UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

11 de julho de 2012

O OURO DE MACKENNA (Mackenna's Gold), UMA FRACASSADA SUPERPRODUÇÃO


Quando for elaborada uma lista dos piores westerns de todos os tempos, “O Ouro de Mackenna” (Mackenna’s Gold) certamente terá seu lugar assegurado ao lado dos recentes e horríveis faroestes “Jonah Hex” e “Cowboys e Aliens”. Assim como estes últimos, “O Ouro de Mackenna” foi uma superprodução caríssima que em valores atualizados custou cem milhões de dólares e rendeu apenas 21 milhões, constituindo-se também num grande fracasso de bilheteria. A resenha “O Ouro de Mackenna” mais parece uma receita de como se fazer um mau faroeste mesmo com elenco estelar e muita dinheirama gasta em sua produção.


Abaixo o diretor J. Lee Thompson à
 esquerda e o roteirista Carl Foreman.
A FÓRMULA DE “OS CANHÕES DE NAVARONE” - O roteiro de “O Ouro de Mackenna” é de autoria de Carl Foreman, escritor credenciado, entre outros trabalhos, pela história de “Matar ou Morrer”. Colocado na lista negra de Hollywood pelo macarthismo, Foreman foi viver na Europa onde escreveu o roteiro de “Os Canhões de Navarone”, aventura de enorme sucesso dirigida por J. Lee Thompson. A Columbia apostou alto em “O Ouro de Mackenna” que teve como produtor associado a Foreman o compositor Dimitri Tomkin em sua primeira experiência na produção de um filme. Esse projeto da Columbia era baseado numa história Will Henry e seguindo a fórmula de “Os Canhões de Navarone”, foi contratado um grande elenco para ‘Mackenna’, elenco encabeçado por Gregory Peck e Omar Sharif. O cinquentão Gregory Peck ainda estava em boa forma e o egípcio Omar Shariff enlouquecera as mulheres do mundo todo dois anos antes como ‘Dr. Jivago’. Gregory Peck não era a primeira opção para interpretar o xerife Sam Mackenna pois os produtores queriam o jovem Clint Eastwood que despontava para uma promissora carreira como astro depois da trilogia dos dólares que filmou com Sergio Leone. Clint preferiu fazer outras apostas para seu futuro como ator e deu a maior sorte pois foi o policial ‘Coogan’que lhe abriu as portas para seu sucesso nos Estados Unidos.

Raymond Massey, Edward G. Robinson, Lee J. Cobb,
Keenan Wynn, Telly Savalas e Burges Meredith.
ELENCO COM MUITOS NOMES DA TV - O grande elenco foi formado por respeitáveis nomes de atores do passado como Edward G. Robinson, Raymond Massey, Lee J. Cobb e Burgess Meredith.  Os veteranos Eduardo Cianelli e Trevor Bardette eram da turma dos inesquecíveis seriados. Foram contratados também artistas em evidência por suas séries na TV como Julie Newmar (a ‘Mulher-Gato’ de “Batman”), Ted Cassidy (o mordomo ‘Lunch’ de “A Família Adams”) e Dick Peabody (o ‘Littlejohn’ de “Combate”), sem esquecer que Burgess Meredith era conhecido do público mais jovem por sua participação como ‘Pinguim’ também na série “Batman”. Para agradar o público inglês o elenco de “O Ouro de Mackenna” contou Anthony Quayle, mais um coadjuvante entre os conhecidos Eli Wallach, Telly Savalas (antes de ‘Kojac’) e Keenan Wynn. Uma jovem bonita e atriz fraca chamada Camila Sparv para juntamente com Julie ewmar atrair os dois atores principais. E quem são eles?

Cenários de "O Ouro de Mackenna"; abaixo
o cantor José Feliciano e o maestro Quincy Jones.
CORTE DE 52 MINUTOS - Como “O Ouro de Mackenna” seria filmado em espetaculares cenários naturais (Monument Valley e Canyon de Chely, ambos no Arizona; Glen Canyon, Snow Canyon e Johnson Canyon, os três em Utah; e no Rogue River, no Oregon), foi contratado o experiente cinegrafista Joseph MacDonald para operar as câmaras que filmariam tudo em 70 mm. Para compor a trilha sonora da superprodução foi chamado o jovem maestro Quincy Jones (34 anos) que um ano antes havia composto as trilhas dos sucessos “A Sangue Frio” e “No calor da Noite” e 20 anos depois faria de Michael Jackson um fenômeno. Em 1967 José Feliciano, longe de ser um fenômeno, era um dos nomes em maior evidência na música popular e foi ele o escolhido para cantar a canção “Old Turkey Buzzard”, de Quincy Jones, que abre e fecha “O Ouro de Mackenna”, no melhor estilo Frankie Lane. O projeto inicial era uma superprodução com duração de três horas, a ser apresentada em Cinerama com o pomposo intermezzo dos grandes épicos. As filmagens tiveram início em 16 de maio de 1967 e se prolongaram até 29 de setembro do mesmo ano, num total de 137 desgastantes dias, após o que teve início a fase de pós-produção. Nessa prolongada fase foram criados os efeitos especiais, a edição e sonorização no sistema estereofônico, fazendo com que o filme fosse lançado nos Estados Unidos somente em 10 de maio de 1969, ou seja, 20 meses após o término das filmagens. Quando isso aconteceu a Columbia já havia desistido de lançar “O Ouro de Mackenna” em Cinerama e os 180 minutos de duração anteriormente previstos foram reduzidos para 128 minutos.

Eduardo Cianelli a cavalo; Peck e Sharif.
ONDE IMPERA A COBIÇA - Até que ponto os cortes prejudicaram a história é difícil dizer, mas o certo é que houve a necessidade de incluir um narrador para que o público entendesse melhor a trama. A bela voz que narra “O Ouro de Mackenna” é de Victor Jory (‘O Sombra’ do seriado de 1940), mas lamentavelmente ele narra com empostamento característico dos cinejornais dos tempos da II Guerra Mundial. E a mítica história desse western de J. Lee Thompson nem é assim tão difícil de ser seguida a não ser que o público espectador seja formado exclusivamente por antas. O velho índio Cão das Pradarias (Eduardo Cianelli) antes de morrer numa região árida entrega um mapa ao ex-garimpeiro, agora xerife, Mackenna (Gregory Peck). O homem-da-lei olha rapidamente o mapa e o fotografa mentalmente, queimando-o em seguida. O mapa indica onde se localiza Shacking Rock, uma montanha de ouro em pleno território sagrado dos apaches. O bandido mexicano Colorado (Omar Sharif) e seu bando quer esse ouro e faz Mackenna seu prisioneiro, apenas não o matando porque Mackenna se tornara um GPS humano, um mapa de carne e osso. O boato sobre a montanha de ouro se espalha e homens de todos os tipos se juntam a Mackenna e ao bando de Colorado. Em comum todos têm a cobiça. No doloroso caminho até a montanha o grupo enfrenta intempéries, índios e até a Cavalaria, sendo todos mortos um a um, menos Mackenna e Colorado que sobrevivem. A imensa e secular montanha desaba repentinamente devido aos cascos dos cavalos dos índios soterrando o tesouro. Mocinho e bandido seguem suas vidas, Mackenna, sem saber, com algum ouro nos alforjes e com a mocinha que também estava por lá.

