UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

13 de setembro de 2014

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE CLAYTON MOORE, O ETERNO THE LONE RANGER

Jack Carlton Moore - 14/9/1914 - 28/12/1999

Kay Aldridge e Clayton Moore em luta com
um árabe em "Os Perigos de Nyoka".
Clayton Moore tem lugar reservado entre os mais queridos mocinhos do cinema e da TV, especialmente por ter personificado como nenhum outro ator o inesquecível Cavaleiro Solitário ‘The Lone Ranger’. Antes de imortalizar o herói mascarado na televisão, Clayton Moore secundou Larry Buster (Flash Gordon) Crabbe como Rei dos Seriados, tantos foram os eletrizantes filmes em capítulos em que Clayton Moore atuou. Quando Moore apareceu em “Os Perigos de Nyoka” (Perils of Nyoka), seriado de 1942, ele roubou todas as cenas da protagonista Kay Aldridge enfrentando e vencendo toda sorte de riscos. Os jovens e atentos frequentadores das matinês já apostavam que nascia ali um futuro grande mocinho e não erraram. Depois daquele seriado Clayton Moore apareceria em nada menos que outros onze seriados sempre agradando em cheio à legião de fãs que sabiam que o nome de Clayton Moore era sinônimo de muita ação.

Um ás dos seriados - A extensa lista de seriados nos quais Clayton Moore teve destaque foram os seguintes: “O Espírito Escarlate” (The Crimson Ghost), de 1946; “A Volta de Jesse James” (Jesse James Rides Again), de 1947; “Vingadores do Crime” (G-Men Never Forget) e “Aventuras de Frank e Jesse James” (Adventures of Frank and Jesse James), ambos de 1948; "O Fantasma do Zorro” (Ghost of Zorro), de 1949; “O Mistério do Disco Voador” (Flying Disc Man from Mars), de 1951; “O Cavaleiro Relâmpago” (Son of Geronimo) e “Cody, o Marechal do Universo” (Radar Men from the Moon), os dois de 1952; “Tambores Feiticeiros” (Jungle Drums of Africa), de 1953; “O Sinal do Cavalo Branco” (Gunfighters of the Northwest), de 1954. E Clayton Moore apareceu, sem ter seu nome nos créditos, em “A Legião do Zorro” (Zorro’s Fighting Legion), de 1939, o que eleva para doze o número total de seriados em que atuou. Para quem não faz ideia do que significavam os seriados nas matinês, lembro que eram mais os seriados e menos os filmes que lotavam as barulhentas sessões dos domingos à tarde nos cineminhas de bairro espalhados pelo Brasil inteiro. Abaixo Clayton Moore em fotos de seriados que participou.

Com Kay Aldridge em "Os Perigos de Nyoka"; em “O Espírito Escarlate” com
Linda Stirling e o Crimson Ghost; com John Compton em 
“A Volta de Jesse James”.

Lutando contra um vilão em “Vingadores do Crime”; com Steve Darrell em“Aventuras de Frank e Jesse James”; com Roy Barcroft em  "O Fantasma do Zorro”.

Em “Cody, o Marechal do Universo”;
lutando contra Roy Glenn em "Tambores Feiticeiros".

Ao lado de Bud Osborne em “O Cavaleiro Relâmpago”;
com Jack Mahone e Lyle Talbot em 
 “O Sinal do Cavalo Branco”.

Clayton Moore ainda à procura
de uma identidade.
Fora do panteão dos grandes mocinhos - Paralelamente aos seriados o jovem e atlético ator de 1,85m de altura desenvolvia bela sequência de atuações, principalmente nos westerns-B. Moore teve que interromper sua carreira ao ser convocado para servir na U.S. Army durante a II Guerra Mundial, lutando por três anos (1943/1945). Antes disso Havia atuado no primeiro filme norte-americano que focalizou o conflito mundial, filme que se chamou “Perigo Amarelo” (Black Dragons), produzido em 1941. Nesse filme Bela Lugosi interpreta um médico nazista que alterava os rostos dos espiões japoneses, transformando-os em norte-americanos. Clayton Moore era o mocinho que derrotava o vilão Lugosi. Voltando da guerra Moore seguiu alternando papéis principais nos seriados com os de coadjuvante nos filmes de média e longa-metragens. Apesar da boa impressão que sempre deixava nos filmes que participava, Moore não conseguia ascender ao panteão dos grandes mocinhos do cinema, lá onde um dia estiveram William S. Hart, Harry Carey, Buck Jones, Ken Maynard e Tom Mix e onde luziam, nos anos 40, Roy Rogers, Rocky Lane, Tex Ritter, Gene Autry, Hopalong Cassidy e Durango Kid. Clayton Moore parecia mesmo fadado a ser apenas mais um mocinho sem a identificação própria como tinham Tim Holt, Bill Elliott e Johnny Mack Brown. Isso mesmo tendo talento que nada ficava a dever aos também famosos cowboys Bob Steele, Buster Crabbe, Rod Cameron, Sunset Carson e Lash LaRue.

