Nascido em Frutal, cidade da região do
Triângulo Mineiro e também próxima dos limites de Minas Gerais com São Paulo,
Osvaldo de Paulo mudou-se para Barretos ainda criança. O pequeno Osvaldo
testemunhou o intenso transporte de gado que se fazia na região nos anos 50,
bem como as festas do Peão Boiadeiro na cidade. Décadas depois Barretos se
transformaria na capital nacional de rodeios. Foi em Barretos que Osvaldo
conheceu o cinema e os filmes de faroestes que muito lembravam a vida rude dos
vaqueiros da região, tomando cada vez mais gosto pelos filmes de mocinho e
bandido. Mudando-se para São Paulo Osvaldo encontrou um grande número de
cinemas que exibiam faroestes com atores que ele passou a admirar. Quando esse
gênero de filme havia se tornado apenas uma lembrança, Osvaldo descobriu a
confraria fundada pelo lendário ‘Médico da Lapa’ (Dr. Aulo Barretti) e a ela se
filiou. Na Confraria dos Amigos do Western Osvaldo voltou a assistir faroestes
e quando a oportunidade se apresentava, geralmente com a visita da imprensa ao
clube, Osvaldo de Paulo era um dos mais destacados ‘mocinhos’. E certamente o
mais original pois Osvaldo de Paulo era um mocinho diferente, um mocinho black.
O único da confraria.
‘Kid
Azulão’ vira ‘Poitier’ - Já no clube dos cowboys brasileiros Osvaldo
de Paulo confeccionou, ele próprio, sua primeira indumentária de faroeste na
cor azul e imediatamente ganhou o apelido de ‘Kid Azulão’. Já havia na
confraria o famoso mocinho Kid Blue (Lázaro Narciso Rodrigues), que agora tinha
a companhia do Kid Azulão Osvaldo de Paulo. Assim como Lazinho Kid Blue criava
seus trajes, Osvaldo também fazia o mesmo e em cada ocasião o ‘cowboy colored’
surgia com roupas diferentes, numa disputa acirrada com Kid Blue, disputa de
fazer inveja a Roy Rogers. Porém Osvaldo nunca gostou do apelido ‘Kid Azulão’,
até que certo dia confessou ser fã de Sidney Poitier. Sempre houve muitos e
excelentes atores negros no cinema norte-americano, inclusive cowboy de verdade
como Bill Pickett. E nos anos 30 houve até mesmo o mocinho negro Herb Jeffries,
o ‘Bronze Buckaroo’. Anos mais tarde surgiu o primeiro real astro negro no
cinema, que foi Sidney Poitier e depois de Poitier vieram Harry Belafonte, Jim
Brown, Fred Williamson, Morgan Freeman, Danny Glover, Denzel Washington e
outros mais. Nenhum deles no entanto superou o ator de “Acorrentados” e “No Calor
da Noite” na preferência de Osvaldo de Paulo. Descoberta essa admiração surgiu
o novo apelido de ‘Osvaldo Poitier’, este sim bem aceito por Osvaldo de Paulo
pois homenageava um dos grandes atores norte-americanos e negro como ele. A
partir daí ninguém mais lembrava de seu sobrenome que passou a ser ‘Poitier’.
Lista seleta - Como não poderia deixar de ser, após
assistir faroestes por mais de cinco décadas, Osvaldo se tornou um expert no
gênero, tendo sempre opinião fundamentada sobre centenas de westerns. E nunca
perde a ocasião para discutir com os outros cinéfilos, defendendo seu ponto de
vista sobre este ou aquele filme. Osvaldo 'Poitier' de Paulo nunca deixou de assistir faroestes,
o que faz até hoje, seja revendo os filmes antigos de sua coleção ou assistindo
a filmes mais novos que, na opinião dele, apenas comprovam que não se faz mais
faroestes como antigamente. E bota antigamente nisso. Mesmo sabendo da
importância da Internet Osvaldo não possui computador, notebook, tablet ou
smartphone, o que não o impediu de atender ao WESTERNCINEMANIA listando
os dez faroestes que mais admira. E esse seleto Top-Ten está relacionado abaixo
com rápidos comentários do próprio cowboy Poitier que gosta muito de se
expressar verbalmente, mas não de escrever.
1.º) Vera
Cruz, 1954 – Robert Aldrich
Para
mim o melhor de todos faroestes. Supermovimentado com show de Burt Lancaster.
Quanto mais assisto “Vera Cruz” mais eu gosto.
2.º)
Rastros de Ódio (The
Searchers), 1956 – John Ford
Filmaço
com o racista John Wayne com John Ford mostrando toda a beleza do Monument
Valley.
3.º)
Os Brutos Também Amam
(Shane), 1953 – George Stevens
Faroeste
emocionante com um herói inesquecível. E música muito bonita.
4.º)
O Último Pôr-do-Sol (The Last
Sunset), 1961 – Robert Aldrich
Kirk
Douglas fez muitos faroestes mas este é o melhor, mesmo com ele morrendo no
final no duelo com Rock Hudson. Se não fosse filme jamais Rock Hudson venceria
Kirk Douglas.
5.º) Rio
Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks
Filme
que mostra o que é ser cowboy de verdade. E cowboy de verdade era mesmo John
Wayne.
6.º)
Sete Homens e um Destino (The
Magnificent Seven), 1960 – John Sturges
Outro
faroeste que sempre dá vontade de assistir, principalmente pelo espetacular
tiroteio no final.
7.º)
Johnny Guitar, 1954 –
Nicholas Ray
Outro
faroeste com música bonita e mulheres muito feias. Mas há grandes
interpretações. Sterling Hayden era muito bom ator.
8.º) Gatilho
Relâmpago (The Fastest Gun Alive), 1956 – Russel Rousse
Este
é o filme de Glenn Ford que eu mais gosto. Glenn Ford foi um ator que fez
muitos faroestes bons. Era um grande cowboy do cinema.
9.º)
Um de Nós Morrerá (The
Left-Handed Gun), 1958 – Arthur Penn
Filme
que tem um herói chamado Billy the Kid que não era herói como o cinema sempre
mostrou.
10.º)
Por um Punhado de Dólares
(Per um Pugno di Dollari), 1964 – Sergio Leone
Não
gosto muito de spaghettis, mas este filme com Clint Eastwood é o melhor
bang-bang italiano que eu já assisti.
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| Diversas poses do elegante cowboy Osvaldo 'Poitier' de Paulo. Acima com o temido Bandolero El Mexicano (Carlos José Mubarah); nas fotos abaixo, de vermelho, Lazinho Kid Blue. |














