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13 de junho de 2025

DESEJO DE VINGANÇA (HANNIE CAULDER)

 

 O nome de Burt Kennedy era um dos mais prestigiados do cinema, em se tratando de westerns. Isto porque nos anos 50 Kennedy havia sido o roteirista e/ou autor das histórias de cinco dos faroestes da série clássica interpretada por Randolph Scott, série iniciada por “Sete Homens Sem Destino” (Seven Men from Now). Passando à direção nos anos 60, Burt Kennedy rodou os elogiados “Gigantes em Luta” (The War Wagon), “Uma Cidade Contra o Xerife” (Support Your Local Sheriff) e “Latigo, o Pistoleiro” (Support Your Local Gunfighter). Em 1971 a produtora Curtwell, do casal Patrick Curtis e Raquel Welch decidiu produzir um western que tivesse como protagonista a própria Raquel e que seria filmado em Almería, na Espanha, onde os custos eram muito inferiores aos dos Estados Unidos. Raquel seria ‘Hannie Caulder’ e para compor o elenco foram chamados Robert Culp, que adquirira fama com a série de TV “I Spy” (Os Destemidos) e seu último filme - “Bob and Carol and Teddy and Alice” - se tornara um dos maiores sucessos de 1969. Além de Culp foram contratados Ernest Borgnine, Jack Elam e Strother Martin, completando o elenco principal. Artistas conhecidos como Christopher Lee, Stephen Boyd e Diana Dors foram chamados para participações especiais e tudo indicava que “Hannie Caulder”, que no Brasil recebeu o título “Desejo de Vingança” seria um sucesso de bilheteria, o que acabou não acontecendo, sendo bem recebido na Europa mas fracassando nos Estados Unidos, mesmo tendo este filme de Burt Kennedy muitas qualidades.

 

Vingança passo a passo - Emmett (Ernest Borgnine), Frank (Jack Elam) e Rufus (Strother Martin) são os irmãos Clemens, trio de malfeitores desastrados que fogem dos Federales após um frustrado assalto a banco, no México. Esgotados pela fuga chegam a um posto de diligências onde matam o administrador Jim Caulder (Bud Strait), estupram sua esposa Hannie (Raquel Welch) e ateiam fogo ao posto. Surge no local o caçador de recompensas Thomas Luther Price (Robert Culp) que entende ser justo o desejo de vingança da mulher violentada e a ensina a manejar um revólver. Price leva Hannie até o México onde vive Bailey (Christopher Lee), um armeiro amigo seu que fábrica um revólver especial para Hannie. De retorno aos Estados Unidos chegam a uma pequena cidade e descobrem que lá também estão os irmãos Clemens. Price pretendia prender os irmãos e receber as recompensas mas Emmett o atinge com uma faca, e Price morre. Hannie agora tem dupla razão para se vingar e primeiro se defronta com Frank e mais rápida ao sacar mata o fora-da-lei. Em seguida é a vez de Rufus, que mesmo armado com carabina de cano duplo é morto por Hannie. O encontro com Emmett se dá em uma prisão desativada onde Hannie consuma sua vingança.

 

Raquel Welch

Fugindo da seriedade - A influência dos Westerns Spaghetti era sentida nos faroestes norte-americanos, especialmente quanto à violência mostrada na tela. E “Desejo de Vingança” era uma história com conteúdo violento, mas Burt Kennedy, que gostava de acrescentar pitadas de comédia em seus filmes, quis mesclar dramaticidade com risos provocados pelo trio de bandidos que lembram os Três Patetas, com Emmett, o irascível irmão mais velho nunca perdoando a estupidez de Rufus, o caçula. Ainda que Borgnine, Elam e Martin sejam talentosos e já deram provas de serem bons na criação de tipos jocosos, as trapalhadas do trio não funcionam bem neste western e fica-se a imaginar se não seria melhor ter explorado o lado sádico de cada um desses atores. Histórias de vingança requerem tensão constante e essa tensão é quebrada a cada confusão dos Clemons após o que não faltam xingamentos, tapas e chutes. De todos os momentos pretensamente engraçados promovidos pelos irmãos, o único que faz rir é o desespero de Rufus, o mais idiotizado dos três, que não consegue participar do estupro coletivo porque Emmett e Frank não lhes cedem a vez, o que o leva a mais um acesso de raiva e a atear fogo na casa dos Caulder.

 

Ernest Borgnine, Jack Elam, Strother Martin

Prioridade para matar - Um ingrediente bastante criativo no roteiro é o fato de Thomas Price ser um respeitado caçador de recompensas a ponto de atemorizar um dos xerifes quando a ele se apresenta para receber uma recompensa. O sheriff treme diante dele. E Price sabe que cada um dos irmãos Clemens significa dinheiro em seu bolso, ao mesmo tempo que sua admiração por Hannie aumenta enquanto ele melhor a vai conhecendo. Sentimento recíproco e que resulta em um dos momento fracos do filme quando caminham na areia do mar, enamorados à luz do luar. Apesar de Price ser frio como deve ser um caçador de recompensas e Hannie ter olhos apenas para a vingança, ambos imaginam uma possível vida juntos, ele com crianças ao redor e ela refazendo o lar destruído. Price sabe que a prioridade da morte dos Clemons é dela em seu desejo justificado de vingança, mas adverte Hannie dizendo que ela não conseguirá executar a missão a que se propõe contra três bandidos inescrupulosos. Price morre antes de se defrontar com os bandidos, morto por Emmett, mais rápido que ele ao lançar uma certeira faca em seu abdome com tempo ainda de se desviar do tiro desferido pelo pistoleiro. Kennedy fez uso de câmera lenta e aí não tem jeito, lembramos inevitavelmente de Sam Peckimpah e o que ele faria com um roteiro como o de “Desejo de Vingança”.

 

Robert Culp e Raquel Welch

Raquel sensual e Culp perfeito - Nenhuma outra atriz de Hollywood foi mais bonita e sensual que Raquel Welch naqueles anos 60/70. A atriz era a campeoníssima da venda de pôsteres que emolduravam as paredes, o que era moda naquele tempo. Sua foto ampliada do filme “Mil Séculos Antes de Cristo” estava em centenas de milhares de quartos de rapazes no mundo todo. Os anúncios de “Desejo de Vingança” chamavam a atenção para a seminudez de Raquel, coberta apenas por um poncho e ninguém poderia reclamar deste western se pagou para vê-la provocante e linda. Seria demais exigir que fosse também ótima atriz na proporção de sua beleza, o que ela nunca pretendeu ser e Raquel saiu-se bem como a viúva vingativa. Porém quem surpreende de verdade é Robert Culp, uma perfeita cópia de Henry Fonda de quem tem o estilo comedido e simplista de atuar, sem excesso algum. Excelente como o pistoleiro caçador de recompensas. Sua aula de manejo e disparo de revólver ensinando Hannie Caulder é um momento brilhante do filme, que aproveita e mostra como era a fabricação artesanal de um revólver por um armeiro.

