UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

11 de maio de 2016

O ÚLTIMO TIRO (FIRECREEK) – ENCONTRO DE JAMES STEWART COM HENRY FONDA


Henry Fonda e James Stewart,
grandes amigos antes da fama.
É bastante conhecido o episódio das vidas de Henry Fonda e James Stewart quando, nos tempos difíceis antes do início de carreira, dividiram um quarto tornando-se desde então grandes amigos. Jimmy e Fonda estrearam praticamente ao mesmo tempo no cinema e depois de mais de 30 anos de carreiras só vieram a se encontrar num filme em 1968 (não se considere “No Nosso Alegre Caminho”, de 1948, em que ambos atuam em sequências diferentes, sem contracenar um com o outro). Verdadeiras lendas de Hollywood, era de se esperar que a reunião de ambos resultasse num grande filme, ainda mais porque se tratava de um western, gênero em que ambos brilharam intensamente. O faroeste que juntou os dois amigos na tela foi “O Último Tiro” (Firecreek), com história de Calvin Clements, inicialmente projeto para um telefilme, mas que a Warner Bros. percebeu que a história tinha bom potencial para uma produção de primeira linha. Foram contratados os dois veteranos astros e a direção deveria ficar a cargo de Andrew V. McLaglen que se viu obrigado a recusar em razão de outro compromisso. O estúdio decidiu arriscar entregando a direção a Vincent McEveety, diretor com experiência restrita à televisão. “O Último Tiro” não foi bem recebido pelo público e muitos críticos, ao comentar o filme, jocosamente o chamaram de ‘Matar ou Morrer geriátrico’. De fato a história de Calvin Clements é um roteiro com muitos pontos em comum com o grande western de Fred Zinnemann.


Acima o quinteto de pistoleiros liderado
por Henry Fonda; abaixo o duelo entre
Henry Fonda e James Stewart.
Luta desigual - Larkin (Henry Fonda) lidera um bando de pistoleiros que aluga suas armas a criadores de gado. Larkin levou um tiro e precisa de cuidados pois está sangrando bastante e decide descansar na pequena Firecreek, cidade que parece ter parado no tempo. Firecreek não possui xerife e informalmente foi eleito para a função o rancheiro Johnny Cobb (James Stewart), recebendo por esse trabalho dois dólares por mês. Enquanto Larkin se recupera hospedado no hotel dirigido por Evellyn Pittman (Inger Stevens), seus comparsas Earl (Gary Lockwood), Morgan (Jack Elam), Drew (James Best) e Willard (Morgan Woodward) aterrorizam o lugarejo. Drew tenta estuprar a índia Meli (Barbara Luna) e é morto pelo jovem Arthur (Robert Porter) que em seguida é enforcado pelos pistoleiros de Larkin. Johnny Cobb é obrigado a deixar sua esposa que está em trabalho de parto sob os cuidados da vizinha Dulcie (Louise Lathan) para enfrentar os quatro homens restantes numa luta desigual. Cobb sabe que não pode contar com nenhuma ajuda dos acovardados habitantes de Firecreek e mesmo assim consegue superar três dos pistoleiros, restando apenas Larkin. Este alveja Cobb por duas vezes e quando está prestes a matá-lo, é morto por um tiro de fuzil disparado por Evellyn, mulher por quem se interessara.

Acima Louise Latham;
abaixo Barbara Luna e James Stewart.
Relação dúbia - Não errou a Warner Bros. ao apostar que “O Último Tiro” poderia ser bem sucedido, mas foi um equívoco não insistir em um diretor mais talentoso para realizar o filme. Comparado a “Matar ou Morrer”, que inegavelmente serviu de inspiração, este western com Fonda e Stewart tem enredo com mais situações paralelas, subtramas que tornam bastante interessante. Faltou, no entanto, melhor ritmo uma vez que a narrativa é por várias vezes interrompida para dar espaço a discursos desnecessários, como o do senhor Whittier (Dean Jagger), também ele um personagem dispensável. Ressente-se o filme de um melhor desenvolvimento justamente nas relações psicológicas explorando mais profundamente alguns personagens. A ambígua relação de Johnny Cobb com a índia Meli merecia mais espaço, assim como a senhora Dulcie, irônico nome para uma mulher amarga que vê em cada homem um fardo que elas mulheres devem carregar. Dulcie e demais habitantes de Firecreek acreditam que o correto Johnny Cobb mantenha um romance com Meli e seja o pai do menino louro, filho da índia que vive só. O expectador é também levado a pensar assim e o próprio desmentido de Cobb não é suficiente para desfazer a ilação. Até mais que o previsível desfecho final com o enfretamento dos pistoleiros, a incerteza da relação entre Cobb e Meli é o ponto intrigante da trama.

Henry Fonda e Inger Stevens;
abaixo Brooke Bundy.
Um distintivo de lata amassada - Poucos westerns como “O Último Tiro” contam com a presença de tantos personagens femininos relevantes pois, além das citadas Meli e Dulcie, há ainda a esposa grávida de Cobb (Jacqueline Scott), a triste e áspera Evellyn e a buliçosa Leah (Brooke Bundy). Evellyn, mesmo com sua repressada sexualidade, desperta em Larkin o desejo de mudar de vida, levando-a para distante do semicemitério que é Firecreek, onde a amargurada e solitária madura senhorita mais se enterra a cada dia. Quanto à atrevida Leah, é uma figura rara nos westerns que quase sempre mostram adolescentes assexuados. O ingênuo mas observador Arthur é quem cita que “tudo nesta cidade acontece à noite” e Earl deixa claro que prefere “o que está dentro do vestido” que Leah exibe para ele, exatamente à noite. Johnny Cobb é um Will Kane (o delegado de “Matar ou Morrer”) sem distintivo, ou melhor, com uma estrela de lata cortada por seu filho com a inscrição incorreta ‘Sheraf’. As razões levam Cobb a lutar de forma suicida contra Larkin e seus homens é a mesma que motivou Kane no clássico de 1952 a desistir de ficar ao lado da esposa, ou seja, a voz de sua consciência e sua integridade. Como virar as costas e se esconder diante da brutalidade de homens que humilham e apavoram indistintamente velhos e crianças, raciocinou o angustiado Cobb. Desesperado pergunta aos assustados e medrosos cidadãos como todos puderam assistir inertes ao enforcamento de Arthur.

