UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN
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14 de setembro de 2013

“SHANE”, O MELHOR WESTERN DE TODOS OS TEMPOS, SEGUNDO ENQUETE DA FOLHA DE S. PAULO


A década de 80 indicava que o Western havia desaparecido como gênero cinematográfico após o fracasso nas bilheterias de “Portal do Paraíso” (Heaven’s Gate), filme de 1980. Mesmo o último grande cowboy do cinema, Clint Eastwood, afastava-se dos westerns filmando um único faroeste naquela década – “Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), 1985 – e despedindo-se do gênero na década seguinte com o premiado “Os Imperdoáveis” (Unforgiven), 1992. Pois foi nesse contexto que o jornal Folha de S. Paulo, como que antevendo que nada mais importante seria produzido nesse gênero outrora tão prestigiado, publicou em 12/5/1984 uma enquete indicativa dos melhores faroestes de todos os tempos. Enquetes sobre filmes sempre houve muitas, mas esse tipo de trabalho envolvendo o faroeste é algo raro, daí a importância da iniciativa daquele jornal.

Nos anos 80 a Folha de S. Paulo desbancava seu rival ‘Estadão’ (O Estado de S. Paulo) como o maior jornal do País quanto à circulação. A redação da Folha de S. Paulo abrigava então alguns dos principais jornalistas brasileiros e o caderno ‘Ilustrada’ era leitura obrigatória para fãs de cinema com os textos de Ruy Castro, Sérgio Augusto, Adilson Laranjeira, Inácio Araújo, Luciano Ramos e Orlando Lopes Fassoni. Esses jornalistas e mais Paulo Francis, Renato Pompeu, Pepe Escobar, Fernando Morgado, José Trajano, João Moura Jr. e Fernando Pessoa Ferreira, todos pertencentes à redação da Folha de S. Paulo foram consultados para a enquete que indicaria os melhores faroestes de todos os tempos. Ruy Castro definiu esses jornalistas dizendo serem todos eles “especialistas, críticos, ‘ratos de cinemateca’ ou ligados de alguma maneira à curtição cinematográfica”. Foi solicitado a esses treze fãs de faroestes que indicassem listas contendo dez westerns dentro do critério clássico que contaria dez pontos para o primeiro colocado, nove para o segundo e assim por diante.

Essa enquete da Folha de S. Paulo ficou naturalmente defasada em razão de novos ótimos faroestes lançados que poderiam também integrar as listas, filmes como os citados “Cavaleiro Solitário” e “Os Imperdoáveis”, “Silverado”,“Dança com Lobos” (Dances with Wolves), “Pacto de Justiça” (Open Range), “Apaloosa – Uma Cidade Sem Lei” (Appaloosa), “Tombstone – A Justiça está Chegando” (Tombstone), entre os principais. Há que se lamentar que entre tantas enquetes a grande imprensa brasileira e internacional não faça um trabalho desse tipo sobre o western. E enquanto isso não acontece WESTERNCINEMANIA, republica os votos da enquete da Folha de S. Paulo, bem como a totalização desses votos que indicaram quais os melhores westerns de todos os tempos na opinião de 13 críticos em 1984.

       PAULO FRANCIS
1.º) Minha Vontade é Lei (Warlock), 1959 – Edward Dmytryk
2.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance),
         1962 – John Ford
3.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
4.º) Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident), 1943 – William A. Wellman
5.º) Sangue de Heróis (Fort Apache), 1948 – John Ford
6.º) E o Bravo Ficou Só (Will Penny), 1967 – Tom Gries
7.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
8.º) Agora ou Nunca (The Virginian), 1929 – Victor Fleming
9.º) Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 – John Sturges
10.º) O Passado não Perdoa (The Unforgiven), 1960 – John Huston

       SÉRGIO AUGUSTO
1.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
2.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford
3.º) No Tempo das Diligências
4.º) Rio Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks
5.º) Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1954 – Nicholas Ray
6.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
7.º) O Preço de um Homem (The Naked Spur), 1953 – Anthony Mann
8.º) Winchester 73 (Winchester ’73), 1950 – Anthony Mann
9.º) Os Brutos Também Amam
10.º) Reinado do Terror (Terror in a Texas Town), 1958 – Joseph Lewis