Clayton Moore se encontra com
o personagem de sua vida.
Chega o maior inimigo do cinema - A sorte de Clayton Moore iria mudar exatamente em 1949, ano em que todos os mocinhos das matinês dominicais (Saturday afternoons nos States) se viram ameaçados por um inimigo pior que todos os foras-da-lei juntos: a televisão que chegava com força avassaladora prometendo acabar com o hábito de ir ao cinema. O produtor George W. Trendle já havia testado 75 candidatos para interpretar a versão do cavaleiro solitário The Lone Ranger numa série feita para a televisão. Trendle sabia que o novo veículo iria prender cada vez mais pais e filhos em suas próprias salas, esvaziando até mesmo as matinês. Para isso o herói mascarado seria uma grande atração nessa nova mídia. Clayton Moore decidiu se apresentar como candidato, até porque já havia usado máscaras no cinema em alguns seriados. Após o teste de Moore, o produtor George W. Trendle deu a busca por encerrada pois encontrara o tão sonhado e perfeito The Lone Ranger.

O jovem galã Clayton Moore.
Jovem modelo - Clayton Moore, cujo nome verdadeiro era Jack Carlton Moore, nasceu em Chicago no dia 14 de setembro de 1914, filho de um construtor. Contrariando o desejo do pai que queria que o filho fosse médico, Jack foi, em sua juventude trapezista de circo e ótimo nadador e mergulhador. E não poderia ser de outra forma pois um de seus instrutores era ninguém menos que Johnny Weissmuller. Um acidente que lhe causou uma séria contusão afastou o jovem Jack do circo e da natação, levando-o a se tornar modelo devido à sua bela estampa. Daí para o cinema foi uma questão de (pouco) tempo, momentos em que Jack se distraía ouvindo um dos mais populares programas de rádio dos anos 30, justamente “The Lone Ranger”. Jack Carlton era fascinado pelas histórias do Ranger Solitário e conhecia bastante bem a origem do herói. Adotando o nome artístico de Clayton Moore, o jovem assinou contrato com a Republic Pictures, atuando inicialmente como stuntman e fazendo pontas em filmes.

Louis Hayward e Clayton Moore em
"O Filho de Monte Cristo".
Assumindo o personagem - Em “Kit Carson”, faroeste de 1940 protagonizado por Jon Hall, Moore tem um dos principais papéis, assim como em “O Filho de Monte Cristo” (The Son of Monte Cristo), com Louis Hayward. E para se projetar Moore atuava indistintamente em musicais e comédias. Mais tarde Clayton Moore pode ser visto em westerns-B de Roy Rogers, Charles Starrett, Tim Holt, Don ‘Red’ Barry, Gene Autry e Rocky Lane, isto até ganhar o papel de seu herói preferido na futura série de TV. Então Clayton Moore entregou-se inteiramente ao personagem, assumindo de corpo e alma a figura do The Lone Ranger. Começou treinando a voz para que esta ficasse idêntica à que era conhecida pelos ouvintes da série de rádio, a voz do ator Bruce (Brace) Beemer. Assim como o herói que passou a interpretar, Clayton Moore era íntegro, levava uma vida austera, não fumava nem bebia e não demonstrava interesse por mulheres fora do casamento ou por dinheiro. A vida do ator confundia-se com a do personagem que encarnava na TV, tornando-se um ídolo não apenas das crianças e adolescentes, mas também dos pais, especialmente pelos princípios que norteavam suas palavras e atos.

Biografia de Clayton Moore.
Contratempo inesperado - “The Lone Ranger” não foi a série western pioneira da televisão norte-americana, primazia que ficou para “The Hopalong Cassidy Show”, programa estreado três meses antes do criado por George W. Trendle. No entanto “The Lone Ranger” obteve sucesso muito maior, tanto que a série estrelada por William Boyd seria produzida apenas por duas temporadas, enquanto Clayton Moore teve que protagonizar o mascarado cavaleiro solitário por muitos anos. Das séries westerns produzidas para a televisão, apenas Gunsmoke (640 episódios), “Death Valley Days” (532), Bonanza (440) e “O Homem de Virgínia” (225) tiveram mais episódios produzidos que “The Lone Ranger”, que atingiu 221 episódios. Exibido em muitos países e alcançando enorme sucesso nos Estados Unidos, em 1952 Clayton Moore pediu ao produtor um pequeno e razoável aumento de salário, já que Trendle estava cada vez mais rico com o filão descoberto com o mocinho mascarado e seu companheiro Tonto. Como se sabe produtores são todos avarentos e Trendle não era exceção, negando qualquer reajuste no minguado salário de 500 dólares semanais que Moore recebia. O ator então decidiu lutar por seus direitos e respondeu que com aquele salário irrisório não voltaria a colocar a máscara do cavaleiro solitário. Trendle então contratou John Hart para substituir Moore e a audiência do programa despencou para desespero do produtor. Foram 52 episódios da série “The Lone Ranger” que poucos se interessaram em assistir pois faltava Clayton Moore. Ao final da 4.ª temporada a marca criada por George W. Trendle perdera muito de seu valor e o veterano produtor a vendeu para Jack Wrather, presidente da Wrather Corporation. A primeira providência de Wrather foi dispensar John Hart e recontratar Clayton Moore pagando a ele 1.500 dólares por semana, mas proibindo-o através de clausula contratual de aparecer em público sem a máscara do cavaleiro solitário. Clayton Moore, em seu livro “I Was the Masked Man” nega que sua saída da série tenha sido por questões salariais e sim por diferenças artísticas. Clayton chegou a afirmar que interpretaria The Lone Ranger até de graça e queria que a série tivesse produção mais bem cuidada para enfrentar na audiência as dezenas de séries westerns que passaram a ser produzidas. Recuperando o personagem que era seu, Clayton Moore foi The Lone Ranger até o final da série.

