UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

25 de outubro de 2014

SAM PECKINPAH SE APRESENTA A HOLLYWOOD COM SUA PRIMEIRA OBRA-PRIMA


Acima Brian Keith em um episódio da
série "The Westerner", criada por
Sam Peckinpah (abaixo).
Doze mil dólares foi o salário oferecido pelo produtor Richard D. Lyons para Sam Peckinpah dirigir “Guns in the Afternoon”, história que Lyons detinha os direitos de filmagem. A adaptação para o cinema já havia sido feita pelo roteirista N.B. Stone Jr. e quando Peckinpah recebeu o roteiro ficou tão impressionado após a leitura que sequer discutiu o pequeno salário oferecido por Lyons. Como comparação, John Ford, nesse mesmo ano de 1961 recebeu 250 mil dólares para dirigir “O Homem que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance), além de participação nos lucros deste filme. John Ford era há tempos o Mestre dos Faroestes e Sam Peckinpah era apenas um diretor praticamente desconhecido. Sabia-se dele que escrevera algumas histórias para séries de televisão e até criara uma série própria intitulada “The Westerner”. Essa série estrelada por Brian Keith teve pouca audiência e acabou sendo cancelada antes de completar a primeira temporada. Porém “The Westerner” impressionou a todos que assistiram alguns de seus poucos episódios e, mais que todos, impressionou Brian Keith que se tornou admirador de Sam Peckinpah. Em 1961 Brian Keith era um astro em ascensão e obteve bastante sucesso contracenando com Maureen O’Hara em “O Grande Amor de Nossas Vidas” (The Parent Trap), comédia em que faziam os pais separados das gêmeas interpretadas por Hayley Mills. Curiosamente, naquela comédia da Disney, começou indiretamente a carreira de diretor de cinema de Sam Peckinpah.

Brian Keith e Maureen O'Hara em
"Parceiros da Noite".
Problemas já na estréia - A Warner Bros. quis aproveitar o sucesso da dupla Brian Keith-Maureen O’Hara e produziu “Parceiros da Morte” (The Deadly Companions). O produtor-executivo desse western era o irlandês Charles B. Fitzsimons, irmão de Maureen O’Hara e por imposição de Brian Keith aceitou que o filme fosse dirigido pelo novato Sam Peckinpah. O batismo cinematográfico de Peckinpah foi terrível pois Fitzsimons atormentou o diretor o tempo todo, impedindo-o de dirigir a famosa irmã nas cenas em que ela participava, além de dar palpites durante toda a filmagem. Para concluir, Fitzsimons não deixou Peckinpah orientar a montagem de “Parceiros da Noite” que foi editado à revelia do diretor e resultou num filme bastante ruim. Mas quem é que consegue entender os críticos? Alguns deles elogiaram a direção de Sam Peckinpah vendo qualidades naquele diretor de 35 anos que fazia sua estreia no cinema...

Os jovens Randolph Scott e Joel McCrea
em início de suas carreiras.
O encontro de dois veteranos cowboys - Richard D. Lyons inicialmente queria reunir Gary Cooper e John Wayne para os papéis dos envelhecidos pistoleiros de “Guns in the Afternoon”. Mas Cooper estava bastante doente e morreria de câncer naquele ano de 1961. John Wayne, por sua vez, andava aceitando toda e qualquer proposta de trabalho para tentar amortizar as dívidas contraídas com o monumental prejuízo que tivera com “O Álamo”. O problema é que John Wayne cobrava ‘apenas’ 500 mil dólares por filme, além de participação nos lucros. Lyons havia conseguido 750 mil dólares com a MGM para produzir “Guns in the Afternoon” e não poderia pagar o que John Wayne pedira. O jeito foi se contentar com Randolph Scott e Joel McCrea, muito mais baratos, até porque ambos estavam semi-aposentados do cinema e sem nenhuma oferta de trabalho naqueles dias. O veterano Randolph Scott, no cinema desde 1928, nunca havia trabalhado para a Metro Goldwyn Mayer. Joel McCrea, sete anos mais novo que Scott, tinha se iniciado no cinema em 1927. Os dois haviam atuado juntos em apenas um filme, no início de suas carreiras, em 1929. “Dinamite” foi o título desse drama dirigido por Cecil B. DeMille. Satisfeito por conseguir Scott e McCrea, Lyon ainda precisava de um diretor.