       INÁCIO ARAÚJO
1.º) Onde Começa o Inferno
2.º) Rastros de Ódio
3.º) Homem Sem Rumo (Man Without a Star), 1954 – King Vidor
4.º) Paixão de Bravo (The Lusty Men), 1952 – Nicholas Ray
5.º) O Tiro Certo / Disparo para Matar (The Shooting), 1967 – Monte Hellman
6.º) Eu Matei Jesse James (I Shot Jesse James), 1949 – Samuel Fuller
7.º) Entardecer Sangrento (Decision at Sundown), 1957 – Budd Boetticher
8.º) O Diabo Feito Mulher (Rancho Notorius), 1952 – Fritz Lang
9.º) O Preço de um Homem
10.º) Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 – Robert Aldrich

       LUCIANO RAMOS
1.º) O Diabo Feito Mulher
2.º) Johnny Guitar
3.º) Onde Começa o Inferno
4.º) A Última Caçada (The Last Hunt), 1956 – Richard Brooks
5.º) Flechas de Fogo (Broken Arrow), 1950 – Delmer Daves
6.º) No Tempo das Diligências
7.º) Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 – King Vidor
8.º) Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 – John Sturges
9.º) Quando os Homens São Homens / Jogos e Trapaças (McCabe & Mrs. Miller),
         1971 – Robert Altman
10.º) Os Brutos Também Amam

       RUY CASTRO
1.º) O Homem que Matou o Facínora
2.º) No Tempo das Diligências
3.º) Os Brutos Também Amam
4.º) Paixão dos Fortes
5.º) Rastros de Ódio
6.º) O Matador (The Gunfighter), 1950 – Henry King
7.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah
8.º) Conspiração do Silêncio (Bad Day at Black Rock), 1954 – John Sturges
9.º) A Marca do Zorro (The Mark of Zorro), 1940 – Rouben Mamoulian
10.º) Johnny Guitar

       JOÃO MOURA JR.
1.º) O Último Pôr-do-Sol (The Last Sunset), 1961 – Robert Aldrich
2.º) Os Brutos Também Amam
3.º) Johnny Guitar
4.º) Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957 – Delmer Daves
5.º) O Homem que Matou o Facínora
6.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 – Fred Zinnemann
7.º) Um de Nós Morrerá (The Left-Handed Gun), 1958 – Arthur Penn
8.º) Quando os Homens São Homens / Jogos e Trapaças
9.º) Duelo de Gigantes (The Missouri Breaks), 1976 – Arthur Penn
10.º) Vera Cruz

       ORLANDO LOPES FASSONI
1.º) Os Brutos Também Amam
2.º) Rastros de Ódio
3.º) O Homem que Matou o Facínora
4.º) Matar ou Morrer
5.º) Onde Começa o Inferno
6.º) A Noite da Emboscada (The Stalking Moon), 1970 – Robert Mulligan
7.º) Consciências Mortas
8.º) Meu Ódio Será Sua Herança
9.º) Vera Cruz
10.º) No Tempo das Diligências

       FERNANDO MORGADO
1.º) Os Brutos Também Amam
2.º) Rastros de Ódio
3.º) Matar ou Morrer
4.º) Meu Ódio Será Sua Herança
5.º) No Tempo das Diligências
6.º) Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962 – Sam Peckinpah
7.º) A Noite da Emboscada
8.º) Onde Começa o Inferno
9.º) A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1961 – Marlon Brando
10.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Una Volta Il West), 1968 – Sergio Leone 

       PEPE ESCOBAR
1.º) Johnny Guitar
2.º) Os Brutos Também Amam
3.º) Onde Começa o Inferno
4.º) No Tempo das Diligências
5.º) Pat Garrett e Billy e Kid (Pat Garrett and Billy the Kid) 1973 – Sam Peckinpah
6.º) Lonesome Cowboys, 1968 – Andy Wharol (Inédito no Brasil)
7.º) Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo), 1966 – Sergio Leone
8.º) O Homem que Matou o Facínora
9.º) Sete Homens e Um Destino
10.º) Sangue de Heróis

