UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

16 de fevereiro de 2012

HOMENS INDOMÁVEIS (Silver Lode) – DO QUE É CAPAZ UM CRÁPULA


Em seu fundamental ensaio “Uma Viagem Pessoal Pelo Cinema Americano”, Martin Scorsese dedica um bloco ao que chama de ‘O Diretor como Contrabandista’. Scorsese fala daquele cineasta capaz de realizar uma obra contrariando determinadas convenções ou regimes políticos. Exemplificando essa tese Scorsese cita um quase desconhecido western de Allan Dwan intitulado “Homens Indomáveis” (Silver Lode). A partir de então esse filme foi redescoberto, tornando-se um western cult e, mais que isso, foi redescoberta uma esquecida pequena obra-prima dos faroestes.


DENÚNCIA DIRETA DO MACARTHISMO – “Homens Indomáveis” foi lançado nos Estados Unidos em julho de 1954, quando Hollywood vivia ainda sob a onda de terror espalhada pelo senador Joseph McCarthy e a famigerada HUAC, comissão formada no Congresso norte-americano para, literalmente, caçar supostos simpatizantes do Comunismo. Escritores, roteiristas, atores e técnicos foram impedidos de trabalhar na mais torpe forma de violência até então jamais exercida contra a arte cinematográfica. Com "Homens Indomáveis" se conheceu a figura, mencionada por Scorsese, a do 'Diretor Contrabandista'. Não só diretores mas e principalmente os escritores e roteiristas. Uma das vítimas do Macarthismo foi Carl Foreman, autor do roteiro de “Matar ou Morrer” (High Noon), corajoso western que mostra como toda a população de uma pequena cidade se acovarda diante do perigo representado por quatro bandidos. A alegoria de “Matar ou Morrer”, no entanto, comporta uma leitura contrária à pretendida por Carl Foreman, o que permitiu que o filme de Fred Zinnemann até ganhasse prêmios do sistema, a Academia de Artes de Hollywood. Dois anos depois, foi produzido “Homens Indomáveis”, western contendo muitos dos elementos de “Matar ou Morrer”, mas diferentemente deste, o mais direto possível na denúncia da intolerância, da covardia e até onde a maldade humana, nos atos de um crápula, pode chegar.

Ballard acuado pelos homens de bem
de Silver Lode; a morte de McCarthy
UMA CIDADE CONTRA UM INOCENTE - O nome do bandido que aterroriza toda uma cidade é Ned McCarthy. Poderia ser Ted ou mesmo Ed pois o sobrenome não deixa dúvida alguma a respeito de quem o filme vai falar e vale relembrar que o ano era de 1954, momento em que os radicais de direita dominavam a cena aterrorizando Hollywood. O roteiro de “Homens Indomáveis” é de Karen DeWolf, uma das vítimas da caça às bruxas e que contou com a coragem do produtor Benedict Bogeaus para levar a história à tela. Para dirigir, Bogeaus contratou o veterano Allan Dwan. “Homens Indomáveis” começa com um casamento interrompido por um suposto delegado federal chamado Ned McCarthy (Dan Duryea) que entra em Silver Lode num festivo 4 de julho com mais três homens. McCarthy tem um mandado de prisão contra o noivo Dan Ballard (John Payne) que, segundo McCarthy teria assassinado seu irmão e roubado 20 mil dólares. Ballard que chegara à cidade há dois anos tornou-se cidadão bastante estimado e noivo de Rose Evans (Lizabeth Scott), filha de Zachary Evans (Morris Ankrum), um dos homens mais ricos da cidade. Ballard nega as acusações mas não com a necessária veemência, do que se aproveita McCarthy para convencer toda a cidade que Ballard é um criminoso, ladrão e fugitivo da Justiça. Ballard consegue escapar do quarteto liderado por McCarthy. A princípio a população de Silver Lode acredita na inocência de Ballard, mas sob a influência malévola de McCarthy e diante também de algumas evidências, rapidamente passam a considerá-lo um bandido e ajudam Ballard na tentativa de recapturá-lo. Ballard refugia-se na igreja e a população incitada por McCarthy quer linchá-lo, disparando contra ele. Ballard só conta com duas pessoas que acreditam nele, sua noiva Rose e uma prostituta chamada Dolly (Dolores Moran), com quem ele antes teve um relacionamento. As mulheres usando de um ardil conseguem evitar o linchamento mas McCarthy encurrala Ballard na torre da igreja disparando várias vezes contra ele. Uma das balas ricocheteia no enorme sino e atinge o peito de McCarthy quando o telégrafo já havia recebido a mensagem dizendo que McCarthy era um impostor e assassino.

Excepcional Dan Duryea
A TORPEZA DE UM HOMEM - A ira, a violência, o desejo torpe de vingança, a injustiça e a histeria coletiva estão todos presentes em “Homens Indomáveis”. Presente também a necessidade de um homem de se defender, o que o leva ao uso de uma inevitável violência, num filme sem falsos moralismos. Exemplar também é o filme de Allan Dwan na exposição da fragilidade com que a Lei e a Justiça podem ser burladas em benefício de malfeitores. Todos esses pontos vão surgindo ininterrupta e freneticamente criando uma tensão de roubar o fôlego do espectador. Como se observa são muitas as semelhanças de “Homens Indomáveis” com “Matar ou Morrer”, filme que, como se sabe, se tornou a obra-prima que é na sala de montagem com a primorosa edição de Elmo Williams. “Homens Indomáveis” é um filme igualmente dinâmico, de ritmo forte e grande suspense, devastador ao radiografar seres humanos como os que habitam Silver Lode. “Homens Indomáveis” é um espelho para criaturas infames e difamantes como era McCarthy e encontrada em certos rincões tidos como do Velho Oeste. Com ação passada em apenas algumas horas, a cidade de Silver Lode é um cenário paradoxal com enfeites vermelho, azul e branco espalhados por toda parte, como que a lembrar insistentemente que isto é a América. Se há uma falha em “Homens Indomáveis” é o comportamento de Dan Ballard que aceita com inconvincente passividade as acusações do homem que ele sabe estar mentido. O espectador sente até vontade de gritar para que ele reaja contra as mentirosas acusações de McCarthy. Ao final a mão divina intervém e a morte de McCarthy é verdadeiramente antológica.

