupo de 29 homens vindos do Tennessee e liderados por Davy Crockett (Arthur Hunnicutt). A luta desigual se dá entre os 187 homens que estão na missão transformada em forte e que tencionam deter as forças do General Santa Ana o maior tempo possível. Com isto possibilitarão mais tempo para que o General Sam Houston arregimente e treine um exército norte-americano. O exército mexicano é composto de cinco mil homens que após 13 dias de cerco exterminam os defensores do Álamo.

Ernest Borgnine e Sterling Hayden.
O heróico Jim Bowie - A imprecisão histórica de “A Última Barricada” choca de início mas logo é esquecida, à medida que Jim Bowie demonstra ser o que os norte-americanos chamam de ‘bigger than life’. Jim Bowie é, além de quase invulnerável fisicamente com seus quase dois metros de altura, inteligente, persuasivo com as palavras e homem que transita com a mesma facilidade entre os inimigos políticos. O próprio Generalíssimo Santa Ana é antigo amigo de Bowie por quem Santana Ana nutre profundo respeito. Consuelo (Anna Maria Alberghetti), personagem ficcional filha do mexicano Lorenzo Quesada (Edward Franz) se apaixona por Jim Bowie mesmo com a grande diferença de idade e sendo ele casado. Mediador e nada egoísta, Bowie divide a liderança do contingente de 187 homens com o Coronel Travis e Davy Crockett reconhece a liderança indiscutível de Jim Bowie. Provocado pelo fanfarrão briguento Mike Radin (Ernest Borgnine), Bowie o derrota numa luta com facas, mas consegue a simpatia de Radin que passa o resto do filme lembrando que Bowie “é um homem bom”. A generosidade de Bowie é demonstrada quando diz a Consuelo que o jovem Jeb Lacey é a pessoa indicada para fazê-la feliz. Assim é o Jim Bowie de “A Última Barricada”, nada parecido com o Jim Bowie da vida real, este um criminoso perseguido pela Justiça, traficante de escravos e homem de poucos amigos. Mais lembrado por ter sido o criador de uma lendária faca de desenho exclusivo, instrumento para intimidar quem ousasse afrontá-lo. Em “A Última Barricada” Jim Bowie é o mais heróico personagem da heróica resistência e, como de fato ocorreu, não participa da batalha. No filme devido a ferimentos sofridos em seu tórax e não à febre tifóide que de fato o acometeu.

Muita ação de excelente qualidade - “A Última Barricada” em sua primeira parte situa o contexto histórico mostrando de forma bem elaborada as raízes que levaram ao conflito.  O filme começa lento com uma única cena de ação que é a luta de facas entre Bowie e Radin. Nessa parte inicial é ainda inserido no filme o inconvincente romance entre Bowie e Consuelo Quesada. Com a chegada dos homens do Tennessee e os preparativos para a defesa do Álamo o filme ganha em ação, como não poderia deixar de ser, com o clímax da carga final após soar o “Deguello”. O significado da mórbida canção entoada pelos trompetes mexicanos é deixar prisioneiros norte-americanos vivos após o ataque. Para os padrões da Republic Pictures “A Última Barricada” é uma superprodução e as cenas de batalhas espetacularmente realizadas justificam artisticamente o investimento. O filme foi dirigido pelo veteraníssimo Frank Lloyd, vencedor de dois prêmios Oscar de Melhor Diretor. O primeiro por “Cavalgada” (1933) e o segundo por “O Grande Motim (1935). Lloyd dirigiu seu primeiro filme em 1914 e estava com 68 anos quando foi contratado para dirigir “A Última Barricada”, que foi seu filme derradeiro. Frank Lloyd contou com a preciosa ajuda de William Witney como diretor de segunda unidade para as cenas de batalha. Witney, lendário diretor de seriados e faroestes B da Republic, comandou uma equipe de stuntmen formada por grandes profissionais a quem se deve o realismo das ótimas sequências de ação. O competente grupo de stuntmen foi composto pelos irmãos Joe e Tap Canutt (filhos de Yakima Canutt), Kermit Maynard, Chuck Roberson, Boyd ‘Red’ Morgan, Charles Horvath e outros. As muitas e espetaculares quedas de cavalo, quedas de paliçadas e confrontos diretos funcionam excepcionalmente bem e são o ponto alto do filme.

