UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

14 de setembro de 2015

HENRY SILVA, O HOMEM DO RISO PERVERSO E DO OLHAR SINISTRO


Henry Silva
Na enquete realizada por WESTERNCINEMANIA para apontar os ‘Melhores Homens Maus’ dos faroestes, Henry Silva foi o oitavo colocado. Silva ficou abaixo de Lee Marvin, Lee Van Cleef, Jack Elam, Jack Palance, Dan Duryea, Eli Wallach e Ernest Borgnine, todos vilões extraordinários do cinema. Muito justo Henry Silva ter ficado entre os grandes bandidos da tela, ele que será sempre lembrado pelos fãs de westerns por seus excelentes desempenhos em filmes do gênero, geralmente infernizando a vida dos heróis. Silva, que nasceu no dia 15 de setembro de 1928, atuou pela última vez em 2001, fazendo uma pequena aparição em “Onze Homens e Um Segredo” e deixou uma certeza: o cinema não encontrou substituto para este ator de rosto invulgar, riso perverso, olhar sinistro, especializado em tipos multirraciais.

Acima Elia Kazan;
abaixo Henry Silva.
Escolhido entre 2.500 - Nascido no Brooklyn (Nova York), Henry Silva sempre afirmou ser descendente de mãe espanhola e pai italiano, tendo ainda ancestrais russos. Porém uma pesquisa no censo de Manhattan do ano de 1928, apontou que os pais de Henry Silva nasceram mesmo foi em Porto Rico, o que ele nunca confirmou, sabe-se lá por qual razão. Falando sobre sua vida antes de se tornar ator, Henry Silva conta que abandonou a escola as 13 anos para trabalhar num restaurante como lavador de pratos, passando depois para a função de garçom. No início dos anos 50 nove entre dez jovens queriam se tornar ator e em Nova York comentava-se muito sobre uma escola que adotava um método revolucionário de atuar. A escola chamava-se Actors Studio e fora fundada em 1947 por Elia Kazan, um imigrante turco filho de gregos. Quando o Actors Studio decidiu abrir um concurso para fornecer cinco bolsas de estudos a jovens pobres de Nova York, 2.500 pessoas se inscreveram e fizeram testes. Ao final Henry Silva estava entre os cinco escolhidos e já em 1950 aquele novaiorquino de olhos puxados conseguiu participações em séries de TV. Em 1952 Elia Kazan foi o responsável pela estreia de Henry Silva no cinema, dando a ele um pequeno papel em “Viva Zapata!”, justamente numa sequência em que, como camponês, contracena com Marlon Brando, outro ator oriundo do Actors Studio.

Henry Silva com Marlon Brando em "Viva Zapata!".

Henry Silva
Do palco para a tela - E Kazan foi também o padrinho de Henry Silva nos palcos, com a peça de Tennessee Williams “Camiño Real”, dirigida por Kazan e com Eli Wallach, Jo Van Fleet, Frank Silvera, Nehemiah Persoff e Martin Balsam no elenco ao lado de Henry Silva. Em 1955 o Actors Studio decidiu encenar a peça “A Hatful of Rain”, só com atores da célebre escola e o elenco foi formado por Shelley Winters, Anthony Franciosa, Frank Silvera, Harry Guardino e outros. Henry Silva ficou com o papel de ‘Mother’. A peça fez grande sucesso, permanecendo um ano inteiro em cartaz e ainda excursionando por várias cidades. Em palcos de outras cidades Anthony Franciosa foi substituído por Steve McQueen, contracenando com Henry Silva. Os direitos cinematográficos da peça foram adquiridos pela 20th Century-Fox que produziu, em 1957, o filme que no Brasil se chamou “Cárcere Sem Grades”. Dirigido por Fred Zinnemann, o elenco do filme contou apenas com Anthony Franciosa e Henry Silva, entre os atores que participaram da montagem original. Após “Cárcere Sem Grades” Henry Silva participou de “Resgate de Bandoleiros” (The Tall T), um dos clássicos da série dirigida por Budd Boetticher e estrelada por Randolph Scott. Silva teve desempenho marcante como membro do bando liderado por Richard Boone.

Folheto informativo da apresentação teatral de "A Hatful of Rain";
nas outras duas fotos Henry Silva em "Resgate de Bandoleiros".

Henry Silva
Sequência de westerns - Em 1958 Henry Silva atuou em nada menos que três westerns, um muito bom, outro que se tornou clássico e um inferior. “Duelo na Cidade Fantasma” (The Law and Jack Wade), do especialista John Sturges, tinha no elenco Robert Taylor e Richard Widmark, com destaque para Henry Silva como um dos homens refugiados no claustrofóbico saloon abandonado. Esse western toca num assunto até então tabu que é o homossexualismo no Velho Oeste. Veio depois o excelente “Estigma da Crueldade” (The Bravados), de Henry King, com Gregory Peck vingando-se dos assassinos de sua esposa, vingança equivocada e incompleta ao poupar o índio interpretado com perfeição por Henry Silva. O terceiro dos westerns que Silva filmou em 1958 foi “Na Rota dos Proscritos” (Ride a Crooked Trail), no qual Audie Murphy é o astro assistindo Walter Matthau e Henry Silva lhe roubarem o filme.

