UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

15 de fevereiro de 2016

CHISUM, UMA LENDA AMERICANA (CHISUM), GRANDE WESTERN DO GRANDE JOHN WAYNE


Andrew McLaglen e Wayne;
abaixo Victor McLaglen com
Andrew, o filho diretor.
Em 1969 John Wayne atuou em “Bravura Indômita” (True Grit) e conseguiu agradar ao público e à crítica que geralmente esnobava seus filmes. O Duke ganhou até um Oscar e gerou enorme expectativa pelo seu faroeste seguinte, “Jamais Foram Vencidos” (The Undefeated), de Andrew V. McLaglen, que no entanto acabou frustrando a todos pois o filme não conseguiu entusiasmar ninguém. McLaglen dirigira John Wayne em 1963 no agradável western-comédia “Quando um Homem é Homem” (McLintock) e depois em 1968 na fraca aventura “Heróis do Inferno”. Mesmo assim John Wayne entregou ao amigo McLaglen a direção de seu próximo filme que seria produzido pela Batjac, produtora do Duke. Foi o próprio Andrew V. McLaglen quem apresentou Andrew J. Fenady, autor da história a John Wayne que após ler o roteiro também escrito por Fenady disse que não havia gostado muito da história. Michael Wayne, que participava da reunião e conhecia bem o pai, disse a Fenady para ficar tranquilo que o filme seria feito. “Chisum” foi o título escolhido para o novo western, contando pela primeira vez no cinema a história de John Simpson Chisum, lendário barão de gado do Texas. Filmado em sua maior parte em Durango, no México, quando “Chisum” ficou pronto John Wayne declarou que aquele havia sido o filme que ele mais havia gostado de fazer.




John Wayne; abaixo Christopher
George com Forrest Tucker.
O fim de um poderoso homem mau - Lançado no Brasil com o título acrescido de “Chisum – Uma Lenda Americana”, o filme tem John Chisum (John Wayne) como um importante criador do Novo México que fornece gado para o Exército. Chisum é amigo do também criador Henry Tunstall (Patric Knowles) e ambos passam a ter a concorrência de Lawrence Murphy (Forrest Tucker), que está há pouco tempo no Condado de Lincoln. Murphy aumenta rapidamente seus interesses como empresário, passando a ser dono desde o armazém, hotel e até o banco de Lincoln. Murphy faz uso de métodos condenáveis para expandir seu pequeno império, contratando pistoleiros e subornando o xerife Brady (Bruce Cabot). Henry Tunstall adota como protegido o jovem William Bonney (Geoffrey Deuel), conhecido por ter matado 12 homens. Tunstall aposta na recuperação de Bonney, apelidado ‘Billy the Kid’ enquanto Murphy tenciona provocar Chisum ordenando que o xerife Brady prenda Tunstall que acaba morto por um assistente do xerife. Inconformado Billy the Kid entra em Lincoln e mata Brady e seus dois assistentes, decidindo voltar à vida de crimes. Murphy então consegue a nomeação, como xerife de Lincoln, do pistoleiro de aluguel Dan Nodeen (Christopher George). Comandando um numeroso grupo de homens, Nodeen encurrala Billy the Kid dentro de um armazém no condado e ao tomar conhecimento disso Chisum reúne seus cowboys e outros vaqueiros de ranchos vizinhos e parte para o confronto contra o grupo armado de Murphy sob o comando de Dan Nodeen. Trava-se uma violenta batalha no centro do Condado de Lincoln, conflito que termina com a morte de Lawrence Murphy e a partida de Billy the Kid sob ordem expressa de John Chisum.

Acima, John Wayne com Ben Johnson;
abaixo Wayne com John Pickard.
Chisum, o próprio John Wayne - Um dos episódios mais trágicos do Oeste norte-americano foi a guerra entre criadores no Condado de Lincoln em 1878. Envolveram-se, de fato, nessa guerra John Chisum, John Tunstall (neste filme aparece como ‘Henry’ Tustall), Lawrence Murphy, James Dolan, o xerife William Brady, Billy the Kid e Pat Garrett, o que não significa que “Chisum” tenha algum compromisso mais rigoroso com os fatos. A batalha do Condado de Lincoln, ocorrida em 15 de julho de 1878 foi apenas um dos diversos conflitos armados daquela guerra, sendo que o filme de McLaglen se fixa apenas nessa contenda sem mesmo citar as demais. A Batalha de Lincoln durou três dias e só terminou com a intervenção de tropas do Exército e não com a presença dos cowboys reunidos por John Chisum. A discutida e pouco abordada pelo cinema figura de John Simpson Chisum foi concebida para ser apropriadamente protagonizada por John Wayne e, esquecida a falta de rigor histórico, resultou num dos melhores personagens vividos pelo lendário ator. Chisum tem personalidade forte e se impõe por sua própria filosofia, esgotados os demais argumentos, como quando diz ao amigo Pepper (Ben Johnson) que preferia solucionar a guerra que se avizinhava não politicamente, mas sim como o teria feito 30 anos atrás, ou seja, empunhando armas. (Olha o republicano John Wayne indicando como seu país devia se comportar no conflitos em que se envolvia). E falando de Chisum, como se falasse do próprio Wayne, Pat Garrett (Glenn Corbett) diz: “O Sr. Chisum mudou com o tempo. Hoje preocupa-se com as pessoas daqui e da cidade, com os índios e com o território. Ele é independente, faz tudo à sua maneira, mas preocupa-se”.