Retorno ao cinema - Durante a temporada em que esteve afastado do personagem que ele adorava, Clayton Moore voltou a participar de filmes, atuando em onze filmes em 1952, dez deles westerns, sem contar os seriados. Clayton Moore teve a oportunidade de interpretar William F. Cody, o Búfalo Bill, no western “Búfalo Bill e os Índios” (Buffalo Bill in the Tomahawk Territory). Muito mais importante foi “Os Brutos Também Amam” (Shane), clássico em que Clayton Moore tem uma pequena participação, quase figuração, como um dos capangas dos irmãos Ryker. Moore sequer foi creditado nesse trabalho. É dessa fase ainda “Tambores Feiticeiros”, um dos melhores seriados produzidos para o cinema quando o gênero agonizava. O sucesso da série “The Lone Ranger” levou o produtor Jack Wrather a produzir dois longa-metragens. O público pode então ver em cores e em tela grande o garboso herói mascarado montando Silver, seu portentoso cavalo branco, ao lado de Tonto, o fiel companheiro de aventuras. Em 1956 os fãs da série puderam assistir “The Lone Ranger” (Zorro e o Ouro do Cacique) e em 1958 foi a vez de “The Lone Ranger and the Lost City of Gold” (Zorro e a Cidade Perdida do Ouro). Finda a série de TV em 1957 a identificação de Clayton Moore com o personagem era tamanha que o ator recusou diversas ofertas de trabalho para interpretar personagens que não condiziam com a imagem por ele criada na televisão e no cinema. O único trabalho que Clayton Moore aceitou fazer nessa época foi aparecer como convidado especial num episódio da série “Lassie”, em 1959, interpretando The Lone Ranger.

Clayton Moore em cenas de "Buffalo Bill e os Índios".
Acima Clayton Moore interpretando o personagem 'Ray D'Arcy' em
"Intrépido Xerife" (Sheriff of Wichita) ao lado de Rocky Lane; outra vez
com Rocky Lane em "Estalagem Misteriosa (Marshal of Amarillo).

Clayton Moore rendendo Hopalong Cassidy num episódio da série de TV
de Hopalong; dando uma lição a um malfeitor.

Clayton Moore como 'The Hawk', em "O Gavião do Rio Bravo"
(The Hawk of Wild River), western de Durango Kid (Charles Starrett).


Os leitores brasileiros tinham dois heróis
chamados 'Zorro' para se emocionar.
Os dois Zorros no Brasil - Será que Clayton Moore tomou conhecimento da confusão criada no Brasil, onde The Lone Ranger recebeu o nome do herói de capa-e-espada ‘Zorro’? Curiosamente os fãs brasileiros aceitaram com naturalidade essa associação dos personagens, sabendo distinguir perfeitamente um do outro e vibrando indistintamente, ainda que o ‘Zorro do Velho Oeste’ tenha tido um apelo muito maior, seja pela série de TV exaustivamente reprisada, seja pelas aventuras quadrinizadas que foram publicadas no Brasil por mais de 30 anos. A Editora responsável pelas edições do ‘Zorro’ foi a Editora Brasil América Ltda que presenteou os brasileiros com os admiráveis desenhos de Charles Flanders. A Editora Abril passou a publicar simultaneamente anos depois as aventuras do herói criado por Johnston McCulley com Don Diego de La Veja como o alter-ego do Zorro de capa-e-espada.

Clayton Moore no tempo em que
não podia vestir a máscara que
usou no cinema e na televisão.
Um castigo para Clayton Moore - Com o fim da série de TV em 1957, que teve muitas reprises nos anos seguintes, nos anos 60 Clayton Moore passou a levar a figura do Lone Ranger a festivais, paradas, feiras, comerciais e shows de televisão. Não havia inauguração de shopping centers no Oeste e Meio-Oeste que não contasse com a presença de Clayton Moore vestido como The Lone Ranger ou pelo menos com a máscara e o chapéu do justiceiro mascarado. Isso começou a incomodar Jack Wrather que, entre outras coisas, pretendia lançar um longa-metragem com as aventuras do The Lone Ranger interpretado por um ator mais jovem. Antes do lançamento de “A Lenda do Cavaleiro Solitário” (The Legend of the Lone Ranger), com o desconhecido Klinton Spilsbury como o cavaleiro mascarado, a Wrather Corporation acionou a Justiça para impedir que Clayton Moore continuasse a usar a imagem do The Lone Ranger. A Justiça reconheceu o direito da empresa e Clayton Moore foi então proibido de ser o herói que tanto amava. Moore iniciou então uma verdadeira cruzada na qual conseguiu o engajamento de milhares de fãs que escreveram aos jornais demonstrando indignação com a proibição. O caso retornou aos tribunais onde depois de cinco anos de batalha judicial uma corte da Califórnia devolveu a Clayton Moore o direito de usar a identidade que de fato e agora de direito, era dele. O fracasso de “The Legend of the Lone Ranger” pesou nessa decisão pois refletiu o repúdio do grande público a qualquer outro ator que quisesse ser The Lone Ranger em lugar de Clayton Moore.

