UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

13 de outubro de 2014

CINE SAUDADE – NELSON PECORARO, UM APAIXONADO PELO CINEMA


WESTERNCINEMANIA publica um 'Cine Saudade' especial em homenagem a NELSON PECORARO, um apaixonado por cinema e membro dos mais importantes da história da Confraria dos Amigos do Westerns de São Paulo. Nelson Pecoraro faleceu no último dia 5 de outubro e o vazio deixado por sua inteligência, pioneirismo, humor, despreendimento e amizade jamais será preeenchido.


Abaixo Rocky Lane monta Black Jack.
Pela primeira vez num cinema - Foi uma experiência inesquecível a primeira vez que o menino Nelson Pecoraro esteve em um cinema. Recém-chegado do interior do Estado de São Paulo, o garoto foi levado por uma moça, amiga da família e mal imaginava o que seria aquele lugar onde tanta gente fazia fila para entrar, isto em 1949. O garoto de nove anos teve que se sentar na primeira fila pois o Cine Dom Bosco, em Vila Prudente, estava completamente lotado naquela tarde de domingo escaldante. Quando as luzes se apagaram, as imensas e engraçadas figuras de um homem gordo e outro mais magro pareciam que iam desabar sobre a cabeça do menino ali tã próximo da tela. O novato espectador riu um pouco, mas a cabeça começou a doer pois o barulho das caixas de som era forte demais para seus desacostumados ouvidos. E ainda havia o calor infernal, mesmo assim Nelson não pensou em se levantar e foi aguentando a tortura da sede. Terminada a comédia da dupla que a plateia chamava de ‘O Gordo e o Magro’, teve início outra agitação devido ao outro filme que começava e que alguém disse ao menino Nelson que era um seriado. Ele que mal sabia diferenciar os vários tipos de filmes. E o tal seriado chamava-se “Novas Aventuras de Dick Tracy” (Dick Tracy’s G-Men) e para aumentar a vontade de beber água do menino, o episódio daquele domingo do seriado, o de n.º 6, tinha uma cena passada embaixo da água, com escafandros e um monte interminável de bolhas que pareciam querer sair da tela. A boca do Nelsinho estava completamente seca, mas para piorar as coisas começou a dar no menino uma incontrolável vontade de fazer xixi. Mas fazer xixi onde se ele nem sabia se havia banheiros naquele lugar chamado cinema... Em seguida passou um filme de cowboys com um mocinho chamado Rocky Lane que toda a criançada conhecia, menos Nelson. O filme era “Estalagem Misteriosa” (Marshal of Amarillo) e foram horas de enorme agonia aquelas que batizaram o garoto nos ‘prazeres’ que o cinema oferece. Apesar dessa primeira experiência ter sido dolorosa, Nelson nunca mais deixou de assistir filmes.

Larry Buster Crabbe como
Flash Gordon.
500 sessões de cinema - Nelson Pecoraro viveu até os nove anos em Ibitinga, sua cidade natal conhecida como ‘A Capital dos Bordados’. A família Pecoraro não tinha o hábito de ir a cinema e o pai de Nelson, seo Antônio Pecoraro, barbeiro de profissão, depois dos muitos cortes de cabelos e barbas, animava os arrasta-pés de Ibitinga com a arte de seu acordeon. Mesmo em São Paulo, nem seo Antônio nem os três irmãos mais velhos de Nelson se sentiam atraídos pelo principal divertimento da época, o cinema. Um dos irmãos iniciava-se, aos treze anos, na eletrônica, montando seus primeiros rádios receptores de ondas sonoras utilizando o cristal de galena. Essa pode ter sido a influência primeira sobre o jovem Nelson quanto aos aparelhos que começavam a mudar a cara do mundo. E se a família de Nelson ia pouco ao cinema, ele pelo contrário logo passou a frequentar o Cine Dom Bosco todos os domingos, infalivelmente. Quando ficou um pouco mais mocinho, Nelson começou a dar ‘esticadas’ nos cinemas dos bairros mais próximos que exibiam bons filmes que não eram exibidos no acanhado Dom Bosco. Dos dez aos vinte anos de idade Nelson se tornou assíduo frequentador de cinemas, falhando quando muito duas ou três vezes num total de mais de 500 semanas. Nesse período Nelson assistiu nada menos que 33 seriados, entre eles os clássicos “A Deusa de Joba”, “O Império Submarino”, “Sertão Desaparecido”, “A Vila dos Fantasmas" (Gordon of the Ghost City) e, claro, os três “Flash Gordon”.

Pôsteres originais dos seriados "Sertão Desaparecido", "A Vila dos Fantasmas"
e "Império Submarino".

Dale Arden e Linda Stirling (acima);
Allan Lane e Kay Aldridge.
Rocky Lane, seu ídolo - Larry Buster Crabbe, o ‘rei dos seriados’ era seu maior ídolo, mas nas brincadeiras ‘de mocinho’ nas ruas do então pacato bairro de Vila Prudente Nelson escolhia ser Rocky Lane, seu cowboy preferido e de quem o adolescente mais assistiu Faroestes-B. Nelson gostava também de Whip Wilson, aquele mocinho que usava um chicote. As heroínas de Nelson eram Dale Arden, Linda Stirling e a mais bonita de todas, Kay Aldridge. À medida que Nelson foi crescendo começaram a rarear aqueles filmes tão simples e queridos. Foi nessa época que o rapazinho descobriu outros mocinhos de quem começou a gostar muito, o principal deles Randolph Scott que Nelson viu pela primeira vez num cinema de São Caetano do Sul. Além de Randolph Scott, Audie Murphy, Gary Cooper, Kirk Douglas, James Stewart e John Wayne foram os artistas que ajudaram a mudar o enfoque cinematográfico de Nelson que percebia a melhor qualidade contida nos filmes desses atores. Algumas delas eram ‘filmaços’, como se dizia naquele tempo. Mas tanto fossem filmes ‘A’ ou ‘B’, Nelson apreciava todos indistintamente.