 

Robert Culp e Christopher Lee

Único faroeste de Christopher Lee - Ainda entre os bons momentos de “Desejo de Vingança” está a morte de Ernest Borgnine, muito bem coreografada e ele com as expressões inimitáveis que o consagraram. Jack Elam ao enfrentar Hannie Caulder mostra porque ele foi um dos grandes vilões do cinema. Strother Martin repete-se a cada sequência nada inventando na idiotice do personagem Rufus. Nos créditos iniciais não aparece o nome de Stephen Boyd que tem curta participação em apenas duas sequências interpretando outro caçador de recompensas sem que haja uma explicação para suas aparições, inclusive na velha prisão abandonada. Diana Dors foi a resposta inglesa para Marilyn Monroe e interpreta uma cafetina. Em sua longa carreira Christopher Lee fez somente um único western e ele é o tranquilo armeiro que se retira no México onde faz mais filhos que armas. Um desses filhos é Paco de Lucia, o famoso instrumentista espanhol, em rápida aparição. Embora filmado na Espanha, “Desejo de Vingança” não utiliza muitos dos conhecidos coadjuvantes dos westerns spaghetti e somente Aldo Sambrell e Luís Barboo estão entre os rostos mais familiares. Para variar os mexicanos aparecem como preguiçosos federales na sequência do primeiro assalto a banco praticado pelos irmãos Clemens. Todos dormindo enquanto o banco é assaltado. E mesmo no ataque de um grupo de bandidos mexicanos, doze ao todo, à casa do armeiro, são rechaçados e somente quatro sobrevivem, em demonstração que além de preguiçosos são ruins de pontaria. Não sem razão o governo mexicano sempre faz restrições a muitas filmagens em seu país.

 

Christopher Lee, Stephen Boyd e Raquel Welch

Raquel/Hannie Caulder: inesquecível - “Desejo de Vingança” é um bom faroeste mas daqueles filmes que deixam a impressão que poderiam ser melhor. Burt Kennedy não foi creditado como roteirista mas consta que fez diversas alterações no roteiro deste western. O filme seguinte de Kennedy foi “Os Chacais do Oeste” (The Train Robbers), com John Wayne e Ann-Margret, faroeste que, assim como “Desejo de Vingança” estão em nível inferior se comparados aos melhores trabalhos de Burt Kennedy como diretor. E a partir de então Kennedy passou a se dedicar mais a filmes feitos para a televisão, entre eles diversos faroestes, o mais conhecido a sua versão para a defesa do Álamo em “Álamo - 13 Dias de Glória” (Alamo - Thirteen Days to Glory), com James Arness como Jim Bowie. E Raquel Welch, que havia atuado em “O Preço de um Covarde” (Bandolero!) e em “100 Rifles” (sobre a Revolução Mexicana), despediu-se do gênero como Hannie Caulder, num western que se não se tornou ium clássico, pelo menos tornou a imagem da bela atriz vestida apenas com um poncho é inesquecível. Digna de um pôster.

Raquel Welch

Ernest Borgnine

Jack Elam

Strother Martin

Raquel Welch com Ernest Borgnine, Strother Martin e Jack Elam

Raquel Welch

20 de setembro de 2024

ENQUETE TOP-TEN WESTERNS - CLASSIFICAÇÃO FINAL

 


  A enquete feita pelo WESTERNCINEMANIA contou com 75 listas indicativas dos Top-Tens de leitores do blog e outras cinco listas de escritores e críticos. Essas cinco listas são, respectivamente, de autoria de Ruy Castro, cuja lista de melhores faroestes foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo; Christopher Frayling, Tom Betts, Alex Cox e Howard Hughes, estas quatro últimas extraídas do livro ‘Once Upon a Time in the Italian West’ de autoria de Howard Hughes. Os 80 Top-Tens indicaram um total de 170 westerns e a contagem para apuração da classificação final obedeceu ao seguinte critério 1.º / 10 pontos; 2.º / 9 pontos; 3.º / 8 pontos; 4.º / 7 pontos; 5.º / 6 pontos; 6.º e 7.º colocados / 5 pontos; 8.º, 9.º e 10.º colocados / 4 pontos. As pontuações do 6.º ao 10.º colocados visaram diminuir a enorme diferença que os separaria, em pontuação, dos filmes demais da lista, diferença que em termos de qualidade é pequena, para não dizer quase inexistente. Tanto que alguns votantes declinaram em colocar suas listas em ordem de qualidade decrescente, dando a todos os filmes a mesma menção. Para estes casos foi considerada a média de seis pontos para cada um dos dez filmes. Tais critérios foram adotados por parecer serem os mais próximos de se chegar à classificação final de forma a mais justa, no entender do administrador do blog. Os números entre a classificação e o título do western indica o número de pontos obtidos por cada filme.

  Agradeço a todos que colaboraram com a enquete, especialmente a Laudney Mioli.

   1.º) 427 Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  2.º) 395 Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  3.º) 292 Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinneman

  4.º) 263 No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  5.º) 184 O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance), 1962 - Dir.: John Ford

  6.º) 179 Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 - Dir.: Howard Hawks

  7.º) 178 Era uma Vez no Oeste (C’Era una Volta il West), 1968 - Dir.: Sergio Leone

  8.º) 142 Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 - Dir.: Sam Peckinpah

  9.º) 141 Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 - Dir.: John Sturges

10.º) 124 Rio Vermelho (Red River), 1948 - Dir.: Howard Hawks

 

11.º) 117 Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), 1958 - Dir.: William Wyler

12.º) 116 Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo) 1966 - Dir.: Sergio Leone

13.º) 115 Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 - Dir.: John Ford

14.º) 88 Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 - Dir.: Robert Aldrich

15.º) 80 Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 - Dir.: Clint Eastwood

16.º) 65 Johnny Guitar (Johnny Guitar), 1954 - Dir.: Nicholas Ray

17.º) 62 Sem Lei e Sem Alma Gunfight at the OK Corral, 1957 - Dir.: John Sturges

18.º) 60 Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill), 1959 - Dir.: John Sturges

18.º) 60 Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più), 1965 - Dir.: Sergio Leone

20.º) 58 O Último Pistoleiro (The Shootist), 1976 - Dir.: Don Siegel

 

21.º) 52 O Matador (The Gunfighter), 1949 - Dir.: Henry King

22.º) 51 Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident), 1942 - Dir.: William A. Wellman

23.º) 47 Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962 - Dir.: Sam Peckinpah

24.º) 46 Butch Cassidy e Sundance Kid (Butch Cassidy), 1969 - Dir.: George Roy Hill

24.º) 46 O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio), 1968 - Dir.: Sergio Corbucci

