UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

15 de fevereiro de 2014

O CADERNO DE MOCINHO DO PRIMEIRO ANO DO GRUPO ESCOLAR DA MENINA JANETE


Caderno espiral com os Cartwrights
na capa.
Os garotos crescidos nas décadas de 40 a 60 gostavam de se identificar com seus heróis preferidos. Esses heróis eram geralmente um dos mocinhos dos faroestes produzidos em série no cinema ou mais tarde seriados de TV. Roy Rogers era o preferido, seguido de perto por Rocky Lane, Hopalong Cassidy e Durango Kid. A geração da TV gostava de Bat Masterson (Gene Barry), Bret Maverick (James Garner), Josh Randall (Steve McQueen), Lucas McCain (Chuck Connors) e o clã dos Cartwrights (Lorne Greene, Dan Blocker, Michael Landon e Pernell Roberts). Além do cinturão que imitava o do mocinho, havia uma série de itens que levavam os meninos a se imaginar como se fossem seus próprios heróis. Nos Estados Unidos empresas especializadas na fabricação de brinquedos produziam, além das vestes e cinturões ‘dos heróis’, canivetes, lanternas, relógios, canecas, pratos, bicicletas, patinetes, máquinas fotográficas, kits para montar e muitos itens mais. Na hora de ir para a escola o estojo, a lancheira e a garrafa térmica traziam igualmente as imagens dos mocinhos (*) . Aqui no Brasil esses objetos de desejo não eram encontrados, com exceção dos cinturões e das lancheiras. Mesmo cadernos evocando o faroeste não eram comuns, mas eles existiam e certamente privilegiados meninos neles faziam suas lições. E uma certa menina também...

Acima o aluno Amácio Mazzaropi;
abaixo a EE Amadeu Amaral.
A escola de Mazzaropi - Janete Félix Palma viveu a primeira infância no bairro Cangaíba, vizinho da Penha, na capital de São Paulo. Quando Janete estava em idade escolar a família se mudou para o Belém, bairro também da Zona Leste, onde a menina brincava, entre outras brincadeiras, de mocinha e bandida com as amiguinhas (**). Janete estudou no Grupo Escolar Amadeu Amaral, um dos mais tradicionais colégios da Zona Leste, fundado em 1905 e localizado no Largo São José do Belém. O belo edifício que ainda mantém em algumas áreas os originais ladrilhos portugueses ali assentados há mais de um século é tombado pelo Condephaat (Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo). Esse colégio possui três andares e dezenas de salas de aula, num terreno de aproximadamente cinco mil metros quadrados. De 1919 a 1922 o Grupo Escolar Amadeu Amaral teve um aluno chamado Amácio Mazzaropi que se tornaria muito famoso através do personagem imortal que criou no cinema nacional. Como se vê na foto em que o menino Mazzaropi está em destaque, o então Grupo Escolar do Largo de São José do Belém (o colégio receberia o nome de ‘Amadeu Amaral’ em 1932), não exigia uniforme dos alunos.

Meninos e meninas bem separados - Porém nas décadas seguintes meninos e meninas deviam comparecer às aulas devidamente uniformizados. Os meninos com camisa branca e calça azul e as meninas vestidas com saia azul, blusa branca e muitas portavam uma fita também branca com laço na cabeça. Janete era uma das alunas do Grupo Escolar Amadeu Amaral, tendo como Professora no primeiro ano Dona Francisca. Carinhosamente chamada pelo alunos de ‘Dona Francisquinha’, a mestra de pequena estatura, magra e delicada era muito querida pela aluna Janete que jamais esqueceu da enorme paciência da professora com os alunos. A classe mista tinha os meninos de um lado da sala e as meninas de outro, bem divididos, assim como no recreio quando uma servente (hoje inspetora de alunos) postava-se estrategicamente mantendo a criteriosa divisão. Meninos ficavam de um lado do pátio e as meninas do outro sob a severa vigilância da servente e muitos alunos não disfarçavam a inveja que tinham por um dos cadernos da aluna Janete.

Tradicional foto de recordação do 1.º ano de Janete Félix Palma.

Cadernos comuns e o caderno da menina Janete.
Caderno muito especial - Cumprido o primeiro semestre, um dos cadernos de Janete estava terminando e sua irmã Jacira a levou a uma papelaria do bairro para adquirir um novo. Foram mostrados diversos cadernos para que a menina escolhesse um deles e quase todos tinham na capa desenhos de flores, árvores, paisagens e outros figuras que as meninas gostavam. Mas Janete percebeu um caderno diferente e foi esse que ela separou para comprar. O escolhido tinha cowboys montados em seus cavalos e até um carroção, tudo muito parecido com os filmes e seriados de TV do gênero western que Janete adorava assistir. E toda feliz levou para casa seu novo caderno para nele escrever as lições passadas por Dona Francisquinha. A mestra talvez pudesse perceber que o desenho lembrava a figura lendária do mocinho Buck Jones montando seu cavalo branco Tarzan. E o cowboy mais novo que seguia atrás parecia bastante com Tim Holt, outro mocinho famoso. A escolha desse caderno foi um prenúncio da importância do cinema na vida de Janete, ela que ama a sétima arte, tanto que seu esposo Renato é Professor de Cinema. Única mulher a ter seu Top-Ten Westerns publicado aqui no WESTERNCINEMANIA, essa lembrança carinhosamente guardada por Janete Félix Palma comprova que desde cedo ela gostava de faroestes. E mais de 50 anos depois Janete assiste a muitos faroestes e, para a alegria do editor, é leitora constante das postagens que relembram tantos faroestes que a emocionaram. Desde menina.