James Stewart e a estrela de xerife feita por seus filhos.

Jack Elam
Referências a clássicos - Inúmeras são as sequências de violência em “O Último Tiro”, destacando-se o ritual tétrico do funeral do pistoleiro baleado pelas costas. E se o filme falha ao distender em diversos momentos a tensão, compensa de certa forma com o dramático confronto que ocorre nos últimos dez minutos. Exceto pela saída de cena do pistoleiro Willard que tem o pé preso ao estribo e é arrastado por seu cavalo, são bem encenadas as duas outras mortes: a de Morgan (dentro do estábulo) com o garfo de feno enterrado em sua barriga e a morte de Earl em clara referência a “Os Brutos Também Amam” (Shane) quando os dois pequenos filhos de Cobb o avisam do inimigo pronto para atingi-lo. É, no entanto, despido de inspiração o duelo entre Larkin e Cobb, com James Stewart repetindo seu inapto personagem de “O Homem que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance) e sendo salvo pelo tiro preciso disparado por Evellyn que alveja mortalmente Larkin. Mais uma indisfarçada e pouco imaginativa citação de “Matar ou Morrer”.

Inger Stevens; James Stewart; Kevin Tate e Christopher Shea.

James Best e Barbara Luna;
Ed Begley como pastor.
Magnífico personagem feminino - Qualquer filme que tenha no elenco em papéis principais Henry Fonda e James Stewart torna-se obrigatório e os dois atores confirmam seus talentos. Fonda (1905), três anos mais velho que Stewart (1908) apresenta-se mais jovial que o amigo cujo personagem exigia alguém mais jovem. Como ocorrera em “O Homem que Matou o Facínora”, Stewart supera esse problema, relembrando mesmo seus melhores momentos nos filmes que fez com Anthony Mann. O esplêndido cast destaca os ótimos Jack Elam e Ed Begley, enquanto Gary Lockwood tenta convencer como perverso pistoleiro. Entre o numeroso grupo de mulheres avulta com magnífica performance Louise Latham, ainda que com apenas três sequências. À suave sueca Inger Stevens coube um personagem melancólico e mal desenvolvido pelo roteiro. As presenças dos veteranos John Qualen, Jay C. Flippen e Dean Jagger pouco acrescentam e Robert Potter é um ator fraco cuja característica maior é lembrar incrivelmente James Dean, a quem procura imitar no estilo de atuar. Os dois meninos são Kevin Tate (o mais velho) e Christopher Shea, sendo que este interpretou Joey Starrett na fracassada série de TV “Shane”. Nessa série Marian Starrett ficara viúva e Shane (David Carradine) torna-se o padrasto do pequeno Joey.


Western sem identidade - “O Último Tiro” foi um filme pouco visto e menos lembrado, o que não deixa de ser uma injustiça pois se não chega a ser um western memorável jamais poderia passar tão despercebido. Certo que Fonda e Stewart não conseguiram torná-lo um clássico, mas as sempre admiráveis imagens de William B. Clothier e a música precisa de Lionel Newman (atenção para o violão em “Las Mañanitas”), somados à presença marcante do elenco de apoio e à classe dos dois atores principais o colocam acima da média dos faroestes. O pecado maior de “Firecreek” é ser um filme despido de identidade própria tantas são as referências que contém.

Henry Fonda e James Stewart

9 de maio de 2016

QUADRILHAS DOS FAROESTES – HENRY FONDA E SEU BANDO ATERRORIZAM FIRECREEK


O western “O Último Tiro” (Firecreek) de 1968, dirigido por Vincent McVeety, narra como cinco pistoleiros infernizam um lugarejo chamado Firecreek e são enfrentados por um único homem, um simplório rancheiro interpretado por James Stewart. O grupo é liderado por Henry Fonda que comanda o quarteto formado por Jack Elam, Gary Lockwood, James Best e Morgan Woodward. O excepcional ator Henry Fonda é bastante conhecido dos fãs de faroestes, assim como Jack Elam. Num plano inferior junto a esse público especial estão James Best e Morgan Woodward, seguidos por Gary Lockwood.


Henry Fonda (1905-1982) – Larkin é o líder dos pistoleiros, homem que considera um trabalho normal alugar suas armas para criadores que lhe paguem mais na guerra entre eles. Henry Fonda participou em inúmeros westerns clássicos, dois deles dirigidos por John Ford, de quem foi por algum tempo o ator preferido depois de comover os espectadores como Tom Joad em “Vinhas da Ira”, também de Ford. Porém Fonda é mais lembrado por sua criação como o bandido Frank de “Era Uma Vez no Oeste” (C’Era Uma Volta Il West). Muitos acreditam que Sergio Leone foi o descobridor do ‘homem mau’ que havia em Fonda, mas antes o grande ator havia interpretado o pistoleiro Clay Blaisedell em “Minha Vontade é Lei” (Warlock), em 1959 e Larkin neste “O Último Tiro” (Firecreek).

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Jack Elam (1920-2003) – Norman não comete nenhum ato maior de violência, mas assiste passivamente o jovem Earl agir com sadismo. O mesmo Earl gosta de zombar de Norman, fazendo alusão à sua condição de velho impotente. Um dos mais conhecidos e queridos vilões do cinema, Elam amadureceu e passou a interpretar tipos engraçados e simpáticos com seu olhar enviesado devido a um acidente sofrido na adolescência. São muitos os westerns clássicos dos quais Elam participou, invariavelmente sendo morto na maioria deles. O mesmo ocorre em “Firecreek”, com a diferença que sua morte neste filme é bastante violenta, quando, para se defender, Johnny Cobb (James Stewart) enterra um garfo de feno na barriga de Norman.