26.º) 41 Dança com Lobos (Dances with Wolves), 1990 - Dir.: Kevin Costner

27.º) 40 Sangue de Heróis (Forte Apache), 1948 - Dir.: John Ford

28.º) 39 Pacto de Justiça (Open Range), 2003 - Dir.: Kevin Costner

29.º) 38 O Dia da Desforra (La Resa dei Conti), 1967 - Dir.: Sergio Sollima

30.º) 37 O Último Pôr-do-Sol (The Last Sunset), 1961 - Dir.: Robert Aldrich

 

31.º) 33 Winchester 73 (Winchester ’73), 1950 - Dir.: Anthony Mann

32.º) 29 O Intrépido General Custer (They Died with Their Boots On), 1941 - Dir.: Raoul Walsh

33.º) 28 O Cavaleiro Solitário (Pale Rider), 1985 - Dir.: Clint Eastwood

33.º) 28 Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 - Dir.: Budd Boetticher

35.º) 27 A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1961 - Dir.: Marlon Brando

35.º) 27 Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 - Dir.: King Vidor

35.º) 27 O Preço de um Homem (The Naked Spur), 1953 - Dir.: Anthony Mann

38.º) 26 Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon), 1949 - Dir.: John Ford

39.º) 25 Estigma da Crueldade (The Bravados), 1958 - Dir.: Henry King

39.º) 25 Uma Bala para o General (Quien Sabe?/Gringo) 1967 - Dir.: Damiano Damiani

 

41.º) 24 Os Profissionais (The Professionals), 1966 - Dir.: Richard Brooks

41.º) 24 Tombstone: a Justiça Está Chegando (Tombstone), 1993 - Dir.: George P. Cosmatos

43.º) 21 Minha Vontade é Lei (Warlock), 1959 - Dir.: Edward Dmytryk

43.º) 21 Cavalgada Trágica (Comache Station), 1960 Dir.: Budd Boetticher

45.º) 20 Josey Wales, o Fora da Lei (Outlaw Josey Wales), 1976 - Dir.: Clint Eastwood

46.º) 19 O Álamo (The Alamo), 1960 - Dir.: John Wayne

47.º) 18 Django (Django), 1966 - Dir.: Sergio Corbucci

48.º) 17 Conquistadores (Western Union), 1941 - Dir.: Fritz Lang

49.º) 16 Gatilho Relâmpago (The Fastest Gun Alive), 1956 - Dir.: Russell Rouse

49.º) 16 Homem sem Rumo (Man Without a Star), 1954 - Dir.: King Vidor

49.º) 16 O Homem dos Olhos Frios (The Tin Star), 1957 - Dir.: Anthony Mann


14 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE DARCI FONSECA

 


    Muitos seguidores do WESTERNCINEMANIA através destes anos todos nos quais perdurou a pesquisa Top-Ten Westerns cobraram a publicação da minha lista dos melhores faroestes. De certa forma fugi dessa responsabilidade porque não é tarefa fácil deixar de fora alguns faroestes magníficos e fui adiando minha lista. A enquete chegou ao fim e não há mais como ‘esconder’ meus western favoritos. Lamento não ter incluído entre eles “Pistoleiros do Oeste” (Lonesome Dove) porque originalmente foi produzido como série de TV e ao ser editado para ser exibido nos cinemas, com redução de 170 minutos perdeu muito do original. “Lonesome Dove" estaria no meu Top-Ten, não fosse contrariar a regra de considerar somente filmes e não séries. “Rastros de Ódio” é o faroeste que eu mais gosto e talvez gostar nem seja o verbo que exprima o que eu sinto por esse western grandioso. Muitos amigos que elaboraram suas listas adicionaram uma sequência de mais 10 e até 20 westerns (os runners up), o que faço também para poder citar a admiração que tenho, especialmente por Anthony Mann e John Sturges, e por westerns que ficaram fora dos meus dez melhores e que são nada menos que excepcionais.

 

Natalie Wood e John Wayne em
"Rastros de Ódio", de John Ford

  1.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  2.º) Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch), 1969 - Dir.: Sam Peckinpah

  3.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance), 1962 - Dir.: John Ford

  4.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 - Dir.: Howard Hawks

  5.º) Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), 1946 - Dir.: John Ford

  6.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  7.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinneman

  8.º) O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio), 1968 - Dir.: Sergio Corbucci

  9.º) Pacto de Justiça (Open Range), 2003 - Dir.: Kevin Costner

10.º) O Cavaleiro Solitário (Pale Rider), 1985 - Dir.: Clint Eastwood

 

Robert Ryan e James Stewart em
"O Preço de um Homem", de Anthony Mann

 Outros 20 westerns que poderiam perfeitamente estar no meu Top-Ten Westerns:

 

Consciências Mortas (The Ox-Bow Incident), 1942 - Dir.: William A. Wellman

Rio Vermelho (Red River), 1948 - Dir.: Howard Hawks

Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon), 1949 - Dir.: John Ford

O Preço de um Homem (The Naked Spur), 1953 - Dir.: Anthony Mann

Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 - Dir.: Robert Aldrich

Homem sem Rumo (Man Without a Star), 1954 - Dir.: King Vidor

Um Certo Capitão Lockhart (The Man from Laramie), 1955 - Dir.: Anthony Mann

Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 - Dir.: Budd Boetticher

Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957 - Dir.: Delmer Daves

Estigma da Crueldade (The Bravados), 1958 - Dir.: Henry King

Duelo de Titãs (Last Train from Gun Hill), 1959 - Dir.: John Sturges

Minha Vontade é Lei (Warlock), 1959 - Dir.: Edward Dmytryk

O Passado não Perdoa (The Unforgiven), 1960 - Dir.: John Huston

Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 - Dir.: John Sturges

Pistoleiros do Entardecer (Ride the High Country), 1962 - Dir.: Sam Peckinpah

Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più), 1965 - Dir.: Segio Leone

Era uma Vez no Oeste (C’Era una Volta il West), 1966 - Dir.: Sergio Leone

Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 - Dir.: Clint Eastwood

Bravura Indômita (True Grit), 2010 - Dir.: Ethan Cohen/Joel Cohen

 

Jeff Bridges como 'Rooster Cogburn'
no remake de "Bravura Indômita"


6 de setembro de 2024

TOP-TEN WESTERNS DE ANTÔNIO DA CUNHA PENNA

 