Cinema mais TV - Seo Antônio, pai de Nelson, com a prole de sete filhos não demorou a perceber que a novidade chamada televisão seria um grande divertimento para a família. Um aparelho televisor era, porém, naquele ano de 1956, um sonho tão distante quanto a compra de uma casa própria ou um automóvel. Mesmo assim, para alegria de todos, um televisor da marca Admiral passou a dominar a cena na casa dos Pecoraro. E o que não faltava eram os televizinhos, principalmente para nos sábados à noite assistir as sensacionais luta-livres em que o louro grego Kostolias apanhava um pouco dos seus desleais adversários antes de demoli-los heroicamente. A televisão apresentava alguns heróis que Nelson conhecia do cinema ou dos gibis, como Roy Rogers e Zorro (Lone Ranger) e só isso já fazia valer à pena o alto investimento naquele aparelho. Teve início ali aquilo que Nelson sentiria fortemente alguns anos mais tarde e que recebeu o nome de nostalgia. A televisão, no entanto, não conseguiu quebrar a rotina do futebol nas manhãs de domingo e o cineminha no sábado á noite ou mesmo depois do futebol.

Oberdan Catani
Oberdan da Vila alpina - O jovem Nelson Pecoraro era esguio e elegante com seus 56 quilos de peso e 1,68m de altura, estatura pequena que não o impedia de fechar o gol do União F.C. de Vila Alpina. Nessa equipe da saudosa várzea paulistana, Nelson começou como goleiro nos ‘mirins’ até chegar ao ‘esporte’, divisão máxima dentro das equipes amadoras. O ídolo de Nelson era Oberdan Catani, goleiro da S.E. Palmeiras. E nem podia ser outro já que Nelson era palmeirense, ainda que não fanático pois se não fosse assim teria brigado muito com os irmãos mais velhos, um sãopaulino e outro corintiano. No final dos anos 50 o cinema para Nelson Pecoraro já era um pouco mais que os queridos faroestes. Foi quando Nelson descobriu atrizes do porte de Bette Davis, Joan Crawford e Jennifer Jones, ou mulheres lindíssimas como Ava Gardner e Kim Novak. Assim como tanta gente naquele tempo, Nelson se encantou com “Suplício de uma Saudade” (Love is a Many Splendored Thing). Era sua fase mais romântica. Mesmo na música a tendência de Nelson era mais para canções que lhe falavam ao coração e gostava mais de Elvis Presley quando o cantor interpretava baladas suaves e algumas versões de canções italianas. Quando Elvis cumpriu seu serviço militar na Alemanha, Nelson aqui no Brasil cumpriu ao mesmo tempo sua obrigação com a Pátria usando a disputada farda azul da Aeronáutica. O jovem soldado começou seu serviço militar numa Base Aérea em São José dos Campos sendo depois transferido para o QG da Aeronáutica na Avenida Cásper Líbero, próximo ao prédio da Rádio Gazeta no centro da capital paulista. Frequentando o auditório da Rádio Gazeta, cuja programação era bastante elitizada, Nelson descobriu o cantor lírico Paulo Forte e outros igualmente magníficos. Foi ali que Nelson conheceu algumas árias que o marcariam para sempre e das quais ele gostava tanto quanto os sucessos de Orlando Silva e Francisco Alves, seus cantores preferidos.

Ava Gardner, Bette Davis e Kim Novak, atrizes preferidas de Nelson Pecoraro.

Na confraria em 1981 - Aquele goleiro meio baixinho que defendia quase tudo no gol do União F.C. de Vila Alpina não conseguiu evitar ser atingido pelas flechas do cupido e se casou aos 23 anos. As duas primeiras décadas de casamento foram de dedicação quase total ao lar e ao trabalho de representante comercial que lhe permitiu dar um ótimo padrão de vida à família. Mas algo iria mudar a rotina de vida de Nelson Pecoraro. E isso ocorreu exatamente em agosto de 1981 quando um irmão de Nelson viu uma reportagem na TV Cultura, reportagem que falava de um grupo de senhores que se reunia aos sábados à tarde para assistir filmes de faroestes projetados em 16mm. Anotado o endereço que era na Rua José Getúlio, 442, no bairro da Aclimação, em São Paulo, Nelson passou então a frequentar o FotoCineClube Bandeirante, onde aquela confraria se reunia. A velha e antiga paixão pelo cinema voltava a tomar lugar no coração de Nelson Pecoraro, agora já um quarentão.
Na foto à esquerda Nelson 'Pecos Bill' Pecoraro armado e Dionísio 'Randy Scott' Nomellini Neto sem seu Colt.

Vizinhos de bairro, amigos de clube:
Jorge Cavalcanti e Nelson Pecoraro.
Gravando a 1.ª fita de vídeo – Pecoraro logo se tornou amigo das duas dúzias de sócios do clube, entre eles Aulo Barretti, Sérgio Pereira, Clóvis Ribeiro, Edson Pomarico, Umberto Losso, Cláudio Caltabiano, Fausto Canova, Diamantino da Silva e ainda de um pernambucano que era seu vizinho de bairro, Jorge Cavalcanti Araújo Filho. Ao chegar à Confraria dos Amigos do Western, reduto de experts em cinema que funcionava nas dependências do FotoCineClube Bandeirante, Nelson Pecoraro surpreendeu a todos os sócios pois possuía já um aparelho que os demais apenas membros da confraria haviam ouvido falar vagamente: um vídeo-cassete. Nelson havia importado um Panasonic 3.500, daqueles compostos por dois módulos, um dos quais podia ser acoplado às enormes câmaras de VHS. Esse foi um dos primeiros 'Video Home System Recorder' a entrar no Brasil. Com esse aparelho que utilizava o sistema N-Linha, Nelson gravou seus primeiros filmes diretamente da televisão. “O Seresteiro de Acapulco”, com Elvis Presley e Ursula Andress foi o primeiro filme gravado, seguido do musical clássico “Sete Noivas para Sete Irmãos”.

O saudoso 'Hoppy' Losso retratou Nelson 'Pecos Bill' Pecoraro
com rara felicidade.