A cinéfila Janete Félix Palma, única mulher a postar um Top-Ten Westerns
no blog WESTERNCINEMANIA.



11 de fevereiro de 2014

TOP-TEN WESTERNS DE JUCÉLIO BUBACK, JOVEM CAPIXABA QUE AMA O CINEMA


Nada mais anacrônico que faroestes, em se tratando de gêneros cinematográficos. O número de westerns produzidos neste século atesta esse fato, ainda mais quando comparado com a produção de Hollywood dos anos 50 ou a produção europeia dos anos 60. Nessas décadas tanto Hollywood quanto Itália e Espanha produziam por volta de uma centena de faroestes por ano. Nas últimas décadas uma ínfima quantidade de faroestes foi produzida e houve mesmo alguns anos em que a produção de westerns foi zerada. Como a enorme maioria dos frequentadores de cinema atualmente é composta por jovens e Hollywood procura atender essa clientela, a dedução lógica é que os jovens não são atraídos pelo gênero que sustentou o cinema por tanto tempo. Mas toda regra tem suas exceções e WESTERNCINEMANIA, blog inteiramente dedicado ao faroeste, tem a alegria de ter como leitor um jovem que, como cinéfilo de verdade, mergulha nas maravilhas dos primórdios do cinema e nas obras-primas das décadas de ouro de 30, 40 e 50 e nos grandes filmes das décadas seguintes. Sendo assim esse jovem está totalmente familiarizado com o que de melhor foi produzido no gênero western, isto apesar de ter apenas 33 anos, recém completados dia 31 de janeiro último. Ele é Jucélio Buback.

Cantores capixabas: Roberto Carlos, Nara Leão,
Paulo Sérgio e Sérgio Sampaio.
Berço de talentos - Nascido em Alfredo Chaves, cidade do interior do Espírito Santo, Jucélio trabalhou na roça nas plantações de banana e café cultivadas na propriedade da família. Esse trabalho duro era amenizado pelas músicas no estilo sertanejo que Jucélio gostava de cantar e que muito cedo começou também a compor. O jovem roceiro queria mesmo era ser artista e para isso, nada melhor que seguir os passos de espírito-santenses famosos como Paulo Sérgio, Zé Renato, Sérgio Sampaio e o mais executado e querido de todos, o 'Rei' Roberto Carlos. E falando desse simpático Estado que é berço de talentos como Carlos Nobre, Raul Sampaio, Joelma e o versionista Rossini Pinto, nunca é demais lembrar que Roberto Menescal, um dos principais músicos deste país não é carioca não, mas sim nascido em Vitória do Espírito Santo, também terra natal da inesquecível e maravilhosa Nara Leão.

A dupla 'Júlio César e Alexandre';
Júlio César/Jucélio está à direita.
Carreira como cantor - Seguindo os passos de tanta gente de talento, Jucélio chegou ao Rio de Janeiro em 2001, aos 20 anos de idade, carregando na mala seus cadernos com as muitas composições de sua autoria. Zezé de Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó reinavam absolutos entre as duplas de cantores e viram nascer um sem número de outras duplas que buscavam o sucesso. Jucélio conheceu no Rio de Janeiro um amigo também cantor chamado Adílson e formaram a dupla ‘Júlio César e Alexandre’ que lançou, em 2009, um CD produzido de forma independente. Esse disco que tem o título “Júlio César e Alexandre” contém dez composições de Jucélio Buback, no estilo romântico.  Paralelamente à carreira artística, Jucélio trabalhou por seis anos numa loja de fotografias que com o advento da foto digital acabou falindo. Em 2007 Jucélio passou a trabalhar em uma imobiliária, onde foi contratado para atender telefones. Dois anos depois o moço de Alfredo Chaves se tornou o responsável pelo departamento financeiro da empresa e interrompeu momentaneamente a carreira artística. A principal razão desse hiato é porque a atualidade musical brasileira é dominada, como ele próprio diz, “pelo sertanejo universitário e por cantores incapazes de gravar músicas que tenham mais que uma sílaba”.

