UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN
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1 de novembro de 2014

ESTANTE DE FAROESTE – “THE WESTERN”, UMA IMPRESCINDÍVEL ENCICLOPÉDIA


Todo cinéfilo gosta de livros sobre a 7.ª Arte e boa parte da literatura editada sobre cinema é dedicada ao Western, inclusive com ótimas enciclopédias. Entre estas merecem ser lembradas a pioneira “Shoot-Em-Ups” (Buck Rainey-Les Adams), “Western Movies” (Michael R. Pitts), “The Encyclopedia of Westerns” (Herb Fagen) e a melhor de todas que é “The Western”, de autoria de Phil Hardy. Todos esses títulos citados são chamados em Inglês de ‘reference guides’, ou seja, guias de referência para quem busca informações sobre os faroestes produzidos para o cinema. Incluem também aqueles filmes que feitos para a televisão alcançam sucesso de crítica e público sendo lançados em DVD. Foi desconsiderado desta lista o excepcional “The BFI Companion to the Western”, organizado por Edward Buscombe por não se enquadrar como guia de referência.

Phil Hardy e sua enciclopédia sobre faroestes.

Enciclopédias westerns - Considerado por muito tempo ‘A Bíblia do Faroeste’, o livro de Buck Rainey e Les Adams é rico nas fichas técnicas e nas análises dos períodos em os autores dividiram o gênero western. No entanto “Shoot-Em-Ups” não se detém sobre cada filme especificamente. “Western Movies” é abrangente nos mais de 5.000 verbetes que apresenta mas é excessivamente econômico nos comentários, alguns com 20 palavras, como é o caso do comentário  feito para “O Álamo” (The Alamo). “The Encyclopedia of Westerns” tem comentários mais longos para os filmes mais importantes, mas usa parágrafos inteiros copiados de outros autores, o que compromete a obra. “The Western”, de Phil Hardy é um imprescindível livro de referência por seu conteúdo, seja pela quantidade de filmes analisados, seja pela qualidade das referidas análises.

Três livros guias de referência aos westerns; o quarto (à direita),
não é um verdadeiro guia.

Crítico sensível e arguto - Hardy delimita “The Western” a partir do início do cinema falado, no ano de 1929, apresentando, ano a ano, mais de duas mil fichas técnicas nas quais constam título original, estúdio distribuidor, metragem em minutos, diretor, produtor, roteirista, diretor de fotografia e principais nomes do elenco, quase sempre limitado a seis intérpretes. Mas o melhor mesmo desse livro são as resenhas sucintas e objetivas mas nem por isso menos interessantes. Escritas com estilo direto, sem floreios e com o máximo de informações que dão ao leitor uma excelente noção do que é o filme, os textos são em sua maior parte muito mais que simples sinopses. Obras mais importantes, as chamadas ‘landmarks’ (marcos cinematográficos) ganham espaço maior nas páginas de “The Western” e são nessas resenhas que se percebe o crítico sensível, polido e arguto e jamais preconceituoso que é Phil Hardy.

Acima e abaixo páginas da enciclopédia de Phil Hardy.


Leitura didática e agradável - Uma enciclopédia desse porte é trabalho de pesquisa que consome anos para não dizer uma vida inteira. E é necessário que o autor seja de fato fã de westerns para assistir a tantos filmes rotineiros como eram as séries dos pequenos estúdios produzidas nos anos 30 e 40 e analisadas por Phil Hardy. Abalizadíssimo em seus conceitos sobre cada faroeste, Hardy faz com que a leitura de “The Western” seja didática e ao mesmo tempo agradável. Raros são os casos em que suas sinopses ou análises mais elaboradas possam gerar controvérsias entre os leitores pois Hardy não é contundente mesmo quando não aprecia um filme. Críticos não precisam, necessariamente, chocar com suas opiniões e sob essa linha são escritos os textos do autor inglês. Sim, Phil Hardy é inglês.

Conteúdo de "The Western" com seus muitos tópicos,

Fotos em cores de "The Western" que aparecem em 16 páginas.

Os cowboys de sucesso – Com duas ou três fotos em preto e branco em cada página, “The Western” traz 16 páginas em cores com imagens excelentes de faroestes de várias épocas. A edição de 1991 de “The Western” traz uma série de apêndices nas páginas finais que fazem a alegria dos westernmaníacos. Lá estão listas com os cem faroestes que melhor bilheteria tiveram no cinema, uma com valores brutos e outra com valores corrigidos. Outro apêndice traz, ano a ano, de 1936 a 1954, as listas dos dez ‘Biggest Money-Making Western Stars’, resultados das enquetes feitas com os espectadores que compravam ingressos para as Saturday Afternoon, as famosas matinês. Os westerns premiados com o Oscar, em diversas categorias e os livros que resultaram em westerns famosos são outros complementos. Uma extensa lista de mais de dois mil westerns produzidos pós-1929 e não resenhados em “The Western” é um apêndice muito útil, uma vez que traz o título original do filme, ano de produção, duração, diretor e atores principais.