Nelson adorava brincar com os amigos
mas na foto ele é vítima de Celso
Gutierre enquanto Romualdo dos
Santos, outro brincalhão, observa.
O homem das telecinagens - Desnecessário dizer que Nelson Pecoraro alvoroçou a confraria que vivia no estágio dos 16mm revezando os filmes do limitado acervo do Doutor Aulo Barretti. Nelson não tinha nenhum preconceito contra esse ‘anacronismo’, tanto assim que passou a adquirir filmes em 16mm, pois ele já possuía dois projetores desse sistema que era visto como ultrapassado com o advento do vídeo cassete. Nelson adquiriu um importante lote de filmes em 16mm diretamente da viúva do crítico e cineclubista Ademar Carvalhaes, a maior parte desse lote com filmes chamados 'de arte' e outros mais comerciais, inclusive alguns faroestes clássicos. Outra aquisição importante que Nelson fez foi comprar o aparelho de telecinagem que pertencera à extinta TV Tupi, aparelho utilizado para as primeiras telecinagens ainda nos primórdios da televisão brasileira. Telecinagem era a conversão da imagem e som dos filmes em celulóide para uma fita magnética que era lida por uma máquina decodificadora que levava os sinais para transmissão pela televisão. Um pouco da história da televisão brasileira estava nas mãos de Nelson Pecoraro. Mãos certas, mãos inquietas e arrojadas no conhecimento tecnológico. Nelson Pecoraro era já reconhecido como um dos grandes colecionadores de filmes de São Paulo, não só em 16mm, mas e principalmente, em VHS. E sua coleção não parava de crescer com os filmes que gravava diretamente da televisão somados àqueles que Nelson passava para as fitas de VHS através de telecinagens.

Nelson, Dionísio e Sérgio Itamar
Viga mestra da confraria - Era inevitável que os pedidos para gravar fitas começassem a surgir. Logo as 24 horas do dia de Nelson Pecoraro se tornaram exíguas para tanto trabalho, ele que desenvolvia sua cansativa atividade de representante comercial paralelamente às gravações e telecinagens que fazia. Em pouco tempo era Nelson o responsável principal pela programação de filmes em 16mm, pela projeção dos mesmos durante as sessões e pela manutenção da aparelhagem. Nunca a confraria precisou dos serviços de profissionais de um técnico pois era Nelson Pecoraro quem cuidava da parte técnica dos projetores e caixas de som. E foi Nelson quem introduziu o fim do longo recesso que a confraria sofria, recesso que ia de dezembro a abril, com nova interrupção em julho. Todos os sábados, exceto Natal e Ano Novo, Nelson passou a ir ao clube para projetar na tela da sala de exibição do FotoCineClube Bandeirante filmes em 16mm para alegria dos associados daquele grupo de saudosistas.

Claúdio Caltabiano, Dionísio Nomellini Neto, Jorge Cavalcanti, Mauro
de Castro, Nelson Pecoraro e Roberto Barretto; agachados Sérgio
Pereira e José Correia Dantas, época de ouro da confraria.

Dono de um humor afiado, as frases e
opiniões de Nelson Pecoraro alegravam
qualquer conversa.
Anônimo, discreto, eficiente - A excêntrica Confraria dos Amigos do Western passou a ser alvo de um sem número de reportagens por parte de emissoras de televisão, jornais e revistas. Nessas ocasiões havia sempre quem falasse pelo grupo, mas Nelson, que até por força da profissão se expressava com clareza e objetividade, se esquivava e mantinha-se em total anonimato. A alma verdadeira da confraria era uma pessoa modesta e avessa ao narcisismo. Nas fotos do grupo Nelson nunca estava em primeiro plano e durante as filmagens não se acotovelava com os demais para aparecer na televisão. Decididamente Nelson não gostava dos holofotes da 'fama' efêmera. Na hora do trabalho na confraria, porém, Nelson Pecoraro era a viga mestra da confraria, respeitado e admirado por todos os amigos. E sua coleção de filmes (e livros sobre cinema também) não parava de crescer. Quando o DVD tomou o lugar do VHS Nelson Pecoraro viu-se diante da monumental tarefa de transformar suas três mil fitas de VHS em DVDs. O número absoluto de filmes já se aproximava dos dez mil quando o século XX se encerrou, isto somados também as 500 cópias em celuloide e os vídeo-lasers. Mais importante que esses números talvez seja a quantidade de coleções iniciadas pelo Brasil afora com filmes gravados por Nelson Pecoraro. Um de seus clientes, um cinéfilo chamado Paulo Tardin, morava em Bom Jesus de Itabapoana, RJ. Procurando por Nelson Pecoraro em São Paulo, Tardin aprendeu com Nelson os segredos da telecinagem. Esse aprendizado transformou Tardin no maior copiador de filmes do Brasil.

Pecoraro fazendo o que mais gostava: projetar em 16mm um
faroeste estrelado por Rocky Lane.

O ‘Pecos Bill’ da confraria - A chegada do VHS à Confraria dos Amigos do Western com a consequente aposentadoria dos 16mm coincidiu com o lento afastamento de Nelson Pecoraro do grupo. A presença do ‘Pecos Bill’, como ele era também chamado passou a ser cada vez mais rara, limitando-se por fim às reuniões comemorativas do grupo. Antes disso, no entanto, ‘Nelson Rod Steiger’, outro apelido que ele tinha (e gostava), foi homenageado pela revista PARDNER que publicou sua biografia, que serviu de base para este Cine Saudade. Naquela matéria Nelson nos falou dos mais de 200 livros sobre cinema que tinha em suas estantes, bem como da enorme coleção de long-playings e CDs, ele que era apaixonado por música, certamente herança do seo Antônio, seu pai. Eis as preferências de Nelson Pecoraro relatadas quando entrevistado para sua  biografia publicada na PARDNER:

Um ator: Gary Cooper / Uma atriz: Bette Davis
Um cowboy: Ben Johnson / Um mocinho: Rocky Lane
Um cômico: Harold Lloyd / Um diretor: John Ford
Um cantor: Orlando Silva / Uma cantora: Elizete Cardoso
Uma série de TV: “5.ª Dimensão” (a original)
Um seriado: “Flash Gordon no Planeta Mongo”
Um drama: “Em Cada Coração um Pecado” (Kings Row)
Uma comédia: “Deu a Louca no Mundo” (It's a Mad, Mad, Mad World)
Um musical: “Sete Noivas para Sete Irmãos” (Seven Brides for Seven Brothers)
Um suspense: “O Dia do Chacal” (The Day of the Chacal)
Uma aventura: “Os Caçadores da Arca Perdida” (Raiders of the Lost Ark)
Um filme de guerra: “Glória Feita de Sangue” (Paths of Glory)
Um filme brasileiro: “Alô, Alô, Carnaval”