Frases nada criativas...
COLEÇÃO DE CLICHÊS - Seria injusto dizer que nada funciona em “O Ouro de Mackenna” pois há sim as bonitas paisagens, os bons momentos da trilha sonora de Quincy Jones e o incrível tratamento sonoro do filme, não menos que espetacular. Porém, um filme para ser interessante necessita antes de tudo de uma boa história com diálogos inteligentes. “O Ouro de Mackenna” é soterrado pela incoerência da história e, pela mastodôntica estupidez dos diálogos. Nunca antes um faroeste classe ‘A’ teve tamanha coleção de frases absurdas e ilógicas, muitas delas batidos clichês demonstrando total falta de inspiração. E o que é pior, frases ditas por atores do porte de um Edward G. Robinson. Outro bom ator, Raymond Massey que interpreta um pregador, em dado momento diz a colorado: “Eu tanto posso pregar por Deus como pelo Diabo” e ouve do bandido a resposta: “Aye, chihuahua!”. Mais até do que o próprio ouro na gigantesca montanha há diálogos ainda mais bisonhos e opacos que esse: “Não se pode manter o ouro em segredo porque ele viaja pelo ar”, diz filosoficamente Baker, o personagem de Eli Wallach. Porém nenhuma frase ganha daquela que Telly Savalas diz para Camila Sparv: “Você passou por momentos difíceis. Tem a minha solidariedade”.

DEFEITOS ESPECIAIS - Conta-se que o jovem George Lucas esteve presente as locações durante as filmagens de “O Ouro de Mackenna”, tencionando fazer um documentário sobre o filme de J. Lee Thompson, talvez impressionado com os cenários que mais tarde usaria em seus “Stars War”. Possivelmente Lucas deva ter presenciado a filmagem de algumas das cenas de ação que não são de todo ruins mas que acabam sendo comprometidas com uso excessivo de retroprojeção ou de mal-feita miniaturização. Passa para a antologia do cinema a pedra presa a uma fenda na grande montanha, pedra que balança, balança, balança e acaba desabando, cena digna dos efeitos especiais que eram feitos em Cinecittà com rochas de papel pedra. Ed Wood Jr. assinaria essa cena sem pensar duas vezes.

Eli Wallach e Omar Sharif.
ELI WALLACH X OMAR SHARIFF - Com tantos bons atores no elenco “O Ouro de Mackenna” poderia se salvar pelas interpretações individuais. No entanto essas participações quase que especiais se resumem em uma ou duas frases inócuas e as cenas de mortes de cada um que vão se sucedendo. O exemplo maior de desperdício de talentos é a presença de Eli Wallach como um personagem insignificante na história, mesmo depois de ter criado ‘Calvera’ e ‘Tuco’, dois dos mais admiráveis bandidos dos modernos faroestes. Eli Wallach poderia tornar Colorado (Omar Shariff) um tipo cruel e engraçado, mas nas mãos de Omar Sharif resultou num personagem francamente caricato. Em meio a tanta cupidez, é quase risível o estoicismo e a dignidade de Mackenna (Gregory Peck), único ser humano não dominado pela cobiça. E para azar do ator seu personagem é levado a escolher gélida Camila Sparv, desprezando a irresistível índia Julie Newmar. Anos mais tarde, Peck declarou que jamais deveria ter feito esse filme detestável, um dos pontos mais baixos de sua brilhante carreira.

A linda Julie Newmar e a nudez de Omar Sharif.
DEZ VEZES “SIERRA MADRE” - “O Ouro de Mackenna” é uma produção em que o oportunismo dos produtores parece não ter limites. Para um filme de 1968, o banho da bela Julie Newmar não deixa de ser um já rotineiro agrado ao público masculino. Porém expor na mesma cena a forçada e constrangedora nudez de Omar Sharif é uma verdadeira apelação. Nem mesmo isso conseguiu levar mais mulheres (ou homens) aos cinemas. E falando de oportunismo, não há outra forma de entender a razão de José Feliciano torturar os ouvidos dos espectadores esganiçando agudamente os versos da canção que fala de um abutre que vê os “homens rastejando formigas para morrer como ratos nas rochas lá embaixo”. Responsáveis maiores por um filme pretensioso, sem nenhum estilo, arrastado e cansativo, Thompson e Foreman bem que mereciam uma punição que poderia ser assistir fazê-los assistir por dez vezes a “O Tesouro de Sierra Madre”, clássico de John Huston que toca no mesmo assunto de “O Ouro de Mackenna”. Mas essa é uma punição que todos os cinéfilos gostariam de receber.




9 de julho de 2012

ERNEST BORGNINE – BRUTAL E SÁDICO, TERNO E ENGRAÇADO



Ernest Borgine começou no cinema aos 34 anos, idade em que muitos astros de sua geração como Charlton Heston, Tony Curtis, Rock Hudson, Robert Wagner e outros já haviam se tornado ídolos e eram capas de revistas especializadas. Por sinal Ernie nunca foi capa de revista alguma pois de galã ele não tinha nada. Mas se lhe faltava um rosto bonito, Borgnine possuía talento de sobra, o que lhe permitiu compensar sua estréia tardia no cinema com uma carreira de mais de 60 anos. Ontem o cinema perdeu Ernest Borgnine, um dos grandes atores daquelas memoráveis décadas de 50 e 60 e da qual hoje sobrevive apenas Kirk Douglas.

O bebê Ermes Borgnino com seis meses;
com mama Anna; Ermes aos 16 anos;
sargento na U.S. Navy.
BAMBINO AMERICANO - Os pais de Ernest Borgnine eram oriundos do Norte da Itália e radicados nos Estados Unidos, onde chegaram no início do século passado, se conheceram e se casaram. Anna, cujo avô era um conde da cidade de Carpi, gostou de Camillo Borgnino mesmo sabendo que ele gostava de beber e de jogar dados. O casal que vivia na cidade de Hamden, Connecticut, teve no dia 24 de janeiro de 1917 o filho Ermes Effron Borgnino. Camillo trabalhava numa fábrica de tijolos e com seus maus hábitos acabou cansando a esposa que um dia pegou o filho ainda pequeno e embarcou num navio de volta para Carpi. Em 1923 Anna retornou com Ermes aos Estados Unidos num navio chamado ‘Dante Alighieri’, e se reconciliou com o marido. O casal foi então morar na cidade de New Haven, em Connecticut. A mãe de Ermes queria que ele se tornasse barbeiro mas no colégio o adolescente gordinho tomou gosto pelo boxe e mais ainda pelo teatro. Ermes chegou a fazer barbas durante uma semana, trocando esse emprego pelo de vendedor de frutas. Um dia, em 1935, quando empurrava o carrinho de frutas, Ermes leu um cartaz que dizia: “Entre na Marinha e conheça o mundo”. E foi o que ele fez, alistando-se na U.S. Navy, passando o velho navio ‘Chaumont’ a ser sua casa. Em 1942, em plena guerra, ele se mudou para outro navio, o moderno vaso de guerra USS ‘Lamberton’. Ermes especializou-se no disparo de canhões.