Casamento de Ballard;
Dolores Moran (Dolly)
SEMPRE A BOA PROSTITUTA - Filmado em cores, “Homens Indomáveis” é um filme dominado por Dan Duryea. Perverso, incontrolável, imoral, sem nenhum princípio e com o único objetivo de destruir o homem que odeia, Duryea tem outro excepcional momento na tela como homem mau, sendo a grande força motriz do filme. John Payne compõe seu personagem sem a necessária garra, muito provavelmente obedecendo ao roteiro, porque, como as vítimas do macarthismo, seu moral é destruído impiedosamente por McCarthy. Lizabeth Scott foi uma escolha errada, tentando lembrar a 'quaker' Grace Kelly de “Matar ou Morrer”. Porém a provocante Dolores Moran é uma agradabilíssima surpresa como a garota do saloon, caso antigo de Ballard. Essa atriz era casada com o produtor Benedict Bogeaus e, lamentavelmente, “Homens Indomáveis” foi seu último filme, aos 30 anos de idade pois ela se afastou do cinema. O elenco de coadjuvantes é perfeito com atores do gabarito de Morris Ankrum, Emile Meyer (como sheriff), Robert Warwick, Frank Sully e Hugh Sanders. Os capangas de Dan Duryea são os ótimos Alan Hale Jr, Harry Carey Jr. e Stuart Whitman.

O veteraníssimo Allan Dwan
“APENAS MAIS UM PEQUENO WESTERN” - O veterano diretor Allan Dwan dirigiu mais de 400 filmes e entendia do riscado. Orson Welles costumava dizer que Dwan já dirigia filmes quando foi inventada a luz elétrica e seu mais bem sucedido filme foi “As Areias de Iwo-Jima”, com John Wayne. Peter Bogdanovich o entrevistou para o livro “Afinal, Quem Faz os Filmes?”, lembrando a Dwan das qualidades de “Homens Indomáveis”. Fazendo tipo como John Ford fazia, Allan Dwan respondeu que esse era apenas mais um pequeno western. Dwan aceitou dirigir o filme para Bogeaus mas avisou que precisaria de um orçamento cinco vezes maior que o apresentado para fazê-lo bem feito. Descontente com o trabalho de Allan Dwan, que queria diminuir o forte teor político do roteiro, Benedict Bogeaus chegou a despedi-lo, mas quando viu a lista de diretores que poderia contratar para substituir Dwan, chamou o veterano diretor de volta. Ao final Dwan realizou um trabalho excepcional, mantendo o caráter denunciatório do filme, tudo isso mesmo com pouco dinheiro. Depois de “Homens Indomáveis” Dwan e Bogeaus fizeram mais dez filmes em parceria. A bonita fotografia é de John Alton com movimentos de câmara que valorizam as ações. “Uma Viagem Pessoal com Martin Scorsese Pelo Cinema Americano” é uma obrigatória aula de cinema e graças a ele “Homens Indomáveis” tem hoje o status que merece, o de pequena obra-prima do faroeste.

Allan Dwan faz um retrato amargo da América


40 comentários:

  1. Scorsese é sem dúvida um grande mestre quando trata de falar de cinema e de diretores, mesmo aqueles que não são tão conhecidos pelo público, ao que me pareceu este western dirigido por Allan Dawn, cineasta pouco divulgado que realizou obras como “Iwo Jima, o Portal da Glória”, com o Duke. Só mesmo o poder de uma grande voz ativa como o renomado diretor de “Taxi Driver” para tirar do baú esta obra que só ao ler seu esclarecido artigo, Darcy, apeteceu minha curiosidade.

    Sem dúvida, o período do “Caça as Bruxas”, mesmo nesta época de perseguições, deu aos produtores e diretores inspiração para criticarem a postura política da ocasião, e nada como os Westerns para fazerem alusões, denunciando esta tirania que ceifou o trabalho de inúmeros profissionais de cinema, desde roteiristas, diretores, produtores, e até mesmo, alguns artistas, como John Garfield, que acabou morrendo de tanta depressão, se afundando mais no álcool.

    Retornando ao filme presente neste artigo, interessante que até o nome do bandido desempenhado pelo sempre magistral Dan Duryea é Ned McCarthy, isto é, o sobrenome não foi escolhido por um acaso certamente. Uma justa “homenagem” aquele que deu nome ao período mais degradante da história americana, onde feriu indiscutivelmente os princípios de toda Democracia.

    A ira, a violência, o desejo torpe de vingança, a injustiça, histeria coletiva, são características bastante evidentes do Marchartismo. É como diz o Ivan Peixoto para mim: “A Vida imitou a Arte”, e ele esta certo.

    Não vi o filme ainda, mas conhecendo Dan Duryea em papéis vilânescos, certamente ele dá a parte uma interpretação verdadeira, que espelha o perfil de tantos que fizeram parte desta infame cruzada paranoica, que acreditavam agir em nome da segurança nacional e da moralidade, o arquétipo do falso moralista, como de fato era Joseph McCarthy. De resto, nobre, preciso conhecer urgente esta obra.

    Paulo Néry.