Acima Sterling Hayden e ao lado Slim Pickens e Jim Davis; no centro a morte
de John Russell (Tenente Dickinson); abaixo o ataque ao Álamo.

O insípido Richard Carlson.
Música de Max Steiner - Apesar da pobreza do Trucolor (processo de colorização criada pela Republic Pictures para não pagar o caro Technicolor) Herbert J. Yates abriu os cofres e contratou Max Steiner que compôs e orquestrou a bela trilha sonora. O destaque é a canção “Jim Bowie”, com música de Steiner e letra de Sidney Claire, canção interpretada por Gordon MacRae. É preciso lembrar que à época da produção de “A Última Barricada”, Gordon MacRae era um dos grandes nomes dos musicais da Warner Bros. em parceria com Doris Day, estrelando ainda “Oklahoma” e posteriormente “Carrossel”. O cinegrafista Jack A. Martha realizou proezas com sua câmara criando a impressão que havia muito mais extras em ação do que a mera centena de figurantes vestidos como soldados mexicanos. Um filme de ação depende muito de uma edição precisa e “A Última Barricada” contou com a edição inspirada de Tony Martinelli cujo trabalho muito colaborou para o bom resultado de “A Última Barricada”.

Anna Maria Alberghetti e Sterling Hayden.
Bowie forte, Travis fraco - Sterling Hayden era conhecido como ‘o John Wayne de esquerda’ e também como ‘o Burt Lancaster dos filmes B’. E Hayden está bem e é convincente como Jim Bowie, até porque o personagem havia sido escrito para John Wayne. Alto, forte e por vezes lacônico, Hayden mostra que, não por acaso, atuou em tantos filmes importantes. Richard Carlson não demonstra a personalidade suficiente para se impor e faz seu personagem parecer melancólico e derrotado. Parece mesmo impressionado com a enorme presença física de Sterling Hayden, o que não intimidou atores como Ernest Borgnine, Arthur Hunnicutt e J. Carroll Naish. Estes, quando em cena, não permitem que ninguém lhe para o gigante Hayden. Hunnicutt criou um picaresco Davy Crockett num filme no qual, sem ele, não haveria momentos de comicidade. Anna Maria Alberghetti têm a árdua missão de carregar um personagem forçado em cenas ainda mais forçadas. O pior momento da atriz é quanto entoa uma terrível canção lembrando Jim Bowie que está distante dela. Não há referências quanto ao autor da canção que certamente não deve ser de Max Steiner. Ben Cooper completa o triângulo amoroso com Hayden e Anna Maria. O elenco composto por muitos nomes conhecidos traz ainda, John Russell, Jim Davis, Virginia Grey, Slim Pickens, Russell Simpson, Morris Ankrum, Harry Woods, Walter Reed e Eduard Franz, ou seja, garantia de boas interpretações secundárias. Infelizmente nenhum deles tem, no filme, espaço condizente com seus talentos.

Virginia Grey e John Russell em cenários pintados.
Filme ‘A’ ou filme ‘B’? - Em “O Álamo”, de 1960, John Wayne praticamente copiou a sequência de morte do Davy Crockett de Arthur Hunnicutt. E fica claro que o personagem que Wayne deveria interpretar em seu filme era o de Jim Bowie e não Davy Crockett. Apesar de caro para um estúdio como a Republic Pictures, “A Última Barricada” custou a décima parte do dinheiro gasto com “O Álamo” de 1960. E a economia típica da Republic Pictures é lembrada em cenas com cenários pintados. Produzido como filme ‘A’, “A Última Barricada” acabou virando filme de programa duplo e praticamente ignorado pela crítica. Mas nada disso desmerece esse pequeno, belo e desprezado épico produzido por Herbert J. Yates.