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Gary Lockwood (1939) – Earl é o mais jovem dos pistoleiros e também o mais inquieto, provocador e raivoso. A estreia cinematográfica do californiano Lockwood ocorreu num pequeno papel no faroeste “Minha Vontade é Lei”. A seguir participou, entre outros e sempre como coadjuvante, de dois filmes estrelados por Elvis Presley e ainda de “Clamor do Sexo”, de Elia Kazan. Chegando aos 30 anos Gary Lockwood parecia condenado a atuar como convidado em séries de TV, até que em 1968 voltou ao faroeste com “Firecreek”. Nesse mesmo ano Gary teve, enfim, a grande e esperada oportunidade como um dos dois astronautas de “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Ainda assim sua carreira não deslanchou, mesmo porque era   um filme de Stanley Kubrick’. Gary continua em atividade aos quase 80 anos de idade.

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James Best (1926-2015) – Drew é o pistoleiro um tanto abobalhado e que sofre um violento castigo ministrado por Earl. E é Drew quem tenta seviciar uma índia, sendo morto com um tiro nas costas. Em 1950 James Best começou no cinema com participações em “Winchester 73” e em “Cavaleiros da Bandeira Negra” (Kansas Raiders). Apesar de boa pinta, James Best não conseguiu a mesma projeção de Rock Hudson e Tony Curtis, jovens atores que a Universal lançava naqueles filmes. Best atuou, sempre como coadjuvante, em inúmeros westerns até que atingiu enorme sucesso na série de TV “The Dukes of  Hazzard” na qual interpretava o estabanado Sheriff Roscoe P. Coltrane. Concomitantemente com sua carreira James Best ministrava aulas de Arte Dramática.

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Morgan Woodward (1925) – Willard é o mais discreto dos pistoleiros, saindo de cena arrastado por seu cavalo com o pé preso ao estribo da sela. Este texano alto (1,91m) estreou no cinema em 1956 no western “A Odisséia do Oeste” (Westward Ho, the Wagons) e não parou mais de fazer pequenas participações no gênero, no cinema e na televisão. Na TV Morgan fez parte do elenco fixo da série “Wyatt Earp”, em que interpretou o delegado Shotgun Gibbs em 81 episódios. Na série “Bonanza” Morgan substituiu algumas vezes Ray Teal como xerife de Virginia City. A mais marcante presença de Woodward no cinema foi como o violento Boss Godfrey, tomando conta dos prisioneiros sem nunca tirar os óculos escuros e sempre pronto a maltratar Paul Newman em “Rebeldia Indomável”.
  


5 de maio de 2016

COMO NASCE UM BRAVO (COWBOY) – ÚLTIMA PARCERIA DE GLENN FORD E DELMER DAVES


O verdadeiro Frank Harris;
abaixo Delmer Davis.
Frank Harris foi um irlandês que cedo se mudou para os Estados Unidos onde trabalhou num hotel em Chicago antes de fazer uma experiência como cowboy, isto por volta de 1890. Harris cansou logo da lida com gado e se tornou escritor de sucesso. Em 1930, um ano antes de falecer, Harris lançou o livro “My Reminiscences as a Cowboy”, narrando episódios de seus tempos como ‘cowhand’. Desse escritor um crítico disse certa vez que se ele “não fosse um trovejante mentiroso teria sido um bom autobiógrafo”. De qualquer modo as memórias de Harris como homem do Oeste venderam bem e no final dos anos 40 John Huston adquiriu os direitos para o cinema, entregando a elaboração do roteiro a Dalton Trumbo. Para compor o elenco principal Huston pensou em seu pai Walter Huston e Montgomery Clift. Monty tinha acabado de fazer “Rio Vermelho” (Red River) e achou o personagem ‘Frank Harris’ muito parecido com o jovem cowboy do épico de Howard Hawks. Walter Huston faleceu em 1950 e seu filho John tentou ainda fazer o filme com Spencer Tracy e Alan Ladd, mas ambos recusaram participar do projeto que foi engavetado. Nos anos 50 quatro diretores se destacaram sobremaneira no gênero western: Delmes Daves, John Sturges, Anthony Mann e Budd Boetticher. Delmer Daves emplacou pelo menos quatro clássicos com “Flechas de Fogo” (Broken Arrow), “A Última Carroça” (The Last Wagon), “Ao Despertar da Paixão” (Jubal) e “Galante e Sanguinário” (3:10 to Yuma), estes dois últimos estrelados por Glenn Ford. Delmer Daves resolveu filmar a história de Frank Harris com Glenn Ford e a Columbia achou interessante a ideia, mas quem interpretaria o cowboy aprendiz da história? O primeiro nome pensado pelo estúdio foi o do fraco Anthony Perkins, não aceito pelo diretor. Glenn Ford sugeriu Jack Lemmon, ator da nova geração que vinha se destacando em comédias (Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em “Mr. Roberts”). Lemmon viu nesse filme um desafio de interpretar um cowboy, ele que só montara um cavalo (manso) uma vez na vida, na adolescência e a equipe rumou para Oklahoma para filmar “Cowboy”, título escolhido para o western, que no Brasil se chamou “Como Nasce um Bravo”.