Ernest Borgnine no teatro com
Brandon De Wilde e Hellen Hayes.
Abaixo com a esposa Rhoda.
TORPEDEIRO DE VERDADE - As Forças Armadas são um bom emprego somente em tempos de paz e quando Roosevelt declarou que os Estados Unidos estavam em guerra contra o Eixo, Ermes partiu para a luta como sub-oficial do ‘Lamberton’. Era ele quem comandava os disparos dos torpedos que punham a pique os navios dos japs e chucruts. Findo o conflito mundial, Ermes estava cansado dos longos períodos em alto-mar e pediu desligamento da Marinha. Sua próxima atividade foi dirigir pesados caminhões pelas highways norte-americanas e nas rodas de caminhoneiros todos queriam escutar suas histórias vividas na guerra. Ermes fazia isso de forma tão pródiga e interessante que arrebatava sua ‘platéia’, cujos ouvintes sempre lhe diziam que ele era um ator nato e deveria tentar o cinema. Ermes matriculou-se então na Randall Scholl of Dramatic Arts, em Hartford (Connecticut). Quando passou a atuar, interpretou o personagem que James Stewart havia consagrado na Broadway na peça “Harvey”, aquela do coelho. Em 1949 Ermes já havia se casado com uma ex-companheira de Marinha, a enfermeira Rhoda Kemins, mais gordinha do que ele e com quem teve uma filha. Para sobreviver conseguiu alguns trabalhos na televisão, aparecendo duas vezes na série de TV “Captain Video”, interpretando um personagem chamado ‘Nargola’ no ano de 1951.

Ernest Borgnine em "O Incógnito",
acima com Broderick Crawford,
abaixo com Neville Brand.
BORGNINO VIRA BORGNINE - Ermes era um homem simpático, alegre e atencioso, mas a primeira impressão que causava era a de alguém abrutalhado, mal-encarado e irritadiço. O agente cinematográfico de Ermes ficava imaginando o que fazer com um ator com aquela cara e ainda mais chamado Ermes Borgnino. A primeira providência foi mudar aquele nome para Ernest, afrancesando o ‘Borgnino’ para ‘Borgnine’, muito mais simpático e menos intimidador. A segunda providência do agente foi avisar àquele pretendente a ator de cinema que, com aquela cara e corpo ele só conseguiria papéis de bandidos que morrem sempre antes do filme acabar. A estreia no cinema de Ernest Borgnine aconteceu em “Corsário Chinês”, aventura com Jon Hall, em 1951. Nesse mesmo ano Ernest fez pontas em “O Direito de Viver”, com Lilian Gish e em “O Incógnito”, com Broderick Crawford. No elenco de “O Incógnito” estavam também dois iniciantes que se tornariam muito conhecidos no cinema, os igualmente mal-encarados Neville Brand e Charles Bushinsky (Bronson). Veio depois outro pequeno papel para Ernest em “O Tesouro do Pequeno Condor”, estrelado por Cornel Wilde. Era o ano de 1953, que reservava agradáveis surpresas para a carreira de Borgnine.

'Fatso' em luta com Maggio (Sinatra);
abaixo com Lee Marvin em "O Pistoleiro".
O SÁDICO ‘FATSO’ - Em 1953 Ernest fez seu primeiro western que se chamou “O Pistoleiro”, estrelado por Randolph Scott e que tinha no elenco Lee Marvin, outro tipo durão igual a Borgnine e cujas carreiras se cruzariam outras vezes. Mas as coisas começaram a melhorar mesmo quando o agente de Borgnine conseguiu colocá-lo no elenco de um filme predestinado ao sucesso que se chamou “A Um Passo da Eternidade”, baseado em um livro que havia comovido os Estados Unidos. Os papéis desse drama passado na II Grande Guerra (ataque aéreo a Pearl Harbor), já haviam se transformado em outra verdadeira guerra, sendo bastante conhecida a história como Frank Sinatra ‘roubou’ o papel de ‘Maggio’ de Eli Wallach. No elenco estariam Burt Lancaster, Montgomery Clift, Joan Crawford (substituída por Deborah Kerr) e outros nomes, tudo apontando para um grande êxito nas bilheterias. Ernest Borgnine teria uma pequena participação como ‘Fatso Judson’, o cruel sargento que leva ‘Maggio’ à morte. Acontece que em meio a tantos excelentes atores Borgnine como o sádico ‘Fatso’ se destacou e ajudou “A Um Passo da Eternidade” a se tornar um enorme sucesso de público e de crítica. Depois disso só restava a Ernest colher os frutos que não demoraram a chegar.


Ernest Borgnine como 'Marty' com Betsy Blair;
abaixo na cerimônia do Oscar com Jo Van Fleet,
Jack Lemmon, Grace Kelly e Marisa Pavan.
BATENDO TRACY, CAGNEY, SINATRA E JAMES DEAN - A maré para o rotundo Borgnine era de muita sorte e a seguir ele atuou em “Demétrios, o Gladiador” e em “Sábado Violento”, com Victor Mature, sendo que Ernest se reencontrou neste último pela segunda vez com Lee Marvin. E logo depois Ernest estaria de novo com Marvin em “Conspiração do Silêncio”, dirigido por John Sturges e considerado por muitos como um western moderno. Sempre como coadjuvante, Ernest Borgnine esperava uma oportunidade para estrelar um filme em que pudesse mostrar que era muito mais que mais um rosto feio na tela e essa oportunidade veio com “Marty”. A televisão norte-americana dos anos 50 foi rica em produzir excepcionais trabalhos realizados pelos talentos que nela militavam, especialmente nos teleplays, espécie de teatro feito ao vivo. Um desses teledramas, escrito por Paddy Chayefsky, contava a história de ‘Marty’, um homem comum, açougueiro no Bronx, bairro pobre de Nova York. Com o título “Marty”, a telepeça foi protagonizada por Rod Steiger. Percebendo o potencial do texto, a produtora Hetch-Lancaster adquiriu os direitos e o levou para o cinema. Burt Lancaster sabia que Ernest Borgnine seria um açougueiro mais convincente que Rod Steiger e o contratou para interpretar ‘Marty’. Ernest se entregou de corpo e alma ao papel mesmo sabendo que o filme não seria nenhum sucesso, já que não seria rodado em Cinemascope, nem em cores e não tendo nenhum grande nome para resplandecer nas marquises dos cinemas. O filme custou menos de três milhões dólares em valores atuais e rendeu 52 milhões de dólares só no primeiro ano de exibição, sendo até hoje o filme que mais lucro deu ao produtor Burt Lancaster. Quanto a Ernest, sua interpretação lhe valeu todos os prêmios de interpretação do ano, entre eles o Oscar, que venceu numa disputa com Spencer Tracy (”Conspiração do Silêncio”), James Cagney (Ama-me ou Esquece-me”), Frank Sinatra (“O Homem do Braço de Ouro”) e com o fantasma de James Dean (“Vidas Amargas”). Para vencer Borgnine bateu monstros e mitos com a sua criação do enternecedor e tímido açougueiro.