Top-Ten western de Phil Hardy - Um dos apêndices mais interessantes é o que traz nada menos que 17 listas com os Top-Ten Westerns de diversos autores e críticos. A lista de Phil Hardy tem os seguintes filmes, por ordem de ano de lançamento:

"Legião Invencível" (She Wore a Yellow Ribbon), 1949 - John Ford
"O Sangue Semeou a Terra" (Bend of the River), 1952 - Anthony Mann
“O Diabo Feito Mulher” (Rancho Notorius), 1952 – Fritz Lang
"Johnny Guitar", 1954 - Nicholas Ray
"Rastros de Ódio" (The Searchers ", 1956 - John Ford
“Dragões da Violência” (Forty Guns), 1957 – Samuel Fuller
"Quando o Ódio Volta" (Fury at Showdown), 1957 - Gerd Oswald
"Cavalgada  Trágica "(Comanche Station), 1960 - Budd Boetticher
"Pistoleiros Fazer Entardecer" (Ride the High Country), 1962 - Sam Peckinpah
"Disparo Para Matar" (The Shooting) / "A Vingança de um Pistoleiro" (Ride the Whirlwind), 1966 - Monte Hellman

Pôster de "Quando o Ódio Volta" (Fury at Showdown),
um dos westerns preferidos de Phil Hardy.

Obra extensa - A Inglaterra talvez tenha produzido o grupo de autores não norte-americanos mais importantes para o Western. Christhopher Frayling, Edward Buscombe, Alex Cox e Phil Hardy são alguns deles. Philipe George Hardy nasceu em Scaraborough, Inglaterra, em 1945 e foi crítico de publicações como ‘Time Out’ e ‘Variety’, passando mais tarde a editor-chefe da Aurum Film Enciclopedia. E por essa editora Hardy lançou enciclopédias sobre os gêneros Horror, Ficção-Científica, Gangster e Western, respectivamente com os títulos “The Overlook Film Encyclopedia – Horror”, “The Overlook Film Encyclopedia – The Gangster Film”, “The Overlook Film Encyclopedia – Science Fiction” e “The Overlook Film Encyclopedia – The Western”, esta última objeto desta postagem. Lançado em 1983, a enciclopédia de Phil Hardy sobre o Western recebeu o prêmio de melhor livro do ano de 1984 escolhido pela British Film Institute (BFI). Em 1991 foi lançada nova edição desse livro, seguida de outra em 1995. Mesmo com o monumental trabalho com essas enciclopédias, Phil Hardy encontrava tempo para escrever outros livros.

Enciclopédias escritas por Phil Hardy.

Rock e dieta - Sobre cinema são ainda de autoria de Phil Hardy livros focalizando os diretores Samuel Fuller e Raoul Walsh e “The BFI Companion to Crime”. Phil Hardy escreveu bastante também sobre música, mais especificamente sobre Rock. Entre esses livros estão “Encyclopedia of Rock”, “Dire Straits: A Territorial Survey of the Music Business”, “Music, Publishing and It’s Administration in the Modern Age”, “The Da Capo Companion to the 20th Century Music”, “The Faber Companion to Twentieth-Century Popular Music” e “Download: How the Digital Destroyed the Record Business”. De suas viagens ao Sudão e à Etiópia resultaram os livros “Food, Trucks and Rock’n’Roll”. Mas talvez o mais curioso entre os livros escritos por Phil Hardy tenha sido “Flexible Diet Essentials – How Eating Dirty Can Make you Lean”, qualquer coisa como ‘As essenciais dietas flexíveis ou como comer mal pode deixar você bem’. Phil Hardy faleceu no dia 8 de abril de 2014, aos 69 anos, deixando uma belíssima obra especialmente para os fãs da 7.ª Arte e mais especialmente ainda para os westernmaníacos. Sua enciclopédia “The Western” merece lugar de honra em qualquer biblioteca.

Phil Hardy e alguns de seus livros.