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  2. Paulo, esse ensaio do Scorsese foi lançado em DVD. É uma primorosa aula de cinema especialmente porque Scorsese não se limita a falar apenas dos grandes filmes, muito pelo contrário. O paisaninho era rato de cinemateca e mostra que viu quase tudo, além de confessar que que até páginas de livros ele arrancava das bibliotecas pois era muito pobre. Quem de nós nunca roubou um lobby card dos cinemas. Para falar a verdade, até posters eu levava para casa. O maior que eu tinha era um do Ferroviário, do Pietro Germi. Cinéfilo de verdade às vezes desobedece limites da cidadania... E eu nem sabia que depois aquele material ia todo para o lixo. Mais sorte teve o Prof. José Simões, cujo pai era dono do Cine Éden, lá em Guaçuí e o amigo Simões sempre desfalcava os lotes de material publicitário. Hoje está quase tudo no orkut dele.
    Quanto a McCarthy, o pior é saber que eles estão por toda parte. Dê poder ao homem que eles mostram do que são capazes, como esse crápula.
    Um abraço - Darci

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  3. Uma alusão mais que direta ao maldito Macarthismo esta fita.
    Não a assisti. Porém, a narrativa de nosso editor deixa e faz sentir como se estivessemos vendo a fita bem diante de nossos olhos.

    E se o Dan Duryea já era um ator de qualidades extras, imagino como não deve ter ficado muito à vontade neste papel, que parece lhe abrir vários angulos para ele expor sua qualidade.

    Entretanto, depois de uma boa análise, observei que Matar ou Morrer tem também sim, uma alusão quase que direta ao movimento do McCarthy. Um homem, Cooper, acossado por uma cidade que o abandona às mãos de quatro malfeitores que logo chegariam para lhe cobrar uma divida. E divida que ele, Cooper o imputou, no cumprimento do dever e para a manutenção da paz na cidade onde exercia o bem estar da lei. Uma perfeita trama para chamar àtenção de todos aqueles cascavéis que pareciam querer acabar com o cinema americano, caçando quem suspeitasse ser de esquerda.
    Esquerda!
    Que idiotice!
    Que falta de imaginação!
    Afinal; o que é ser de esquerda? No meu ver, nada mais que um pensamento, uma idéia.

    Bastariam fazer, ao contrário do que fizeram, o que Stephen Boyd diz em Ben Hur para o então Governador da Provincia, o que iria fazer contra as insurreições, que foi; "Sabe como se combate uma idéia? Com outra idéia."
    E aí estaria o ponto final para toda aquela fanfarronice.

    Mas, voltando ao filme do Dwan; quando um malfeitor sabe e tem o talento nato para ser um malfeitor de fato, terminam todos trabalhando pra ele, ficando do seu lado, o tendo como um verdadeiro herói e, até a própria lei trabalha em seu prol.
    Isso é um fato. Aqui mesmo, entre nós, neste nosso pais, onde o Oeste era muito menos selvagem e também muito mais sério, ocorrem fatos como estes quase que diariamente. Esta terra, que é de ninguém, é um Oeste muito mais selvagem e bruto que o próprio Oeste do qual muitos tiraram tantas fitas que ainda vemos. Mas...vamos deixar isto para lá antes que a coisa despenque sobre mim. Milhões de olhos andam muito abertos por aí e...

    Confundo muito John Payne com Tom Payne. Aquele que dirigiu Arara Vermelha, casou-se com a muito bela Eliane Lage e que trabalhou muito tempo na Vera Cruz.

    Assisti a alguns filmes com o John Payne, mas dele pouco me recordo, apesar de achar que seu papel e desempenho neste que comentamos foi muito bem feito, visto pelas fotos acima.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, como foi dito na análise, "Homens Indomáveis" é quase uma refilmagem de "Matar ou Morrer", tantas são as semelhanças. Porém o filme de Dwan é mais que uma crítica ao macarthismo, um verdadeiro tapa na cara a esse senador e a seus seguidores que foram uma quase acovardada unanimidade. Você e eu conhecemos réprobos como McCarthy. Gente como John Wayne e Howard Hawks nunca aceitaram "Matar ou Morrer", western que taxavam de lixo. Gary Cooper também era Republicano e conservador, mas o filme dissimula a questão vital. Não fosse assim o stablishment de Hollywood não lhe teria dado tantos prêmios. Zinnemann e Foreman não deixam de se encaixar na definição de Contrabadistas criada por Scorsese. No comentário que você fala com o Nery você diz que diretores como Robert Zemeckis e Domenic Sena desconhecem Cecil B. DeMille. Creio que não. O cinemão de DeMille não é desconhecido por ninguém envolvido com a Sétima Arte, seja pelo que ele tem de bom ou de ruim. Diferentemente aqui do Brasil, diretores norte-americanos estudam como matéria acadêmica os grandes diretores de cinema. E o filme mais recente de Domenic Sena chama-se justamente "Caça às Bruxas", estrelado por Ron Perlman, um dos atores preferidos do gaúcho Ivan.

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  4. Nery;

    Um instante muito apropriado para sua alusão. Acho que tem muita gente boa no anonimato profundo do mundo cinematográfico.
    Alguém, como o Scorcese por exemplo, precisa trazer esta gente mais à baila para que passemos a conhecer os verdadeiros homens do cinema. Nós, os de agora, estes que hoje fazem filmes e interpretam, nada mais são que seguidores de gente que nem mesmo eles foram capazes ou tiveram o trabalho de estudarem.

    Por exemplo, fiz tal qual você, já que amamos o cinema e tudo nos interessa; fui buscar quem era o Dwan. E até descobri que foi ele quem lançou, ou fez surgir, gente como Victor Fleming, que dirigiu O Mago de OZ, ...E O Vento Levou e até mesmo Joana D'Arc.