Jack Lemmon como atendente de hotel e
como cowboy.
Aprendendo a ser cowboy - Dalton Trumbo fazia parte da ‘lista negra de Hollywood’ e por essa razão o roteiro teve a colaboração e assinatura de Edmund H. North, contando o aprendizado de Frank Harris. O experiente cowboy comerciante de gado Tom Reese (Glenn Ford) chega a Chicago para vender um grande rebanho e é procurado por Frank Harris (Jack Lemmon), atendente de hotel, que com ele quer trabalhar. Harris tem algum dinheiro e se torna sócio de Reese, partindo ambos e mais os vaqueiros empregados de Resse para o Novo México, onde adquirem outro rebanho. Durante a condução do gado a Santa Fé, Harris faz um verdadeiro curso aprendendo tudo com Reese sobre a nova profissão. Quando Reese leva um tiro no joelho, Harris assume a liderança do grupo de cowboys e completada a missão todos voltam ao mesmo hotel de Chicago onde Frank Harris trabalhava.

Glenn Ford
A nada romântica vida de cowboy - O título nacional “Como Nasce um Bravo” é perfeito e muito mais apropriado que o simplista e nunca antes usado no cinema “Cowboy”. Isto porque através de diversos episódios o filme mostra através de frase de Tom Reese que ser cowboy não é “...deitar sob as estrelas , cantando ao redor da fogueira com o fiel cavalo pastando ao lado”. Ser cowboy, continua Reese é enfrentar “...tempestade a noite toda e só um tolo iria querer isso”. Quanto à lealdade e inteligência de um cavalo, Reese lembra que “...o cérebro de um cavalo é do tamanho de uma noz. Eles são maus, traidores e burros e ninguém inteligente gosta de um cavalo. Só toleramos esse animal porque montar é melhor que andar”. Referindo-se ao gado, Resse diz que “...são sacos de pulgas miseráveis”. Todas essas afirmações são pouco perto do que Frank Harris vai testemunhar e participar desde o momento em que se associa a Tom Reese. Desentendimentos constantes entre os cowboys, a comida que é pegar ou passar fome, um vaqueiro que morre em minutos após ser picado por uma cobra, índios famintos que atacam por algumas cabeças de gado, tudo isso faz com que nasça um bravo no lugar do atendente de hotel. Essa visão crítica da ocupação de vaqueiro, tão mitificada pela literatura, pela música e pelo cinema, é a tônica deste western de Delmer Daves e o faz de forma mais direta que “Rio Vermelho” com roteiro de Borden Chase. Uma década depois, com o magnífico “...E o Bravo Ficou Só”, de Tom Gries, a difícil e nômade vida dos cowboys seria analisada pelo cinema.

Glenn Ford

Acima Richard Jaeckel entre Jack
Lemmon e Guy Wilkerson;
abaixo Strother Martin.
A frieza de um cowboy - As jornadas de condução de gado de “Como Nasce um Bravo” proporcionam uma série de episódios narrando a transformação porque passa Frank Harris. Seu caso com Maria Vidal (Anna Kashfi) a filha de um poderoso criador mexicano é o ponto de partida para a crucial decisão de sofrer nas pradarias. Isso pouco adianta pois quando Harris reencontra a moça ela está casada com Don Manuel Arriega (Eugene Iglesias). Nesse povoado ocorrem jogos envolvendo homens, cavalos e gado, um deles o enfrentamento corpo a corpo entre um touro enfurecido e Tom Reese. Quando da primeira vez que Harris monta um cavalo, o mais indócil de todos, destaca-se o sadismo de Reese que com isso pretende que o sócio desista de acompanhá-lo nas jornadas que se seguirão. Outro momento importante da formação de Frank Harris como cowboy é constatar a frieza com que Reese encara a morte acidental de um de seus homens picado por uma cascavel. O réptil foi jogado pelo provocador Curtis (Richard Jaeckel) e Harris espera que Curtis sofra alguma punição por sua brincadeira fatal, mas Reese encara o fato como corriqueiro para desespero de Harris. O mesmo acontece quando Charlie (Dick York), o cowboy namorador, se envolve com uma mexicana casada e é deixado à própria sorte para pagar por seu atrevimento diante do marido da moça e outros mexicanos. Reese impede que os companheiros o socorram e também esse fato embrutece ainda mais Frank Harris, cada dia mais parecido com Tom Reese.

Sensacional sequência de um cowboy segurando um cavalo indócil.

Jack Lemmon. abaixo Lemmon,
Victor Manuel Mendoza e Glenn Ford.
Jack Lemmon fora de gênero - As belas paisagens de El Paso, Novo México e Oklahoma fotografadas por Charles Lawton Jr. e a boa música de George Dunning, somadas às ótimas sequências de ação dirigidas por Delmer Daves, ajudam mas ainda assim “Como Nasce um Bravo” tem algo de simulado que torna o filme inconvincente. Como pode isso ocorrer num western dirigido pelo competente Daves e estrelado por Glenn Ford, o mais autêntico ator-cowboy do cinema? O maior problema do filme é a presença de Jack Lemmon, de quem a todo momento se espera uma gag que faça rir. Lemmon já havia feito algumas comédias leves e estava em vias de se travestir para escapar de gângsters na obra-prima de Billy Wilder “Quanto Mais Quente Melhor”. Ninguém é perfeito e o ótimo Jack Lemmon surge como o mais improvável e inconvincente cowboy do cinema conseguindo ser apenas patético diante da enérgica atuação de Ford. Jack Lemmon atirando numa barata na parede do banheiro, imitando Glenn Ford, parece saído de uma comédia de Mel Brooks. Curiosamente, como foi lembrado acima, antes de Lemmon cogitou-se pela presença do sempre inseguro Anthony Perkins para o personagem Frank Harris.