Iron Eyes Cody, Clayton Moore (de óculos), Roy Rogers, Gene Autry
e Pat Buttram: encontro de ídolos dos faroestes.

Clayton com a esposa Sally.
Óculos como máscara - Enquanto esteve proibido de usar a máscara Clayton Moore jamais tirou do rosto os óculos com grandes lentes escuras, forma que encontrou para evitar ter seu rosto visto e fotografado sem o disfarce, o que só ocorreu em raríssimas ocasiões. Nos anos seguintes Moore continuou a viajar pelas cidades norte-americanas, o que foi aos poucos deixando de fazer, iniciando sua merecida aposentadoria em 1994. Em 1986 Clayton Moore recebeu um duro golpe com a morte da esposa Sally Allen, mãe de sua única filha e com quem estava casado desde 1943. Sally acompanhou toda sua trajetória como o cavaleiro solitário. Antes Moore fora casado por dois anos com Mary Moore. Após o falecimento da esposa Sally, Clayton se casou mais uma vez e esse casamento durou apenas três anos. A quarta e última esposa de Clayton Moore chamava-se Carlita com quem o ator viveu os últimos anos na residência que possuía em Calabasas, Los Angeles.

Clayton Moore entre a esposa Sally e Violet, mãe do ator;
à direita com Sally e os cães da família.

Paradoxo: crianças usando a máscara do The Lone Ranger e Clayton Moore
de óculos escuros sem poder usá-la por decisão da Justiça.

A estrela na Calçada da Fama.
Homenagem a figuras lendárias - Clayton Moore faleceu no dia 28 de dezembro de 1999 vitimado por um ataque cardíaco quando estava com 85 anos. Recebeu como homenagem uma estrela colocada na Calçada da Fama em Hollywood, sendo o único ator que, além do próprio nome, teve inscrito o nome do personagem que o tornou famoso. Em agosto de 2009 o serviço postal norte-americano homenageou Clayton Moore/The Lone Ranger com um selo. Merecidamente Clayton Moore foi conduzido, no ano de 1987, ao National Cowboy Hall of Fame em Oklahoma. E até seus últimos dias aos 85 anos, quando sofreu um ataque cardíaco que o vitimou fatalmente, Clayton Moore somente fez lembrar e enaltecer a figura do grande herói que, ao invés de morrer com Moore, se perpetuou com ele pois ambos sempre serão lembrados como uma só figura lendária galopando pelas pradarias e deixando seu imortal grito HI-YO, SILVER!!!


O selo homenageando o Cavaleiro Solitário; Clayton Moore no final
de sua vida vestido como o herói com quem se identificou inteiramente.

9 de setembro de 2014

SÉRIES WESTERNS DE TV - THE LONE RANGER, UM OUTRO 'ZORRO' NO BRASIL


As séries westerns de TV dominaram o cenário das programações nos primórdios da televisão norte-americana e esse domínio teve início em 1949, com as duas séries pioneiras que começaram a ser exibidas naquele ano. A primeiríssima delas foi “The Hopalong Cassidy Show”, que estreou em junho de 1949. Três meses depois, no dia 15 de setembro, o público pela primeira vez na televisão ouviu o grito “Hi-Yo, Silver!” e viu o herói mascarado montando Silver, seu magnífico cavalo branco, ao som da abertura de “Guilherme Tell”, ópera de autoria de Gioachino Rossini. Naquela noite, exatamente às 19:30 horas, foi ao ar exibido pela rede ABC de televisão o episódio “Enter the Lone Ranger”, o primeiro dos 221 episódios que seriam filmados até 1957 quando terminou a série “The Lone Ranger”, uma das favoritas de todos os tempos entre os fãs de faroeste. Assim como tantas outras séries, “The Lone Ranger” foi criada para o rádio, isto em janeiro de 1933, quando pela primeira vez foi apresentada alcançando enorme sucesso. George W. Trendle, proprietário da rádio WXYZ de Chicago foi o ‘pai’ de Lone Ranger, cujas histórias eram escritas por Fran Striker. O programa de rádio foi levado ao ar até maio de 1956, tendo sido produzidos nada menos que 2.956 episódios com as aventuras do cavaleiro solitário e seu amigo Tonto.

