Em 1955 foram rodados 70 westerns nos Estados Unidos. Quatro deles estrelados por Randolph Scott, incansável aos 56 anos antes ainda da lendária série de filmes com Budd Boetticher. “Arizona Violento” (Ten Wanted Men) foi um dos quatro filmes de 1955 e tinha tudo para ser um desses pequenos grandes westerns, apenas não teve um roteiro de Burt Kennedy e Boetticher não estava na direção. Produzido pela Ranown, produtora de Scott e Harry Joe Brown e distribuído pela Columbia, a direção foi entregue a Bruce Humberstone e este western desigual ficou abaixo do que se poderia esperar. A história bastante boa e o elenco masculino com inúmeros nomes que logo viriam a ser respeitados no cinema, ficou comprometida por alguns aspectos técnicos.
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| Vilões: Boone, Gordon e Van Cleef |
A LEI DA VIOLÊNCIA - A história de “Arizona Violento” é de autoria da dupla Irving Ravetch-Harriet Frank Jr., responsáveis entre outros pelas histórias dos faroestes “Fora das Grades” (Run for Cover), “Hombre”, “Os Cowboys” (The Cowboys) e dramas como “O Mercador de Almas”, “O Indomado” e “Norma Rae”. O roteiro de “Arizona Violento”, porém, coube a Kenneth Gamet dono de uma invejável série de bons roteiros em seu currículo. Neste western John Stewart (Randolph Scott) é dono de muitas terras em Ocatilla, Território do Arizona. Stewart traz seu irmão, o advogado Adam Stewart (Lester Matthews) de Cincinnatti, Ohio, para dar início a um processo onde a Justiça não seja feita pelos mais poderosos, como o próprio John Stewart. Porem não compartilha dessa opinião o também dono de terras, em menor escala, Wick Campbell (Richard Boone). Campbell usa de meios escusos para se apropriar de pequenas propriedades importantes e apesar de seu poder não é correspondido por Maria Segura (Donna Martell), mexicana que trabalha para ele, Campbell, no saloon de sua propriedade. Junto com Adam Stewart chega também ao Arizona seu filho Howie Stewart (Skip Homeier), insatisfeito por estar longe da civilizada Cincinatti. Howie se enamora de Maria Segura e a jovem foge do domínio de Campbell. Determinado a aumentar seu poder no Arizona, Campbell contrata o fora-da-lei Frank Scavo e seu bando de pistoleiros. Clyde Gibbons (Dennis Weaver), o xerife de Ocatilla pouco pode fazer e a quadrilha de Scavo rouba gado para Campbell. Não satisfeito, Campbell mata o advogado irmão de John Stewart. Scavo percebendo certa fraqueza em Campbell decidi trai-lo e roubar todo seu dinheiro. Stewart, então se defronta com Campbell, matando-o e com a ajuda de Howie, Gibbons e outros enfrentam o bando de Scavo que é dominado por Stewart. Ao final ocorre um duplo casamento, o de John Stewart com a viúva Corinne Michaels (Jocelyn Brando) e o de Howie com Maria Segura.
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| Se o revólver falhar, lá vai TNT |
O REVÓLVER QUE NÃO ESPOUCA - Entre os diversos temas abordados pelo roteiro, temos o da civilização do Velho Oeste, o do facínora traiçoeiro que se aproveita da tibieza de seu contratante, o do xerife impotente diante da violência e dois romances, um deles inusitado entre a jovem mexicana Maria Segura e o almofadinha recém-chegado da cidade grande. “Arizona Violento” comprova que uma boa história pode ser desperdiçada se não for bem tratada quando de sua roteirização. A visível aplicação dos atores para tornar seus personagens convincentes carece de uma melhor caracterização o que Burt Kennedy conseguia com suas frases de profundo alcance revelando a alma de cada personagem. O que se tem então em “Arizona Violento” é uma sucessão de clichês que mais lembra um faroeste B melhor produzido. Melhor produzido em termos, como será visto adiante. Os faroestes de médio orçamento dos anos 50, independente do estúdio que os produziam, tinham sempre uma excelente direção de arte e decoração de set e “Arizona Violento” não foge à regra, até que inesperadamente vem a catastrófica sequência em que Randolph Scott atira em Richard Boone que cai espetacularmente após ser alvejado por um revólver... que não dispara. Essa cena patética deveria ter sido refeita mas está lá para roubar a seriedade do filme. O que mais se espera em um bom e despretensioso faroeste são os tiroteios, mas em “Arizona Violento” foi descoberta a pólvora, ou melhor, as bananas de dinamite e é com elas que Leo Gordon ataca Ocatilla e até mesmo tenta acertar Scott num rio. E é também dessa maneira que Randolph Scott resolve a parada final expulsando os bandidos. O que mais havia em Ocatilla era dinamite, depois de cactus, claro.
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| A elegância de Randolph Scott em quatro modelos diferentes de camisas |
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| Acima Tom Steele saltando sobre a parelha; abaixo os dublês Robert Morgan e Chuck Roberson em ação. |
TRABALHO DOBRADO PARA OS DUBLÊS - Todos sabemos que em faroeste com Randolph Scott há muito trabalho para seus stuntmen. Numa sequência em que Scott salta de seu cavalo sobre a parelha de uma carroça desgarrada, temos a ação (vale a redundância) cinematográfica de Tom Steele como dublê; na troca de socos entre Randy Scott e Leo Gordon não houve nenhum cuidado na edição e o que assistimos é mesmo uma fantástica luta entre... Robert Morgan (Scott) e Chuck Roberson (Gordon). É quase impossível deixar de perceber a substituição dos atores, assim como é difícil conter o riso pela evidente constatação. E ao final da encarniçada luta fica-se sem saber se o bandido Scavo (Leo Gordon) é capturado vivo ou morto. Randolph Scott criou uma persona na tela quase no mesmo nível de John Wayne e Gary Cooper, transmitindo enorme respeito e admiração, o que incute em seus personagens praticamente sem nenhum esforço interpretativo. E mais até que Duke e Coop, Randy Scott abre espaço para os demais personagens, permitindo em certo momento que a subtrama entre Leo Gordon e Richard Boone se torne mais interessante que a principal. E isso é bom para o filme pois atores tido como característicos têm oportunidade de demonstrar que podem ser bons atores.
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| Acima Skip Homeier e Dennis Weaver; raro beijo de Randy Scott na felizarda Jocelyn; Alfonso Bedoya e Denver Pyle |
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| Bruce Humberstone |
MELHOR ESQUECER BOETTICHER-KENNEDY – O diretor Bruce Humberstone dirigiu no cinema um pouco de tudo, desde os policiais de Charlie Chan na década de 30, passando pelo musicais da Fox nos anos 40, tempo em que dirigiu o clássico noir “Quem Matou Vicki?”, com Laird Cregar e Victor Mature, até chegar aos Tarzans de Gordon Scott. Mesmo sem ser o faroeste a sua especialidade “Arizona Violento” merece ser visto e pode agradar o espectador, desde que não seja comparado com os melhores filmes da dupla Boetticher-Kennedy estrelados por Randolph Scott, clássicos do gênero. Este western comprova que Scott merece o destacado lugar que ocupa como mocinho dos faroestes, ainda que tenha uma dívida enorme com Tom Steele, Bob Morgan e outros de seus dublês.








