UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

9 de novembro de 2014

REVANCHE SELVAGEM (THE SCALPHUNTERS), BURT LANCASTER EM DIVERTIDO WESTERN


Burt Lancaster em "Vera Cruz", sozinho
e com Henry Brandon e Gary Cooper.
Para muitos Burt Lancaster foi o mais completo ator do cinema. Excepcional em incontáveis dramas inesquecíveis e incomparável nas muitas aventuras antológicas, Lancaster não conseguia fazer o público rir com muita facilidade mesmo quando o roteiro pedia por isso. A graça do Capitão Vallo (“O Pirata Sangrento”), de Dardo (“O Gavião e a Flecha”) ou de Joe Erin (“Vera Cruz”) eram mais resultado das façanhas acrobáticas ou do cinismo e atrevimento de Lancaster que de seu dom para a comédia. Em 1965 o ator tentou esse gênero em “Nas Trilhas da Aventura” (The Hallelujah Trail) mas filme e ator não tiveram muita graça. Após o excelente “Os Profissionais” (The Professionals) em 1966, dois anos depois Lancaster voltou a tentar a comédia em outro western, “Revanche Selvagem” (The Scalphunters). Burt ficou animado com o roteiro criado por William W. Norton que não só lhe dava nova oportunidade para se mostrar divertido como tocava na questão dos direitos civis pelos quais Lancaster sempre lutou. Talvez Burt quisesse aliviar a carga de Sidney Poitier que mostrava ao mundo que o negro na América podia triunfar, pelo menos no cinema, em filmes de sucesso como “No Calor da Noite” e “Adivinhe Quem Vem para Jantar”. Sem esquecer de “Ao Mestre com Carinho”, passado em Londres.


Ossie Davis
As peles de Joe Bass - Em “Revanche Selvagem” (The Scalphunters), o caçador Joe Bass (Burt Lancaster) tem suas peles roubadas pelos índios Kiowas que como compensação lhe deixam o escravo negro Joseph Lee (Ossie Davis). Lee sabe ler e para sua condição de escravo é quase um erudito. Jim Howie (Telly Savalas) é chefe de um bando que ruma para o México para fugir da justiça que os procura. No caminho atacam os Kiowas que estão bêbados, matam boa parte deles e se apossam das peles roubadas. Joe Bass juntamente com Joseph Lee persegue os bandidos com as peles e tenta recuperá-las das mãos de Howie, sem conseguir e ainda vê Lee se agregar ao bando chefiado pelo líder calvo. A intenção do escravo negro é chegar ao México e lá privar de liberdade. Após inúmeras tentativas de recuperar as peles, Howie se defronta com Bass mas acaba morto por Joseph Lee. O caçador e o negro resolvem suas diferenças numa luta a socos enquanto os Kiowas mais uma vez se apoderam das peles. Bass e Lee partem juntos para um futuro incerto, quem sabe reencontrando os Kiowas e as peles em outro dia e lugar.

Lancaster como caçador; abaixo,
enlameados Burt e Ossie Davis.
Brancos, negros e vermelhos - Para que se tenha uma ideia da efervescência política nos Estados Unidos em 1968, basta lembrar dos protestos contra a Guerra do Vietnã e das mortes de Martin Luther King e Robert Kennedy. Em seu terceiro filme, justamente em 1968, o diretor Sidney Pollack dá sua contribuição antissegregacionista com “Revanche Selvagem” que é uma espécie de “Acorrentados” (The Defiant Ones) em tom de comédia. Ao invés da corrente que unia o branco (Tony Curtis) ao negro (Sidney Poitier) nesse filme de 1958, o que liga Joseph Lee a Joe Bass é uma sucessão de situações nada dramáticas e sim engraçadas. Lee é um estorvo para Bass, mais ainda com a surpreendente cultura e inteligência do negro, a quem Bass chama cm desdém de ‘Julio César’. Joe Bass sabe tudo que é necessário para sobreviver, caçar e enfrentar foras-da-lei e índios, perigos maiores para um solitário caçador como ele. E Bass não entende e não aceita que um escravo que vivia com os Comanches seja intelectualmente superior a ele. As diferenças entre os dois aumentam à medida que não conseguem se afastar um do outro. A violenta luta física entre ambos se desenvolve numa arena de lama e finda a briga, o negro e o branco enlameados parecem iguais. Irreconhecíveis, ali deixados após enfrentar Jim Howie e seus bandidos brancos de diversas etnias e se defrontar ainda com os pele-vermelhas. A alusão ao Vietnã e mais ainda à América é óbvia demais com um final que promete a aceitação e a luta conjunta pela igualdade racial.