Boetticher não, Peckinpah sim - Randolph Scott indicou Budd Boetticher ao produtor Lyons. Scott e Boetticher haviam feito juntos uma memorável série de sete westerns, série muito elogiada especialmente pela crítica francesa. Boetticher, porém, estava às voltas com seu projeto sobre a vida do toureiro Carlos Arruza e declinou da oferta. Boetticher levaria dez anos para completar esse documentário, dirigindo apenas um único filme nesse período, o western “A Time for Dying”, com Audie Murphy. Esse acabaria sendo o último filme de Boetticher e também a derradeira participação de Audie Murphy no cinema. Ainda à procura de um diretor bom e barato, Lyons recebeu um recado de Sylvia Hersh, funcionária do departamento de roteiristas da MGM. Sylvia conhecia Sam Peckinpah e disse ao produtor Lyons que assistisse a alguns episódios da série “The Westerner” para conhecer o trabalho de Peckinpah como diretor. Lyons assistiu aos cinco episódios da série dirigidos por Sam e ficou impressionado com o que viu, fazendo então a oferta de 12 mil dólares a Peckinpah e enviando-lhe o roteiro para que ele o lesse.

Scott e McCrea divertindo-se num
duelo num intervalo das filmagens.
A caneta vermelha do diretor - Sam Peckinpah foi autorizado por Richard D. Lyons a fazer algumas alterações no roteiro escrito por N.B. Stone Jr., com a condição que as alterações não afetassem substancialmente a história. Peckinpah fez apenas uma única mudança maior no roteiro que foi inverter o pistoleiro que morre ao final. Ao invés de Gil Westrum, o velho de caráter condenável, quem morreria seria o outro velho pistoleiro, Steve Judd. Não houve, no entanto, uma única página do roteiro original que não tivesse sido riscada e modificada pela caneta vermelha de Peckinpah. As alterações foram aceitas por Richard D. Lyons e também por Randolph Scott e Joel McCrea que perceberam que o texto ficou muito mais rico e intenso que o de autoria de Stone Jr. O restante do elenco foi formado em parte por jovens atores da televisão que já haviam sido dirigidos por Sam Peckinpah em episódios de séries de televisão como Warren Oates, James Drury, John Anderson e R.G. Armstrong. Mariette Hartley, de 21 anos, foi submetida a um teste e imediatamente Peckinpah aprovou a moça de cabelos curtos. Mariette havia participado pouco antes de uma encenação teatral interpretando Joanna D’Arc e é grande sua semelhança com Ingrid Bergman.

Atores que já haviam sido dirigidos por Sam Peckinpah: R.G. Armstrong,
James Drury, John Anderson e Warren Oates.

Mariette Hartley

Sam Peckinpah em pé orientando a
posição da câmara.
Parceria com Lucien Ballard - O título do filme foi alterado para “Ride the High Country” e Peckinpah exultou quando soube que o cinegrafista seria Lucien Ballard, com quem havia trabalhado em alguns episódios da série “The Westerner”. Peckinpah e Ballard fariam, a partir de então, uma parceria que resultou em magníficos trabalhos e na obra-prima “Meu Ódio Será Sua Herança” (The Wild Bunch). Parte das locações de “Ride the High Country” foram feitas no Parque Nacional Inyo, na Califórnia, até que nevascas impediram a continuação do trabalho naquele extasiante cenário. Peckinpah queria esperar que as tempestades de neve cessassem, mas a MGM ordenou que outros locais fossem encontrados e Bronson Canyon, Griffith Park e Mammoth Lake, todos na Califórnia foram utilizados como locações. As filmagens duraram 25 dias, cinco a mais que o previsto e consumiram 813 mil dólares, 63 mil além do orçamento inicialmente autorizado. Para maior economia dessa produção, a MGM utilizou as velas dos navios de “O Grande Motim” (Marlon Brando) para fazer as tendas do acampamento dos mineradores no filme de Peckinpah.