Henry Silva com Richard Widmark;
à direita Henry Silva com Walter Matthau e Audie Murphy.

Henry Silva em "Estigma da Crueldade" com Alícia Del Lago e com Gregory Peck.

Acima Henry Silva com Jerry Lewis em cena
de "Cinderelo Sem Sapato"; abaixo
Silva como 'Maximilian' no mesmo filme.
Comédia com Jerry Lewis - Em 1959 Henry Silva interpretou um nativo da América do Sul no drama “A Flor que Não Morreu” e um fora-da-lei em “A Encruzilhada dos Facínoras” (The Jayhawkers), western estrelado por Jeff Chandler. Mais uma vez Silva mostrou que era ótimo como bandido. Em 1959 Henry Silva interpretou um dos membros da quadrilha de Frank Sinatra que planeja e executa um roubo num cassino em Las Vegas no policial “Onze Homens e um Segredo”. Nesse mesmo ano Henry Silva atuou na comédia “Cinderelo Sem Sapato”, adaptação de Cinderela, no caso ‘Cinderfella’, interpretado por Jerry Lewis. Silva é ‘Maximilian’, um dos irmãos arrogantes e invejosos da história. Quando não atuava no cinema, Henry Silva participava como convidado especial de séries de TV. Entre as muitas séries em que ele atuou estão “Os Intocáveis” e “Caravana”, três vezes em cada uma delas. Henry Silva se divorciara da primeira esposa em 1955 e em 1959 contraiu matrimônio com Cindy Conroy, casamento que também durou pouco, acabando em 1962.

Os onze homens detentores do segredo; Henry Silva ao telefone.

Jeff Chandler e Henry Silva; Henry Silva e Nicole Maurey; fotos de
"Encruzilhada dos Facínoras".

O gângster Johnny Cool - Durante as filmagens de “Onze Homens e um Segredo” Henry Silva fez amizade com Frank Sinatra e o ‘The Voice’ chamou Silva para participar de seus próximos filmes em 1962. Estes foram “Os Três Sargentos” (Sergeants 3) western-comédia pouco engraçado dirigido por John Sturges em que Silva interpreta um chefe índio. O outro filme foi um clássico do suspense, que se tornou cult, intitulado “Sob o Domínio do Mal”, de John Frankenheimer, filme sobre lavagem cerebral durante a guerra fria e com esplêndida atuação de Henry Silva como um comunista coreano. Em 1963 Silva atuou em “Águia em Alerta”, drama de guerra com Rock Hudson. Nesse mesmo ano, pela primeira vez em sua carreira, Henry Silva deixava de ser coadjuvante, protagonizando o gângster ‘Johnny Cool’ no policial do mesmo nome e que no Brasil se intitulou “O Mensageiro da Vingança”. “Johnny Cool” levou muita gente aos cinemas e os críticos elogiaram a ótima atuação de Henry Silva. Em 1964 Silva fez apenas um filme como coadjuvante, que foi “Invasão Secreta”, de Roger Corman. Ao contrário do que se poderia esperar, Silva não se firmava como astro principal em Hollywood. Veio em seguida o estranho e pouco visto western “Viagem para a Morte” (The Reward), estrelado pelo sueco Max von Sydow e com Silva como sétimo nome do elenco. Foi então que ele percebeu que deveria procurar novos ares para sua carreira, ares europeus.

Henry Silva como 'Johnny Cool' com Sammy Davis Jr.; à direita cena de "Viagem
para a Morte", vendo-se Gilbert Roland, Max von Sydow, Henry Silva,
Nino Castelnuovo e Emílio Fernandez.

Henry Silva (com Frank Sinatra) em "Os Três Sargentos".

Henry Silva
Gigantesco Mr. Moto - Na França Henry Silva liderou o elenco do policial “Atiro Primeiro, Pergunto Depois” (1965) e na Inglaterra Silva reviveu o detetive oriental ‘Mr. Moto’, criado por Peter Lorre na década de 30. O filme se chamou “O Retorno de Mr. Moto” e ficou apenas nesta aventura, ao contrário da série de Peter Lorre que resultou em oito filmes. Criado pelo norte-americano John P. Marquand, o detetive japonês Kentaro Moto era um homem elegante e de pequena estatura e ao contrário de Peter Lorre (1,61m), Henry Silva tinha 1,88m de altura. Ainda na Europa, Henry Silva fez seu primeiro western-spaghetti, o excelente “Sangue nas Montanhas” (Un Fiume di Dollari), de Carlo Lizzani, com Dan Duryea e a bela Nicoletta Machiavelli. Aclamado inclusive pela crítica, “Sangue nas Montanhas” foi o filme que decididamente chamou a atenção dos produtores europeus para o nome de Henry Silva.