Arnold Schwarzenegger em "O Predador".
A descoberta do cinema - O cinema entrou na vida de Jucélio Buback através da televisão e foi o pai de Jucélio quem lhe apresentou John Wayne, Terence Hill e Bud Spencer e os faroestes de modo geral. O primeiro filme que Jucélio viu no formato VHS, em 1991, foi “O Predador”, com Arnold Schwarzenegger, na sessão mensal que era exibida no Colégio Pio XII, onde estudava. Mas cinema de verdade Jucélio só foi conhecer quando chegou ao Rio de Janeiro. O jovem nunca mais se esqueceu daquela tarde de sábado, em 2001, quando sozinho foi ao Cine Roxy, em Copacabana, que exibia “Dia de Treinamento” com Denzel Washington. Foi o verdadeiro início de uma paixão arrebatadora pelo cinema que Jucélio nunca mais deixou de frequentar assiduamente. Atualmente Jucélio mescla as idas aos cinemas com as sessões domésticas nas quais assiste aos clássicos que adquire em DVDs originais. Assistindo a filmes novos e antigos, o cinéfilo de 33 anos não esconde sua preferência pelos clássicos falados e legendados, evitando as versões dubladas que considera o mesmo “que chupar bala sem tirar o papel”.

Os filmes do coração - Nas conversas com o editor deste blog, Jucélio ressaltou que seu filme de cabeceira, o preferido entre muitos que admira bastante, é “O Poderoso Chefão”. Como curiosidade WESTERNCINEMANIA publica também os dez filmes não-westerns preferidos de Jucélio que faz questão de lembrar que “Matar ou Morrer” (3.º) e “Três Homens em Conflito” (4.º) fariam parte dessa lista caso não fossem incluídos no seu Top-Ten Westerns. Eis os melhores filmes não-westerns na opinião de Jucélio Buback:

1.º) O Poderoso Chefão (The Godfather), 1972 – Francis Ford Coppola
2.º) Casablanca (Casablanca), 1942 – Michael Curtiz
3.º) A Felicidade não se Compra (It’s a Wonderful Life), 1946 – Frank Capra
4.º) Janela Indiscreta (Rear Window), 1954 – Alfred Hitchcock
5.º Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot), 1959 – Billy Wilder
6.º) Um Lugar ao Sol (A Place in the Sun), 1951 – George Stevens
7.º) O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), 1939 – William Wyler
8.º) Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain), 1952 – Stanley Donen/Gene Kelly
9.º) A Ponte do Rio Kwai (The Bridge on the River Kwai), 1957 – David Lean
10.º) Farrapo Humano (The Lost Weekend), 1945 – Billy Wilder

Acima: Al Pacino e Marlon Brando - Humphrey Bogart e Ingrid Bergman - Donna Reed
e James Stewart - James Stewart - Tony Curtis, Marilyn Monroe e Jack Lemmon;
Abaixo: Montgomery Clift e Elizabeth Taylor - Laurence Olivier e Merle Oberon -
Gene Kelly - Alec Guinnes - Ray Milland.

Carlitos em "Luzes da Cidade".
Filmes inesquecíveis - A lista de filmes que encantam Jucélio tem ainda "Aconteceu Naquela Noite"(It Happened One Night) - "Psicose" (Psycho), de 1961 - "Um Sonho de Liberdade" (The Shawshank Redemption) - "Golpe de Mestre" (The Sting) - "12 Homens e uma Sentença" (Twelvy Angry Men), de 1957 - "O Bebê de Rosemary" (Rosemary's Baby) - "Alphaville" - "A Noviça Rebelde" (The Sound of Music) - "Amadeus" - "A Regra do Jogo" (La Règle du Jeu) - "Ben-Hur", de 1960 - "Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder) - "Do Mundo Nada se Leva" (You Can't Take it with You) - "Ladrões de Bicicletas" (Ladri di Biciclette) - "Luzes da Cidade" (City Lights) - "Núpcias de Escândalo" (The Philadelphia Story) - "O Dia em que a Terra Parou" (The Day the Earth Stood Still) - "Perdidos na Noite" (Midnight Cowboy) - "Platoon" - "Os 39 Degraus" (The 39 Steps), de 1935) -  "O Silêncio dos Inocentes" (Silence of the Lambs) - "Sabrina", de 1954. Como Jucélio é ainda bastante jovem, certamente esta lista de filmes inesquecíveis irá se ampliando cada vez mais.


Parte da DVDteca de Jucélio Buback (ver em destaque no final desta postagem).

Polêmico, como já demonstrou ser com sua opinião sobre "Os Brutos Também Amam" e "Rastros de Ódio", Jucélio Buback fala sem a comum reverência sobre filmes de diretores famosos:
Malcom McDowell em "A Laranja Mecânica".
"Eu não gosto de Stanley Kubrick, amado por tantos cinéfilos que, só de dizer isso, querem te matar. Adorei "A Laranja Mecânica", mas em compensação em outros que vi - "2001", "Dr. Fantástico", "O Iluminado", "Spartacus", "De Olhos Bem Fechados", "Nascido para Matar" - em cada um desses filmes eu sinto uma presunção exacerbada que compromete todo seu trabalho. "Cidadão Kane", que é citado por tanta gente como 'o maior filme de todos os tempos', em mim não causou nada, mesmo sabendo de toda sua revolução técnica e narrativa para a época. Não existe revolução alguma que o coloque em um pedestal de supremacia cinematográfica. Temos o exemplo de "Avatar", que fui ao cinema conferir sua 'revolução' tecnológica em 3D e realmente sai da sala com uma gostosa sensação, foi prazeroso assistir ao filme. Mas sua história é tão boba, tão rasa, que vale a experiência e só isso."