Complemento de programa duplo - “Ride the High Country”, que no Brasil recebeu o título de “Pistoleiros do Entardecer” teve uma projeção para o presidente da MGM que detestou o filme chamando-o de horrível. O estúdio decidiu distribuí-lo como complemento de programa duplo, lançando-o juntamente com “Os Bravos Tártaros” (I Tartari), produção europeia distribuída nos Estados Unidos pela MGM. No elenco desse épico ‘espadas-e-sandálias’ os destaques eram Victor Mature e Orson Welles. Alguns cinemas em Nova York exibiam em junho de 1962 um programa duplo tendo como filme principal “Os Bravos Tártaros”, complementado por um western intitulado “Ride the High Country”. O respeitado crítico do ‘The New York Times’ Bosley Crowther foi a uma dessas sessões e no dia 21 de junho escreveu em sua coluna que havia assistido a um filme abominável com Orson Welles mais parecendo uma casa ambulante e a um pequeno e excepcional western.

“Um dos melhores de todos os tempos” - Outras críticas foram igualmente enfáticas em ressaltar as qualidades do filme do quase desconhecido diretor Sam Peckinpah. Um mês antes do lançamento do filme de Peckinpah havia sido lançado “O Homem Que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance), western que demorou um pouco mais para ser saudado como a última obra-prima de John Ford no gênero. Ao filme de Ford juntou-se o de Sam Peckinpah e já se sabia que o jovem diretor passaria a ser citado igualmente como grande diretor, bastando para isso mais alguns westerns como “Ride the High Country”, o que não demorou a acontecer. Mas ninguém melhor que o renomado historiador cinematográfico William K. Everson para definir esse filme de Sam Peckinpah: “Ride the High Country é não somente um dos melhores westerns dos anos 60, mas um dos melhores de todos os tempos”.


Acima à esquerda Randolph Scott, Mariette Hartley e Joel McCrea;
abaixo Scott e Mariette; na foto maior Joel McCrea e Randy Scott
com Tarita que participou de "O Grande Motim" com Marlon Brando.

21 de outubro de 2014

TOP-TEN WESTERNS DE BETO MONTGOMERY, WESTERNMANÍACO AUTÊNTICO


Alberto Nista, também chamado de Beto Montgomery, não é apenas um cinéfilo, mas um autêntico westernmaníaco. Prova disso é sua paixão por tudo que envolve o Velho Oeste norte-americano e que o levou a conhecer os solos sagrados pisados por seus ídolos. E apesar de relativamente jovem (Beto ainda não chegou aos 50 anos), praticamente não há western importante que esse cinéfilo não tenha assistido. A seguir o próprio Beto Montgomery fala um pouco de sua vida e ao final brinda os leitores de WESTERNCINEMANIA com seu Top-Ten Westerns.

Guy Williams, o Zorro;
Robert Conrad e Ross Martin
em "James West".
Howdy, amigos do Western! Comecei minha história como Cinemaníaco muito cedo, com oito anos, assistindo a filmes de faroestes e épicos com minha mãe e irmãs, em nossa casa em Santo André (município da Grande São Paulo). Lembro perfeitamente de esperar ansioso o fim da aula para chegar em casa perto da hora do almoço e acompanhar diariamente as aventuras do Zorro de Guy Williams e também de James West com seu parceiro Artemus. Fazia espadas de madeira e armas de brinquedo para assim imitar meus heróis das telas. Que alegria quando à tarde passava filmes do meu ídolo maior, Elvis, o Rei do Rock!! Lembro também que logo depois, aos 12 anos, comecei minha vida no campo em um sítio de meu pai em Suzano-SP, onde aprendi a montar e ingressei no mundo dos cowboys, participando de rodeios, provas de montaria e cavalgadas. Foi nessa época também que começou outras de minhas paixões: tocar violão e cantar. Cheguei a cantar profissionalmente durante algum tempo e cantava de tudo um pouco para agradar os gostos variados do público. E o repertório tinha que ir de MPB até o rock clássico, no entanto fui criado ouvindo música sertaneja de raiz, aquela que nunca sai do coração e que canto com especial prazer e emoção.