Telly Savalas e Shelley Winters;
Savalas, bandido de ceroulas...
Escravo erudito - Western com Burt Lancaster é invariavelmente sinônimo de filme de ação de alta qualidade e isso não falta em “Revanche Selvagem”. Aos 55 anos de idade Lancaster esbanjava vitalidade, saltando, montando e trocando socos, centralizando quase todas as sequências movimentadas. Mas este faroeste de Sidney Pollack pretendeu muito mais que ser um mero filme de ação. Envereda em sua maior parte para a comédia e os destaques passam a ser Ossie Davis principalmente, secundado por Telly Savalas e Shelley Winters. Com que graça o escravo Joseph Lee (Ossie Davis) dá lições de História, Filosofia, Sociologia e até Astrologia. Acovarda-se quando isso lhe interessa e conquista com sua melíflua conversa a confiança da fútil Kate (Shelley Winters), ex-saloon-girl que o que mais almeja na vida é um lar com “uma toalha de mesa de linho branco”. O vilão da história, Telly Savalas, passa a maior parte do filme vestido com ceroulas cor-de-rosa e com sua reluzente careca faz Kid Sheleen (“Cat Ballou”) parecer um personagem ‘normal’. A dupla Telly Savalas-Shelley Winters se completa esplendidamente entre os tapas e beijos que trocam quando Savalas não está maltratando Ossie Davis ou enfrentando a esperteza de Joe Bass (Lancaster). Ao final, invertendo tudo que já se viu num western, a solitária Kate se rende à beleza física de Two Crows, o chefe Kiowa, dizendo a ele: “Índio, sei lá quantas esposas você tem, mas agora você vai possuir a mais assanhada squaw branca de toda a nação Kiowa!”

A erudição do escravo.

Shelley Winters e o índio bonitão.

Burt Lancaster e Ossie Davis.
Comédia dá lugar ao drama - Quando “Revanche Selvagem” tenta ser mais sério conflita com a comédia e perde muito do ritmo agradável até então desenvolvido. Joe Bass passa a destilar seu preconceito reduzindo moralmente Joseph Lee: “Uísque é para homens. Você não é um homem. Você é um escravo”.  Durante a luta Bass é subjugado momentaneamente pela força e golpes do negro que diz: “Agora você percebe a superioridade da raça branca”. A interminável briga se transforma num pastelão de lama e a ideia da não distinção do branco e do negro após se defrontarem resvala na pieguice. E o espectador é surpreendido com as muitas reviravoltas com as peles trocando de mãos a todo momento. “Mash”, o célebre ‘filme de guerra’ de Robert Altman não tem momentos dramáticos, só comédia, mostrando que soldados, mesmo em plena guerra, podem ser humanos e divertidos. E “Mash” é até hoje um dos maiores libelos contra a inutilidade das guerras. Faltou a Sidney Pollack dar seu recado politicamente correto com o mesmo humor que contrapôs o negro Joseph Lee aos brancos e índios na maior parte de “Revanche Selvagem”.