Top-Ten Westerns - Eis os dez westerns preferidos de Jucélio Buback, aqueles que ele considera os melhores de todos os tempos, seu Top-Ten Westerns: (Os comentários em itálico são de autoria de Jucélio)



1.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Fred Zinnemann
O melhor western de todos os tempos. Impossível não se colocar no lugar do xerife em meio à tensão representada por aquele relógio contando o tempo da chegada dos bandidos. Ótima interpretação do Gary Cooper, trilha sonora perfeita e a presença de Grace Kelly. Fantástico filme.



2.º) Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il cattivo), 1966 - Sergio Leone
Gosto muito dos filmes do Leone e esse é o melhor deles. Lee Van Cleef e Eli Wallach estão soberbos, além da trilha de Morricone, na minha opinião a trilha de cinema mais impactante da história.



3.º) Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 - John Sturges
Clássico que deveria fazer parte da lista de qualquer amante da sétima arte. Adoro esse filme. Aquelas pessoas desarmadas e frágeis da vila, a forma como o grupo é montado, o elenco muito inspirado, partindo do 'Chris' interpretado de foma excepcional pelo Yul Brynner, torna essa obra dirigida por John Sturges obrigatória.



4.º) Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma),
1957 - Delmer Daves

Valeu muito ver esse filme pelas atuações de Glenn Ford e Van Heflin e o clima criado por Delmer Daves. Outro filme marcado pela tensão psicológica. Afinal, será que 'Ben Wade' vai embarcar no trem?



5.º) Rio Vermelho (Red River), 1948 - Howard Hawks
O primeiro da lista com o meu ator preferido de westerns: John Wayne. Um monstro das telas, o caubói perfeito. Tem pessoas que poderiam ser eternas e ele era uma delas. Além de ser brilhantemente dirigido por Howard Hawks, um dos meus diretores prediletos.


6.º) Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più), 1965 - Sergio Leone
Muitos falavam da trilogia dos dólares e ao assistir "Por um Punhado de Dólares" fiquei com a sensação de ter visto um grane filme. Mas mudei ao ver "Por uns Dólares a Mais" pois tive uma surpresa positiva com essa obra e confesso que a presença do Lee Van Cleef é diretamente responsável pelo carinho que tenho ao lembrar as cenas desse longa. O duelo final é magnífico.



7.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - John Ford
Excelentes personagens, excelentes atores e uma história muito bem construída pelo grande John Ford apoiada pelo cenário exuberante de Monument Valley. Se tem um filme que pode ser chamado de clássico é esse, o westerns que definiu o que seria feito de sua época em diante.



8.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance), 1962 - John Ford
A história de Dorothy M. Johnson magistralmente dirigida por John Ford, num de seus últimos westerns, com a a presença do Duke e James Stewart e ainda Lee Marvin. O conflito entre a força e a inteligência me deixa um pouco perplexo. O que faríamos em determinadas situações? Nessas horas eu vejo porque amo o cinema. 


9.º) O Cavaleiro Solitário (Pale Rider), 1985 - Clint Eastwood
Existe nesse filme uma clara 'homenagem' para "Os Brutos Também Amam" e é exatamente aí o porque de eu amar essa película dirigida pelo Clint Eastwood. O filme simplesmente acerta em todos os detalhes em que "Shane" erra. a forma oculta que o padre parece carregar em sua sombra, aquela gangue aterrorizante de sobretudos pronta para matar e o duelo final dirigido de forma tão extraordinária. Além de ser um grande diretor, Eastwood é um baita ator e aqui ele está brilhante.



10.º) Butch Cassidy e Sundance Kid (Butch Cassidy), 1969 - George Roy Hill 
Confesso que vi esse filme sem maiores pretensões. talvez por isso tenha gostado tanto. A química entre Paul Newman e Robert Redford é algo que se nota desde as primeiras tomadas. A comédia, as trapalhadas, enfim, foi tudo feito, na minha opinião, com muito bom gosto.

Gostaria de destacar aqui mais dez faroestes que tem lugar de destaque em meu coração:

11.º) Winchester 73 (Winchester ’73), 1950 – Anthony Mann
12.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah
13.º) O Último Pistoleiro (The Shootist), 1976 – Don Siegel
14.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
15.º) Bravura Indômita (True Grit), 1969 – Henry Hathaway
16.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 – John Ford
17.º) Dança com Lobos (Dances with Wolves), 1990 – Kevin Costner
18.º) Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 – Clint Eastwood
19.º) Pacto de Justiça (Open Range), 2003 – Kevin Costner
20.º) Por um Punhado de Dólares (Per un Pugno di Dollari), 1964 – Sergio Leone



DVDteca básica para um cinéfilo de verdade.


Cena rara: Jucélio Buback não assistindo a um filme clássico.


9 de fevereiro de 2014

UM FÃ DE FAROESTES QUE NÃO SE ENCANTA COM “SHANE” E “RASTROS DE ÓDIO”

Jucélio Buback e um pôster de "Os Brutos Também Amam".

