Se houve algo que os roteiristas norte-americanos nunca ligaram muito foi para a verdade dos fatos históricos. Lá pelos anos 70 começou uma grande cobrança pelo “historicamente correto” e os westerns ficaram até meio sem graça. “Cavaleiros da Bandeira Negra” (Kansas Raiders), de 1950, não prima muito pela acurácia dos fatos referentes ao Coronel William Clarke Quantrill. A começar pela idade, pois Quantrill morreu aos 27 anos e Brian Donlevy, que o interpreta no filme estava com 49 anos. Ao redor do ex-soldado da União que se tornou ‘oficial’ da sua facção do Exército Confederado, o roteiro de “Cavaleiros da Bandeira Negra” juntou nada menos que os Irmãos Jesse e Frank James (Audie Murphy e Richard Long), os irmãos Cole e James Younger (James Best e Dewey Martin) e ainda Kit Dalton (Tony Curtis). Quantrill aperfeiçoou os jovens bandidos agregados ao seu exército nas técnicas de pilhagem devidamente acompanhados de requintes da maior crueldade. Para esse quesito Quantrill tinha um mestre na figura de Bill Anderson (Scott Brady), o ‘Bloody’ Bill Anderson, o mais sanguinário confederado da Guerra da Secessão. Dirigido por Ray Enright, o western é bastante movimentado, com excelentes cenas de ação, compensando o discutível roteiro. O maior atrativo de “Cavaleiros da Bandeira Negra” é ver em ação um grupo de atores praticamente iniciantes, com idades por volta de 25 anos e que teriam carreiras bastante diferentes no cinema. De longe Tony Curtis foi o que se saiu melhor na vida artística, tornando-se um dos grandes ídolos de Hollywood. Audie Murphy será sempre lembrado como um ator de poucos recursos interpretativos, mas que foi o mocinho mais constante da última boa fase dos faroestes. James Best atuou muito no cinema, em westerns, dramas e comédias, mas acabou consagrado mesmo foi na série “The Duke of Hazzard” (Os Gatões), na TV, interpretando o atrapalhado xerife Roscoe P. Coltrane. Scott Brady viveu seu momento de glória como ‘Dancing Kid’ em “Johnny Guitar”. Richard Long e Dewey Martin, sem maiores chances no cinema, passaram logo para a TV. No elenco ainda a veterana Marguerite Chapman que foi heroína do seriado clássico “O terror dos Espiões” (Spy Smasher) de 1942. E numa ponta aparece Richard Egan. “Cavaleiros da Bandeira Negra” deve ter sido tão agradável de se ver quando de seu lançamento, quanto agora na época do DVD, é claro que sem nenhuma preocupação com o apuro histórico.