       ADILSON LARANJEIRA
1.º) Rastros de Ódio
2.º) Os Brutos Também Amam
3.º) O Homem que Matou o Facínora
4.º) Minha Vontade é Lei
5.º) Vera Cruz
6.º) Sem Lei e Sem alma
7.º) No Tempo das Diligências
8.º) Meu Ódio Será Sua Herança
9.º) Sete Homens e Um Destino
10.º) Da Terra Nascem os Homens

       JOSÉ TRAJANO
1.º) Os Brutos Também Amam
2.º) No Tempo das Diligências
3.º) Paixão dos Fortes
4.º) O Homem que Matou o Facínora
5.º) Meu Ódio Será Sua Herança
6.º) Vera Cruz
7.º) Matar ou Morrer
8.º) Onde Começa o Inferno
9.º) Rastros de Ódio
10.º) Matar ou Correr, 1953 – Carlos Manga

       RENATO POMPEU
1.º) Winchester 73
2.º) Duelo ao Sol
3.º) O Homem que Matou o Facínora
4.º) No Tempo das Diligências
5.º) Meu Ódio Será Sua Herança
6.º) A Estrada de Santa Fé (The Santa Fé Trail), 1940 – Michael Curtiz
7.º) A Face Oculta
8.º) Pôquer de Sangue (Five Cards Stud), 1968 – Henry Hathaway
9.º) Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid), 1969 – George Roy Hill
10.º) Rio vermelho

       FERNANDO PESSOA FERREIRA
1.º) Matar ou Morrer
2.º) Os Brutos Também Amam
3.º) Vera Cruz
4.º) Winchester 73
5.º) No Tempo das Diligências
6.º) Meu Ódio Será Sua Herança
7.º) Dívida de Sangue (Cat Ballou), 1964 – Elliot Silverstein
8.º) Céu Amarelo (Yellow Sky), 1948 – William A. Wellman
9.º) O Homem que Matou o Facínora
10.º) A Face Oculta

CLASSIFICAÇÃO FINAL

1.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
2.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
3.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance),
        1962 – John Ford
4.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
5.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
6.º) Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1954 – Nicholas Ray
7.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 – Fred Zinnemann
8.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah
9.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford
10.º) Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 – Robert Aldrich


QUEM SÃO OS OPINADORES E ONDE ELES ESTÃO


Paulo Francis, um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros e que dispensa apresentações. Faleceu em 1997.
Sérgio Augusto, também escritor, autor dos livros “Cancioneiro Tom Jobim”, “Este Mundo é um Pandeiro” e “Botafogo – Entre o Céu e o Inferno”. Atualmente escreve para O Estado de São Paulo e para a revista Bravo (que segundo informações deixou de circular em agosto de 2013).
Inácio Araújo – Mantém-se até hoje como crítico da Folha de S. Paulo e edita o blog ‘Cinema de Boca a Boca’. É autor dos livros “Hitchcock, o Mestre do Medo” e “Cinema, o Mundo em Movimento”.
Luciano Ramos – Depois de trabalhar como crítico em inúmeros órgãos de imprensa, atualmente é Professor de Pós-Graduação na Fundação Armando Álvares Penteado e apresentador do programa Cinema Falado, pela Rádio USP. Autor do livro “Os Melhores Filmes Novos”.
Ruy Castro – O mais bem sucedido escritor brasileiro das últimas décadas. Incansável ele surpreende a cada novo projeto e seus livros tomam conta de um metro em qualquer boa estante doméstica, de lojas ou biblioteca. Assina coluna na página 2 da Folha de S. Paulo e seu estilo de escrever mordaz e bem humorado discorre sobre assuntos diversos, inclusive sobre música e cinema, seus preferidos.
João Moura Jr. – À época da enquete era o editor do Folhetim após a saída de seu criador Tarso de Castro.
Orlando Lopes Fassoni – Por décadas foi o responsável pela seção de cinema da Folha de S. Paulo. Falecido em 2010, atuou também como redator da equipe de Jornalismo da Rádio Jovem Pan.
Fernando Morgado - À época da enquete era o Coordenador da Agência Folhas.
Pepe Escobar – Depois de se notabilizar como crítico de música e cinema na Folha de S. Paulo, Pepe Escobar passou a correspondente internacional trabalhando para diversos jornais em língua estrangeira.
Adilson Laranjeira - À época da enquete era Administrador da Folha da Tarde, produzindo também diversas críticas sobre cinema na Folha de S. Paulo. Deixou o jornalismo para se tornar assessor de imprensa de Paulo Maluf, função que exerce há mais de 20 anos.
José Trajano – Quando da enquete era o Editor de Esportes da Folha de S. Paulo. Depois de atuar em diversos órgãos de imprensa, atualmente é Diretor de Jornalismo da ESPN Brasil, empresa da qual ele foi um dos criadores.
Renato Pompeu – Jornalista que participou com relevância dos mais importantes momentos da imprensa paulistana como no Jornal da Tarde (década de 60), revista Veja (década de 70) e Folha de S. Paulo (década de 80). Tem 22 livros publicados, entre eles “Canhoteiro, o Garrincha que não foi”. Mantém-se ativo no ‘Blog do Renatão’.
Fernando Pessoa Ferreira – Pertencia, por ocasião da enquete, à reportagem da Folha de S. Paulo.