Richard Jaeckel com Forrest Tucker;
abaixo Glenn Langan com Tucker.
Uma história envolvente - Abordando livremente os eventos da Lincoln County Cattle War, “Chisum” conta uma história que prende o espectador, não se atendo simplesmente à presença do protagonista. Por sinal há momentos em que John Chisum desaparece da história, dando lugar a tramas correlatas como o casal McSween que escolhe a cidade para se instalar, ele advogado. Não podia faltar Billy the Kid que, protegido pelo criador Tunstall, acaba sendo o responsável pela eclosão do conflito maior. “Chisum” denuncia o xerife corrupto, auxiliares que alteram cena de crime, um governador que presta favores ao poderoso Murphy, inclusive destituindo um juiz que intenta condenar os assassinos a mando do criador-comerciante inescrupuloso e também um Coronel do Exército, aliciado por Murphy. Com Billy surge também Pat Garrett que com ele trava contato e amizade (e a quem futuramente irá matar). Há ainda o intimidador bounty hunter transformado em xerife como saída única de Murphy para fazer frente a John Chisum que havia ameaçado enfrentá-lo ‘à sua maneira’. O espetacular desfecho, ainda que previsível, surpreende pela excepcional invasão de Lincoln County com Chisum, Pepper e Pat Garrett no comando.

O relógio de Chisum com a imagem do
irmão e da cunhada que ele nunca

esqueceu; abaixo Patric Knowles
e Geoffrey Deuel.
Stampede no Condado de Lincoln - Usando uma expressão conhecida, Andrew V. McLaglen ‘acertou a mão’ em cheio com “Chisum”, mesclando com rara felicidade o tom de ação e humor, ele que chegou a ser assistente de direção do Mestre John Ford. Neste western não há pressa em delinear os personagens principais (que são muitos), fazendo a trama avançar lentamente até o clímax espetacular que é a batalha travada entre as forças rivais. O cenário do Condado de Lincoln é quase destruído com o estouro da boiada, forma única de derrubar a barricada feita pelos homens de Lawrence Murphy. Antes disso, porém, outras excelentes sequências são mostradas, como o encontro com o bando liderado pelo mexicano a soldo de Murphy; e a emboscada aos carroções que atravessavam um rio como cavalos de Tróia carregados de cowboys armados sob o comando de Billy the Kid e de Pat Garrett. Nenhum desses momentos, no entanto, supera a longa e brutal luta entre Chisum e Murphy. Poucas vezes se viu John Wayne em ação de forma tão vibrante, ainda que visivelmente substituído nos momentos mais perigosos. Lembrando o que Sam Peckinpah havia havia feito em “The Wild Bunch” um ano antes, Chisum (devidamente dublado) a cavalo atravessa uma vidraça para alcançar o vilão. John Wayne queixou-se que a edição cochilou e mostra que ele havia sido substituído em mais um trabalho especial para Chuck Roberson que desfere e recebe socos na renhida luta contra Forrest Tucker, também dublado. Sempre importante lembrar a presença de Cliff Lyons como coordenador das sequências de ação e orientador dos stuntmen.
  
Acima confronto dentro de um rio; abaixo o espetacular Stampede em Lincoln.

Chisum e Murphy despencam do andar superior e na queda Murphy (Forrest
Tucker) morre trespassado por um enorme chifre de Langhorn.

Violenta luta a socos: saem John Wayne que dá lugar a Chuck Roberson e
Forrest Tucker que é é substituído por Henry Wills;
à direita Chuck Roberson em cena no filme.

Christopher George
Ao estilo Clint Eastwood - Nem tudo, porém, é perfeito em “Chisum” e entre os pontos fracos está o insípido romance entre Billy the Kid e Sallie Chisum (Pamela McMyler), sobrinha de John Chisum. Mesmo o Billy the Kid de Geoffrey Deuel é inconvincente em sua tentativa de refrear seu instinto sanguinário lendo o evangelho. Falta a Deuel o necessário conflito pessoal e a rebeldia que o cinema só encontrou em Paul Newman como ‘Billy the Kid’. E o que dizer de Henry Tunstall achando que, sem maiores razões para isso, poderia recuperar Billy the Kid, jovem que ele só conhecia de ouvir falar da numerosa lista de mortes a ele atribuída. Para compensar esses pontos falhos, há o tocante momento em que Chisum deixa entrever seu amor pela cunhada, mãe de Sallie (a cunhada, outra vez, assim como em “Rastros de Ódio”). E as divertidas discussões dos velhos ranzinzas (Chisum e Pepper), com claras referências aos inesquecíveis tempos de John Ford os dirigindo nos grandes clássicos do faroeste. Se Billy the Kid é inexpressivo apesar do esforço do ator, sobressai Christopher George como o ‘bounty hunter’ que causa calafrios a quem lança seu olhar penetrante e desejo de matar. Nomeado xerife, ao modo dos caçadores de recompensa solitários, Dan Nodeen recusa tomar uísque com Murphy e seus sequazes, respondendo no melhor estilo Clint Eastwood: “Prefiro meu próprio uísque e a minha própria companhia”.

John Wayne com cigarrilha a la Clint
Eastwood e seu inseparável bracelete;
Abaixo o Duke com Ben Johnson.
Figura épica do Velho Oeste - Protagonizando no mais amplo sentido o histórico personagem-título, John Wayne teria mesmo de gostar do trabalho em “Chisum” pois cercou-se de muitos amigos de tantos e tantos filmes. Lá estão, além de Ben Johnson, Bruce Cabot, Hank Worden, Alberto Morín, Pedro Gonzalez Gonzalez, além de Cliff Lyons e os demais dublês. Andrew V. McLaglen já tinha amizade com o Duke desde os tempos das rodas regadas a bebida entre John Ford, Ward Bond e Victor McLaglen, pai de Andrew. Também na equipe estava o cinegrafista William H. Clothier, responsável pelas belíssimas imagens da região de Durango. “Chisum” reuniu o quarteto John Wayne, John Agar, Richard Jaeckel e Forrest Tucker, que estiveram juntos em “Iwo-Jima – O Portal da Glória”, filme de guerra de 1949. John Wayne repete sua figura heróica vista tantas vezes e lembrando um mais comportado ‘Rooster Cogburn’. Ben Johnson, inicialmente escalado para ser Pat Garrett (aos 52 anos de idade Johnson estava muito velho para interpretar Garrett, então com 28 anos quando dos acontecimentos). Bruce Cabot bem, desta vez como xerife corrupto e Richard Jaeckel ofuscado como homem mau pelo excelente desempenho de Christopher George, de quem John Wayne gostava bastante. George faleceu de ataque cardíaco aos 52 anos, em 1983. Forrest Tucker, outro veterano de tantos westerns, é talhado para tipos tirânicos e insensíveis.