    Uma coisa não se pode fazer; deixar enterradas eternamente as memorias destes que fizeram o cinema verdadeiro. Quer ver uma coisa? Perfunte a um Dommenic Sena (diretor) ou a um Robert Zemecks (tb diretor)se algum deles sabem quem foi Cecil B de Mille?
    Duvido que saibam. Não são estudiosos do cinema e o fazem porque vêm muitos outros amadores e desprofissionalizados fazerem.
    Se soubessem que foi o Mille, poderiam aprender muito mais com ele e fazer cinema muito melhor.
    Assim como este, muitos e muitos outros.
    Abraço, amigo. E perdoe o entusiasmo. Mas é que acho que nós, cinemaníacos, sabemos muito mais de cinema que estes "ditos" profissionais.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  5. Darci?

    E verdade. Nós, falo isso por mim, roubava o que deixavam dando sôpa. Pedaços de fitas (que eles cortavam quando algo dava errado na exibição), fotos atores e atrizes, cartazes, etc.

    Eu chegava na porta dos cinemas mais de uma hora antes do inicio dos filmes para trocar gibis, figurinhas de atores e atrizes, tudo que tivesse relação com cinema. E como era gostoso!

    E, como você, nunca pensei que, na segunda feira, todo material de propaganda, junto com restos de fitas e o escambau, ia pro lixo. Se eu soubesse dessa novidade, com toda certeza que eu dorimiria na porta do cinema para abocanhar tudo.

    Que fase, heim? Nunca mais vão fazer garotos como nós. Nunca. Éramos nó cego.

    E você sabe que, foi por causa de tudo aquilo que fizemos, que hoje somos o que somos? Quer dizer; não somos nada. Mas conhecemos um pouco de algo maravilhoso, que é cinema. Certo?

    Olha, amigo Darci: tenho um orgulho danado de ter vendido amendoim torrado, cana em pedaços com casca e descascada, refrigerantes na Fonte Nova, limpado assoalho das casas dos ricaços, apanhado agua para eles, comprado o que eles pediam, feito o que me era possível para conseguir a entrada para o empoeirado.

    Me orgulho para caramba disso. Não fosse isso eu não estaria, hoje, conversando com pessoas lindas como tu, o querido Yvan e o tambem muito querido Nery. Iamos perder ou não com tudo o que arriscamos por amor?

    Vê como Deus escreve certo por linhas sinuosas?
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Bom baiano Jurandir. O material de publicidade acompanhava as latas de filmes que eram retiradas após os dias de exibição e seguiam para outros cinemas, geralmente das grandes cidades para o interior dos Estados. A cada exibição o material ia sofrendo mais e mais danos pela forma como era afixado, geralmente com percevejos ou pregos ou ainda fitas que chamávamos de durex. Quando o filme era devolvido à distribuidora, o material estava em frangalhos e a maioria ia mesmo para o lixo, posters e lobbycards, aqueles cartazestes menores, 20x30 cm. Cheguei a retirar de um cinema uma foto da minha amada Jeanne Moreau e Os Amantes que era proibidíssimo a menores de 18 anos. Troquei também muito gibi (sempre dois por um) na porta do Cine Marconi, no Bom retiro, em São Paulo, cinema das matinês dominicais. E claro, figurinha também. A aventura de ir ao cinema era algo incomparável com todo o ritual que cercava esse momento. É aquela história: hoje acumulamos mais anos de vida, mas esses momentos não se repetiram nas décadas seguintes e não se repetirão nunca mais. Para esses amigos que você citou sobra apenas o poder da imaginação para terem uma pálida idéia do que eram as matinês de domingo com nossos mocinhos, gibis, figurinhas e a gritaria durante as sessões. Êta Fellini danado. Amarcord!!!

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    2. Jurandir - Quem tem mais histórias para contar é o Prof. simões, o Tarzan de Guaçuí, cujo pai era dono do principal cinema da cidade, que ainda existe e deve ter quase 80 anos, pois Simões já bateu nos 76. Ele deveria escrever um livro mas não larga os halteres de jeito nenhum... Veja o que ele escreveu num e-mail:


      dei boas risadas com o e-mail e muita emoção ao lembrar meus tempos de criança,pegando os pressbooks{esses eram enviados,de graça para o cinema,como propaganda dos filmes}...depois que terminava o seriado eu escolhia os lobbycards e stills...quanta emoção eu sentia obrigado por levar-me de volta a ser criança abraço, Simões

      Darci

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  6. Amigo Ju!

    Darci esta certo. Tanto que também existe uma premiação em homenagem a este ilustre cineasta, o prêmio Cecil B. DeMille, um prémio dado anualmente pela Hollywood Foreign Press Association, na cerimónia do Globo de Ouro, em Hollywood, a todos aqueles que se notabilizaram no cinema. DeMille é matéria de debates também nas universidades e nas faculdades de cinema nos EUA. Se DeMille fosse um diretor brasileiro, talvez aqui como é um país sem memória, pudesse até ser esquecido.

    Pelo ótimo post, e de certa forma, o filme aqui apresentado até supera "Matar ou Morrer", porque agride não apenas o sistema, mas também diretamente o ogro, que deve ter ficado bem pau da vida.

    Paulo Néry

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  7. O artigo sobre Homens Indomáveis está muito bem fundamentado,
    aparentando preencher todo o conteudo do assunto. Principalmente para quem não assistiu o filme. Fiquei estimulado para assistir este filme, vou ver se o encontro em DVD. No elenco destaco a presença de John Payne que enriqueceu o cenário do western, ele foi durante um tempo o principal ator de westerner da RKO. Menciono também a participação de
    Stuart Whitman como ator coadjuvante.

