UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

17 de março de 2016

CIDADE DO MAL (CITY OF BAD MEN) – REUNIÃO DE FORAS-DA-LEI EM CARSON CITY


“Cidade do Mal” (City of Bad Men) é um western e não um filme sobre boxe. No entanto a célebre luta ocorrida em 1897 em Carson City, Nevada, é o pano de fundo deste faroeste. A histórica contenda envolveu o então campeão mundial dos pesos pesados James John Corbett e o desafiante inglês Bob Fitzsimmons. Corbett foi considerado o pugilista inovador da técnica de boxear com um estilo que se diferia da então normal ‘briga de rua’ que ocorria nos ringues. A vida de James J. Corbett foi levada ao cinema no filme “O Ídolo Público” (Gentleman Jim), com Errol Flynn interpretando o boxeador. Flynn lutara boxe antes de ser ator, enquanto Corbett se tornou ator após abandonar o ringue. Confrontos entre grandes lutadores sempre atraíram multidões aos locais escolhidos para os embates e os promotores dessas lutas criaram através dos tempos a expectativa necessária para reunir grandes plateias. A partir dos tempos de Cassius Clay, George Foreman, Mike Tyson e outros pugilistas, a transmissão pela televisão é que possibilitou pagar somas milionárias aos contendores. Em “Cidade do Mal” cem mil dólares é o prêmio para o vencedor, quantia capaz de atrair até quem não é amante da chamada ‘Nobre Arte’. Daí George W. George e George F. Slavin, autores da história original, criaram o interessante roteiro deste western dirigido por Harmon Jones.


Acima Dale Robertson;
abaixo Hugh Sanders e James Best.
A disputada arrecadação - As quadrilhas lideradas por Brett Stanton (Dale Robertson), John Ringo (Richard Boone) e Bob Thrailkill (Don Haggerty) se dirigem a Carson City, no Estado de Nevada, onde ocorrerá a aguardada luta entre o campeão James J. Corbett (John Daheim) e Bob Fitzsimmons (Gil Perkins). A luta pouco interessa aos bandidos, cujo objetivo é assaltar a bilheteria e roubar a arrecadação. Linda Culligan (Jeanne Crain) e Cynthia London (Carole Mathews) são duas mulheres que vivem em Carson City, sendo que Linda manteve, seis anos atrás, um romance com Brett Stanton, antes que este enveredasse pela vida do crime. Para evitar a iminente perturbação da ordem na cidade o xerife Bill Gifford (Hugh Sanders) tem a esdrúxula ideia de nomear Stanton, Ringo e Trailkill, os três chefes dos bandos, como seus assistentes. Mesmo portando estrelas de homens da lei, o trio espera apenas pela noite da grande luta para concretizar o plano de se apoderar do dinheiro. Pressionado pelo amor que ainda sente por Linda, Stanton muda de ideia contrariando seu bando e continua ao lado da lei, impedindo ao final que John Ringo fuja com a arrecadação. O encontro dos dois ocorre num estábulo, com Stanton matando o bandido no confronto entre os dois e ficando com Linda que aceita o regenerado ex-homem mau.

Acima Dale Robertson e Jeanne Crain;
abaixo dale com Carole Mathews.
Um homem entre duas mulheres - Esta criativa e incomum história foi concebida como um pequeno western para ser exibido em programas duplos, isto apesar da bem cuidada produção da 20th Century-Fox. Com 82 minutos de duração e tendo o elenco encabeçado por Jeanne Crain (primeiro nome nos créditos) e Dale Robertson, “Cidade do Mal” poderia resultar num western classe A caso o estúdio escalasse Gregory Peck ou Tyrone Power, então os maiores astros do estúdio, ou mesmo Richard Widmark para interpretar Brett Stanton. Mesmo assim o resultado final é excelente e muito se deve ao roteiro que, embora previsível, mantém o interesse do espectador, mais ainda para aqueles que desconhecem o resultado do embate pugilístico. Se falta um pouco mais de ação em “Cidade do Mal” apesar do respeitável número de malfeitores que se reúnem em Carson City, este western é compensado por outra disputa, paralela ao confronto de boxe. Linda e Cynthia desejam o mesmo homem (Brett Stanton), ainda que Linda seja noiva do irmão da atraente viúva Cynthia. Esta faz uso de recursos pouco louváveis para satisfazer seu intento de conquistar Stanton. Num filme de metragem tão curta não houve tempo para melhor desenvolver o triângulo e a personalidade de Cynthia London, mulher muito mais interessante que a sensaborona Linda.