Henry Silva em "Sangue nas Montanhas".

Henry Silva como 'Mr. Moto' e Peter Lorre, o primeiro 'Mr. Moto'.

‘Chato’, um índio bom - Casando-se novamente, desta vez com a atriz Ruth Earl, Henry Silva retornou aos Estados Unidos para interpretar mais um nativo norte-americano, o chefe ‘Crazy Knife’ numa versão de “Jornadas Heróicas” (The Plainsman), de Cecil B. DeMille. O novo “The Plainsman” se chamou “Respondendo à Bala” no Brasil, com Don Murray como ‘Wild Bill Hickok’ no papel que foi de Gary Cooper. Em seguida Henry Silva foi coadjuvante em “Como Roubar Milhões Sem Fazer Força”, com Jack Elam, Edward G. Robinson e Slim Pickens no ótimo elenco. “Cinco Homens Selvagens” (The Animals) foi uma espécie de versão feminina de “Estigma da Crueldade”, com Michele Carey (de “El Dorado”) no papel de vingador que pertenceu a Gregory Peck e com Henry Silva como o índio ‘Chato’. Ao contrário do filme de Henry King, desta vez Henry Silva (‘Chato’), sem falar uma única palavra em Inglês, não é fora-da-lei e é quem resgata a mocinha Michele Carey. Quando tentaram fazer de Bill Cosby um astro cinematográfico, ele atuou em “Man and Boy”, com Henry Silva como coadjuvante. As séries de TV continuavam a contar com a presença de Henry Silva, forma de valorizar os episódios.

Henry Silva com Beba Loncar.
Com a lei e contra ela - Percebendo que na Europa seu nome tinha maior apelo entre o público que em seu próprio país, Henry Silva passou a atender aos insistentes convites europeus. Veio então uma longa série de filmes policiais estrelados por Henry Silva até 1980, quando o western-spaghetti já deixara de atrair público: “O Incomparável Espião” (outra vez com Nicoletta Machiavelli); “Cruel Sentença de um Assassinato”, com Henry Silva num papel duplo; “Quella Carogna dell’Ispettore Sterling”, que pode ser traduzido por ‘A Carcaça do Inspetor Sterling’, protagonizado por Henry Silva; “Por Ordem da Cosa Nostra”, com a presença do também norte-americano Woody Strode no elenco; “L’Insolent” (este uma produção francesa); “Il Boss”, com Silva e Richard Conte como mafiosos; “Morte ao Sol” (Les Hommes), coprodução França-Itália; “Zinksärge für die Goldjungen”, coprodução Alemanha-itália; “Quelli Che Contano”, com Barbara Bouchet; “Milano Odia, La Polizia non Puó Sparare”,”Il Trucido e lo Sbirro”, ambos coestrelados com Tomas Milian; “Fatevi Vivi, la Polizia non Interverrá”, com Phillipe Leroy; “L’Uomo della Strada fa Giustizia”, com Luciana Palluzzi; “Poliziotti Violenti”, com Antonio Sabato; “Napoli Spara!”, cujo título já indica muita violência. Se os filmes policiais ganhavam bastante com a expressiva feição de Henry Silva, em outros gêneros ele se saia igualmente bem, como no filme de guerra “Probabilidade Zero” e na aventura “Zona Bianca Alla Riscosa”, filmado nos alpes austríacos.

Acima e abaixo pôsteres de filmes europeus com Henry Silva.



Henry Silva com Pamela Hensley.
Brilhando em ficção-científica - No final da década de 70 Henry Silva deu adeus à Europa para interpretar, nos Estados Unidos, uma série de papéis que demonstravam sua versatilidade. Foi o tempo do suspense “Shoot”, com Ernest Borgine e Cliff Robertson; “Amor e Balas”, policial da grande fase de Charles Bronson; na sci-fi “Buck Rogers no Século XXV”, Henry Silva é o diabólico ‘Kane’, encontrando-se com outro arquivilão que era Joseph Wiseman; “Ânsia”, outra sci-fi com David Hemmings no elenco; “O Dia do Assassino”, policial com Glenn Ford e Chuck Connors; o terror “O Jacaré Assassino”, na trilha do sucesso de “Tubarão”; a aventura “Caçada em Atlanta”, dirigido e estrelado por Burt Reynolds, então a maior bilheteria de Hollywood; também com Burt Reynolds, Henry Silva apareceu em “Um Rally Muito Louco”; na comédia “O Homem com a Lente Mortal” com o ex-007 Sean Connery; novamente como astro principal, Henry Silva estrelou o suspense “Trapped”; outra sci-fi foi  “O Esquadrão do Terror”, com Michael Beck; o policial “Correntes do Inferno” teve no elenco Henry Silva e também Stella Stevens e ainda Linda Blair. Uma curiosidade é o fato de Henry Silva ter feito nada menos que cinco filmes sob a direção de Fernando Di Leo, escritor e diretor italiano especializado em filmes policiais. Os últimos filmes que reuniram Silva e Di Leo foram “Missão Implacável”, de 1984 e “Killer Contro Killers”, de 1985, ambos com Henry Silva como ator principal.