9 de outubro de 2012

UM FAROESTE ENTRE OS DEZ MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS



A lista mais respeitada do cinema - Em todo tipo de atividade artística são elaboradas listas dos melhores. O cinema é quem ganha de qualquer outro tipo de arte quando o assunto se refere a listas. Jornais, revistas, instituições, clubes, todos fazem suas enquetes. Até este blog faz também sua enquete mensal com a seção Top-Ten Westerns, que já publicou as listas de 29 fãs de faroestes. Nenhuma lista dos melhores filmes porém é mais respeitada e aguardada que a da revista inglesa Sight & Sound, em parceria com o BFI (British Film Institute). A principal diferença entre essa lista e as demais é que a enquete da Sight & Sound é decenal, ou seja, apenas a cada dez anos a revista promove a enquete. Outros diferenciais são a abrangência e transparência da enquete. Tudo começou em 1952 quando a Sight & Sound solicitou a uma centena de críticos especializados de diversos países que se manifestassem indicando os dez melhores filmes até então produzidos em qualquer língua ou gênero. Esperou-se longos dez anos para que ocorresse a nova enquete, em 1962, e a partir de então cinéfilos do mundo inteiro a cada decênio conheciam os melhores filmes de todos os tempos. E de década em década aumentava o número de participantes da enquete e os críticos convidados sentem-se honrados em participar da mesma.


846 críticos de 73 países - Novos filmes surgem, bem como novos críticos, o que faz com que a cada nova enquete ocorram alterações na lista dos dez melhores filmes. Com o advento da Internet houve a expansão do número de críticos votantes e na sétima edição da enquete. Mil críticos ou cinéfilos reconhecidamente envolvidos com cinema foram convidados a participar da edição de 2012, abrangendo 73 países diferentes. 846 dos convidados responderam à enquete citando um total de 2.045 filmes diferentes que, computados, resultaram na lista final desta sétima edição. Tudo de forma claríssima pois os nomes dos votantes, bem como suas listas estão todas no site da revista para consultas que são sempre uma saborosa curiosidade para cinéfilos. Os critérios para a escolha ficam por conta do participante da enquete que podem escolher os dez filmes por serem eles os mais importantes, ou os mais representativos esteticamente, ou ainda os dez filmes que tiveram maior impacto na história do cinema. Cada filme indicado conta um ponto, independente da posição que ele ocupe em cada lista individual.