Carole Mathews e Jeanne Crain

Carson City em 1897.
Roubo facilitado - Às vésperas do novo século que chegava com profundas transformações nas cidades do Velho Oeste, Carson City já possui até um veículo movido sem tração animal. Duelos nas ruas já não acontecem com frequência pois estas são tomadas por diversões de todo tipo e jogos a céu aberto. Até o ‘chuck-a-luck’, que foi o nome escolhido para o rancho de Marlene Dietrich em “O Diabo Feito Mulher” (Rancho Notorius), se faz presente. A pujança da cidade faz com que Carson City seja a escolhida para aquele evento esportivo de enorme magnitude. Muito dinheiro e as cobiçosas quadrilhas sabem que os tempos são outros, mas a prática de assaltos a mão armada ainda funcionam, especialmente quando a organização de espetáculos tão grandiosos ignoram a necessidade de um aparato peculiar. John Ringo só não consegue fugir com o dinheiro roubado porque é impedido pelo regenerado Brett Stanton, solução fácil para um filme com poucas pretensões e que deve respeitar a máxima hollywoodiana de então que “o crime não compensa”. Uma pena também que a luta entre Corbett e Fitzsimmons tenha se resumido a algumas troca de socos e não explorado os aspectos técnicos da contenda.

A cidade repleta e a chegada da quadrilha de Brett Stanton (Dale Robertson).

Richard Boone
Numeroso elenco com rostos conhecidos - Destaque-se a apurada direção de arte e de vestuário com a elegância de homens e mulheres exibindo-se nas ruas e na casa de espetáculos de Carson City. Esta cidade, capital do Estado de Nevada, assistiria a formação de Las Vegas, maior centro de entretenimento e jogos dos Estados Unidos. Em 1953 a Fox já havia desistido de fazer de Dale Robertson um grande astro e pelos próximos anos ele passou a fazer uma série de westerns. Richard Boone, ainda se afirmando como um dos melhores durões do cinema tem presença marcante, assim como Carole Mathews, bela atriz que interpreta uma mulher fútil. Jeanne Crain neste filme é apenas um rosto excepcionalmente bonito e, deixando de lado a suavidade e delicadeza, esteve muito melhor em “Homem Sem Rumo” (Man Without a Star), seu próximo western. O numeroso elenco traz as presenças de James Best, Rodolfo Acosta, Leo Gordon e John Doucette, entre outros. O ex-editor da Fox, o canadense Harmon Jones, dirigiu outros westerns com Dale Robertson, Rory Calhoun e Guy Madison, antes de se bandear para a televisão. Este “Cidade do Mal”, por sua história interessante e insólita certamente vai agradar aos fãs de faroestes.

Aspectos da luta entre James J. Corbett e Bob Fitzsimmons, vencida por este último.



Esta cópia de “Cidade do Mal” foi gentilmente cedida pelo cinéfilo e colecionador Marcelo Cardoso.

15 de março de 2016

QUADRILHAS DOS FAROESTES - BANDIDOS INVADEM CARSON CITY


Certos filmes gastam fortunas com o elenco de apoio contratando artistas famosos com a certeza de atrair mais público. Mas há outras produções que, por feliz coincidência, formam o elenco repleto de coadjuvantes, muitos dos quais mais tarde se tornam astros. Esse foi o caso de “Cidade do Mal” (City of Bad Men), western da 20th Century-Fox que conta com um time de atores que no cinema ou na TV ganharam fama e fortuna. Esse faroeste que Harmon Jones dirigiu em 1953 reuniu diversos coadjuvantes como membros das quadrilhas de bandidos que chegam a Carson City por ocasião da disputa do título de campeão de boxe na categoria dos pesos-pesados. E a cidade fica povoada de malfeitores cujo único interesse é ficar com o produto da renda da disputa esportiva. Dale Robertson, o próprio herói do filme, é o líder de uma quadrilha composta por Leo Gordon, Lloyd Bridges, John Doucette e os mexicanos Rodolfo Acosta e Pascual García Peña. Uma segunda quadrilha tem como chefe Richard Boone que, entre outros bandidos tem Robert Adler. A terceira quadrilha que invade Carson City é comandada por Don Haggerty que tem como braço direito Alan Dexter. Não bastasse todos esses homens maus e I. Sanford Joley chega também a essa cidade de Nevada. Tantos bandidos conhecidos e alguns deles muito talentosos tornam “Cidade do Mal” uma atração a mais para os cinéfilos.