Jucélio Buback é um cinéfilo de opinião forte e será o próximo focalizado na seção ‘Top-Ten Westerns’ do WESTERNCINEMANIA. Uma amostra não só do conhecimento mas também da opinião desse fã de faroestes pode ser percebida em seus comentários sobre dois dos westerns mais estimados de todos os tempos que são “Os Brutos Também Amam” (Shane) e “Rastros de Ódio” (The Searchers). Ambos faroestes frequentadores constantes das listas de melhores do gênero e mesmo de melhores filmes em geral, mas Jucélio não segue a imensa maioria e explica o porquê no texto abaixo:

Jack Palance entrando no 'Gratfon's' e o cão
se afastando com o rabo entre as pernas.
 “Os Brutos Também Amam”, não é um filme ruim, longe disso e minha nota para ele é 8. Mas a meu ver é uma obra que não justifica essa glorificação que a crítica ‘especializada’ e a maioria dos cinéfilos lhe destacam. Não discuto a parte técnica, pois realmente é tudo muito bem feito, fotografia, edição de arte, tomadas muito bem realizadas. Mas a falta de ação, a falta de um aprofundamento psicológico que envolvesse os personagens e suas essências, a interpretação de Alan Ladd – que não me convence em nenhum momento – o final um tanto previsível, isso entre outras coisas, fizeram com que ele não me encantasse totalmente como uma das maravilhas do cinema. Além da sofrível tradução que seu título recebeu em nosso país.

Henry Brandon, o Cicatriz (Scar) de
"Rastros de Ódio".
“Rastros de Ódio” é um filme que preciso rever para fazer uma análise mais profunda a seu respeito. Faz tempo desde a última vez que o vi mas lembro que minha nota para ele também foi 8. Acho que de repente eu criei uma expectativa exagerada em torno desse filme que, afinal, muita gente considera o maior western de todos os tempos e quando termino de ver dou uma nota 8! Recordo a grande atuação do Duke, que talvez lhe valesse mais o Oscar que a atuação premiada em “Bravura Indômita” (True Grit), a linda paisagem do Monument Valley e sua fotografia belíssima. Mas existia um contraponto que me desagradava, a atuação de Jeffrey Hunter, uma coisa meio caricata e uma Vera Miles que podia ter rendido muito mais. Acho que nesse filme de John Ford há muita teatralidade e pouca verdade em muitos momentos. Mas realmente vou revê-lo para confirmar minha posição.

Como se vê, Jucélio Buback expõe com clareza a impressão que teve dos filmes que assistiu, como no caso acima, além de ser franco ao se expressar. Na próxima postagem o leitor irá conhecer os westerns que mais admira e como bônus os filmes preferidos do jovem cinéfilo. Matéria imperdível!


6 de fevereiro de 2014

RIO VERMELHO (RED RIVER), ÉPICO ESSENCIAL DE HOWARD HAWKS COM JOHN WAYNE


Ainda que tenha feito apenas quatro westerns (cinco se considerado “Rio da Aventura” [The Big Sky] como western), Howard Hawks é sempre citado como um dos mestres do gênero. Quase unanimemente “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo) é lembrado como o melhor entre os westerns dirigidos por Hawks, o que não deixa de causar estranheza. “Onde Começa o Inferno” é um western quase despretensioso se comparado a “Rio Vermelho” (Red River), seja por seu roteiro bastante simples, seja pela própria filmagem e especialmente pelas interpretações descontraídas dos atores principais. Os únicos momentos mais tensos de “Onde Começa o Inferno” ocorrem quando Dean Martin luta contra... a garrafa. Por outro lado, tudo em “Rio Vermelho” é grandioso, num festival de imagens deslumbrantes e que ainda oferece a revelação de dois excelentes atores: John Wayne e Montgomery Clift. Ainda assim esse faroeste retumbante de Hawks não pode ser comparado à obra-prima (da simplicidade) que é “Onde Começa o Inferno”.


Acima John Wayne com Colleen Gray;
abaixo Wayne com Mickey Kuhn e,
atrás, Walter Brennan.
Motim no Velho Oeste - Borden Chase, o autor da história, transpôs para o Velho Oeste o famoso motim ocorrido no navio da Marinha Real Britânica levado à tela com enorme sucesso em 1935 com o título “O Grande Motim”. Nesse filme o tirano Capitão Bligh (Charles Laughton), comandante do navio ‘Bounty’, durante uma longa viagem às Ilhas Orientais Holandesas se vê despojado de seu cargo pelo oficial Christian Fletcher (Clark Gable) que lidera uma revolta. Em “Rio Vermelho” o criador Thomas Dunson (John Wayne) é pioneiro em levar seu gado do Texas para o Kansas, onde o rebanho de nove mil cabeças será vendido. Na longa jornada de quase 700 milhas (mil quilômetros), repleta dos mais variados obstáculos como a travessia de rios, chuva incessante, confronto com índios, o mais difícil para Tom Dunson é enfrentar a revolta dos 30 homens que comanda no acidentado percurso. O braço direito de Dunson é o jovem Matthew Garth (Montgomery Clift), a quem Dunson criou como filho. Garth, porém, não aceita que Dunson enforque cowboys que tentaram abandonar a jornada revoltados com o comportamento tirânico do poderoso criador. Destituído do comando e ferido na perna por um dos vaqueiros, Dunson promete vingança. Após o gado chegar ao Kansas, Dunson se defronta primeiro com o cowboy Cherry Valance (John Ireland), sendo ferido por este e, posteriormente, Dunson humilha Garth que não quer enfrentar o velho amigo que fez dele um homem. Após uma luta de socos entre Dunson e Garth, ocorre a interferência de Tess Millay (Joanne Dru), namorada de Garth, que consegue que os desafetos voltem a ser amigos. Para sempre.