John Wayne em ação, cena imortal do cinema.
Duke, eterno campeão de bilheteria - “Chisum” tem trilha sonora de Dominic Frontier, acordeonista que virou compositor de trilhas musicais para cinema e televisão. A trilha incidental é ótima, mas as canções “Turn Me Around” e “Ballad of John Chisum”, ambas cantadas por Merle Haggard são fracas, para dizer o mínimo. Este western de Andrew McLaglen teve muito bom desempenho nas bilheterias, rendendo seis milhões de dólares só nos Estados Unidos e ajudou John Wayne a reconquistar a liderança do Top-Ten Box Office em 1971 (pela última vez), à frente de Clint Eastwood, Paul Newman e Steve McQueen. Na última década de sua longa carreira, Wayne brilhou com os excelentes westerns “Jake, o Grandão” (Big Jake), “Os Cowboys” (The Cowboys) e “O Último Pistoleiro” (The Shootist). A esses magníficos faroestes junta-se “Chisum, Uma Lenda Americana”, brilhando na filmografia do célebre e inesquecível Duke Wayne.


As pinturas de Russ Vickers utilizadas nos créditos de abertura de "Chisum".

12 de fevereiro de 2016

COMO JOHN WAYNE LEVOU O OSCAR VENCENDO ATORES EXCEPCIONAIS


Acima John Wayne e Rock Hudson em
"Jamais Foram Vencidos"; abaixo Rock.
No final dos anos 60 o mundo havia mudado bastante. A convulsão social parisiense em maio de 1968; os três dias de rock, drogas e sexo em Woodstock; a interminável guerra do Vietnã. O cinema refletia essa agitação global com filmes ultraviolentos como “Bonnie & Clyde” e “Meu Ódio Será Sua Herança” ou filmes atrevidos que tocavam em temas polêmicos como “Bob and Carol and Ted and Alice” e “Perdidos na Noite”. John Wayne, há duas décadas na lista dos campeões de bilheteria e um dos mais queridos atores norte-americanos era reconhecido e temido por sua visão política retrógrada e defensor intransigente de um discutível ideário social. Em 1969 John Wayne filmou para a 20th Century-Fox “Jamais Foram Vencidos” (The Undefeated), tendo como coastro Rock Hudson. Todos sabiam que Hudson era gay e tudo indicava que para o Duke seria difícil a convivência com ele durante os dois meses de filmagens pois John Wayne, decididamente, não gostava de gays. Para surpresa geral ambos se deram bastante bem, respeitosamente bem, ainda que intimamente o Duke não aceitasse a opção sexual de Hudson. Certo dia, durante as filmagens em Sonora, no México, Rock Hudson estava diante das câmaras e John Wayne sentado observava, tendo sua filha Aissa, então com 14 anos, a seu lado. Wayne comentou com Aissa: “Veja só o rosto de Rock Hudson. Que desperdício um rosto desse numa bicha. Imagine, filha, o sucesso que eu faria se tivesse um rosto igual ao dele”.

John Wayne e John Schlesinger
Concorrência fortíssima - Quando “Jamais Foram Vencidos” foi lançado, era dada como certa a indicação de John Wayne para o Oscar por sua interpretação como ‘Rooster Cogburn’ em “Bravura Indômita” (True Grit), o que de fato aconteceu. John Wayne havia sido indicado uma única vez ao prêmio, isso em 1949, por sua atuação em “Iwo-Jima – O portal da Glória”, tendo perdido para Broderick Crawford por seu trabalho em “A Grande Ilusão”. 20 anos mais tarde e John Wayne teria nova oportunidade de disputar o cobiçado prêmio máximo do cinema, ainda que suas chances fossem, aparentemente, remotíssimas. Isto devido aos demais indicados: Richard Burton por “Ana dos Mil Dias”, Peter O’Toole por “Adeus, Mr. Chips”, Dustin Hoffman e John Voight ambos por “Perdidos na Noite”. Para avaliar suas chances, John Wayne decidiu assistir aos três filmes na sala de projeção de sua casa e considerou extraordinárias as atuações de Burton e O’Toole. Os dois atores britânicos juntos acumulavam oito indicações até aquele ano, cinco para Burton e três para O’Toole, o que os tornava candidatos ainda mais fortes ao prêmio. Então John Wayne foi assistir ao filme de John Schlesinger, diretor abertamente gay e que em “Perdidos na Noite” mostrava um jovem cowboy recém-chegado a Nova York e que termina por se prostituir.

O Duke como Rooster Cogburn; John Voight e Dustin Hoffman à direita;
Richard Burton como Henrique VIII e Peter O'Toole como Mr. Chips.