26 de maio de 2013

HISTÓRIAS DO ÁLAMO - O TIRANO QUE ROUBOU O SONHO DE JOHN WAYNE


As primeiras versões da história do
Álamo para o cinema.

A defesa da missão transformada em forte em San Antonio, no Texas, mais conhecida como Álamo, é um dos fatos históricos que mais orgulho traz aos norte-americanos. Como não poderia deixar de ser aquela passagem histórica foi levada algumas vezes ao cinema antes da mais famosa versão dirigida por John Wayne. A primeira delas foi em 1911, com o curta “The Immortal Alamo”, estrelado por Francis Ford, irmão de John Ford. Em 1915, desta vez como longa-metragem, David W. Griffith produziu “Mártires do Alamo”, dirigido por Christy Cabanne. O nome mais famoso do elenco era o de Douglas Fairbanks interpretando um soldado texano. Esse filme foi relançado cinco anos depois com o título “O Nascimento do Texas”. Em 1926 Robert N. Bradbury (pai de Bob Steele) filmou “Davy Crockett e a Queda do Álamo”, protagonizado pelo ator Cullen Landis e com Bob Steele no elenco. Em 1939 Richard Dix interpretou Sam Houston em “A Grande Conquista”, filme que contou com as participações de Joan Fontaine, Victor Jory, Robert Barrat, George ‘Gabby’ Hayes e Robert Armstrong, entre outros. O próximo filme sobre o Álamo com personagens que participaram das batalhas de três dias foi “A Última Barricada”, western épico que tem uma longa história.

O jovem John Wayne.
O início da paixão pelo Álamo - O primeiro filme que John Wayne assistiu sobre o Álamo foi “O Nascimento do Texas”, que despertou seu fascínio pelo assunto. Mais tarde John Wayne assistiu ao filme dirigido por Robert N. Bradbury, de quem viria a ser amigo anos depois. Wayne foi se apaixonando pelos acontecimentos ocorridos em San Antonio, paralelamente à medida que crescia sua ideologia política pendendo para a ala mais radical do Partido Republicano. John Wayne era contratado da Republic Pictures quando soube, em 1939, que o estúdio iria produzir “A Grande Conquista”. Wayne pediu a Herbert J. Yates, o dono da Republic, para participar de “A Grande Conquista”, mas Yates lhe disse que ele ainda era “muito fraco” como ator, isto apesar dos mais de 60 filmes que o Duke fizera depois de “A Grande Jornada”, em 1930. E Yates sabia que Wayne havia acabado de filmar um certo faroeste sob a direção de John Ford, filme chamado “No Tempo das Diligências”. A partir de então duas coisas aconteceram: John Wayne passou a sonhar em filmar uma versão definitiva daquele episódio histórico; e John Wayne se tornou um dos grandes astros do cinema. Ser grande astro não significava ganhar bem pois Yates dirigia um pequeno estúdio mas era tão sovina quanto Jack Warner (Warner Bros.), Harry Cohn (Columbia), ou qualquer outro diretor dos grandes estúdios .