24 de março de 2014

A ‘COLEÇÃO FAROESTE’ DA EDITORA ROCCO ANALISADA POR FERNANDO MONTEIRO


Elmore Leonard
“Butch Cassidy” custou seis milhões de dólares quando foi produzido em 1969 e nada menos que 400 mil dólares foram gastos apenas com a aquisição dos direitos sobre a história escrita por William Goldman. Bons roteiros são valiosos e disputados pelos estúdios porque é quase impossível se fazer um ótimo filme sem ter um bom roteiro em mãos. E isso vale para todos os gêneros de filmes como os westerns que sempre contaram com excelentes autores e suas magníficas histórias. Elmore Leonard, falecido em 2013 aos 87 anos de idade, foi um dos autores que enriqueceram o gênero com histórias originais da qualidade de “Resgate de Bandoleiros” (The Tall T), “Galante e Sanguinário” (3:10 to Yuma), “Quando os Bravos se Encontram” (Valdez is Coming) e especialmente “Hombre”, escrito em 1961. A Editora Rocco lançou uma série de livros dedicada ao faroeste, projeto esse que mereceu uma oportuna análise do escritor Fernando Monteiro com o título 'Westerns Pré-Socráticos'. Também tradutor, Monteiro foi o responsável pela tradução de “Hombre”, um dos volumes da série editada pela Rocco. WESTERNCINEMANIA reproduz o texto brilhante de Fernando Monteiro, texto imprescindível aos fãs de faroestes.


WESTERNS PRÉ-SOCRÁTICOS

        Certa vez, um amigo (leitor de Vico, Joyce e Gadda, entre outros) descobriu, na minha estante – meio escondidos –, aqueles bons westerns que eu importava dos EUA, em edições de bolso com toda a pinta de leitura popular, de segunda.
        O meu amigo PhD não ficou menos que chocado. Ele, que chegava a apreciar os filmes do genial John Ford e do misógino mestre Howard Hawks, não conseguia entender como a estima do gênero cinematográfico podia se estender aos “romances do Oeste” (mesmo que alguns deles houvessem gerado obras-primas cinematográficas). E eu improvisei, na hora, uma explicação para distraí-lo: faroestes (de qualidade) me ajudavam a entender os filósofos pré-socráticos. Surpreso, meu amigo não entendeu, mas desistiu de aprofundar a questão.
        Alguns anos mais tarde, quando afinal selecionei Parmênides (Sobre a Natureza) para ler, foi a minha vez de ficar surpreso: as distinções do sábio de Eléia – mundo aparente, mundo da verdade etc – estavam na base da tabula rasa de pioneiros, pistoleiros e xerifes angustiados em meio a um mundo selvagem onde é impossível sonhar com a ordem, a moral e a lei, sem se questionar sobre o absoluto capaz de nos situar fora da Desordem. Entre o fogo e a noite, o caos e a pluralidade das coisas, o homem do Oeste é o “fisicista” que Parmênides tenta recolocar em perspectiva filosófica para além da materialidade, num deserto físico e moral (a pradaria) onde há que decidir sobre a liberdade, seus limites, o tipo de sociedade desejável sobre o nada e outros questionamentos embutidos, em essência, na ação de um gunfighter como Shane, por exemplo, quando ele “reordena” o rincão de brutos do Wyoming, ao preço da própria expulsão daquele “paraíso” sem lugar para os heróis perigosamente armados com pistola e hábitos de individualistas solitários.
        Tudo isso (chocante?) é necessário para dizer que os melhores westerns finalmente estão chegando ao Brasil. Com intervalo de meses, a Editora Rocco lançou oito, em duas fornadas – todos assinados por Elmore Leonard –, além do ensaio Publique-se a lenda: a história do western, do brasileiro A. C. Gomes de Mattos. A coleção se chama "Faroeste" (e deveria intitular Coleção de Westerns de Leonard), em comemoração aos cem anos do gênero, no cinema. Para isso, a editora carioca deu sóbrio tratamento gráfico aos livros bem traduzidos, no simpático formato 14x21, tudo no lugar, ou quase, se não fosse pela falta, gritante, de outros autores além do bom Elmore, autor da pequena obra-prima que é Hombre (o número um do conjunto).
