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17 de maio de 2011

O IMPASSÍVEL "GERÔNIMO" DE CHUCK CONNORS


Arnold Laven teve um promissor início de carreira como diretor. Aos 34 anos, em 1956, já estava dirigindo Paul Newman em “Deus é Meu Juiz”. Seu próximo filme foi o excelente policial “Assassinato na 10.ª Avenida”, seguido do drama sobre negros intitulado “Ana Lucasta”. Arnold Laven entremeou esses trabalhos produzindo e dirigindo séries para a TV, uma delas de grande sucesso que foi “O Homem do Rifle”, com Chuck Connors. Essa série permaneceu no ar de 1958 a 1962. Dos 121 episódios de “The Rifleman”, Arnold Laven dirigiu 21 deles. Talvez essa intensa convivência com Chuck Connors e o sucesso que o ator fez com “O Homem do Rifle” tenham levado Arnold Laven a acreditar que Connors poderia estrelar um western sobre os últimos dias de Gerônimo, o lendário e rebelde apache. Laven é quem iria produzir e dirigir “Gerônimo”.

O APACHE QUE DESAFIOU WASHINGTON - O filme começa com a rendição de Gerônimo que concorda com o tratado que o confinaria com os demais apaches em San Carlos, no Arizona. O inescrupuloso agente que controla os índios naquele local (John Anderson) negocia a venda das terras fazendo com que os apaches sejam levados pela Cavalaria para uma região inóspita que seria conhecida como "40 acres do inferno". No comando do pelotão está o arrogante Capitão Maynard (Pat Conway) cujo respeito aos índios lembra bastante o General Custer. Gerônimo e mais 50 índios se rebelam, fogem da reserva em direção ao México e ‘declaram guerra’ aos Estados Unidos. Após serem caçados sem sucesso por 5.000 soldados, conseguindo provocar grandes baixas nos destacamentos de Cavalaria, a perseguição a Gerônimo torna-se uma vergonha nacional. O Congresso norte-americano intervém enviando o senador Conrad (Denver Pyle) para negociar diretamente com Gerônimo, que é então convencido que Washington mudaria a política em relação aos apaches, passando a respeitá-los como seres humanos.

UM ATOR IMUTÁVEL - O gigantesco Chuck Connors (1,97 de altura) foi uma aposta arriscada que Arnold Laven fez. Talvez Laven acreditasse mesmo que o talento de Connors fosse proporcional ao seu tamanho. Acontece que interpretar semanalmente Lucas McCain, “O Homem do Rifle”, personagem de reações imutáveis é bem diferente de viver na tela um índio que sofre na carne toda sorte de injustiça social. Gerônimo vê muitos de seus guerreiros serem mortos. Renegado, é obrigado a afastar-se dos velhos, mulheres e crianças de sua tribo, conhecendo os sofrimentos que lhes são impostos e ainda lhe é confiscado o solo sagrado de seus ancestrais. Pois é esse sofrido homem de pele vermelha que Chuck Connors teria de interpretar com seus profundos olhos azuis. Laven possivelmente entendeu que não haveria nada que uma longa peruca negra não disfarçasse, ainda mais que o rosto quadrado de Connors lembra vagamente o rosto do verdadeiro Gerônimo. Mas Arnold Laven perdeu a aposta pois “Gerônimo” que poderia ser um bom filme acabou sendo totalmente destruído por Chuck Connors. E aparentemente o inexpressivo Connors contaminou quase todo o elenco que igualmente atua de maneira inconvincente. O Gerônimo de Connors tem na bonita apache Teela (Kamala Devi) uma fortíssima rival com quem disputa o prêmio de pior intérprete. Ross Martin (o apache Mangus) e Pat Conway (Capitão Maynard) também se esforçam para comprometer o filme mais um pouco. Por incrível que pareça é o iniciante Adam West (o futuro hilário Batman da TV) quem consegue se sair melhor que todos esses atores como o consciente Tenente Delahay, que contesta a crueldade dos brancos.

Geronimo e sua esposa Teela (Kamala Devi, esposa de
Chuck Connors também na vida real)

APACHE DO RIFLE - “Gerônimo” foi filmado em 1962, época em que a revisão da causa índia já estava em andamento. O próprio John Ford, dois anos depois, faria sua méa culpa em “Crepúsculo de uma Raça”, desculpando-se pelo tratamento que dispensou aos índios em muitos de seus westerns. Portanto Laven não estava sequer sendo um cineasta corajoso como fora Delmer Daves que tratou pioneiramente os índios com dignidade em “Flechas de Fogo”, ainda em 1950. Laven, porém, poderia ter antecipado Walter Hill que em 1993 filmou o brilhante “Gerônimo, uma Lenda Americana”, com Wes Studi como Gerônimo e Gene Hackman como o General Crook. No entanto o diretor preferiu aproveitar a efêmera fama de Chuck Connors conseguida em “O Homem do Rifle” e o fez acreditar que para ser Gerônimo bastaria passar o filme todo com um rifle na mão. Arnold Laven foi também o autor do roteiro que tem incontáveis situações inconsistentes que prejudicam o andamento do filme. Por outro lado “Gerônimo” apresenta algumas excelentes cenas de ação nas locações rodadas em Durango, no México. Arnold Laven se redimiria parcialmente do seu malfadado “Gerônimo” com os westerns “A Noite dos Pistoleiros” (com Dean Martin) e “Assim Morrem os Bravos” (com Tom Tryon). Seu último western, em tom de comédia foi “Sam whiskey, o Proscrito” (com Burt Reynolds), após o que Laven retornou definitivamente para a televisão, não mais repetindo o erro de apostar em Chuck Connors.

2 comentários:

  1. Esta pelicula eu vi com meus dezessete anos, ainda um rapaz que somente sabia devorar filmes. Lia pouco sobre cirticas e, àquela época, 1962/63, muito pouco se tinha a respeito de comentários ou criticas sobre filmes. O cinema simplesmente jogava filmes e mais filmes nas salas exibidoras para que o publico os visse e assim a grana entrasse. Era so isso. Nunca houve ninguém para fazer um comentário firme sobre o desempenho de um ator. Falavam sim, mas ainda assim muito pouco, sobre os filmes em exibição.
    Porém, mesmo naquela época, este filme entrou no meu gosto como se eu estivesse engolindo espinhas de peixe ou agulhas. Nada nele me agradou, principalmente Connors. E até esta inexpressividade de Connors foi apanhada por mim, eu ainda no auge de minha adolescencia e muito pouco entendendo de criticas.
    Aliás o Connors nunca esteve bem em nada. Apenas em Da Terra Nascem os Homens ele se esconde na sombra de um fabuloso e talentoso elenco, conseguindo deixar oculta sua falta de presença como ator. Porém, até aí não fica difícil se captar sua apatia ao interpretar os poucos momentos em que sua presença pede atuação.
    Realmente interpretar, ser ator, ter talento, não é para qualquer um. Lamentavelmente temos o resultado final de sua carreira como um ator que nunca faz nada que pontuasse sua passagem pelo cinema.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  2. Quanta bobagem ditas,Geronimo(Sangue de Apache)no Brasil,sempre foi minha grande lembrança, quando se ia ao cinema,nas grandes matinées, Chuck Connors,sempre foi maravilhoso!!!

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