Henry Silva com Chuck Norris (acima)
e com Steven Seagal ao fundo (abaixo).
Silva nos traços de Chester Gould - Henry Silva voltaria a atuar em um western em 1985, em um dos mais escrachados filmes do gênero que foi “A Louca Corrida do Ouro” (Lust in the Dust), com o travesti Divine, Tab Hunter, César Romero e Geoffrey Lewis tentando provocar risadas num fracasso de bilheteria. Mas o próximo filme de Henry Silva, nas pegadas de Indiana Jones, fez relativo sucesso e foi intitulado “Allan Quatermain e a Cidade do Ouro Perdido”, com Richard Chamberlain e Sharon Stone; veio em seguida “À Prova de Bala”, aventura com Gary Busey e “Treinado para Matar” com Chuck Connors. Outro Chuck, o Norris, já fazia sucesso quando filmou “Código do Silêncio” e tinha a incômoda companhia de Henry Silva como vilão. Para rivalizar com Chuck Norris, Hollywood lançou um novo ator que usava mais sua arma que a força de seus músculos, e tinha o nome de Steven Seagal. O primeiro filme de Seagal foi “Nico Acima da Lei” e Henry Silva é o agente da CIA ‘Kurt Zagon’ para pôr à prova o novo herói. O mais pretensioso filme dessa fase foi “Dick Tracy”, tentando colocar na tela personagens o mais parecido possível com os vilões criados por Chester Gould. Para interpretar ‘Influence’ foi escolhido Henry Silva, ao lado de astros como Al Pacino e Dustin Hoffman, além de Warren Beatty e Madonna. Infelizmente “Dick Tracy” ficou longe do sucesso merecido.

Vilões de "Dick Tracy" rodeando Madonna: William Forsythe, Ed O'Ross, Henry Silva,
R.G. Armstrong e Al Pacino (no sentido horário); no centro 'Influence'
pelo traço de Chester Gould e o 'Influence' de Henry Silva.

Ocaso da longa carreira - Nova década (a de 90) e novo retorno ao exterior, com Henry Silva emprestando seu nome a filmes como “La Via Della Droga”, “Cyborg, o Guerreiro de Aço”, “White Cobra Express”, “L’Ultima Meta” e “Fists of Steel”. “Anatomia de um Crime”, filmado e 1992 nada tem a ver com o clássico de Otto Preminger e nesse “Anatomia” Henry Silva desempenha um detetive; “Três Dias para Matar” e “South Beach” foram dirigidos e estrelados pelo astro negro Fred Williamson que chamou Henry Silva para reforçar o elenco; na comédia “Loucos, Birutas e Debilóides” Silva é um chefe de polícia, em meio a inúmeros convidados especiais. Aproximando-se dos 70 anos, Henry Silva aceitou atuar em filmes que talvez nem ele mesmo seja capaz de lembrar os títulos e indignos de seu nome, entre eles “Fatal Choise”, “Drifting School”, “The Prince”, e “Uncondicional Love”. “Prazer em Matar-te” pelo menos tinha atores importantes como Richard Dreyffus, Gabriel Byrne e Burt Reynolds no elenco, ao lado de Henry Silva.

Boneco com a figura de Henry no filme "Buck Rogers no Século XXV", item de
colecionadores; no centro Silva em "Um Rally Muito Louco";
à direita Silva em foto recente.

Ator nunca esquecido - No final de sua vida artística, Henry Silva teve oportunidade de ser dirigido por renomados diretores como Wim Wenders em “O Fim da Violência” e Jim Jarmusch em “Ghost Dog”. Outro diretor expoente de sua geração é Steven Soderbergh que refilmou “Onze Homens e Um Segredo”, com George Clooney, Brad Pitt e grande elenco. O espectador que prestar atenção verá Henry Silva assistindo à luta de boxe, nesse filme de 2001 e que representou a despedida do ator cujos olhos puxados e riso cínico foram vistos nas telas dos cinemas do mundo inteiro por 50 anos. O terceiro casamento de Henry Silva acabou em 1987 depois de dar a ele os filhos Michael e Scott, seus únicos filhos em três casamentos. Os verdadeiros cinéfilos, antigos ou jovens, não se esquecem de Henry Silva e os westernmaníacos lembram-se com carinho desse amedrontador mas simpático vilão, capaz de conquistar o espectador mesmo interpretando um fora-da-lei como o fez em “O Estigma da Crueldade”. Parabéns, Henry Silva!

Na fileira de baixo. no quadro à esquerda, Henry Silva ao lado de
Muammar al-Gaddafi, líder líbio com quem o ator tinha uma acentuada semelhança.