Anna Kashfi e Brian Donlevy
Guy Wilkerson, afinal aparecendo mais - Entre os bons momentos de “Como Nasce um Bravo” estão a morte de Strother Martin, o cowboy picado por uma cobra, a doma do cavalo a ser montado por Harris e a sequência em que o dublê de Glenn Ford enfrenta o touro bravio. Fraco, entretanto, o desenvolvimento do caso de Frank Harris com Maria Vidal, não fosse pelos diálogos insossos mas pela própria presença da inexpressiva Anna Kashfi. Se a transformação de Frank Harris é inconvincente, igualmente insatisfatória é a mudança sofrida por Tom Reese que sem maior razão passa a ver no antes indigesto sócio um homem apto a sucedê-lo como líder dos cowboys. Inócua ainda a participação do personagem de Brian Donlevy que nada faz de prático e estranhamente se afasta para cometer suicídio. Do grupo de intérpretes dos vaqueiros no filme, destaques para o eternamente nervosinho Richard Jaeckel, o ótimo e mal aproveitado Brian Donlevy, Dick York fazendo o que pode para convencer como cowboy-mulherengo. Uma pena que Strother Martin apareça tão pouco, ao contrário do simpático Guy Wilkerson que, como poucas vezes antes, tem presença constante como o cozinheiro do grupo.

Riachard Jaeckel e Dick York; Glenn Ford; Jack Lemmon.

Fim da parceria – Com títulos a cargo de Saul Bass, “Como Nasce um Bravo” foi o terceiro e último western da parceria Delmer Daves-Glenn Ford, não desapontando mas não chegando a encantar. Para o ator, no entanto, esta foi mais uma participação brilhante e a comprovação que Glenn Ford foi o mais menosprezado ator de seu tempo, raramente tendo reconhecida suas sempre ótimas atuações. Perfeitas quando no gênero que mais gostava de trabalhar, o western.

29 de abril de 2016

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE GLENN FORD – TODOS SEUS WESTERNS


Glenn Ford foi um dos grandes astros de Hollywood, isto quando a concorrência tinha nomes como Burt Lancaster, Tyrone Power, William Holden, Marlon Brando, John Wayne, Humphrey Bogart, Kirk Douglas, Gregory Peck, Gary Cooper, Henry Fonda, Robert Mitchum, James Stewart, Frank Sinatra e outros de igual e reluzente quilate. Ao contrário destes, poucas vezes Glenn Ford foi dirigido por diretores de fato renomados e mesmo assim muitos de seus filmes são hoje clássicos e sua presença na tela sempre foi garantia de boa diversão. Do drama à comédia e especialmente em westerns, Glenn Ford mostrou seus inegáveis predicados de ator e não por acaso esteve muitos anos entre os campeões de bilheteria. Os faroestes de Glenn Ford eram dos mais aguardados e na melhor fase de sua carreira ele se dedicou bastante ao gênero que mais apreciava. Chegou mesmo a dizer que se pudesse faria somente westerns pois sentia-se imensamente feliz nas pradarias e cavalgava como nenhum outro ator famoso. A carreira do canadense Glenn Ford, nascido em 1.º de maio de 1916, durou exatos 54 anos, desde sua estreia em 1937 até seu derradeiro trabalho como ator, em 1991. Dos 88 filmes que Glenn Ford fez, 24 foram westerns, muitos deles considerados marcos do gênero, nos quais ele invariavelmente usava seu chapéu de cowboy e jaqueta, ambos surrados como são as vestimentas de autêntico homem do oeste. Injustiçado pela crítica que poucas vezes reconheceu seu talento, Glenn Ford recebeu um único prêmio mais importante que foi o Golden Globe de 1962 por seu desempenho na comédia “Dama por um Dia”. Recebeu também o prêmio Bafta de 1958 como Melhor Ator Estrangeiro por sua atuação em “O Irresistível Forasteiro”. Glenn recebeu ainda dois prêmios Golden Apple (1947 e 1958) como o Ator Mais Cooperativo. Abaixo todos os westerns de Glenn Ford, impressionante conjunto de grandes filmes estrelados por um grande ator e incomparável cowboy.

OS WESTERNS DE GLENN FORD

Gloriosa Vingança (Texas), 1941, Dir. George Marshall – Primeiro western de Glenn Ford, ao lado de outra jovem promessa da Columbia que era William Holden. Amigos no início, passam a antagonistas quando se separam e Ford resolve ter seu rancho, enquanto Holden se torna fora-da-lei entrando para o bando chefiado por Edgar Buchanan. Claire Trevor é a mocinha indecisa entre os dois ex-amigos neste filme de pequeno orçamento bem dirigido por George Marshall. Durante as filmagens nasceu a grande amizade entre Glenn e Edgar Buchanan, amizade que perduraria até a morte de Edgar em 1979 aos 76 anos.Western imperdível também pela presença da magnífica Claire Trevor.

William Holden e Glenn Ford

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Império da Desordem (The Desperadoes), 1943, Dir.: Charles Vidor – Primeiro filme em cores da Columbia, dirigido pelo mesmo diretor que realizaria “Gilda”, encontro inicial de Glenn Ford com Rita Hayworth. Neste western o astro é Randolph Scott como o sheriff de Red Valley e Glenn Ford um estranho com passado comprometedor e acusado de um assalto a banco na cidade. Scott pouco aparece e abre espaço para Ford se destacar, ficando ainda com a mocinha Evelyn Keyes. Claire Trevor é uma condessa dona do bordel local. O ponto alto deste filme é a sequência do ‘stampede’ (debandada) invadindo Red Valley, sequência inteiramente dirigida por Budd Boetticher como diretor de 2.ª unidade.

