UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

6 de fevereiro de 2012

TOP-TEN WESTERNS DE EDELZIO SANCHES, DO BLOG “BANG BANG ITALIANA”


WESTERNCINEMANIA traz mais um Top-Ten Westerns, desta vez a seleta relação de Edelzio Sanches, editor do blog “Bang Bang a Italiana no Brasil”. Este certamente é um dos Top-Ten mais aguardados pois sendo Edelzio um estudioso dos westerns spaghetti e apaixonado por essa vertente do gênero, a curiosidade é naturalmente enorme. Vamos então conhecer a lista de preferências do blogueiro-cantor, antes lembrando que Edelzio situou "Três Homens em Conflito" em 1.º lugar, vindo os demais filmes na ordem por ano de produção.


Agradeço ao convite de meu grande amigo Darci em participar deste espaço opinando sobre alguns de meus filmes favoritos. Aqueles que de alguma forma ficaram na memória com cenas inesquecíveis como pra qualquer fã do gênero.
Infelizmente são só os 10 que podemos citar, mas todos sabemos que é muito difícil a escolha, pois são centenas de boas lembranças como pode ser injusto em deixar de citar filmes como “Gunfight at the O.K. Corral de 1957”, e tantos outros, mas acho que só a participação e opinião já dá pra sentir e relembrar alguns detalhes destes filmes. Sempre asssisti a centenas de filmes americanos, até mesmo suas séries de TV, como “O homem de Virginia”, “Big Valley”, “Gunsmoke”, “Bat Masterson”, “Bonanza”, “James West”, “Daniel Boone”, “Durango Kid”, “Paladino do Oeste” e todos que chegaram ao Brasil mas me tornei fã estudioso do Espaghetti Western e não tenho preconceito nenhum quanto a nenhum estilo. Todos satisfazem minhas paixões por eles e acho que é isso o que vale independente de ahar que este é melhor que aquele. Tudo é bom de se ver. Costumo dizer que sou torcedor do Santos F C, mas adoro ver uma partida entre Palmeiras e Corinthias. Assim são com os filmes. Valeu Darci.
                                                                                                                 Edelzio Sanches


“O Bom, o Mau e o Feio”/“Três Homens em Conflito” (Il Buono, il Brutto, il Cattivo), 1966 - Com a direção de Sergio Leone. Três homens – O Bom (Clint Eastwood), o Mau (Lee Van Cleef) e o Feio (Elli Wallach) – estão atrás de um tesouro escondido em um cemitério. Cada um deles conhece apenas uma parte da sua localização, o que faz com que eles tenham que se unir. O problema é que nenhum deles está disposto a dividir o que encontrarem. Para mim é o número 1. Um roteiro Completo, com ação, violência, humor, vingança, traição, guerra civil, corrupção, enfim todos os ingredientes dignos de durarem para sempre em uma aventura. (E.S.)


Matar ou morrer (High Noon), 1952 - É, possivelmente, um dos melhores de todos os tempos. Uma produção de sucesso de bilheteria por Stanley Kramer e Fred Zinnemann o diretor (que também dirigiu From Here to Eternity (1953) e A Man For All Seasons (1966) ). O gênero western aqui foi usado para contar evidenciar um problema incomum sobre as responsabilidades cívicas e sociais, sem grande parte da violência como era de costume, paisagens panorâmicas, ou tribos de índios saqueadores. Os diálogos entre Kane e Amy são muito bons. Escrito durante a politicamente atmosfera opressiva no início dos anos 1950, quando o macarthismo e perseguição política estavam se espalhando, foi livremente adaptado de uma novela The Star Tin (por John W. Cunningham), publicado em dezembro de 1947. Na verdade, a história do filme tem sido muitas vezes interpretada como um jogo de moralidade ou parábola. Will Kane (Gary Cooper) é um xerife que fica sabendo na hora de seu casamento que ao meio-dia chegará um trem trazendo Frank Miller (Ian MacDonald), um criminoso que mandou para a cadeia e planeja se vingar. Apesar de Amy (Grace Kelly), sua noiva, argumentar que devem ir embora, ele acha que fugirá para sempre se não enfrentar a situação. A população (com raras exceções) se refugia sem ajudá-lo, apesar dele pedir aos cidadãos para enfrentarem o pistoleiro e seus cúmplices. (E.S.)



Da Terra Nascem os Homens (The Big Country), 1958 - Duas famílias de fazendeiros texanos, lutam durante anos pela posse de um sítio pequeno, de onde vem água necessária a seus rebanhos e plantações. A personagem principal é a Terra e, como pano de fundo os grandes latifúndios do Texas, motivo pelo qual este primoroso filme foi fotografado em tela larga, pelo processo Technirama. Faroeste de alto nível, dirigido pela mão segura de WilliamWyler, com elenco vigoroso, trilha sonora e música excepcional de Jerome Moross. Oscar de coadjuvante para Burl Ives. Uma obra-prima americana. Acho que este foi um dos westerns inspirados para tantos outros Espaghetti Westerns entre brigas de famílias como por exemplo em “Por um punhado de dólares” de Leone. Com Gregory Peck e Jean Simmons. (E.S.)




Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven), 1960 - Western americano, dirigido por John Sturges (um dos meus americanos preferidos) com roteiro de William Roberts e inesquecível trilha sonora Elmer Bernstein (aquela do Mallbhoro). Levou um Oscar em 1961 na indicação “categoria de Melhor Trilha Sonora”. O filme conta a história de um grupo de mexicanos residentes em um pequeno vilarejo, e que vivem aterrorizados pelo bandido Calvera (Eli Wallach) e sua gangue, que invade o local com frequência para roubarem mantimentos e o dinheiro da colheita dos peões. Os mexicanos desarmados e indefesos não tem dinheiro e nem tampouco coragem para enfrentá-los. Visando obter ajuda, três deles deslocam-se até a fronteira onde encontram Chris Adams (Yul Brynner) e Vin (Steve MacQueen), dois pistoleiros norte-americanos desempregados e que arregimentam “7 pistolas para os MacGregors”. (E.S.)




“Por uns Dólares a Mais” (Per Qualche Dollaro in Più), 1965 - Este é o filme do meio da “Trilogia do Homem Sem Nome”, também conhecida como “Trilogia do Dólar”. Aqui, dois caçadores de recompensa, Monco (Clint Eastwood) e Coronel Douglas Mortimer (Lee Van Cleef) estão atrás de um mesmo homem, El Indio (Gian Maria Volonté). Em busca de sua recompensa, os dois decidem formar uma parceria. O dinheiro é o motivo de Monco e a vingança é o motivo de Mortimer. A música universalmente conhecida de Ennio Morricone dispensa comentários. (E.S.)




O Dia da Desforra (La Resa dei Conti), 1966 - Direção de outro grande Sergio, o Sollima. O mercenário Jonathan Corbett (Lee Van Cleef) é famoso por ter varrido os bandidos do mapa. Assediado por um poderoso para virar político, Corbett é contratado para sair em busca de um jovem mexicano, Cuchillo (Thomas Milian), acusado de estuprar e matar uma menina de 12 anos. Chuchillo é muito hábil com facas e a perseguição é longa e difícil. Com o tempo, Corbett percebe que a história do alegado crime cometido por Cuchillo tem mais de uma versão. Neste, magistralmente é concebido o motivo político e o poder na política envolvendo inocentes em meio a corrupção. (E.S.)




“Sabata, o Homem que Veio para Matar” (Ehi Amico... c'è Sabata, Hai Chiuso!), 1969 - Com a direção e criação de Gianfranco Parolini (Frank Kremer) que criaria também Sartana. O misterioso pistoleiro com sua manta negra “Sabata” caçador de recompensas, chega à cidade de Daugherty para receber o prêmio por ter dado fim ao bando que roubara 60.000 dólares em ouro do exército americano. O problema é que pelo dinheiro não ter sido encontrado, gera um repertório imenso e situações engenhosas no roteiro para as cenas de suspense e ação, com as belas sequencias musicais de Marcello Giombini, um dos meus maestros preferidos no gênero. Parolini realmente foi um artesão e criou muitos personagens marcantes como Lee Van Cleef respondendo por Sabata, um dos personagens mais bem sucedidos dos Espaghettis, O Mexicano “Caruncha” (Pedro Sanchez), Ali Cat, o acrobáta índio, e Banjo (Berger) com sua Winchester camuflada em um banjo enfrentando os Claytons na rua da cidade. Cito este filme entre o top 10 para prestar uma homenagem aos atores William Berger e Pedro Sanchez, que muitos filmes frizeram trazendo alegria aos fãs do Espaghetti. Pedro Sanchez participou da trilogia de Sabata, inclusive o último “Adiós Sabata” ao lado de Yul Brynner. (E.S.)

“Quando Explode a Vingança" (Giù la Testa), 1971 - Juan Miranda (Rod Steiger) é um ladrão mau e desajeitado que tem seu caminho cruzado por John Mallory (James Coburn), um terrorista irlandês fascinado por explosivos e que está fugindo dos ingleses. Miranda convence Mallory a usar seus conhecimentos em explosivos no roubo do grande “Banco de Mesa Verde” e eles acabam entrando de cabeça na Revolução Mexicana. Neste Miranda luta pelo dinheiro e Mallory por vinganças idealistas. Outra memorável aventura dirigida por Leone canalizando aqui conflitos políticos sociais ligando a Europa à América. (E.S.)




“Meu Nome é Ninguém" (Il mio Nome è Nessuno), 1973 - Com a direção de Tonino Valerii e co-autoria da grande lenda do faroeste Sergio Leone, eis mais um bangue-bangue de arrepiar. O jovem e ambicioso pistoleiro conhecido como “Ninguém” (Terence Hill) está de olho em seu ídolo, o Rei do Gatilho, conhecido como Jack Beauregard (Henry Fonda), que já pensa em se aposentar. Decidido a evitar que seu herói deixe o cano do revólver esfriar, ele lhe prepara uma emboscada com os piores bandidos do Oeste, apenas para vê-lo em ação pela última vez, resultando em um desfecho dos mais memoráveis. Neste, Terence Hill sem Bud Spencer consegue também ser memorável. Como sempre nos poucos filmes de Leone ele conseguia colocar de tudo um pouco na aventura; romance, humor, aventura, sexo, traição, morte, política, ambição, enfim, tudo o que você pensar vai encontrar nos seus westerns e essa era a intenção do diretor; passar ao publico o que ele gostaria de ver na tela do cinema de sua cidade – comentou certa ocasião. (E.S.)




“O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), 1985 - É um filme que deixa todo mundo tenso na poltrona. Um western dirigido e estrelado por Clint Eastwood. O título é uma referência ao quarto cavaleiro do Apocalipse, o que cavalga um cavalo baio (pale) e se chama Morte. Foi filmado em Boulder Mountais e na área de recreação do Parque Nacional Sawtooth em Idaho. Concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes no mesmo ano. Michael Moriarty interpretando Hull Barret prova neste filme que a beleza física não é fundamental em um bom western e também interpretação bem Carrie Snodgress no papel da jovem Sarah. Um elenco escolhido a dedo por Eastwood que fez deste um Clássico memorável muitos anos depois do western já estar sepultado abrindo novamente o caminho para outras produções do gênero. A história central é o conflito entre o grupo de mineiros pobres e um poderoso homem da cidade. Tudo começa quando o cavaleiro desconhecido defende um mineiro de uma gangue de arruaceiros. Para surpresa do mineiro, ele usa um colarinho de traje religioso. Então o mineiro convida esse suposto pastor para jantar em sua casa. Na sequência do filme o pastor se integrará a comunidade pobre, até chegar a hora do confronto contra as forças do poderoso capitalista. Uma influência do clássico Shane incluindo a cena final, muito parecida. Há também referências ao personagem mais famoso de Eastwood, o Pistoleiro sem nome principalmente da forma que este apareceu em High Plains Drifter de 1973. Ambos os cavaleiros aparecem montando um cavalo Appaloosa (talvez pela semelhança com o termo inglês Pale, o tipo de montaria referida como sendo da Morte). A diferença é de que aqui o Estranho parece ter vindo do Céu e não do Inferno, como o do outro filme. Clint Eastwood trouxe lógico, muita experiência de sua escola nos Euro-Westerns da década de 60. (E.S.)



152 comentários:

  1. Edelzio, conhece o drink "Sergio Leone"?

    Ingredientes que devem ser misturados:
    1 - Stravinsky definindo a música: "Sucessão de impulsos e repousos."
    2 - Acho que foi Kubrick quem disse: uma boa história deve ser contada lentamente e entrar pelos poros do espectador.
    3 - Poeira.

    Parabéns pela lista, comentários e pelo teu blog.
    Um abraço.

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  2. Darci, parabéns pelo Aniversário do Blog. O Meu comemora amanhã também 1 ano.
    Estou sempre por aqui lendo seus ótimos posts.