  Antônio da Cunha Penna é mineiro de Santa Bárbara, uma das cidades históricas do ciclo do ouro de Minas Gerais, e aos doze anos de idade se mudou com a família para Indaiatuba. Poucos indaiatubenses amam mais essa cidade que Antônio, ou Penna como ele é mais conhecido devido a suas múltiplas atividades, quase todas elas relacionadas com a cultura. Depois de assistir “Blow-Up”, filme inglês de 1966 em que o ator David Hemmings interpreta um fotógrafo, Penna decidiu que queria ser fotógrafo, passando a clicar suas objetivas Nikon ou Mamiya pelas décadas seguintes. Essa atividade o levou a viver o dia a dia de Indaiatuba, registrando com suas lentes praticamente tudo que acontecia na cidade. A fotografia é uma arte, mas Penna não se contentava com as fotos caprichadas que fazia e não conteve outros dons nos quais demonstrou excelência igual à do fotógrafo. Enveredou então pela música e pela literatura tornando-se compositor e autor, tendo sido lançado recentemente seu quarto livro, intitulado “Retrovisões”. Escreveu crônicas para a ‘Revista da Tribuna’, posteriormente publicadas no livro “Só Dói Quando Dou Risada”. Figura das mais conhecidas de Indaiatuba, Penna ocupou cargos importantes em praticamente todos os órgãos culturais da cidade e não se afastando da fotografia foi cofundador do Fotoclube ‘Olhar Fotográfico’, da Casa da Memória e do Cineclube Indaiatuba. Como escritor Penna gosta e muito de escrever sobre o cotidiano da cidade que o acolheu e o referido “Retrovisões” escrito em forma dos saudosos almanaques, faz um levantamento das atividades culturais desenvolvidas por lá desde o início do século passado, com destaque para o cinema.

 

Alguns dos livros de Antônio da Cunha Penna;
e o premiado fotógrafo de tantas e tantas exposições

         Em “Retrovisões” acompanha-se semana a semana as programações dos desaparecidos Cine Rex e Alvorada, até chegar ao Cine Topázio com seus programas especiais dedicados à faixa de público que viveu os dias esplendorosos do Rex e do Alvorada. E Penna não esconde a saudade dessas décadas e dos grandes filmes que assistiu. Curiosamente, a primeira imagem que viu em um cinema o assustou: era Charles Starrett como Durango Kid, imenso na tela montado em seu cavalo branco chamado ‘Raider’. Depois o menino se acostumou e passou a vibrar com os mocinhos como Roy Rogers com quem logo simpatizou e que, segundo Penna, “...Tinha cara de pediatra, era casado e pouco atlético. Diferente dos demais: antes de reagir apanhava além do necessário. Quando menos se esperava começava a cantar... Os outros heróis eram solteiros e cheios de espertezas. Partiam logo para a briga e não titubeavam em sacar a arma. Se bem que gostasse deles, Roy Rogers me parecia familiar”. Esse livro contendo muita informação é entremeado pelas observações argutas, objetivas, muito sinceras e não raro irônicas do autor. E não é que o Penna lembra que Lorna Gray (Adrian Booth) como a vilã ‘Vultura’ era mais sensual que a insípida e tão querida pelo público Kay Aldridge, do seriado “Perigos de Nyoka”? Mais adiante Penna confessa que foi apaixonado por Deborah Kerr (quem não foi?) e que ficou tomado de ciúmes ao vê-la com Burt Lancaster na sequência do beijo na praia em “A Um Passo da Eternidade”. Com o cinema presente em quase todas as páginas com pelo menos um tópico em cada uma delas, o autor relembra ter criado a primeira locadora de Indaiatuba e antes de ser cofundador do Cineclube Indaiatuba ele quase fez parte da célebre confraria chamada de ‘Legionários’, que se reunia semanalmente para assistir filmes e seriados que os cinemas não mais exibiam. Saboroso de forma geral pelo estilo de escrever do autor, “Retrovisões” desperta certa melancolia quando Penna fala do fim dos Cine Rex e Alvorada, tristeza logo superada ao citar o Cine Topázio com seus imperdíveis programas promovidos pelo exibidor Paulo Lui.

 

Durango Kid montado em Raider; Kay Aldridge,
a Nyoka com o punhal; o pensativo Roy Rogers;
e a maravilhosa Deborah Kerr

         “Shane” é o faroeste preferido de Penna que em seu “Retrovisões” escreve  “...Os Brutos Também Amam esconde tanto quanto explícita. É a arte sublimando a realidade. Só grandes artistas conseguem tal façanha sem soar falso. É, sem dúvida, um clássico absoluto”. Em outro trecho Penna fala da música de “Shane”: “...Não sei o que há na música ‘The Call of the Faraway Hills’ (O chamado das colinas distantes), de Victor Young. Seu caráter reverente e ritmo em sintonia com a cadência do cavaleiro solitário chegando à pradaria me levam para aquele mundo onde, uma hora e 59 minutos depois, dou por mim com os olhos úmidos em razão dos gritos desesperançados do menino Joey”. Da primeira imagem de Durango Kid à do cavaleiro dos vales perdidos do filme de George Stevens, Antônio da Cunha Penna assistiu a um número incontável de faroestes e para o blog Westerncinemania ele relacionou o seu Top-Ten Westerns que é este:

  

Penna diante do cenário de seu faroeste preferido

  1.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 - Dir.: George Stevens

  2.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 - Dir.: John Ford

  3.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 - Dir.: Fred Zinnemann

  4.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man who Shot Liberty Valance), 1962 - Dir.: John Ford

  5.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 - Dir.: John Ford

  6.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Una Volta Il West), 1968 - Dir.: Sergio Leone

  7.º) Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 - Dir.: Budd Boetticher

  8.º) O Último Pôr-do-Sol (The Last Sunset), 1961 - Dir.: Robert Aldrich

  9.º) Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 - Dir.: Clint Eastwood

10.º) A Face Oculta (One-Eyed Jacks), 1960 - Dir.: Marlon Brando

 

Penna com o grande amigo Laudney Mioli no 'Pingado, Pão e Manteiga" semanal que ocorre aos sábados em Indaiatuba


12 de outubro de 2016

FIBRA DE HERÓI (BUCHANAN RIDES ALONE) – WESTERN ERRÁTICO DE SCOTT-BOETTICHER


Burt Kennedy e o livro de Jonas Ward.
São frequentes os comentários afirmando que os melhores westerns da celebrada parceria entre Budd Boetticher-Randolph Scott são aqueles quatro que tiveram histórias ou roteiros escritos por Burt Kennedy. E são comumente citados entre os mais fracos da série “Entardecer Sangrento” (Decision at Sundown), de 1957 e “Fibra de Herói” (Buchanan Rides Alone), de 1958. Coincidentemente ambos tiveram roteiros creditados a Charles Lang, sendo que quanto a “Fibra de Herói” o próprio Burt Kennedy fez certa vez um importante esclarecimento. Kennedy contou que Charles Lang adoeceu mal iniciado o roteiro deste filme e os produtores Randolph Scott-Harry Joe Brown pediram a ele Kennedy que concluísse o script. Se “Fibra de Herói” foge do clima sombrio dos demais faroestes da série Scott-Boetticher isso se deve, sem dúvida, ao inusitado tom pretensamente divertido que Burt Kennedy resolveu dar ao roteiro, ele que se tornaria um mestre dos westerns-comédia em seus próximos trabalhos como roteirista e diretor. “Fibra de Herói” foi baseado no livro “The Name’s Buchanan”, de autoria de Jonas Ward, que escreveria em seguida uma série de histórias com o mesmo personagem ‘Buchanan’.