Randolph Scott e Glenn Ford

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No Velho Colorado (The Man from Colorado), 1948, Dir.: Henry Levin – Reencontro de Glenn Ford com William Holden, desta vez em história de Borden Chase que é um estudo psicológico sobre os efeitos da guerra. Verdadeiro desafio para Glenn Ford pois exigiu dele uma intensa interpretação como um ex-oficial da Cavalaria que após a Guerra Civil torna-se um sádico assassino. Holden que era ajudante de ordens de Ford assume a função de delegado da cidade e tenta mudar o comportamento deste. Ellen Drew é a esposa de Ford que deixa o marido por Holden. Edgar Buchanan também no elenco. Glenn Ford sai-se esplendidamente bem interpretando um personagem detestável.
Glenn Ford e William Holden


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Escravos da Ambição (Lust for Gold), 1949, Dir.: S. Sylvan Simon – Certamente o êxito de “O Tesouro de Sierra Madre” um ano antes motivou a filmagem desta história real sobre a cobiça humana. Glenn Ford é o neto de um aventureiro alemão que descobriu uma mina de ouro. Ida Lupino é a esposa de Gig Young, ambos também envolvidos no encontro da mina nesta história contada em flashback. George Marshall chegou a dirigir algumas sequências tendo que abandonar a direção. Edgar Buchanan tem pequeno mas significativo papel num elenco que conta com Jay Silverheels, Arthur Hunnicutt, Will Geer e intérpretes dos western ‘B’ como Tom Tyler, Kermit Maynard, Trevor Bardette e outros.
Ida Lupino e Glenn Ford


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A Mensagem dos Renegados (The Redhead and the Cowboy), 1951, Dir.: Leslie Fenton – A ruiva do título original é a linda Rhonda Fleming como espiã confederada; Glenn Ford é o cowboy acusado de um crime e que para provar sua inocência precisa do testemunho da ruiva. Edmond O’Brien é um agente da União empenhado em caçar espiões neste western pequeno, divertido e bem dirigido por Fenton, por sinal seu último filme. O elenco de apoio traz Ray Teal e Morris Ankrum, uma ótima dupla de atores coadjuvantes, mas ainda há as presenças de Alan Reed (a voz de Fred Flintstone da série de TV) e Ralph Byrd (dos seriados 'Dick Tracy'). Este foi o primeiro western de Glenn Ford fora da Columbia.

Rhonda Fleming e Glenn Ford

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Sangue por Sangue (The Man from the Alamo), 1953, Dir.: Budd Boetticher – Western sobre o histórico cerco do Álamo mas cujo personagem principal não é Davy Crockett, nem Jim Bowie e nem o Coronel Travis. O filme conta a história de Niven Busch sobre um homem (John Stroud) interpretado por Glenn Ford que foi escolhido para abandonar a fortificação e cumprir a missão de ajudar as famílias dos homens que resistem no Álamo. As famílias foram dizimadas por mexicanos, assim como todos que se encontravam na fortificação atacada pelas tropas do Generalíssimo Sant’Anna. Excelente filme de Budd Boetticher em que a estrela é a doce Julie Adams e Hugh O’Brian e Chill Wills são os inimigos de Glenn Ford.

O diretor Budd Boetticher mostrando como queria o soco;
Glenn Ford dando um cruzado de direita em Hugh O'Brian.

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Um Pecado em Cada Alma (The Violent Men), 1954, Dir.: Rudolph Maté – O título que parece tirado das novelas radiofônicas dos anos 50 é bastante apropriado para este western trágico dominado pela maravilhosa Barbara Stanwyck. A grande atriz é a egoísta e oportunista esposa do barão de gado aleijado Edward G. Robinson, a quem pensa ter matado num incêndio retirando-lhe as muletas para que não consiga escapar ao fogo. Glenn Ford é um ex-oficial da União ferido em combate e que procura o Oeste para se recuperar. Brian Keith é o cunhado de Barbara usado por esta para matar o marido e Richard Jaeckel, como não poderia deixar de ser é um capataz nervosinho sempre a provocar Glenn Ford.

Edward G. Robinson, Barbara Stanwyck, Brian Keith e Glenn Ford

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O Forasteiro (The Americano), 1955, Dir.: William Castle – Uma das maiores aventuras de Glenn Ford não foi vivida nas telas mas sim ao vir para o Brasil filmar esta curiosa história passada em Mato Grosso. Nada deu certo nesta produção que pretendia fazer uso do exotismo imaginado pelos norte-americanos sobre nossa terra e nossa gente. Iniciadas as filmagens em 1953 sob as ordens de Budd Boetticher, o elenco tinha Sarita Montiel, Arthur Kennedy e Cesar Romero, além do protagonista Glenn Ford. Os trabalhos foram interrompidos e do elenco original só permaneceram Ford e Romero, trocado Boetticher por William Castle. O resultado final é aceitável, tendo inclusive um subtexto homossexual.

Cesar Romero e Glenn Ford

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Ao Despertar da Paixão (Jubal), 1956, Dir.: Delmer Daves – Glenn Ford não havia ainda sido dirigido por um grande nome do western e isso ocorreu neste seu primeiro encontro com Delmer Daves. Adaptação para o gênero de “Othello”, de William Shakespeare, traz para o Oeste a maldade e a inveja de ‘Iago’ personificado por Rod Steiger. Em mais uma brilhante atuação Ernest Borgnine é ‘Othello’, enquanto uma diferente ‘Desdêmona’ é vivida por Valerie French. Glenn Ford é o vaqueiro contratado por Borgnine e que desperta o ódio de Steiger e o desejo da volúvel Valerie. Em meio a tantas intrigas Felicia Farr mais parece um anjo em sua adorável ternura. No elenco os quase iniciantes Charles Bronson e Jack Elam.

Charles Bronson, Ernest Borgnine e Glenn Ford

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Gatilho Relâmpago (The Fastest Gun Alive), 1956, Dir.: Russell Rouse – Mais um filme na linha chamada ‘psicológica’ de “O Matador”. Glenn Ford é um famoso pistoleiro em busca do anonimato, cuja fama é descoberta por Broderick Crawford, chefe de uma quadrilha que aterroriza a pequena Cross Creek. Crawford se considera o gatilho mais rápido do Oeste e não admite que exista alguém mais rápido que ele. Por essa razão provoca Glenn Ford até que este reaja e prove que Crawford estava errado, sucumbindo diante da destreza de Ford. Ao final o ex-pistoleiro ‘morre’ e muda de nome, iniciando nova e tranquila vida. Faroeste simples em preto e branco mas fascinante do princípio ao fim com ótima atuação de Glenn Ford.