        Uma primeira “coleção” brasileira do gênero teria que incluir títulos como Shane, de Jack Shaefer (“Os Brutos Também Amam”, de 1953), The Searchers, de Alan Le May (“Rastros de Ódio”, de 1956), e outras novelas admiráveis, a partir das quais foram desenvolvidos os roteiros de filmes estimados pela crítica e pelo público. Na "Faroeste" é de se esperar que o arco largo dessa rubrica venha a incluir mestres do calibre de A. B. Guthrie, Charles Portis, Walter Van Tilburg Clark, Robert Krepps, Will Levington Comfort, Mari Sandoz, Charles Locke, Benjamin Capps, Elmer Kelton e outros nomes ainda desconhecidos no Brasil.
Os premiados livros de A.B. Guthrie que
viraram filmes.
        Aqui, os leitores só tiveram acesso a torpes livrinhos de bolso, escritos na Espanha e traduzidos para editoras que os vendiam em bancas, assinados por “J. Mallorqui”, “Marcial Lafuente Estefania” e pseudos semelhantes. Ninguém pôde conhecer, em tradução, a saga escrita por A. B. Guthrie, por exemplo, em dois volumes – The Way West e The Big Sky –, que Hawks levou para a tela, e é literatura de primeira ordem, distinguida com o Prêmio Saddleman (1978). Há outras lacunas, ou exemplos de apatia editorial inexplicável na área, sem esquecer que o próprio Elmore Leonard, com todo o seu sucesso no “policial”, só agora se vê retirado do fundo da gaveta (apesar do êxito do filme homônimo, produzido e dirigido por Martin Ritt, em 1967).
O pioneiro 'The Virginian' e seu autor,
Owen Wister.
        A lacuna dos bons faroestes, nas estantes brasileiras, tem mais de cem anos, uma vez que data de 1902 a publicação da novela inaugural do gênero: The Virginian, de Owen Wister. Antes, o western fora apenas anunciado naqueles folhetos e historietas de cowboys que circularam – como a nossa “literatura de cordel” – de Leste a Oeste, na América de Búffalo Bill. O livro de Wister começou a vender, aos milhares, tão logo apareceu como narrativa um tanto ingênua, porém completa e cheia da observação “documentária” pioneira. Isso atraiu a atenção de Dustin Farnum e outros atores de teatro que iriam levá-la para os palcos populares, antes do cinema se interessar pelo romance que viria a pôr, na trilha aventureira, o também “clássico” Zane Grey, autor de sessenta e três faroestes escritos a partir de 1904.
        Wister nasceu em Ohio (1872), formou-se em Harward e estudou música em Paris. Advogado profissional, costumava passar férias no Wyoming e, lá, apaixonou-se pelo mundo dos vaqueiros, índios e pistoleiros que constitui, literariamente, o “regionalismo” norte-americano mais autêntico. Depois dele e de Grey, William McLeod Raine – o terceiro nome entre os “maiorais” da fase ingênua – viria de Londres (onde nasceu em 1871), bem longe da pradaria, para escrever sobre a vastidão misteriosa.
        O fundo maniqueísta primitivo e a candidez “matuta” dessas primeiras obras seguiram exploradas por B. M. Bower (cujo nome verdadeiro era Bertha Sinclair, a primeira autora do filão), Peter B. Kyne, Clarence Mulford e Frederick Faust, mais conhecido como Max Brand. Alguma complexidade psicológica, além do alargamento antropológico daquela visão documental de Wister, só viriam com os livros de Frederick Glidden (ou Luke Short) e Ernest Haycox, até chegar a idade da razão, extra-folk, de escritores maduros, que talvez assimilaram até do cinema uma “cultura western” consciente de si mesma, como mitologia moderna.