John Wayne recebendo o Oscar pelas
mãos de Barbara Streisand.
‘O conjunto da obra’ - John Wayne confessou que assistiu horrorizado a “Perdidos na Noite”, não conseguindo entender como um filme como aquele obtivera o certificado (‘R’) de censura pois não deveria ser exibido em cinema algum dos Estados Unidos. Porém se o drama de Schlesinger o impressionou negativamente, Wayne ficou comovido e maravilhado com as interpretações de Hoffman e Voight em “Perdidos na Noite”. Mais perdido ficou ele em relação às probabilidades de vencer atores tão fantásticos, chegando a dizer que o prêmio deveria ser dado a Dustin Hoffman, mas tinha certeza que Richard Burton, então marido de Liz Taylor, seria o vencedor. Porém grande parte dos membros da Academia, de maioria liberal, pensava diferente e resolveu que, apesar de suas posições conservadoras e de ser politicamente um ultradireitista, chegara a vez de John Wayne levar a estatueta para casa. Entre as hipóteses dessa escolha estavam: tudo que Wayne havia feito em sua longa carreira pelo cinema; a injustiça cometida com sua não premiação pela interpretação como ‘Ethan Edwards’ em “Rastros de Ódio”; a luta contra o câncer que ele havia vencido alguns anos antes e que emocionara todo país. Como ‘Rooster Cogburn’, John Wayne havia tido mais uma de sua muitas boas interpretações, mas daí a vencer os demais concorrentes, só mesmo se as referidas questões extra-“True Grit” falassem mais alto. E como falaram! Na noite de 7 de abril de 1970, no Dorothy Chandler Pavilion, em Los Angeles, John Wayne recebeu das mãos de Barbara Streisand o Oscar que premiava, como se costuma dizer, “o conjunto da obra” do maior cowboy do cinema.

John Wayne
Idolatrado cowboy - Dustin Hoffman ganharia, em anos posteriores, o Oscar duas vezes e John Voight uma vez. Peter O’Toole teria de se contentar com um Oscar Honorário recebido quando já era um velhinho e Richard Burton nem isso. Quanto a John Wayne, claro que o prêmio ficou bem na estante de sua casa em Newport Beach, na Califórnia. Mas hoje, 46 anos depois daquela premiação, pode-se afirmar que o Oscar quase nada acrescentou à veneração que os cinéfilos tem por John Wayne, uma das figuras máximas do universo cinematográfico. Com ou sem o prestigiado prêmio, o truculento, homofóbico e reacionário John Wayne nunca deixou de morar no coração dos westernmaníacos.



7 de fevereiro de 2016

DE ARMA EM PUNHO (THE MAN BEHIND THE GUN) – MISSÃO SECRETA PARA RANDOLPH SCOTT


O filme noir marcou época em Hollywood e, mesmo após o fim do gênero, ecos das tramas difíceis de ser acompanhadas pelos espectadores mais atentos perduraram em muitas produções, inclusive em westerns. “De Arma em Punho” (The Man Behind the Gun), rodado em fins de 1952 e lançado em janeiro de 1953 é um desses filmes com trama intrincada digna de um bom e complicado noir. E o autor da história original, Robert Buckner, entre dezenas de trabalhos para o cinema, não se notabilizou por escrever argumentos para o gênero que consagrou Humphrey Bogart, mas sim roteiros mais simples, muitos deles westerns. São de autoria de Buckner as histórias originais e roteiros de “Uma Cidade que Surge” (Dodge City), “Caravana do Ouro” (Virginia City), “A Estrada de Santa Fé” (Santa Fé Trail), todos grandes sucessos coincidentemente estrelados por Errol Flynn. Os últimos trabalhos de Robert Buckner nos faroestes foram os roteiros de “Ama-me com Ternura” (Love-me Tender) e “Caçada Humana” (From Hell to Texas), respectivamente de 1956 e 1958. Nenhum desses westerns, no entanto, exigem tanto a atenção para ser entendido, como “De Arma em Punho”, fugindo do padrão dos faroestes de Randolph Scott.


Acima Patrice Wymore e Randolph Scott;
abaixo a autorização do Major Cullicut.
Separatismo ao Sul da Califórnia - O Major do Exército Ransome Callicut (Randolph Scott) chega a Los Angeles, por volta de 1850, designado para uma missão secreta disfarçado como professor.  Com o ‘professor estão, igualmente disfarçados, o Sargento ‘Monk’ Walker (Dick Wesson) e o Cabo Olaf Swenson (Alan Hale Jr.). A missão do Major Cullicut consiste em descobrir quem são os responsáveis por um movimento separatista no Sul da Califórnia, sufocar o movimento e apaziguar Los Angeles. As tropas do Exército estão sob o comando do Capitão Roy Giles (Philip Carey), cuja noiva Lora Roberts (Patrice Wymore) chega à cidade na mesma diligência que o Major disfarçado de professor. O Capitão Giles mantém um caso com Chona Degnon (Lina Romay) a cantora que se apresenta no Buckley’s Palace e que participa da causa separatista. O Major Callicut e Lora Roberts se atraem reciprocamente mas o Major se aproxima também de Chona Degnon, um pouco como parte de sua estratégia e outro tanto por não resistir aos encantos da sensual Chona. Um Senador chamado Mark Sheldon (Roy Roberts) é contra o separatismo e simula a própria morte, forma de poder agir pelo domínio da distribuição de água da cidade. Em meio às intrigas o jovem bandido salteador e traficante de armas Joaquim Murieta (Roberto Cabal) alia-se ao Major Cullicut. Em dado momento é revelada a identidade de Cullicut e reaparece o Senador Sheldon que mata sua ex-cúmplice Chona Degnon, mas é desmascarado e dominado pelo Major. Este, abafada a rebelião no Sul da Califórnia, fica com a professora Lora Roberts.