    Abração

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  3. Mais um top-ten que merece nossos sinceros aplausos. Pudemos conhecer um pouco mais do nobre Edelzio, cujo blog conheci um pouco depois que vim a construir o meu. Sem dúvida, temos a impressão de entrarmos na região de Alméria, e resgatarmos as saudosas reminiscências do gênero Western Spaghetti, que tanto quanto o americano, eu aprecio.

    A lista dele tem três itens de minha relação, que não são os europeus, entretanto curto muito a trilogia de Leone. Sobre SABATA, O HOMEM QUE VEIO PARA MATAR, é eletrizante assistir, e a sequencia final é recompensadora, pois vemos o pilantra Banjo (William Berger, ótimo ator neste gênero) se dar muito mal e ficar se dinheiro. A Trilha sonora (Eh Amico..eh sabata!) é divertidíssima. Merece realmente estar à lista do nobre amigo.

    MATAR OU MORRER é meu quinto em meu top ten – filme importante que é uma alegoria política no então momento em que foi produzido, o “Caça as Bruxas”. Sabiam que uma cópia deste filme foi depositado num satélite, uma cápsula do tempo, para ser aberta no ano de 2213? Só espera que haja tecnologia até lá para poder exibir este clássico a posteridade, contudo sabemos que não mais veremos. Mas é um filme que deu abertura a teores psicológicos, que o próprio Anthony Mann já vinha inaugurando, mas que sem dúvida influenciou os italianos.

    DA TERRA NASCEM OS HOMENS, meu terceiro em minha listinha. Acho que o que chama muita a atenção não é somente o enredo em que divulga a briga de terras (no caso pelo poço de água), muito caracterizado no spaghetti, mas também a figura do “cowboy macho” se contrapondo com a figura refinada e esclarecida de um homem do leste, vivido pelo grande Gregory Peck. Este consegue vencer tanto em argumentos como em punhos contra o cowboy rústico feito por outro gigante, Charlton Heston, isto é, uma luta de titãs. Uma das obras magistrais de William Wyler, que conduziu com perfeição esta fita de quase três horas de projeção.

    SETE HOMENS E UM DESTINO , é desnecessário mais qualquer comentário, pois além de também fazer parte de meus dez mais, tudo já foi dito de forma didática pelo Professor Darci, com requintes de informação e qualidade.

    Já O CAVALEIRO SOLITÁRIO não figura entre meus favoritos, é uma quase refilmagem de Shane, onde Clint juntou um pouco do clássico americano com o que aprendeu na boa velha escola europeia de Sergio Leone, uma das mais bem sucedidas parcerias em toda história do cinema. Gostei mais dos IMPERDOÁVEIS, em 1992, onde também tem muito do ingrediente dos europeus, e um pouco da pitada psicológica de Anthony Mann (pelo menos assim achei).

    Valeu, Edelzio!!! Obrigado por divulgar com tanto primor esta lista que certamente é digna de todo crédito, parabéns!!!

    Forte abraço Edelzio, e obrigado ao Darci por esta divulgação.

    Paulo Néry

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    1. PS- Tentei duas vezes publicar, mas não saia o texto.

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  4. Ola Darci,em primeiro lugar grande abraço pelo niver de teu excelente blog.Sabes, eu adoro estes filmes antigos de western,pois me lembra muito do tempo que eu assistia a quase todos com meu pai que era um westernmaníaco."Bons tempos".As musicas destes filmes são maravilhosas,e me parece que são quase todas totalmente instrumentais,pois gostaria de poder canta-las.Ainda não pesquisei muito a respeito,mas se souberes de algumas com letra[já que estas no meio do tiroteio]por favor,faça-me saber.Grande abraço.

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    1. Olá, Suzane, obrigado. Em parceria com o cantor-compositor Jorge Cavalcanti 'cometi' as letras de duas músicas de cowboys que pretendo colocar brevemente por aqui, além de fazer a versão de algumas outras conhecidas. Passe seu e-mail, por favor. Um abraço e obrigado.

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  5. Este blog do amigo Edelzio é ótimo. Uma pena eu não ser seguidor do western italiano e assim não me sentir em condições de fazer comentários neste espaço.

    Como o homem de um blog específico de filmes italianos, até me surpreendi ao ve-lo colocar Da Terra Nascem os Homens, Matar ou Morrer e O Cavaleiro Solitário em sua lista.

    Isto é uma prova que ele sabe onde pisa. Mesmo sendo uma escolha mista, ele sempre soube o que é um bom filme e onde este merece estar.

    E colocar Tres Homens em Conflito como seu numero um, não é nada de anormal, já que é uma fita completa, com várias vertentes, conforme ele mesmo cita, e inclusive momentos da Guerra da Secessão, fazendo do filme do Leone um dos westerns mais vistos do cinema italiano. Observo ainda que ele é um dos filmes italianos mais vistos porque ele é, realmente, um bom e muito bem feito filme. Tem todo o merecimento de estar onde está.

    Uma boa seleção, naturalmente que dentro de seus principios, como dada qual o faz, e que têm todos seu direito livre de escolha.
    Abraço o Edelzio e seu blog bem estruturado.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  6. Exatamente, Peixoto;

    Uma boa hostória deve ser contada lentamente.
    Se foi o Kubrick quem a citou, nunca esteve tão certo!
    Recorda da lenta, magnifica e expressiva abertura de Era Uma Vez No Oeste?

    O Leone, já na década de sessenta, sabia o que fazia! E, tenho certeza, nunca deve ter ouvido isso do Kubrick.
    Abraço, companheiro
    jurandir_lima@bol.com.br

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  7. Sabe, amigo Nery?

    Achei perfeita sua colocação sobre os dois filmes de Eastwood (coisa que jamais havia pensado a respeito), quando diz de onde eles têm pitadas. Ótimos achados.

    Quanto ao Mann, certamente que Almas em Furia é um filme ardente! Para vos ser sincero, achei Mann muito diretor ao reger uma fita daquelas. Almas em Furia é um western que, até no P&B ele acertou, pois cores ali lhe arrancaria a sintonia de vigor.

    E quanto ao seu posicionamento sobre Da Terra Nascem os Homens, que é o munero um de minha lista, não há mais nada a dizer sobre este magnifico western.

    Conforme citou o Darci certa feita, Wyler conseguir levar um trabalho daquele até o fim, com tudo o que ocorreu nos sets de filmagem, e ainda nos dar uma fita como aquela, é ser diretor demais!

    Agora, eles vão sim encontrar um jeito de ver Matar ou Morrer em 2213. Vão ter de encontrar, porque até lá esta fita ainda estará sendo comentada. Não passamos do VHF para o DVD? Antes não teve o Video Tape?
    É assim. O progresso chega mas tudo se adequa ao que se quer ver ou fazer.
    Bom comentário o do amigo.
    jurandir-Lima@bol.com.br

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  8. Caro Paulo
    Raramente discordamos, mas considero Pale Rider um filmaço, um dos grandes filmes do gênero. Certamente entre os meus 20 melhores...
    Jurandir, do jeito que a coisa está indo, em 2213 ninguém dará muita atenção a cinema de modo geral e menos ainda àquele gênero chamado faroeste que deixou de ser produzido por volta do ano 2000...

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  9. É sempre bom ver faroestes italianos misturados com americanos. Normalmente esquecemos o bang-bang italiano e muitos o consideram "marginal" ou uma espécie de "sub-western". E olhem que estou sendo generoso nos termos pois já ouvi muitos xingamentos aos westerns "made in Italy". Puro preconceito.

    Os italianos revigoraram o gênero na segunda metade dos anos 60. E depois o sepultaram de vez na primeira metade dos 70, quando descambaram para a paródia e a brincadeira de maneira, poderíamos dizer, impiedosa.
    Mas grandes filmes foram feitos no velho mundo e influenciaram decididamente o bang-bang americano. Será que Peckinpah seria o mesmo sem o "western spaghetti"?

    A lista do Edelzio dá destaque a algumas dessas pérolas feitas na Europa. Devem ser vistos sem rótulos. São westerns "A", verdadeiros clássicos.

    Edson Paiva

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  10. Édson, esse preconceito é tão maléfico quanto a discriminação que o próprio western sofre. Outro dia o LeMarc escreveu que havia pessoas que entendiam que faroestes era coisa de ignorantes. A história das premiações do gênero é um indicador da discriminação que os faroestes sofreram ao longo da própria história de Hollywood. Claro que o original é no conjunto muito melhor que a contrafação, mas daí a torcer o nariz ou virar as costas, como muitos fazem. Só para você ter uma idéia, num famoso reduto de amigos dos faroestes em São Paulo, era expressamente proibido ser exibido um spaghetti-western. Nem Leone, nem Corbucci, nem Parolini. a influência dos westerns made-in-Italy nos westerns norte-americanos pós trilogia dos dólares é incontestável e não falo dos westerns de Clint apenas. Curiosamente, de modo geral, Clint Eastwood é superestimado por todos, os preconceituosos ou não.

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  11. Darci?

    Recordas, tu mesmo, que achava que o faroeste era um genero extinto? Que ninguém ligava mais para ele? Que seu valor estava ultrapassado? Que não haviam mais os seguidores como nós?
    Recorda?
    Então? Tem notado os resultados de todas aquelas duvidas? O faroeste jamais irá perecer, amigo. Portanto...

    Ainda vai me dizer o que disse, oh! caro amigo Darci?
    Fique com a historia dos homens e seus prediletismos, que é muito mais salutar.
    Abraço do bahiano
    jurandir_lima@bol.com.br

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  12. Caro Paiva;

    Vou meter meu dedo neste duelo seu com o Darci, tendo, mais uma vez, que discordar do ponto de vista dele. Sou anverso definitivamente ao western Spaguetty. Acho que ninguém mais que eu tem este ponto de vista fortificado assim.

    Concordo contigo quando diz que o Peckinpah teve seu trabalho fundamentado no faroeste italiano e que entre os westerns spaguetty muitas perolas surgiram.

    O que é uma verdade, no meu ponto de visão. Não podemos ignorar muitos deles e não somente os de Leone. O problema é que eu detesto imitações. Por esta razão pouco comento do blog do Edelzio, já que muito pouco tenho a dizer.

    Que me desculpe o Darci. Mas isso de preconceito não tem fundamento ou então eu sou um preconceituoso de marca primeira.

    Agora, caro Paiva, vou me preparar para o que vem do amigo Darci para mim. Vou ter que absorver o que vier. O que mais posso fazer? Abraço
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, mesmo não sendo simpático aos faroestes italianos você admite que muitos bons filmes foram por eles realizados. Isso demonstra que você não se encaixa no grupo que despreza os westerns spaghetti de forma preconceitosa.
      Você apenas não gosta. Isso é diferente de não reconhecer os méritos dos realizadores italianos.
      Um abraço,
      Edson Paiva

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  13. Sua referência à quase unanimidade que os filmes do Eastwood consegue resume bem a contradição de muitos críticos dos westerns italianos, Darci.
    Será que não percebem que os westerns e cowboys por ele interpretados pouca coisa têm da tradição do western americano? Difícil entender, nê?

    Mas como em quase toda situação em que há algum tipo de preconceito cultural, saem perdendo os preconceituosos. Afinal não querer ver, ou não conhecer, as obras de determinados diretores italianos como os três "Sergio" (Leone, Sollima e Corbucci), por exemplo, é abrir mão de horas de muito prazer e diversão.

    Edson Paiva

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  14. Concordo totalmente com esse anônimo. Muito bom raciocínio.

