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22 de junho de 2011

ELVIS PRESLEY, UM MESTIÇO EM "ESTRELA DE FOGO" (FLAMING STAR)


O escritor Clair Huffaker é autor dos roteiros de “Os Comancheiros”, “Rio Conchos” e “Gigantes em Luta”, faroestes que recomendam plenamente o autor. O primeiro roteiro de Huffaker para o cinema foi sobre a história “Flaming Lance”, de sua própria autoria e que chegou ao cinema como “Estrela de Fogo” (Flaming Star), em 1960, dirigido por Don Siegel. O projeto inicial era ambicioso e deveria ter Marlon Brando e Frank Sinatra como os irmãos Clint e Pacer Burton. Nem Frank nem Brando puderam fazer o filme e o Coronel Parker, empresário de Elvis Presley, estava atrás de um filme mais sério que mudasse um pouco a imagem do cantor. Elvis pretendia ter como ator o mesmo respeito que possuía como cantor e “Estrela de Fogo” parecia ter sido feito sob medida para iniciar a nova fase do Rei do Rock’n’Roll no cinema. A história trata de um assunto que Hollywood nunca gostou de tocar, a inevitável miscigenação ocorrida quando da convivência entre peles-vermelhas e brancos antes do genocídio dos índios nos Estados Unidos. Sam Burton (John McIntire) era viúvo e tinha o filho Clint (Steve Forrest) quando se casou com a kiowa Neddy (Dolores Del Rio). Sam e Neddy tiveram um filho chamado Pacer (Elvis Presley) e a vida da família correu tranquila por duas décadas, até que Buffalo Horn (Rodolfo Acosta), o novo chefe dos kiowas, decide reaver terras tomadas pelos brancos. Os confrontos se sucedem e os homens brancos que nunca aceitaram inteiramente a presença de Neddy e Pacer passam a demonstrar cada vez mais fortemente a intolerância em relação à índia e ao filho mestiço. Buffalo Horn pede a Pacer que ele se integre a sua raça na luta contra os brancos usurpadores. Pacer reluta até ver sua mãe morrer atingida pela arma de um homem branco. Desesperado Pacer ainda vê seu pai morrer alvejado por flechas kiowas e seu irmão ser ferido gravemente também pelos índios. A intolerância de ambas as partes leva ao quase extermínio da ex-pacata família Burton, restando vivo apenas Clint.

DON SIEGEL, UM DEGRAU ACIMA - Don Siegel foi um dos mais respeitados entre os diretores do segundo escalão de Hollywood. Com orçamentos modestos fez inúmeros filmes excelentes e pelo menos uma obra-prima que foi a sci-fi “Vampiros de Almas”. A partir de “Estrela de Fogo” a cotação de Siegel subiu sem parar e nos anos 60 e 70 ele passou a dirigir grandes produções com astros como Clint Eastwood (cinco vezes), Lee Marvin, Richard Widmark, Henry Fonda, Charles Bronson, Walter Matthau e John Wayne. A competência de Don Siegel é comprovada com o excelente “Estrela de Fogo”, em que mescla cenas de grande dramaticidade com perfeitas sequências de ação. Siegel não faz nenhuma concessão e a causa dos índios representada pelo mestiço Pacer é tratada com enorme respeito. O filme se encerra com os homens brancos sendo indiretamente responsabilizados pela tragédia que se abateu sobre a família Burton. Famílias massacradas pelos índios são também citadas mas sem que se atribua a exclusividade dos conflitos aos ‘selvagens pele-vermelhas’ como Hollywood se acostumou a fazer. A violência do homem branco é demonstrada quando um cowboy (L.Q. Jones) tenta molestar Neddy, ao descobrir que ela é esposa de um homem branco como ele.


UMA DAS MAIS BELAS MULHERES DO CINEMA - E o maior mérito de Don Siegel é ter conseguido extrair de Elvis uma atuação que pode ser chamada de aceitável. Muitos consideram esta a melhor interpretação de Elvis como ator, o que não quer dizer praticamente nada diante da mediocridade que foi sua carreira no cinema. Elvis está contido e esforça-se para desempenhar bem o mestiço Pacer. Canta apenas uma canção, além da bela “Flaming Star” que se ouve nos créditos iniciais. Havia outras duas canções no filme que foram excluídas para dar mais credibilidade à atuação de Elvis, esquecendo-se o cantor. O nível de intérpretes do filme é mediano (Steve Forrest, Barbara Eden, Richard Jaeckel, Karl Swenson), o que ressaltou o trabalho de Elvis. Porém John McIntire tem outra brilhante atuação, perdendo apenas para a maravilhosa Dolores Del Rio. Belíssima ainda aos 55 anos e atuando com a dramaticidade típica do cinema mexicano. Contemplar Dolores na tela torna “Estrela de Fogo” obrigatório. O último filme norte-americano de Dolores Del Rio havia sido “Domínio de Bárbaros”, de John Ford, rodado em 1947. Ainda pelas mãos de Ford ela se despediria de Hollywood em “Crepúsculo de uma Raça”. O também mexicano Rodolfo Acosta interpreta o chefe kiowa Buffalo Horn. Um bastante jovem L.Q. Jones é quem toma uma surra de Elvis. A paciência do Coronel Parker durou apenas mais um filme (“Coração Rebelde”, de 1961) após o que ele obrigou Elvis a voltar para as comédias insonsas. Em 1969 um Elvis Presley fortemente influenciado pelos anti-heróis dos spaghetti-westerns atuou em “Charro”, em tudo inferior a seu maior momento cinematográfico que foi “Estrela de Fogo”.