Quem mais senão Walter Brennan poderia colocar o dedo no rosto de
John Wayne sem nenhuma reação? À direita Brennan e Montgomery Clift.

Clift, Hank Worden e Tom Tyler; abaixo
Worden, Noah Beery Jr.  e Paul Fierro.
Poeira entranhada nos poros - Sob o aspecto documental da epopeia da condução de um gigantesco rebanho atravessando parte dos Estados Unidos, o filme de Howard Hawks é precioso. O diretor retratou excepcionalmente as agruras vividas pelos cowboys no dia a dia da longa e extenuante jornada. Hawks passa ao espectador a angústia, a tensão, o medo e a determinação dos cowboys empoeirados ou encharcados alimentando-se com as rações preparadas como as precárias condições permitem. A remuneração por esse sofrido trabalho será gasta muitas vezes no próprio saloon de Abilene com jogo, bebida e prostitutas. Possibilitará, no entanto ao final, a compra de uma pequena propriedade para, quem sabe, se tornar um novo Thomas Dunson, sonho do jovem Dan Latimer morto pisoteado durante um stampede. A música altissonante de Dimitri Tiomkin emoldura o tom heroico da jornada, completada com a autenticidade da fotografia de Russell Harlan acentuando a agreste paisagem. Após ver “Rio Vermelho” certamente o espectador sentirá vontade de tomar um banho para se livrar da sensação da poeira entranhada em seus poros.

'Você está errado, Sr. Dunson', diz o personagem de Walter Brennan;
à direita Hal Taliaferro, John Ireland e Paul Fix.

John Wayne
‘Eles só fizeram a obrigação’ - A trama desenvolvida paralelamente às imagens da jornada é bem conduzida na demonstração da amizade e reverência de Matt Garth por Tom Dunson. Menos coerente, porém, no relacionamento de Garth com Cherry Valance e a atração deste por Garth. Com as dificuldades que se apresentam na caminhada, Tom Dunson vai se transformando num opressor cruel, de nada valendo os conselhos críticos do cozinheiro Nadine Groot (Walter Brennan) que conhece profundamente o temperamento de Dunson. A transformação psicológica de Dunson é um tanto forçada, uma vez que pela experiência na lida com vaqueiros, deveria ele saber não ser a aplicação da rudeza das palavras e a brutalidade das ações o melhor dos caminhos. Quando após a travessia do Rio Vermelho o velho cozinheiro sugere que Dunson elogie os cowboys pelo trabalho, o desumano Dunson responde secamente: “Eles fizeram a obrigação deles”. Perde-se aos poucos a coerência da trama com o sofrível desenvolvimento dos personagens Cherry Valance e Tess Millay. Ao oferecer a Tess a metade de seu império por um filho dele que a moça a (jogadora de cartas) gere, a sequência, uma das mais importantes da história, mostra-se patética. Ali Dunson renuncia ao amor e à amizade de Matt Garth o que já havia feito quando do primeiro rompimento com a promessa de encontrar o pupilo onde ele estiver, para matá-lo. Nada, porém, em “Rio Vermelho” é tão frustrante e inconvincente quanto o final com o discurso conciliador de Tess Millay que faz com que milagrosamente renasça o bem querer entre os dois homens.

Acima o confronto entre John Wayne
e John Ireland; abaixo Montgomery
Clift acerta um soco em Wayne
jogando-o longe...
As revelações de Duke e Monty - Os defeitos de “Rio Vermelho” são inteiramente compensados por muitas sequências admiráveis e pela atuação surpreendente (à época) de John Wayne. Vez por outra o ator deixava de ser ‘John Wayne’ e mostrava que era capaz de atuar, como neste seu magnífico desempenho. O diretor Hawks conhecia bem Walter Brennan e soube explorar seu formidável tipo característico tão imitado por outros atores. E Hawks conteve Montgomery Clift, ator capaz de emocionar com um simples olhar e tornar maior qualquer sequência, conseguindo com isso destacar mais ainda a atuação de Wayne. Maravilhoso o elenco de apoio com as presenças marcantes de Noah Beery Jr., Hank Worden, Harry Carey e Harry Carey Jr. (nenhuma cena juntos, infelizmente, neste único filme em que atuaram pai e filho), Paul Fix, Tom Tyler (morto por John Wayne mais uma vez), Glenn Strange e muitos outros. Destaque para a saborosa interpretação de Chief Yowlachie que consegue a proeza de ser tão engraçado quanto Walter Brennan. John Ireland, ao contrário de Clift, perdeu em “Rio Vermelho” a chance de se tornar um astro devido à sua atuação desinteressada. Ireland relatou mais tarde que seu descontentamento foi devido a Hawks reduzir ao extremo o seu personagem, apenas mantendo a sequência final em que Valance duela com Tom Dunson, porque as tomadas haviam sido feitam no início das filmagens e Hawks não podia mais alterá-las.