Richard Boone se tornou um dos mais requisitados atores para interpretar vilões e seu tipo durão fez com que ele protagonizasse de forma única a série de TV clássica “O Paladino do Oeste” (Paladin). Boone atuou ainda na série western “Hec Ransey” e no “The Richard Boone Show”. Difícil dizer qual seu melhor papel no cinema, mas Boone nunca esteve tão cínico e cruel como em "Hombre".
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Dale Robertson foi uma aposta da Fox que queria fazer dele o principal galã do estúdio, o que acabou não acontecendo. Robertson passou então a atuar prioritariamente em westerns B, até que a televisão o levou para estrelar por seis anos (200 episódios) a série “Tales of Wells Fargo”, dando a Robertson uma fama que não chegou a conhecer no cinema.
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Lloyd Bridges é hoje mais conhecido como pai do consagrado Jeff e do também ator Beau Bridges. No cinema desde os 20 anos, Lloyd teve importante participação em “Matar ou Morrer” (High Noon), mas foi também na televisão com a série “Aventura Submarina”, interpretando o mergulhador Mike Nelson, que Lloyd se projetou definitivamente.


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O violento na vida real Leo Gordon chegou a cumprir pena na prisão de San Quentin. Posto em liberdade passou a atuar em filmes, sempre dando muito trabalho aos mocinhos como por exemplo John Wayne em “Caminhos Ásperos” (Hondo). Leo Gordon foi ainda um bem sucedido escritor e 28 de suas histórias viraram filmes de cinema ou televisão.
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Rodolfo Acosta e Alfonso Bedoya foram os dois mais conhecidos bandoleros mexicanos de Hollywood. E Acosta, antes de ser tornar hombre malo era galã no cinema do México, beijando as mais lindas atrizes. Bedoya faleceu aos 53 anos de idade e Acosta aos 54 anos e depois deles nunca mais Hollywood importou de além do Rio Grande vilões tão característicos.
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A fisionomia de John Doucette lembrava um pouco a de Ernest Borgnine. Por isso mesmo seria difícil Doucette se tornar galã no cinema, tendo de se contentar em interpretar tipos característicos. Com a mesma facilidade que era homem mau, este excelente ator podia ser respeitado cidadão. Abandonando o cinema, Doucette passou a lecionar Arte Dramática em sua própria escola, a ‘Stagecoach Acting Scool’.


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I. Stanford Joley e Pascual García Peña
Entre os demais bandidos de “Cidade do Mal”, cujo título original é muito apropriadamente “City of Bad Men”, estão alguns atores menos conhecidos, mas cujo rosto é bastante familiar aos espectadores. Este é, mais especificamente, o caso de I. Stanford Joley, ator que apareceu em 368 filmes, segundo o IMDb, entre cinema e televisão. Isaac Stanford Joley é lembrado por ter participado dos mais importantes seriados da Republic Pictures, assim como mais de uma centena de westerns B, invariavelmente como homem mau. O engraçado Pascual García Peña já havia atuado em dúzias de filmes no México quando tentou a sorte em Hollywood, não conseguindo, no entanto, fazer carreira na terra do cinema. Retornou então ao México retomando carreira em seu país.

11 de março de 2016

WESTERNTESTEMANIA N.º 41 - LEE VAN CLEEF (I)


Veja as respostas a no final do teste.












7 de março de 2016

O ESTRANHO SEM NOME (HIGH PLAINS DRIFTER) – O VINGADOR SOBRENATURAL


Acima Clint Eastwood e Jessica
Walters em "Perversa Paixão";
nas outras fotos a cidade de Lago.
Em 1971 o já consagrado ator Clint Eastwood dirigiu “Perversa Paixão” (Play Misty for Me), seu primeiro filme como diretor. Esse thriller rendeu muito bem nas bilheterias (cinco milhões de dólares), o que deixou a Universal Pictures muito contente. Mais ainda porque o novato diretor entregou o filme antes do prazo e gastando 25 mil dólares a menos que o orçamento previsto de 750 mil dólares. No ano seguinte Clint propôs ao estúdio nova parceria com a sua produtora Malpaso para rodar, desta vez, um western cuja sinopse com apenas nove páginas ele havia lido e gostado. O filme se chamaria “High Plains Drifter” (O Estranho Sem Nome, no Brasil). A Universal concordou em gastar cinco milhões e meio de dólares com a nova produção, que, segundo o estúdio, deveria ser rodada na cidade western da Universal, em Los Angeles. Clint discordou e exigiu que o cenário, uma pequena cidade do Velho Oeste, fosse construída no Lago Mono, um gigantesco lago salgado situado nas serras ao Leste da Califórnia. A Universal preferiu não discordar do homem que parecia possuir o toque de Midas, cujos filmes rendiam muito dinheiro... A cidade de Lago que se vê no filme, toda de madeira, foi construída em 18 dias, devendo ser queimada ao final do filme, como parte do roteiro. Ernest Tidyman foi contratado para desenvolver a trama, ele que estreara no cinema como roteirista de “Shaft” e de “Operação França”, pelo qual recebera o Oscar de Melhor Roteiro de 1971. Ninguém poderia supor que Clint Eastwood, sob clara influência do estilo de Sergio Leone, iria realizar um dos mais assustadores faroestes do cinema.