Acima Patrice Wymore e Randolph Scott;
abaixo Dick Wesson.
Reviravoltas contínuas - Randolph Scott está ótimo em “De Arma em Punho”, fato surpreendente pois sabe-se que Randy sempre deu mais importância ao seu hobby pessoal (jogo de golfe) que a seu trabalho como ator. E num filme difícil de ser compreendido o normal seria uma maior displicência de Randy que não gostava de participar das sequências de luta e menos ainda de beijar a mocinha. Scott, porém, beija mais de uma vez Patrice Wymore, então senhora Errol Flynn na vida real, e corteja Lina Romay. As reviravoltas se sucedem em “De Arma em Punho” e, a partir da metade do filme, quando se torna possível compreender a trama, aí então temos um daqueles faroestes agradáveis ao gosto do público menos exigente. E com Randolph Scott dominando o filme com sua persona, ao lado de dois ‘sidekicks’, há até momentos engraçados proporcionados por Dick Wesson e Alan Hale Jr. Assim como ocorreria em “Ardida Como Pimenta” (Calamity Jane), também de 1953, Dick Wesson traveste-se de mulher, desta vez para enganar não o público como no clássico estrelado por Doris Day, mas para ludibriar bandidos. E Phil Carey, que disputa a maravilhosa ‘Calamity Jane’ com Howard Keel em “Ardida Como Pimenta”, é vencido em rivalidade semelhante, agora por Randolph Scott.

Philip Carey e Randolph Scott; à direita Lina Romay.

Sequências 'emprestadas' de
"Cidade Sem Lei".
Cenas de arquivo - Como todo bom enredo puxado para o noir, “De Arma em Punho” tem muitos diálogos em sua primeira metade, quando os momentos de ação são raros. A parte final, no entanto, compensa com trocas de tiros, perseguições e uma violenta briga entre mulheres (Lina Romay e Patrice Wymore) que chega a lembrar a memorável sequência de “Atire a Primeira Pedra” (Destry), entre Marlene Dietrich e Una Merkel. Certo que a economia prevalece neste faroeste da Warner Bros. dirigido por Felix E. Feist, exibindo a rua principal de Los Angeles (San Antonio) e cenas da casa de show sempre lotada e mais tarde com uma enorme confusão, cenas ‘emprestadas’ sem o menor acanhamento de “Cidade Sem Lei” (San Antonio) e montadas com perfeição no filme de Feist. Também de “Cidade Sem Lei”, filme de 1945, foi extraída a famosa sequência em que Errol Flynn persegue Paul Kelly, caindo ambos, espetacularmente, no mesmo cavalo, num rio. Por falar em água, uma curiosidade é o vilão Roy Roberts desejar o monopólio da água da cidade e ter sua cabeça afogada por Randolph Scott que lhe diz: “Você não queria água? Não queria água?” Roy Roberts interpretaria 21 anos depois o prefeito de Los Angeles em “Chinatown”, obra-prima de Roman Polanski que aborda o tema da corrupção do suprimento municipal de água, como acontece em “De Arma em Punho”. Mas neste filme não há nenhum nariz rasgado a canivete num reservatório, como fez o ator Polanski com o narina de Jack Nicholson.

Mais uma sequência de "Cidade Sem Lei' utilizada em "de Arma em Punho".

A luta entre Lina Romay e Patrice Wymore.

Robert Cabal
Um caricato Joaquim Murieta - A produção deste western, que não é da safra da Scott-Brown, se descuidou um pouco e a inexatidão no uso das armas chega a ser escandalosa pois o filme se passa em 1850 e os revólveres são todos Colts Peacemakers, cuja fabricação começaria a ocorrer anos após finda a Guerra Civil. O mesmo vale para os rifles que ainda não eram de repetição quando se esboçaram os movimentos separatistas na Califórnia. O roteiro de “De Arma em Punho” coloca em cena a figura não muito lembrada de Joaquim Murieta, que Warner Baxter havia interpretado em “O Bandoleiro do El Dorado” (Robin Hood of El Dorado). Murieta que foi morto aos 24 anos de idade, é vivido caricatamente por Robert Cabal, rindo de tudo o tempo todo. Randolph Scott fez um único filme com Felix E. Feist, ao contrário de diversos outros diretores com quem Randy repetiu a parceria, entre eles Budd Boetticher e Edwin L. Marin (sete vezes cada), André De Toth (seis vezes), Ray Enright (quatro vezes), Joseph E. Lewis e Tim Whelan (duas vezes).

Scott duas vezes com Lina Romay.
Lina Romay encantando - Randolph Scott usa diversos trajes em “De Arma em Punho”, um deles o famoso traje preto que melhor o caracterizava e que fascinava seus estusiasmados admiradores. Randy deixa de lado a sisudez num de seus personagens mais alegres que é o Major Ransome Callicut. Patrice Wymore foi uma atriz sem maiores ambições e demonstra isso neste western em que Lina Romay é a grande atração feminina despertando o desejo dos personagens masculinos principais. Entre uma conquista e outra a linda Lina ainda encontra tempo para cantar duas canções latinas no mesmo palco onde Alexis Smith também cantou em “Cidade Sem Lei”. Phil Carey é o apático capitão, não se conformando em coadjuvar Scott. Dick Wesson comprova mais uma vez que merecia maiores chances no cinema, carreira que praticamente deixou de lado para se dedicar a escrever roteiros para séries de televisão. Absoluto desperdício dos atores Morris Ankrum e Tony Caruso em papéis insignificantes. Atenção para a pequena participação de Cliff Lyons, baleado numa escada por Randolph Scott, caindo sensacionalmente, ele que foi um dos grandes stuntmen de Hollywood. Apreciadores de westerns não se desapontarão com “De Arma em Punho” e os admiradores de Randolph Scott se deliciarão com mais este bom faroeste do inesquecível cowboy.

Randolph Scott e os trajes utilizados em "De Arma em Punho".

À esquerda Roy Roberts; no centro Morris Ankrum e Dick Wesson;
à direita Anthony Caruso.