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  8. Não vi este filme, mas depois deste texto, tornou-se um dos primeiros da lista de espera. Valeu, Darci.
    Agradeço a citação dos amigos, mas pelo jeito, sou obrigado a discordar de mim mesmo!Hahaha
    Paulo, neste caso, com o conteúdo crítico a Caça às Bruxas, acho que a arte "esperneia" contra a vida.
    Darci, favorito não, mas lembro com simpatia do Perlman em O Nome da Rosa. Aliás, o meu filho, hoje com 24 anos, desde muito pequeno assistia os filmes em VHS à noite. Sempre adormecia. O primeiro filme que viu inteiro, quase sem piscar, foi este. Alguma ideia do motivo, Darci?
    Bonita história de vida, Jurandir.
    Um abraço a todos.

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    1. "Paulo, neste caso, com o conteúdo crítico a Caça às Bruxas, acho que a arte "esperneia" contra a vida."

      Verdade, Nobre Ivan! Ainda assim, refletiu nas telas em forma de veemente crítica contra nefasta política.

      Abraços

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    2. Alô, Ivan, claro que Ron Perlman foi só uma brincadeira. Será que ele tem algum parentesco com Tom Waitts? São igualmente feios e o Tom Waitts é um dos Filhos de Lee Marvin). A brincadeira vem da sua admiração por atores e filmes assustadores como Além da Imaginação e Quinta Dimensão, além é claro de todos os inimigos da dupla dinâmica. Ron Perlman criou em O Nome da Rosa uma das figuras mais amedrontadoras do cinema.

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  9. Carissimo anonimo;

    Conversei há poucas horas com o amigo Paulo Nery por fone e ficamos trocando figurinhas por mais de hora e meia.
    Os assuntos iam surgindo e nós os degustando, degustando até que precisamos desligar.

    E, apenas a titulo de curiosidade, o Nery me informou que nem conhecia o John Payne, fato que me atiçou a memória, mas também não consegui buscar sua imagem no meu arquivo cerebral.

    Então, leio sua matéria e você surge com esta notícia linda de que conheceu bem as fitas e o Payne e, não apenas isso, afirma também que ele era o rei dos westerns da RKO.

    Puxa vida, caro anonimo. Você me abriu uma porta que vai me levar a uma pesquisa mais à fundo sobre o que disseste sobre o Payne. Assim, pediria ao amigo que passasse a trocar idéias e informações conosco, pois está visto que é tão amante de cinema quanto nós.

    Vamos. Escreva para nós, cite fatos que conheces e que podemos não conhecer como este, vamos ser mais amigos do que já o somos e dividir conhecimentos que é fundamental no ambito deste seguimento nosso.

    Quanto ao Stuart Whitman eu sei mais um pouco, já que ele fez filmes com o Duke e eu acompanhei bastante sua carreira.
    Abraço e seja bem vindo ao seio de pessoas que irá adorar trocar idéias e informações.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Peraí... Vocês devem estar de brincadeira ou é efeito do carnaval! Salve a mulatada brasileira!

      John payne foi promissor galã da Fox nos anos 40 e atuou com Carmen Miranda em diversos musicais. Atuou em sucessos como O Fio da Navalha e De Ilusão Também se Vive. Nos anos 50 fez diversos faroestes e um memorável policial - Os Quatro Desconhecidos com Lee Van Cleef, Nevile Brand, Jack Elam e Preston Foster. Eu tinha um amigo que sempre dizia, falando sério, que John Payne era melhor que John Wayne. No final de carreira John Payne fez até uma série de TV - The Restless Gun - que não me lembro se passou por aqui (alô, Ivan, passou ou não?).
      Amigos, aproveitando o Carnaval, vamos rever os musicais da Carmen Miranda e lembrar o galã John Payne.
      Darci

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  10. Nery;

    Não vou dizer que lavo minhas mãos porque isso não é um fato que justifique esta asneira de fala. Mas gosto de saber, de ti e do Darci, sobre o que citei do De Mille.

    Então, se o americano é um povo que tem memória, isto é um fato que deveria nos estimular em seguir, já que somos palperrimos neste angulo e, veja; Lembra de Quelé de Pajeú? Aquela beleza de fita que Anselmo Duarte fez na década de 70? Pois, você acredita que nem sequer uma cópia daquela linda pelicula existe no Brasil?

    Uma lástima, não? Então; quem viu Pajeú viu e quem não o viu jamais o verá, jamais conhecerá mais uma obra do excelente Duarte e, possivelmente seu mais forte e bem feito trabalho.

    Fico feliz por tantas noticias que me deste em nosso bom diálogo e também sobre a informação de que não concorda com o que disse sobre o de Mille. Tenho que ir aprendendo e tomando conhecimento de fatos mais profundos da arte que admiro como o bom e querido amigo.
    jurandir_lima@bolcom.br

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  11. Amigo Peixoto,

    Posso, claramente, ter uma idéia de o porque o garoto ter visto a fita até o fim.

    Mas, se não quiser que eu não fale eu me calo. Porém, tenho certeza de tanto interesse, já que parece estar falando de um adolescente.

    Então? Ainda acha necessário eu falar a razão depois de tantas dicas?
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, ele era bem pequeno. Tínhamos um ritual quase diário. Após o jantar, um filme. Sala escura, tela grande, bem a TV maior possível. Ele ficava no meu colo ou da esposa. E assim adormecia. Neste caso, as caras assustadoras e o clima medieval impressionaram o menino.
      Como contei uma história do filho, preciso falar da filha. Posso, Darci? Bem, como o xerife não respondeu...
      Estávamos, para variar, assistindo um filme. Minha filha surge na sala e pede torta. - O filme já vai acabar!
      Ela volta e pede novamente. - Calma! Está no fim!
      Iniciando no mundo das letras, escreve em um papel de caderno: Quero Torta. E coloca na frente da TV. Risadas. Quando o filme é interrompido ela gira o papel onde está escrito: Obrigada! A literatura venceu o cinema...