Acima a chegada do estranho a Lago;
William O'Connell e Clint Eastwood;
abaixo Geoffrey Lewis, Anthony James
e Dan Vadis.
Lago de fogo - Na isolada cidade de Lago há uma mineradora explorada por cidadãos locais e situada em terras do governo, fato que quando descoberto, leva ao assassinato do delegado Jim Duncan (Buddy Van Horn). Duncan é morto a chicotadas na rua principal de Lago por Stacey Bridges (Geoffrey Lewis) e pelos irmãos Cole Carlin (Anthony James) e Dan Carlin (Dan Vadis). Os três assassinos cometem o crime a mando de seus patrões, os comerciantes locais, todos sócios da mineradora. Para se livrar do trio que é procurado pela Justiça, os habitantes de Lago executam uma emboscada para os três homens, resultando na prisão dos mesmos. Libertados um ano depois, Bridges e os irmãos Carlin se dirigem a Lago para o acerto de contas com seus traidores ex-patrões. Antes, porém, de chegarem a Lago, adentra a cidade um estranho (Clint Eastwood) que mata friamente, em legítima defesa, três homens que o provocaram. Em seguida o estranho estupra Callie Travers (Marianna Hill), jovem mulher que igualmente provoca e xinga o desconhecido. Atemorizados, os homens importantes de Lago decidem contratar o estranho para protegê-los do trio de assassinos que está a caminho. O estranho impõe uma série de condições para aceitar o trabalho e entre essas condições, aceitas com pouca relutância, está nomear o diminuto quase anão Mordecai (Billy Curtis) como delegado e prefeito de Lago. Outra exigência do desconhecido é pintar inteiramente a cidade de vermelho, chamando-a de ‘Hell’ (inferno). O estranho treina os habitantes de Lago/Hell para recepcionar a tiros os três assassinos que se aproximam e estes quando chegam dominam facilmente a situação. São surpreendidos, no entanto, com um incêndio que destrói quase que inteiramente a cidade. Em meio às casas incendiadas resurge o estranho que, um a um, mata Stacey Bridges, Dan e Cole Carlin, partindo em seguida, da mesma forma que chegou a Lago, sem que se saiba quem ele é.

Billy Curtis e a sepultura do delegado morto;
abaixo Clint Eastwood e Billy Curtis.
Dupla vingança - Boa parte dos westerns, norte-americanos ou não, têm como tema algum tipo de vingança. Nunca, porém, uma vingança foi mostrada de forma tão assustadora e enigmática como em “O Estranho Sem Nome”. As dúvidas permanecem na cabeça de quase todos que assistem a esse western e Clint Eastwood se apressou, à época, em explicar que o misterioso vingador seria o irmão do delegado assassinado a chicotadas. Corrobora a versão de Clint a presença do stuntman Buddy Van Horn, visto claramente nas sequências da brutal execução do delegado Jim Duncan, morto e enterrado, como indica a lápide no cemitério de Lago. Porém, apesar desse fato, o filme de Eastwood dá claras pistas que o estranho seria o próprio delegado Jim Duncan, morto que sobrenaturalmente reaparece para executar sua vingança. Dupla vingança contra os três bandidos que o castigaram até a morte e mais extremamente cruel contra a população de Lago que passivamente o viu morrer dilacerado por chicotadas. O estranho reconhece o trio de assassinos e sabe exatamente quem são as pessoas que o viram sucumbir sem que nada fizessem para impedir a bárbara execução. O estranho impõe toda sorte de humilhações aos moradores de Lago, mas somente atira contra aqueles que tentam matá-lo dentro do hotel, imaginando que ele estivesse dormindo. Sua intenção é fazê-los sofrer, infligindo aos comerciantes prejuízos financeiros com as perdas de parte de suas mercadorias, coagidos a delas abrir mão, além de humilhá-los como se fossem os seres mais desprezíveis.