10 de setembro de 2015

UM PECADO EM CADA ALMA (THE VIOLENT MEN) – GLENN FORD ENTRE TIROS E PECADOS


Glenn Ford
Certa vez Glenn Ford fez esta afirmação: “Se eu pudesse escolher alguma coisa para eu fazer pelo resto da minha vida, eu faria somente westerns. Eu amo esse gênero tão menosprezado”. E quantos excelentes faroestes Glenn Ford estrelou, alguns aclamados pela crítica, outros, como ele diz, desprezados. E este é o caso de “Um Pecado em Cada Alma” (The Violent Men), mesmo apesar do elenco que conta com três grandes astros de Hollywood, o próprio Glenn, Barbara Stanwyck e Edward G. Robinson. O título criado pelo distribuidor brasileiro é típico dos anos 50 quando faziam sucesso as novelas radiofônicas com títulos tão dramáticos quanto as tramas das novelas. E “Um Pecado em Cada Alma” é um western com forte carga melodramática numa feliz combinação com uma história rotineira de poderosos contra os mais fracos. Para dirigi-lo foi chamado o austro-húngaro Rudolph Maté que, como cinegrafista, já havia trabalhado com Barbara Stanwyck (“Stella Dallas, Mãe Redentora”) e Glenn Ford (“Gilda”). Já Edward G. Robinson somente entrou no elenco para substituir Broderick Crawford que se acidentara ao cair de um cavalo no início das filmagens. Segundo conta Peter Ford, filho de Glenn, seu pai manteve um ligeiro romance com Barbara durante as filmagens. Glenn havia se separado da esposa Eleanor Powell e Barbara se divorciara de Robert Taylor e a recíproca consolação foi inevitável.


O império da Âncora e a imensa região
dos Wilkisons.
A destruição de um império - A história original, de autoria de Donald Hamilton, foi roteirizada por Harry Kleiner e é centrada no velho barão de gado Lew Wilkison (Edward G. Robinson). Wilkison objetiva possuir a totalidade das terras de uma extensa região e para isso usa de métodos nada lícitos para expulsar os pequenos criadores. Wilkison é aleijado e anda amparado por muletas, contando com a ajuda do irmão Cole (Brian Keith) para administrar seu império que tem o nome de ‘Anchor’. Martha Wilkison (Barbara Stanwyck) é a esposa de Lew, mulher que usa o cunhado não só como capataz mas também como amante. John Parrish é um ex-oficial da União ferido em combate e que procurou o Oeste para se recuperar, tendo adquirido uma fazenda que se tornou alvo dos Wilkisons. Inicialmente Parrish aceita vender suas terras ao barão de gado, porém a morte de um de seus vaqueiros o faz mudar de opinião. Inferiorizado numericamente diante do pequeno exército comandado por Cole, Parrish tem seu rancho incendiado, o que o leva, com seus poucos empregados, a enfrentar os homens de Wilkison. Utilizando táticas militares Parrish provoca baixas no grupo rival e consegue destruir a Fazenda Anchor, ateando fogo a ela. É quando Martha tenta provocar a morte acidental do marido Lew, que se salva das chamas a tempo de ver Parrish matar Cole em um duelo e Martha também encontrar a morte pelas mãos de uma namorada ciumenta do amante Cole. Parrish que tinha intenção de retornar ao Leste, decide unir suas terras às de Lew Wilkison, ficando com Judith (Dianne Foster) a filha do velho criador.

Barbara Stanwyck e Brian Keith;
Barbara Stanwyck e Dianne Foster
Romances e traições - Repleto de sequências de ação, com duelos leais e duelos covardes, emboscadas, confrontos entre grupos antagônicos numerosos, incêndios, debandada (stampede) de cavalos e gado, “Um Pecado em Cada Alma” já valeria pela movimentação excelentemente filmada por Rudolph Maté. Mas há ainda a história rotineira da disputa pelas terras, valorizada pelos triângulos amorosos, nada menos que três, um recorde para qualquer faroeste, não fosse esse um tema invulgar no gênero. A convivência adúltera entre Martha e o cunhado Cole; este mantendo um romance paralelo com a mexicana Elena (Lita Milan); e ainda o indisfarçado interesse de Judith por John Parrish que está prestes a se casar com Caroline Vail (May Wynn). Martha, espécie de Lady Macbeth, é uma daquelas criaturas diabolicamente interesseiras para quem não há limites para alcançar seus objetivos. Meio homem após um acidente sofrido numa disputa para ampliar seu domínio, Lew é enganado pela ardilosa esposa, assim como enganado é também seu irmão Cole, que também por interesse se deixa ludibriar por Martha. Alheio a praticamente tudo que se passa naquela região onde veio para curar seu pulmão perfurado por uma bala confederada, John Parrish descobre que a própria Caroline, por ele escolhida para esposa, nada mais pretende que sair daquele lugar que ela odeia. Mais que o amor que não tem por Parrish, seu casamento com ele significa o bilhete que a levará para outro tipo de vida.

Richard Jaeckel provocador e depois morto.