Herbert J. Yates e Vera Helena Hruba
A primeira promessa de Yates - Após a II Guerra Mundial o desejo de John Wayne de fazer o filme de seus sonhos era conhecido de todos, inclusive de Herbert J. Yates. Querendo tirar proveito disso, Yates fez uma promessa ao Duke. Se John Wayne assinasse novo contrato com a Republic Pictures, Yates iria produzir o ‘Álamo’ que o ator tanto queria. Por esse novo contrato de sete anos Wayne deveria fazer pelo menos um filme por ano para a Republic, podendo atuar também em produções de outros estúdios. Depois do contrato assinado o tratante Yates não falou mais do assunto 'Álamo' com John Wayne. No início dos anos 40 Yates se enamorou por uma jovem patinadora tcheca chamada Vera Helena Hruba e decidiu fazer da moça uma estrela de cinema, uma nova Sonja Henie. Mas Yates acabou criando uma nova Marion Davies, a paixão de William Randolph Hearst que disfarçadamente Orson Welles mostrou em “Cidadão Kane”. A patinadora Vera era 39 anos mais nova que Yates, o que não impediu o produtor de cortejá-la abertamente, isto apesar de ainda ser casado e ter netos. A moça patinava razoavelmente, mas como atriz era péssima. Para ajudar a tchecoslovaca mal sabia falar algumas palavras em Inglês. Para impulsionar a carreira de atriz da namorada, cujo nome artístico passou a ser Vera Ralston, Yates decidiu que John Wayne deveria ser seu partner em alguns filmes.

John Wayne e Vera Ralston em "Dakota".
Duke e as cenas de amor com Vera Ralston (e Herb Yates) - Em meados da década de 40 John Wayne era o grande astro da Republic Pictures e, exercitando seu notório mau caráter, Herbert J. Yates quis se aproveitar da fama do Duke, chantageando-o.  Yates prometeu a John Wayne que se ele filmasse com Vera Ralston a Republic faria sim o filme sobre o Álamo. Wayne mais uma vez acreditou em Yates e teve Vera Ralston como leading-lady em “Dakota”, filme de 1945. Pior ainda que contracenar com Vera era ter que aguentar a presença constante de Yates nos sets de filmagem, atrapalhando com seu ciúme doentio as cenas de amor. Terminado o filme Wayne cobrou de Yates a promessa sobre o Álamo. Yates desconversou, o que faria todas as vezes que Wayne entrava em seu escritório para cobrá-lo. O prestígio de John Wayne não parava de crescer com filmes como “Sangue de Heróis” e “Rio Vermelho”. Outro filme de sucesso de John Wayne foi “O Anjo e o Malvado”, em 1947, escrito e dirigido por James Edward Grant. Wayne e Grant tornaram-se amigos particulares, inclusive porque ambos tinham as mesmas idéias políticas e gostavam de uma boa bebedeira. Grant era escritor e roteirista e Wayne pediu a ele que começasse a pesquisar e escrever um roteiro para o filme sobre o Álamo. Os dois foram até San Antonio, no Texas para conseguir maiores informações nos museus locais. Já com um pré-roteiro em mãos, Wayne mais uma vez procurou Yates.

Juntos pela segunda vez Duke e Vera Ralston
em "O Lutador do Kentucky".
O ‘muquirana’ mentiroso – A história se repetiu e Yates disse que só produziria o filme que Wayne queria se o ator trabalhasse mais uma vez com sua querida Vera Ralston. Se o Duke não desistia de seu filme, Yates também não desistia de fazer de Vera Ralston uma estrela. Outra vez Wayne acreditou na promessa até porque, apesar de má atriz, Vera era boa pessoa. E foi feito então “O Lutador do Kentucky” (Estranha Caravana) com Wayne e Vera Ralston. Nem bem terminou o filme e lá estava Wayne cobrando a promessa de Yates que, como sempre, desconversava sobre o assunto. Foi nesse tempo que, para tapear John Wayne, Herbert J. Yates contratou James Edward Grant como roteirista para que Grant produzisse novo roteiro sobre o Álamo.  Yates sabia que Wayne queria fazer um filme caro para os padrões da Republic e ‘mão-de-vaca’ como só ele, não iria gastar tanto com um único filme, quando podia fazer três ou quatro com o mesmo volume de dinheiro. Longe do Duke Yates dizia que jamais iria produzir um filme no qual o público sabe que “todos morrem no fim”.