Enzo Staiola e Lamberto
Maggioranni
1952 – A primeira enquete - Antes de comentar a lista de 2012 é interessante o leitor conhecer as seis listas anteriores publicadas desde 1952 para melhor perceber as alterações ocorridas pela inclusão de novos filmes e de novos críticos. Em 1952 a lista dos dez melhores filmes da história do cinema, segundo a enquete da Sight & Sound, foi a seguinte:
 1.º)  Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette),
          1948 – Vittorio De Sica
 2.º)   Luzes da Cidade (City Lights), 1931 –
           Charles Chaplin
 3.º)  Em Busca do Ouro (The Gold Rush), 1925 -
           Charles Chaplin
4.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets
          Potyomkin), 1925 – Sergei M. Eisenstein
5.º)  Intolerância (Intolerance), 1916 – David W. Griffith
6.º)  A História de Louisiana (Louisiana Story), 1948 – Robert J. Flaherty
7.º)  Ouro e Maldição (Greed), 1924 – Erich von Stroheim
8.º)  Trágico Amanhecer (Le Jour se Lève), 1938 – Marcel Carné
9.º)  A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc), 1928  – 
         Carl Theodor Dreyer
10.º)  Desencanto (Brief Encounter), 1945 David Lean
10.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939 Jean Renoir

1962 – Surge Cidadão Kane - Chamou a atenção na lista de 1962 a inclusão de “Cidadão Kane” no primeiro lugar como o filme mais votado, sendo que esse filme de Orson Welles, produzido em 1941, sequer constou da lista anterior.
1.º)  Cidadão Kane (Citizen Kane), 1941 – Orson Welles
2.º)  A Aventura (L’Avventura), 1960 –
         Michelangelo Antonioni
3.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939  
         Jean Renoir
4.º)  Ouro e Maldição (Greed), 1924 – Erich von Stroheim
4.º)  Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari), 1953 - 
          Kenji Mizoguchi
6.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets
         Potyomkin), 1925 – Sergei M. Eisenstein
7.º)  Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette), 1948 – Vittorio De Sica
8.º)  Ivan, o Terrível (Ivan Groznyy), 1944 – Serguei M. Eisenstein
9.º)  A Terra Treme (La Terra Trema), 1948 -  Luchino Visconti)
10.º)  O Atalante (L’Atalante), 1934 - Jean Vigo

"O Encouraçado Potemkin"
1972 – “Kane” é bicampeão - Orson Welles não só manteve o primeiro posto na enquete de 1972 como também conquistou o oitavo lugar com “Soberba”, o filme que dirigiu após “Cidadão Kane”.
1.º) Cidadão Kane (Citizen Kane), 1941 – Orson Welles
2.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939
        Jean Renoir
3.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets
         Potyomkin), 1925 – Sergei M. Eisenstein
4.º)  Fellini Oito e Meio (Fellini: 8½), 1963 –
         Federico Fellini
5.º)  A Aventura (L’Avventura), 1960 – Michelangelo
         Antonioni
5.º)  Persona (Persona), 1966 – Ingmar Bergman
7.º)  A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc), 1928  – 
         Carl Theodor Dreyer
8.º)  A General (The General), 1926 - Buster Keaton
8.º)  Soberba (The Magnificent Ambersons), 1942 – Orson Welles
10.º)  Contos da Lua Vaga (Ugetsu Monogatari), 1953 - (Kenji Mizoguchi)
10.º)  Morangos Silvestres (Smultronstället), 1959 - Ingmar Bergman

Gene Kelly
1982 – Um musical e um faroeste - Duas novidades na lista de 1982: a presença de um musical (“Cantando na Chuva”) e um western (“Rastros de Ódio”). Também estreavam na enquete os diretores Alfred Hitchcock (“Um Corpo que Cai”) e Akira Kurosawa (“Os Sete Samurais”). Repetiram-se os dois primeiros lugares da década anterior.
1.º)  Cidadão Kane (Citizen Kane), 1941 –
         Orson Welles
2.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939  
         Jean Renoir 
3.º)  Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai), 
        1954 - Akira Kurosawa
3.º)  Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain), 1952 –    
         Stanley Donen-Gene Kelly
5.º)  Fellini Oito e Meio (Fellini: 8½), 1963 – Federico Fellini
6.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin), 1925 – Sergei M. Eisenstein
7.º)  Soberba (The Magnificent Ambersons), 1942 – Orson Welles
8.º)  Um Corpo que Cai (Vertigo), 1958 – Alfred Hitchcock
9.º)  A General (The General), 1926 - Buster Keaton
10.º)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford

Yasujiro Ozu
1992 – O Ocidente descobre Ozu - Em 1985 o cineasta alemão Wim Wenders surpreendeu o mundo cinematográfico com o documentário “Tokyo-Ga”, apresentando um quase desconhecido diretor japonês chamado Yasujiro Ozu. Como reflexo desse trabalho de Wenders, Ozu apareceu imediatamente na lista de 1992. E nesse ano a Sight & Sound inovou criando uma enquete paralela somente com diretores, sem que esta lista interferisse no resultado final da lista dos críticos, cujo número de consultados chegava a 250.
1.º)  Cidadão Kane (Citizen Kane), 1941 – Orson Welles
2.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939 Jean Renoir
3.º)  Era uma Vez em Tóquio (Tokyo Monogatari), -1953 – Yasujiro Ozu
4.º)  Um Corpo que Cai (Vertigo), 1958 – Alfred Hitchcock
5.º)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
6.º)  O Atalante (L’Atalante), 1934 - Jean Vigo
6.º)  A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc), 1928  – 
         Carl Theodor Dreyer
6.º)  Canção da Estrada (Pather Panchali), 1955 - Satyajit Ray
6.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin), 1925 – Sergei M. Eisenstein
10.º)  2001 : Uma Odisséia no Espaço (2001 : A Space Odissey), 1968 – 
          Stanley Kubrick

Marlon Brando
2002 – Duas vezes Coppola - “O Poderoso Chefão”, partes I e II apareceram pela primeira vez na enquete da Sight & Sound na quarta posição, enquanto “Um Corpo que Cai” subiu para o segundo lugar. Os 20 primeiros filmes escolhidos pelos críticos em 2002 foram estes:
1.º)  Cidadão Kane (Citizen Kane), 1941 –
         Orson Welles
2.º)  Um Corpo que Cai (Vertigo), 1958 –
         Alfred Hitchcock
3.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939
         Jean Renoir
4.º)  O Poderoso Chefão (The Godfather) e 
         O Poderoso Chefão Parte II (The Godfather
         Part II), 1972 e 1974 – Francis Ford Coppola
5.º)  Era uma Vez em Tóquio (Tokyo Monogatari), -1953 – Yasujiro Ozu
6.º)  2001 : Uma Odisséia no Espaço (2001 : A Space Odissey), 1968 – 
          Stanley Kubrick
7.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin), 1925 – 
         Sergei M. Eisenstein
7.º)  Aurora (Sunrise), 1927 - F.W. Murnau
9.º)  Fellini Oito e Meio (Fellini: 8½), 1963 – Federico Fellini
10.º)  Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain), 1952 – Stanley Donen-Gene Kelly
11.º)  Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai), 1954 - Akira Kurosawa
11.º)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
13.º)  Rashomon (Rashomon), 1950 - Akira Kurosawa
14.º)  A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc), 1928  – Carl Theodor Dreyer
15.º)  Acossado (À Bout de Souffle), 1959 – Jean-Luc Godard
15.º)  O Atalante (L’Atalante), 1934 - Jean Vigo
15.º)  A General (The General), 1926 - Buster Keaton
15.º)  A Marca da Maldade (The Touch of Evil), 1958 – Orson Welles
19.º)  A Grande Testemunha (Au Hazard Balthazar), 1966 – Robert Bresson
19.º)  Uma Mulher para Dois (Jules et Jim), 1962 - François Truffaut
19.º)  A Aventura (L’Avventura), 1960 – Michelangelo Antonioni