Verna Bloom (acima) e
Marianna Hill.
A cidade da covardia - Lago é uma cidade onde todos são covardes, e a exceção única é Sarah Belding (Verna Bloom), mulher do dono do hotel (Ted Hartley). Sarah desafia o estranho não aceitando seu comportamento, mas ele sabe que, apesar de ser diferente dos demais, Sarah anseia ser possuída pelo misterioso desconhecido. O mesmo ocorrera com Callie Travers, a quem o estranho força a fazer sexo com ele, relação que ela hipocritamente insinua não ter sido consentida, mas que causa à mulher evidente satisfação. A covardia dos moradores de Lago é uma das muitas referências que este western faz a “Matar ou Morrer” (High Noon), clássico estrelado por Gary Cooper, assim como a chegada dos três bandidos que tanto apavora as pessoas de Lago. E como no memorável filme de Fred Zinnemann, “O Estranho Sem Nome” é igualmente um estudo sobre a covardia de todo um grupo de pessoas unidas pela pusilanimidade. Um dos bandidos chama-se Bridges (referência a Lloyd Bridges). E Sarah tem muito da coragem e dignidade de Helen Ramirez (Katy Jurado). Sarah abandonando a cidade degradada ao final do filme, assim como fez Helen Ramirez enojada com os habitantes de Headleyville. Mas as similitudes com “Matar ou Morrer” param por aí pois este western de Eastwood, diferente de qualquer outro, é aterrorizante em sua forma e conteúdo.

Billy Curtis e Clint Eastwood; Clint e Walter Barnes.

Clint Eastwood e Verna Bloom.
Vingador repulsivo - O estranho interpretado por Clint Eastwood é um ser repulsivo em sua maldade, ainda que suas bizarras exigências cheguem a soar cômicas num filme que não se pretende engraçado. Tudo que o estranho faz é em nome da vingança pelas chicotadas que tiraram a (sua?) vida de Jim Duncan. E ele só se dá por satisfeito ao ver Lago queimada com o pouco que sobrou exibindo cores que denotam ser ali o inferno, tanto que a tabuleta indicativa do nome da cidade foi por ele pichada com a palavra ‘Hell’. Eastwood superdimensionou a crueldade do taciturno personagem criado por Sergio Leone e que encaminhou o ator para a fama. À falta do poncho, ali estão a sisudez, as respostas sarcásticas e a indefectível cigarrilha, além da frieza no olhar e na destreza com que maneja seu Colt e as bananas de dinamite. Já se disse que este personagem do primeiro western dirigido por Eastwood é uma mescla do que possuíam de pior ‘Il Buono’ (Clint), ‘Il Brutto’ (Lee Van Cleef) e ‘Il Cattivo’ (Eli Wallach) do clássico de Sergio Leone. E Eastwood adiciona o componente sobrenatural que reviveria em outro ‘estranho’ notável que é o pregador de “O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), o excepcional western que Clint filmou em 1985.

Clint Eastwood
Ambientação apavorante - O diretor faz com que o estranho dê ao espectador a certeza de sua invulnerabilidade, mesmo quando, distraído, é salvo por Mordecai de ser alvejado pelas costas. Somente em uma sequência o estranho se mostra mais humano e é quando entrega cobertores e potes de doces aos índios que estão no armazém. Mais que agradar aos maltratados nativos, o estranho quer é demonstrar seu ilimitado prazer em humilhar quem o viu ser torturado. E não escapam as mulheres, a quem o estranho usa para sua (e delas) satisfação carnal. Como diretor Eastwood demonstra sua preferência, por vezes excessiva, por sequências noturnas, tornando o filme ainda mais tétrico. Excelente trabalho do cinegrafista Bruce Surtess contribuindo ainda mais para a ambientação apavorante de Lago. A música, que ficou a cargo de Dee Barton, poderia ser mais sinistra e fica-se a imaginar o que Ennio Morricone teria feito para dar cores musicais mais tenebrosas a “O Estranho Sem Nome” com a guitarra e o coral de Alessandroni e uma voz que se aproximasse da voz de Edda Dell’Orso. Eastwood tem total domínio do andamento da ação e das reações do povo de Lago, ampliando momento a momento a tensão até o desfecho impressionante.

Paul Brinegar (acima) e Billy Curtis (abaixo).
Eastwood sombrio e desalmado - Com “O Estranho Sem Nome” Clint Eastwood começou a formar sua ‘stock company’, a exemplo de John Ford, com um grupo de atores que viriam a fazer parte do elenco dos próximos filmes da sua Malpaso. William O’Connell (o barbeiro), Dan Vadis e Geoffrey Lewis (dois dos assassinos), John Quade, que estala o chicote assustando o estranho e que depois é morto por ele. Walter Barnes (o delegado de Lago) é o forte lutador que vence Eastwood em “Doido para Brigar, Louco para Amar”. E Paul Brinegar, que por anos atuou na série “Rawhide” foi também lembrado pelo amigo ator-diretor-produtor. Nunca reconhecido como grande ator, Clint Eastwood é insuperável na composição do tipo que o tornou famoso, tipo dos mais imitados após seu sucesso na ‘Trilogia dos Dólares’ de Sergio Leone. Verna Bloom poderia ter um papel mais relevante, ótima atriz que é, limitada a olhares e poucas falas. Billy Curtis é destaque em sua participação como o irônico pequeno homem de Lago. Geoffrey Lewis, outro que acompanhou Eastwood em diversos filmes, é diabólico em sua maldade neste faroeste assustador.