Burt Lancaster , o 'Dardo' de
"O Gavião e a Flecha".
Ainda quando criança sonhava em ser o arqueiro de “O Gavião e a Flecha”, o espadachim implacável de “Scaramouche” ou o pistoleiro frio e mortal de “Shane”... Como esquecer de Jack, o Matador de Gigantes salvando a princesa, de Tarzan enfrentando leões e crocodilos ou de Hércules levantando grandes pedras com sua força sobre-humana? Quantas lembranças, amigos!! Esse amor e completo fascínio que sentia pelo cinema foram crescendo cada vez mais conforme os anos passavam, quando então inaugurei minha primeira locadora de vídeo nos anos 90. Nessa época também comecei minha coleção de filmes antigos raros, que conta hoje com mais de seis mil títulos e continua crescendo...

Maureen O'Hara e Tyrone Power em
"O Cisne Negro", vendo-se Anthony
Quinn ao fundo;
os mosqueteiros Van Heflin,
Gene Kelly, Alan Hale e Gig Young.
Alguns desses filmes eu gosto mais que outros e foram muitas as vezes que os revi, entre eles “Os Três Mosqueteiros”, de 1948, com Gene Kelly e Van Heflin, cujas cenas de lutas de espada e perseguições a cavalo são inesquecíveis; “O Cisne Negro”, de 1942, com Tyrone Power e Maureen O’Hara, capa-e-espada em que Mr. Power caiu muito bem como o pirata conquistador; “Ulisses”, de 1954, com o monstro das telas Kirk Douglas e Anthony Quinn, filme que tem a cena final antológica quando Ulisses mata os pretendentes de Penélope; e “As Aventuras de Robin Hood”, de 1938, que vi ainda criança, quando tive meu primeiro contato com Errol Flynn, estupendo no papel, contracenando com Olivia De Havilland. Como todo cinéfilo eu também tenho meus atores e atrizes preferidos. São eles: Kirk Douglas pelo conjunto da obra; Alan Ladd, excelente nos primeiros anos de carreira e nem tanto no final; Burt Lancaster, que dispensa comentários, tomando conta da tela em todos os gêneros; Glenn Ford, outro monstro do cinema. Das atrizes gosto muito de Maureen O’Hara pela presença na tela; Rhonda Fleming que para mim é a Rainha dos Westerns; Yvonne De Carlo que além de talentosa é belíssima; e Ava Gardner pelo talento, charme e sedução.

Kirk Douglas, Alan Ladd, Glenn Ford e Errol Flynn.

Maureen O'Hara, Rhonda Fleming, Yvonne De Carlo e Ava Gardner

Beto Montgomery em foto no Sul dos
Estados Unidos entre dois 'Johnny Rebs'.
Um sonho que sempre me acompanhava desde pequeno: viajar para os Estados Unidos da América, palco dos grandes filmes que marcaram minha infância. E foi em 1999 que esse sonho se concretizou pela primeira vez numa viagem à Flórida com minha querida mãe. Nos anos que vieram pude conhecer a Califórnia e, logicamente Hollywood, nosso Éden, meu e de todos Cinemaníacos. Visitei com muita felicidade o Gene Autry Museum of American West, em Los Angeles, imperdível para os fãs do faroeste. E sempre imaginando qual seria a próxima viagem... Outros sonhos realizados: Graceland, a casa do eterno ídolo Elvis, Nashville, a cidade berço da Country Music e, na viagem mais recente, algumas semanas atrás, a visita a Gettysburg, palco de sangrentas e históricas batalhas da Guerra Civil Americana. E em todas as viagens sempre trazendo lembranças e souvenirs de filmes, assim como facas e espadas, outra de minhas paixões de colecionador. Espero ainda ter saúde e disposição para muitas outras viagens em busca de conhecimento e satisfação pessoal. Obrigado, amigos, por lerem esta simples sinopse da vida de um apaixonado por filmes, como vocês. Grande abraço e que Deus os abençoe.


TOP-TEN WESTERNS DE BETO MONTGOMERY

Achei muito difícil o desafio do amigo Darci, mesmo para nós amantes das pradarias, tiros e cidades empoeiradas do velho oeste: listar apenas 10 filmes que marcaram nossas vidas, nos emocionaram e, acima de tudo, nos fizeram viajar no tempo e no espaço, para outras épocas e lugares... Mas, vamos à luta, quero dizer, ao duelo!

