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| Um excelente western com história de Kenneth Gamet. |
Quando o
assunto são os westerns de Randolph Scott é inevitável lembrar da série
dirigida por Budd Boetticher, especialmente aqueles cinco filmes que tiveram roteiro
de autoria de Burt Kennedy. Mas muito antes dessa série filmada entre
1956-1960, Scott teve uma das mais prolíferas carreiras de um ator no gênero. E
antes de Burt Kennedy, outro autor escrevia os roteiros para os sempre acima da
média faroestes de Randolph Scott. O nome desse escritor é Kenneth Gamet, autor
dos roteiros ou histórias originais, entre outros, dos westerns “Obrigado a
Matar” (A Lawless Street), “Arizona Violento” (Ten Wanted Men) e “Terra do
Inferno” (Man in the Saddle). São de autoria de Gamet também os roteiros de “O
Rastro do Bruxa Vermelha” e “Horizontes de Glória”, veículos para o estrelato
de John Wayne. Dos mais de 50 trabalhos de Gamet para o cinema, merece ser
lembrada a história do excelente “O Sabre e a Flecha” (Last of the Comanches),
transposição para o faroeste de “Sahara”, clássico com Humphrey Bogart e Dan
Duryea. Um ótimo exemplo de como Kenneth Gamet escrevia histórias pouco
originais mas mesmo assim bastante interessantes é “Santa Fé” (Santa Fe),
faroeste de 1951, dirigido por Irving Pichel e estrelado por Randolph Scott
numa produção da inesgotável Scott-Brown.
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| Jerome Courtland, John Archer, Peter Thompson e Randolph Scott; abaixo Scott com Janis Carter. |
Levando a ferrovia ao Colorado - “Santa
Fé” conta a história dos quatro irmãos Canfield que deixam a fazenda que
possuíam na Virgínia após a devastação ocorrida com a Guerra Civil. Os irmãos
Canfield são Britt (Randolph Scott), o mais velho; Clint (John Archer); Tom
(Peter Thompson) e Terry (Jerome Courtland), o mais jovem dos quatro. Num entrevero com dois yankees fardados num
bar, os irmãos são provocados por um deles, veterano cabo do exército (Francis
McDonald) e acabam matando o provocador. Decidem então fugir e Britt se emprega
na ferrovia Atchison, Topeka and Santa Fé. Os demais irmãos Canfield enveredam
pelo caminho do crime sob as ordens de Cole Sanders (Roy Roberts). Britt se
torna amigo de Dave Baxter (Warner Anderson), engenheiro-construtor da ferrovia
e ajuda no trabalho de ligar o Kansas, desde Atchison até a fronteira com o
Estado do Colorado, num total de 480 quilômetros (300 milhas) dentro de um
prazo estipulado. Caso consigam o objetivo até 1.º de março próximo receberão a
concessão de terras para ampliar a malha ferroviária. Britt se enamora da viúva
Judith Chandler (Janis Carter) que trabalha para a ferrovia e ao mesmo tempo
tenta fazer seus irmãos desistirem de serem malfeitores. Durante um assalto ao
banco de Dodge City, Tom Canfield é morto e em seguida são mortos também Terry
e Clint. Apenas Britt sobrevive e prossegue no trabalho de ligar os Estados
Unidos através da ferrovia, claro que ao lado da bela viúva Chandler.
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| Os Canfields ainda juntos e ainda dentro da lei. |
A família e o crime - O tema de
irmãos que formam quadrilhas foi incontáveis vezes levado ao cinema com as
histórias dos quatro irmãos Younger e de Frank e Jesse James, quando não com
todos reunidos na mais famosa gang que aterrorizou os Estados Unidos no
pós-Guerra Civil. Esses bandidos se tornaram lendários, especialmente os James
e a literatura e o cinema muito contribuíram para isso. “Santa Fé” conta também
a história de quatro irmãos mostrando como a possibilidade de ganhar dinheiro
fácil com jogo, bebida e assaltos leva à desintegração moral da família e à sua
quase extinção. Algo próximo do que Luchino Visconti faria com “Rocco e Seus
Irmãos” anos mais tarde. Os Canfields, a exemplo dos Parondi do filme de
Visconti são tragados pelo meio em que vivem, no caso Milão, até a morte de
Simone e a separação de todos. Britt Canfield, assim como Rocco, se sente
responsável pelos descaminhos trilhados por seus irmãos ainda que Dodge City guarde
poucas semelhanças com a grande cidade da obra-prima de Visconti.