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  15. Essa é uma discussão que dá muito pano para manga. Eu tenho minha posição, que pode ser verificada em muitos posts feitos no blog de Edelzio. Levaria muito tempo digitando aqui. Essa coisa de contrafação não está miuito bem clara. É preciso conceituar bem o que é contrafação. Edelzio sanches é um pesquisador nato e tem uma capacidade analítica muito precisa a meu ver. Eu o convido a fazer uma intervenção nesse grande embate.
    aprigiohistoria@yahoo.com.br

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  16. Caro AprigioHistória, chmavam de contrafação os westerns feitos na Europa, Itália principalmente. Espécie de eufemismo, o termo contrafação evitava o uso pejorativo de adjetivos como spaghettis ou macarronis. Contrafação é uma imitação que tanto pode ser de má qualidade e até mesmo fraudulenta. Juridicamente a palavra é usada para falsificações, no caso dos faroestes não puros (até onde os norte-americanos são todos puros?) seria mais uma questão estética uma vez que os westerns europeus criaram um estilo muito próprio.
    Não havia nenhuma dúvida que a lista dos Top-Ten do Edelzio suscitaria polêmica, o que sempre ocorreu quando se discute a vertente western européia. Lamento o amigo não ter tempo para expor suas idéias aqui no Cinewesternmania.
    Um abraço - Darci

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  17. Caro Darci você colocou muito bem, eu odsafiei para isso mesmo Eu debato com essa questão há muito tempo. Descobri o blog do Edelzio quando acessei o "Por um punhado de euros" de Pedro Pereira e Emanuel Neto, ambos de Portugal.seu blog tambem é dedicado aos faraoestes feitos na Europa. Vi o link que conduzia para o "Bang bang à italiana no Brasil" de Edelzio e corri para lá porque tambem sou fã dessa vertente. Percebeu que essa briga entre fãs do faroeste americano e dos spaghetti westerns parece a disputa pela verdade entre católicos e protestantes? Parece uma disputa reivindicando a pureza doutrinária. É necessário antes de tudo, e como em tudo na vida, cuidado com emprego das palavras. Você esclareceu a coisa muito bem. Se afirmarmos que os chamados spaghetti de contrafação torna-se necessário mostrar onde está a contrafação.Onde estaria essa tal contrafação nesse gênero? Eu afirmo, que se ele for, então tudo no cinema que é feito depois torna-se contrafação de algo que veio antes. Porque sempre se vai inspirar-se em um determinado estilo que esteja em evidêncai;sempre se vai beber numa fonte que apresente criatividade, algo novo. Quando os americanos começaram a imitar os italianos estavam fazendo uma contrafação da contrafação? E porque decidiram então imitar aqueles filmes violentos? Analisando atentamente os westerns italianos desde Sergio Leone verificamos sempre uma busca por seus próprios referencias; seus roteiros estão calcados em vivências histórics do próprio continente; a ambientação física com construçãoes de madeira (saloons, etc.)e os figurinos são em grande parte apenas pano de fundo ou o substrato para narrativas que evocam eventos de sua própria história. O dólar furado utiliza a guerra de secessão para evocar os acontecimentos na Itália durante a 2ª Guerra Mundial, que colocou irmão contra irmão."O retorno de Ringo" é a transposição da "Odisséia" de Homero para o cinema faroeste, só para ficar com esses dois exemplos mais conhecidos. Existem muitos outros. Outro aspecto que a ser ressaltado é que os europeus se afastaram diametralmente da estética do modelo clássico,apresentando um visual fílmico rebuscado,fundamentado em suas próprias experiências artísticas do passado e do próprio momento(contexto) em que o movimento ocorria.Bem, quanto à questão apresentada por Edson Paiva sobre a influência de Leone na obra de Peckinpah é a pura verdade. Já escrevi sobre isso no blog de Edelzio e em outros lugares. Percebi isso desde a primeira vez que assisti "Meu ódio será tua herança". Esse filme mescla a tradição dos western clássicos (no aspecto do conteúdo)com o estilo dos spaghetti leonianos (no aspecto formal).Peckinpah assistiu os filme da trilogia quando passaram nos EUA em 1967 e ficou boquiaberto, principalmente com a violência apresentada em "Por um punhado de dólares"; logo a seguir, em 1969 surgiu aquele filme violentíssimo e cheios de zoons e close-ups,características nunca apresentadas em seus westerns anteriores. È só pegar "Pistoleiros do entardecer" e os outros feitos antes e comparar.Não tivesse sido inventado o western spaghetti não existiria "Meu ódio..." porque Peckinpah não teria aquela estética para se basear. Com certeza faria um faroeste ou outro filme de outro gênero qualquer, mas continuaria trilhando no seu estilo anterior. A verdade é que ele é tributário das idéias de violência apresentadas por leone e tambem da estética deste último. Quanto ao top ten do Edelzio considero muito boa; algo de certa forma inédito, já que é raro vermos listas com exemplares de ambos os gêneros. Existem muitos comentários meus a respeito da questão discutida aqui, no blog do Edelzio, é só acessar. Grato a todos e parabéns ao Darci Fonseca. aprigiohistoria@yahoo.com.br

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  18. Tive que limitar meu texto nos 4 mil e tantos caracteres exigidos pelo HTML. Aqui vai uma parte que ficou de fora: Alguem poderia objetar dizendo que Peckinpah adicionou a câmara lenta para enfatizar a violência,etc. etc. Mas eu refuto e dizendo que Leone apresentou isso primeiro.Voltem a "Era uma vez no Oeste" e vejam que o flash back de Harmônica é todo com aquele recurso, e no final principalmente, quando a personagem (Harmônica jovem)desaba não suportando mais o peso do próprio irmão, matando-o. A meu ver com muito mais propriedade, com precisão econtrole absolutos da duração de cada cena. O diretor americano utiliza a todo momento o recurso tentando criar algo diferente.Portanto Sergio Leone nesse aspecto tambem estava na frente. Quanto á lista de Edelzio para mim se apresenta muito boa.A mistura de exemplares dos dois gêneros é um tanto quanto inédita.Como disse Edson Paiva estamos acostumados a lista dos 'dez mais'só com faroestes americanos, como se o italiano fosse algo feito por pessoas que não entendem nada de cinema, ignorantes que se meteram a fazer o que nao entendiam. Cuidado! Cuidado!Por aquela bandas a cultura floresceu em muitas mentes e ainda floresce. Nem muito ao céu, nem muito à terra.Dos americanos eu escolheria numa lista "No tempo das diligências" e "johnny Guitar". Se quiserem conferir comentários meus sobre a questão discutida aqui acessem o blog do Edelzio. Grato a todos mais uma vez e parabens ao Darci Fonseca.te que ficou de fora. No primeiro post ocorreram alguns erros de digitação que passaram.

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  19. Caro AprigioHistória
    Costuma-se dizer que da enorme produção de spaghetti-westerns poucos exemplares têm realmente qualidade, seja no aspecto interpretativo quanto no aspecto conteúdo com roteiros criativos e melhor elaborados. Olhando-se a muito maior produção norte-americana de faroestes, que abrangeu praticamente desde os primórdios do cinema até a brutal transformação formal ocorrida nos anos 60, pode-se afirmar que nem tudo é original e menos ainda clássicos. Mitificando e mistificando a própria história, os cineastas norte-americanos (e alguns poucos que vieram de fora) em seis décadas erigiram um monumental painel sem similar em nenhum outro gênero cinematográfico. E que grandes filmes e que grandes personagens foram criados. Por mais que tenha havido inovação por parte de cineastas europeus atuando na Itália e Espanha principalmente, jamais poderiam igualar em importância e qualidade o trabalho realizado nos Estados Unidos no gênero western. Aqueles que se iniciaram como fãs de faroestes assistindo a produção made-in-Europa não gostavam dos westerns originais, assim como cinéfilos mais conservadores torciam o nariz para os spaghettis. Admiro jovens que mergulham profundamente na cinematografia (norte-americana ou não) pré-anos 60 e 70 pois travam contato com os grandes diretores do cinema e os movimentos fundamentais para a chamada sétima arte. Os cinemas francês, italiano, russo, japonês e norte-americanos produziram, sem dúvida nenhuma, as mais refinadas obras de arte pelas mãos dos grandes mestres do cinema, seus diretores.
    Você observou bastante bem a influência dos spaghetti-westerns nos faroestes norte-americanos citando como exemplo a mudança na forma nos westerns de Peckinpah. Desde seus primeiros trabalhos na TV já se percebia que Sam diferia e muito de seus colegas e se Pistoleiros do Entardecer é um faroeste quase acadêmico, vale lembrar o aspecto outonal desse filme com dois personagens envelhecidos como o próprio universo em que viviam. Mas antes ele já havia feito Parceiros da Noite, deixando entrever que tipo de filmes viria a fazer. Major Dundee de tão mutilado quase não pode ser chamado de um Peckinpah legítimo. E vivia-se os horrores da Guerra do Vietnã. Portanto não foi a famosa exibição (atrasada) da trilogia dos dólares nos Estados Unidos que mudou Peckinpah, ainda que certamente tenha despertado em Sam uma revisão dos limites da violência na tela.
    Quando vejo uma lista de melhores westerns sem pelo menos três obras de John Ford isso me causa certa estranheza. E você entende que apenas No Tempo das Diligências seja passível de figurar ao lado de seus preferidos. Cita ainda Johnny Guitar, filme que vejo com reservas. Outro dia o Nahud Jr. do Falcão Maltês matou a charada ao dizer que esse filme de Ray é um faroeste artificial. Essa é a questão crucial com os westerns made-in-Italy, o artificialismo dos mesmos, o inefável aspecto de paródia que compromete a possibilidade de serem vistos mais seriamente. Ainda que não abra mão de conhecer e gostar dos westerns de Leone e saber que autores importantes (Christopher Frayling, Howard Hughes) estudam a fundo essa vertente cinematográfica, diferentemente de você, fico com Ford, Mann, Hawks, Daves, Sturges, Walsh e tantos outros Mestres do gênero. A eles junto o discutido Sam Peckinpah.
    O bom da Internet é que possibilita espaços os mais variados para que as pessoas encontrem seus iguais. Para nossa sorte há o fantástico blog Bang Bang à Italiana, para os fãs do gênero e há outros, como o Cinewesternmania que seguem uma linha, digamos, mais conservadora em se tratando do gênero que imortalizou John Wayne e Clint Eastwood.
    Obrigado pelas palavras elogiosas.

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  20. Caro Darci sobre Pecknpah o que eu quis dizer é que ele jamais faria Meu ódio será tua herança daquela forma sem ter visto a rilogia dos dólares. De fato seus westerns outonais já possuem uma mudança de direção formal em relação ao que se fazia. Pistoleiros... já é bem violento para a época, no entanto estão muito longe da violência estilizada que se inciou com Por um punhado de dólares que foi realizado em ano muito próximo. Peckinpah jamais utilizaria aquele arsenal sde zoons e closes que utilizou. Algumas sequências do filme o visual é bem parecido com o de Por um punhado... e o de Três homens em conflito. a influência é clara. Seus filmes poderiam até enfatizar mais a violência, mas formamelmente ficariam presos à tradição de Hollywood. Quanto à artificialidade eu entendo que em se tratando de arte tudo é artificial mesmo.Toda arte procura representar a realidade com seus próprios recursos, mas não conseguem apresentá-la tal qual ela é de fato. Nem faroestes americanos nem italianos conseguiram representar a realidade.Utilizando um estilo novo os italianos procuraram apresentar a sua visão (e uma visão mais realística) como eu já disse baseada em sua própria vivência história e experiências artísticas.Buscaram se expressar como num movimento artístico para contrapor visões que achavam irreais.Na minha humilde opinião e não só minha porque muitos hoje já acham assim eles revolucionaram não só o gênero western mas o cinema como um todo.Foi uma revolução formal que atingiu o cinema por inteiro,e isso é importante pois a arte deve ser dinâmica,deve procurar novas expressões(como ocorreu com a pintura). Leone, Corbucci, Sollima Castellari tinham essa ambição. Não acho que os spaghetti não possam ser vistos mais seriamente. Por mais que assista aos faroeste feitos nos EUA(possuo muitos na minha dvdteca) a impressão que eu tenho sempre é que não transmitem de fato a realidade,são naturalistas, possuindo quase sempre uma visão.Respeito os que gostam da tradição, mas particularmente gosto de propostas novas,imagens ousadas,que nos fazem raciocinar de outra forma. Mas é isso aí, a trilha foi aberta para um debate muito bom.

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  21. Verdade, AprigioHistória. Esse tema é muito bom ainda que quase sempre resvale para os extremismos. Claro que é possível conviver com as duas vertentes, mas são territórios tão vastos que prefiro trilhar aqueles que formataram minha vida como cinéfilo. Outro dia focalizei aqui Contrato para Matar, filmado em Almería, mas dirigido por Monte Hellman e com Warren Oates e Fabio testi nos papéis principais e participação de Sam Peckinpah. Música de Pino Donaggio e fotografia de Rotunno e ainda a inglesa Jenny Agutter, ou seja, um filme bem internacional mas saborosamente italiano. Sei que Edelzio é l'uomo para melhor falar dos bang-bang à italiana e isso ficou patente inclusive no Top-Ten do caro Edelzio. Um abraço.