À esquerda Bruce Beemer, o The Lone Ranger do rádio interpretando o
herói inteiramente a caráter, inclusive com a máscara; no centro o
roteirista Fran Striker; à direita o produtor George W. Trendle.
Clayton Moore (acima) e
Jay Silverheels.
A escolha de Clayton Moore - O herói solitário do título (The Lone Ranger) não era assim tão solitário, uma vez que desde o primeiro episódio teve a companhia do índio Tonto. Foram testados 75 candidatos para interpretar o mocinho mascarado na televisão, entre eles Bruce Beemer que era a voz de Lone Ranger no programa de rádio. Os testes terminaram quando Clayton Moore, então com 35 anos e com muitos westerns-B e seriados em sua filmografia vestiu a roupa de helanca azulada e colocou a célebre máscara preta. George W. Trendle viu o The Lone Ranger que sonhara. Para interpretar Tonto foi chamado o índio canadense Jay Silverheels de 30 anos que, há doze anos, atuava no cinema sempre em pequenas participações quase todas sem ser creditado nas fichas técnicas. George B. Seitz Jr. foi o diretor inicial da série, bem como um dos roteiristas em parceria com George W. Trendle. As aventuras do misterioso mascarado já haviam sido levadas ao cinema em forma de seriados pela Republic Pictures. O primeiro deles foi filmado em 1938, com o título “The Lone Ranger” e exibido no Brasil como “O Guarda Vingador”; no ano seguinte foi produzida a sequência intitulada “The Lone Ranger Rides Again” que aqui recebeu o título de “A Volta do Cavaleiro Mascarado”. Ambos os seriados tiveram 15 capítulos.

Pôsteres dos seriados de 1938 e 1939; abaixo os cinco Lone Rangers do
primeiros seriado da Republic; à direita Chief Thunder Cloud e

Robert Livingston interpretando The Lone Ranger.

John Hart e Jay Silverheels entre Silver e Scout.
John Hart como The Lone Ranger - Os episódios da série “The Lone Ranger” tinham 25 minutos de duração e eram produzidos em preto e branco, exceto os episódios da última temporada que foram filmados em cores. O custo de cada episódio nas temporadas de 1949 a 1954 foi de 12 mil dólares; a partir de 1955 o custo de cada episódio passou a 18 mil dólares. Um fato curioso é que, apesar de ter permanecido no ar por oito temporadas consecutivas, a série “The Lone Ranger” não foi produzida em todos esses anos. Nas temporadas 1951-1952, 1953-1954, 1955-1956 nenhum episódio foi produzido, sendo exibidos aqueles já filmados. Ocorre que diferentemente de outras séries “The Lone Ranger” teve produzidos 52 episódios em algumas temporadas, ou seja, nesses anos havia episódios inéditos todas as semanas. Nenhuma outra série conseguiu essa proeza que foi filmar um episódio por semana durante toda a temporada. Ao final da 3.ª temporada Clayton Moore e o produtor George W. Trendle se desentenderam e o ator John Hart substituiu Moore em 52 episódios. O programa que era um dos campeões de audiência perdeu público e os direitos da série foram vendidos à Wrather Corporation que imediatamente dispensou John Hart e chamou Clayton Moore de volta para interpretar o Justiceiro Mascarado ao lado de Jay Silverheels. Este permaneceu na série nos episódios estrelados por John Hart. Clayton Moore sempre afirmou que o desentendimento com o produtor foi causado por motivos de concepção artística do seriado, embora se especulasse que as diferenças eram mesmo por questões salariais.

John Hart como sargento participando do episódio "Rifles and Renegades",
de 1950, em cena com o Lone Ranger Clayton Moore; à direita já investido
como o justiceiro mascarado, substituindo Clayton Moore.

Clayton Moore proibido de
usar a máscara; abaixo
John Hart e Clayton Moore.
Briga judicial pelo uso da máscara - No novo contrato que Clayton Moore assinou com a Wrather Corporation havia uma cláusula que previa que o ator não poderia se apresentar em público sem a máscara do The Lone Ranger. Jack Wrather imaginava que o público perderia o interesse na série se conhecesse o rosto do herói mascarado. Mas havia incontáveis filmes e seriados com Clayton Moore no elenco para que todos pudessem ver como ele era sem a máscara. Moore cumpriu rigorosamente o contrato com o marketing proposto pelo dono da marca ‘The Lone Ranger’ e nunca mais foi visto em público sem a máscara, conforme Wrather queria. Finda a série, Clayton Moore continuou a usar a máscara nos eventos que participava apresentando-se como o famoso ‘The Masked Man’ da televisão e do cinema, inclusive num comercial de combustível que foi exibido por muito tempo. Foi então que a Wrather Corporation acionou Moore na Justiça mencionando que o uso da máscara era característica do personagem e que a empresa detinha os direitos sobre The Lone Ranger e suas vestimentas. O processo foi bastante longo e em 1975 a Justiça decretou que o ator não mais poderia usar a máscara em público. A partir de então Moore passou a aparecer em público usando enormes óculos à guisa de máscara.