A sequência das muletas no incêndio.
Ódio no olhar e maldade na alma - Entre as muito boas sequências de “Um Pecado em Cada Alma”, a mais marcante é quando a casa grande da propriedade de Lew Wilkison é incendiada por John Parrish e o aleijado, que se encontra na parte superior da casa, pede desesperadamente que a esposa lhe dê o par de muletas. Os olhos de Martha (Barbara Stanwyck) adquirem então brilho odioso e ela atira as muletas nas chamas para que o marido não tenha chance de sobreviver. Rudolph Maté desenvolve “Um Pecado em Cada Alma” com habilidade delineando esplendidamente cada personagem, isto num filme relativamente curto (96 minutos) para tantas subtramas. Não falta neste western a figura do hipócrita xerife de nome Magruder (James Westerfield), conhecedor de leis das quais usa fartamente em sua argumentação na defesa dos interesses do poderoso criador Wilkison. A soldo do barão de gado está também o turbulento e frio assassino Wade Matlock (Richard Jaeckel), liquidando com requintes de sadismo aqueles que cruzam seu caminho. E John Parrish, insensível a princípio e implacável posteriormente, é uma superior criação de herói capaz de corrigir as injustiças aplacando a insaciável ambição dos Wilkisons. Se há um senão neste western é o final feliz um tanto forçado mas que não deixa de ser um alívio diante de tantos pecados em tantas almas.

Richard Jaeckel e a morte cruel de um vaqueiro.

Edward G. Robinson e Barbara
Barbara, má e poderosa - Barbara Stanwyck passa a primeira parte de “Um Pecado em Cada Alma” de modo discreto. Quando os conflitos aumentam a grande atriz tem outra atuação perfeita como mulher poderosa e má, tipo talhado para ela. Glenn Ford correto como de hábito brilha um pouco menos que Barbara e Edward G.Robinson, até pela força dos personagens destes. Dianne Foster desempenha uma jovem atormentada por saber do adultério entre a mãe e o tio e hostilizando John Parrish por quem se sente atraída. May Wynn e Lita Milan tem papéis menores e mesmo assim ambas têm oportunidade de boas sequências. O vasto elenco destaca Richard Jaeckel lembrando personagens que viveu em “O Matador” (The Gunfighter) e em “Galante e Sanguinário” (3:10 to Yuma) e James Westerfield ótimo como o  amoral xerife. Entre os muitos rostos conhecidos do elenco estão os veteranos Basil Ruysdael, Harry Shannon, Willis Bouchey, Frank Ferguson e Edmund Cobb.

Edward G. Robinson
Edward G. Robinson e os westerns - Nada justifica “Um Pecado em Cada Alma” ser praticamente ignorado por tantos autores de livros sobre westerns, bem como por sites que se dedicam a resenhas deste gênero. Não fosse pelo trio de atores principais, mas porque se trata de um western classe A, ainda que dirigido por um diretor de pouco renome. Ressentido por ter deixado de ser primeiro nome do elenco, pois vem atrás de Glenn Ford e de Barbara Stanwyck nos créditos, Edward G. Robinson declarou que este foi o primeiro filme em que atuou como coadjuvante. E aduziu que a película de Rudolph Maté era apenas um western-B. Edward, que de fato não mais voltaria a ser astro principal em nenhum outro filme, errou duas vezes: Lew Wilkison, o barão de gado inescrupuloso é tão ou mais importante na história que o herói John Parrish. Não só todos os demais personagens giram em torno do velho e ganancioso aleijado, mas também as melhores sequências dramáticas são aquelas em que Edward G. Robinson participa, colocando até mesmo Barbara Stanwyck em segundo plano. Parece que o grande ator de “Pacto de Sangue” e “Um Retrato de Mulher” não apreciava muito os faroestes, tanto que somente após 38 anos de carreira é que atuou em seu primeiro western. Robinson faria ainda mais três: “Crepúsculo de uma Raça” (Cheyenne Autumn), “Quatro Confissões” (The Outrage) e “O Ouro de Mackenna”, a desabonadora superprodução.

Brian Keith, Barbara e Edward G. Robinson.
Na linha dos melodramas - Alguns gêneros de filmes marcaram certas décadas, como o filme de gângster nos anos 30, o policial noir nos anos 40 e os melodramas nos anos 50. Este subgênero dos dramas se caracteriza pelo forte apelo emocional, não raro utilizando personagens vítimas de problemas físicos, muitas vezes reunindo amantes de diferentes classes sociais e invariavelmente abordando tragédias familiares. Entre os muitos títulos de sucesso desse tipo de filme estão “Tarde Demais para Esquecer”, “Suplício de uma Saudade”, “Amores Clandestinos” e os muitos melodramas dirigidos por Douglas Sirk naqueles anos. Quase todos eles embalados por um tema musical composto para cair no gosto do público. O western se aproximou do melodrama com “Almas em Fúria” (The Furies), de Anthony Mann; “Ao Despertar da Paixão” (Jubal), de Delmer Daves; “O Último Pôr-do-Sol” (The Last Sunset), de Robert Aldrich, este de 1961; e “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country), por sinal baseado também em livro de Donald Hamilton, mesmo autor do livro que deu origem a “Um Pecado em Cada Alma”. Dentre os faroestes melodramáticos citados, este filme de Rudolph Maté, mesmo sem ser uma produção de grande orçamento como “Da Terra Nascem os Homens” é um filme com perfeito equilíbrio entre ser um movimentado western com conteúdo melodramático.