Kim Novak
2012 – Hitchcock desbanca Orson Welles - A enquete de 2012, como já foi dito, foi a mais abrangente de todas as realizadas pela Sight & Sound e trouxe como grande surpresa a presença em primeiro lugar de “Um Corpo que Cai”, derrubando “Cidadão Kane” que por quatro enquetes seguidas imperou como o melhor filme de todos os tempos. E pela primeira vez desde que as listas da Sight & Sound são publicadas, foi votado “Um Homem com a Câmara”, documentário realizado em 1929 pelo russo Dziga Vertov entre os dez mais, ficando na oitava posição. “Rastros de Ódio”, desta vez em sétimo lugar continua sendo o solitário faroeste na lista dos melhores filmes do mundo. Eis os 20 melhores da Sight & Sound na sétima edição da famosa enquete:
1.º)  Um Corpo que Cai (Vertigo), 1958 – Alfred Hitchcock
2.º)  Cidadão Kane (Citizen Kane), 1941 – Orson Welles
3.º)  Era uma Vez em Tóquio (Tokyo Monogatari), -1953 – Yasujiro Ozu
4.º)  A Regra do Jogo (La Règle Du Jeu), 1939 Jean Renoir
5.º)  Aurora (Sunrise), 1927 - F.W. Murnau
6.º)  2001 : Uma Odisséia no Espaço (2001 : A Space Odissey), 1968 – 
          Stanley Kubrick
7.º)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
8.º)  Um Homem com a Câmara (Chelovek s Kino-apparatom), 1929 – Dziga Vertov
9.º)  A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne D’Arc), 1928  – 
         Carl Theodor Dreyer
10.º)  Fellini Oito e Meio (Fellini: 8½), 1963 – Federico Fellini
11.º)  O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin), 1925 – Sergei M. Eisenstein
12.º)  L’Atalante (L’Atalante), 1934 - Jean Vigo)
13.º)  Acossado (À Bout de Souffle), 1959 – Jean-Luc Godard
14.º)  Apocalypse Now (Apocalypse Now), 1979 – Francis Ford Coppola
15.º)  Pai e Filha (Banshun), 1949 – Yasujiro Ozu
16.º)  A Grande Testemunha (Au Hazard Balthazar), 1966 – Robert Bresson
17.º)  Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai), 1954 - Akira Kurosawa
17.º)  Persona (Persona), 1966 – Ingmar Bergman
19.º)  O espelho (Zerkalo), 1975 – Andrei Tarkovskiy
20.º)  Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain), 1952 – Stanley Donen-Gene Kelly

NR – A lista completa dos 250 melhores filmes pode ser encontrada acessando este endereço: http://explore.bfi.org.uk/sightandsoundpolls/2012/critics/


John Wayne em "Rastros de Ódio"
“Rastros de Ódio” lembrando que o western existe - Todo fã de faroeste sabe que este é um gênero que sempre foi discriminado pela crítica e pelos institutos que premiam filmes. Exemplo significativo disso é a própria Academia de Ciência e Artes de Hollywood com suas tantas imperdoáveis injustiças com os faroestes. Em 2012, 60 anos depois que a revista Sight & Sound iniciou sua enquete decenal, um único faroeste foi escolhido pelos críticos para figurar entre os dez melhores filmes do mundo. E tinha que ser um western de John Ford, “Rastros de Ódio”, primeiro em 1982, depois em 1992 e na lista atual. Quem primeiro chamou a atenção para esse extraordinário filme foi o crítico francês André Bazin. Veio depois Jean-Luc Godard confessar ao mundo que era levado às lágrimas por “Rastros de Ódio”, um de seus filmes preferidos. A partir daí ninguém mais assistiu a esse filme como ‘mais um faroeste de John Ford’. Suas qualidades causam admiração até mesmo em quem não é fã do gênero. 78 críticos do mundo inteiro, quase 10% dos participantes da enquete da Sight & Sound colocaram “Rastros de Ódio” em suas listas dez melhores filmes do mundo.