Shelley Winters e Dan Vadis.
Ossie e Shelley, os destaques - Burt Lancaster lidera o elenco mas a atração maior do filme é disparado Ossie Davis, quatro anos mais novo que Lancaster. A longa carreira desse ator negro teria seu ponto alto quando literalmente ‘engoliu’ comediantes talentosos como Walter Matthau e Jack Lemmon em “Dois Velhos Rabugentos” e depois em “Rabugentos e Mentirosos”. No cinema desde 1950, Ossie já havia chamado bastante a atenção em filmes como “Faça a Coisa Certa”, o explosivo filme que deu fama a Spike Lee. Telly Savalas que já havia trabalhado duas vezes antes com Burt Lancaster (em 1961 em “Juventude Selvagem” e em 1962 em “O Homem de Alcatraz”) pode ser igualmente violento e engraçado, mais ainda ao lado de uma provocante Shelley Winters. “Revanche Selvagem” marcou o reencontro de Lancaster com Shelley, eles que contracenaram também em “Juventude Selvagem”. Os dois tiveram um tórrido caso de amor em 1950 e apaixonado por uma então magra Shelley Winters, faltou pouco para Lancaster abandonar a esposa Norma. Shelley era perfeita quando tinha que interpretar uma adorável prostituta como a Kate deste western. Completam o elenco o companheiro de Lancaster nos tempos das vacas magras pelas ruas de Nova York, Nick Cravat; Paul Picerni (da série de TV “Os Intocáveis”); Chuck Roberson, como ator e stuntman; Dabney Coleman como bandido e Armando Silvestre como o chefe Kiowa Two Crows. O grandalhão Dan Vadis, que é um dos facínoras liderados por Telly Savalas, fez inúmeros filmes do gênero ‘espada-e-sandália’ na Itália e depois alguns westerns-spaghetti. Seus últimos trabalhos no cinema foram como membro da ‘Clint Eastwood Stock Company’, antes de falecer. Curiosamente Dan Vadis morreu, vítima de uma overdose de heroína, na cidade de Lancaster, na Califórnia.

O diretor Sidney Pollack com o
produtor Burt Lancaster.
Lancaster, um ator de faroestes - Oficialmente Burt Lancaster dirigiu apenas dois filmes em sua carreira, mas infernizou a vida de muitos diretores, tantas eram suas intromissões durante as filmagens. Mais ainda quando ele era um dos produtores como em “Revanche Selvagem” dirigido pelo ainda inexperiente Sidney Pollack. O diretor, no entanto, nunca reclamou de Lancaster, de quem se tornou amigo e a quem dirigiria em outros dois filmes. Quatro anos mais tarde Pollack filmaria o western “Mais Forte que a Vingança” (Jeremiah Johnnson), um dos muitos filmes de enorme sucesso de Pollack em parceria com Robert Redford. Boa, como não poderia deixar de ser, a trilha sonora musical de Elmer Bernstein, mesmo que distante de seus mais inspirados trabalhos para faroestes, aqui emoldurando os cenários naturais de Durango, no México, onde o filme foi quase inteiramente rodado. Terceiro western de Burt Lancaster em sequência, o grande ator atuaria em outros três faroestes em 1971/72, os excelentes “Mato em Nome da Lei” (Lawman), “Quando os Bravos se Encontram” (Valdez is Coming) e “A Vingança de Ulzana” (Ulzana’s Raid). Essa série, somada aos faroestes clássicos de Lancaster nos anos 50 fazem dele um dos grandes atores do gênero.


Telly Savalas, Chuck Roberson, Dabney Coleman e Nick Cravat.

Savalas antes de ser 'Kojak'; Telly com Shelley.

Nick Cravat e Burt Lancaster: amigos por mais de 60 anos.

O jovem Burt Lancaster no tempo em que foi enfeitiçado por Shelley Winters.