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  22. Que debate interessante. Também achei a palavra contrafação muito forte, fugindo ao tom do próprio texto do Darci naquele momento.
    Mas AprigioHistória, estranhei que defendes tanto o realismo do Spaghetti e na hora de citar dois filmes americanos, escolhestes Johnny Guitar! Bem, não deixa de ser uma "opera buffa", mas logo este festival de figurinos engomados?
    Este faroeste tem o pior desempenho feminino de todos os tempos! Não me refiro a Crawford. A nervosinha Mercedes parece estar em um filme mudo! Acho que até nesta época da sétima arte, qualquer diretor diria: menos, McCambridge, menos.
    Ah, ela foi aplaudida pelo elenco. Sim, mas para ferir a megera. Neste western de amores não correspondidos, alguém já disse que a grande paixão de "Emma" era "Vienna", falta comentar a cena do piano. Fantástica: Crawford consegue antecipar Vincent Price. Quem sabe essa é a resposta. Johnny Guitar não é um faroeste "abominável", mas apenas mais um filme de terror.
    Darci e Aprigio, nesta trilha do debate, busco, como vocês, incorporar as duas vertentes. Não em nome da realidade, mas da qualidade. Toda arte é uma mentira. Mas a boa arte é uma mentira que não mente! Por mais poética que seja. O trem mais bonito do cinema está em Red Shoes (1948) e nem aparece...
    Admiro muito a obra de Leone, gosto de Wild Bunch, logo sou adepto de uma boa massa. Como detesto restaurantes chiques, nada como um fast-food e um hambúrguer.
    Enquanto escrevo essas linhas, saboreio um chocolate, que não é suíço.
    Como estará meu colesterol? Diversificado!
    Um abraço a todos.

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  23. Ivan, cada vez mais Terrível. Certas coisas a gente só pensa, aí vem uma língua ferina e fala em --- "opera buffa", mas logo este festival de figurinos engomados. --- E não é que Vincentão Price já fazia escola com aluna de meia idade e muita pose de diva. Olhaí, AprigioHistória, para onde se encaminhou nossa discussão. Enquanto isso o Dedé está encantando a platéia lá do Pappagallo, em Atibaia e só volta quando acabarem as balas...
    Daqui pra frente, como dizia o Roberto, tomarei mais cuidado com o Ivan Tcherkassov...

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    1. Puxa, Terrível, Tcherkassov. Darci, esquecestes Vassilievitch por quê? Hahaha.
      AprigioHistória, não caia na pilha do xerife americano. Veja minha lista TOP-TEN, antes de qualquer coisa. Dei apenas uma opinião forte contra um filme que considero fraco. Ressaltei uma contradição na defesa do Spaghetti e uma das suas características, o realismo de cenas e também figurinos. Quem sabe tudo que disse pode ser resumido na palavra "artificial".
      Se na brincadeira do Darci, houver alguma verdade, por menor que seja, e eu tenha te ofendido, peço sinceras desculpas, mas meu alvo sempre foi "ofender" o filme que realmente detesto.
      Este pobre materialista russo, considera o trem mais engraçado, aquele que também não aparece em outro faroeste do grande rival de Ford, Sergio Leone.

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  24. Uma tequila, por favor... Bem, a diligência atrasou de novo e só sinto a fumaça no ar... a ação acabou... Gostei de ver a lista do Edelzio, ele deu um 6 a 4 pro eurowestern, mas acredito que ele não foi político, foi sincero. Deu o recado, saiu fora, enquanto alvejavam os lustres no saloon... Essa discussão é muito boa, feita por gente que entende do negócio, e a gente vai aprendendo com as diversas visões. Pra mim, todo extremismo é perigoso, embora o excesso de tolerância seja também uma brecha igualmente perigosa, igualzinho no Brasil. Cada um preenche um dado espaço, e isso não exclui tudo quanto é tipo de aproveitador e mercenário, de que lado esteja. O problema é um tal de falso academicismo que joga pedra conforme as conveniências, e assim mesmo a ciência que deveria ser imparcial não é. Todo mundo tem defeitos e virtudes, mas, por outros interesses e por mediocridade pessoal e coletiva, sempre se dá um jeito de puxar a balança mais prum lado. A questão não é baixar o braço da balança é ser honesto e observar que ela pende mais prum lado, só isso.

    Adiós, gringos!

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  25. LeMarc, ainda bem que sou descendente de lusitanos (há controvérsias). Como aqui em São Paulo chamávamos de carcamanos os italianos que carcavam a mão no prato da balança escapei da carapuça. Ufa! Signore, altra José Cuervo, per favore.

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  26. Darci, ri com seu bom-humor!
    Falei com aquele "On" geral, do francês. Mas, mesmo em breves comentarios na internet, temos que cuidar das palavras, para elas não nos traírem.
    Olha lá se o Edelzio, um cowboy temido pros lados da Andaluzia lê que ele "deu o fora" do jeito errado; pode entender como "negou fogo", o que não faz sentido, em se tratando do homem destemido que é...

    Brincadeiras à parte, um grande abraço!

    Lemarc

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  27. Amigos não resistí!

    Se em algum dia houver alguma convenção sobre este assunto no Brasil, todos os cowboys aqui presentes deverão ser convidados mas deverão deixar suas armas com o xerife da cidade antes de irem para o tribunal debaterem.

    Divulguei aos meus contatos para que passassem pelo blog Cinewesternmania porque estava
    Comemorando o seu primeiro aniversário e deixassem lá sua mensagem enfim....
    Quando o pessoal começou a acessar o Westermania deu de cara com um Top 10 que montei para o Darci e sabia que geraria alguma polêmica mas sinceramente não esperava que chegasse a essa saudável discussão.

    Existem pessoas que se julgam "escritores de cinema profissionais" sobre esse assunto no Brasil e se eles entrassem em uma discussão dessas, eles de cara, já gastaria as 6 balas de seu Colt contra o primeiro comentarista deste post, e o amigo Aprígio sabe de quem eu estou falando.

    Aprendi com vários Westerns Espaghettis e Americanos a mesma lição ensinada nos dois:
    Em uma Briga como esta, quanto menos balas no seu Colt, mais cadáveres a sua frente, mas sua mira deve ser infalível e terá que saber quantos inimigos você irá enfrentar.
    Isso eu consegui enxergar nesta discussão e percebi que todos têm mira perfeita, mas a munição nunca termina assim como nos filmes. E não vai terminar.

    Achei fantástico como essa PAIXÃO é forte e sentida por todos aqui escrevendo e revelando de corpo e alma o seu sentimento; Um rebatendo a opinião do outro, tudo muito democrático, cada um com seu ponto de vista que amigavelmente deve ser respeitado e isso tudo é que faz com que sejamos especiais neste envolvimento com o Bang Bang. O grau de conhecimento e expressão de todos aqui mostra que são todas pessoas inteligentes, responsáveis e conhecedoras de tudo que pensam e escrevem.

    Outra coisa legal é que neste "Jogo" não tem "blefe" e todos colocam as cartas na mesa.
    Estamos ainda gatinhando com nossos blogs e o objetivo mesmo é esse levar conhecimento,
    divertimento e gerar sim a polêmica para que todos expressem o que desejam. Isso de certa forma é democrático e faz com que cresçamos no conhecimento e saibamos o que pensam também outras pessoas.

    "Cada bala que permanece em seu Colt é uma bala a menos no corpo de seu inimigo"
    Tive coragem de participar assim como o Xerife Darci teve de me convidar e isso é o que mais importante de tudo - Um duelo justo.
    "A interação de cinéfilos que gostam e sempre gostaram de ASSISTIR FILMES".

    Imaginem se cada postagem em nossos blogs tivessemos esta quantidade de comentários com essa qualidade o quão gratificante seria para nós editores, redatores, leitores, estudiosos, enfim, de nossos espaços.
    Muito legal se todos esses cowboys visitassem os blogs dos amigos e "sem preconceito" deixassem lá seu comentário. Iríamos nos divertir muito mais e todos ganhariamos com isso.
    Os 4.000 caracteres de tolerância do html seriam muito pouco mesmo.

    Quando eu comecei o meu blog, (acho que igual a todos aqui), eu era sozinho e não tinha ninguém para interagir e poder causar uma discussão deste nível.
    Estou super feliz de ter esse “Wild Bunch” de novos amigos "virtuais" que às vezes sinto que os conheço a anos e inclusive pessoalmente.
    Espero que estas discussões continuem em outros assuntos para que eu continue a aprender mais com todos vocês.
    Gostaria de saber se tem alguém que não sabe assoviar a música tema do filme "O Dólar Furado".
    Última lição: Existem 6 vidas em seu Colt, e em um desafio se uma estiver faltando, poderá ser a sua. (Dove si...Spara di Più) - A Fúria de Jonnhy Kid.

    www.bangbangitaliana.blogspot.com

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  28. Já estou organizando a convenção, Edelzio. No cartaz, aquela foto que me mandastes: o cowboy e seu cavalo com espelhinho retrovisor.
    No painel: Posso Elogiar Sergio Leone Em Pleno Monument Valley?
    Nem cintos e calçados serão permitidos.
    Adam West confirmou presença, após a exibição de I Quattro Inesorabili, só responderá o que quiser.
    Na minha palestra sobre Johnny Guitar, todos os que já se inscreveram, exigem que seja permitido o uso de armas.
    Para garantir um bom retorno financeiro, concordei. Venham todos.
    Um abraço.

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  29. Edelzio, quem sabe um dia essa convenção não aconteça... Só quero saber quem vai ser o mediador de pistoleiros tão rápidos e certeiros no gatilho quanto na pena afiada, incluindo você. O LeMarc pensou que você houvesse rumado para Almería deixando todos trocando tiros por aqui e você responde com essa Gattling pipocando inteligência. A sua lista, tenho certeza, levou a refletir mais sobre o Spaghetti-Western e mais que isso, a assistir a mais filmes da turma do Mediterrâneo. Grande abraço.

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  30. Com relação a polemica entre western americano e western italianos, vou dar minha opinião de cidadão que nunca deixou de assistir a um western de qualquer tipo. Concordo que houveram bons westerns italianos, principalmente de Sergio Leone. Mas a grande maioria das produções italianas na época,
    eram péssimas em todos os sentidos. Havia um excesso de violencia gratuita, atores sem nenhum talento, os habitantes do velho oeste eram apresentados como um bando de facínoras,
    somente havia assassinos, proxenetas,prostitutas,ladrões,juizes
    venais. Enfim um verdadeiro festival de personagens de mau carater, e o proprio mocinho estava mais para bandido cruel,
    dado a matar seus inimigos sem piedade. Confesso que muitas
    vezes ao sair do cinema tive impulsos de pedir meu dinheiro
    de volta. Sidnei Costarelli.

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  31. Olá. Sidnei. Parabéns pelo seu depoimento sincero. Quando da explosão do bang-bang italiano, aqui em São Paulo, ele ficava confinado a cinemas de terceira categoria, como o Cine Saci, por exemplo, na avenida São João, que exibia quase sempre sessões duplas de spaghettis. Por essa razão o gênero era abjurado e conhecemos tão pouco dele. Aí chega Tarantino e reverte toda a situação e provoca uma revisão fazendo com que se assista pelo menos alguns dos muitos bang-bangs. A minha impressão geral bate com a sua mas não custa assistir aos spaghettis menos conhecidos para uma melhor avaliação. Darci

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  32. Aposto que o respeitado mestre Edelzio, não imaginou que a sua lista mista dos dez melhores faroestes, fosse causar tamanha polêmica. O problema da ojeriza, um tanto exagerada, pelos westerns italianos, era realmente pela falta de qualidade de muitos deles, produzidos em sequencia, só para aproveiter o momente, que este subgênero estava vivendo. Sou fã desta vertente italiana, mas confesso, que muitos filmes não vi até o fim, pelo lixo que são. Porém, não invalida muitos outros, de bom gosto e criatividade. Quem gosta do faroeste, digo de cinema, não deve perder seu tempo com preconceitos de origens, se é europeu, americano, russo, chinês, japonês, etc.
    O filme bom, não tem pátria.
    Fui-Joailton

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    1. Olá, Joailton. Este é um blog que não se notabiliza pelo grande número de comentários, mas a postagem Top-Ten do Edelzio foi um fenômeno. Claro que esse assunto (Spaghetti-Westerns) é ultrapolêmico e o radicalismo dos defensores de ambas as partes existe mesmo. Filme bom não tem pátria, você disse. Eu completaria dizendo que filme ruim também não...

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  33. Foi bom ficar a conhecer as preferências do Edelzio. Conhecia já as suas preferências pela facção europeia por isso não estranhei a presença de alguns spaghettis na lista. Algo que comungo, pois assisto a westers desde pequeno e mesmo sem saber o que era isso de spaghetti ou western clássico americano, aqueles que me ficaram na memória e repesquei mais tarde foram sobretudo os da tal contrafacção.


    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com

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  34. Olá, Pedro Pereira. Se bem me lembro, desde os primeiros faroestes italianos que chegaram aos montes a partir de 1965, eles já ganharam os jocosos apelidos de Spaghetti-western ou faroestes-macarrônicos.

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  35. A rotulagem faz falta em todo o lado. É ela que permite por ordem nas coisas. O termo spaghetti parece-me muito eficaz e diferenciador, se bem que euro-western seria o termo mais adequado, já que os elencos e equipes técnicas desses filmes incluíam nomes de dezenas de países europeus (e alguns americanos, brasileiros, uruguaios, etc.).

    Eu adoro westerns em geral mas sou fanático por essa vertente europeia. Colecciono DVDs faz anos e mantenho também um blogue que serve como meu derradeiro tributo ao género.