John Wayne e Maureen O'Hara
em "Depois do Vendaval".
O ‘Sim’ de Herbert J. Yates - John Wayne perdeu de vez a paciência com Yates quando levou seu amigo John Ford para a Republic, onde Ford fez alguns filmes. Se Wayne tinha o sonho de filmar “O Álamo”, Ford tinha o sonho de filmar “Depois do Vendaval” na Irlanda. Ford e Yates se associaram para fazer esse filme, que era a produção mais cara da Republic. “Depois do Vendaval” ganhou Oscars e se transformou em um enorme sucesso de bilheteria e de crítica. Na hora de dividir os lucros, porém, Yates deu um cheque de 50 mil dólares a John Ford que teve que entrar na Justiça para receber o que tinha direito. Ford culpou John Wayne por tê-lo apresentado àquele biltre chamado Herbert J. Yates. Para agradar John Wayne e John Ford, Yates contratara Patrick Ford, filho do diretor para que este refizesse o roteiro de “O Álamo”. O pobre Patrick Ford escrevia, escrevia, escrevia e nada de prático acontecia com seus roteiros. Wayne achou então que era hora de decidir as coisas com o chefão da Republic, até porque com “Depois do Vendaval” Wayne havia cumprido o último filme do contrato com a Republic. Yates queria renovar o contrato com Wayne mas o ator deu o ultimato: “Só se o filme sobre o Álamo for feito imediatamente”. Sem saída Yates teve que ceder para a Republic Pictures não perder sua maior (e única) grande estrela. Quando tudo parecia resolvido e começaram os entendimentos para “O Álamo”, Yates deixou claro que o filme seria rodado com pequeno orçamento, em Trucolor e nos estúdios da Republic. Outra condição imposta por Yates era que Vera Ralston participasse do filme. João Wayne queria fazer o maior de todos os filmes e Yates apenas mais um filmeco no estilo do estúdio.

O dono da Republic Pictures, Herbert J. Yates.
O tiranete da Republic - Herbert J. Yates tinha pouco mais de 1,60m de altura mas era temido por todos no estúdio. A única pessoa que enfrentara Yates havia sido Gene Autry que se rebelou contra o tiranete e saiu da Republic. Agora era a vez de John Wayne fazer o mesmo. Sem chegar a um acordo com Yates, Wayne cumpriu sua promessa e abandonou o estúdio onde trabalhava há 15 anos. Yates vingou-se do Duke despedindo Patrick Ford e guardando bem guardadinho o roteiro que moralmente pertencia a John Wayne. Começou então a epopéia de John Wayne para conseguir fazer o filme que queria. O primeiro passo do Duke foi criar sua própria produtora para poder ter controle total sobre seu projeto. Em sociedade com Robert fellows, Wayne fundou a Wayne-Fellows Productions. Wayne associou sua produtora com a Warner Bros. que ficaria responsável também pela distribuição dos filmes produzidos pela Wayne-Fellows. Mas Jack Warner não queria nem ouvir falar daquele sonho de John Wayne chamado “O Álamo”. O Duke, porém, não desistia de seu projeto e enquanto guardava dinheiro para produzir seu filme, procurava investidores para ajudá-lo no projeto. O roteiro de James Edward Grant já estava pronto e até mesmo as locações já haviam sido definidas, e “O Álamo” seria filmado no Panamá ou em Durango, no México. John Wayne estava atuando em “Um Fio de Esperança” quando foi avisado que Herbert J. Yates decidira finalmente, como vingança, produzir um filme sobre o Álamo.