5 de novembro de 2014

“BONANZA” 2.ª TEMPORADA (1960/1961) - OS CONVIDADOS ESPECIAIS


Depois do início claudicante na primeira temporada (1959/1960), já na temporada seguinte a série “Bonanza” melhorou bastante a sua posição no Nielsen Ratings, instituto que media a audiência da televisão norte-americana. Em 1960/61 “Bonanza” era o 17.º programa mais visto nos Estados Unidos e para isso muito contribuiu a presença dos atores convidados. Entre aqueles que são lembrados como os maiores vilões de Hollywood, diversos deles participaram da segunda temporada de “Bonanza”: Dan Duryea, Jack Elam, Lee Van Cleef, Claude Akins, Jack Lambert, Neville Brand e Robert J. Wilke, numa impressionante ‘turma da pesada’ de mal-intencionados. Sem falar em John McIntire que quando queria era mau como poucos. E nada menos que três atores viriam a receber o prêmio Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, anos depois de participarem de “Bonanza”. Foram eles James Coburn, Martin Landau e George Kennedy. Robert Altman dirigiu nada menos que seis episódios na segunda temporada de “Bonanza”, acrescentando qualidade artística ao programa. Esta é a segunda postagem que mostra os ‘Special Guest Stars’ (convidados especiais) da série criada por David Dortort para a NBC.



Bandidões: Jack Elam - Lee Van Cleef - Dan Duryea - Neville Brand
Robert J. Wilke - Jack Lambert - Claude Akins - John McIntire

Vencedores do Oscar: James Coburn - George Kennedy - Martin Landau



SPECIAL GUEST STARS



Ben Cooper – Aos 20 anos atuou em “Johnny Guitar” e teve outra boa oportunidade em “A Rosa Tatuada”. Depois sua carreira se resumiu a pequenos faroestes e televisão.

Jack Lambert – Sua cara de mau abriu as portas para interpretar bandidos, o que invariavelmente fez pelo resto da carreira. Participou de “Vera Cruz” e outros grandes filmes.

* * * * *


Henry Hull – No cinema desde 1917, este franzino ator interpretou um tipo marcante em “Jesse James” (1939), repetindo o personagem em “A Volta de Frank James”.

Peter Whitney – Grandalhão, esteve ótimo em “Fibra de Herói” (Buchanan Rides Alone). Sua luta contra Anthony Quinn em “Blefando a Morte” (Man from Del Rio) é antológica.

* * * * *


Dan Duryea – Um dos maiores vilões do cinema. Grande influência em muitos outros homens maus como Lee Marvin. Perfeito em “Homens Indomáveis” (Silver Lode).

Larry Gates – Ator com larga experiência teatral, especializou-se no cinema interpretando médicos, juízes e cidadãos respeitáveis. Foi visto em “A Hora da Pistola” (Hour of the Gun).
* * * * *


Claude Akins – Muitos westerns com participação deste ator, mas nenhum melhor que “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo). Como ‘Joe Burdette’ deu trabalho a John Wayne e Cia.

Dianne Foster – Em 1955 atuou em “Homem Até o Fim” (The Kentuckian) e em “Um Pecado em Cada Alma” (The Violent Men). Depois essa canadense atuou mais na televisão.

* * * * *


Franchot Tone – “Lanceiros da Índia”, “O Grande Motim” e “Cinco Covas no Egito” foram filmes de sucesso deste ator quando jovem. Foi marido de Joan Crawford de 1935 a 1939.

John Ericson – Alemão de nascimento, é lembrado por ter atuado em “Conspiração do Silêncio”, “Dragões da Violência” (Forty Guns) e por ter posado nu para a revista “Playgirl”.

* * * * *


Ricardo Montalban – Latin Lover mexicano que fez sucesso nos anos 40 nos musicais da MGM. Maduro mas charmoso interpretou ‘Mr. Roarke’ na série de TV “A Ilha da Fantasia”.

Anthony Caruso – Índios, árabes, latinos e mafiosos, ator perfeito para tipos étnicos. Quando jovem estudou Arte Dramática com Alan Ladd com quem teve amizade duradoura.

* * * * *


Gerald Mohr – Fãs de seriados sabem que era dele a voz do ‘Scorpion’ em “O Homem de Aço” (Adventures of Captain Marvel). Narrador da série de TV “The Lone Ranger”.