Nelson Pecoraro listou dez westerns como os melhores que conhece, na seguinte ordem:
  1.º)  Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
  2.º)  Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford
  3.º)  Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
  4.º)  O Galante Aventureiro (The Westerner), 1940 - William Wyler
  5.º)  Região do Ódio (The Far Country), 1954 - Anthony Mann
  6.º)  No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
  7.º)  Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the OK Corral), 1957 – John Sturges
  8.º)  Matar ou Morrer (High Noon), 1952 – Fred Zinnemann
  9.º)  Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
10.º)  O Intrépido General Custer (They Died With Their Boots On), 1941 – Raoul Walsh


Doc Barretti. Hoppy Losso e Nelson 'Rod Steiger' com o verdadeiro
Hopalong Cassidy ao fundo.

O célebre duelo travado em Grataí e levado ao ar pela Rede Globo no
programa 'Fantástico', vendo-se Lazinho Kid Blue, Nelson Pecoraro,
Darci Fonseca, Jorge Cavalcanti, Sérgio Pereira e Diamantino da Silva.

Doc Barretti, Nelson Pecoraro, Carlos Jorge Mubarah e Lazinho Kid Blue.

Nelson preparando-se para abater um inimigo em Tombstone...

Aniversário de Doc Barretti, ladeado por Jáder de Jesus Donato,
Édson Freitas, Nelson Pecoraro, Romualdo dos Santos e Paulo Penteado.

Nelson Pecos Bill, Dionísio Randy Scott, Jorge Tyler
 e Sérgio Bill Elliott.

Nelson Pecos Bill em três fotos produzidas em sua casa especialmente
para ilustrar a matéria sobre ele publicada na revista PARDNER.


Na sessão em que a confraria homenageou Doris Day vemos na foto
Nelson Pecoraro à frente, no centro; em pé estão Paulo, Antônio Rafael,
Lazinho, Martins, Roberto, Osvaldo, Clóvis e Darci ; sentados: Achilles,
Pomarico, Armando, Romualdo e Zanini.

12 de outubro de 2014

DEZ SEGUNDOS DE PERIGO (JUNIOR BONNER), TOCANTE FILME DE SAM PECKINPAH


Sam Peckinpah
Depois de surpreender o mundo cinematográfico com “Meu Ódio Será Sua Herança” (The Wild Bunch), um dos mais extraordinários westerns até então realizados, Sam Peckinpah filmou “Sob o Domínio do Medo” (Straw Dogs). Em ambos os filmes diversas sequências brutais chocaram espectadores mais sensíveis, o que levou Peckinpah a ser chamado de ‘Poeta da Violência’. Outros, no entanto, preferiam chamá-lo de ‘Bloody Sam’ (Sam, o Sanguinário). Com seu filme seguinte Peckinpah procurou mostrar que era capaz de realizar películas mais emotivas, ao gosto do público não afeito à ferocidade vista nos filmes citados. Entre “The Wild Bunch” e “Straw Dogs" Sam Peckinpah já havia apresentado o estranho “A Morte Não Manda Recado” (The Ballad of Cable Hogue) e em 1972 o os espectadores conheceram seu novo trabalho, intitulado “Junior Bonner”, que no Brasil recebeu o equivocado título “Dez Segundos de Perigo”.


Acima Steve McQueen e Robert Preston;
abaixo Preston e Ida Lupino.
Pai e filho, cowboys errantes - Baseado em história e roteiro de Jeb Rosenbrook, “Dez Segundos de Perigo” é um western contemporâneo que se desenrola durante um de rodeio. O filme conta as desventuras de dois cowboys, pai e filho, ambos errantes. J.R. Booner (Steve McQueen), também chamado de ‘Junior’ é filho de Ace Booner (Robert Preston) e após algumas andanças participando de rodeios retorna a Prescott, Arizona, sua cidade natal e palco do mais antigo rodeio do Oeste norte-americano. J.R. se inscreve para participar em diversas modalidades de competição no rodeio anual de Prescott, que se realiza anualmente desde 1888. Lá J.R. encontra velhos conhecidos de outros eventos e procura por seus pais. O velho Bonner encontra-se num hospital devido a ferimentos leves sofridos há poucos dias num acidente de trânsito. Elvira Bonner (Ida Lupino), a mãe de J.R., já perdeu as esperanças com o incorrigível e irresponsável marido. Curly Bonner (Joe Don Baker) é o irmão mais novo de J.R. que optou por ser empreendedor imobiliário e se aproxima do primeiro milhão de dólares ganho com seus negócios. Enquanto isso os cowboys de rodeio pai e filho ganham hoje (quando ganham) para comer amanhã. Ace Bonner decide ir para a Austrália, onde as chances de fazer fortuna são maiores. J.R. por sua vez está obcecado pela idéia de montar novamente o mais temido touro dos rodeios que se conhece. Esse animal é o Brahma negro Old Sunshine que derrubou J.R. há menos de uma semana em outro rodeio. Na competição de Prescott J.R. consegue permanecer os oito segundos necessários sobre Old Sunshine e recebe 950 dólares pelo feito. Com o dinheiro compra, ao custo de 840 dólares, uma passagem de primeira classe para o pai tentar a sorte na Austrália. E J.R. volta para a estrada seguindo sua vida de decadente cowboy de rodeio.

Steve McQueen e Joe Don Baker
Pouca ação, muita delicadeza - Federico Fellini sentenciou certa vez que os melhores filmes são aqueles em que parece que nada acontece. Assim é “Junior Bonner”, filmado propositalmente em ritmo lento e sem nenhuma morte, desgraça ou fato mais importante. Peckinpah filma o rodeio de Prescott num estilo de semidocumentário mostrando os bastidores do evento e a dura vida dos cowboys que dormem em motéis, quando não ao ar livre. O relacionamento entre J.R. e seus pais e ainda com seu irmão Curly é um subtema desenvolvido de modo singelo mesmo que revele a amargura de Elvira Bonner por se ver sozinha e às vésperas de perder a casa e o marido. Uma sequência de desentendimento entre J.R. e Curly é resolvida com um soco espetacular de J.R. que joga o irmão para dentro da sala passando pelos vidros de uma janela. Mais tarde, no Palace, bar onde parece se reunir todos que estão em Prescott, Curly devolve o soco em J.R., que, depois de se levantar do chão, convida o irmão para tomar uma cerveja. No mesmo Palace ocorre uma briga de grandes proporções mas onde aparentemente ninguém é inimigo de ninguém e os contendores exercitam apenas o próprio machismo e a força dos punhos. Esses momentos, mais para a comicidade que para a violência, não retiram de “Dez Segundos de Perigo” a delicadeza que é a marca maior deste filme de Sam Peckinpah.