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  12. Peraí... Vocês devem estar de brincadeira ou é efeito do carnaval! Salve a mulatada brasileira!

    John payne foi promissor galã da Fox nos anos 40 e atuou com Carmen Miranda em diversos musicais. Atuou em sucessos como O Fio da Navalha e De Ilusão Também se Vive. Nos anos 50 fez diversos faroestes e um memorável policial - Os Quatro Desconhecidos com Lee Van Cleef, Nevile Brand, Jack Elam e Preston Foster. Eu tinha um amigo que sempre dizia, falando sério, que John Payne era melhor que John Wayne. No final de carreira John Payne fez até uma série de TV - The Restless Gun - que não me lembro se passou por aqui (alô, Ivan, passou ou não?).
    Amigos, aproveitando o Carnaval, vamos rever os musicais da Carmen Miranda e lembrar o galã John Payne.
    Darci

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    1. Não sei, Darci. Pelo menos uma foto de Vint Bonner já segue para teu e-mail.

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  13. Não quero defender nenhum crápula, mas não acho totalmente justo dizer que esses caras não tinham pelo menos um pouco de "boas intenções". Eles defendiam o seu modelo. Sem dúvida, foram muito infelizes nas ações, mas existe, digamos, a versão deles.
    Não vi esse filme, mas já estou de olho nele, depois de ler essa resenha do Darci.

    Esse é só mais um exemplo de pequenas pérolas que se descobrem por meio de algum

    corajoso que ousa falar do que é consenso esquecer.
    Acho bom demais ler esses textos do Darci.
    Abraço!

    Lemarc

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  14. Vinicius, como se costuma dizer, de boas intenções o inferno está cheio. McCarthy queria expurgar do país todos que pensassem diferente dele. Passada a situação que ele criou, ele próprio foi censurado pelo Senado. E alcoólatra que era morreu três anos depois. O que ele fez não tem perdão. Quem o seguiu também tem culpa. qunatos tiveram que sair de sua pátria para continuar trabalhando. Dassin, Losey. Trumbo só voltou pela coragem de Kirk Douglas. Na minha opinião McCarthy foi sim um crápula.
    Um abraço do Darci

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  15. Já comentei em outro post que McCarthy caçava comunistas em órgãos do governo. Quando os procurou nos militares...
    Em 1950, ele começava seus momentos de glória e os Dez de Hollywood já estavam, depois de julgados, cumprindo sua pena na prisão. Foi a HUAC, citada pelo Darci, que "cuidou" de Hollywood. Interessante notar que o nome original desta horrível comissão era HCUA , House Committe on Un-American Activities. Ficou conhecida como HUAC, ainda bem, por seus críticos, porque teria o significado jocoso: House Un-American... Ou Comissão Anti-Americana de Atividades da Câmara.
    Não se entenderá McCarthy sem incluir Truman, Eisenhower, Hoover, Nixon, Reagan, etc. Se os últimos nomes passaram pela Caça às Bruxas de certa forma incólumes, e dois chegaram a presidir o país depois, é porque a sociedade americana ainda estava disposta a continuar uma espécie velada de "macartismo sem McCarthy".
    Como já disse um personagem de Lampedusa, no cinema interpretado por Lancaster, em O Leopardo, é preciso mudar para que as coisas permaneçam como estão...

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  16. Darci, concordo com você que os fins não justificam os meios. Eu não tenho simpatia por qualquer tipo de postura que atropela, sem alargar a visão, principalmente desrespeitando os direitos das pessoas. Como você, tenho ojeriza a esse tipo de comportamento que julga, e pior, sumariamente, antecipando alguém como culpado, e lhe tirando tudo, até o direito de defesa, como aconteceu a Chaplin. McCarthy foi repudiado até no próprio senado, mas como em The Ox-Bow Incident ou no próprio Silver Lod , justamente para não nos - digamos - igualarmos a ele, nunca é demais lembrar que nem sempre a coletividade está com a razão, ou com toda ela. Acho que é querer demais, p.e., que os americanos, seja lá seus interesses, fiquem de braços cruzados enquanto o terrorismo se alastra, ameaçando-os e a todos. Isso não quer dizer que sou favorável a dar carta branca pra fazerem as coisas que vemos por aí. É pela omissão de quem deve agir que o mal prevalece. Fosse assim, eu deixaria de assistir a John Wayne, "porque ele era um cara totalmente mal intencionado". Isso é só uma ponderação antiextremista.

    Abraço!

    Lemarc

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  17. LeMarc, de certa forma você tem razão. Qualquer situação política fora de um determinado contexto acaba sempre analisada erroneamente. Entendo também que os E.U. não deveriam assistir passivamente a expansão do Comunismo uma vez que é um regime contrário ao pregado por Republicanos ou Democratas. Mas homens como McCarthy são capazes de grandes estragos. Havia na visão extremista desse homem muito dos totalitaristas que dominaram países e por pouco não dominaram o mundo. É muito interessante conhecer o pavor que o grande cowboy John Wayne tinha dos vermelhos. Existem histórias, contadas por ele próprio, que renderiam emocionantes filmes de mistério, terror e aventura... A diferença é que aprendemos a amar John Wayne. Já esse tal McCarthy... Melhor ficar com o Dan Duryea.