Barbara Lawrence – Nascida em Oklahoma, atuou no musical “Oklahoma” e em vários westerns, entre eles “A Soldo do Diabo” (Man in the Shadow), faroeste com Orson Welles.

* * * * *


Neville Brand – Neville foi o segundo soldado norte-americano mais condecorado na II Guerra Mundial, atrás apenas de Audie Murphy. Homem mau de westerns e policiais.

Julie Adams – A inesquecível ‘Kay’ de maiô branco de “O Monstro da Lagoa Negra”. Atuou em muitos westerns nos anos 50, entre eles “E o Sangue Semeou a Terra” (Bend of the River).

* * * * *


Edgar Buchanan – Um dos melhores atores característicos de Hollywood. Na TV foi o lendário Juiz Roy Bean na série “Judge Roy Bean”. Grande amigo de Glenn Ford.

Richard Davalos – O irmão certinho de James Dean em “Vidas Amargas” parecia que iria fazer boa carreira no cinema, o que acabou não acontecendo, atuando mais na televisão.

Robert J. Wilke – Um dos bandidos de “Matar ou Morrer” (High Noon) esse vilão perdeu o duelo faca X revólver em “Sete Homens e Um Destino” (The Magnificent Seven).

James Westerfield – Interpretava igualmente bem tipos confiáveis e vilões. Foi ‘Big Mac’, um dos chefetes das docas em “Sindicato de Ladrões”.

* * * * *


Albert Salmi – Conhecido dos westerns e tido como homem tranquilo e afável, a depressão levou o novaiorquino Salmi a um duplo suicídio com a esposa aos 62 anos em 1990.

Stella Stevens – Bela e sensual atriz que não se livrou da imagem de loura burra imitadora de Marilyn, mesmo mostrando-se capaz de ótimos desempenhos como comediante. 

* * * * *


Jan Sterling – Cada desempenho comprovava seu talento como atriz dramática como em “A Montanha dos Sete abutres” e já veterana no excepcional e nunca relançado “O Incidente”.

Lee Van Cleef – Quem imaginaria que este feioso ator coadjuvante de Hollywood viria a se tornar um famoso astro dos faroestes a partir de seus desempenhos dirigido por Sergio Leone.

* * * * *


John McIntire – Qualquer filme com sua presença tinha o handicap de boa interpretação de McIntire. Substituiu Ward Bond na série “Caravana” quando da morte de Bond em 1960.

Adam West – Bom ator que ficou marcado pelo personagem que o faria famoso para sempre: Bruce Wayne, o Batman. A série durou apenas dois anos mas é eterna para os fãs.

* * * * *


Jack Elam – De indefectível vilão nos primeiros 20 anos de carreira, o ator vesgo (teve o olho ferido quando criança) passou para papéis simpáticos. Elam teve três presenças em “Bonanza”.

James Best – Por sete anos Best divertiu os espectadores como o atrapalhado Sheriff Roscoe P. Coltrane na série “The Dukes of Hazzard” (Os Gatões). Antes Best atuou em muitos faroestes.

Veda Ann Borg – Marcante sua interpretação como a cega no épico de John Wayne “O Álamo” (The Alamo). Filha de imigrantes suecos, foi casada com o diretor Andrew V. McLaglen.

Frank Silvera – Jamaicano de nascimento, Silvera é lembrado como ‘Don Sebastian Montoya’, o fazendeiro mexicano da série de TV. “Chaparral”. Faleceu aos 55 anos em 1970.

* * * * *


Beverly Tyler – Bonita atriz que foi a heroína em faroestes estrelados por Audie Murphy, George Montgomery, Jeff Chandler. Casou-se e retirou-se do cinema em 1962, aos 34 anos.

Leif Erickson – Suas feições nórdicas e marcantes não passavam despercebidas nos filmes. Foi o patriarca ‘Big John Cannon’ da série “Chaparral” (The High Chaparral).