    --
    Pedro Pereira

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  36. Pedro, falando em rotulagem, lembro de um amigo que até gostava um pouco de euro-westerns (para usar sua expressão), mas ele chamava os filmes vindos da Itália e Espanha (principalmente) de faroestes-polenta. Esse assunto que você puxou leva a pensar em como diferenciar os spaghettis dos norte-americanos, uma vez que esteticamente eles sempre tiveram diferenças profundas. Já se disse por aqui que os spaghettis influenciaram muito os faroestes norte-americanos pós-trilogia dos dólares e eu concordo com isso, mas a influência não era tão grande a ponto de confundi-los. A questão dos close-ups, também levantada aqui, não foram influência da vertente italiana, mas sim devem sua origem à televisão pois quando os diretores perceberam que seus filmes pouco depois de exibidos no cinema eram exibidos na TV, passaram a usar mais closes, como já era feito nos próprios filmes produzidos especialmente para a televisão. Percebo seu amor pelos spaghettis uma vez que você criou um blog, a exemplo do Edelzio Sanches, como tributo ao gênero. E isso é válido pois é o que eu faço aqui no Cinewesternmania ao homenagear, como o próprio nome do blog indica, o western norte-americano, mais que mania, verdadeira paixão.
    Um abraço - Darci

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  37. Essa mudança que ocorre na imagem, na transposição da tela grande para TV, ocorre porque a última é praticamente quadrada.E então nós vemos os rostos, mãos, etc. mais próximos. No entanto, no caso dos spaghetti foi uma elaboração estética em que o close foi pensado(e nesse aspecto Sergio Leone pode ser considerado um pensador, assim como Corbucci, Sollima,Tessari,Siciliano,Fulci,Castellari,dentre outros)num conceito de estilização mesmo (artificializando mesmo a realidade)para passar dependendo do ângulo (e aqui entra a iluminação também) interpretações diferentes.Ele enquadra em primeiro plano propositademente mesmo, para provocar o que muitos chamaram de multifacetamento. Ele sugere o tempo todo com essse efeito para que nós concluamos o que vem depois. Sabe qual foi mesmo o filme precursor do spaghetti? Assisti "O martírio de Joana D'arc", de 1928,do dinamarquê Carl th. Dreyer e percebi que este deva ser o filme que mais utilizou o recurso do close-up no cinema.Leone com toda certeza prestou bem a atenção nesse filme. A fotografia é toda em primeiro plano.Espantoso! Dessa forma as influências para o spaghetti já vicejavam na própria Europa. Bem, bem, o Edelzio abriu uma vereda prefigurando batalhas épicas entre Cowboys destemidos americanos e spaghettianose. haja munição para gastar até o pôr do sol. Eu de certa forma acrscentei mais pólvora nos revólveres durante a noite. Onde devo recomeçar a trilha? As pistas apontam em que direção? A verdade é que muitas vezes escrevemos seguindo a pura emoção e defendemos muito mais a qualidade do gênero do qual somos fã e fechamos um olho na hora de enxergar as qualidades do outro, naturalista, realista, surrealista, purista, niilista, etc. de fato posso ter exagerado ou não ter refletido muito bem ao escolher apenas dois westrns made in EUA para um provável Top Ten. A verdde meus caros é que me falta assistir a muitos westerns ainda tanto americanos como italianos. Lembro de ter ficado bastante impressionado com alguns americanos que assisti nas sessões da tarde, mas que nem sequer recordo o nome do diretor ou dos atores.Essa é minha grande falha. Concordo com o anônimo que ressalta a falta de qualidade de muito Eurowesterns, onde tudo é ruim desde o roteiro (onde todo mundo é pervertido moralmente) até a montagem do filme. Estou plenamente ciente disso e já falei sobre isso em outros lugares. É realmente constrangedora essa constatação. Isso ocorreu porque além da falta de talento alguns diretores queriam amealhar dinheiro para acertar sua vida financeira, aproveitando a onda. Mas o que me deixa indignado mesmo é quando detratores(xerifes corrompidos e aserviço da ideologia das oligarquias dominantes) por questões ideológicas (e isso chega a ser covardia semelhante ao que vemos em muitos filmes)afirmam que no gênero "Era uma vez no Oeste" e que "... o único diretor revelado ou que se sobressaiu foi Sergio Leone...", dentre outros problemas de falta de mira mesmo. Esses afirmo que são cegos, mudos, tronchos e com sérios problemas de paralisia mental. Entretanto nesse fórum li grandes comentários de Edelzio (inspiradíssimo em seu texto, que vai entrar para os anais do velho oeste), de LeMarc,tambem muito inspirado, de Ivan, "O terrível" que me deu uma puxada de orelha, do próprio Darcy, etc, etc,etc.Hasta la vista, muchachos.
    aprigiohistoria@yahoo.com.br

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  38. Corrigindo o que faltou quase no final do texto: na sequência de (e isso chega a ser covardia semelhante ao que vemos em muitos filmes)deveria vir o seguite: afirmam que no gênero só se salva "Era uma vez no Oeste..."

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  39. AprigioHistória, você esqueceu de falar dos títulos dos spaghettis. Onde os autores buscavam inspiração para tão abomináveis títulos de filmes? Seria interessante fazer um dia uma relação dos títulos mais absurdos que de tão grandes mal cabiam nos pôsters e menos ainda nas marquises dos cinemas. A relação de quem é quem nos spaghettis foi feita há mais de 40 anos e mostrava os nomes ingleses utilizados não só por atores mas e principalmente pelos diretores.
    Difícil imaginar que diretores italianos partiram de Carl Theodore Dreyser para criar seus padrões cinematográficos. Todos sabemos do grande amor dos italianos pelo faroeste, manifestado principalmente pelas histórias em quadrinhos, especialmente o querido Il Piccolo Sceriffo e claro, Tex Willer.
    No fundo o que se queria era mesmo ganhar dinheiro com o cinema, até porque a onda spaghetti veio imediatamente após a moda Sandália e Espada.
    Vale a pena ler também o comentário do Sidney Costarelli que, ao que me parece, sintetiza a opinião da maioria.
    Ciao, ragazzo.

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  40. Obviamente que os italianos como todo o resto do mundo andavam (e anda) atrás do dinheiro. Trabalhar para aquecer não é lema em lado nenhum. E depois de provado o sucesso da formula de Leone e seus ajudantes (Valerii, Giraldi, Dallamano, etc) o filão foi intensamente explorado. Em demasia? Claro, foram centenas e centenas de filmes a ser lançados em cerca de 20 anos! Não é normal, isto é uma caso de estudo!

    Entre essas centenas de filmes muitos foram realmente maus, mas sinceramente não vejo também aí qualquer diferença em relação ao que se faz noutra qualquer parte do mundo. Hoje em dia faço zapping pela TV e pergunto-me: quem vê estes filmes?!

    Entre 1965 e meados de setenta até realizadores que pouco ou nada entendiam de westerns tiveram a oportunidade (ou obrigação, nalguns casos) de realizar um ou dois destes filmes nas suas carreiras. Casos houve em que jovens realizadores tiveram a sua primeira oportunidade enquanto realizadores, coisa que só teria sido possível graças a um mercado efervescente em que as oportunidades existiam e quem não as agarrasse era parvo. Alguns desses tipos fizeram um western e catapultaram-se para aquilo que realmente idealizavam, seja o terror, policial ou outras maluquices. Muitos tornariam-se famosos e os seus spaghettis são hoje analisados com especial atenção.

    Sobre os títulos, realmente o exagero latino foi fortemente transposto para os posters dos respectivos filmes. Mas não acho um problema, é antes mais um aspecto diferenciador. Muitas vezes eram títulos com referência a elementos cristãos (Deus, cruzes, cemitérios, benzas, etc). Curioso é que também uma nova clonagem foi feita aí no Brasil em que filmes foram lançados como "Rogo a Deus e mando bala". Podia muito bem ser o nome dum western produzido por uma equipa alemã, com equipa técnica italiana e em solo espanhol...
    uma aleluia para Oswaldo de Oliveira!
    --
    Pedro Pereira

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  41. Aprigio, se uma orelha eu queria realmente puxar, era a da McCambridge. Revi este filme recentemente e com dupla decepção escrevi daquele jeito.
    Nunca vi e fiquei curioso para assistir essa Joana D'Arc de 1928. Espero que não seja um martírio para encontrar nas locadoras.
    Um abraço.

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  42. Não há dúvida que os western italianos tinham inicialmente a intenção de imitar o western americano. Mas o que muitos nunca esperavam era que alguns desses filmes europeus se tornassem ainda mais espetaculares e interessantes que os americanos, o que provocou algumas dor de cotovelo a alguns grandes estúdios nos EUA.
    Se ao princípio os europeus imitavam os americanos, a situação inverteu-se no final dos anos 60 e eram os cineastas americanos a imitar os personagens duros protagonizados por Eastwood, Franco Nero ou Lee Van Cleef.
    Quanto à pureza do western americano... isso é uma história mal contada porque THE MAGNIFICENT SEVEN é uma cópia descarada de OS SETE SAMURAIS do japonês Akira Kurosawa!

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  43. Emmanuel, você me pareceu uma pessoa bastante bem informada em se tratando de faroestes. Por isso tenho certeza que você sabe que Akira Kurosawa decidiu filmar Os Sete Samurais como forma de mostrar a admiração que tinha pelos westerns norte-americanos, especialmente os de John Ford. Nunca foi negado que Sete Homens e um Destino tenha se baseado no épico japonês e isso é evidenciado logo nos créditos. Discordo que tenha sido uma cópia descarada, como você afirma, pois há muitos elementos próprios dos faroestes no filme de Sturges que deve ser assistido como uma homenagem e não como uma imitação. O próprio Kurosawa gostou e bastante de Sete Homens e um Destino, até porque muitos, como você e eu, se apressaram para assistir ao original japonês. Um abraço - Darci

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  44. O que Sergio Leone deixou para os americanos.
    Western spaghetti e o Techniscope
    Introdução
    O western é um dos gêneros mais difundidos da história do Cinema. Para muitos, é quase que eminentemente cinematográfico, “o cinema americano por excelência”[1]. Criou uma legião de fãs e admiradores. E provou ser um gênero versátil ao longo do tempo.
    Os western spaghetti não significam apenas filmes de faroeste feitos na Itália. Eles mostram como um gênero pode mudar e acrescentar elementos, sem se descaracterizar. Como diz Rick Altman, “não basta que os filmes de gênero se pareçam para que tenham êxito, também devem ser distintos”[2] (tradução minha).
    O que este trabalho pretende é mostrar como o cinema italiano conseguiu, a partir de um gênero específico, acrescentar certo toque especial. E verificar como isso se deu tecnicamente, através do formato Techniscope, que os western spaghetti ajudaram a difundir.
    Para isso, é necessário compreender o que é o formato Techniscope, e o que ele representou para a produção de filmes italianos dos anos 60, principalmente através da sua obra-prima: “Era Uma Vez no Oeste” (”C´Era Uma Volta Il West”, 1968), dirigido por Sérgio Leone.
    Os formatos
    Quando falarmos em formato neste texto, estamos referindo a uma de suas significações no cinema, no caso a relação entre a largura pela altura da tela de projeção ou do negativo. A outra acepção desta palavra é o formato do filme como bitola, que para todos os efeitos aqui se refere ao formato de 35 milímetros padrão.
    O Cinema durante boa parte da sua existência, isto é, até meados dos anos 50[3], existiu no formato 1:1,33, que significa que para cada unidade de altura temos 1,33 vezes a largura da tela. Se uma sala tem uma tela de altura hipotética de 2 metros, sua largura seria de 2,66 metros. Quando da introdução do cinema sonoro, e com a solução que foi adotada, que era a de se ter o som óptico numa área que era da imagem, houve uma primeira perda da área de negativo utilizada pela imagem. No cinema mudo se preenchia todo o espaço entre as perfurações, e isso já resultava no 1:1,33 (ver fig. 1). Dado que o som teria que entrar neste espaço, uma parte da lateral foi retirada, alterando a relação ente largura e altura. A solução, então, foi diminuir a altura da área captada, para manter a relação de 1:1,33, que é o que chamamos formato acadêmico, pois proposto pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em 1932[4].

    fig. 1

    fig. 2
    Se por um lado manteve-se o formato[5], por outro, a proporção diminuiu a área de negativo utilizada. E quanto menor a área utilizada, maior a ampliação que ela sofre para preencher a tela na projeção, ou seja, pior a qualidade de imagem.
    Nos anos 50, com a concorrência da televisão pelos espectadores, o cinema cria os formatos widescreen, que são os formatos mais largos que hoje vemos no cinema. Estes são dois: o 1:1,66, que foi adotado pelos europeus; e o 1:1,85, adotado pelos Estados Unidos. Como a solução, nas trocas de formato, nunca foi de se aumentar a largura do negativo[6], diminuiu-se ainda mais a altura da área captada, usando ainda menos área de negativo para formar a imagem. Apesar desta adversidade, era necessário que o cinema se afastasse da televisão, dando uma imagem que ela não poderia oferecer, mais grandiosa.
    E a solução mais fantástica para tal problemática surgiu na mesma época.