Borgnine como o viking 'Ragnar'.
DE COWBOY A VIKING - Como se fazia muitos e bons westerns naquela década, Ernest Borgnine atuou numa espetacular sequência de faroestes que começou com “Vera Cruz”, seguido de “Johnny Guitar”, “Feras Humanas” (com Randolph Scott), “Ao Despertar da Paixão” (com Glenn Ford), “Fora das Grades” (com James Cagney), “A Última Barricada” (com Sterling Hayden). E como não era todo dia que aparecia um personagem como ‘Marty’, Borgnine voltou para a condição de coadjuvante em filmes como “Brutos em Fúria” (com Tony Curtis), “Festa de Casamento” (com Bette Davis), “Difamação de um Homem” (com Ray Milland), “O Encanto de Viver” (musical com Gordon MacRae), “Torpedo” (com Glenn Ford). Em 1958 Ernest Borgnine interpretou o viking ‘Ragnar’, pai de ‘Einar’ (Kirk Douglas) em “Vikings, os Conquistadores”. Curiosamente, Douglas era um mês mais velho que Borgnine na vida real o que não impediu que essa empolgante aventura fosse um dos maiores sucessos daquele ano.  


Ernest em "Johnny Guitar"; com Glenn Ford em "Ao Despertar da Paixão".

Ernie e Katy quando tudo era azul; abaixo
com Gina Lollobrigida em "Nua no Mundo".
ENCONTRO COM A TIGRESA MEXICANA - Em 1958 o casamento de Ernest com Rhoda havia terminado em divórcio e nesse mesmo ano Ernest atuou no faroeste “O Homem das Terras Bravas”, com Alan Ladd e Katy Jurado. A atriz mexicana jogou seu charme e intensa sensualidade para cima de Ernest que não resistiu e se casou com Katy Jurado, naquele que seria um dos mais tempestuosos casamentos de Hollywood. Segundo contou Borgnine, todos queriam vê-los casados, inclusive a imprensa que não parava de falar sobre o assunto. Quando se deram conta, Ernest e Katy já eram marido e mulher, em 1959, e daqueles casais que brigavam por qualquer coisa. Tanto que depressa bateram o recorde de separações e reconciliações. Em sua autobiografia intitulada “Ernie”, o ator fala até com certa ternura de Katy, dizendo que ela era “bonita mas também uma verdadeira tigresa”. A década de 50 terminou com Borgnine voltando à condição de astro principal em três filmes: “The Rabitt Trap” e “Summer of the Seventh Doll”, pequenas produções que quase ninguém viu e ainda no policial “Paga ou Morre”. Ernest voltou, no entanto à condição de coadjuvante em “Nua no Mundo”, drama com Gina Lollobrigida.

Comandante Quinton McHale.
DE VOLTA À MARINHA - Atraído por melhores ofertas de trabalho, Ernest Borgnine foi para a Itália onde atuou nos filmes “O Rei dos Ladrões”; “O Juízo Universal”, de Vittorio De Sica; “Legenda Heróica”, com Vittorio Gassman; “Barrabás”, com Anthony Quinn. Nestes dois últimos filmes Borgnine atuou com Katy Jurado, mas a fase européia apenas ajudou a comprovar que não haviam mesmo nascidos um para o outro e veio o divórcio. Voltando a Hollywood, Ernest aceitou atuar em uma série de TV, não só porque o salário era bom e ele seria o principal ator mas também porque a série intitulada “McHale’s Navy” seria ambientada na vida na Marinha e nos contratorpedeiros, relembrando uma fase de aventuras de sua vida. Essa série em tom de comédia se transformou em grande sucesso, emplacando quatro temporadas num total de 138 episódios e rendendo ainda um longa-metragem com Ernest como o engraçado ‘Comandante Quinton McHale’.

Ethel Merman, esposa por 21 dias.
ETHEL MERMAN, AQUELA PÁGINA EM BRANCO - Em 1964 Borgnine cometeria uma das maiores erros de sua vida ao se casar com Ethel Merman. Apesar da fama dos dois, um não reconheceu o outro quando se conheceram numa festa em 1964. Trocaram telefones e como ela morava em Nova York, namoraram um mês por telefone, até que ele propôs casamento. Ethel viajou até Los Angeles e se casou com Ernest no dia 27 de junho de 1964, praticamente sem se conhecerem. O roteiro da lua-de-mel foi Honolulu, Tóquio e Hong-Kong e quando o casal chegava a esses locais os fãs assediavam Ernest Borgnine enquanto ninguém sabia quem era a senhora que o acompanhava. Ethel tinha nove anos a mais que Ernest mas parecia mãe do ator. E teve início uma irrefreável ciumeira por parte de Ethel, inconformada com o fato de Ernest ser tão famoso naqueles lugares onde ninguém a reconhecia. Na lua-de-mel, ao invés de carinhos e juras de amor ocorriam brigas diárias que conturbavam a vida dos hotéis que não viam a hora daquele estranho casal ir embora. Após uma das brigas Ethel fez as malas e voou sozinha para sua casa em Nova York. Cada um procurou seu advogado e o divórcio foi consumado em 28 de julho. Ernest e Ethel viveram maritalmente por apenas 21 dias. Quando Ethel escreveu suas memórias dedicou um capítulo chamado “Ernest Borgnine” ao ex-marido. Esse capítulo é composto por uma única página em branco. Ernest voltaria a se casar com Donna Rancourt, com quem teve três filhos num casamento que durou sete anos.

Ernest Borgnine em "The Wild Bunch".
DIRIGIDO POR PECKINPAH - O trabalho de Borgnine na série “McHale’s Navy” o afastou um pouco do cinema. Mesmo assim Ernest atuou no bom “O Vôo da Fênix” (com James Stewart), no fraco “O Oscar” (com Stephen Boyd) e no faroeste “Revólver de um Desconhecido” (com Rod Taylor). O próximo filme de Borgnine, em 1967, marcou um novo encontro com Lee Marvin em “Os Doze Condenados”, uma volta de Borgnine a um filme de estrondosa bilheteria. Seguiram-se “A Lenda de Lylah Clare”, com Kim Novak; “Estação Polar Zebra”, com Rock Hudson; “O Mundo dos Aventureiros”, com Candice Bergen; “The Split”, com Jim Brown; e o western espanhol “Uma Bala para Sandoval”, com Borgnine interpretando ‘Don Pedro Sandoval’. Em 1969 Ernest atuou naquele que pode ser considerado o grande filme de sua carreira, “Meu Ódio Será Sua herança”, a obra-prima de Sam Peckinpah. Depois desse western Ernest poderia até se aposentar, mas continuou sua carreira em filmes que nunca mais atingiriam a grandeza de “The Wild Bunch”, coisa que poucas vezes o próprio cinema conseguiu.

Borgnine em luta mortal contra o amigo
Lee Marvin em "O Imperador do Norte".
CARREIRA AO LADO DE BELAS MULHERES - Posteriores a “Meu Ódio Será sua Herança” na carreira de Borgnine merecem ser lembrados “Hannie Caulder”, com Raquel Welch; “Comboio”, outra vez dirigido por um menos inspirado Sam Peckinpah; “O Príncipe e o Mendigo”, com Charlton Heston. “O Destino do Poseidon”, com Gene Hackman foi talvez o filme de maior sucesso de bilheteria em que Borgnine atuou e ele declarou que se “Marty” representou o Oscar, se “The Wild Bunch” foi o grande clássico, “O Destino do Poseidon” foi o maior de todos os sucessos em que atuou. Em 1973 Borgnine contracenou pela quinta e última vez com o amigo Lee Marvin em “O Imperador do Norte”. Para compensar a sina de ter atuado com o durão Marvin tantas vezes e outras com os nada gentis Jack Elam e Charles Bronson, Ernest Borgnine pode se orgulhar de ter trabalhado com algumas das mulheres mais bonitas do cinema. Entre elas estão Kim Novak, Deborah Kerr, Susan Hayward, Candice Bergen, Stella Stevens, Gina Lollobrigida, Silvana Mangano, Ali McGraw, e Raquel Welch.