* * * * *


James Coburn – Foram três as participações em “Bonanza” deste magnífico ator de voz grave. Astro famoso, filmou com Sam Peckinpah e Sergio Leone e ganhou até um Oscar.

Robert Lansing – Ator predestinado a atuar em séries de sci-fi, tantas foram as série de que participou. Mas Robert Lansing também interpretava convincentemente oficiais do Exército.

* * * * *


Jim Davis – Com 1,90m de altura era difícil não notar sua presença em tantos filmes e séries westerns que ele participou. Seu final de carreira se deu na bem sucedida série “Dallas”.

Martin Landau – Seu primeiro grande sucesso foi nos primeiros anos da série “Missão Impossível”. Ator renomado ganhou um Oscar em 1995 como ‘Bela Lugosi’ em “Ed Wood”.

* * * * *


Peggy Ann Garner – Atriz infantil em sucessos como “Jane Eyre”, “As Chaves do Reino” e “Laços Humanos”. Cresceu e a carreira acabou. Foi casada com Albert Salmi. Faleceu aos 52 anos.

George Kennedy – Teve cômica participação em “Bonanza”, mas no cinema especializou-se em tipos sádicos, ganhando um Oscar por “Rebeldia Indomável”, em 1967.

* * * * *


Morgan Woodward – Em sua longa carreira atuou predominantemente em faroestes. Só na série “Bonanza” Woodward apareceu em oito episódios entre 1960 e 1971.

Sidney Blackmer – Formou com Ruth Gordon o casal de amigos da grávida em “O Bebê de Rosemary”. Antes havia sido Theodore Roosevelt em “Buffalo Bill” (com Joel McCrea).

* * * * *


Geraldine Brooks – Começou cedo no cinema tendo tido um rumoroso caso de amor com Glenn Ford. Trocou Hollywood pela Broadway e faleceu aos 51 anos.

Torin Thatcher – Indiano de nascimento, ex-professor e ator de teatro em Londres. Desafiou Burt Lancaster em "O Pirata Sangrento".

                                                                             * * * * *



Claude Akins – Terceira participação de Claude Akins em “Bonanza”. Como o xerife ‘Elroy P. Lobo’ fez tanto sucesso em outra série que acabou ganhando série própria, “Xerife Lobo”.

Edgar Buchanan – Ex-dentista, a Odontologia o perdeu para o cinema que ganhou um característico perfeito. Foi o ‘Uncle Joe Carson’ na série de TV “Petticoat Junction”.

* * * * *



Stella Stevens em "The Silent Thunder", o mais belo rosto da segunda
temporada de "Bonanza" e quiçá de todas as 14 temporadas.

Cinemaníacos ficavam felizes ao ver em "Bonanza" rostos conhecidos
como os de Hank Worden, Shug Fischer, Vaughn Taylor e Will Wright.

1 de novembro de 2014

ESTANTE DE FAROESTE – “THE WESTERN”, UMA IMPRESCINDÍVEL ENCICLOPÉDIA


Todo cinéfilo gosta de livros sobre a 7.ª Arte e boa parte da literatura editada sobre cinema é dedicada ao Western, inclusive com ótimas enciclopédias. Entre estas merecem ser lembradas a pioneira “Shoot-Em-Ups” (Buck Rainey-Les Adams), “Western Movies” (Michael R. Pitts), “The Encyclopedia of Westerns” (Herb Fagen) e a melhor de todas que é “The Western”, de autoria de Phil Hardy. Todos esses títulos citados são chamados em Inglês de ‘reference guides’, ou seja, guias de referência para quem busca informações sobre os faroestes produzidos para o cinema. Incluem também aqueles filmes que feitos para a televisão alcançam sucesso de crítica e público sendo lançados em DVD. Foi desconsiderado desta lista o excepcional “The BFI Companion to the Western”, organizado por Edward Buscombe por não se enquadrar como guia de referência.