Steve McQueen e Robert Preston;
abaixo Ben Johnson.
Sonhos e decepções - O que poderia ser o clímax do filme, a competição mais esperada do rodeio com J.R. sustentando-se sobre o enraivecido Old Sunshine, é desenvolvida naturalmente e mostrada até rapidamente sem excessos de edição. Ainda assim a sequência emociona pela estupenda performance de Steve McQueen. O uso costumeiro do slow motion pelas câmaras de Lucien Ballard, marca registrada de Peckinpah, atenua ainda mais o ritmo do filme que não pretende empolgar pelo dinamismo da edição. O que pretendeu Sam Peckinpah com “Dez Segundos de Perigo” não foi contar uma história que prendesse a atenção do espectador através de momentos de emoção estudados. Quis sim o diretor mostrar o delicioso marasmo da vida de pessoas simples que arriscam o pescoço praticando rodeio. A camaradagem só encontra paralelo na paixão pelo esporte que é o rodeio. É Sam Peckinpah lembrando que não só a violência se faz presente em seus filmes, mas também outra forma de poesia falando de seres humanos e de seus sonhos e decepções. Junior Bonner rejeita proposta de trabalho que o irmão lhe oferece, assim como não aceita trabalhar como assistente de Buck Roane (Ben Johnson), empresário do ramo de rodeios. J.R. gosta mesmo é de colocar seu surrado Cadillac 63 na estrada, rumo a Salinas, Phoenix, El Paso, Forth Worth, para tentar ficar oito segundos sobre meia tonelada de fúria. Neste filme não há vilões o que faz de Curly o antipático representante do progresso que destrói o lirismo daquele estilo de vida onde a tônica é a frugalidade e a bonomia. Curiosamente a publicidade da ‘Reata Rancheros’, projeto de Curly, tenta vender o mundo que ele acaba com implacáveis escavadeiras.

O judiado Cadillac 63 dirigido por McQueen, e seu home on the range.

McQueen
Steve McQueen, que ator! - Um filme com a característica de “Dez Segundos de Perigo”, no qual os sentimentos humanos são mais importantes que a ação, teria que ter um elenco de primeira classe. Steve McQueen como Junior Bonner tem uma de suas mais memoráveis interpretações. Contido sem perder o espontâneo carisma que sempre carregou e triste sem sentimentalismo piegas. E presente em cenas perigosas com os animais, isto até onde foi possível dispensar o uso de dublês, o que supervaloriza sua atuação. O filme é todo de McQueen mesmo correndo o risco de ter um coadjuvante sempre brihante como Robert Preston. Outra destacada atuação de Preston especialmente nas ternas sequências em que contracena com a veterana e também excelente Ida Lupino. Ben Johnson desta vez aparece menos e Mary Murphy tem seu último trabalho no cinema, ela que contracenou com Marlon Brando em “O Selvagem” (The Wild One). Por falar em Brando, Joe Don Baker parece, fisionomicamente, uma mistura de Marlon com Orson Welles. Baker se sai melhor interpretando personagens truculentos mas foi otimamente aproveitado por Peckinpah. Dub Taylor e Don ‘Red’ Barry estão presentes em pequenas participações e Bill McKinney, o odioso Terrill de “Josey Wales, o Fora-da-Lei”, desta vez como o simpático cowboy Red Terwiliger.

Ida Lupino, Mary Murphy e Bill McKinney.

Precioso filme de Sam Peckinpah - Lucien Ballard, o cinegrafista preferido de Peckinpah, captura com sua câmara as variadas modalidades esportivas do homem dominar os animais. Casey Tibbs, ator e campeão nacional, foi o responsável pela coordenação das sequências de rodeio. Jerry Fielding, eterno parceiro de Sam Peckinpah responde pela trilha sonora musical num trabalho diferente que acerta agradavelmente no tom propício ao filme. Destaque para os números interpretados pelo cantor-compositor Rod Hart antes e durante a confusão no ‘Palace Bar’. Se não o melhor, um dos melhores filmes norte-americanos sobre rodeio, “Dez Segundos de Perigo” tem um erro grosseiro em seu título pois o limite para se manter sobre o animal bravio é oito segundos e não dez. Onde o tradutor foi buscar os dez segundos não se sabe, a não ser que ele considere também os segundos que o cowboy necessite para se atirar ou ser atirado ao chão sem ser pisoteado pelo enfurecido touro ou cavalo chucro. Tendo custado 2,5 milhões de dólares, o filme que foi coproduzido pela Solar, produtora de Steve McQueen, rendeu mais de três milhões de dólares apenas. A dupla McQueen-Peckinpah esperaria ainda dois anos para obter um estrondoso sucesso de bilheteria com “Os Implacáveis” (The Getaway). “Dez Segundos de Perigo” é uma preciosidade de filme que envolve o espectador  e que o entristece quando acaba a magnífica passagem pelo tradicional rodeio de Prescott.

Oito segundos só para cowboys de verdade.

Derrubar o bezerro é uma categoria dos rodeios.

Laçar, derrubar e ordenhar uma vaca é outra modalidade.
Montar cavalos broncos contra o relógio é uma das provas
mais emocionantes, exigindo coragem e destreza dos cowboys.

A publicidade da 'Reata Rancheros'; 'Reata' como em "Giant".

McQueen e Barbara Leigh, sua namoradinha no filme.

Agitação no 'Palace Bar'; o bartender é Dub Taylor.