Tova e Ernie, a mais feliz união.
TOVA, O GRANDE AMOR - Em 1980 Ernest Borgnine participou de um disaster-movie que foi um dos mais retumbantes fracassos de bilheteria de todos os tempos, filme intitulado “O Dia em que o Mundo Acabou”, com Paul Newman, William Holden e grande elenco. Poderia ter sido o adeus ao cinema de Ernest, mas ele continuou a trabalhar mesmo que em filmes como “A Próxima Missão”, “Missão Mortal” e “Missão Fatal”, três sequências dispensáveis de “Os Doze Condenados”. Porém “Fuga de Nova York”, com Kurt Russell, Lee Van Cleef e Donald Pleasence pode ser considerado o último trabalho verdadeiramente notável de Ernest Borgnine, isto no que se refere à qualidade do filme pois em todos seus trabalhos no cinema ou na TV Borgnine sempre brilhou com seu talento. Mesmo com idade avançada, Ernest atuou até o final de sua vida, estando pronto para ser lançado o western “O Homem que Apertou a Mão de Vicente Fernandez”, rodado em 2012. Em sua vida pessoal Ernest Borgnine finalmente encontrou a felicidade ao lado de Tova Borgnine, com quem se casou em 1973, sendo ela 23 anos mais nova que ele. Tova, uma uma bem sucedida empresária do ramo de cosméticos, deu a Ernest uma velhice romântica e apaixonada. Ernie, como os amigos o chamavam, declarou que se sentia apaixonado por Tova a cada dia que acordava. O último dia em que Ernest acordou foi 8 de julho de 2012, quando faleceu em razão de insuficiência renal aos 95 anos de idade em Los Angeles, cidade em que morava. Isto depois de quase 40 anos de felicidade ao lado de Tova e de mais de 60 anos em que levou alegria aos seus fãs com seus filmes, muitos deles inesquecíveis. Vigoroso, brutal, terno e engraçado, assim era o grande ator Ernest Borgnine.

7 de julho de 2012

KATY JURADO E SLIM PICKENS ("BATENDO NA PORTA DO CÉU")


Vídeo com trechos do western "Pat Garrett & Billy the Kid", de Sam Peckinpah,
contendo a memorável sequência com Slim Pickens, ao lado de Katy Jurado,
'batendo na porta do céu'. A inspirada canção de Bob Dylan é ouvida em
versão de Zé Ramalho e interpretada por ele mesmo.

5 de julho de 2012

KATY JURADO, 'LA SEÑORA' DOS FAROESTES


O cinema mexicano teve nas décadas de 40 e 50, uma constelação de estrelas de fazer inveja à própria Hollywood. Nesse período chamado de ‘a época de ouro do cinema mexicano’, atuavam nos Estudios Churubusco mulheres bonitas e sedutoras como Dolores Del Río, María Félix, Columba Domíngues, Silvia Pinal, Maria Elena Marqués, Elsa Aguirre, Lilia Prado e ainda as igualmente belas ‘importadas’ Marga López, Miroslava, Sara Montiel, María Antonieta Pons, Ninón Sevilla, Rosita Quintana e Libertad Lamarque. Para se sobressair em meio a uma constelação dessas precisava ter beleza e talento como Katy Jurado que não só se tornou grande estrela do cinema mexicano mas ultrapassou fronteiras e brilhou intensamente no cinema norte-americano. E Katy Jurado foi a atriz latina pela qual os fãs de faroestes tiveram mais carinho do que por qualquer outra.

Acima Katy e Gilbert Roland em "Paixão de
Toureiro"; abaixo Grace Kelly e Gary Cooper
com Katy em "Matar ou Morrer".
OFUSCANDO GRACE KELLY - Katy Jurado já havia atuado em 18 filmes no México quando foi convidada por John Wayne e Budd Boetticher para participar de “Paixão de Toureiro”, rodado no México em 1951. John Wayne era o produtor daquele filme sobre touradas dirigido por Boetticher. Duke, que vivia uma guerra sem tréguas com sua esposa mexicana ‘Chata’ (Esperanza Baur), sempre teve um fraco por latinas calientes e chegou a cortejar Katy Jurado durante as filmagens. O namoro com Duke foi uma espécie de passaporte para Hollywood e já em 1952 Katy estreava no cinema norte-americano. E que estréia! O western foi “Matar ou Morrer” e Katy Jurado interpretou ‘Helen Ramírez’, deslumbrando público e crítica com sua soberba atuação que ofuscou a mocinha do filme, a delicada Grace Kelly. Ninguém duvidava que Katy Jurado se tornaria uma grande estrela nos Estados Unidos, desde que, é claro, superasse a quase intransponível barreira étnica que limita os latinos a papéis de índios ou de mexicanos mesmo. E interpretando uma mexicana Katy Jurado fez outro western, “A Bandeira da Desordem”, estrelado por Rod Cameron. A seguir Katy foi uma mestiça ao lado de Charlton Heston em “O Último Guerreiro”. 


Katy Jurado e Charlton Heston em "O Último Guerreiro".

Katy sendo maquiada para
"A Lança Partida", com Robert
Wagner e Spencer Tracy.
A SURPRESA DE SPENCER TRACY - Não seria fácil Katy Jurado encontrar outro personagem como o de ‘Helen Ramirez’, então a determinada atriz mexicana decidiu brigar para interpretar a esposa índia de Spencer Tracy. O papel era para ser de Dolores Del Río que acabou desistindo, dando início a uma disputa entre várias atrizes que queriam ser a Señora Devereaux. Katy se ofereceu e o produtor Sol C. Siegel até que gostou dela, mas o diretor Edward Dmytryk e Spencer Tracy deram o contra. Tracy chegou a dizer que Katy iria parecer sua neta, não sua mulher. Siegel fez um teste com Katy devidamente maquiada para que parecesse alguns anos mais velha O teste surpreendeu o veterano ator que convencido do talento da atriz mexicana elogiou a escolha do produtor. Cercada por atores como Tracy e Richard Widmark, Katy Jurado teve brilhante desempenho que lhe rendeu uma indicação para o Oscar, por sinal, a primeira indicação de uma atriz mexicana a esse prêmio. Esse fato só seria repetido 50 anos depois quando Salma Hayek também recebeu uma indicação.

Acima Katy com Anthony
Quinn; nas demais fotos
com Ernest Borgnine.
ERNEST BORGNINE, O ‘BULLITO’ - Em 1956 Katy Jurado esteve ao lado do também mexicano Anthony Quinn no ótimo pequeno western “Blefando a Morte”. E o grande Tony Quinn teve que se desdobrar para superar a excelente atuação de Katy. No ano seguinte Katy participou do western “Pagaram com o Próprio Sangue” (Dragoon Wells Massacre), estrelado por Barry Sullivan. 1958 reservava para Katy Jurado um momento importante em sua vida ao participar do western “o Homem das Terras Bravas”, estrelado por Ernest Borgnine e Alan Ladd. E o próprio Borgnine é quem conta que todos durante as filmagens diziam que ele e Katy haviam nascido um para o outro e que deveriam se casar pois se identificavam completamente. Falavam essas coisas a todo momento, tanto que Ernie e Katy decidiram mesmo se casar. Ela havia sido casada, no México, com o ator Victor Velásquez, com teve dois filhos. Katy chamava Borgnine de ‘Bullito’, que significa ‘Tourinho’ e o casamento deles se assemelhava mesmo a uma tourada em que Ernest levava até mesmo chifradas pois Katy voltara a se relacionar com um antigo namorado chamado Marlon Brando. Ernie e Katy se separaram em 1961 e se divorciaram em 1963. Em sua biografia Ernie lembra que Katy era uma mulher belíssima, mas se comportava como se fosse um tigre, sempre pronta para atacar.