As cavalgadas de Glenn Ford - “Um Pecado em Cada Alma” foi filmado nas muito conhecidas locações bastante de Old Tucson e Alabama Hills, em Lone Pine. O ex-diretor de fotografia Rudolph Maté certamente orientou os cinegrafistas W. Howard Greene e Burnett Guffey a conseguir as magníficas imagens com a majestosa Sierra Nevada resplandecendo por trás das rochas de Alabama Hills. O compositor Max Steiner obteve nada menos que 20 indicações para o prêmio Oscar de Melhor Trilha Sonora Musical, levando a estatueta para casa em três ocasiões. Nenhuma das indicações foi por um western, o que demonstra a pouca intimidade de Steiner com o gênero. Excessivamente sinfônica, com momentos de puro Wagner, a trilha composta para este filme caberia muito melhor em um épico e não num faroeste. O melodramático “Um Pecado em Cada Alma” é verdadeiramente clássico nesse tipo tão incomum de western e é ainda um dos preferidos do grande cowboy Glenn Ford que, além da boa atuação dá ao espectador algumas das mais belas cavalgadas do cinema.


Glenn Ford, espetacular cavaleiro.

Acima e abaixo estouro das manadas.


Pôsteres norte-americano, italiano e alemão de "Um Pecado em Cada Alma".

O pôster francês.

Pôsteres espanhol, e novamente  um italiano e um francês.
A cópia de "Um Pecado em Cada Alma" foi gentilmente cedida pelo cinéfilo Marcelo Cardoso.

4 de setembro de 2015

ALMA DE RENEGADO (RIDING SHOTGUN), DIVERTIDO WESTERN COM RANDOLPH SCOTT


André De Toth
“Matar ou Morrer” (High Noon) foi um western que influenciou muitos outros filmes, especialmente na situação de um homem isolado diante da adversidade, sem falar no indefectível relógio que passou a ser presença constante em tantos faroestes. “Alma de Renegado” (Riding Shotgun), de André De Toth é um dos westerns que teriam sido filmados na esteira do clássico de Fred Zinnemann, isto segundo alguns autores. Mas uma análise mais detida desse filme mostra que não é bem assim e que, como não poderia deixar de ocorrer com um western do diretor húngaro, “Alma de Renegado” tem personalidade própria. Esta foi a quinta vez que De Toth dirigiu Scott, depois de “Terra do Inferno” (Man in the Saddle)/1951, “Ouro da Discórdia” (Carson City)/1952, “O Pistoleiro” (The Stranger Wore a Gun)/1953 e “Torrentes de Vingança” (Thunder Over the Plains)/1953. E ainda haveria “Feras Humanas” (The Bounty Hunter), também de 1954, derradeira reunião de De Toth com Randy Scott, parceria menos famosa que a de Scott com Budd Boetticher que rendeu sete faroestes, nenhum tão bem humorado quanto “Alma de Renegado”.


Randolph Scott
Inocente perseguido - A história de Kenneth Perkins foi adaptada por Thomas W. Blackburn, e nela Larry Delong (Randolph Scott) passa anos em busca de Dan Marady (James Millican), fora-da-lei de quem quer se vingar. Delong torna-se um ‘riding shotgun’ (guarda de diligências), pois sabe que Marady costuma praticar assaltos a esses veículos. O esperto bandido atrai Delong para uma emboscada mortal, incriminando-o pela culpa de um crime cometido pelo bando. Delong consegue sobreviver e escapar, dirigindo-se para a cidade de Deepwater, onde funciona um cassino que Marady se prepara para roubar. Delong tenta de todos os modos avisar a população do perigo que é a chegada de Marady, porém ninguém em Deepwater lhe dá atenção. Por outro lado espalha-se a notícia que Delong foi o responsável pelo ataque à diligência, no qual um guarda foi morto e dois passageiros feridos. Ao invés de se preocupar com a iminente chegada do bando de Marady, os habitantes da cidade querem prender Delong. Com o xerife fora da cidade, o assistente de xerife Tub Murphy (Wayne Morris) é pressionado a prender Delong que se refugia em uma cantina. O assistente de xerife acredita na inocência de Delong e hesita em prendê-lo; quando se decide a proceder à prisão, Marady e seus homens já estão em Deepwater roubando o cassino e seus frequentadores. Delong sai da cantina e consegue evitar a ação da quadrilha de Marady, a quem enfrenta e mata enquanto o restante do bando é dominado.