8 de outubro de 2014

“BONANZA” 1.ª TEMPORADA (1959/1960) - OS CONVIDADOS ESPECIAIS


Yvonne De Carlo, convidada especial do
primeiro episódio da série "Bonanza".
A série de TV “Bonanza” tinha uma apresentação diferente das demais séries westerns pois nos primeiros minutos de cada episódio mostrava os quatro Cartwrights e também o convidado especial (Special Guest Star), às vezes mais de um convidado ou convidada. Muitos desses convidados eram atores bastante conhecidos por seus trabalhos no cinema ou mesmo na televisão. Certo que alguns desses atores ou atrizes estavam longe dos dias de glória que haviam ficado para trás, mas atuar em “Bonanza” era sempre uma satisfação, especialmente devido ao sucesso que a série fazia. E outros convidados especiais se projetariam mais tarde chegando ao topo da carreira de astro/estrela cinematográficos. Um exemplo é James Coburn, que de ator pouco conhecido quando atuou em três episódios da série “Bonanza”, se tornou um ator famoso chegando a receber um prêmio Oscar. Esta postagem mostra, em dois álbuns, convidados especiais da primeira temporada da série criada por David Dortort com fotos extraídas da apresentação do respectivo episódio que contou com a participação do convidado especial. Abaixo de cada foto consta o número do episódio e seu respectivo título, sendo que alguns poucos episódios foram omitidos pelo fato do convidado especial não ter se destacado em sua carreira como ator ou atriz. Esta é a primeira postagem de uma série de 14, mesmo número das temporadas que a magnífica série “Bonanza” foi produzida e apresentada.


Yvonne De Carlo – Uma das rainhas do Technicolor nos anos 40 e preferida dos westerns B. Encantou o mundo como Lily Munster.
Barry Sullivan – Ator que em 50 anos de carreira fez muitos faroestes, entre eles “Dragões da Violência” (Forty Guns).
Inger Stevens – Atriz nascida na Suécia que teve boa carreira em Hollywood, suicidando-se aos 35 anos.
Anthony Caruso – Um coadjuvante especializado em papéis étnicos e de gângsters, participou de quatro episódios de “Bonanza”.
Jack Warden – Ator dramático, concorreu duas vezes ao Oscar de Melhor Coadjuvante.
Howard Duff – Estreou no cinema em “Brutalidade” (Brute Force), em 1947. Teve carreira irregular e foi casado com Ida Lupino.
Jane Greer – Bonita atriz que tem em sua filmografia nos clássicos do filme noir "Fuga ao Passado" e "Cais da Maldição".
Ida Lupino – Depois de fazer sucesso como atriz dramática em filmes noir nos anos 40 tornou-se diretora.



Mala Powers – Atuou em diversos westerns, entre eles “Homens que São Feras” (Rage at Dawn), com Randolph Scott.
Jack Carson – Ator de sucesso no cinema, comediante famoso na televisão e consagrada personalidade no rádio.
Ruth Roman – Os fãs de western a conhecem de muitos faroestes. Um deles “Região do Ódio” (The Far Country).
James Coburn – Um dos atores favoritos de Sam Peckinpah, com quem fez três filmes. Brilhante carreira como ator e vencedor de um Oscar.
Arthur Hunnicutt – Insuperável em seu tipo característico. Foi indicado ao Oscar por sua interpretação em “O Rio da Aventura” (The Big Sky).
Buddy Ebsen – Fez de tudo nos seus 60 anos de carreira. Foi sidekick de Rex Allen e até dançou com Shirley Temple.
Fay Spain – Depois de uma carreira quase toda na TV chegou ao elenco de “O Poderoso Chefão II” (The Godfather).
Ricardo Cortez – No cinema desde 1917, sua participação num episódio de Bonanza foi seu último trabalho como ator.



Jack Lord – Teve marcante atuação em “O Homem do Oeste” (Man of the West), mas será sempre lembrado como o detetive de “Hawai-5.0”.
Susan Oliver – Atuou mais no cinema que na TV, onde ficou famosa com a série de TV “A Caldeira do Diabo”.
Cameron Mitchell – Um dos mais promissores atores de sua geração, hoje é mais lembrado como um dos astros da série “Chaparral”.
Ellen Corby - Atriz perfeita para interpretar mulheres carolas do Velho Oeste. Um dos rostos escolhidos para tornar "Os Brutos Também Amam" (Shane) inesquecível.
Henry Hull – Tipo marcante apesar de franzino, atuou em mais de 70 filmes interpretando quase sempre personagens parecidos.
Patricia Medina – Linda morena que atuou em muitos capa-e-espadas e foi casada com Richard Greene e depois com Joseph Cotten.
Everett Sloane – Ator do Mercury Theater de Orson Welles, ficou famoso pelo nariz enorme. Após reduzir o tamanho do nariz sua carreira acabou e cometeu suicídio aos 55 anos.
Claude Akins – Um dos grandes vilões dos faroestes norte-americanos. Foi o Sheriff Elroy P. Lobo da série de TV “Xerife Lobo”.



Lloyd Nolan – Galã dos anos 30, sua aparência de homem mais velho lhe garantiu uma longa carreira de 50 anos encerrada em “Hannah e suas Irmãs”, em 1986.
Grant Williams – Após protagonizar “O Incrível Homem que Encolheu” parecia que sua carreira deslancharia, o que acabou não ocorrendo.
Gloria Talbot – Atriz de pequena estatura, ideal para contracenar com Audie Murphy, com quem atuou em “Bandoleiros do Arizona” (Arizona Raiders).
Vic Morrow – Ator da série “Combate” que faleceu tragicamente quando um helicóptero caiu sobre ele durante uma filmagem em 1982.
Kathleen Crowley – Participou de três episódios de “Bonanza”. No cinema atuou em “Abatendo Um a Um” (Showdown) com Audie Murphy.
David Ladd – Filho de Alan Ladd, fez carreira como excelente ator infantil. Trocou depois a carreira de ator pela de produtor.
Hugo Haas – Ator-diretor nascido na República Tcheca de onde fugiu devido ao nazismo. Pode ser visto em “Dakota”, estrelado por John Wayne.
Robert Middleton – Ator característico que atuou em inúmeros westerns, entre eles o ótimo “Duelo na Cidade Fantasma” (The Law ad Jack Wade).