Anthony James, Geoffrey Lewis e Dan Vadis

Clint Eastwood
Reverência aos mestres - “O Estranho Sem Nome” deixa de ser um filme perfeito por, intencionalmente ou não, instalar a dúvida quanto à identidade do vingador. A presença de Buddy Van Horn como o delegado torturado conflita com o que teria de sobrenatural o vingador que transforma Lago em um inferno. Clint primaria, ao longo de sua carreira, por fazer filmes claros e diretos e essa situação controversa não pode ser entendida como ‘final aberto’ sujeito a interpretações. Compromete, isto sim, o que seria a primeira obra-prima entre os westerns dirigidos por Eastwood. Rendendo mais de 15 milhões de dólares, este faroeste confirmou o nome de Clint Eastwood como grande atração de bilheteria no mundo todo. Pelas quatro décadas seguintes, mesmo com inegáveis altos e baixos, o diretor Clint Eastwood inscreveria seu nome entre os mais importantes realizadores do cinema de todos os tempos, à frente de seus mestres Sergio Leone e de Don Siegel.

Buddy Van Horn como aparece em "O Estranho Sem Nome".

3 de março de 2016

TOP-TEN WESTERNS DO CINÉFILO CEARENSE MAGNO PONTE


Acima Howard Keel, Ava Gardner,
Robert Taylor e Anthony Quinn em
"A Bela e o Renegado"; abaixo o
brinquedo preferido de Magno.
Nascido em Fortaleza, em 1971, o menino Magno Ponte foi em meados dos anos 70 pela primeira vez ao Cine São Luiz, na capital cearense, para assistir “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, filme estrelado por Gene Wilder. Foi o início do fascínio pelo cinema que cresceu adolescência adiante e perdura até hoje. O brinquedo preferido de Magno, quando criança, era seu Forte Apache com o qual se divertia portando cinturão, cartucheira e um reluzente revólver de espoleta. O menino só trocava esses momentos de alegria por outros que lhe produziam igual felicidade e que era a leitura dos gibis de faroeste e assistir aos filmes do gênero exibidos pela televisão. “A Bela e o Renegado” (Ride, Vaquero!), com Robert Taylor, Anthony Quinn e Ava Gardner, foi o primeiro western que Magno assistiu pela telinha e a partir daí ele jamais perdia a ‘Sessão Western’ da TV Globo e a ‘Segunda Sem Lei’, da TV Bandeirantes. Outros gêneros de filmes também atraíam o cinéfilo iniciante que viu sua paixão pelo cinema crescer, assim como crescia sua coleção de revistas dedicadas à 7.ª Arte, entre elas ‘Cinemin’ e ‘Set’. Não satisfeito, Magno garimpava edições das clássicas ‘Cinelândia’ e ‘Filmelândia’ dos anos 50 e 60, muitas delas presenteadas por amigos e parentes, revistas que se juntavam às internacionais que ele conseguia adquirir para aprofundar seu conhecimento sobre cinema. E Magno folheava ‘O Cruzeiro’, ‘Manchete’, ‘Realidade’, ‘Veja’ e outras que lhe caíam em mãos, em busca de reportagens que falassem de filmes e artistas.

Algumas das revistas que Magno adquiriu em sua vida de cinéfilo.

Durante alguns anos Magno anotava em agendas todos os filmes que assistia, com as respectivas fichas técnicas, aduzindo comentários e cotações que ele mesmo fazia. Com tamanho e precoce conhecimento, Magno passou, aos 15 anos de idade, a colaborar com o programa ‘Noite de Cinema’, da TV Educativa do Ceará, redigindo a coluna ‘Astros Inesquecíveis’. Chegando à idade adulta, Magno diversificou seu interesse pelo cinema, descobrindo cineastas de outros países, mesmo aqueles tidos como realizadores de filmes considerados ‘de arte’. Casado e pai de dois filhos, Magno extrai de sua vida profissional momentos para se dedicar à arte de modo geral, tendo criado a página ‘Blog Cultural 10+’ no Facebook.

Banner da página de Magno Ponte no Facebook, com seus artistas e personalidades
preferidas: Clarice Lispector, Frank Sinatra, Chico Buarque, Charles Chaplin,
Maria Bethania, Marlon Brando, Cassius Clay, Bette Davis, Zico e Bob Dylan.