Alan Ladd e os namorados Katy Jurado e Ernest Borgnine durante
 as filmagens de "O Homem das Terras Bravas".

Acima Katy e o namorado Marlon
Brando; com Chuck Connors; na
foto menor o escritor Louis L'Amour.
VAI-E-VEM COM BRANDO - Marlon Brando tinha entre suas namoradas latinas Movita Castañeda, Rita Moreno e Katy Jurado. O mais curioso é que esses namoros que ocorriam simultaneamente pareciam nunca terminar, ou se terminavam recomeçavam sempre, como acontecia com Katy Jurado. Para facilitar as coisas Brando Chamou Katy para atuar em “A Face Oculta”, o belíssimo western em que ela interpretou a esposa mexicana de Karl Malden. Katy jurado confessou certa vez que seu verdadeiro amor na América foi o escritor de história ambientadas no Velho Oeste Louis L’Amour. Katy disse que conservava um precioso tesouro que eram as cartas de amor que o autor de “Hondo” lhe escrevera. Depois do faroeste dirigido por Brando, Katy Jurado atuou em “Smoky”, western sobre um cavalo naquela linha de Walt Disney, não por acaso estrelado por Fess Parker. Em 1968 Katy Jurado teve que engordar vários quilos para interpretar a madrasta mestiça de Elvis Presley no musical-comédia rural “Joe é Muito Vivo” que nem de longe parece um western. Katy Jurado raramente emprestava seu conhecido nome a séries de televisão, em participações especiais, aparecendo num episódio da série “O Homem do Rifle”, estrelada por Chuck Connors.

Katy Jurado em "Pat Garrett & Billy the Kid" e
ao lado de Elvis Presley em "Joe é Muito Vivo".
UMA CENA COM PECKINPAH - Em 1973 Katy Jurado participou pela última vez de um faroeste que foi “Pat Garrett & Billy the Kid”, sob a direção de Sam Peckinpah, diretor que propiciou a Katy a melhor sequência de sua carreira no cinema norte-americano. Ao som de “Knockin’ on Heaven’s Door”, uma já madura Katy Jurado vê seu marido no filme (Slim Pickens) morrer com a barriga cheia de chumbo, em uma das mais poéticas e pungentes sequências que um western mostrou. Peckinpah, o responsável por haver mudado o gênero, foi também quem presenteou Katy naquele que seria o adeus (dela e de Sam) ao faroeste.

Acima cena de "El Bruto", com Katy e Pedro
Armendáriz; abaixo Katy com Miroslava em
"Cárcere de Mulheres"; à direita 'El Índio'.
DESCOBERTA POR ‘EL ÍNDIO’ - Katy Jurado nasceu com o pomposo nome de María Christina Estela Marcela Jurado García no dia 16 de janeiro de 1924, na cidade de Jalisco, em Guadalajara (outras fontes indicam a Cidade do México como local de nascimento). O pai de Katy era um grande proprietário de terras que viu sua fortuna diminuir com a Revolução Mexicana que lhe tomou parte do extenso patrimônio. Ainda assim Katy não teve do que se queixar na infância e adolescência, vindo a estudar Jornalismo num tempo em que poucas mulheres mexicanas iam à escola fundamental. Certo dia Katy disse aos pais que havia sido convidada por Emílio Fernández para ser atriz. Como o país inteiro conhecia a má fama de ‘El Índio’ os pais de Katy rechaçaram a ideia como se isso fosse suficiente para que ela desistisse da proposta. Apresentada por Fernández, Katy aos 19 anos estreou como atriz em 1943 no drama “No Matarás”, casando-se em seguida com o ator Victor Velásquez. Entre os muitos filmes feitos por Katy no México, destacam-se “Cárcere de Mulheres”, em que dividiu cela com Sara Montiel e Miroslava e "El Bruto". Este último foi dirigido por Luís Buñuel e deu a Katy Jurado a oportunidade em papel intensamente dramático interpretando a volúvel e possessiva 'Paloma' que leva à desgraça Andrés Soler e seu amante 'El Bruto', interpretado por Pedro Armendáriz.

Katy com Burt Lancaster em "Trapézio".
EXUBERANTE E CALIENTE - Ao contrário das muitas atrizes do cinema mexicano, Katy se destacava pela feição com acentuados traços típicos dos índios, além de ser sensual e exuberante como a própria ‘La Doña’ María Félix. Dona de personalidade forte Katy transferiu para seus personagens essa sua característica e interpretava invariavelmente mulheres possessivas que devoravam os homens sempre mais frágeis que ela. Ao se transferir para o cinema norte-americano Katy, mesmo tendo que interpretar personagens geralmente aviltados pelos poderosos homens brancos, jamais deixou de levar mulheres fortes para as telas. Katy Jurado atuou em três não-westerns que merecem ser lembrados: “A Fúria dos Justos”, com Glenn Ford; “Caminhos Sem Volta”, com Kirk Douglas, sobre corridas de automóveis com o também mexicano Gilbert Roland no elenco. O terceiro é “Trapézio”, com Burt Lancaster, Tony Curtis e Gina Lollobrigida.

Katy com o marido Ernie em 1961; abaixo em
"À Sombra do Vulcão".
FILMES NA EUROPA, NOVELAS NO BRASIL - Quando não havia bons papéis para ela nos Estados Unidos, Katy Jurado atravessava a fronteira e voltava para o México, onde nunca deixou de ser reverenciada como uma grande dama do cinema. Em 1963 Katy Jurado atuou em “La Bandida”, drama que teve no elenco María Félix, Pedro Armendáriz, Emílio Fernándes e Lola Beltran. Além do México, Katy filmou também na Itália, país em que atuou duas vezes com o marido Ernest Borgnine em “Barrabás”, protagonizado por Anthony Quinn e em “I Briganti Italiani”, com Vittorio Gassman e Rossana Schiaffino. Em 1978 Katy Jurado atuou mais uma vez ao lado de Anthony Quinn no filme mexicano “Os Filhos de Sánchez”, com a divina Dolores Del Río também no elenco. Divorciada de Ernest Borgnine, Katy Jurado não mais se casou e em 1981 sofreu um grande abalo com a morte do filho Victor Hugo num acidente de automóvel no México. Aos 60 anos de idade, em 1984 Katy Jurado interpretou ‘Señora Gregória’ em “A Sombra do Vulcão”, de John Huston. Voltando a residir em seu país, Katy Jurado fez todo tipo de trabalho, desde os filmes de terror tão ao gosto dos mexicanos (“La Puerta”, “La Mujer Del Carnicero”, “Hasta el Viento Tiene Miedo”) até as novelas de televisão que têm público igual ou maior que no Brasil. Depois de ver Katy tantas vezes em filmes, a atriz podia ser vista na TV brasileira, na rede SBT, que exibia as novelas produzidas no México.