6 de outubro de 2014

WESTERNTESTEMANIA N.º 32 - CAFÉ NO BULE NOS WESTERNS


Em muitos de seus filmes Randolph Scot aparece em cena próximo a um bule de café.
Parecia até uma exigência do grande Randy Scott. Porém em muitos outros faroestes
um bule dava maior autenticidade ao cenário e até mesmo servia os atores. 
Este WESTERNTESTEMANIA desafia o leitor a responder estas perguntas sobre filmes
em que o indefectível bule de café se fez presente.
(Respostas após o último teste)




Em "O Matador" (The Gunfighter), Gregory Peck na foto saboreando um café, interpreta
um pistoleiro. Qual o nome do personagem de Peck nesse western?

a)  Ringo Kid    /    b)  Kid Ringo    /    c)  Johnny Ringo    /    d)  Tony Ringo


* * * * *



Ernest Borgnine e Glenn Ford tomam café servido por Valerie French num western
em os três formam um triângulo amoroso. Qual o título do filme e quem o dirigiu?

a)  "Um Pecado em Cada Alma" (The Violent Men)    /    Rudolph Maté

b)  "O Irresistível Forasteiro" (The Sheepman)    /    George Marshall

c)  "Cimarron" (Cimarron)    /    Anthony Mann

d)  "Ao Despertar da Paixão" (Jubal)    /    Delmer Daves


* * * * *



Nesta cena de "Correio do Inferno" (Rawhide) um ator característico serve
café para Tyrone Power e Susan Hayward. Quem é esse ator?

a)  Mickey Shaughnessy    /    b)  Edgar Buchanan    /    

c)  Walter Brennan    /    d)  Arthur Hunnicutt


* * * * *



Robert Duvall olha para um bule de café numa cena de um de seus melhores faroestes,
no qual contracena com Kevin Costner. Qual o título desse filme?

a)  "Pacto de Justiça" (Open Range)    /    b)  "Os Pistoleiros do Oeste" (Lonesome Dove)    

c)  "Joe Kidd" (Joe Kidd)    /    d)  "Bravura Indômita" (True Grit)


* * * * *



Paul Newman protagonizou um lendário fora-da-lei em "Um de Nós Morrerá" (The
Left Handed Gun). Qual o nome desse bandido que pensa em tomar um café antes
de enfrentar Pat Garrett?

a)  Billy the Kid    /    b)  Jesse James    /    c)  Butch Cassidy    /    d)  Cole Younger


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Nesta cena de "Os Filhos de Katie Elder" (The Sons of Katie Elder) vemos John Wayne com cara de quem não gostou do café e Dean Martin. Quem é o ator entre os dois astros do filme?

a)  James Caan    /    b)  Doug McClure    /    c)  Earl Holliman    /    d)  Gary Grimes


* * * * *




O ator Rod Cameron, ao lado de um bule numa cena de "Debandada" (Stampede),
atuou em muitos faroestes. Em qual dos westerns abaixo ele não atuou?

a)  "O Cavaleiro Negro" (Brimstone)    /    b)  "Os Salteadores" (The Plunderers)    

c)  "Massacre" (Oh! Susanna)    /    d)  "A Mancha de Sangue" (At Gunpoint)


* * * * *



Olha aí o Randolph Scott tomando seu cafezinho em cena antes de matar dois homens
no filme "Sete Homens Sem Destino" (Seven Men from Now). Quem foi o diretor desse faroeste?

a)  André De Toth    /    b)  Budd Boetticher   /    c)  Andrew V. McLaglen    /    

d)  Sam Peckinpah


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A atriz da foto atuou em alguns westerns clássicos como "Legião Invencível" (She Wore a Yellow Ribbon), "Rio Vermelho" (Red River) e "Caravana de Bravos" (Wagonmaster).
Quem é essa atriz?

a)  Barbara Hale    /    b)  Jean Peters    /    c)  Barbara Rush    /    d)  Joanne Dru



* * * * *



Nesta cena de "Pistoleiro Sem Destino" (The Hired Hand) vemos, além do bule nas pedras,
Peter Fonda de chapéu. Quem o ator que parece estar sorrindo do café horrível que Fonda
está tomando ?

a)  Dennis Hopper    /    b)  Warren Oates    /    c)  Bruce Dern    /    d)  James Coburn



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Rhonda Fleming, que além de linda deve fazer um ótimo café...
RESPOSTAS

          1 - c - Johnny Ringo
          2 - d - "Ao Despertar da Paixão" (Jubal) - Delmer Daves
          3 - b - Edgar Buchanan
          4 - a - "Pacto de Justiça" (Open Range)
          5 - a - Billy the Kid
          6 - c - Earl Holliman
          7 - d - "A Mancha de Sangue" (At Gunpoint)
          8 - b - Budd Boetticher
          9 - d - Joanne Dru

        10 - b - Warren Oates

1 de outubro de 2014

DEBANDADA (STAMPEDE) – VIBRANTE WESTERN ‘B’ COM ROD CAMERON


Lesley Selander era mesmo um excelente diretor de westerns rodados com pequenos orçamentos e “Debandada” (Stampede) comprova o talento de Selander. O astro desse filme é o canadense Rod Cameron, um misto perfeito da coragem de Randolph Scott com a integridade de Joel McCrea. Isto nos 1,95m de altura que Cameron possuía e que amedrontava qualquer bandido. Cameron estrelou inúmeros westerns nos anos 40 e 50, formando com George Montgomery a dupla menos lembrada de atores que ajudaram a manter o gênero em evidência com bons filmes. E bom filme não é o caso de “Debandada” que merece mesmo ser classificado como ótimo e isto se deve em grande parte ao roteiro escrito por John C. Champion e Blake Edwards. Antes de se tornar famoso como criador no cinema da série ‘A Pantera Cor-de-Rosa’, Blake Edwards foi ator, abandonando essa carreira e passando a escrever roteiros. Os dois primeiros roteiros de autoria de Edwards foram em parceria com John C. Champion para faroestes dirigidos por Selander e estrelados por Rod Cameron. São eles “Expiação” (Panhandle), de 1948 e “Debandada” (Stampede), de 1949.