Os faroestes mais citados - Na lista da Sight & Sound, apenas sete westerns conseguiram votos suficientes para ficar entre os 250 melhores filmes de todos os tempos. Aqui estão eles com as respectivas classificações alcançadas e o número de votos conseguidos:
    7.º)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford – 78 votos
  63.º)  Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks – 24 votos
  78.º)  Era uma Vez no Oeste (C’Era uma Volta Il West), 1968 – Sergio Leone – 21 votos
  84.º)  Meu Ódio Será sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah – 19 votos
117.º)  O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance), 1962 – 
           John Ford – 14 votos
235.º)  Rio Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks – sete votos
235.º)  Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford – sete votos

Robert Mitchum e Susan Hayward em "Paixão de Bravo",
pouco lembrado western citado por cinco críticos como
um dos dez melhores filmes de todos os tempos.
Os demais faroestes da lista dos críticos - Não listados entre os 250 melhores filmes da enquete da revista Sight & Sound, estão outros 28 westerns que fizeram parte das diversas listas dos críticos. Antes de o leitor discordar de algumas ausências ou de faroestes pouco citados, deve ser ressaltado que cada crítico fez sua lista de apenas dez filmes. Para ele os melhores ou os mais importantes na evolução da cinematografia. Mesmo o westernmaníaco mais radical, ao elaborar sua lista de dez melhores filmes de todos os tempos encontrará dificuldade em incluir nela mais que um ou dois, no máximo três faroestes. Mas nem isso explica a mais sentida de todas as ausências que foi a de “Matar ou Morrer”, de Fred Zinnemann, sem nenhum voto entre tantos críticos. Por outro lado, um faroeste quase nunca citado que é “Paixão de Bravo”, foi lembrado por nada menos que cinco críticos como um dos dez melhores filmes de todos os tempos. Eis a lista completa dos faroestes votados, sua classificação e número de votos recebidos:

283.º)  Caravana de Bravos (Wagon Master), 1950 – John Ford – seis votos
283.º)  Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1954 – Nicholas Ray - seis votos
283.º)  Três Homens em Conflito (The Good, the Bad, the Ugly), 1966 – 
             Sergio Leone – seis votos
323.º)  No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Fordcinco votos
323.º)  Paixão de Bravo (The Lusty Men), 1952 – Nicholas Ray – cinco votos
323.º)  Jogos e Trapaças (McCabe & Mrs. Miller), 1971 – Robert Aldrich – cinco votos
447.º)  Sangue de Heróis (Forte Apache), 1948 – John Ford – três votos
447.º)  Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens – três votos
447.º)  Pat Garrett (Pat Garrett and Billy the Kid), 1973 – Sam Peckinpah – três votos
447.º)  Portal do Paraíso (Heaven’s Gate), 1980 – Michael Cimino – três votos
588.º)  Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon), 1949 – John Ford – dois votos
588.º)  Golpe de Misericórdia (Colorado Territory), 1949 – Raoul Walsh – dois votos
588.º)  Rio Grande (Rio Grande), 1950 – John Ford – dois votos
588.º)  Josey Wales, o Fora-da-Lei (Outlaw Josey Wales), 1976 – 
            Clint Eastwood – dois votos
588.º)  Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 – Clint Eastwood – dois votos
894.º)  A Grande Jornada (The Big Trail), 1930 – Raoul Walsh – um voto
894.º)  Sua Única Saída (Pursued), 1947 – Raoul Walsh – um voto
894.º)  O Céu Mandou Alguém (Three Godfathers), 1948 – John Ford – um voto
894.º)  Winchester 73 (Winchester’ 73), 1950 – Anthony Mann – um voto
894.º)  Tambores Distantes (Distant Drums), 1951 – Raoul Walsh – um voto
894.º)  Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 – Robert Aldrich – um voto
894.º)  Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957 – Delmer Daves – um voto
894.º)  Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), 1958 – William Wyler – um voto
894.º)  O Homem que Luta Só (Ride Lonesome), 1959 – Budd Boetticher – um voto
894.º)  Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumn), 1964 – John Ford – um voto
894.º)  O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled), 1970 – Don Siegel – um voto
894.º)  Roy Bean, o Homem da Lei (The Life and Times of Judge Roy Bean), 1972 – 
            John Huston – um voto
894.º)  Cavaleiro Solitário (Pale Rider), 1985 – Clint Eastwood - um voto – um voto