Phil Hardy e sua enciclopédia sobre faroestes.

Enciclopédias westerns - Considerado por muito tempo ‘A Bíblia do Faroeste’, o livro de Buck Rainey e Les Adams é rico nas fichas técnicas e nas análises dos períodos em os autores dividiram o gênero western. No entanto “Shoot-Em-Ups” não se detém sobre cada filme especificamente. “Western Movies” é abrangente nos mais de 5.000 verbetes que apresenta mas é excessivamente econômico nos comentários, alguns com 20 palavras, como é o caso do comentário  feito para “O Álamo” (The Alamo). “The Encyclopedia of Westerns” tem comentários mais longos para os filmes mais importantes, mas usa parágrafos inteiros copiados de outros autores, o que compromete a obra. “The Western”, de Phil Hardy é um imprescindível livro de referência por seu conteúdo, seja pela quantidade de filmes analisados, seja pela qualidade das referidas análises.

Três livros guias de referência aos westerns; o quarto (à direita),
não é um verdadeiro guia.

Crítico sensível e arguto - Hardy delimita “The Western” a partir do início do cinema falado, no ano de 1929, apresentando, ano a ano, mais de duas mil fichas técnicas nas quais constam título original, estúdio distribuidor, metragem em minutos, diretor, produtor, roteirista, diretor de fotografia e principais nomes do elenco, quase sempre limitado a seis intérpretes. Mas o melhor mesmo desse livro são as resenhas sucintas e objetivas mas nem por isso menos interessantes. Escritas com estilo direto, sem floreios e com o máximo de informações que dão ao leitor uma excelente noção do que é o filme, os textos são em sua maior parte muito mais que simples sinopses. Obras mais importantes, as chamadas ‘landmarks’ (marcos cinematográficos) ganham espaço maior nas páginas de “The Western” e são nessas resenhas que se percebe o crítico sensível, polido e arguto e jamais preconceituoso que é Phil Hardy.

Acima e abaixo páginas da enciclopédia de Phil Hardy.


Leitura didática e agradável - Uma enciclopédia desse porte é trabalho de pesquisa que consome anos para não dizer uma vida inteira. E é necessário que o autor seja de fato fã de westerns para assistir a tantos filmes rotineiros como eram as séries dos pequenos estúdios produzidas nos anos 30 e 40 e analisadas por Phil Hardy. Abalizadíssimo em seus conceitos sobre cada faroeste, Hardy faz com que a leitura de “The Western” seja didática e ao mesmo tempo agradável. Raros são os casos em que suas sinopses ou análises mais elaboradas possam gerar controvérsias entre os leitores pois Hardy não é contundente mesmo quando não aprecia um filme. Críticos não precisam, necessariamente, chocar com suas opiniões e sob essa linha são escritos os textos do autor inglês. Sim, Phil Hardy é inglês.

Conteúdo de "The Western" com seus muitos tópicos,

Fotos em cores de "The Western" que aparecem em 16 páginas.

Os cowboys de sucesso – Com duas ou três fotos em preto e branco em cada página, “The Western” traz 16 páginas em cores com imagens excelentes de faroestes de várias épocas. A edição de 1991 de “The Western” traz uma série de apêndices nas páginas finais que fazem a alegria dos westernmaníacos. Lá estão listas com os cem faroestes que melhor bilheteria tiveram no cinema, uma com valores brutos e outra com valores corrigidos. Outro apêndice traz, ano a ano, de 1936 a 1954, as listas dos dez ‘Biggest Money-Making Western Stars’, resultados das enquetes feitas com os espectadores que compravam ingressos para as Saturday Afternoon, as famosas matinês. Os westerns premiados com o Oscar, em diversas categorias e os livros que resultaram em westerns famosos são outros complementos. Uma extensa lista de mais de dois mil westerns produzidos pós-1929 e não resenhados em “The Western” é um apêndice muito útil, uma vez que traz o título original do filme, ano de produção, duração, diretor e atores principais.