Clayton Moore
John Reid salvo por Tonto - A criação de George W. Trendle e Fran Striker conta que seis Texas Rangers foram assassinados pelo bandido Butch Cavendish e seu bando quando tentavam capturá-los. Entre os seis Texas Rangers estavam os irmãos Dan e John Reid, dados como mortos. Porém um índio Mohawk chamado Tonto percebe que John Reid ainda vivia e cuidou dele até que Reid se recuperasse. Anteriormente John Reid havia ajudado Tonto que agora tinha oportunidade de mostrar sua gratidão. John Reid promete então vingar a morte do irmão e dos demais Texas Rangers assassinados. Com um pedaço da roupa do irmão confecciona uma máscara para não ser reconhecido por Cavendish e seus homens. Reid cava seis sepulturas e não cinco, sendo a sexta para fazer crer que ele próprio também havia morrido na emboscada. Nascia assim The Lone Ranger que em seguida encontrou um magnífico cavalo branco ferido. Após curar o animal o mascarado deu a ele o nome de Silver. O índio Tonto possuía um cavalo chamado Scout e os dois amigos partiram para vingar os Texas Rangers assassinados. Consumada a vingança, The Lone Ranger e Tonto passaram a defender pessoas de bem que eram oprimidas por bandidos.

As balas de prata do herói mascarado - Com 25 minutos de duração, cada episódio da série possuía bastante ação para alegria do público telespectador, especialmente a garotada que ansiosamente aguardava o novo episódio semanal. Os roteiros simples, como não podia deixar de ser, eram fáceis de ser seguidos, o que muito ajudou no sucesso do programa. Além de apresentar um herói mascarado que tinha como sidekick um honorável índio, havia detalhes inusitados na história, como as balas de prata usadas pelo The Lone Ranger. A família Reid possuía uma mina de prata e dessa mina era retirado o minério para a confecção das balas que ornavam o vistoso cinturão do herói mascarado. The Lone Ranger nunca atirava para matar os foras-da-lei, preferindo feri-los sem maior gravidade e entregando-os à Justiça. Quando algum bandido morria essa morte era ocasionada por algum outro malfeitor. E como não poderia deixar de ser, The Lone Ranger e seu amigo Tonto viviam suas aventuras sob um rigoroso código de honra, exemplo perfeito para o público infanto-juvenil da série.


O ator-narrador Gerald Mohr.
A clássica abertura - A abertura de “The Lone Ranger” foi a mais marcante entre as séries westerns de TV. A música de Rossini precedia a voz impactante do ator Gerald Mohr que fazia a introdução anunciando: “The Lone Ranger! Um cavalo fogoso com a velocidade de um relâmpago, uma nuvem de poeira e um vigoroso Hi-Yo, Silver! – The Lone Ranger – Com seu fiel companheiro índio Tonto, o sagaz cavaleiro mascarado das planícies lidera a luta pela lei e pela ordem no Velho Oeste. Junte-se a nós agora neste retorno aos emocionantes dias de outrora. O Cavaleiro Solitário galopa novamente!”. Era e ainda é impossível resistir ao fascínio que essa abertura provoca. Desnecessário dizer que produtos com a marca ‘The Lone Ranger’ inundaram as lojas pois toda criança queria objetos relacionados a seu ídolo. De revólveres a bicicletas, passando por canecas, pratos, lancheiras, binóculos e relógios, havia de tudo com a marca criada por George W. Trendle.

Presentes que toda criança queria ganhar quando a série era
um dos programas mais vistos nos Estados Unidos.

Pôster de "O Fantasma do Zorro",
com Clayton Moore como Zorro.
Por que ‘Zorro’? - Quando exibida no Brasil a série teve o título “Zorro” e há algumas explicações para esse equivocado título. Clayton Moore havia estrelado em 1949 o seriado da Republic Pictures “O Fantasma do Zorro” (Ghost of Zorro), o que pode ter influenciado na troca de nomes. E no início da década, em 1940, obteve enorme sucesso a clássica aventura de capa-e-espada “A Marca do Zorro”, estrelada por Tyrone Power como o espadachim mascarado criado por Johnston McCulley. Dada a dificuldade de traduzir o nome ‘The Lone Ranger’, que literalmente poderia ser ‘O Policial Rural Solitário’, os distribuidores brasileiros optaram por chamar de ‘Zorro’ o herói mascarado da televisão. Essa confusão praticamente nunca foi desfeita e foi ainda corroborada com o lançamento da história em quadrinhos lançada nos Estados Unidos como ‘The Lone Ranger’, de autoria de Charles Flanders. As aventuras quadrinizadas do herói mascarado foram publicadas no Brasil pela Editora Brasil-América com o mesmo esdrúxulo título ‘Zorro’ da série de TV. Esse gibi teve 485 edições sendo publicado de março de 1954 até janeiro de 1985, sempre com o equivocado título. E aproveitando o sucesso da série de TV foram produzidos dois longa-metragens: “The Lone Ranger”, em 1956 e “The Lone Ranger and the Lost City of Gold”, em 1958. Esses westerns receberam respectivamente os títulos brasileiros de “Zorro e o Ouro do Cacique” e “Zorro e a Cidade Perdida do Ouro”.

Capas da edição brasileira do gibi 'Zorro': acima à esquerda a edição n.º 1,
de março de 1954; `direita a centésima edição; abaixo, na mesma ordem
 o almanaque de 1960 e a edição de 1984 com o aviso da volta do formato
original pois o gibi foi editado algum tempo no chamado 'formatinho'.