Autores de histórias de faroestes: Zane Grey, Peter B. Kyne, Max Brand,
Clarence Mulford e Ernest Haycox.

        Exatamente como na tela, a ficção da fronteira só atravessa para os territórios mais complexos – e ganha estatura – quando passa por mãos, refinadas, de autores trabalhando num desvio de cento e oitenta graus da “horse opera” típica, costumeiramente associada a Gene Autry, Roy Rogers e outros. Uma novela densa como Hombre tem pouco a ver com Destry Rides Again, de Max Brand, ou com os livros de far-west idealizado do alemão Karl May e do norueguês Kjell Hallbing. 
Uma das muitas edições de 'Hombre' e a
edição da Editora Rocco, com tradução
de Fernando Monteiro.
       Hombre
figura entre os 25 melhores westerns de todos os tempos – na lista da WWA (Western Writers of America) – e é, sem dúvida, a mais vigorosa das obras do Leonard capaz de abordar diferenças raciais e culturais que lançam a sua aventura do Oeste pelos caminhos ásperos até do tema sartreano (“o inferno são os outros”). True Grit, de Charles Portis, alcança aquele respiro largo do melhor Mark Twain, sendo o seu humor menos direto e temperado pela visão retrospectiva; Watch for me on the mountain, de Forrest Carter foi chamado de “espantoso romance”, por Budd Schulberg, e The Searchers, de Alan Le May, tornou-se paradigmático como o belo Shane.
        Podemos ir mais longe, e dizer até que a “conquista do Oeste” – curto período de menos de meio século – ofereceu a escritores, a diretores de cinema (de Anthony Mann a Fritz Lang), algo como um platô comparável ao fornecido, a Homero, pelas façanhas de alguns guerreiros brutais, naquelas refregas gregas. Cantando os seus feitos, o poeta dos heróis assentou o marco épico inicial da nossa literatura (se houvesse cinema naquela época remota, hoje veríamos Tróia como uma espécie de Tombstone do Peloponeso). Viajando por lá, nos anos 40, Henry Miller escreveu, em Colussus of Marussi, que, a toda hora, esperava ver “índios siouxes, não sabia porquê, saltando acima das pedras colossais da Micenas arcaica”.
        Não é de espantar: afinal, há “pré-socráticos” na essência da mitologia americana, talvez a última capaz de ainda nos inspirar para a frente, go to West, no espaço silencioso das últimas fronteiras. No Pindorama de cancaceiros (armoriais ou não) que somos, este artigo saúda a coleção de westerns que, certamente, não será lida por Ariano Suassuna...