1.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
Nessa escolha, acho que estou com a maioria: simplesmente um dos maiores westerns da história do cinema. Um clássico eterno, abrilhantado pelo excelente elenco encabeçado por Alan Ladd. Impossível não se emocionar.



* * * * *

2.º) Tombstone – A Justiça Está Chegando (Tombstone), 1993
A conhecida história de Wyatt Earp e seus irmãos, além do emblemático Doc Holliday, lutando contra o bando de Ike Clanton no OK Corral, em Tombstone, Arizona. Elenco muito bem escolhido e personagens marcantes, como o ótimo Doc Holliday de Val Kilmer. Vi e revi várias vezes.


* * * * *

3.º) Rio Vermelho (Red River), 1948 – Howard Hawks
Um tirânico e com visual envelhecido John Wayne, numa história com alguns clichês westernianos de primeira. Adoro a fotografia (mesmo tendo cópia colorida, ainda prefiro a original P&B) e o ritmo. Montgomery Clift está excelente em sua estreia.



* * * * *

4.º) O Último Pôr-do-Sol (The Last Sunset), 1961 – Robert Aldrich
Kirk Douglas em um dos melhores papéis de sua carreira, em minha opinião. Sua presença na tela com Rock Hudson e Dorothy Malone tornaram essa obra fascinante para mim, além do final surpreendente.



* * * * *

5.º) Uma Cidade que Surge (Doge City), 1939 – Michael Curtiz
Estréia de Mr. Flynn no gênero. O nascimento e crescimento da cidade de Dodge me agradou muito, nos fazendo entrar na história e torcendo para o mocinho se tornar Xerife e fazer a justiça com as próprias mãos. Ótima produção para a época.



* * * * *

6.º) Balas que não Erram (No Name on the Bullet), 1959 – Jack Arnold
Audie Murphy... Me lembro de minha querida mãe me chamando (eu com 9, 10 anos de idade) e me dizendo: “Oba, hoje vai passar um filme com aquele mocinho bonitinho que eu gosto”. E o filme em questão era o “Balas...” Acho que foi aí nesse momento que começou o meu amor pelos mocinhos e bandidos do cinema. Audie frio e infalível como matador de aluguel; a tensão aumentando gradativamente com ótimo final. Inesquecível...



* * * * *

7.º) Nenhuma Mulher Vale Tanto (The Iron Mistress), 1952 – Gordon Douglas
O baixinho ‘invocado’ de novo... Sou suspeito de falar de Jim Bowie, pois como colecionador de facas, as minhas preferidas são as que levam seu nome. Belo filme que conta algumas passagens da atribulada vida de Mr. Bowie, herói do Álamo. Produção esmerada numa história cativante e ainda por cima contando com a beleza de Virginia Mayo. Filme imperdível!



* * * * *

8.º) O Irresistível Forasteiro (The Sheepman), 1958 – George Marshall
Como listar dez grandes filmes de ‘caubói’ sem citar Glenn Ford? Eterno ídolo para nós westernmaníacos, inclusive já filmou em terras brasileiras, como todos sabem. A história remete ao preconceito contra os criadores de ovelhas, num ‘mundo’ dominado pelos grandes rebanhos de gado. O enredo foge um pouco dos clichês, inclusive com alguns momentos cômicos. Muito bom.



* * * * *

9.º) Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962 – Sam Peckinpah
Nesse ótimo filme atuam juntos dois ícones do faroeste: Joel McCrea e Randolph Scott! Só por esse fato merece e muito ser assistido. Muito bom ver o confronto entre os dois protagonistas; ótima sequência no tiroteio final. Merece estar na prateleira e ser revisto.



* * * * *

10.º) O Dólar Furado (Um Dollaro Bucato), 1965 – Giorgio Ferroni


Ok, ok, posso estar ofendendo a muitos, mas com certeza, agradando outros tantos com essa escolha final. Apesar dos spaghettis não conseguirem chegar ao glamour dos americanos, reconheço que “O Dólar” marcou muitíssimo minha infância, pois foi um dos poucos que vi no cinema. E a música?? Ah, a música... Quem não a assoviou e torceu pelo mocinho injustiçado? Que atire a primeira pedra...