Esta cópia do western "De Arma em Punho" foi gentilmente cedida pelo
cinéfilo e colecionador Marcelo Cardoso.

3 de fevereiro de 2016

TOP-TEN WESTERNS DE OVÍDIO ANDRADE, CINÉFILO DE LAGOA DOURADA (MG)


Vista de Lagoa Dourada, pequena cidade
do Estado de Minas Gerais.
Ovídio Andrade é um dos mais ativos membros do Grupo ‘Apreciadores do Oeste’, fazendo com frequência comentários e postagens interessantes para os muitos participantes desse conjunto de amigos virtuais. Nascido em Lagoa Dourada, município vizinho às históricas cidades de São João D’El Rey e Tiradentes, em Minas Gerais, Ovídio era filho de um tropeiro. Aos dois anos de idade o menino já andava a cavalo, em pelo e sem cabresto, muitas vezes com um cipó servindo de rédea. Esse convívio com equinos resultaria em admiração por personagens do Velho Oeste que igualmente tinham nos cavalos seus melhores amigos. Gibis e filmes de faroeste estavam entre as diversões preferidas do garoto Ovídio que não perdia uma única sessão de cinema do Salão Paroquial de Lagoa Dourada, única sala de projeção da cidade. Pela tela do Salão Paroquial passaram Johnny Weissmuller como Tarzan, Chaplin e seus clássicos, toda a saga do Planeta dos Macacos e como não poderia deixar de ser filmes bíblicos como “Ben-Hur” e “Os Dez Mandamentos”. Nessa sala acanhada Ovídio Andrade viveu as primeiras emoções proporcionadas pelo cinema, arte que aprendeu a amar.

O cineminha do Salão Paroquial, em Lagoa Dourada; Johnny Weissmuller e
Charles Chaplin (com Jackie Coogan), que Ovídio viu tantas vezes naquela
inesquecível sala de projeção.

Histórias em quadrinhos que
Ovídio admira.
Quando a família de Ovídio adquiriu o primeiro televisor, o cinema passou a ter um sério concorrente pois na telinha podiam ser vistos Durango Kid e outros mocinhos, além das muitas séries então exibidas. Ovídio não perdia um episódio de “Bonanza”, “Daniel Boone”, “Rin-Tin-Tin”, “Cisco Kid” e “Os Pioneiros”, entre outros programas de sucesso. Paralelamente aos filmes, Ovídio lia avidamente histórias em quadrinhos do gênero western como ‘Tex’, ‘Ken Parker’, ‘Epopéia-Tri’, exemplares que mantém até hoje em seu acervo. Mas que não se pense que o jovem lagoense descuidava dos estudos, o que a família atenta não permitia. Concluído o Ensino Médio, Ovídio deixou a pequena Lagoa Dourada onde moravam 15 mil pessoas e foi estudar em Barbacena, cidade muito maior, com mais de 100 mil habitantes, formando-se Técnico em Agropecuária. Apesar de ter passado a viver em uma cidade com alguns cinemas como era Barbacena nos anos 80, Ovídio começou a assistir ainda mais televisão pois o número de seriados (hoje clássicos) exibidos era enorme. Sessões como ‘Supercine’ e ‘Sessão Western’ eram programas imperdíveis para o jovem estudante. Formado e passando a atuar em sua profissão e ainda como Produtor Cultural, Ovídio Andrade ampliou sua coleção de HQs, com ‘Jonah Hex’, ‘Tenente Bueberry’ e muitas outras, gibis que dividem o espaço com os muitos DVDs que ele adquire. E ainda há a coleção virtual de filmes devidamente organizada em pastas em seu notebook pois Ovídio é uma pessoa eclética que gosta de tudo um pouco, desde que tenha qualidade, sem radicalismos ou julgamentos superficiais. Isto não só quando se trata de filmes, mas é assim também em literatura e música.

Ovídio
Andrade
O cinéfilo Ovídio Andrade vive na sua querida Lagoa Dourada, cidade conhecida nacionalmente como a 'Capital do Rocambole' e reconhecida no Exterior como o berço de criação do jumento da raça 'Pêga'. Lá da sua terra natal, gentilmente atendeu à solicitação do WESTERNCINEMANIA e prontamente relacionou os westerns que mais gosta, listados abaixo e acompanhados de comentários de sua própria autoria.

1.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Uma Volta Il West), 1968 – Sergio Leone

O maior de todos os westerns já produzidos. A obra-prima do gênero e de Sergio Leone! Emocionante, violento, apaixonante, riquíssimo em conteúdo, forma e detalhes aos mínimos quesitos: edição, montagem, cenografia, luz, som, fotografia, roteiro, produção, direção, grande elenco (Henry Fonda, Claudia Cardinalle, Charles Bronson, Jason Robards, Woody Strode, Jack Elam, Paolo Stoppa) e a melhor trilha sonora composta pelo gênio Ennio Morricone. Só a abertura, com cerca de 15 minutos, já vale o ingresso, tamanho o primor e perfeccionismo, Cinema puro, sentido em cada diálogo tecido, a cada sombra, a cada plano aberto ou fechado, em olhares que falam, em cenas memoráveis e inesquecíveis que nos fazem esquecer de sua duração, restando as espectador aplaudir de pé. Entre todos os gêneros, fica atrás, apenas e tão somente, de “Ben-Hur”.