O espanhol José Mallorqui  e sua série 'Coyote' que fez sucesso no Brasil.

Livros de Marcial Lafuente, que aparece na foto à direita. Os livros de
Lafuente vendiam bastante no Brasil e na dedicatória da foto ele escreveu:
"A minha gratidão aos leitores do Brasil".

Alguns das centenas de  títulos de pequenos livros com histórias de
faroeste lançados no Brasil desde os anos 50.

Paul Newman e Fernando Monteiro, ator e tradutor de "Hombre".


7 de novembro de 2013

ESTANTE DE FAROESTE - “TRUE WEST” APONTA OS 101 WESTERNS MAIS SIGNIFICATIVOS


Lançado em 2008 pela TCU Press (Fort Worth, Texas), o livro “True West” de autoria de Michael Barson é um daqueles presentes que todo fã de westerns gostaria de ganhar no Natal que se aproxima. Com o subtítulo ‘An Illustrated Guide to the Heyday of the Western’ (Um Guia Ilustrado do Apogeu do Western) o autor demonstra a importância do gênero na sua infância, adolescência e fase adulta. Barson dividiu o livro em oito capítulos e os títulos desses capítulos indicam a proposta da obra:
Capítulo I – Como um garoto de Massachussetts sonhava ser ‘Rowdy Yates’ (personagem interpretado por Cint Eastwood na série de TV “Rawhide”).
Capítulo 2 – Profusão de cowboys: Gene, Roy e toda a turma destemida.
Capítulo 3 – Hollywood cavalga pela pradaria.
Capítulo 4 – Tiroteio no Curral TV.
Capítulo 5 – 100 anos da grande literatura western
Capítulo 6 – Canções da campina aberta.
Capítulo 7 – Tudo em cores por dez centavos (a dime) – Os grandes clássicos dos gibis.
Capítulo 8 – Botas e selas – Uma galeria da moda dos cowboys.

Pôster de página inteira do filme
"       ", com Tom Mix.
Agradável passeio pelo faroeste - As 180 páginas de “True West” são fartamente ilustradas por 230 fotos em cores fazendo do livro uma festa para os olhos de qualquer westernmaníaco ou mesmo para um cinéfilo ‘normal’. As fotos, cinco delas em página dupla e muitas em página inteira, são de pôsters de faroestes, capas de livros, capas de gibis, capas de revistas, propagandas e pinturas. Algumas dessas páginas merecem até serem transformadas em quadros para decoração. Com formato 28x22 cm, no aspecto de ilustração “True West” é um livro incomparável, valorizado pela excelente qualidade do papel na impressão. Michael Barson conta que assistia, ainda pequeno, “Rawhide” e “Caravana” pela TV nos anos 60, devendo portanto o autor ter já passado dos 60 anos de idade quando elaborou “True West”. Mesmo assim ele faz um belo apanhado do que foram as ‘Saturday Afternoons’ com os westerns B, passando em seguida para as séries westerns que predominavam na TV. Os principais escritores de histórias sobre o Velho Oeste, assim como seus livros e roteiros para filmes têm amplo espaço, e também cantores que emolduraram o gênero com o melhor da cowboy-music. Os comic-books não foram esquecidos por Barson, que relembra gibis clássicos com mocinhos inesquecíveis como Bronco Pyler e Flecha Ligeira, entre outros. 

Capas de livros de histórias de faroestes.

Alguns das dezenas de pôster de westerns.
101 faroestes importantes - O maior número de páginas de “True West” é dedicado à lista dos 100 mais significativos filmes do gênero western, segundo a opinião pessoal do autor. Abre-se com isso a inevitável possibilidade de discussão pois os critérios levados em conta por Barson para listar os mais significativos é bastante discutível. Sem falar que ele entende que “Assim Caminha a Humanidade”, “Sete Noivas para Sete Irmãos”, “Bonita e Valente”, “Oklahoma” e “a Última sessão de Cinema” são faroestes. Michael Barson deixa de fora filmes importantes e que possuem fãs ardorosos, entre eles “Da Terra Nascem os Homens” e “Vera Cruz”, ambos, por sinal, também não foram listados entre os cem melhores westerns do livro “The 100 Greatest Westerns of All Time”, editado pela American Cowboy Magazine e comentado nesta seção “Estante de Faroeste”. Barson preferiu considerar como mais importantes “Dois Caipiras Ladinos” (com Laurel & Hardy) e “Harlem on the Prairie”, este último dirigido pelo inexprimível Sam Newfield diretor de mais de 200 faroestes B. Outra curiosidade da lista de Barson é que ela não obedece ordem de classificação, sendo os filmes listados pelo ano de lançamento. E que dificuldade deve ter encontrado o autor para não conseguir fechar sua lista com o número redondo de cem faroestes, preferindo publicá-la com 101 filmes. Barson não explica qual a razão da ausência da lista dos faroestes produzidos após 1972, mesmo aqueles que ganharam prêmios Oscar como “Imperdoáveis” e “Dança com Lobos”. E o autor se refere elogiosamente a “Pistoleiros do Oeste” (Lonesome Dove) e a “Pacto de Justiça” (Open Range), entre outros westerns pós-1972. Eis a lista dos 101 mais significativos westerns do livro “True West”:

01)  A Grande Jornada (The Big Trail), 1930 – Raoul Walsh
02)  Cimarron (Cimarron), 1931 – Wesley Ruggles
03)  Na Mira de um Coração (Annie Oakley), 1935 – George Stevens
04)  O Último dos Moicanos (The Last of the Mohicans), 1936 – George B. Seitz
05)  Jornadas Heróicas (The Plainsman), 1936 – Cecil B. DeMille
06)  O Último Romântico (Rhythm on the Range), 1936 – Norman Taurog
07)  Harlem on the Prairie, 1937 – Sam Newfield
08)  Dois Caipiras Ladinos (Way Out West), 1937 – James W. Horne
09)  Uma Nação em Marcha (Wells Fargo), 1937 – Frank Lloyd
10)  O Guarda Vingador (The Lone Ranger), 1938 – John English/William Witney [Seriado]
11)  Atire a Primeira Pedra (Destry Rides Again), 1939 – Fritz Lang
12)  Uma Cidade que Surge (Dodge City), 1939 - Michael Curtiz
13)  Ao Rufar dos Tambores (Drums Along the Mohawk), 1939 – John Ford
14)  Jesse James (Jesse James), 1939 – Henry King
15)  No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
16)  Aliança de Aço (Union Pacific), 1939 – Cecil B. DeMille
17)  Comando Negro (Dark Command), 1940 – Raoul Walsh
18)  Gerônimo (Geronimo), 1940 – Paul Sloane
19)  A Marca do Zorro (The Mark of Zorro), 1940 – Rouben Mamoulian
20)  A Estrada de Santa Fé (Santa Fé Trail), 1940 – Michael Curtiz
21)  O Galante Aventureiro (The Westerner), 1940 – William Wyler
22)  Formosa Bandida (Belle Star), 1941 – Irving Cummings
23)  Quero-te Como És (Honky Tonk), 1941 – Jack Conway
24)  O Intrépido General Custer (They Died with their Boots On, 1941 – Raoul Walsh
25)  Os Conquistadores (Western Union), 1941 – Fritz Lang
26)  A Indomável (The Spoilers), 1942 – Ray Enright
27)  O Proscrito (The Outlaw), 1943 – Howard Hughes
28)  Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident), 1943 – William A. Wellman
29)  Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 – King Vidor
30)  Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford
31)  Sua Única Saída (Pursued), 1947 – Raoul Walsh
32)  Sangue na Lua (Blood on the Moon), 1948 - Robert Wise
33)  Sangue de Heróis (Fort Apache), 1948 – John Ford
34)  O Valente Treme-Treme (The Paleface), 1948 – Norman Z. McLeod
35)  Rio Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks
36)  Golpe de Misericórida (Colorado Territory), 1949 – Raoul Walsh
37)  Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon), 1949 – John Ford
38)  Bonita e Valente (Annie Get Your Gun), 1950 – George Sidney
39)  Flechas de Fogo (Broken Arrow), 1950 – Delmer Daves
40)  O Matador (The Gunfighter), 1950 – Henry King
41)  Caravana de Bravos (Wagonmaster), 1950 – John Ford
42)  Winchester 73 (Winchester ’73), 1950 – Anthony Mann
43)  Assim São os Fortes (Across the Wide Missouri), 1951 – William A. Wellman
44)  Correio do Inferno (Rawhide), 1951 – Henry Hathaway
45)  O Sangue Semeou a Terra (Bend of the River), 1952 – Anthony Mann
46)  Matar ou Morrer (High Noon), 1952 – Fred Zinnemann
47)  Paixão de Bravo (The Lusty Man), 1952 – Nicholas Ray
48)  O Diabo Feito Mulher (Rancho Notorius), 1952- Fritz Lang
49)  Viva Zapata! (Viva Zapata!), 1952 – Elia Kazan
50)  O Último Guerreiro (Arrowhead), 1953 – Charles Marquis Warren
51)  Caminhos Ásperos (Hondo), 1953 – John Farrow
52)  O Preço de um Homem (The Naked Spur), 1953 – Anthony Mann
53)  Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
54)  O Último Bravo (Apache), 1954 – Robert Aldrich
55)  Montana, Terra do Ódio (Cattle Queen of Montana), 1954 – Allan Dwan
56)  Rajadas de Ódio (Drum Beat), 1954 – Delmer Daves
57)  Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1954 – Nicholas Ray
58)  O Rio das Almas Perdidas (River of No return), 1954 – Otto Preminger
59)  Sete Noivas para Sete Irmãos (Seven Brides for Seven Brothers), 1954 – Stanley Donen
60)  Região do Ódio (The Far Country), 1954 – Anthony Mann
61)  Um Certo Capitão Lockhart (The Man from Laramie), 1955 – Anthony Mann
62)  Oklahoma (Oklahoma), 1955 – Fred Zinnemann
63)  Nas Garras da Ambição (The Tall Man), 1955 – Raoul Walsh
64)  Assim Caminha a Humanidade (Giant), 1956 – George Stevens
65)  Ao Despertar da Paixão (Jubal), 1956 – Delmer Daves
66)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
67)  Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 – Budd Boetticher
68)  Renegando meu Sangue (Run of the arrow), 1957 – Samuel Fuller
69)  Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 – John Sturges
70)  Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957 – Delmer Daves
71)  O Homem do Oeste (Man of the West), 1958 – Anthony Mann
72)  Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
83)  Jogadora Infernal (Heller in Pink Tights), 1960 – George Cukor
74)  Fúria no Alasca (North to Alaska), 1960 – Henry Hathaway
75)  Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 – John Sturges
76)  O Passado não Perdoa (The Unforgiven), 1960 – John Huston
77)  A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1961 – Marlon Brando
78)  A Conquista do Oeste (How the West Was Won), 1962 – John Ford, Henry Hathaway, George Marshall
79)  O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance), 1962 – John Ford
80)  Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962 – Sam Peckinpah
81)  O Indomado  (Hud), 1963 - Martin Ritt
82)  Por um Punhado de Dólares (Per un Pugno di Dollari), 1964 – Sergio Leone
83)  Dívida de Sangue (Cat Ballou), 1965 – Elliot Silverstein
84)  Juramento de Vingança (Major Dundee), 1965 – Sam Peckinpah
85)  Os Profissionais (The Professionals), 1966 - Richard Brooks
86)  A Marca da Forca (Hang ‘em High), 1968 – Ted Post
87)  E o Bravo Ficou Só (Will Penny), 1968 – Tom Gries
88)  Era uma Vez no Oeste (C’Era una Volta Il West), 1968 – Sergio Leone
89)  Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid), 1969 – George Roy Hill
90)  Bravura Indômita (True Grit), 1969 – Henry Hathaway
91)  Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah
92)  O Pequeno Grande Homem (Little Big Man), 1970 – Arthur Penn
93)  Um Homem Chamado Cavalo (A Man Called Horse), 1970 – Elliot Silverstein
94)  Um Homem Difícil de Matar (Monte Walsh), 1970 – William A. Fraker
95)  A Última Sessão de Cinema (The Last Picture Show), 1970 – Peter Bogdanovich
96)  Onde os Homens são Homens (McCabe & Mrs. Miller), 1971 – Robert Altman
97)  Os Dois Indomáveis (Wild Rovers), 1971 – Blake Edwards
98)  O Estranho Sem Nome (High Plains Drifter), 1972 – Clint Eastwood
99)  Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson), 1972 – Sidney Pollack
100)  Roy Bean, o Homem da Lei (The Life and Times of Judge Roy Bean), 1972 – John Huston
101)  Dez Segundos de Perigo (Junior Bonner), 1972 – Sam Peckinpah