Sterling Hayden e J. Carroll Naish em
"A Última Barricada".
A vingança do dono da Republic - O roteiro do filme da Republic seria basicamente aquele rascunhado por James Edward Grant e revisto tantas vezes por Patrick Wayne. John Wayne queria processar Yates mas desistiu quando soube que perderia a questão pois o roteiro pertencia, por direito, à Republic Pictures, uma vez que Patrick Ford e Jim Grant eram contratados de Yates no tempo em que trabalharam no roteiro. O desespero tomou conta de John Wayne que não podia aceitar a idéia de um acontecimento tão importante como a defesa do Álamo ser filmado por alguém tão mesquinho como Yates. Só restava a Wayne praguejar contra Herbert J. Yates por ter roubado seu sonho e aguardar para ver como ficaria o filme da Republic. Yates mudou o título para “The Last Command” (A Última Barricada) e para atazanar ainda mais John Wayne o filme seria rodado no Texas, num lugar chamado Brackettville. “A Última Barricada” não foi bem nas bilheterias e apenas se pagou e logo foi esquecido pelo público, sem dar lucro a Yates. A Republic Pictures fechou as portas em 1958 e o tirano que comandava o estúdio faleceu em 1966, aos 85 anos, deixando viúva Vera Ralston, com quem se casara em 1952. Ter visto seu sonho ser roubado por Herbert J. Yates deu ainda mais força a John Wayne que após desfazer a parceria com Fellows, fundou sua Batjac e em 1960 legou ao cinema “O Álamo”, do jeito que queria. Seu algoz Yates viveu o suficiente para ver John Wayne realizar a superprodução que só mesmo um gigante como Wayne poderia fazer.

Poster da Republic Pictures feito para enganar John Wayne por mais algum
tempo. O título do filme seria "O Álamo", como o Duke queria.
À direita o poster de "A Última Barricada".

23 de maio de 2013

ESTANTE DE FAROESTE - ROCKY LANE, PARA ALEGRIA E TRISTEZA DOS FÃS


Roy Rogers foi indiscutivelmente ‘O Rei dos Cowboys’ no cinema e na TV. Mas muitos fãs brasileiros preferiam (e ainda preferem) Rocky Lane como herói dos eletrizantes ‘Bezinhos’ das matinês dominicais dos anos 40 e 50. Isto sem falar dos gibis que traziam igualmente saborosas aventuras de Rocky Lane na sua revista mensal que rapidamente se esgotava nas bancas. Quando os fãs de Rocky Lane souberam que seria lançado um livro sobre seu mocinho favorito a alegria foi grande, ainda mais porque David Rothel era o autor do livro. Rothel era já conhecido por obras como “Who Was That Masked Man?” (seu primeiro livro) focalizando The Lone Ranger, “The Singing Cowboys”, “Those Great Cowboys Sidekicks”, “The Gene Autry Book” e “The Roy Rogers Book”. Mas a aquisição do novo livro de David Rothel, intitulado “Allan ‘Rocky’ Lane – Republic’s Action Ace” trouxe uma ponta de tristeza para os fãs de Rocky Lane.


Allan Lane no western "Quadrilha do Inferno",
 ao lado de Rodolfo Acosta
Rocky Lane nas mãos de colecionadores - Como a falta de informações era grande nos anos 60, ninguém entendia porque a carreira de Allan ‘Rocky’ Lane fora praticamente encerrada com o final da série de filmes que o ator fez para a Republic. Posteriormente, no cinema, Allan Lane foi visto somente em pequenas participações nos faroestes “Meu Sangue por Minha Honra” (com Rory Calhoun) e em “Com o Dedo no Gatilho” e “Quadrilha do Inferno” (ambos com Audie Murphy). Dizia-se que Allan Lane sobrevivia emprestando sua bela voz a um cavalo na série de TV “Mr. Ed”, mas o nome do ator não aparecia nos créditos, deixando dúvida sobre esse pouco honroso trabalho. E a mais triste das notícias foi quando se soube, em 1973, que Allan ‘Rocky’ Lane havia falecido, praticamente esquecido, aos 69 anos de idade. Os fãs norte-americanos tinham mais sorte pois podiam rever Rocky Lane na televisão em canais que exibiam Westerns B. Alguns poucos fãs brasileiros, como o Dr. Aulo Barretti, Nelson Pecoraro, Archimedes Lombardi e Ângelo Paulino, conseguiram salvar da destruição filmes em 16 mm de Rocky Lane. Esses filmes eram exibidos em circuitos fechadíssimos apenas para os amigos dos colecionadores. Finalmente chegou o revolucionário Video System Record – VHS, a nossa ‘fita de vídeo’ – que permitiu que cada vez mais fãs matassem a saudade de seu mocinho preferido. E finalmente chegou o esperado livro de David Rothel.