Rod Cameron de arma em punho;
Steve Clark, Gale Storm e
Johnny Mack Brown
A eterna luta pela água - “Stampede” é uma história escrita por Edward Beverly Mann e que conta, pela enésima vez, a disputa entre rancheiros e poderosos usurpadores pela tão necessária água para os animais e para as plantações. Os irmãos Mike (Rod Cameron) e Tim McCall (Don Castle) não estão dispostos a ceder aos novos colonos que chegam ao Arizona a água que represaram em sua propriedade para criar o enorme rebanho que possuem. Ocorre que os McCalls criam o rebanho nos pastos abertos vizinhos à sua propriedade, terras que os empresários LeRoy Stanton (Donald Curtis) e Stanley Cox (John Aldredge) lotearam para os recém-chegados colonos. Entre estes está John Dawson (Steve Clark) e sua filha Connie (Gale Storm). Aaron Ball (Johnny Mack Brown) é o xerife da pequena cidade e é amigo de Mike McCall. Stanton orienta seus homens para explodir a barragem feita pelos McCalls. Depois assassina Tim McCall e incrimina Mike por haver matado um de seus homens, o que de fato ocorreu quando este foi atacado pelos homens de Stanton. Para completar sua inescrupulosa ação, Stanton provoca um estouro (stampede) do rebanho de McCall em direção a um despenhadeiro, causando o extermínio de todo o rebanho, não sobrando uma única rês. Juntos o xerife Ball e Mike McCall se defrontam com a quadrilha de Stanton que é morto numa luta com McCall. Este, ao lado da jovem Connie, descortinam um novo horizonte para colonos e criadores, como ele, integrando a formação de mais uma ocupação no Velho Oeste.

O rebanho despencando pela
ribanceira; western fotografado

em estilo noir.
Surpreendente qualidade técnica - Curioso que os grandes estúdios não tenham percebido que o livro de E.B. Mann era excelente base para um grande filme. Coube à pequena Allied Artists levar à tela essa história movimentada e que mereceria tratamento de produção ‘A’ numa Warner Bros., Fox, Columbia, Universal ou mesmo a MGM, mais voltada aos musicais. Porém a extraordinária fotografia em preto e branco de Harry Neumann, somada a uma irretocável direção de arte e decoração de cenários deram a “Debandada” acabamento de primeira. Com grande parte das sequências filmadas à noite, Harry Neumann criou uma iluminação de filme noir acentuando o clima de tensão em muitos momentos do filme. Cansamos de assistir ao mau uso de filtros transformando dias em noite em grandes produções e “Rastros de Ódio” (The Searchers) é exemplar nesse mau uso. Neumann, que estava no cinema praticamente desde seus primórdios, dá verdadeira lição de como trabalhar com filtros criando a ilusão perfeita que inúmeras sequências se passam sob a luz do luar. Os efeitos especiais utilizados na sequência do stampede com o rebanho caindo despenhadeiro abaixo, infelizmente, não acompanham o excepcional trabalho de Harry Neumann. Mas “Debandada” é muito mais que a parte técnica.

Rod Cameron e Gale Storm, enfim juntos depois de muita hostilidade.

Rod Cameron
Egoísmo exacerbado - A temática principal de “Debandada” não é a luta do bem contra o mal entre Mike McCall e o vilão LeRoy Stanton, mas sim até onde um homem tem o direito de represar o bem natural que é a água. Connie Dawson revolta-se contra os McCalls chutando suas canelas e mostra desprezo por Mike McCall devido à sua visão tacanha. É necessário que uma desgraça se abata sobre o criador para que este se livre de seu egoísmo exacerbado. E McCall nem é um homem ruim, mas simplesmente exemplo de típica falta de uma consciência comunitária. É Stanton quem não vê limites em sua ambição e ganância, matando sem hesitação para alcançar seus objetivos escusos. “Debandada” mostra ainda como reagem outros proeminentes cidadãos, que se deixam enredar pelo poderoso e temido Stanton, apequenando-se e submetendo-se a ele. Interessante ainda o procedimento do xerife Ball que permite que McCall responda em liberdade por um assassinato involuntário. E mais tarde a Justiça livra McCall de outro crime, este em legítima defesa, contrariando os interesses do poderoso da cidade.

Rod Cameron em encarniçada luta.
Show dos stuntmen - Lesley Selander imprime ritmo perfeito a “Debandada”, não se detendo excessivamente em sequências que poderiam comprometer o filme. A sequência do julgamento de McCall leva menos de um minuto, enquanto a luta num estábulo entre McCall e um capanga de Stanton é tão violenta quanto longa e tecnicamente perfeita. Certo que uma visão mais atenta vai perceber o uso de dublês, isto devido à força dos golpes trocados pelos stuntmen Cliff Lyons, Chuck Roberson, Bob Woodward e Ben Corbett. E o desfecho dessa luta é espetacular com os dois contendores caindo de uma altura de quatro a cinco metros, ação típica dos seriados da Republic Pictures, alguns dos quais tiveram Rod Cameron como herói.

Espetacular trabalho dos stuntmen dirigidos por Lesley Selander.

Gale Storm
A pequena e irascível mocinha - O gigante canadense Rod Cameron tem, como de hábito, atuação sóbria e convincente como o criador intransigente. A pequena Gale Storm desempenha sua personagem como uma espécie de Maureen O’Hara com temperamento de Susan Hayward, ou seja, nervosa e até violenta. Mesmo com Rod Cameron parecendo ter o dobro de seu tamanho. Donald Curtis interpreta rotineiramente o vilão e há a presença simpática de Johnny Mack Brown, então com 45 anos de idade. Mack Brown era um promissor galã da MGM quando viu sua carreira no cinema ser boicotada pelo poderoso e enciumado magnata William Randolph Hearst. Após esse fato Mack Brown passou a ser um dos mais queridos mocinhos do cinema dos anos 30 e 40. Este western da Allied Artists parece ser um daqueles filmes em que todos os tipos característicos participam e os destaques entre os coadjuvantes ficam para os veteranos John Miljan, John Eldredge, Jonathan Hale e Steve Clark. “Debandada” é um pequeno mas imperdível faroeste para os fãs do gênero.

WESTERNCINEMANIA agradece ao amigo Beto Manis, do blog FILMES ANTIGOS COWBOY MOVIES, pelo envio deste faroeste.


Johnny Mack Brown disparando seu Colt; Rod Cameron e Mack Brown.


Rod Cameron