Katy Jurado e Gary Cooper; abaixo Katy e o
Silver Ariel que ela recebeu quatro vezes.
PREMIADÍSSIMA ATRIZ - Em 1974 Katy Jurado atuou no filme mexicano “Fé, Esperança e Caridade” e sua interpretação nesse filme lhe valeu o ‘Silver Ariel’ (o Oscar mexicano), prêmio de Melhor atriz do Ano que já havia recebido em 1953 por “El Bruto”, de Buñuel. Em 1999, aos 75 anos de idade Katy Jurado recebeu outro ‘Silver Ariel’, desta vez como Melhor atriz Coadjuvante no filme “El Evangelio de las Maravillas”. Um quarto ‘Silver Ariel’ foi dado à atriz em reconhecimento ao seu trabalho no Exterior. Nos Estados Unidos, Katy recebeu um ‘Globo de Ouro’ por sua atuação em “Matar ou Morrer”, sendo a primeira atriz latino-americana a receber esse prestigioso prêmio. Igualmente importante para Katy Jurado foi receber o ‘Golden Boot Awards’ que lhe foi outorgado em 1992, prêmio que homenageia aqueles que contribuíram para a grandeza dos faroestes. Em Hollywood, Katy Jurado tem a sua estrela na Calçada da Fama, outra justa homenagem que lhe foi prestada em 1994. Os últimos trabalhos de Katy Jurado no cinema foram “The Hi-Lo Country”, em 1998, filme que Sam Peckinpah passou anos tentando inutilmente fazer. Em 2002, já bastante adoentada, Katy se despediu das telas no drama mexicano “Um Secreto de Esperanza”, fazendo o papel principal. Nesse mesmo ano de 2002, aos 78 anos de idade, Katy Jurado faleceu em Cuernavaca, Morelos (México), no dia 5 de julho vítima de problemas cardíacos e respiratórios. Há exatos dez anos o cinema perdeu uma atriz excepcional que interpretava como poucas mulheres fortes a quem os homens respeitavam. Uma atriz que com igual facilidade ser digna ou a mais cruel vilã, aquela que com um simples arquear de sua sobrancelha e seus profundos e enormes olhos negros intimidava hombres valientes ou mocinhos como Gary Cooper.


Álbum para tirar as dúvidas sobre a beleza de Katy Jurado.


3 de julho de 2012

JAKE, O GRANDÃO (Big Jake) – JOHN WAYNE NA ERA DA VIOLÊNCIA


Maureen O’Hara foi a mais perfeita leading-lady que John Wayne teve no cinema. Entendiam-se maravilhosamente bem nas filmagens numa das mais bonitas amizades entre um ator e uma atriz. Foram dirigidos por John Ford no singelo “Rio Grande”, no sublime “Depois do Vendaval” e no regular “Asas de Águia”. Em 1963 Maureen e Duke se reencontraram no engraçado “Quando um Homem é Homem” e “Jake, o Grandão” (Big Jake), de 1971, marcou o quinto e último encontro de Duke com Maureen nas telas. A ruiva atriz irlandesa está maravilhosa neste filme e para tristeza dos fãs sua participação é bem menor do que eles gostariam que fosse. Ver Duke e Maureen às turras num filme é sempre muito divertido, porém neste faroeste dirigido por George Sherman há pouco espaço para romance, sobrando violência do princípio ao fim.


Maureen no relógio de Jake, um
homem de muita autoridade.
A HESITAÇÃO DE JOHN WAYNE - George Sherman foi retirado da semi-aposentadoria em que estava quando o amigo John Wayne o convidou para dirigir para a Batjac (produtora do Duke), mais um western aparentemente de rotina. John Wayne vinha de um grande sucesso de bilheteria que foi “Bravura Indômita”, seguido de três westerns menos memoráveis e que atraíram público menor do que o de costume. Sherman leu e gostou do roteiro do casal Harry Julian Fink e Rita M. Fink. Harry e Rita foram autores de inúmeros roteiros para a série “O Paladino do Oeste” e criadores de ‘Dirty Harry’, que ajudou a consagrar Clint Eastwood. Ao contrário de Sherman, John Wayne queria reduzir drasticamente as inúmeras sequências que, no seu entender, continham desnecessária violência. Sherman lembrou a Wayne que o cinema e o próprio gênero não eram mais os mesmos e os nada poéticos filmes de Clint Eastwood arrastavam grande público aos cinemas. Compartilhava da opinião de Sherman o próprio filho de John Wayne, Michael Wayne, responsável pela produção de “Jake, o Grandão” e afinal Michael e Sherman convenceram John Wayne a mudar pouca coisa no roteiro. O Duke confiava que as cenas de humor amenizassem um pouco o filme, tornando-o mais palatável para o gosto de seu público, aquele público composto de toda a família reunida. Para ajudar estariam no elenco muitos dos atores que acompanhavam o Duke há décadas, começando por Maureen O’Hara. Além da atriz participariam do filme Bruce Cabot, com quem John Wayne já havia feito outros dez filmes. Outros velhos companheiros de Duke que Michael Wayne contratou foram Harry Carey, Jr., John Agar, Hank Worden, os ‘Chucks’ Roberson e Hayward. Para completar o elenco, no segundo papel em importância, outro amigo de John Wayne, o arquivilão Richard Boone. Como o filme era da Batjac, os filhos Patrick e Ethan Wayne ganharam também papéis importantes. E foram todos para Durango, no México, para mais um faroeste que iria custar quatro milhões de dólares (hoje 23 milhões de dólares).

Duke e o cão 'Dog' (acima);
 John Wayne com o paletózinho usado em
 tantos faroestes e que pelo tamanho deve
ter 
pertencido a Alan Ladd.
RESGATE DE UM MILHÃO - “Jake, o Grandão” surpreende e quase assusta desde o início pela crueldade com que o bando liderado por John Fain (Richard Boone), ataca a fazenda dos McCandless, assassinando dez pessoas para seqüestrar o pequeno Jacob McCandles (Ethan Wayne). Após o sequestro Fain exige um milhão de dólares, em notas de 20 dólares, pelo resgate do menino. Desesperada, a patriarca Martha McCandless recorre ao marido Jacob ‘Jake’ McCandless (John Wayne), de quem está separada há 18 anos. Jake, que andava pelo México e sequer conhece o neto, aceita reticentemente a ajuda de seus filhos James (Patrick Wayne) e Michael (Christopher Mitchum) e confia mesmo no velho apache Sam Sharpnose (Bruce Cabot). O quarteto parte para o local determinado para o pagamento do resgate acompanhado do cão de Jake, chamado ‘Dog’ e de uma mula em cujo lombo segue um enorme baú que leva o dinheiro. No momento do resgate o grupo se defronta com John Fain e seus homens, conseguindo aniquilar o sanguinário bando e libertar o neto de McCandles.