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  18. Caro amigo Jurandir sobre John Payne vejo que nosso editor sabe mais do que eu. Mas posso asseguar para você que ele fez realmente num periodo mais avançado de sua carreira vários Westerns B de boa qualidade. Trabalhou até com lindissima ruiva Rhonda Fleming, que você tanto elogiou em comentario recente, e nesse mesmo filme trabalha também o canastrão Ronald Reagan, lembra aquele que foi Presidente dos Estados Unidos. Sinto caro amigo não poder colaborar mais com vocês
    em matéria de conhecimento cinematografico, porque na verdade
    aqui eu sou aluno e vocês os professores. Vou pular o carnaval
    em frente da televisão, ver as mulatas e tudo mais, e porque
    não ver a voluptosa Sharon Stone no camarote do Terra, Onde?
    Ai na Bahia esta terra de gente maravilhosa e abençoada por Deus. SC

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  19. Fico com uma gostosa "inveja" ao ler os comentários nostálgicos dos caros colegas aí de acima. Adoraria ter sido garoto nos anos 50 e 60.
    Boa também a discussão em torno do macarthismo. Sou inclinado a compartilhar das mesmas ideias do Lemarc. Precisamos contextualizar o macarthismo no período "quente" da Guerra Fria, onde, olhando do presente, é até possível entender a paranóia existente nos EUA em relação ao comunismo.
    O que não significa justificar os atos do senador McCarthy, óbvio.

    Darci, assistindo ao maravilhoso documentário do Scorsese é que tive conhecimento desse western. Até já o consegui via "cine-download" mas ainda não o vi. Seu texto fará com que eu o coloque na frente de uma longa fila de filmes que tenho que conferir.

    Por sinal, falando do Scorsese, meu diretor predileto entre os atualmente em atividade, assisti nesse carnaval ao seu último filme, "A Invenção de Hugo Cabret".
    Recomendo-o a todos os que aqui frequentam, pois é uma belíssima homenagem ao cinema. Não tem como ficar indiferente á paixão que Scorsese devota a essa arte maravilhosa que nos faz rir e sonhar.
    Fica a dica aos amigos do "Cinewesternmania". Vocês irão viajar no tempo e sairão do cnema muito felizes.

    Um abraço,
    Edson Paiva

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  20. Édson, sugestão anotada, ainda que Scorsese nunca tenha feito um western. Mas depois de ter feito Touro Indomável não precisava fazer mais nada, né mesmo? E o baixinho gosta de música como ninguém. Lembra do Último Concerto de Rock? O cara ainda foi assistente de direção do documentário sobre Woodstock e tem na agulha um documentário sobre George Harrison. Na onda dos clips musicais ele fez dois espetaculares para Bruce Springsteen, Dancing in the Dark e Glory Days.
    Um abraço - Darci

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    1. Darci, Scorsese já afirmou em mais de uma entrevista que sonha em realizar um western. É visível a paíxão que ele tem pelo gênero.
      Na obra-prima "Casino", que acredito ser sub-avaliada pela maioria dos críticos, ele cria uma sequência em pleno deserto assumidamente "western". É aquela do encontro entre os personagens de Joe Pesci e De Niro, mais ao final, que prenuncia um verdadeiro duelo entre ambos. Lembro-me dele ter dito que a inspiração era o velho bang-bang, o que podemos sentir em cada plano da sequência.
      Scorsese é um dos grandes de todos os tempos. Não precisa provar mais nada. Mas falta-lhe um western. E acho que ele sabe disso.

      "The Last Waltz" é sublime, Darci. Fico arrepiado com alguns momentos daquele documentário, principalmente quando Bob Dylan entra em cena. É uma obra nostálgica, bela e muito triste. Verdadeiro testamento de uma época, para usar um cliché. E "The Band" era maravilhosa!

      Ainda sobre Scorsese e a música, vale lembrar também suas trilhas maravilhosas onde o rock e o blues imperam. As de "Os Bons Companheiros" e do já citado "Casino" são espetaculares.
      E seu documentário sobre Dylan (No Direction Home) é imperdível.

      Agora uma dúvida: os clips musicais que você citou são mesmo dirigidos por ele? Até procurei uma confirmação na internet mas não encontrei. Você não teria se equivocado? Dele lembro-me apenas de "Bad", do Michael Jackson.

      Amo, mas amo mesmo, "Dancing in the Dark" do Springsteen. Aquele clip me traz adoráveis recordações. E é também uma prova de como a simplicidade pode ser contagiante. Um homem, uma música, um palco. O suficiente para empolgar. Um bom show não precisa de pirotecnia. Como aliás "The Last Waltz" já deixava claro.

      Meu amigo, já estamos há muito fora do tema.
      Um abraço
      Edson Paiva

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  21. Édson, aquele era um tempo em que os clips engatinhavam e usavam menos recursos de computação gráfica. Na época assisti Dancing in the Dark diversas vezes para tirar a dúvida se a subida da moça ao palco havia sido espontânea. Claro que não. Era uma atriz, mas de qualquer forma foi um achado do diretor. Foi sim obra de Scorsese, ainda que tenha visto o clip no YouTube e não traga nenhuma identificação. Vou ter que procurar no velho e bom VHS que ainda devo ter guardado.
    Se você é fã do Bruce, não deixe de ver este vídeo no YouTube. Ele nunca esteve melhor acompanhado...
    http://youtu.be/1Pngbr1j1z4
    Um abraço - Darci

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    1. Terei aqui que me valer do riso estilo na internet... huahuahuauhauhauhauha!

      Super bem acompanhado, nê?
      Muito bom, Darci.

      Edson Paiva

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  22. Darci, acho que o clipe foi dirigido por Brian De Palma.
    A atriz chama-se Courteney Cox, mais conhecida pela série Friends.