Obrigado ao WESTERNCINEMANIA pela oportunidade de fazer esta lista. Sei que todos têm seus preferidos no universo Velho Oeste, mas o que realmente importa é a alegria, diversão e emoção que sentimos em frente à tela, vendo nossos heróis lutarem contra o mal.


No vídeo abaixo Beto Montgomery interpreta um dos sucessos de seu ídolo Elvis Presley.




Beto e a estrela de John Wayne na Calçada da Fama, em Hollywood.

Beto Montgomery (1,78m) ao lado da figura em tamanho natural
do maior de todos os cowboys do cinema, John Wayne (1,94m).

Maravilhoso painel no Museum of Western Heritage de Los Angeles,
com Beto ao lado de seus ídolos.

Um cowboy entre cowboys: Beto com Sundance e Butch (Robert Redford
e Paul Newman) e com The Stranger (Clint Eastwood).

Beto Montgomery em seu tour pelos museus de westerns de Los Angeles.

Beto e Liz Taylor, a mais bela das Cleópatras.

Beto Montgomery em um dos muitos saloons do Velho Oeste
que conheceu nos Estados Unidos.

Aqui Beto Montgomery está no saloon 'Villa Country', em São Paulo.

O cavaleiro Beto Montgomery.

Vale a pena encontrar Beto Montgomery, não exatamente pela alta
recompensa, mas sim pela sua simpatia, simplicidade, generosidade e
grande conhecimento de cinema em geral e westerns em especial.

Os pardners Joaquim Murieta e Beto Montgomery 'enfrentam' o
'Rei dos Cowboys Brasileiros', Lazinho Kid Blue.

O trio de pardners Murieta, Montgomery e Kid Blue.



16 de outubro de 2014

CAVALEIRO DO COLORADO (COLORADO SUNDOWN), ÓTIMO WESTERN-B DE REX ALLEN


William Witney
Rex Allen chegou ao cinema aos 30 anos de idade, exatamente em 1950, quando a Republic Pictures criou a série de westerns-B para o cantor transformado em ator. As séries de faroestes encaminhavam-se para o final, perdendo o cinema um segmento que levou alegria e emoção a milhões de crianças e adolescentes no mundo todo. Em quatro anos (de 1950 a 1953), Rex Allen estrelou 20 faroestes e teve a sorte de na metade deles ter sido dirigido por William Witney. Responsável pela direção de alguns seriados clássicos em parceria com John English, entre eles “O Homem de Aço” (Adventures of Captain Marvel), “A Legião do Zorro” (Zorro’s Fighting Legion) e “Os Tambores de Fu-Manchu” (Drums of Fu Manchu), Witney era um mestre na criação de cenas de ação espetaculares. Além de Witney, a partir de 1952 a série de Rex Allen ganhou o reforço do ex-cowboy de rodeios Slim Pickens, substituindo Buddy Ebsen como seu sidekick. Como se percebe nesses filmes Slim merecia mesmo o apelido que tinha, de tão magro que era, muito diferente do ótimo e sempre engraçado ator que vimos em “A Face Oculta” (One Eyed-Jacks), e em “Banzé no Oeste” (Blazing Saddles). “Cavaleiro do Colorado” (Colorado Sundown) é filme exemplar para se conhecer como eram bons os faroestes do trio Witney-Allen-Pickens.


Irmãos vilões:Fred Graham e June Vincent.
Herança disputada - Em “Cavaleiro do Colorado” uma fazenda é deixada em herança e os irmãos Hurley tentam se apossar da propriedade. Eles são Carrie Hurley (June Vincent) e Daniel Hurley (Fred Graham). Ocorre que aos dois toca apenas um terço da herança, ficando os outros dois terços para a jovem Jackie Reynolds (Mary Ellen Kay) e para o estabanado cowboy Joshua Pickens (Slim Pickens). Os inconformados Hurley usam de diversos artifícios criminosos para ficar com toda a herança pois a intenção dos dois é promover uma derrubada maciça de árvores e lucrar com a venda da madeira. Alegam até que as árvores estão infectadas e precisam ser cortadas. Nesse ínterim surge ainda Dusty (John Daheim), um terceiro irmão Hurley. Rex Allen suspeita dos irmãos e entra em contato com o Departamento Florestal, conseguindo evitar o desmatamento comandado pelos Hurley. Não sem antes ter que se confrontar com os irmãos, sendo inclusive alvejado por Carrie quando lutava com Daniel. Mortos Daniel e Dusty, Carrie é presa quando tentava o suicídio.