Nesse espaço do Facebook Magno promove discussões, resgata memórias e cria listas, de sua autoria, sobre diversos temas culturais. Ali o seguidor do ‘10+’ pode saber quem são os melhores, na opinião de Magno Ponte, da música brasileira, internacional, rock, esportes e, claro, do cinema em seus diversos gêneros. Um deles, o amado faroeste. Magno enviou para o WESTERNCINEMANIA seu Top-Ten Westerns, enriquecido por pequenos comentários de sua autoria (em itálico) que denotam o quanto ele é conhecedor do gênero que imortalizou John Wayne. Eis a seleta lista de Magno Ponte:


1.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford

O maior dos filmes americanos. Obra-prima que traz John Wayne em antológica atuação numa jornada de vingança e resgate quando sua sobrinha é sequestrada pelos índios e ele empreende uma busca angustiante que dura anos. Uma perfeição em todos os sentidos, síntese de toda a mitologia do gênero, com fotografia, elenco, roteiro e direção extraordinários.
A grande sequência: com o olhar assustadoramente frio e a expressão mais raivosa que o cinema já mostrou, John Wayne atira nos olhos do índio morto para espanto dos que o acompanham e para explicar em seguida: na crença indígena, aquele que não possui olhos nunca terá o descanso dos mortos. 



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2.º) No Tempo das Diligências (1939) – John Ford

O filme que deu status de obra de arte para os faroestes. Orson Welles disse tê-lo visto dezenas de vezes para fazer “Cidadão Kane”. A diligência que percorre o inóspito território americano contém o microcosmo da sociedade americana no século XIX, com o pistoleiro, o vendedor, a prostituta, o médico bêbado, a esposa grávida, o jogador, ameaçados o tempo inteiro pelos índios, no início de forma sugestionada até tornar-se assustadoramente real.
A grande sequência: O ataque dos índios à diligência em fuga é um primor de montagem e emoção. Insuperável e uma das imagens eternas da história do cinema.



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3.º) Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 – Clint Eastwood

Ganhador dos Oscars de Melhor Filme e Melhor Diretor. Clint guardou o projeto por quase 20 anos esperando estar maduro o suficiente para interpretar o velho pistoleiro recluso que, por necessidade, aceita um último contrato. Com atores espetaculares e roteiro preciso, fez talvez o melhor filme dos últimos 25 anos do cinema mundial.
A grande sequência: Para vingar o parceiro trucidado, exposto num saloon, o pistoleiro bêbado, entre chuva, relâmpagos e trovões, mata cinco homens, não sem antes revelar sua identidade para o assombro de todos. Respondendo a Gene Hackman que dizia não merecer morrer desta forma, ele fuzila: “Merecer não tem nada a ver com isso”. Uma poderosa e impressionante fábula.



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4.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks

Repleto de ação e vigor, este western veio como resposta aos faroestes psicológicos produzidos nesta década, em que um homem acuado buscava ajuda e sofria com a solidão e consciência ante o perigo. Aqui, o gigante John Wayne enfrenta tudo e todos, apenas com a ajuda de um bêbado, um velho deficiente e um jovem afoito, para manter preso o irmão de um chefão do crime na cidade. Uma mistura perfeita de ação, humor, interesse romântico e com a força da música do grande Dimitri Tiomkin. Irretocável.
A grande sequência: A maior sequência inicial da história dos westerns, quase cinco minutos sem vozes. Após ser derrubado por Dean Martin, um bêbado humilhado atrás de uma moeda para beber que foi lançada numa escarradeira, o xerife Wayne, ensanguentado, persegue um bandido que matara minutos antes outro cowboy no saloon, até acertá-lo num rodopio com um rifle, massacrando seu rosto.



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5.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford

Certa vez perguntaram a John Ford o que era o cinema para ele. O mestre respondeu: “Já viu Hery Fonda caminhando? Isto é cinema”. Outra imagem icônica é aquela em que o delegado Wyatt Earp se equilibra numa cadeira à frente da delegacia. É a reconstrução do famoso duelo no Ok Curral que contrapôs os irmãos Earp e o jogador Doc Holliday contra a quadrilha Clanton. A música-tema e título ‘(Oh My Darling) Clementine’ é um clássico e Victor Mature nunca esteve tão bem.
A grande sequência: após ter o irmão assassinado e aceitar o cargo de delegado em Tombstone, Earp é interpelado pela quadrilha Clanton e revela seu nome e sobrenome para surpresa e temor dos bandidos. Um dos mais bonitos filmes já feito no cinema americano. Tudo inspirado, singelo e irrepreensível.