A famosa The Lone Ranger Rock;
abaixo Jay Silverheels.
Kemo Sabe - Quando lançado em VHS, nos anos 80, “Zorro e o Ouro do Cacique” teve o título alterado para “O Justiceiro Mascarado”, evitando mencionar ‘Zorro’. Mais espertos, os portugueses chamaram The Lone Ranger de ‘O Mascarilla’, enquanto na Espanha o herói mascarado era conhecido como “Llanero Solitario”. Tonto em espanhol e em Português tem o significado pejorativo de estúpido, idiota, apalermado. Mesmo assim foi mantido aqui no Brasil, sendo no entanto mudado na Espanha para ‘Toro’ o nome do índio companheiro de Lone Ranger. Bastante discutido é o significado da palavra ‘Ke-mo Sah-Bee’, grafada invariavelmente como ‘Kemo Sabe’, que Tonto costumava chamar o amigo mascarado. Entre tantas pesquisas e estudos, parece que o mais correto significado é ‘Batedor de Confiança’. E vale lembrar que nos programas de rádio algumas vezes o próprio Tonto era assim chamado pelo justiceiro mascarado. A série “The Lone Ranger foi quase que inteiramente filmada em cenários bastante conhecidos dos fãs de faroestes como Corriganville, Iverson Ranch e Kanab, Utah. O local em que o herói mascarado empina Silver na abertura do seriado, em Iverson Ranch, ficou conhecida como ‘The Lone Ranger Rock’ e não há quem não queira ser fotografado nessa estranha e lendária rocha.

O incomparável Lone Ranger da TV - Após o encerramento da série, em 1957, houve incontáveis reprises das temporadas anteriores, mesmo com a quase totalidade dos aparelhos televisores dos lares norte-americanos em cores. Esse fato comprova o quanto o programa criado por George W. Trendle era admirado e por mais de uma geração. Clayton Moore interpretou The Lone Ranger num total de 169 episódios e Jay Silverheels participou de 217 episódios. John Hart estrelou os restantes 52, porém nas reprises nunca foram exibidos os episódios com John Hart como o herói mascarado pois The Lone Ranger sempre será Clayton Moore. Do mesmo modo as aventuras do cavaleiro solitário produzidas para a TV nunca serão esquecidas, mais ainda após os retumbantes fracassos das tentativas mais recentes de levar o herói ao cinema. Em 1981 com “A Lenda do Cavaleiro Solitário” (The Legend of the Lone Ranger) e em 2013 com a superprodução cinematográfica “O Cavaleiro Solitário” (The Lone Ranger) estrelada por Johnny Depp. O orçamento deste último filme, da ordem de 215 milhões de dólares, seria suficiente para realizar toda a imortal série de TV e ainda sobraria dinheiro. Após assistir a esses recentes “The Lone Ranger” nada melhor que rever os simpáticos e deliciosamente inocentes episódios da inesquecível série de TV.

Mais collectibles de The Lone Ranger.

Brinquedo com revólver e objetos do The Lone Ranger.

O selo da U.S. Post homenageando a série de TV; o comic-book com ilustração
de Charles Flanders; uma montagem com o herói mascarado e seu sidekick;
fãs cumprimentam The Lone Ranger num evento nostálgico.


6 de setembro de 2014

DILIGÊNCIA MARCADA (DESERT PASSAGE), O ÚLTIMO WESTERN DE TIM HOLT


Tim Holt
Chamado pelo escritor Buck Rainey de ‘O Cowboy Aristocrático’, Tim Holt era um cowboy muito especial e algumas peculiaridades o diferenciavam de outros mocinhos das matinês. Ao lado de Roy Rogers e de Gene Autry, Tim Holt completava o trio de mocinhos cujos filmes tinham produção mais bem cuidada que os demais ídolos dos faroestes. Raramente a RKO utilizava cenas de arquivo nos westerns de Tim Holt, o que era uma constante nesses filmes de baixíssimo orçamento. Outro fato interessante faz de Tim Holt um ator único entre os mocinhos: sua participação em filmes reconhecidamente importantes. Aos 19 anos de idade Tim fez parte do elenco de “No Tempo das Diligências” (Stagecoach), em 1939. Em 1942 teve destacada participação em “Soberba” (The Magnificent Ambersons), de Orson Welles. Outra vez dirigido por John Ford, Tim Holt interpretou ‘Virgil Earp’ em “Paixão dos Fortes” (My Darling Clementine), em 1946. Outro filme notável em que Tim Holt atuou foi “O Tesouro de Sierra Madre” (The Treasure of Sierra Madre), de John Huston, em 1948. Lançado em 1952, “Diligência Marcada” (Desert Passage) foi o último faroeste de uma série de 29 westerns-B que Tim Holt estrelou para a RKO.

Tim Holt em quatro filmes importantes: "No Tempo das Diligências"
(Stagecoach); "Soberba" (The Magnificent Ambersons); com Ward Bond
e Henry Fonda em "Paixão dos Fortes" (My Darling Clementine);
em "O Tesouro de Sierra Madre" (The Treasure of Sierra Madre).