Top-Ten western de Phil Hardy - Um dos apêndices mais interessantes é o que traz nada menos que 17 listas com os Top-Ten Westerns de diversos autores e críticos. A lista de Phil Hardy tem os seguintes filmes, por ordem de ano de lançamento:

"Legião Invencível" (She Wore a Yellow Ribbon), 1949 - John Ford
"O Sangue Semeou a Terra" (Bend of the River), 1952 - Anthony Mann
“O Diabo Feito Mulher” (Rancho Notorius), 1952 – Fritz Lang
"Johnny Guitar", 1954 - Nicholas Ray
"Rastros de Ódio" (The Searchers ", 1956 - John Ford
“Dragões da Violência” (Forty Guns), 1957 – Samuel Fuller
"Quando o Ódio Volta" (Fury at Showdown), 1957 - Gerd Oswald
"Cavalgada  Trágica "(Comanche Station), 1960 - Budd Boetticher
"Pistoleiros Fazer Entardecer" (Ride the High Country), 1962 - Sam Peckinpah
"Disparo Para Matar" (The Shooting) / "A Vingança de um Pistoleiro" (Ride the Whirlwind), 1966 - Monte Hellman

Pôster de "Quando o Ódio Volta" (Fury at Showdown),
um dos westerns preferidos de Phil Hardy.

Obra extensa - A Inglaterra talvez tenha produzido o grupo de autores não norte-americanos mais importantes para o Western. Christhopher Frayling, Edward Buscombe, Alex Cox e Phil Hardy são alguns deles. Philipe George Hardy nasceu em Scaraborough, Inglaterra, em 1945 e foi crítico de publicações como ‘Time Out’ e ‘Variety’, passando mais tarde a editor-chefe da Aurum Film Enciclopedia. E por essa editora Hardy lançou enciclopédias sobre os gêneros Horror, Ficção-Científica, Gangster e Western, respectivamente com os títulos “The Overlook Film Encyclopedia – Horror”, “The Overlook Film Encyclopedia – The Gangster Film”, “The Overlook Film Encyclopedia – Science Fiction” e “The Overlook Film Encyclopedia – The Western”, esta última objeto desta postagem. Lançado em 1983, a enciclopédia de Phil Hardy sobre o Western recebeu o prêmio de melhor livro do ano de 1984 escolhido pela British Film Institute (BFI). Em 1991 foi lançada nova edição desse livro, seguida de outra em 1995. Mesmo com o monumental trabalho com essas enciclopédias, Phil Hardy encontrava tempo para escrever outros livros.

Enciclopédias escritas por Phil Hardy.

Rock e dieta - Sobre cinema são ainda de autoria de Phil Hardy livros focalizando os diretores Samuel Fuller e Raoul Walsh e “The BFI Companion to Crime”. Phil Hardy escreveu bastante também sobre música, mais especificamente sobre Rock. Entre esses livros estão “Encyclopedia of Rock”, “Dire Straits: A Territorial Survey of the Music Business”, “Music, Publishing and It’s Administration in the Modern Age”, “The Da Capo Companion to the 20th Century Music”, “The Faber Companion to Twentieth-Century Popular Music” e “Download: How the Digital Destroyed the Record Business”. De suas viagens ao Sudão e à Etiópia resultaram os livros “Food, Trucks and Rock’n’Roll”. Mas talvez o mais curioso entre os livros escritos por Phil Hardy tenha sido “Flexible Diet Essentials – How Eating Dirty Can Make you Lean”, qualquer coisa como ‘As essenciais dietas flexíveis ou como comer mal pode deixar você bem’. Phil Hardy faleceu no dia 8 de abril de 2014, aos 69 anos, deixando uma belíssima obra especialmente para os fãs da 7.ª Arte e mais especialmente ainda para os westernmaníacos. Sua enciclopédia “The Western” merece lugar de honra em qualquer biblioteca.

Phil Hardy e alguns de seus livros.