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2.º) ‘Trilogia dos Dólares’ de Sergio Leone – Por um Punhado de Dólares (Per un Pugno di Dollari), 1964 // Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più), 1965 // Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo), 1966

A partir de 1964, os filmes de western jamais seriam os mesmos. Com sua ‘Trilogia dos Dólares’ o diretor Sergio Leone revoluciona o gênero e consagra os atores Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach e Gian Maria Volonté. Desde o primeiro filme, ‘o homem sem nome’ fica caracterizado como alguém que executa um jogo de manipulação entre lados opostos. Esse jogo, com o decorrer dos filmes, vai se tornando cada vez mais complexo, assim como mais complexo vai ficando o retrato das demais personagens. Ao invés da figura altiva e imponente do cowboy montado em um cavalo garboso, tornada costumeira pelo cinema americano, temos um homem taciturno, vestindo um deselegante poncho, fumando um charuto vagabundo e cavalgando uma mula. Foi o início a parceria entre Leone e Ennio Morricone e uma trilha sonora reconhecida e assoviada no mundo inteiro. Imperdíveis.

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3.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah

Um filme explosivo, forte e com um final que não nos choca nem nos decepciona, pois diante da desvantagem numérica do bando de Pike, sabemos que a vitória é improvável mas que darão tudo por suas vidas. Eles estão prestes a encenar uma das cenas de violência gráfica mais bem filmadas e finalizadas que um filme de faroeste já conheceu. Uma obra-prima de Sam Peckinpah, com uma linda trilha sonora de Jerry Fielding e uma impecável atuação de William Holden.

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4.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 –John Ford

Exuberante. É um daqueles filmes que deixa o espectador de queixo caído do começo ao fim por, dentre outros aspectos mais técnicos, sua beleza fotográfica. Não tem como não apreciar esse filme. Trata-se de uma saga, com visuais lindíssimos, quase inacreditáveis, filmados em locação em Monument Valley, no Arizona e Utah, locais que ficariam marcados como a paisagem típica do Oeste. Mais um show da dupla John Ford e John Wayne, que conta ainda com Natalie Wood, Jeffrey Hunter, Ward Bond e Hank Worden. Lindas paisagens e um roteiro sombrio e impecável fazem deste filme um marco na história do cinema. A trilha sonora fica por conta de Max Steiner.

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5.º) Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 – John Sturges

Com um roteiro simples e que não surpreende e um heroísmo até exagerado, como explicar que já vi e revi este filme inúmeras vezes? Bem, pode ser pela linda trilha sonora de Elmer Bernstein ou pela direção de John Sturges ou pelo elenco fantástico composto por Yul Brynner, Eli Wallach, Steve McQueen, Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn, Horst Buchholz e Brad Dexter. Na verdade, é a reunião de tudo isto aliado ao carisma dos personagens que o torna um filme magnífico, um clássico.

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6.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 – Fred Zinnemann

É um filme ímpar, emblemático, intenso, magistral. O filme é uma história forte de desespero e sentimento inexplicável de dever, uma crônica sobre a ação e a salvação de um homem vindas na última hora. É um símbolo de denúncia da covardia e apatia da sociedade ante o inesperado ou temendo pela própria vida, que deixa o xerife Will Kane só para enfrentar seu destino e quem sabe salvar a cidade. Com direção de Fred Zinnemann, linda canção de Dimitri Tiomkin e elenco formado por Gary Cooper, Grace Kelly, Katy Jurado, Lloyd Bridges, Lee Van Cleef e Jack Elam, este é um filme tenso que prende nossa atenção e nos angustia com o passar dos minutos até o meio-dia onde ocorre a ação e o duelo.

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7.º) Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), 1958 – William Wyler

Com um elenco formado por Gregory Peck, Jean Simmons, Carroll Baker, Charlton Heston, Burl Ives e Charles Bickford, este é o melhor filme de William Wyler. Além das belíssimas tomadas, o roteiro é perfeito e o personagem principal é de uma moral e ética jamais vistos, pois tem que se adaptar ao estilo de vida do Oeste sem perder sua personalidade. Não é um filme violento, mas, no momento preciso, faz vir à tona toda a fibra de James McKay, seja para enfrentar Steve Leech ou para romper com Patricia Terrill e conquistar de vez o amor de Julie Maragon. Bela trilha sonora de Jerome Moross.

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8.º Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 – Robert Aldrich

Na linha zapatista, igualmente retrata a batalha do povo mexicano contra as injustiças e a tirania do imperador Maximiliano. Com um elenco puxado por Gary Cooper e Burt Lancaster, vivendo personagens amorais, conta ainda com Ernest Borgnine, Cesar Romero, Sarita Montiel, Denise Darcel, George Macready, Charles Bronson e Jack Elam. Um excelente western do diretor Robert Aldrich.

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9.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks

Este filme expõe a fraqueza física, espiritual e moral do homem americano, de uma maneira até então ignorada, mas também mostra a fibra e determinação do personagem vivido por Dean Martin em superar o vício e as expectativas dos inimigos e dos próprios companheiros. Com direção de Howard Hawks e uma química perfeita entre o elenco: John Wayne, Dean Martin, Angie Dickinson, Walter Brennan e Rick Nelson, não tem como deixar de assisti-lo.

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10.º) O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio), 1968 – Sergio Corbucci

É um desafio assistir e não se arrepiar com a ambientação proposta pelo diretor Sergio Corbucci, sob a companhia da música-tema, parte da trilha inconfundível do mestre Ennio Morricone. “Il Grande Silenzio” é um filme totalmente antagônico, pois é ambientado nas montanhas geladas de Utah e o herói não representa um símbolo de uma sociedade e nem é imortal. Jean-Louis Trintignant e Klaus Kinski travam um duelo arrepiante. Nas vastas planícies gélidas, cobertas pela neve, trazendo uma nítida sensação de desolação e solidão, com um final bem realista e provocante, se desenrola a obra-prima do grande diretor Sergio Corbucci.