Os sócios Tim Holt e Chito Rafferty;
Walter Reed e o dinheiro escondido.
Dinheiro bem escondido – Em “Diligência Marcada” Tim Holt e Chito Rafferty (Richard Martin) são sócios em uma empresa que transporta clientes em diligências na cidade de Lavic, no Arizona. Essa cidade está em vias de se tornar uma cidade fantasma, tanto que muitas casas e lojas já estão fechadas, inclusive o Banco de Lavic que não mais existe. Antes, porém, do banco fechar as portas o funcionário John Carver (Walter Reed) deu um desfalque no estabelecimento. Carver foi condenado e cumpriu pena, mas o dinheiro foi por ele escondido e Carver retorna a Lavic para recuperar a soma roubada. Bronson (John Dehner) é o advogado de Carver e sabe da existência do dinheiro, assim como dois ex-companheiros de cela de Carver chamados Langdon (Lane Bradford) e Allen (Denver Pyle). Os quatro chegam a Lavic, para onde também foram Roxie (Dorothy Patrick) e Dave Warwick (Clayton Moore). Todos querem se apropriar do dinheiro roubado do banco que pertencia ao pai de Emily Brice (Joan Dixon). Tim Holt e Chito descobrem as más intenções do grupo e os enfrenta, pondo fim aos gananciosos e oportunistas, recuperando o dinheiro que é entregue a Emily.

John Dehner, Richard Martin, Joan Dixon,
Tim Holt e Walter Reed no posto de troca.
Um luxuoso posto de diligências - Além do roteiro que foge da rotina dos westerns-B, o que mais chama a atenção em “Diligência Marcada” é o bom elenco masculino. Conta o filme com a presença do ainda jovem Denver Pyle, do cínico John Dehner, do Lone Ranger Clayton Moore, do ótimo Walter Reed e do eterno bandido Lane Bradford. O roteiro de Norman Houston assemelha-se a filmes de mistério em que a função do espectador é descobrir quem vai ficar com o dinheiro roubado. Como o crime não podia compensar jamais em westerns-B, o mistério maior é saber como Tim Holt desarticulará os planos dos diversos interessados, inimigos entre si em duplas. E Tim não pode contar com a ajuda do pouco perspicaz Chito José Gonzalez Bustamante Rafferty, seu atrapalhado sócio, para solucionar o caso. Para complicar ainda mais a missão de Tim Holt, há uma loura ardilosa interpretada por Dorothy Patrick mancomunada com Clayton Moore. Reúnem-se todos no melhor posto de diligências apresentado num faroeste, verdadeiro hotel de luxo se comparado com os tão comuns postos de troca de cavalos que o cinema sempre apresentou.

Richard Martin fazendo gesto apropriado para ele mesmo;
Dorothy Patrick e Joan Dixon.

Chito José Gonzalez Bustamante Rafferty
(Richard Martin)
Maltratando Chito Rafferty - O diretor Lesley Selander conduz “Diligência Marcada” com sua comprovada habilidade, não dando, desta vez, oportunidade a Tim Holt de demonstrar o bom cavaleiro que era e nem sua destreza com o revolver. É conhecido o fato de, em menos de um segundo Tim Holt sacar seu Colt e acertar um alvo, o que fazia dele o mais rápido saque entre os mocinhos dos westerns-B. Mas é o próprio Tim quem conduz a diligência em diversas sequências controlando as rédeas das duas parelhas de cavalos. E lembrando John Wayne no western clássico de 1939, Tim Holt acerta os bandidos que o perseguem com a diligência em disparada. No entanto chega a ser irritante a forma impaciente como Tim Holt trata Chito Rafferty, sempre dando ordens ao seu amigo sem a mínima cortesia. A boa aparência de Chito esconde um apalermado sidekick de ascendência mexicana (e irlandesa). E Chito se veste com apurada elegância enquanto Tim Holt sempre foi o mais discreto dos mocinhos sem franjas ou qualquer enfeite em seus trajes.

Lane Bradford e Denver Pyle; John Dehner; Dorothy Patrick e Clayton Moore.

Tim Holt
Fim de carreira precoce - No início da década de 50 Tim Holt era o único contratado da RKO cujos filmes davam lucro pois custavam em média 90 mil dólares e rendiam sempre mais que 500 mil dólares para o estúdio. Tim recebia 65 mil dólares por ano para atuar em seis pequenos faroestes de uma hora de duração como este “Diligência Marcada” que não decepciona e leva à inevitável pergunta: por que Tim Holt não prosseguiu fazendo faroestes nos anos 50? Poderia ter se juntado a Audie Murphy, Rory Calhoun, George Montgomery, Joel McCrea e Randolph Scott, inesquecível time de mocinhos do cinema. Posteriormente a "Diligência Marcada" Tim Holt atuaria em somente dois outros filmes, ambos de ficção-científica, encerrando melancolicamente sua até então bela carreira como ator. Tim Holt faleceu aos 54 anos de idade, em 1973, quando seus filmes eram exibidos nas sessões das tardes da TV Record para alegria da legião de nostálgicos fãs das antigas matinês.



Richard martin e Tim Holt; Tim e Joan Dixon.