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  45. O Cinemascope
    O Cinemascope é daquelas idéias que nos assombram pela sua simplicidade e efetividade, uma daquelas que sentimos que poderíamos ter tido. É a maior relação ente a largura e a altura no cinema, perfazendo 1:2,35. E por outro lado, é de todos os formatos sonoros o que mais utiliza área de negativo, ou seja, o que menos amplia a imagem, possuindo a melhor qualidade fotográfica. O trunfo, podemos dizer assim, é “enganar” a imagem, anamorfizá-la[7]. Funciona assim: a câmera capta uma imagem bem larga, de 1:2,35, com uma lente especial. Esta imagem, ao passar por esta lente, é esticada, no sentido vertical, em duas vezes. Fazendo a conta:
    Altura = _1__ X 2 = _2__ = __1___
    largura 2,35 2,35 1,17
    Assim, a imagem que vai pro negativo é quase quadrada, e distorcida. Se você voltar a olhar as figuras 1 e 2, verá que quando o som foi introduzido, uma parte da área do negativo teve que ser não utilizada, pois como a lateral fora modificada, foi necessário se ajustar à altura para manter a relação próxima de 1:1,33[8]. Pois aí é que o Cinemascope mostra ser extremamente esperto. A imagem distorcida preenche todo o espaço, quase sem deixar sobras (fig. 3). Quando o som tirou espaço da imagem, a relação que ficou era de 1:1,17, e por isto a altura foi alterada, gerando a perda de espaço. Desse modo, o Cinemascope é o formato com grande área de imagem, e mesmo tendo a maior lateral de tela, sofre menor ampliação que os outros formatos widescreen.

    fig. 3
    A imagem no negativo está agora com um aspecto de 1:1,17 e distorcida na vertical, na razão de 2:1. Ao ser projetada, se coloca uma outra lente anamórfica que estica (desanamorfiza) a imagem na lateral, na mesma razão de 2:1. Voltando a imagem a ter o 1:2,35 da cena original, conforme a conta:
    Altura = _1__ X 1 = __1__
    largura 1,17 2 2,35
    Obviamente que idéias simples requerem muitas vezes soluções engenhosas e nem sempre fáceis. As lentes anamórficas apresentam uma série de percalços, e seu projeto é de grande dificuldade, sendo caras por este motivo. Ademais, possuem dimensões e peso maiores que as lentes comuns, de modo geral.
    De qualquer forma, o Cinemascope acabou por se tornar um formato admirado, pela qualidade e pujança. E, para boa parte das pessoas, o scope é lembrado pelos faroestes, pois casou muito bem com as paisagens horizontais destes. Como dizia Darryl Zanuck, poderoso da Fox, empresa que criou o Cinemascope: “- Mantenha as pessoas espalhadas”[9]. Apesar disto, o formato tem seus detratores. É conhecida a frase de Fritz Lang no filme de Godard “O Desprezo” (”Lê Mépris”, 1963): “Cinemascope - é bom somente para cobras e funerais!”[10], ao criticar sua característica largura. Bazin[11] via o Cinemascope com desconfiança nos westerns, pois achava que era um formato mais adequado a filmes psicológicos, o que é totalmente contrário ao que se acredita hoje, já que o scope é sempre associado a filmes monumentais e grandes produções; filmes de ação, portanto. Pela sua dificuldade em estabelecer primeiros planos (devido à grande largura, quando se fecha no rosto sobra muito espaço lateral, gerando um primeiro plano com excesso de fundo), é hoje quase um tabu a produções intimistas. A postura de Bazin, com um certo grau de purismo em relação ao faroeste clássico, é em relação aos westerns modernos curiosa. Voltaremos a isto em outra parte do texto.

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  46. O Techniscope
    O Techniscope foi inventado pela Technicolor, que é um laboratório norte-americano, em sua filial de Roma[12]. Caminha em outra direção: enquanto o Cinemascope aumenta a relação entre largura e altura dobrando a primeira, o Techniscope faz o mesmo diminuindo pela metade a segunda. Volte a olhar a figura 2. Já dissemos que ela tem 1:1,17. Se você diminuir pela metade a altura, matematicamente é a mesma coisa que você dizer que dobra a largura.
    Mostrar números vai ajudar a esclarecer. No formato (hipotético) 1:1,17 e no Cinemascope o espaço utilizado no negativo é de 22,05mm por 18,67mm[13] [14]. Se você reduzir esta altura praticamente pela metade, vai ter algo como 22mm por 9,5mm[15], chegando numa relação próxima ao do Cinemascope. E, insistimos, estas pequenas diferenças entre tamanhos dependem da patente e do fabricante, resultando em pequenas discrepâncias do valor padrão.
    Para diminuir pela metade esta área captada pelo negativo, você só precisaria usar o espaço necessário por duas perfurações, ao invés das quatro habituais. E assim o fez o Techniscope, permitindo que o custo de negativo fosse reduzido pela metade, daí a sua aplicação em filmes de baixo orçamento. Faz-se necessário, no entanto, uma observação. Apesar de ter a mesma relação entre largura e altura do Cinemascope, o Techniscope é um formato de qualidade inferior, pois com área de negativo menor, ou seja, maior ampliação na hora de projeção. É por este motivo que ficou restrito a filmes baratos e fora dos EUA, de modo geral.
    É apenas na finalização que vai ocorrer a anamorfização da imagem, sendo necessário uma truca especial com lente anamórfica para tal. Na cópia, a imagem volta a ter as quatro perfurações padrão de projeção. Seria muita ingenuidade se um formato propusesse mudar o padrão Edison de quatro perfurações por fotograma, visto que isso implicaria em não menos que fazer adaptações em todos os projetores do mundo, custo que seria imediatamente rechaçado pelos exibidores.
    Apesar de uma duração não muito longa, a idéia do Techniscope provou ser de fôlego. Podemos dizer que o formato Super 35mm, popularizado por James Cameron no filme “Titanic” (1997), é de certa forma herdeiro dele. O Super 35mm é um formato que utiliza o espaço do som para fazer o enquadramento 1:2,35, resultando em maior área, logo maior qualidade que o Techniscope. Tem 24 por 10,01mm, resultando numa área de 240 mm2 contra uma de 209 mm2 do Techniscope e 411mm2 do Cinemascope. O que permitiu Cameron provar aos executivos da 21th Century-Fox e da Paramount que o Super 35mm era viável foi a evolução dos negativos, que nos anos 90 tinham grão mais fino que nos anos 60, agüentando melhor uma ampliação óptica mais severa.
    Vez ou outra ainda aparece um filme feito em Techniscope, tendo a empresa australiana Multivision 235 adaptando câmeras para tentar voltar a dinamizar este formato.

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  47. O Techniscope e o gênero
    Já dissemos que, pelo fato de diminuir os custos do negativo pela metade, o Techniscope fez relativo sucesso entre produções modestas.
    O western não é necessariamente um gênero barato. Pelo fato de requerer grandes espaços, cavalos, cidades antigas em cenários. Porém, foi através dele que cineastas italianos conseguiram penetrar no mercado norte-americano. O western é um gênero, de certa forma, luxuriante, devido ao uso das paisagens.
    Os spaghetti foram adaptando estas características, e acrescentando outras. Os grandes espaços do oeste dos Estados Unidos foram trocados pelos desertos da Almeria, na Espanha, e os cenários eram em muito mais simples, as casas de madeira viraram as casas da Espanha brancas, como podemos ver em “Por um Punhado de Dólares” (”Per un Pugno di Dollari“, 1964), o primeiro filme do spaghetti a fazer sucesso nos EUA[16]. E acrescentou outras: a figura do anti-herói, sujo, barbudo e de caráter dúbio; um uso da música mais operístico, mais conectado à narrativa; a guitarra elétrica na trilha sonora, em conexão com o rock’n'roll ; uma violência mais exacerbada e menos psicologismo. E, por fim, acrescentou o Techniscope.
    Todas as mudanças foram muito espertas, e adaptadas às condições em que estes westerns eram feitos. O mesmo se deu com o Techniscope. Em nossas memórias afetivas, o western e suas paisagens sempre se relacionam ao Cinemascope e sua tela larga. O scope, em sua capacidade de melhor mostrar os largos horizontes, casou muito bem com este gênero. E os spaghettis sabiam disso. Porém, o scope é um formato de certa forma difícil. As lentes são grandes, pesadas e caras. A profundidade de campo muito baixa, exigindo um assistente de câmera muito bom, e um tipo de produção idem. Na época, a disponibilidade de zooms anamórficas era limitada, e o range dessas zooms era curto, indo no máximo em 3:1, de 50 a 150 mm[17]. Somadas, estas características acabam por pedir uma liberdade de mise en scène mais limitada, pelo deslocamento e dificuldade. E o uso da zoom sempre foi muito presente no cinema italiano, como os do próprio Leone e Luchino Visconti (principalmente em “Morte Em Veneza” / “Morte A Venezia“, 1971). Desse modo, o Technniscope resolvia uma série de problemas. Em primeiro lugar, usava as lentes comuns, o que chamamos de esféricas. Pelo fato da diagonal do quadro ser menor, havia um aumento da profundidade de campo em relação ao 35 mm widescreen e ao Cinemascope[18]. Havia uma boa disponibilidade de zooms (como imaginar “Era uma Vez no Oeste” sem as zooms nos olhos de Charle Bronson?). Se poderia ter o quadro largo, permitindo o trabalho com a paisagem, liberando a mise en scène. E, de quebra, fazia o negativo render o dobro, diminuindo os custos.

    Num gênero de filmes baratos, o Techniscope acabava por dar um certo charme, advindo do scope, porém sem seus custos e complicações.

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  48. O western spaghetti era um formato que visava diretamente ao mercado. E, filmes que se pagavam, deveriam ter custos reduzidos, a fim de diminuir os riscos. Para justificar os figurantes que falavam espanhol, em geral as tramas eram passadas na fronteira dos Estados Unidos com o México[19]. Os atores norte-americanos trazidos para facilitar uma eventual venda externa não eram os mais proeminentes, porém pessoas da TV (caso de Clint Eastwood) ou ex-astros.
    O Western por Bazin e os spaghetti
    Se pegarmos a lista dos melhores filmes através dos tempos, perceberemos que muitos filmes acabam circunscritos a uma determinada época[20]. “Aurora” (”Sunrise“, 1927), figurou por muitos anos nestas listas, e hoje quase ninguém mais o menciona nelas.
    Quando lemos um texto de Bazin como “Evolução do Western”[21], este primeiro parágrafo que escrevemos sempre nos vêm à mente. Para Bazin, a evolução pela qual o faroeste passava era acessória, não acrescentava muito aos grandes filmes que já haviam sido feitos. Para ele, psicologismos e modernidades acabavam por tirar a essência do gênero. Claro, as coisas devem ser circunscritas ao seu tempo, mas de certa forma causa surpresa ao leitor certas posturas. Se você perguntar para as pessoas quais os maiores westerns de todos os tempos, é muito provável que a maioria delas cite filmes produzidos depois do que o texto considera como o western clássico, puro, casos como “Rastros de Ódio” (”The Searchers“, 1956), que Bazin menciona, e gosta; o próprio “”Era Uma Vez no Oeste”; “O Homem que Matou o Facínora”(”The Man Who Shot Liberty Valence“, 1962); “Meu Ódio Será Tua Herança” (”The Wild Bunch“, 1969), e “Os Brutos Também Amam”(”Shane“, 1953), sendo que este o crítico francês comenta, dizendo que é um “western pelo western“[22]. Assim, boa parte do que é considerado hoje bons faroestes são aquilo que Bazin via como uma certa decadência do gênero. O que acaba por provar que gêneros são mais fortes do que as crenças sobre eles. Os gêneros, e dentro deles o faroeste mostra isso com clareza, são maleáveis e ao mesmo tempo cheios de códigos, perfazendo uma combinação que logra manter o interesse do espectador por longos anos.
    Mas isto não quer dizer que, ainda que por um outro viés, Bazin não tivesse certa razão. Uma de suas premissas, a de que o psicologismo era de uma determinada maneira prejudicial ao gênero, acabou por se revelar de certa forma verdadeira. Uma das razões que o western norte-americano não tinha mais apelo em seu próprio país era que as platéias não se acostumavam, e chegavam a rir, de um certo maneirismo das personagens. Muitos acreditam que uma das forças do western spaghetti era voltar a investir em mais ação e em menos psicologismos.
    Teria então André Bazin gostado dos filmes italianos? É uma questão difícil de responder, e tem seus prós e contras. A favor teria esta face de que os italianos voltaram a investir na ação, que Bazin tanto apreciava. Por outro lado, os anti-heróis com seu caráter estranho, a paisagem totalmente diversa e certo ar de deboche o fizessem declinar.
    Estes filmes acabam por mostrar como definições de gênero são complexas. A princípio, os filmes de faroeste seguem um modelo descrito por Bazin, com muita ação e virulência, com personagens decididas. Nos anos cinquenta movem-se em direção a filmes de caráter mais psicológico, ousando até mesmo um filme com fundo homossexual, caso do filme de Edward Dmytryck “Minha Vontade é Lei” (”Warlock“,1959). Mas isto não quer dizer que todo o gênero muda, e de uma vez. Bazin cita “Sete Homens Sem Destino” (”Seven Men From Now“, 1956) como um exemplo de filme clássico. Mas de qualquer maneira, a tendência que ele identifica era uma realidade entre os filmes de maior orçamento.