Uma das clássicas fotos de Allan Rocky Lane.
Livro escrito em parceria - David Rothel percorreu o mesmo caminho de todo fã nostálgico, mas com o farto material que tinha em mãos e com seu dom para escrever, juntou-se aos autores que supriam o mercado editorial com livros sobre filmes e atores que fizeram a alegria das inesquecíveis matinês. Nos Estados Unidos elas ocorriam aos sábados e eram chamadas de ‘Saturday Afternoon’. Para escrever o livro “Allan ‘Rocky’ Lane – Republic’s Action Ace”, David Rothel juntou-se a Chuck Thorton, autor que havia compilado toda a filmografia de Allan Lane em seu livro “The Western Adventures of Allan Lane”. Coube a David Rothel comentar, através de ótimos textos, os sete capítulos que compõem esse livro sobre Rocky Lane. “Allan ‘Rocky’ Lane – Republic’s Action Ace”  traz, além da biografia do ator, sua filmografia completa, com elenco, ficha técnica, data de lançamento e a duração de cada filme, além de fotos ilustrativas. Acompanham as fichas uma detalhada sinopse, cada uma ocupando meia página. Outro capítulo fala da participação de Lane na série “Mr. Ed” e o capítulo final é um ‘scrapbook’ (variedades) com muitas curiosidades sobre o ator. No total o livro tem mais de 200 fotos de Rocky Lane, fotos que certamente trouxeram muita alegria aos fãs.

Uma das muitas fotos de filmes do livro. Rocky Lane dando ao bandido
Boyd 'Red' Morgan o que ele merece em 
 "Povoado Assombrado"
(Thundering Caravans), de 1952.

David Rothel acima com William Witney
e abaixo com Yakima Canutt.
Imagem negativa - O Capítulo N.º 6 de “Allan ‘Rocky’ Lane – Republic’s Action Ace”  é aquele que explica quem era Allan ‘Rocky’ Lane e por que ele teve o melancólico final de carreira . David Rothel entrevistou muitas pessoas que trabalharam com Allan Lane. Entre elas Yakima Canutt, Kay Aldridge, Peggy Stewart, Twinkle Watts, Marshall Reed, Terry Frost, Tristram Coffin, Duncan Renaldo, House Peters Jr., Walter Reed e os diretores R.G. Springsteen e William Witney. De um modo geral a imagem de Allan Lane resultante desses depoimentos é a de alguém antipático, arrogante, desinteressado em fazer amizades, perfeccionista ao extremo. Mas quase todos lembraram seu profissionalismo. Esse temperamento e comportamento de Allan Lane explica a razão de tantas portas terem sido fechadas para ele quando, aos 44 anos de idade, deixou de ser o mocinho ‘Rocky Lane’ na série que estrelava para a Republic Pictures.

Um prolífico autor - Editado pela Empire Publishing, “Allan ‘Rocky’ Lane – Republic’s Action Ace”  tem 180 páginas em preto e branco, capa dura e mais de 200 fotos de excelente qualidade. O livro tem 29cm (altura) por 22cm (largura). David Rothel lançou posteriormente biografias de Tim Holt, Lash La Rue (Don Chicote) e Richard Boone. É também de autoria de David Rothel “The Case Files of the Oriental Sleuths” (sobre os detetives orientais Mr. Moto, Mr. Wong e Charlie Chan). Outros livros de David Rothel sobre nostalgia cinematográfica são “Opened Time Capsules – My Vintage Conversations With Show Business Personalities” e “The Great Show Business Animals”. Fãs dos Westerns B vão gostar do livro. Fãs de Rocky Lane terão prazer em cada página, menos aquelas do Capítulo 6.

Fotos do Capítulo 'Scrapbook', com as últimas fotos de Allan Lane.