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  23. Caro Anonimo, que não é Sta.Catarina (SC) conforme imaginava o mestre Darci e sim como cita o Paulo Nery (nome que ora me foge!), não dá para competir com o grande Darci. Ele sim é a fera que você molda e não eu, que sou seu aluno e que tenho aprendido muito com o mesmo.

    Vi, realmente, uma meia duzia de fitas protagonizada pelo John Payne, porém isso 50 anos atrás e de nada recordo.

    O Darci não acredita e acha que estamos de brincadeira (veja seu texto acima), mas esta é a verdade. E tem mais; chances para atualizar a memória não vejo, já que os faroestes desapareceram até mesmo das TV'S.
    Grande abraço
    jurandir_lima@bol.com.br

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  24. Caro Jurandir acredito que como cinéfilos e seres humanos algumas coisas gravam mais em nossa memoria do que as outras.
    Por esta razão alguns atores e filmes nunca esquecemos. Estou
    aprendendo muito com vocês e o que é mais importante tenho
    prazer em participar desses comentários. O mestre Darci tem conhecimentos enciclopedicos em matéria de westerns, temos que
    aproveita-los com prazer. Quanto a sua memoria caro Jurandir
    não há o que atualizar, pois você descreve cenas e enredos com
    grande precisão e minucias, que representam um grande teste de memoria. Com relação ao desaparecimento dos faroestes da TV, eu sinto muita falta. Todavia temos que nos conformar e nos adaptar as mudanças oriundas do tempo, tentando ver a coisa pelo lado pratico. Certa vez uma pesquisa apresentou o cinema em terceiro lugar da economia mundial. Temos que convir que
    os produtores querem lucros e seguem os modismos do grande
    publico. Na verdade hoje em dia o mundo virou um grande e
    portentosa mercado. Abraços SC

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  25. Amigo Sidney, sem falsa modéstia, vamos deixar essa coisa de Mestre de lado. Sou um esforçado blogueiro que pesquisa bastante e aproveita o background de tanta décadas assistindo faroestes. Mestres eu só chamo a duas pessoas nestas áreas de entretenimento: Clóvis Ribeiro e A.C. Gomes de Mattos. Nosotros, como diria Agustín Lara, somos apenas blogueiros bons alunos de gente como esses citados.
    Um abraço - Darci

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  26. Caro Darci, respeito sua colocação de esforçado blogueiro. Mas
    você citar Agostin Lara foi complicado, minha mente já viajou
    e foi encontrar Maria Bonita sua composição que eu mais aprecio. Segundo seus biografos ele a dedicou a bela estrela
    mexicana Maria Felix que me trouxe recordações da Idade de Ouro do Cinema Mexicano.
    Por estas e outras razões é sempre um prazer poder participar
    de CINEWESTERNMANIA. Um abraço - Sidnei

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  27. Sidney, a proposta do CINEWESTERNMANIA é se limitar ao grandioso espaço cinematográfico do faroeste. Fosse o caso de extrapolar para outros gêneros e La Doña seria um dos primeiros enfoques. Fica aí uma sugestão para que outros blogs lembrem-se do cinema mexicano, tão discriminado quanto o próprio faroeste.
    Darci

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  28. Sidney,

    Vez em quando repasso postagens passadas e vejo que poderia ter dito mais alguma coisa a respeito de alguns comentários e não o fiz.
    É o caso seu, que fala quando assistia a filmes mexicanos.
    E me vi na sua pele, no mesmo saudosismo, na mesma vontade e sofrimento por deixar de ver peliculas tão deliciosas feitas naquela praça.

    Recordo de dois filmes que vi, um faroeste e outro com tema mitológico, que se chamavam; A Flecha Envenenada e Diana, A Caçadora.

    Ora, caro Sydney; podiam não ser lá estes grandes filmes. Mas éramos adolescentes demais para fazer seleções. O que queriamos era ir para o cinema e nos divertir, não é verdade?

    E isso até o cinema Mexicano nos fornecia, e muito. Mas perdemos tudo isso, porque até filmes Russos passavam. Hoje? Bem, caro companheiro, hoje temos de viver de lembranças.
    Grande abraço
    jurandir_lima@bol.com.br

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  29. Assisti “Homens Indomáveis” (Silver Lode ) e o tenho como um grande faroeste, principalmente pelas implicações do roteiro que denunciou o macartismo nos EUA - a perseguição aos comunistas que se transformou numa caçada desenfreada a todos os intelectuais e artistas engajados da época. John Payne está excelente e Dan Dureya, como sempre, perfeito! Assim como também no antológico " Matar ou Morrer " ( High Noon/1952 ), que Fred Zinnemann rodou com Gary Cooper e Grace Kelly, há ecos de denúncia do macartismo ( mais implícita ) no faroeste " Três Horas para Matar " ( Three Hours To Kill/ 1954 ), dirigido por Alfred L. Werker e estrelado por Dana Andrews e Donna Reed. A história do cidadão respeitado que, em poucos minutos, torna-se injustamente um pária aos olhos de toda uma comunidade, encontra nesse filme uma síntese perfeita. Dana Andrews, como Jim Guthrie, deu credibilidade ao personagem e a " podridão " do sistema vem à tona nas atitudes dos moradores honestos que estão sempre à beira do linchamento moral e físico, levados pelas palavras de quaisquer indivíduos conservadores e inquisidores, que tem sempre um passado pior e mais duvidoso! Esses filmes evocam uma antiga tese: que mal que os " bons " fazem !
    Adriano Miranda-Franca-SP

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  30. Olá, Adriano - Confesso que minha cópia de Três Horas para Matar não é boa, o que até agora não me levou a comentar esse filme, para muitos magnífico. - Um abraço - Darci

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