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  49. E, claro, isto não provinha da cabeça dos diretores apenas. De certa forma, o público ia se transformando e queria mudanças, e os filmes acabavam por responder a isso. O curioso é que, passada a novidade, este mesmo público acaba por sentir falta de certa visceralidade, e se cansa do caráter de certa forma ingênuo. E abraça os faroestes feitos pelos italianos, que retoma a ação abandonada uma década atrás.
    É este caráter, de certa forma mutante, que faz com que muitos críticos cometam injustiças com os filmes comerciais. Para muitos destes, os filmes são uma sucessão de chavões e fórmulas, e acabam por serem previsíveis. Mas isto é um pensamento reducionista. Na verdade, os filmes, assim como os gêneros, vivem em constante mutação. Se você assiste a um faroeste mais recente, como os “Imperdoáveis” (”The Unforgiven“, 1992), perceberá que é muito diferente de um “No Tempo das Diligências” (”Stagecoach“,1939). Não se trata de uma questão de melhor ou pior, mas para as platéias modernas o filme antigo pode parecer maçante. Se tal afirmação pode assustar a um cinéfilo, não podemos nos esquecer que somos uma pequena parte do público, e com preocupações muito específicas. Para o público, o filme tem que compartilhar de certa moral, de uma forma, atores e temas que lhe soem um pouco familiares, que ressoem dentro de sua sensibilidade.
    Sérgio Leone e o apogeu dos spaghetti
    O grande nome do cinema de faroeste italiano foi Sérgio Leone. Começou sua carreira fazendo segundas unidades nos filmes de Hollywood rodados na Itália, na Cinecittá e sendo assistente de direção. Dirige seu primeiro filme dentro de um gênero popular do cinema italiano de então, os filmes com temática da Roma antiga e de gladiadores, “O Colosso de Rhodes” (”Il Colosso di Rodi“, 1961). Acostumado aos gêneros e ao cinema comercial, parte para a filmagem de “Por um Punhado de Dólares” (”Per un Pugno di Dollari“, 1964), tentando fugir do pastiche do outros spaghetti, e, crendo que ainda havia espaço pros westerns, buscou um estilo mais operístico e enigmático, e com uma moral mais moderna[23].
    Mas a filmagem não seria tão fácil. De início, os atores que Leone queria eram de alguma maneira inviáveis, como Henry Fonda (pelo custo), Charles Bronson (achou o roteiro uma porcaria), James Coburn e Richard Harrison, que recusou o papel mas sugeriu o nome de Clint Eastwood[24]. Segundo Harrison, sua grande contribuição pro cinema foi sugerir o nome de Eastwood para este filme.
    Mas as dificuldades não paravam por aí. Leone tentava colocar seu estilo, criando um modo de vestir os atores com capas, um maneira de filmar diferente, um ritmo mais lento. Porém, nem sempre era compreendido, e a filmagem era uma bagunça. Uma parte da equipe, os cabeças, era formada pelos italianos. Mas era uma co-produção italiana, alemã e espanhola. As externas eram rodadas na Almeria, com grande parte da equipe de espanhóis. E o ator principal falava somente inglês, sendo que Leone não dominava este idioma. Em dado momento, ninguém acreditava mais no filme. Achavam caso perdido.

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  50. Quando estréia, o filme é um sucesso, para a surpresa de todos. Rapidamente Leone faz mais dois faroestes, “Por uns Dólares a Mais”(”Per Qualche Dollare in Piú“,1965) e “Três Homens em Conflito”(”Il Buono, Il Brutto, Il Cativo“, 1966). Estes filmes catapultam Leone como um diretor comercial de sucesso. A tão sonhada produção com Hollywood aparece. Leone não quer mais fazer westerns, mas os estúdios norte-americanos impõem um primeiro faroeste como condição de futuros filmes. Leone capitula e faz “Era Uma Vez no Oeste”[25], uma de suas obras-primas. E continua fiel ao Techniscope, mesmo com mais dinheiro. Agora, conta com os astros que desejava em seu primeiro faroeste. A direção é primorosa. Duas sequências são inesquecíveis. O início, onde os pistoleiros esperam Charles Bronson chegar, com seu tédio, suas capas e barbas, um incrível uso dos ruídos gerando tensão; e uma das maiores cenas da história do cinema: quando descobrimos as motivações da personagem de Charles Bronson, em seu esperado duelo com Henry Fonda. Os movimentos de câmera; os tempos alargados; o uso do leitmotiv, ora como música, ora como ruído; a música como ópera; o zoom nos olhos de Bronson; a incrível estruturação dramática, onde o menino é obrigado a segurar o peso do irmão até ceder, tudo é de uma beleza e tragédia poucas vezes alcançadas nas telas. Quem a viu não consegue esquecer a primeira impressão de impacto causada por tal seqüência.
    E o Techniscope ajuda. Em primeiro lugar, possibilita a Leone fazer belíssimas composições, e trabalhar dentro de enquadramentos amplos, e cortando para planos fechadíssimos de repente, uma das marcas de seu estilo. Cortando diretamente de um para outro, sem passagens. Aqui, a inerente dificuldade de primeiro planos do 1:2,35 é brilhantemente resolvida: como os planos são muito fechados, e as bocas e olhos possuem um formato horizontal, que acabam por se adaptar bem ao formato. O ganho na profundidade de campo permite trabalhar a figura e o fundo conjugados, numa mise en scène em profundidade, incomum. E o baixo peso do equipamento, aliado aos zooms, permite os mais variados movimentos de câmera.
    Apesar de tudo isto, o filme foi um fracasso nas bilheterias, assim como os filmes subseqüentes, o que explica o fato de Leone ter dirigido tão poucos filmes na fase final de sua carreira.
    Conclusão
    Este trabalho pretendeu-se uma pequena discussão tecnológica, com respingos no estudo do gênero de um modo diferente, a partir de um ponto de vista dos equipamentos, no caso a invenção do Techniscope. E mostrar que, além da temática e mise en scène, os equipamentos podem ter um papel no estudo dos gêneros através de suas mutações através dos anos.
    Talvez seja um caminho pouco inexplorado e que, se não é o mais importante, ao menos pode fazer suas contribuições.
    A figura de Leone surge por dois motivos: além de cineasta brilhante, de certa forma foi um dos maiores incentivadores do formato, que poderia ter morrido no limbo se não fosse os western spaghettis.

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  51. Adriano Barbuto é Diretor de Fotografia e professor do curso de Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
    Bibliografia
    ALTMAN, Rick. Los gêneros cinematográficos. Barcelona, Buenos Aires, México: Paidós, 2000.
    BAZIN, André. O Cinema: Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    HART, Douglas C. El Aydante de Câmara. Madri: Instituto Oficial de Radio Y Television, 1999.
    FOSTER, Frederick. Techniscope - what it is and how it works . American Cinematographer, Los Angeles, v. 45, n. 7, jul. 1964.
    SALT, Barry. Film Style & Technology: History and Analysis. London: Starword, 1992.
    WARD, Peter. Picture Composition for Film and Television. Oxford: Focal Press, 1996.
    Sitegrafia
    BFI. Disponível em . Acesso em: 24 dez. 2008.
    CLASSICAL FILM PREVIEW. Disponível em: . Acesso em 22 dez. 2008.
    IMDB. Disponível em: . Acesso em: 22 dez. 2008.
    IMDB. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2008.
    WIKIPEDIA. . Disponível em: . Acesso em: 22 dez. 2008.
    WIKIPEDIA. Disponível em: Acesso em: 22 dez. 2008.
    ________________________________________
    [1] BAZIN, André. O Cinema: Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    [2] ALTMAN, Rick Los gêneros cinematográficos. Barcelona, Buenos Aires, México: Paidós, 2000.
    [3] É óbvio que durante sua existência o cinema viu uma miríade de formatos, principalmente em seu início, mas o que se fixou comercialmente foi o formato 1:1,33 ,que foi estabelecido por Edison/Dickson com seu kinetógrafo.
    [4] IMDB. Disponível em: < http://en.wikipedia.org/wiki/Aspect_ratio_(image)>. Acesso em: 22 dez. 2008.
    [5] Na verdade o formato acadêmico é 1:1,37, mas a diferença é tão pouca que muitos usam o termo 1:1,33 para se referir a ele, por aproximação.
    [6] O que implicaria em dificuldades enormes, pois, ao se trocar a bitola do filme, todos os cinemas teriam que trocar seus projetores, o que seria custoso, e inviável.
    [7] Anamorfizar é mudar a forma de um objeto, “esticando-o” na lateral ou vertical, como aqueles espelhos de parque de diversões, que ora nos torna mais gordos, quando a anamorfização é lateral, ora mais magros, quando na horizontal.
    [8] Lembrando sempre que, na verdade, no sonoro houve uma pequena alteração: 1:1,37
    [9] no original “Keep the people spreads out”, in WARD, Peter. Picture Composition for Film and Television. Oxford: Focal Press, 1996.

    Continua...

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  52. [10] ver citação in CLASSICAL FILM PREVIEW. Disponível em: . Acesso em 22 dez. 2008.
    [11] BAZIN, André. O Cinema: Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    [12] SALT, Barry. Film Style & Technology: History and Analysis. London: Starword, 1992.
    [13] HART, Douglas C. El Ayudante de Câmara. Madri: Instituto Oficial de Radio Y Television, 1999.
    [14] Se o leitor dividiu estes números e percebeu chegar a 1,18, tal se deve a variações nos arredondamentos matemáticos, que ora arredondam para cima, ora para baixo. Ademais, cada padrão de anamorfização, como os da Panavision, Arri e etc, utilizam tamanhos de janela de negativo ligeiramente diferentes, resultando nestas pequenas discrepâncias. Por fim, a partir dos anos 70 o padrão foi estabelecido em 1:2,39.
    [15] FOSTER, Frederick. Techniscope - what it is and how it works . American Cinematographer, Los Angeles, v. 45, n. 7, jul. 1964.
    [16] IMDB. Disponível em: Acesso em: 22 dez. 2008.
    [17] SALT, Barry. Film Style & Technology: History and Analysis. London: Starword, 1992.
    [18] Uma lente normal é definida, no cinema, como o dobro da diagonal do quadro. Como a diagonal do Techniscope é menor que um quadro 1:1,85 ou 1:1,66, para obter o mesmo enquadramento se utiliza de distâncias focais menores, o que aumenta a profundidade de campo.
    [19] WIKIPEDIA. . Disponível em: < http://en.wikipedia.org/wiki/Spaghetti_Western>. Acesso em: 22 dez. 2008.
    [20] um exemplo pode ser visto in BFI. Disponível em . Acesso em: 24 dez. 2008.
    [21] in BAZIN, André. O Cinema: Ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.
    [22] Idem, pg, 212.
    [23] WIKIPEDIA. Disponível em: < http://en.wikipedia.org/wiki/Fistful_of_dollars>Acesso em: 22 dez. 2008.
    [24] Idem.
    [25] AGUILAR, Carlos. Sergio Leone. Madri: Cátedra, 1990.


    -Para ver ilustrações detalhadas da Idéia dos italianos veja em:
    http://www.ufscar.br/rua/site/?p=1789

    www.bangbangitaliana.blogspot.com

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  53. Arre égua!! Esta é uma expressão de espanto, lá da minha terra, o Piauí, onde o primeiro faroeste que assisti, foi um spaghetti, para minha sorte. Mais uma vez, o mestre Sanches, dá um show de pesquisa e comentários abalizados. Todo mundo saindo no lucro do conhecimento, apesar dos pesares, vindo de uma celeuma, construtiva, do faroeste italiano. É um ótimo efeito colateral. Parabéns pela oportunidade do cinewestermania, muito democrático, por publicar esta lista especial, que só trouxe benefícios aos apreciadores deste gênero, que ainda tem muuuiiita, história para contar.
    Continuem nesta trilha(Darci e Edesio), que o destino ainda está longe.

