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| Samuel Fuller |
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| Barbara e Barry Sullivan |
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| Jessica admirando a arma de Griff. |
AULA DE
COMPOSIÇÃO CINEMATOGRÁFICA
- Essa história nada simples serve para Samuel Fuller executar um dos mais
notáveis exercícios de estilo já visto em um western. Inspiradíssimo e
criativo, Fuller coloca na tela cenas de grande efeito visual, a começar pela
antológica sequência de abertura do filme com Jessica Drummond inteiramente
vestida de preto cavalgando um cavalo branco seguida pelos seus ‘40 dragões da
violência’. A câmara posicionada acima dos cavaleiros cria um efeito ainda mais
impressionante que a própria grandeza do conjunto filmado em Cinemascope.
Passando ao lado da charrete em que estão os irmãos Bonnell, não fica nenhuma
dúvida do poder e autoridade daquela mulher. Magnífica também a cena em que o
ajudante de sheriff John Chisum (Hank Worden) tenta enxergar com a visão turva
pela sua cegueira produzindo trágico e notável efeito. Travellings longos nunca
foram apropriados para westerns (a não ser os de Sérgio Leone) e neste pequeno
western há um travelling com uso de dolly (espécie de elevador que sobe e desce
a câmara) de três minutos que culmina com Jessica a cavalo seguida por seus dragões
em tropel pela rua principal de Cochise. E as cenas de efeito com incessantes e
espetaculares movimentos de câmara vão se sucedendo como a do jantar na mansão
de Jessica; as mortes de Swain (Chuck Roberson), mais tarde a de Savage (Chuck
Hayward) e o suicídio de Ned Logan com a visão macabra de seu corpo balançando
e as pernas batendo contra a parede.
FAROESTE INOVADOR - Em outra sequência há uma tomada, em
que o rosto de Louvenia (Eve Brent) é visto de dentro do cano do rifle, cena
que entraria para a história do cinema, sendo imitada inicialmente por Godard
em “Acossado” e pelos filmes de James Bond. Bastante imitada também a exposição
do corpo de Savage colocado verticalmente dentro de um caixão na vitrine da
funerária. E Fuller sabe também ser engraçado ao mostrar o movimento conjunto
dos cowboys nas tinas de banho. Em “Dragões da Violência” Fuller cria uma bela
cena de suspense quando da emboscada sofrida por Griff com inusitadas tomadas
feitas de ângulos geometricamente estudados. E uma das grandes sequências do
filme é quando o tornado atinge e arrasta Jessica, Griff, cavalos e charrete,
bem como a cena final com Jessica sendo friamente baleada por Griff. A
cinematografia de Joseph F. Biroc sob o comando de Samuel Fuller é ainda mais
extraordinária por seus movimentos incansáveis passarem quase despercebidos
pelo espectador, a não ser que este se detenha mais detalhadamente sobre os
aspectos técnicos e estéticos do filme. “Dragões da Violência” é o “Cidadão
Kane” dos westerns quanto ao trabalho de iluminação e principalmente de câmara.
E o ritmo do filme é ditado por cortes até bruscos, deliberadamente malfeitos,
em contraponto com longos usos de travellings. O roteiro provoca o espectador
por não ser linear mas incapaz de confundi-lo neste western curto, de apenas 79
minutos que é uma aula de cinema moderno.
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| Cena de violência com o personagem cego interpretado por Hank Worden. |
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| Barbara e John Ericson |

















