Tom Buchanan chega a Agry Town.
A cidade dos irmãos Agry - Depois de lutar numa das revoluções mexicanas, onde ganhou dois mil dólares, o solitário Tom Buchanan (Randolph Scott) decide retornar ao Texas. Chega então a Agry Town, pequena cidade na fronteira entre México e Califórnia, lugarejo controlado pelos três irmãos Agry. Simon Agry (Tol Avery) é o juiz, Lew Agry (Barry Kelley) é o xerife e Amos Agry (Peter Whitney) dirige o hotel. Mal recebido em Agry Town, Buchanan testemunha quando o mexicano Juan De La Vega (Manuel Rojas) mata Roy Agry (William Leslie), filho do juiz Simon. Um júri condena Juan à forca mas Abe Carbo (Craig Stevens), amigo e conselheiro do juiz o orienta a salvar a vida do mexicano em troca de 50 mil dólares a serem pagos pela rica família De La Vega. Com a ajuda de Buchanan e de Pecos Hill (L.Q. Jones), um dos ajudantes do xerife que se torna amigo de Buchanan, Juan consegue escapar mas é recapturado em seguida. Os irmãos Simon e Lew disputam entre si a posse do dinheiro pago pelo resgate de Juan e nessa disputa acabam ambos mortos. Ao final Juan retorna ao México com os 50 mil dólares, Abe Carbo herda o poder em Agry Town e Buchanan ruma para seu amado Texas.

Manuel Rojas e Randolph Scott;
Randolph Scott e L.Q. Jones.
Herói desfibrado - Um dos mais queridos cowboys do cinema, Randolph Scott recebeu o apelido de ‘Rosto de Pedra’ pela impassividade de sua fisionomia, mesmo quando submetido a momentos de tensão. Scott, porém, sabia sim se mostrar descontraído, cínico e mesmo dramático se o personagem assim o exigisse. Difícil, porém, é interpretar um cowboy estúpido, quase idiotizado como o Tom Buchanan de “Fibra de Herói”, título em Português inteiramente inadequado uma vez que o herói do filme não chega a demonstrar muita energia e garra. Buchanan até que se mostra divertido ao chegar a Agry Town desmoralizando com seu humor pilhérico os irmãos que dominam a cidade que apelida de ‘Ten Dollars Town’. Tudo lá, seja um bife, uma garrafa de uísque, um ou mais dias no hotel, custa exatamente essa quantia. Conseguindo sair de uma enrascada quando já estava com a corda no pescoço, Buchanan quer reaver seus dois mil dólares que foram parar no cofre do xerife Lew Agry, mas se dá mal e assina nova sentença de morte ao ser convidado a sumir da cidade. Porém como texano com texano se entende, eis que Buchanan ganha a preciosa ajuda de seu conterrâneo Pecos Hill que o salva da morte certa sem que o desfibrado herói esboce qualquer reação. E Buchanan já havia sido salvo da forca por razões de marketing político arquitetado por Abe Carbo, o assessor do juiz Simon Agry. A esta altura ninguém mais acredita que o grande Randolph Scott, jocosamente reverenciado em “Banzé no Oeste” (Blazing Saddles), seja capaz de vencer os gananciosos irmãos Agry. E vale lembrar que na clássica comédia de Mel Brooks tudo na cidade dirigida por ‘Hedley Lemar’ pertencia a um certo Johnson, o Agry local.

Acima L.Q. Jones com Roy Jenson e
Al Wyatt Sr.; abaixo os mal amarrados
 Roy Jenson, Robert Anderson
e Al Wyatt Sr.
Western desorientado - Sem boas lutas e sem cavalgadas, “Fibra de Herói” provoca risos com o discurso de Pecos Hill ao ‘enterrar’ um bandido que matara, seu ex-companheiro, sobre uma árvore porque a cova aberta por Buchanan minava água. O personagem de L.Q. Jones diz então que o morto até que não era ruim, apesar de trapacear no jogo de cartas e lhe roubar dinheiro da carteira. Buchanan parece perder até nas falas engraçadas como essa, mas se recupera em alto e obtuso estilo ao dominar três bandidos dentro de uma cabana. O Randolph Scott, de tantas e gloriosas aventuras usa cordas para enlaçar levemente o trio e parte do local ali deixando as armas e cavalos dos malfeitores. Poucos segundos depois os bandidos que sem dificuldade alguma se soltaram das cordas estão a cavalo e armados no encalço daqueles que os dominaram. Nem Mel Brooks criaria um herói como Buchanan que, após a demonstração de total inépcia, deixa as coisas acontecerem segundo determinam os cobiçosos Agry, os valientes Juan De La Vega e Estebán Gomez e o misterioso e elegante Carbo. Morto o aparvalhado Pecos Hill, Buchanan passa a ser privilegiado espectador do desfecho deste decididamente western sem rumo.

Barry Kelley e Peter Whitney;
o barman é Nacho Galindo.
O estranho personagem da charrete - A sequência final com a disputa do alforje com 50 mil dólares sobre a ponte que separa Agry Town do México poderia resultar memorável em meio aos grandes momentos dos westerns de Scott-Boetticher. No entanto logo Buchanan se vê sem balas em seu Colt e do outro lado da ponte não há entre os bandidos nenhum Lee Marvin, Richard Boone, Claude Akins, Henry Silva ou Lee Van Cleef, homens maus que aterrorizaram os personagens vividos por Scott nos faroestes que fez com Budd Boetticher. Os bandidos de “Fibra de Herói” bem poderiam atender pelos nomes ‘Moe’, ‘Larry’ e ‘Curly’ e Peter Whitney, muito apropriadamente é chamado pelo irmão xerife de ‘frango sem cabeça correndo pelas ruas’. Sem vilões interessantes, com Randolph Scott aparentemente mais preocupado com suas partidas de golfe e com uma história que mais parece ter sido escrita por alguém que tomou algumas doses a mais, “Fibra de Herói” é o que se pode chamar de western errático. Deixa, ao final, no espectador a interrogação sobre o que pretendiam os autores com o personagem ‘Abe Carbo’, com seus trajes a la ‘Wilson’ criado por Jack Palance em "Shane", mas que não luta, não atira, está sempre ao lado de um pachorrento juiz e só anda numa reluzente charrete.

Craig Stevens na charrete; Stevens com Tol Avery.