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Além do Top-Ten Ovídio Andrade elaborou uma lista complementar (runners-up) com outros westerns que considera não menos espetaculares:

Acima Steve McQueen
(Nevada Smith);
no centro Paul Newman
(Hombre); abaixo
Kevin Costner
(Silverado)
11.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens. Um filme leve mas com uma narrativa formidável e muito bem conduzida por George Stevens. Com Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin e Jack Palance. Imperdível!

12.º) Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 – King Vidor. Grande fazendeiro X ferrovia / irmão X irmão / triângulo amoroso, de King Vidor, trilha de Dimitri Tiomkin, com a linda Jennifer Jones e mais Joseph Cotten, Gregory Peck, Lionel Barrymore. Ingredientes que reunidos o tornam grandioso.

13.º) Josey Wales, o Fora-da-Lei (Outlaw Josey Wales), 1976. Clint Eastwood dirige, protagoniza e eterniza o personagem Josey Wales, um vingador implacável. Excelente western, melhor que “Os Imperdoáveis”, “O Estranho Sem Nome” “O Cavaleiro Solitário” e “A Marca da Forca”.

14.º) Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 – John Sturges. Burt Lancaster (Wyatt Earp) e Kirk Douglas (Doc Holliday) dão vida ao famoso duelo em Tombstone no OK Corral contra o bando dos Clanton. Atuações irrepreensíveis, tendo ainda Rhonda Fleming, John Ireland, Dennis Hopper e Lee Van Cleef. Direção de John Sturges e trilha sonora do grande Dimitri Tiomkin.

15.º) Dança com Lobos (Dances with Wolves), 1990 – Kevin Costner. Um épico. Reflexão: a destruição da cultura indígena pelo imperialismo americano ou o fortalecimento da mesma ao escancarar a verdade. A direção e o desempenho de Kevin Costner, cenografia, fotografia, roteiro e trilha de John Barry fazem deste filme uma obra-prima, que foi fundamental para impulsionar o gênero western em 1990.

16.º) Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid), 1969 – George Roy Hill. As trapalhadas e aventuras de duas lendas: Butch Cassidy (Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford) ao lado da linda Etta Place (Katharine Ross) levados pela melodia de Burt bacharach, o tornam inesquecível, tal qual a cena da bicicleta.

17.º) Nevada Smith (Nevada Smith), 1966 – Henry Hathaway. O melhor filme de Steve McQueen, linda trilha de Alfred Newman, com direção de Henry Hathaway. Tendo apenas uma pista (SS nos cavalos), sem saber atirar nem ler, Nevada Smith usa toda sua fibra e determinação para vingar seus pais. Excelente.

18.º) À Sombra de uma arma/À Sombra de um Revólver (All’Ombra di una Colt), 1965. Dirigido por Giovanni Grimaldi, com Stephen Forsyth, Anne Shermann e Conrado San Martin, tem uma abertura lindíssima, com trilha sonora de Nico Fidenco e um roteiro singular, emocionante e bem cadenciado.

19.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance), 1962. De John Ford, com John Wayne, James Stewart, Lee Marvin, Vera Miles e Lee Van Cleef. É a chegada da Lei, modernidade e do Estado. Um roteiro criativo, denso e usando de flashbacks. Imperdível. Um clássico!

20.º) ‘Trilogia Zapatista’ Entre tantos filmes nesta linha, escolhi homenagear Franco Nero: Os Violentos Vão para o Inferno (Il Mercenario), 1968 – Sergio Corbucci // Vamos a Matar... Companheiros (Vamos a Matar, Compañeros), 1970 – Sergio Corbucci // Uma Dupla de Mestres/Viva a Morte... Tua (Viva la Muerte... Tua!), 1971 – Duccio Tessari. É diversão pura, com muita ação e trilha sonora de Ennio Morricone, sem falar no grande elenco. Imperdíveis!

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Ovídio Andrade faz questão de lembrar, além dos clássicos acima mencionados, estes grandes westerns:

Assim Caminha a Humanidade (Giant), 1956 – George Stevens
No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1961 – Marlon Brando
Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1953 – Nicholas Ray
Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill), 1959 – John Sturges
A Marca da Forca (Hang ’Em High), 1968 – Ted Post
Os Profissionais (The Professionals), 1966 – Richard Brooks
Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford
Califórnia, Adeus (California), 1977 – Michele Lupo
‘Trilogia Sabata’: Sabata, o Justiceiro/O Último Grande Duelo (Il Grande Duello), 1972 – Giancarlo Santi // Sabata Adeus (Indio Black, Sai Che Te Dico: Sei un Gran Figlio di...), 1970 – Gianfranco Parolini // O Retorno de Sabata/Sabata Vem para Vingar (É Tornato Sabata...Hai Chiuso un’altra Volta!), 1971 – Gianfranco Parolini
Winchester 73 (Winchester ’73), 1950 – Anthony Mann
A Morte Anda a Cavalo (Da Uomo a Uomo), 1966 – Giulio Petroni
Rio Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks
Keoma (Keoma), 1976 – Enzo G. Castellari
Django (Django), 1966 – Sergio Corbucci
Silverado (Silverado), 1985 – Lawrence Kasdan
Os Imperdoáveis (Unforgive), 1992 – Clint Eastwood
O Estranho Sem Nome (High Plains Drifter), 1973 – Clint Eastwood
O Cavaleiro Solitário (Pale Rider), 1985 – Clint Eastwood
O Retorno de Ringo/Ringo Não Discute... Mata (Il Ritorno di Ringo), 1965 – Duccio Tessari
Jovens Demais para Morrer (Young Guns II), 1990 – Geoff Murphy
Hombre (Hombre), 1967 – Martin Ritt
Bravura Indômita (True Grit), 1969 – Henry Hathaway

Mais Forte que a Vingança (Jeremiah Johnson), 1972 – Sidney Pollack

Ovídio e alguns de seus livros com histórias de faroeste.