Glenn Ford e Broderick Crawford


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Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957, Dir.: Delmer Daves – Eletrizante western de Daves a partir de história de Elmore Leonard, narrando a dramática condução do prisioneiro Glenn Ford a Yuma, levado por Van Heflin. Este é um sitiante em dificuldades que aceita a difícil tarefa, arriscando a vida, para poder pagar sua dívida de 200 dólares, sabendo que Glenn Ford é um fora-da-lei aparentemente sem escrúpulos e perigoso. A integridade de Heflin comove Ford que termina facilitando sua condução, num intenso duelo psicológico neste claustrofóbico grande western. Felícia Farr é a boa moça que atrai Ford e Leora Dana faz ao lado de Heflin o mais perfeito casal simples do Velho Oeste. Outro triunfo de Ford.

Van Heflin e Glenn Ford

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Como Nasce um Bravo (Cowboy), 1958, Delmer Daves – Pela terceira vez Glenn Ford é dirigido por Delmer Daves, tendo como coastro Jack Lemmon que nunca havia atuado em um faroeste antes. E o filme é justamente sobre o aprendizado de um jovem ávido por se tornar um cowboy. Lemmon passa de atendente de hotel a vaqueiro sob as ordens de Glenn Ford que lhe ensina não só como lidar com gado mas também a camaradagem que existe entre os cowboys. Conduzem juntamente com outros vaqueiros um enorme rebanho por mais de três mil quilômetros. Anna Kashfi e Brian Donlevy no elenco deste western que tem belíssima fotografia de Charles Lawton Jr. Glenn Ford como cowboy não podia ser mais perfeito.

Glenn Ford e Jack Lemmon nas banheiras

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O Irresistível Forasteiro (The Sheepman), 1958, Dir. George Marshall – Glenn Ford num western com nuances de comédia, em que ele se sai bastante bem exibindo uma descontração inédita. Ford é um cowboy que cria ovelhas numa região em que homem de verdade cria só gado e tem a audácia de entrar num saloon e pedir... um copo de leite para espanto e reprovação dos presentes. Shirley MacLaine, tão boa comediante quanto atriz dramática faz bela parceria com Ford que a rouba do namorado Leslie Nielsen, este também revelaria quando veterano seu lado como comediante. Reencontro de Ford não só com o diretor George Marshall mas também com seu amigo pessoal Edgar Buchanan,igualmente muito engraçado.  

Glenn Ford e Shirley MacLaine

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Cimarron (Cimarron), 1960, Dir.: Anthony Mann – Refilmagem do clássico de 1931 estrelado por Richard Dix. Este épico de 147 minutos conta a saga de um homem (‘Cimarron’) que parte para Oklahoma para participar da corrida por lotes de terras de 1889, momento culminante do filme. Ao custo de 5,5 milhões de dólares, teve a participação de mil extras, 700 cavalos e 500 carroças, mas o resultado final não foi convincente e o filme fracassou nas bilheterias. Anthony Mann foi demitido em meio à produção e Charles Walters assumiu a direção. Russ Tamblyn e Anne Baxter também no elenco. Glenn e Maria Schell viveram intenso romance durante as filmagens, alimentando por meses as colunas de fofoca.

Glenn Ford e a 'landrush' em Oklahoma

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Avance para a Retaguarda (Advance to the Rear), 1964 – George Marshall – Em plena guerra do Vietnã, Hollywood decidiu fazer comédias com a Cavalaria norte-americana. Primeiro “Os Três Sargentos”, seguido deste filme com Glenn Ford e depois “Nas Trilhas da Aventura”. Mais uma vez dirigido por George Marshall, Glenn Ford é um capitão da Cavalaria enviado juntamente com um Coronel (Melvyn Douglas), ambos ineptos para missões contra confederados ao final de Guerra Civil. Os dois oficiais dão mais certo com as namoradas Stella Stevens e Joan Blondell que nas tentativas de capturar espiões. No elenco deste pouco visto western de Glenn Ford estão Alan Hale Jr., Jim Backus e Andrew Prine.

Stella Stevens e Glenn Ford

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Ginetes Intrépidos (The Rounders), 1965, Dir.: Burt Kennedy – Glenn Ford e Henry Fonda reunidos num western comédia que gostaram muito de fazer, parecendo mesmo se divertirem mais que os espectadores. Isto apesar da boa direção de Burt Kennedy que fez outros westerns-comédia. Os dois cowboys passam muito tempo tentando domar um cavalo que insiste em não obedecê-los. Assim como em seu western anterior, Glenn e seu companheiro Fonda tem namoradas interessantes (Sue Anne Langdon e Hope Holiday). O ótimo elenco de coadjuvante conta com Edgar Buchanan, Kathleen Freeman, Denver Pyle e Chill Wills. O público começava a ficar saudoso dos westerns mais dramáticos de Glenn Ford.

Henry Fonda e Glenn Ford

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A Grande Cilada (A Time for Killing), 1967, Dir.: Phil Karlson – Logo no início deste western um muito jovem soldado confederado é condenado à morte pelo exército da União e o pelotão de fuzilamento é formado somente por soldados negros. Essa sequência dá o tom violento do filme de Karlson centrado na busca e captura de um capitão confederado (George Hamilton) pelo major da União vivido por Glenn Ford. Creditado como primeiro nome, Ford tem participação menor que Hamilton que teve destacada atuação. A sueca Inger Stevens está no elenco que tem uma participação pequena do então desconhecido Harrison Ford. A produção é de Harry Joe Brown, ex-sócio de Randolph Scott.