L.Q. Jones
Filme sem heroína - O elenco deste western de Budd Boetticher possui apenas um destaque que é L.Q. Jones ainda novato e sem o brilho bestializado no olhar que o caracterizaria ao longo de sua carreira de muitos filmes, diversos deles sob as ordens de Sam Peckinpah. Neste western de Boetticher, Jones tem um de seus melhores papéis, possibilitando demonstrar o ótimo ator que ele era, nem sempre bem aproveitado e relegado invariavelmente a personagens irrelevantes. Randolph Scott não precisou se esquivar do beijo final, como tantas vezes o fez em seus filmes pois não há mocinhas neste western. Craig Stevens em seu trabalho seguinte se tornaria famoso como ‘Peter Gunn’, série imortalizada antes de tudo pelo incomparável tema musical criado por Henry Mancini. Atenção para a presença de Roy Jenson como um dos homens do xerife e de Al Wyatt Sr., desta vez como ator, ele que foi dublê de incontáveis cowboys do cinema.

Budd Boetticher
Ponto baixo - Inquestionavelmente Budd Boetticher merece ter seu nome entre os grandes diretores de westerns, mas quem quiser conhecer a obra desse aventureiro diretor não deve jamais começar por este fraco “Fibra de Herói”. Boetticher é reconhecido pela concisão e vigor de seus faroestes, todos eles produzidos com orçamentos pequenos mas que resultaram quase sempre em filmes brilhantes, quando não em pequenas obras-primas como “Sete Homens Sem Destino” (Seven Men From Now) e “O Homem que Luta Só” (Ride Lonesome). E são faroestes como estes que tornam “Fibra de Herói” quase indigno do nome de Budd Boetticher, ainda mais por ter contado com a colaboração de Burt Kennedy.



"Fibra de Herói" foi gentilmente cedido pelo cinéfilo e colecionador Marcelo Cardoso.

23 de abril de 2016

NO RASTRO DOS BANDOLEIROS (SHOOT-OUT AT MEDICINE BEND) – O MAIS DIVERTIDO WESTERN DE RANDOLPH SCOTT


Randolph Scott entre Angie Dickinson e
Dani Janssen.
“No Rastro dos Bandoleiros” foi lançado em 1957 depois de permanecer dois anos nas prateleiras da Warner Bros., filmado que foi em 1955. A razão desse retardamento foi devido ao fato de, nesse ano, Randolph Scott ter feito outros quatro faroestes e cinco filmes num ano é quase uma overdose, mesmo em se tratando dos aguardados westerns de Randy. “No Rastro dos Bandoleiros” havia sido filmado em preto e branco, o que nada ajudava, tendo sido o único western não em cores de Scott na década de 50, além do que o elenco não trazia nenhum nome de real destaque além do prestigiado ator. E o diretor era o pouco conhecido Richard L. Bare, mais um ponto desfavorável ao filme que tinha em sua maior parte Scott vestido não como cowboy e sim como membro de um grupo religioso. Em 1957 o cenário era bem outro pois no ano anterior foi exibido “Sete Homens Sem Destino” (Seven Men from Now), primeiro western da série de sete em que Scott foi dirigido por Budd Boetticher. Esse filme foi muito bem recebido, pela crítica, sendo saudado por Andrè Bazin como um excepcional western, comparado mesmo a “Rastros de Ódio” (The Searchers), de John Ford. O prestígio de Randolph Scott andava alto e ele havia deixado a Warner Bros. que então se lembrou de “No Rastro dos Bandoleiros”, filme que tinha no elenco James Garner, jovem promessa do estúdio e que estreava no cinema. Com tudo para dar errado, este menosprezado filme é um dos mais interessantes westerns entre os tantos em que Randolph Scott atuou.


Randolph Scott, James Garner e Gordon Jones
Cavalarianos vestidos como pastores - O Capitão Buck Devlin (Randolph Scott), ao lado do Sargento John Maitland (James Garner) e do Cabo Wilbur Clegg (Gordon Jones), todos da Cavalaria, cavalgam rumo ao rancho do irmão de Devlin. Lá chegando encontram o local sendo atacado por índios, conseguindo o trio rechaçar o ataque que causou a morte do irmão do Capitão. Sarah (Ann Doran), a cunhada do Capitão Devlin, agora viúva, diz que o marido tentou se defender atirando com um fuzil cujas balas não eram disparadas. O Capitão descobre que isso ocorreu em virtude de os cartuchos não conterem chumbo, mas sim outro tipo de material. A munição fora adquirida em Medicine Bend, numa loja de propriedade de Ep Clark (James Craig) dono também de praticamente tudo na cidade. Devlin, Maitland e Clegg partem então para Medicine Bend para desvendar o mistério das balas que não disparam e resolvem, no caminho, tomar um banho num rio. Distraídos, têm seus cavalos, uniformes, armas e dinheiro roubados. Seminus os três conseguem ajuda com um grupo de religiosos que lhes fornecem roupas que os fazem parecer também religiosos. Assim vestidos chegam a Medicine Bend e descobrem que Ep Clark domina o xerife Bob Massey (Trevor Bardette), o prefeito Sam Pelley (Don Beddoe) e mantém um bando de foras-da-lei a seu serviço. Foram esses bandidos que roubaram os pertences dos militares, assim como roubaram o grupo religioso e praticam assaltos contra caravanas de suprimentos que chegam a Medicine Bend. Ajudado por Priscilla King (Angie Dickinson), sobrinha do comerciante Elam King (Harry Harvey) e ainda pela saloon-girl Nell Garrison (Dani Janssen), o Capitão Devlin desbarata a quadrilha de Ep Clark, liquidando com os malfeitores.

Randolph Scott, James Garner
e Gordon Jones
Esperando pelo tiroteio que não acontece - Assim como acontece em mais da metade dos faroestes, “No Rastro dos Bandoleiros” tem uma cidade dominada por um homem poderoso e inescrupuloso, respaldado por xerife e justiça corruptos, isto até que um destemido e íntegro estranho chegue, vença o chefe e extermine sua quadrilha. Os clichês do enredo deste western, no entanto, param por aí pois a história se desenrola de maneira inusitada, a começar pelos garbosos cavalarianos que repentinamente perdem as fardas e se cobrem com o que conseguem encontrar pelo caminho. As roupas que conseguem com os religiosos fazem com que sejam confundidos com pregadores de alguma seita e o trio assume essa nova identidade para descobrir quem os roubou. Para isso contrariam seus hábitos e o Sargento namorador (James Garner) não pode conquistar nenhuma garota e o Cabo beberrão (Gordon Jones) tem que evitar a garrafa. No balcão do saloon servem-se de... leite, para espanto dos barflies. A esta altura o filme, que se iniciou tragicamente com o ataque índio e a morte do cunhado do Capitão Devlin, descamba para a comédia que só não é mais jocosa porque o ar sério de Randolph Scott promove o devido equilíbrio. James Garner anuncia o modelo cínico que depuraria como Bret Maverick na série de televisão e que o acompanharia por toda sua longa carreira. E Gordon Jones era um comediante nato que, por acaso, um dia (1940) foi o herói Besouro Verde do seriado do mesmo nome. Este western só deixa de ser inteiramente cômico quando se aproxima do final com Scott enfrentando e vencendo cada um dos bandidos isoladamente. O aguardado tiroteio do título original (Shoot-Out) acaba sendo outra piada uma vez que não acontece nenhum tiroteio no sentido amplo do termo, ou seja, intensa troca de tiros entre muitos contendores.