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| Scott esmurra Roy Roberts; abaixo Jock Mahoney tenta esganar Scott. |
Randy Scott em boa forma - Por ser um
faroeste de orçamento médio, com apenas 87 minutos de duração e dirigido a um
público que quer mesmo é vibrar com o heroísmo de Randolph Scott, “Santa Fé”
não perde tempo com elocubrações sociológicas. Mas o que não falta neste
western de Irving Pichel é ação de boa qualidade com Scott em ótima forma aos
53 anos de idade. A intensa movimentação de “Santa Fé” só é interrompida pelas
muitas situações de comédia com o atrapalhado maquinista Luke Plummer (Billy
House) e o esperto foguista Dan Dugan (Olin Howland), ambos operando a
simpática ‘Little Buttercup’, nome da locomotiva. Dugan é desonesto no pôquer,
limpando o companheiro e ainda sabe se comunicar com os índios que tem como
cacique o muito engraçado Chief Longfeather (Chief Thundercloud). E a melhor
piada do filme é quando o engenheiro Baxter promete ao cacique que um dia ele
se tornará nome de trem, o que veio mesmo acontecer com o lendário ‘Santa Fé Super Chief’. E há ainda os
menos engraçados Moose (Harry Cording) e Swede (Sven Hugh Borg) eficientes
tanto como mestres de obra da ferrovia quanto como cães de guarda impedindo que
o jogo e a bebida dominem os trabalhadores da ferrovia e atrasem os trabalhos.
O diretor Irving Pichel, que nunca foi do gênero western, mescla bem os
momentos de comédia com os de ação. Pichel que era também ator, gostava de
aparecer nos filmes que dirigia, interpretando em “Santa Fé” o construtor
Harned, da ferrovia rival, a Denver-Rio Grande.
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| O maquinista Billy House e o foguista Olin Howland; Chief Thundercloud como maquinista diz preferir cavalos de verdade aos cavalos de aço... |
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| Randolph Scott, Peter Thompson, Jerome Courtland e John Archer; abaixo Roy Roberts, Janis Carter e Jock Mahoney ou Jack Mahoney ou Jock O'Mahoney, melhor deixar pra lá... |
Sininhos na cartola - Igualmente
engraçado é o vício ambulante organizado por Cole Sanders com o auxílio de seu
capanga Crake (Jock Mahoney) e mais tarde pelos três Canfields que se tornam
bandidos. Roletas, mesas de jogo e muito whiskey seguem a construção da estrada
para estar sempre próximos do salário dos 200 trabalhadores. E Britt impõe
respeito ao grandalhão Crake fazendo-o comer terra por duas vezes depois de
carregá-lo num carrinho de mão. No auge da corrida entre a 'Atchison, Topeka and
Santa Fe Railroad' contra a 'Denver-Rio Grande Railroad', a pressa de Britt deve esperar pelo
término da competição de violino entre três músicos, que termina com a vitória
daquele que aguentar tocar por mais tempo. E os fãs de Randolph Scott o verão
ainda se fazendo de advogado e desacreditando uma testemunha com argumentação
de fazer inveja aos grandes criminalistas. Isso acontece diante de Bat
Masterson (Frank Ferguson), o xerife de Dodge City. Entre as muitas
situações-clichês, Kenneth Gamet não hesitou em colocar sininhos na cartola de
Tom Canfield, numa citação aos sininhos usados por Joel McCrea, Zachary Scott e
Douglas Kennedy em “Mercadores de Intriga” (South of St. Louis), rodado em
1949. E se não faltam os estereótipos do gênero western, isso não chega a
incomodar diante de tanta ação apresentada.
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| Randolph Scott na 'Little Buttercup' e o cartaz recrutando trabalhadores para a ferrovia e avisando que os cozinheiros devem estar sóbrios... |
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| Jock Mahoney numa espetacular cena de queda do trem em movimento. |
Show de Jock Mahoney - Randolph
Scott, apelidado de ‘Rosto de Granito’ tem a atuação que dele se espera, isto
é, sóbria e convincente. E não é desta vez que Scott beija a mocinha que não
tão mocinha, a madura Janis Carter. Roy Roberts é um vilão intimidador e seu
braço direito é Jock Mahoney que
aproveita para comprovar que é tão excepcional stuntman quanto parcos são seus
recursos como ator. A luta entre Mahoney e Scott (este com dublê, naturalmente)
num trem em movimento foi excelentemente encenada e a queda de Mahoney do trem
é espetacular. Algumas sequências de “Santa Fé” primam pelas más interpretações
denotando desleixo do diretor pouco exigente, como se o filme não merecesse
melhor atenção. “Santa Fé” é um western que vale mesmo pela boa história, pelos
cenários naturais bonitos, pela movimentação e pela presença de Randolph Scott,
sempre motivo de satisfação num faroeste.
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| Foto para a publicidade... Não espere ver Randy colando os lábios com Janis Carter pois ele conseguiu evitar o beijo final. |