Inger Stevens e Glenn Ford

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O Pistoleiro do Rio Vermelho (The Last Challenge), 1967, Dir.: Richard Thorpe – Em 1967 Glenn Ford era um grande astro em luta inglória para manter seu status. Este western de pequeno orçamento é prova que os melhores dias de Ford já haviam passado. A história é bastante parecida com muitos outros westerns pois tem Ford como um ex-pistoleiro condenado que se torna xerife mas que pretende se aposentar e viver tranquilamente ao lado de Angie Dickinson. Surge então na cidade o pistoleiro Chad Everett disposto a desafiar Glenn Ford, mas acaba se tornando amigo e orientado pelo xerife. Os ótimos Jack Elam e Royal Dano no elenco deste que foi o ultimo filme dirigido por Richard Thorpe cuja carreira se iniciou em 1923.

Angie Dickinson e Glenn Ford

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A Pistola do Mal (Day of the Evil Gun), 1968, Dir.: Jerry Thorpe – O filho de Richard Thorpe, Jerry, dirigiu este western cujo tema principal é o antagonismo entre dois homens. Glenn Ford é um pistoleiro que ao retornar para seu rancho, após três anos de ausência, o encontra destruído por apaches, que segundo seu vizinho Arthur Kennedy, sequestraram sua esposa e duas filhas. Ford e Kennedy saem em busca das mulheres e Ford descobre que Kennedy assediou sua esposa que acreditava que o marido estivesse morto. O final, após resgatarem as sequestradas, com confronto entre os dois homens é surpreendente. Este western lembra “Rastros de Ódio” e Dean Jagger interpreta personagem parecido com o de Hank Worden.

Arthur Kennedy, John Anderson e Glenn Ford

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Smith! (Smith!), 1969, Dir.: Michael O’Herlihy – Trabalhando pela primeira vez para os estúdios de Walt Disney, Glenn Ford protagoniza o rancheiro do título que se une ao velho índio Chief Dan George para defender um jovem pele vermelha acusado de assassinato. Keenan Wynn é o xerife racista e que persegue o jovem índio. Durante a sequência de tribunal Warren Oates funciona como intérprete e se destaca neste western rodado no mesmo ano de “Meu Ódio Será Sua Herança”. Estréia, aos 70 anos de idade, no cinema de Chief Dan George que brilharia em “Josey Wales, o Fora-da-Lei”. Nancy Olson é a esposa de Glenn Ford e Dean Jagger é o juiz. Jay Silverheels também atua, além de dirigir os atores índios.

Chief Dan George e Glenn Ford

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O Céu a Mão Armada (Heaven with a Gun), 1969, Dir.: Lee H. Katzin – Novamente os conflitos entre criadores de gado e de ovelhas num western com Glenn Ford. E mais uma vez o ator interpreta um ex-pistoleiro que pendura as armas, aqui se tornando um pregador. O poderoso criador de gado John Anderson e seu sádico filho David Carradine usam de todos os meios para impor suas vontades, inclusive desafiando o ex-pistoleiro agora pastor de almas. Ford, no entanto, resiste e ao final leva a melhor sobre pai e filho. Barbara Hershey, na vida real, viveu um tempo com David Carradine, com quem teve um filho. Carolyn Jones é quem quer acabar com o celibato do pastor e Noah Berry Jr. tem boa participação.

David Carradine e Glenn Ford

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Santee, o Caçador de Recompensas (Santee), 1973, Dir.: Gary Nelson – Outro western menos conhecido de Glenn Ford e que nenhum fã do gênero pode deixar de assistir. Ford é um ex-criador de cavalos que se torna caçador de recompensas, unindo-se ao jovem Michael Burns na busca de procurados pela justiça. Ocorre que Ford matara o pai de Burns e este jurara vingança e mesmo assim Burns se afeiçoa a Ford ao descobrir que ele é um homem sofrido por ter perdido seu filho vítima de uma quadrilha. Juntos enfrentam o bando assassino. O elenco traz Jay Silverheels e Robert Wilke, o que já bastaria como atrações extras, mas há ainda a bela atriz alemã Dana Wynter como interesse romântico de Ford.

Michael Burns e Glenn Ford

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Em Nome da Lei (The Sacketts), 1979 – Depois de seis anos longe dos faroestes, período em que continuou a atuar sendo inclusive o pai adotivo de Clark Kent, o Superman, Glenn Ford retornou ao gênero na mini-série para a TV “The Sacketts”. Com quatro horas de duração a mini-série foi estrelada por Sam Elliott, Tom Selleck e Jeff Osterhage, como os irmãos  Sackett e o grande elenco traz Ben Johnson em papel destacado, Gilbert Roland, Slim Pickens, Jack Elam, Gene Evans, John Vernon, Mercedes McCambridge e até o escritor Louis L’Amour, autor da história. Belos cenários excelentemente fotografados, direção segura de Robert Totten e ótimas interpretações fazem valer as quatro horas do filme. Fuja das cópias editadas.

Tom Selleck, Ben Johnson e Glenn Ford

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Border Shootout (Border Shootout), 1990, Dir.: Chris McIntyre – Aos 74 anos de idade Glenn Ford atuou em seu 24.º e último western, baseado em história de Elmore Leonard. Segundo Peter Ford, filho de Glenn, em seu livro “Glenn Ford – A Life”, este foi um filme sem inspiração e que o pai aceitou fazer por ter sido creditado com destaque e por receber 75 mil dólares por uma semana de trabalho. Rodado em Old Tucson, neste western Glenn interpreta um xerife envelhecido, sendo substituído por seu constante dublê Bill Hart nas cenas em que é mais exigido. Ford ainda faria seu derradeiro filme em 1991 encerrando uma das mais brilhantes carreiras de um ator em Hollywood. Como cowboy autêntico pode-se dizer que Glenn foi insuperável.

Glenn Ford e Michael Ansara