James Garner e Gordon Jones quase enforcados; Jones, Garner e Angie Dickinson.

Randolph Scott e Angie Dickinson;
abaixo Myron Healey.
Resistindo a Angie Dickinson - O que mais agrada em “No Rastro dos Bandoleiros” é justamente o inusitado da situação que envolve Randolph Scott e o veterano ator não se faz de rogado, mostrando que é também capaz de se sair bem num filme menos sério. Imaginar Scott nu num faroeste é algo inimaginável, bem como vê-lo desfilar pelas ruas e saloon de Medicine Bend vestido de pregador, engraçadíssimo, por sinal. Mas este filme de Richard L. Bare tem ainda outros atrativos, como ver os jovialíssimos James Garner e Angie Dickinson em início de carreiras. Quem poderia suspeitar que a doce e inocente Angie, poucos anos depois estaria tão provocante e irresistível num western, conquistando John Wayne 24 anos mais velho que ela. Desta vez quem se rende a Angie é Randolph Scott, 33 anos a mais que ela, despindo o hábito e ficando com a mocinha ao término do filme, ainda que, como sempre, evitando o beijo final. James Garner, que conquistou tantas belas mulheres em sua carreira, teve que se contentar com a loura Dani Janssen, creditada como Dani Crayne. O ‘Janssen’ do nome veio do marido David Janssen, aquele ator que tinha orelhas maiores que as de Clark Gable. Em “No Rastro dos Bandoleiros” Dani Janssen aparece mais que Angie Dickinson e Myron Healey (um dos vilões) aparece mais que James Craig o bandido principal. Entre os demais coadjuvantes a grande e feliz surpresa é a destacada participação de Trevor Bardette, permitindo que o veterano ator de tantos westerns e seriados mostre o excelente ator que era. E viva! Guy Wilkerson, Lane Bradford e Harry Lauter pronunciam diversas frases em diálogos do filme.

Trevor Bardette com Randolph Scott; Bardette com Dani Janssen.

Dani Janssen com Angie Dickinson; James Craig com Myron Healey.

Diversão garantida - Com música (de Roy Webb) e cinematografia (de Carl E. Guthrie) competentes, Dani Janssen interpreta a alegre canção “Kiss me Quick” (nada a ver com o sucesso de Elvis Presley). Que o espectador não se iluda com o descaso que este pequeno e movimentado western recebeu desde sua realização. É diversão garantida, com Randolph Scott (na foto à direita mascarado) em ótima forma, até dispensando dublês, contraponto ideal para os tensos sete westerns seguintes que Randy faria com Budd Boetticher e da obra-prima com que fechou sua magnífica carreira, “Pistoleiros do Entardecer” (Ride the High Country).

Esta cópia de “No Rastro dos Bandoleiros” foi gentilmente cedida pelo cinéfilo e colecionador Marcelo Cardoso.

22 de junho de 2015

TOP-TEN WESTERNS DO CINÉFILO E COLECIONADOR MARCELO CARDOSO


Johnny Mack Brown, Robert Mitchum e Rocky Lane.
Marcelo Cardoso é natural de São Gotardo, cidade de Minas Gerais situada a 130 quilômetros da aprazível Araxá. Marcelo nasceu num tempo em que o cineminha do seu Clarimundo, em São Gotardo, exibia westerns com Roquislane, João Maquibroa e Roberto Metichumbo, que era como a garotada chamava Rocky Lane, John Mack Brown e Robert Mitchum. Marcelo viveu depois em Uberaba e mal saído da adolescência tornou-se caminhoneiro, rodando o interior de São Paulo (Barretos, Ribeirão Preto, São Carlos, Campinas, Jaú, Franca, Igarapava) transportando gado para o Triângulo Mineiro. Marcelo continuou frequentando os cinemas das cidades por onde passava, preferindo aqueles que exibiam faroestes, especialmente do seu ídolo maior que era Audie Murphy. Mas o rapaz gostava também de Randolph Scott e de John Wayne. Como os filmes de Scott e Wayne eram geralmente impróprios para menores de 18 anos, Marcelo somente os pode assistir quando se mudou para Belo Horizonte, onde estudou Direito na UCMG, na capital mineira, formando-se advogado. Marcelo passou a exercer a nova profissão no Rio de Janeiro, trabalhando numa empresa de navegação, área na qual permanece até hoje. Atualmente Marcelo trabalha e reside em Niterói, considerando-se um homem privilegiado por poder descortinar diariamente, lá de Niterói, a Cidade Maravilhosa.

Marcelo Cardoso,
advogado e cinéfilo.
Um cinéfilo generoso - Nos anos 80, já como advogado, Marcelo foi um dos muitos apaixonados por cinema que, desencantado, assistiu ao desaparecimento das grandes salas exibidoras. Porém teve como compensação o surgimento da maravilha chamada Vídeo Home System, o nosso vídeo-cassete. Marcelo começou a colecionar avidamente fitas de vídeo, com seus filmes preferidos, muitos deles assistidos na infância, outros na adolescência e boa parte na idade adulta. Com o advento do DVD Marcelo transformou sua coleção de fitas de vídeo na nova mídia, continuou adquirindo novos DVDs e quando se deu conta possuía 2.500 filmes, um terço deles do gênero western. Possuir uma grande coleção de filmes não é algo assim tão raro no Brasil, onde há centenas de colecionadores. Difícil mesmo é encontrar um colecionador que tenha igual prazer em assistir aos filmes de seu acervo e compartilhá-los. Assim é Marcelo e seu rol de amigos sabe que é só pedir determinado filme que o cinéfilo mineiro de Niterói fica imensamente feliz em atender ao pedido, remetendo os filmes pedidos ao interessado. Algumas vezes até para amigos que residem no Exterior. E que não se fale em dinheiro para ressarcir despesas pois a filosofia de Marcelo Cardoso é que intercâmbio entre amigos, mesmo quando de mão única, vale mais pelo prazer da satisfação mútua que pelo vil metal gasto. Quantos e quantos filmes Marcelo adquiriu, pagando por fitas VHS e DVDs de baixíssima qualidade, substituindo-os posteriormente por DVDs originais ou por outros de melhor qualidade. Os filmes descartados eram presenteados amigos.