O 'stampede' e a direita Montgomery Clift dispensando seu dublê Cliff Lyons,
com quem aprendeu muitos truques para se manter em cima de um cavalo.

A moça flechada é Joanne Dru; abaixo um
dos textos narrativos de "Rio Vermelho".
A crítica a Joanne Dru - Hawks criticou veladamente a atuação de Joanne Dru, na entrevista que deu a Pete Bogdanovich para o livro “Afinal, Quem Faz os Filmes?”, Para Hawks, Joanne era apenas uma boa comediante, afirmando ainda que com Margareth Sheridan o filme ficaria muito melhor. Sheridan engravidou e não pode atuar em “Rio Vermelho”, mas sua presença em “O Monstro do Ártico”, filme produzido pelo próprio Hawks em 1951, não justifica a expectativa do diretor. A ótima Joanne Dru foi, isto sim, sacrificada pela desconexão de seu personagem com a história e pelos terríveis diálogos que nenhuma grande atriz poderia levar à tela sem torná-los risíveis . Colleen Gray participa de uma única e curta sequência de despedida e Shirley Winters faz figuração. Se Howard Hawks entendeu que Joanne Dru não era a Tess Millay por ele sonhada, igualmente não funcionou bem tentar ligar os diferentes capítulos através do bracelete da noiva de Tom Dunson que passa de mãos em mãos durante o transcorrer da história. Borden Chase usou o mesmo expediente em “Winchester 73”, no caso o próprio rifle, desta vez com absoluto sucesso.


O bracelete que passa de braço em braço: acima com Tom Dunson (Wayne), que o
recebeu da namorada Fen (Colleen Gray); mais tarde encontrado no punho de
um índio morto;passado depois por Dunson para Matt (Montgomery Clift) e
por fim surge com Tess Millay (Joanne Dru). Aparentemente o roteiro se
esqueceu do bracelete que some da história.

Faroeste essencial - O maestro e compositor Dimitri Tiomkin fez uso de diversas canções tradicionais na trilha sonora musical, compondo para tema principal “Settle Down”, que pontua todo o filme nas sequências com o gado. Essa mesma canção, com novo arranjo e com o título “My Rifle, My Pony and Me” foi deliciosamente cantada por Dean Martin e Ricky Nelson em “Onde Começa o Inferno”, tornando-se clássica e sendo gravada por muitos cantores. “Rio Vermelho” é lembrado como um dos grandes filmes sobre cowboys e rebanhos de gado, que teve ainda “E o Bravo Ficou Só” (Will Penny) e “Pacto de Justiça” (Open Range), filmes importantes sobre o mesmo tema. A série de TV “Rawhide”, estrelada por Clint Eastwood e Eric Fleming, teve sua inspiração no filme de Hawks. Em 1988 James Arness interpretou Tom Dunson no remake feito para a TV com o mesmo título. A versão de “Rio Vermelho” lançada em DVD difere daquela que foi vista nos cinemas que tinha narração de Walter Brennan e quando Pete Bogdanovich falou a Hawks sobre a versão emendada com textos, o diretor disse jamais ter visto essa versão alterada e não concebida por ele. Seja qual for a versão assistida, “Rio Vermelho” é daqueles faroestes que, mesmo não sendo perfeito, é essencial e importantíssimo no gênero, merecendo ser revisto.

Sequência que o censor Joseph Breen, do Production Code deixou passar:
John Ireland e Montgomery Clift comparando suas pistolas.

O carroção de Walter Brennan; a espetacular chegada do gado a Abilene.



2 de fevereiro de 2014

A HISTÓRIA ESCRITA POR BORDEN CHASE E MODIFICADA POR HOWARD HAWKS


Borden Chase
Deliberadamente Howard Hawks mudou a história original de Borden Chase ‘The Chisholm Trail’. Certo que permaneceu a essência que é a histórica e pioneira jornada da condução de nove mil cabeças de gado desde o Texas até o Missouri inicialmente e depois até Abilene, no Kansas, para embarque do gado na nova ferrovia. Atravessar os quase mil quilômetros sofrendo toda sorte de contratempos é o ponto central da história de Chase que na tela terminaria sendo um documentário caso não contivesse os conflitos humanos que tornassem o texto mais cinematográfico. Exatamente aí Howard Hawks entendeu que para tornar a trama mais interessante seria necessário alterá-la substancialmente, a começar pelo próprio título que passou a ser “Red River” (Rio Vermelho).