O autor Michael Barson fala dos cantores mais importantes da cowboy-music
e seus principais discos.

Belas capas de gibis e de pocket-books de faroestes.

Mocinhos dos comic-books que chegaram ao Brasil.

15 de agosto de 2013

ESTANTE DE FAROESTE - “PAPPY – A VIDA DE JOHN FORD” – LIVRO ESCRITO POR DAN FORD


John Ford foi um dos grandes artistas do século passado, englobadas todas as modalidades de expressão artística. Ford foi um dos maiores diretores que o cinema conheceu e, sem nenhum outro a lhe fazer sombra, o mais importante diretor de faroestes. Ama-se e estuda-se os filmes de John Ford, porém pouco se sabe de sua vida pessoal, a não ser da rudeza de seu temperamento e da dificuldade de com ele conviver aceitando seus modos ou a falta deles. Muitos e excelentes livros foram escritos sobre o ‘Homero das Pradarias’, mas quase todos preocupados em analisar sua incomparável obra cinematográfica. Avesso a entrevistas, o pouco que se escreveu sobre a vida de John Ford foi baseado em depoimentos daqueles que com ele trabalharam e raros amigos pessoais que sobreviveram a ele.

O livro de Carey Jr.
Reminiscências familiares - Um bom livro sobre o homem John Ford foi escrito por Harry Carey Jr. e teve o apropriado título de “Company of Heroes – My Life as an Actor in the Ford Stock Company”. Harry Carey Jr. era afilhado de John Ford e conta nesse livro alguns episódios passados nos bastidores dos filmes em que foi dirigido por Ford. Porém ‘Dobe’ Carey não conseguiu penetrar na intimidade do ‘Coach’ (Ford), como o chamava John Wayne. Antes do livro de Carey Jr., Dan Ford, neto de John Ford (filho de Patrick Ford), havia reunido lembranças de seu avô. Dan Ford nasceu em 1945 e estava com 28 anos quando John Ford faleceu em 31 de agosto de 1973. As reminiscências familiares vieram também de seu pai Patrick Ford, de sua tia Barbara Ford (os dois únicos filhos de John Ford) e de sua avó Mary Ford. A esposa de John Ford faleceu em 1979, mesmo ano do lançamento da 1.ª edição de “Pappy – The Life of John Ford”.

Katharine Hepburn em "Mary Stuart,
a Rainha da Escócia".
John Ford e Kate Hepburn - Dan Ford escreveu seu livro numa linguagem simples que certamente seu avô aprovaria. Linguagem fácil que um estrangeiro que domine minimamente a Língua Inglesa consegue entender. Paralelamente às lembranças do avô, Dan Ford relata de maneira precisa como funcionava a indústria cinematográfica desde seu início, que coincide com o trabalho de Francis Ford, irmão de John Ford. O texto de Dan avança pelo cinema falado e as mudanças ocorridas com a afirmação dos grandes estúdios e o surgimento dos ‘moguls’ (chefes de estúdio). Um dos capítulos mais interessantes relata as batalhas de John Ford com Darryl F. Zanuck, a quem o diretor chamava de ‘Darryl F. Panic’. Essa leitura permite entender quais foram os filmes mais pessoais de John Ford e quais os filmes que Ford dirigiu segundo as imposições de Zanuck para a 20th Century-Fox. Dan Ford relata ainda a tempestuosa paixão entre John Ford e Katharine Hepburn, nascida durante as filmagens de “Mary Stuart, a Rainha da Escócia”, em 1936.

O 'Coach' e o 'Duke'.
Passeios no ‘Araner’ - As bebedeiras com Ward Bond, John Wayne, Grant Withers e outros amigos próximos de John Ford que com ele participavam de cruzeiros no iate ‘Araner’, de propriedade do diretor também são relatadas. Para os fãs de faroestes, que naturalmente são fãs de John Wayne, é saboroso saber o quanto Ford torturou o ator, numa dessas viagens no ‘Araner’, antes de definir o jovem Duke como o intérprete de ‘Ringo Kid’ em “No Tempo das Diligências”, filme que mudou a carreira de Wayne e que mudou a imagem do próprio western. O livro conta também, em detalhes, a discussão com Henry Fonda durante as filmagens de “Mr. Roberts” e que culminou com Ford agredindo Fonda com um soco. Essas histórias são narradas de forma discreta e distante de qualquer intenção sensacionalista, porque são histórias que o leitor tem prazer em saber.

Acima Ford com
Peter Bogdanovich.
A sorte de Peter Bogdanovich - O livro de Dan Ford dedica, como não poderia deixar de ser, um capítulo inteiro à participação de John Ford na II Guerra Mundial como Capitão da U.S. Navy. O declínio artístico e físico de John Ford são as páginas mais tristes da biografia até o ‘the last hurrah’ do diretor de “Rastros de Ódio”. Após a aposentadoria de John Ford, dezenas de escritores e estudantes receberam sonoros ‘não’ nas tentativas de entrevistar John Ford. Somente conseguiram falar com o diretor o escritor Joseph McBride e Peter Bogdanovich. McBride é o autor de “Searching for John Ford” e que relatou a insuportável irascibilidade do diretor. Peter Bogdanovich teve mais sorte e obteve a maior entrevista que John Ford deu em toda sua vida e que resultou em um livro e um documentário intitulados respectivamente “John Ford” e “Directed by John Ford”. No entanto, Bogdanovich não conseguiu saber mais do homem que entrevistou. Para aqueles que conhecem a obra cinematográfica do Mestre e pretendem saber mais sobre o Homem John Ford, o livro “Pappy – The Life of John Ford” é essencial. Lançado pela Capo Press, essa obra tem 340 páginas, dezesseis delas sem texto com fotos em preto e branco. O livro foi impresso no tamanho 15x23 cm e traz na capa uma foto dos bastidores do filme “A Paixão de uma Vida” com John Ford conversando com Tyrone Power.