Louise Beavers, Mary Ellen Kay,
Rex Allen e Slim Pickens.
Ação incessante - A história é simples mas a dinâmica e criatividade de William Witney tornam o filme saboroso. As lutas são eletrizantes e não poderiam deixar de ser uma vez que Fred Graham é o bandidão, ele que foi um dos principais stuntmen do cinema, tendo sido dublê de John Wayne muitas vezes. O Duke nunca apanhava pois era seu dublê Fred Graham quem levava socos por ele. E a ação é contínua com carroças descontroladas, um bandido sádico (Dusty Hurley) capaz de atirar numa mulher indefesa e num cãozinho nervoso, chegando até a uma série de envenenamentos. Claro que num faroeste com Rex Allen tem de haver canções. Afinal ele entrou para o time dos cowboys cantores que tinha Roy Rogers e Gene Autry como expoentes, apenas que com um vozeirão mais poderoso que as vozes de Roy e Gene. Mas as canções que aparecem sempre fora de hora são compensadas pelos momentos de comédia proporcionados por Slim Pickens.

June Vincent roubando o filme.
Carrie, com a maldade na alma - Slim Pickens é vítima constante de um bode branco que sem nenhuma cerimônia chifra o traseiro do cowboy a cada vez que ele se abaixa. Mas ótimo mesmo é ver a mãe de Slim, num enorme medalhão que ele carrega, censurá-lo ou aconselhá-lo. E a mãe de Slim é ele próprio, antecipando o que faria Norman Bates de “Pscicose”. Louise Beavers tem também seus momentos de comédia, o melhor deles caindo perigosamente para trás de uma charrete conduzida em velocidade por Rex Allen. Melhor que Slim Pickens somente a vilã June Vincent, numa interpretação na linha de Barbara Stanwyck em “Dragões da Violência” (Forty Guns) ou de Joan Crawford, a Vienna de “Johnny Guitar”. Elegante e dominadora, June Vincent como Carrie Hurley é a expressão máxima da maldade feminina num western-B, reduto dos mesmos de sempre espertalhões violentos como Roy Barcroft e assemelhados. A diabólica June Dumont, imitando os vilões dos seriados fazendo uso constante de um veneno que coloca no chá de suas vítimas. A maldade de June Vincent é reforçada por sua pose charmosa de mulher fatal de filmes noir-B, o que ela de fato foi, como em “Anjo Diabólico”, de 1946, com Dan Duryea, Peter Lorre e Broderick Crawford.

Louise Beavers e o cão: convalescentes.
Nonsense num faroeste – O espectador só pode reclamar da rapidez com que feridos de bala se restabelecem em “Cavaleiro do Colorado”. O próprio Rex Allen, alvejado quase a queima-roupa por June Vincent se recupera milagrosamente para em seguida exercitar seus saltos acrobáticos e cair sobre a sela de Koko. A rotunda Louise Beavers também recebe um balaço de um dos Hurley mas ao final surge convalescendo com o cachorrinho nos braços. O próprio animalzinho havia recebido um tiro mas parece não ter perdido sequer um pelo. O nonsense total porém é visto numa cena em que a tempestade ameaça inundar toda região e num extenuante trabalho noturno os cowboys constróem um dique. Fazem uma pausa para cantar “Down by the Riverside” puxado pela voz de barítono de Rex Allen. Nem Fellini imaginaria algo igual. Mas o espectador que não conseguir se divertir com essa sequência, não perde por esperar pois Rex Allen não dá nunca trégua aos bandidos, assim como o bode não se esquece de Slim Pickens. Ação e diversão de primeira qualidade fazem de "Cavaleiro do Colorado" um dos melhores faroestes B dos estertores dessa inesquecível época do cinema.

Muito antes de pilotar uma bomba atômica em "Dr. Fantástico", Slim
Pickens aparecia em situações inusitadas, aqui como sua própria mãe
num medalhão; Slim sendo chifrado por duas vezes pelo bode branco.

Rex Allen, o Cowboy do Arizona