Anthony Steffen e Marisa Urban
Amigo de Anthony Steffen – Marcelo lembra quando o cinema de São Gotardo se adaptou para exibir um processo que já existia nos cinemas de cidades maiores, o Cinemascope. Foi uma sensação e o filme escolhido para inaugurar a novidade foi “O Caudilho da Serra” (Sierra Baron), com Brian Keith e Rick Jason. Outro western que Marcelo não esquece é “Onde Impera a Traição” (The Duel at Silver Creek), pois foi o primeiro dos muitos faroestes que assistiu com Audie Murphy, de quem possui praticamente todos os filmes. Embora a preferência maior de Marcelo Cardoso recaía sobre os westerns norte-americanos, ele assiste também com prazer os chamados westerns-spaghetti e por uma razão bastante especial. Quando residia no bairro de Ipanema (Rio de Janeiro), Marcelo conheceu e ficou amigo do ator Anthony Steffen (Antônio de Teffé), que então morava no vizinho Baixo Leblon. A atriz Marisa Urban, também amiga de Marcelo Cardoso, conheceu Anthony Steffen passando a ser namorada do ator por algum tempo. Do acervo de Marcelo constam todos os westerns-spaghetti estrelados pelo amigo Anthony Steffen, ainda que reconheça que a maior parte deles deixa a desejar quanto à qualidade artística.

Pôsteres de "Onde Impera a Traição" e "O Caudilho da Serra".

Peter o'Toole como Lawrence.
Preto-e-brancos datados – Quando Marcelo comenta sobre os westerns que mais admira, percebe-se a ausência, com uma única exceção, de westerns filmados em preto-e-branco. Ele próprio aceita que prefere os westerns em cores, razão pela qual lembra que filmes considerados obras-primas como “Matar ou Morrer” (High Noon), “Paixão dos Fortes” (My Darling Clementine), “O Homem que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance), “Consciências Mortas” (The Ox-Bow Incident) e “Rio Vermelho” (Red River) não estejam entre seus preferidos. Não tendo assistido a esses filmes à época de seus lançamentos, ao vê-los muitos anos depois, eles lhe pareceram todos ‘datados’. Mas certamente Marcelo nada tem, de modo geral, contra filmes em preto e branco pois entre os clássicos de Alfred Hitchcock, considera “Psicose” o melhor deles, depois de “Um Corpo que Cai” que é em cores. O segundo gênero na preferência de Marcelo são os filmes de guerra, tendo centenas deles em seu acervo. E entre tantos filmes de guerra os que Marcelo mais gosta são “Lawrence da Arábia”, “A Ponte do Rio Kwai” e “Doutor Jivago”, todos de David Lean e considerados obras-primas do cinema.

Anthony Quinn, John Wayne, Henry Fonda, Gary Cooper e Lee Marvin.

Jeff Bridges como 'Rooster' Cogburn.
Ótimos westerns recentes - Dos westerns mais recentes Marcelo gostou bastante de “Tombstone – A Justiça Está Chegando” (Tombstone), ainda que o considere inferior a “Sem Lei e Sem alma” (Gunfight at The OK Corral). Gostou também de “Bravura Indômita” (True Grit), com Jeff Bridges, considerando essa versão melhor que a de 1969 com John Wayne. Marcelo gostou muito de “Silverado”, “Dança com Lobos” (Dances with Wolves), “Pacto de Justiça” (Open Range), todos estrelados pr Kevin Costner e reputa “O Último dos Moicanos” (The Last of the Mohicans), com Daniel Day Lewis, um filme sensacional. WESTERNCINEMANIA solicitou a Marcelo Cardoso que relacionasse seu Top-Ten Westerns e ele prontamente atendeu, listando como bônus outros dez faroestes que considera dos melhores, abaixo apenas do seu Top-Ten. Vamos à lista de Marcelo Cardoso:


1.º) “Os Brutos Também Amam” (Shane), 1953 – George Stevens

Jack Palance chegando ao 'Grafton's' e o cão intuindo o perigo.


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2.º) “Rastros de Ódio” (The Searchers), 1956 – John Ford

Jeffrey Hunter na interminável caçada.


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3.º) “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country), 1958 – William Wyler

Chuck Connors se descontrolando no duelo com Gregory Peck.


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4.º) “O Portal do Paraíso” (Heaven’s Gate), 1980 – Michael Cimino

Christopher Walken


Marcelo Cardoso considera estes quatro westerns acima obras-primas absoluta do cinema, confessando mesmo uma certa dificuldade em listá-los numa classificação do primeiro ao quarto.

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5.º) “Meu Ódio Será Sua Herança” (The Wild Bunch), 1969 – Sam Peckinpah

Ben Johnson, Warren Oates e Edmond O'Brien no quartel-general de Mapache.


Marcelo Cardoso faz um único reparo a este western, afirmando que gostaria muito que Lee Marvin houvesse interpretado Pike Bishop em lugar de William Holden. Essa tese é corroborada por muitos outros cinéfilos.

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6.º) “Onde Começa o Inferno” (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks

O Duke pedindo para Walter Brennan jogar a dinamite mais longe.


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7.º) “Três Homens em Conflito” (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo), 1966 – Sergio Leone

Depois do espancamento sofrido Eli Wallach confere quantos dentes perdeu;
Lee Van Cleef e Mario Brega observam.


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8.º) “O Tesouro de Sierra Madre” (The Treasure of the Sierra Madre), 1948 – John Huston

Tim Holt, Walter Huston e Humphrey Bogart.


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9.º) “Os Imperdoáveis” (Unforgiven), 1992 – Clint Eastwood

Clint Eastwood


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10.º) “Era Uma Vez no Oeste” (C'Era Una Volta Il West), 1968 – Sergio Leone

Charles Bronson, o 'Harmônica', vingando-se de Henry Fonda, o 'Frank'.



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Outros grandes westerns que estão entre os preferidos de Marcelo Cardoso:

Franco Nero
“Pistoleiro do Entardecer” (Ride the High Country), 1962 – Sam Peckinpah
“Sete Homens e Um Destino” (The Magnificent Seven), 1960 – John Sturges
“Sem Lei e Sem Alma” (Gunfight at the Ok Corral), 1957 – John Sturges
“Duelo de Titãs” (Last Train from Gun Hill), 1959 – John Sturges
“Sete Homens Sem Destino” (Seven Men from Now), 1956 – Budd Boetticher
“Região do Ódio” (The Fair Country), 1955 – Anthony Mann
“A Árvore dos Enforcados” (The Hanging Tree), 1959 – Delmer Daves
“Os Profissionais” (The Professionals), 1966 – Richard Brooks
“O Último Pôr-do-Sol” (The Last Sunset), 1961 – Robert Aldrich
“Django” (Django), 1966 – Sergio Corbucci