Howard Hawks
Erro ou acerto de Hawks? - Com a ajuda do roteirista Charles Schnee, Howard Hawks criou quase uma nova história que se tornou conhecida pelo sucesso que “Rio Vermelho” alcançou junto ao público. E não apenas quando de seu lançamento, em 1948, mas também nas sucessivas reprises e posterior lançamento em DVD. Provavelmente jamais tenha sido lançado no Brasil o livro de Borden Chase ‘The Chisholm Trail’, o que faz com que a história original seja, aqui, praticamente desconhecida. As críticas negativas sofridas por “Rio Vermelho” são em sua maior parte pela incoerência de parte da trama, especialmente envolvendo o personagem de Tess Millay (Joanne Dru) e seu relacionamento com Matthew Garth (Montgomery Clift) e Thomas Dunson (John Wayne). WESTERNCINEMANIA faz uma sinopse do livro de Borden Chase para que o leitor possa avaliar se Howard Hawks acertou ou errou nas modificações feitas em ‘The Chisholm Trail’. Howard Hawks começou as alterações a partir do próprio título, preferindo o nome ‘Red River’. E Hawks parecia gostar muito de ter a palavra rio em títulos de seus filmes pois dirigiria ainda os westerns “Rio Bravo” (Onde Começa o Inferno) e “Rio Lobo”. Sem contar que aqui no Brasil o filme de Hawks “The Big Sky” ganhou o título de “Rio da Aventura”.

Cowboys se amotinam contra Dunson - No livro ‘The Chisholm Trail’, Thomas Dunson adota o menino Matthew Garth que o ajuda a construir um império de criação de gado. Há um corte de 20 anos na história que mostra Garth retornando da Guerra Civil e se detendo em River Palace, onde conhece a saloon girl Tess Millay, amante de um homem poderoso chamado Donegal. Garth chega ao Texas justamente quando Tom Dunson se prepara para conduzir dez mil cabeças de gado até o Missouri onde o mercado está aquecido e o gado será vendido. Para ajudar na condução do rebanho e vencer os quase mil quilômetros de distância, Dunson conta com 30 homens e o mais recente contratado é Cherry Valance. Garth e Valance conversam e descobrem que ambos foram amigos de Tess Millay. Mal iniciada a jornada e alguns dos cowboys se rebelam contra as ordens de Dunson e cinco deles acabam mortos por Dunson e Garth. Ao atravessar o Rio Vermelho, que delimita o Texas com Oklahoma, três homens morrem durante a travessia, o que provoca novo motim contra Dunson e desta vez Garth fica do lado dos cowboys. Dunson tenta reagir mas é ferido por Cherry Valance e se separa da condução do rebanho, agora sob as ordens de Matthew Garth. Dunson jura matar Garth quando se recuperar e sair no seu encalço.

Mapa da trilha que vai do Texas até o Kansas, denominada 'The Chisholm Trail';
à direita o mesmo mapa indicando as cidades que comercializavam gado no Kansas,
os pontos importantes da famosa trilha e as cidades texanas criadoras de gado.

John Wayne como Tom Dunson.
Dunson morre no Texas - A jornada agora tem como destino Abilene e não mais o Missouri e no caminho encontram a caravana de Donegal e Tess Millay. Há uma ameaça de ataque dos índios e Garth provoca um stampede (estouro da boiada) colocando os índios em fuga. Tess Millay flerta simultaneamente com Garth e com Valance, provocando a ira de Donegal que é morto por Valance. Tess Millay convence Valance a seguir com ela na caravana que toma rumo oposto ao do gado que é levado para o Kansas. Valance quer se casar com Tess Millay mas esta pretende desposar alguém com dinheiro como Garth e não um homem pobre como ele Valance. Quando o gado atravessa outro rio, Valance embosca Garth sem no entanto conseguir matá-lo. Tess se encontra com Tom Dunson que oferece à moça metade do seu império se ela lhe der um filho. Após a venda do gado em Abilene, ocorre então um confronto entre Dunson e Valance do qual Dunson sai ferido mas mata Cherry Valance. Tess Millay que reatara com Garth diz a ele que decidiu aceitar a proposta de Dunson. Garth e Dunson se enfrentam e o jovem é mais rápido que o homem que o criou, mas Garth se recusa a atirar em Dunson cujo ferimento a bala feito por Valance está minando sua resistência. Garth e Tess Millay retornam ao Texas trazendo Dunson moribundo. Cruzam o Rio Vermelho no retorno e Dunson fica em pé para pisar novamente o solo texano, pela última vez. Sem forças Dunson cai morto.

Final feliz - Percebe-se que os personagens Tess Millay e Cherry Valance são bastante importantes na história de Chase, muito mais que no roteiro de Charles Schnee. O personagem Donegal não existe no filme e o cozinheiro Nadine Groot (Walter Brennan) aparece em quase todas as sequências do princípio ao final do filme, ao passo que no livro ele é apenas mais um membro do grupo que conduz o gado. Os conflitos entre Dunson e Garth em “Rio Vermelho” são resolvidos com um final feliz, evitando o trágico destino de Thomas Dunson e indicando que o mocinho ficará com a mocinha, agradando uma plateia cansada das desgraças da recém finda II Guerra Mundial.


John Wayne e Montgomery Clift em "Rio Vermelho" (Red River).