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6.º) Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962 – Sam Peckinpah

Faroeste repleto de humanidade e nostalgia, retratando os conflitos de dois veteranos contratados para escoltar uma quantia em ouro até o bando de uma cidade distante. Com dois atores símbolos da época de ouro dos westerns, é um maravilhoso filme sobre amizade, honra, saudosismo e valentia. Foi tão especial a reunião num faroeste destas duas lendas vivas, que ocorre a lenda que Scott e McCrea sortearam, qual nome sairia primeiro nos créditos do filme. Uma jóia rara. Um dos mais emocionantes filmes do gênero, uma explosão de talento do jovem diretor Peckinpah.
A grande sequência: para ler os termos do contrato da escolta, o veterano cowboy Scott vai ao banheiro, na verdade um pretexto para usar os óculos reservadamente e não demonstrar a velhice.



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7.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens

Shane é o forasteiro que chega junto do espectador numa região explorada por um bandido e barão de gado e é acolhido por uma família de rancheiros. O fascínio por Shane influenciará todos, especialmente o garoto, filho do casal, levando o pistoleiro ao confronto com os bandidos. Shane é um sonho, um fantasma, ou um anjo? Um dos mais belos faroestes do cinema, considerado o clássico dos clássicos no gênero. Objeto de paixão e culto.
A grande sequência: O duelo final entre Alan ladd e um Jack Palance todo vestido de preto, onde a câmera focaliza um cachorro sorrateiramente deixando o saloon e o garoto vendo tudo por debaixo da porta. Depois disso, os gritos do garoto ecoando na nossa mente... Shane... Shane... Shane... Shane...



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8.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Una Volta Il West), 1968) – Sergio Leone

Uma fazendeira viúva enfrenta pistoleiros e políticos em meio à construção da ferrovia e chegada da civilização ao velho oeste americano. O genial diretor Leone promove uma fusão do western clássico americano com a violência explícita dos westerns spaghetti italianos, resultando numa grande homenagem ao gênero, com sensibilidade e preciosismos excepcionais. A trilha sonora célebre de Ennio Morricone, a presença mítica de Henry Fonda como vilão e o som da harmônica de Bronson (melhor que nunca) são arrepiantes e por si só icônicas. Uma obra-prima sob todas as perspectivas. Sem esquecer da musa Cláudia Cardinalle, uma das mais belas da história.
A grande sequência: O início do filme na ferrovia com Woody Strode, Jack Elam e Al Mulock esperando Charles Bronson descer do trem para um duelo mortal. Cheio de clima e suspense. Show.



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9.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinaph

Talvez o mais impressionante faroeste de todos os tempos, com um diretor genial comandando um elenco magnífico em cenas de absoluto impacto, repletas de violência, crueza e arrebatamento. William Holden está excepcional como o mercenário que comanda uma quadrilha em assaltos e golpes, sem escrúpulos ou arrependimentos, até surpreendentemente se redimir ao adotar um código de honra insuspeito e suicida. Com violência gráfica e em câmera lenta, é um dos últimos clássicos do gênero western do cinema americano, absolutamente brilhante e essencial.
A grande sequência: Ao se verem cercados pelo exército mexicano numa fortaleza e enfurecidos pela tortura de seu amigo, William Holden e Ernest Borgnine se entreolham e consentem, com júbilo, um grand finale suicida mas honrado. Não antes de matarem muitas dezenas de inimigos. 




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10.º) O Matador (The Gunfighter), 1950 – Henry King

O título de mais rápido gatilho do oeste acompanha a vida do pistoleiro Johnny Ringo, que agora deseja descanso e uma vida simples e feliz com sua esposa e filho. Mas a maldição dessa fama nefasta e o currículo de 15 mortes o perseguem e instigam carreiristas a confrontá-lo a todo instante. Considerado o mais importante e seminal dos faroestes psicológicos, este clássico traz o galã Gregory Peck descaracterizado em papel de vilão, de bigode, mas com presença cênica imponente.

A grande sequência: Após ser atingido, pelas costas, por um jovem arrivista, o pistoleiro Johnny Ringo sente a libertação e projeta o inferno que o covarde e oportunista bandido herdará. Catarse.




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Parte do acervo de livros, revistas e filmes que Magno Ponte coleciona há mais
de um quarto de século.

"Cidadão Kane", que Magno Ponte considera o primeiro entre os 'Filmes
Indispensáveis', conforme publicação na página 'Blog Cultural 10+' no Facebook.

Magno Ponte ao lado de Audrey Hepburn (como Holly Golightly), na tela do
Cine São Luiz, em Fortaleza. A foto foi feita por ocasião de visita do cinéfilo
ao Museu de Cera Madame Tussauds, em Londres.