Wayne Morris
Xerife fora do peso - “Alma de Renegado” não é um western-comédia, até porque Randolph Scott nada tem de engraçado, mas são tantas as situações espirituosas do filme que o tornam o western mais divertido do ator do rosto talhado em granito. Desta vez Scott derruba toda uma quadrilha sem usar os punhos ou seu Colt; ele corta as cilhas que prendem as selas dos cavalos dos bandidos e um após o outro eles beijam o chão poeirento de Deepwater. A habilidade de André De Toth consegue fazer com que o jocoso não prejudique a dramaticidade mesclando-a com os muitos momentos cômicos. Xerifes distantes do padrão físico ideal nunca foram novidade em faroestes e Wayne Morris com os muitos quilos a mais parece a caminho de imitar Andy Devine. E o personagem de Morris deixa de lado a obrigação com a lei para atender sua necessidade maior que é comer. Fritz, o sovina dono da cantina interpretado por Fritz Feld sofre quando a esposa e filhos (todos também robustos) exige dinheiro para comprar comida, dinheiro que Fritz guarda para adquirir um espelho para sua tosca cantina. Colocado o espelho a cantina se torna alvo de uma saraivada de tiros que milagrosamente não atingem o desejado objeto refletivo. O próprio avarento é quem destrói o espelho. Há ainda a figura bizarra do pequeno homem com a corda nas mãos e o ódio no olhar, pronto para executar um linchamento, corda que afinal provoca risos ao ser utilizada de inusitada maneira.

Wayne Morris devorando mais um prato sendo observado por Joe Sawyer;
Morris exibe uma bela barriga ao lado de James Bell.

Fritz Feld feliz com o espelho que acaba quebrado. 

Charles (Buchinsky) Bronson
Pedrada em Charles Bronson - “Alma de Renegado” é um faroeste que perde muito tempo preocupado em explicar a história, recurso típico de filmes noir e que não funciona bem nos westerns. Scott tem duas boas brigas no filme, a melhor delas contra o forte Joe Sawyer, desta vez num personagem sério, ele Sawyer que fez tantas comédias. Em outra sequência um adolescente indignado atinge o rosto de Larry Delong com seu certeiro bodoque e o personagem de Scott sem perder a calma murmura “David vs Golias”. Mais tarde, arrependido da injustiça cometida com o herói, o jovem o salva da morte apontando o bodoque desta vez para a testa do bandido Pinto (Charles Bronson). Sexto nome nos créditos, ainda como ‘Buchinsky’, Bronson demonstra muita personalidade ao se impor irreverentemente a Randolph Scott, tentando subjugá-lo no início do filme. “Alma de Renegado” foi filmado no mesmo ano de “Vera Cruz”, de “O Último Bravo” (Apache) e de “Rajadas de Ódio” (Drum Beat).

Um bodoque, uma pontaria certeira e Charles Bronson atordoado.

Charles Bronson; Wayne Morris.

Charles Bronson ameaçando Randolph Scott.

James Millican
Randy Scott incólume, mais uma vez - Este western vai agradar bastante àqueles que gostam de descobrir atores antigos em pontas ou mesmo figurações, gente como Buddy Buster, Harry Hines, Bud Osborne, Jack Perrin e principalmente Buddy Roosevelt, ex-mocinho das matinês nos anos 30. Mais novos mas também com rostos bastante conhecidos, aparecem Frank Ferguson, Boyd ‘Red’ Morgan e James Bell. James Millican, um dos últimos a abandonar Will Kane em “Matar ou Morrer”, é o principal homem mau, sempre bastante convincente, bom ator que era sem maiores oportunidades. Millican viria a falecer um ano depois (1955) aos 45 anos de idade. Com a mesma idade faleceria em 1959 Wayne Morris, lembrado como ator principal do último western B feito em série pela Republic Pictures, que foi “Pistoleiro por Equívoco” (Two Guns and a Badge), em 1954. Correto e espartano como de hábito, Randolph Scott consegue mais uma vez se desvencilhar da obrigação de beijar a mocinha Joan Weldon, com quem Randy já havia contracenado em “O Pistoleiro” um ano antes.

Foto para publicidade de Randy com Joan Weldon nos braços, mas sem beijo;
Buddy Roosevelt, mocinho dos anos 30; Victor Perrin e sua corda.

Randolph Scott
Fuga da rotina rigorosa - André De Toth esperaria até 1959 para realizar seu grande filme no gênero que foi “Quadrilha Maldita” (Day of the Outlaw). Aos 56 anos de idade em 1954, Randolph Scott parecia incansável rodando um western após o outro, filmes de orçamento pequeno mas de boa qualidade. “Alma de Renegado” pode não ter se tornado um clássico, mas merece ser visto especialmente por fugir da rotina rigorosa dos filmes do grande cowboy até seu encontro com Budd Boetticher que resultou na celebrada série de sete faroestes, nenhum deles tão jocoso quanto “Alma de Renegado”.

James Millican com Charles Bronson; Wayne Morris.