Onde antes cavalos saltavam agora saltam
motocicletas; primeiros automóveis ao lado de
cavalos e cavaleiros; Chuck Roberson dirigindo
um... Ranson Elis Olds; Duke na motoquinha.
O CAVALO VENCENDO O AUTOMÓVEL - A ação de “Jake, o Grandão” transcorre em 1909, ou seja, num tempo em que o Velho Oeste passa por uma transição com o surto iminente de modernização. As diligências começam a ser trocadas por veículos de quatro rodas impulsionados por motor de explosão e o próprio cavalo é substituído por motocicletas. Modernos revólveres são carregados pela coronha e disparam oito tiros de uma só vez, enquanto os rifles ganham miras telescópicas com os quais se consegue matar um veado a 500 metros de distância. E o herói do filme (Jake McCandles) é um avô um tanto fora de forma mas com inquestionável autoridade diante dos filhos ou dos durões e malfeitores que surgem pela frente. Apenas diante da esposa Martha, com quem não vive, é que Big Jake fala menos grosso. Além do afastado marido, Martha pede ajuda aos Texas Rangers e estes com seus pioneiros veículos ficam pelo caminho enquanto assistem Big Jake seguir em frente... a cavalo. Se há algo que pouco mudou naquela fronteira do Texas com o México é a sanha de facínoras como John Fain para quem matar dois ou dez é a mesma coisa. E é esse homem que o destemido Big Jake deve enfrentar.

Richard Boone invadindo a cavalo a
sala dos McCanless; os bandidos
Greg Palmer, Harry Carey, Jr. e
Roy Jenson; Duke com os óculos.
MESCLA DE HUMOR E VIOLÊNCIA - Diversas vezes no filme alguém diz a Big Jake: “Pensei que você tivesse morrido”, como que estranhando sua presença um tanto anacrônica. E a resposta é “That’ll be the Day”, a clássica frase que John Wayne pronuncia tantas vezes em “Rastros de Ódio” e cuja melhor tradução seria “pode esperar sentado”. A própria busca pelo neto em “Jake, o Grandão” remete àquele grande filme de John Ford. Outros westerns clássicos de John Wayne são citados, como “Caminhos Ásperos” com o cão da raça Groenendael (Pastor Belga) e os óculos que o envelhecido cowboy usa para ler, como havia feito em “Legião Invencível”, também de Ford. Referências à parte e mais que um western fora de seu tempo, “Jake, o Grandão” diverte com as tais modernidades e o faz absorvendo a linguagem menos contemplativa dos westerns clássicos. George Sherman realizou um filme que, sem deixar de ser um faroeste típico de John Wayne, pode satisfazer até mesmo os espectadores iniciados no gênero com as centenas de euro-westerns que tomaram o espaço dos faroestes produzidos nos Estados Unidos. Essa tendência pode ser percebida com os bandidos que são feios, sujos e malvados como os personagens quase repulsivos de Harry Carey Jr., Greg Palmer e mesmo Richard Boone. Sabe-se que Sherman adoeceu durante três das oito semanas de filmagens em Durango, quando John Wayne assumiu a direção. É bastante provável que esse fato tenha contribuído para que “Jake, o Grandão” tenha encontrado o quase perfeito equilíbrio com a mescla de humor e violência.

John Wayne com Ethan Wayne;
abaixo Patrick Wayne.
AÇÃO DE PRIMEIRA CLASSE - Sendo feito em família, John Wayne até abusa das sequências em que ‘ensina’ seus filhos a serem homens de verdade, refutando até mesmo ser chamado de ‘papai’. Diz ao filho Patrick: “Você pode me chamar de pai, Jake, Jacob ou mesmo de son-of-a-bitch; só não me chame de papai”, ao mesmo tempo em que distribui belos socos em Patrick e em outra cena no abusado Christopher Mitchum. Os melhores momentos de “Big Jake”, no entanto são aqueles em que John Wayne e Richard Boone travam batalhas de palavras e ao final de vigorosa ação John Wayne mata pela primeira vez no cinema um bandido usando um garfo de apanhar feno. Admiravelmente encenadas, as brutais sequências de ação são o ponto alto deste western que contou com um time de fantásticos stuntmen como Chuck Roberson (dublando o cansado John Wayne), Cliff Lyons, Chuck Hayward, Dean Smith e até Buddy Van Horn, dublê oficial de Clint Eastwood. O cinegrafista William H. Clothier produziu, como de hábito, belíssimas imagens não só do cenário natural de Durango mas também das cenas de ação. O confronto final entre Big Jake e o bando de John Fain (Boone) acontece numa construção histórica em que o Exército de Pancho Villa chacinou 750 contra-revolucionários na Revolução Mexicana. O maestro Elmer Bernstein produz uma empolgante trilha sonora repleta de variações melódicas e instrumentais como só ele é capaz de fazer.

Acima Bruce Cabot como 'Sam Sharpnose';
mais uma briga de Duke com Tom Hennesy;
Hank Worden como chauffeur
causando estranheza em John Wayne.
ADEUS DE BRUCE CABOT - “Jake, o Grandão” foi o último filme de Bruce Cabot, o ator principal do inesquecível “King Kong” e amigo de John Wayne. Juntos atuaram em “O Anjo e o Bandido”, “Os Comancheiros”, “Quando um Homem é Homem”, “Hatari”, “Os Boinas Verdes”, “Heróis do Inferno”, “Jamais Foram Vencidos”, “Gigantes em Luta”, “A Primeira Vitória” e “Chisum”. Apenas a morte (câncer) de Bruce Cabot em 1972 findaria a grande amizade. Interpretando uma espécie de índio sidekick de John Wayne, Bruce Cabot se juntou a Howard Keel (“Gigantes em Luta”) e a Neville Brand (“Cahill, o Xerife do Oeste”), atores que como índios atuaram em westerns de John Wayne. O Duke queria provar que era amigo dos índios e sempre dizia que havia matado muito mais brancos que índios em seus faroestes. Assim como fazia John Ford, John Wayne elencou um grupo de competentes e veteranos atores em “Jake, o Grandão”. E que prazer é rever num mesmo filme Hank Worden, John Agar, Harry Carey Jr., o gigante Tom Hennesy (que já havia surrado John Wayne em “O Álamo”), John Doucette, Jim Davis e Roy Jenson. Dos filhos de John Wayne o conhecido ‘Pat’ e o garoto Ethan, nome dado em homenagem ao personagem de “Rastros de Ódio”. Ambos insistiram em carreiras no cinema mas com resultados pífios se comparados com o glorioso pai. John Ethan Wayne completou 50 anos em fevereiro último. Distante também do carisma do pai ficou Christopher Mitchum, que neste filme de George Sherman interpreta o filho mais novo de John Wayne, pilotando uma motocicleta. Maureen O’Hara, nos poucos minutos em que atua, ilumina a tela com sua beleza e talento. “Jake, o Grandão” é diversão garantida, tanto que em 1971 arrecadou 80 milhões de dólares (em valores corrigidos), fazendo de John Wayne o campeão de bilheterias daquele ano. O Top-Ten Moneymakers de 1971 foi completado por Clint Eastwood, Paul Newman, Steve McQueen, George C. Scott, Dustin Hoffman, Walter Matthau, Ali Mac Graw, Sean Connery e Lee Marvin. Em 1972 John Wayne obteria outro grande sucesso em sua carreira com “Os Cowboys”, comprovando seu nem sempre reconhecido talento como ator.

Duke e Maureen no último encontro nas telas;
abaixo o baú com um milhão de dólares