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  54. Olá, Joailton. Este espaço tem sido palco de aprendizagem para todos nós. Só não entendi sua frase :o primeiro faroeste que assisti foi um spaghetti, para minha sorte: Quer dizer que se não fosse spaghetti então teria sido azar?
    Darci

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  55. Olá, Darci. Não seria azar, mas poderia ter estreado com um western americano, daqueles, com muita história, pouca ação e músicas pachorrentas. Criança gosta de ação, tiros, muitos tiros(ainda gosto). Onde eu morava não havia televisão, se tivesse, talvez já fosse fã de Roy Rogers, Zorro, Durango Kid.
    Mas já era louco por Tex.
    Em pouco tempo já sabia que tipo de filme me atrairia, bastava ver os nomes dos atores, o aspecto do cartaz e o título.
    Este filme de estreia, foi nada menos que Por uns Dólares a Mais, eu tinha 10 anos, achei fantástico abrir um cofre à balas e queria depois um relógio daqueles. S´não queria ser
    Índio. Aquela criança não morreu, mas não conseguiu o relógio.

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  56. Joailton, foi assistindo westerns norte-americanos com muita história, pouca ação e músicas pachorrentas que a turma da bota se inspirou para fazer faroestes chamados por alguns de western-polenta. Era Uma Vez no Oeste, a maravilhosa obra-prima de Leone, rende homenagem a faroestes norte-americanos e não aos spaghettis. Estes, por sinal, inundavam os cinemas e tinham público certo, mesmo enxovalhados pela crítica.
    Minha geração cresceu vendo filmes com muita troca de tiros e de socos, carroças em disparada e muita movimentação nos quase 60 minutos que duravam os faroestes de Rocky Lane, Roy Rogers, Bill Elliott e uma inesquecível lista. Porém essa mesma geração assistia com enorme prazer filmes onde havia diálogos criados por roteiristas como Frank S. Nugent, James Edward Grant, Borden Chase e outros, diálogos acompanhados pela música de Tiomkin, Jerome Moross, Leonard Bernstein, Victor Young, Max Steiner e nomes de igual envergadura. Ah, os mocinhos eram John Wayne, Randolph Scott, Gary Cooper, Burt Lancaster, Glenn Ford, Henry Fonda, Bill Holden, Kirk Douglas e um enorme etc. Uma semelhança com os mocinhos dos spaghettis era que eles usavam nomes artísticos ingleses, numa estranha coincidência. O faroeste norte-americano, em suas fases mais produtivas duraram praticamente setenta anos. Quando ressurgem esporadicamente resultam em filmes como Dança com Lobos, Os Imperdoáveis, Pacto de Justiça, Bravura Indômita e muitos outros.
    Poderia até ser dito que é tudo faroeste, mas há diferenças que são bastante apreciadas pelos admiradores de cada uma das vertentes.
    Um abraço - Darci

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  57. Não concordo inteiramente. Eu diria que há duas vertentes dentro do western-spaghetti (não lhe chamo polenta pois tal termo nunca foi usado aqui Portugal): Aqueles que seguiam religiosamente as formulas americanas (uma minoria) e outra mais rude que tentava de um modo ou outro copiar as inovações introduzidas pelos filmes de Leone (a maioria) e que eventualmente degenerou nos méritos e deméritos que se apontam ao género.

    Não obstante parece-me óbvio e que a génese do western é norte-americana pelo que em última análise tudo é rastreável aquilo que se iniciou por terras do tio Sam. Todos os realizadores italianos/espanhóis brincaram aos índios e cowboys enquanto crianças, aliás isso é algo que culturalmente durou na Europa até ás gerações de oitentas. Brincadeiras que desapareceram com as crianças nascidas em noventa, que já não foram habituadas a assistir a westerns (a morte das cadeias de aluguer de filmes coincide com essa sonegação do western). Difícil será prever que um realizador nascido nos anos noventa venha a lançar um grande western no futuro, pois são gerações desabituadas de assistir a westerns na TV ou no cinema. Mas isso talvez seja pessimismo meu.

    Actualmente quer o western europeu quer o americano vivem moribundos. Na europa não se produz nada (ou quase nada, pois até foi lançado um western português recentemente, "Estrada de palha") e nos EUA desde "Unforgiven" que não se vê nada de realmente digno.



    --
    Pedro Pereira

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  58. Como disse o Emanuel Neto que ouve foi uma forte dor de cotovelo por parte dos produtores e diretores e críticos americanos porque estavam diante de algo espantoso. Começaram a utilizar termos pejorativos de todas as côres para desmoralizar as produções européias. Hoje vivem a imitar em todos os gêneros e a fazer homenagens. Os inteligentes como Tarantino e o crítico Schikel que analisou Três homens em conflito prestam reconhecimento ao legado de Leone e por conseguite de outros. Vamos para a frente.

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  59. Justamente Aprigio.

    Queria só adicionar uma nota relativamente ao uso de nomes anglo-saxónicos por parte de uma porção de actores italianos. Os actores eram obrigados a mudar os seus nomes para esses americanismos por solicitação das produtoras que julgavam que os filmes fossem melhor aceites pelas plateias italianas se pensassem que os filmes eram estrangeiros. Essa regra haveria de desaparecer em muitos casos. Lembro apenas o caso de Giuliano Gemma, grande actor italiano que abandonou o pseudónimo Montgomery Wood na fase inicial da sua carreira.

    Meus amigos, até Sergio Leone teve de usar pseudónimos! Procurem os trailers originais no youtube e comprovarão!

    --
    Pedro Pereira

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  60. Pedro Pereira, qualquer dia CINEWESTERMANIA publicará uma lista dos vulgos e dos nomes verdadeiros. As invenções são hilárias nas tentativas de preservar alguma semelhança com os nomes de batismo, isto quando tentavam. No caso de Giuliano Gemma e Mario Girotti, por exemplo, isso não foi possível. Já Antonio Luiz de Teffé e o uruguaio Jorge Hill Acosta y Lara chegaram perto com seus nomes americanizados.
    Darci

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  61. Caro Darci;
    Concordo com as suas colocações, embora algumas viraram bordões("que a turma da bota se inspirou para fazer faroestes chamados por alguns de western-polenta"-Quase sempre quem não admira muito, começa com esta frase). Sou apenas
    um apreciador do gênero, muito distante de um verdeiro cinéfilo, neste caso, você. Mas duvido que crianças se interessem muito, por diálogos, filmes psicológicos, grandes trilhas orquestradas.
    Esta miriade de roteiristas, maestros e astros, citados, todos de primeira grandeza, passaram a fazer parte da minha diversão, numa fase posterior. Tenho filmes de todos, inclusive do Randolph Scott, James Stewart, Gregory Peck(revi esta semana o Ouro de Mackenna e Matando sem Compaixão).
    É estranho que em 15 anos de vida(morreu na adolescência), um subgênero(spaghetti), feito por estranhos(Italianos), apedrejados(por americanos), sem dinheiro, deu um sopro de vida num quase defunto(western americano), conseguiu criar filmes que ficavam meses em cartazes, que se tornaram os mais conhecidos e assistidos do mundo, que em qualquer lista, de qualquer lugar, emplaca, no mínimo 4 filmes, sem falar que até as trilhas sonoras são rapidamente reconhecidas, até por um surdo(vixe!!). É natural que o italiano tinha que se inspirar nos mestres(os americanos), usaram muitos atores americanos, até diretor de primeira linha foi lá(Burt Kennedy). Como o sucesso foi enorme e inesperado, causou tamanha ciumeira nos americanos, que se perguntavam, como aqueles comedores de macarrão, fazem filmes diferentes, inovadores, daquele jeito que nunca fizemos?. A saída mais óbvia era esculhambar.
    Como o faroeste tá quase morto, estes blogs vieram em boa hora, os experts do assunto apareceram, mostram o que existe ainda de bom, inexplorado e desconhecido do cinema , integra uma legião de apreciadores pelo mundo, vamos atras deles, e todos saem ganhando.

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  62. Joailton, de fato me considero um cinéfilo, não fosse por outra razão, pelos muitos filmes já assistidos em gêneros variados ao longo de seis décadas de vida. Poucos spaghettis para falar a verdade. Apenas os mais aclamados.
    Uma verdade histórica não é um bordão só pelo fato de ser lembrada. Esse sucesso que você cita nos 15 anos de vida dos spaghettis é algo que tenho vontade de analisar com mais carinho mas os muitos westerns norte-americanos que gosto de ver e rever não deixam tempo para essa constatação. Acompanhei aqui em São Paulo a fase de lançamento e permanência em cartaz dos spaghettis durante a onda dos mesmos que, me parece, não chegou a 15 anos, como você diz. Nos anos 70, em São Paulo, as salas que normalmente exibiam Djangos, Sartanas e outros passaram a exibir pornochanchadas, não sei se para o mesmo público, mas os cinemas eram os mesmos, isso eu lhe garanto.
    Quando você fala em listas, não explica claramente quais são essas listas, mas se forem as dos melhores faroestes, feitas por críticos especializados do mundo inteiro, lamento dizer que você se equivoca. Posso citar pelo menos três dezenas de listas desse tipo, feitas por críticos especializados de vários países, e são raríssimos os spaghettis que nelas aparecem. Quase sempre Era Uma Vez no Oeste ou um dos filmes da Trilogia dos Dólares. Claro que conheço as listas de Christopher Frayling e de Howard Hughes, listas essas elaboradas apenas após os estudos feitos sobre o western made-in-Italy. E são autores respeitáveis, mas as listas específicas.
    Curioso que você fala em Europa, mas nunca cita a crítica francesa, apaixonada pelo faroeste norte-americano. É bom saber que nomes como Gregory Peck, James Stewart e Randolph Scott (e certamente Cooper, Glenn Ford, Fonda, Douglas e Lancaster)ocupam lugar na sua prateleira de filmes ao lado de atores do porte de Craig Hill, Montgomery Wood, George Hilton, Robert Woods e a miríade de astros de primeira grandeza como você cita.
    Um comentário seu me chamou a atenção, quando fala da ciumeira dos americanos em relação ao spaghetti. Nunca percebi em um fã dos westerns note-americanos qualquer ponta de ciúme. Ojeriza desdém e preconceito, isto sim, muitos e muitos fãs de westerns, especialmente os mais antigos, sentem pelos spaghettis. Por outro lado há aqueles que carinhosamente chamam o gênero de western-polenta.
    Como você mesmo lembrou, quando após quase 60 anos de público cativo o faroeste deixou de ser atração, muitos atores foram ganhar alguns dólares a mais na bota e adjacências. Clint foi um dos primeiros e depois de três filmes (excetuado As Bruxas) não voltou mais devido a seu salário que ficou proibitivo na Itália. Audie Murphy que por duas décadas cobrou cem mil dólares por filme nos Estados Unidos, filmou uma vez na Itália por apenas 20 mil dólares.
    Em um dos textos publicados neste blog (A Saga de Sete Homens e um Destino), lembro da sobrevida dada ao gênero pela infusão de sangue oriundi, bem como da já citada e relativa influência nos faroestes norte-americanos, alguns até filmados em Almería, fato que não se pode negar. Discutível, no entanto, é afirmar que eles melhoraram de qualidade. Os grandes faroestes realizados na década de 90 e mesmo já neste novo século abdicaram de qualquer influência dos westerns europeus e criaram uma estética toda própria. Ainda que quando dedicados a Sergio e Don.
    Darci

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    1. Olá Darci.
      Nem de longe tenho a pretensão de abrir uma discussão, nem poderia, com um cinéfilo da sua envergadura, com argumentos sólidos e por mim respeitados; mas estas pequenas "provocações" são ótimas pois, elas ajudam a tornar público informações, que de outras maneiras, demorariam muito a aparecer(ex. Audie Murphy filmou uma vez na Itália por apenas 20 mil dólares).
      Encerro aqui estas minhas intervenções neste assunto.
      Em tempo: As listas dos melheres westerns citadas, são aquelas de muitos blogs, de pessoas comuns, para as quais os filmes são feitos e não as "feitas por críticos especializados do mundo inteiro". Estes críticos, juntando todos eles, não enchem uma sala de cinema e o que é pior, não pagam ingresso.
      Joailton

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    2. Olá, Joailton. Seja bem-vindo sempre, mas sem esses exageros de envergadura. Somos todos apaixonados por cinema e as divergências nos fazem crescer.
      Um abraço - Darci

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  63. Joaiton,

    se estiveres interessado em participar nisto:

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com/search/label/Os%20spaghettis%20da%20minha%20vida

    envia-me um email (pedro.dinis.pereira@gmail.com).

    Desculpa aí pelo off topic Darci.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com

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  64. Olá Pedro, vou também dar uma espiada nos blogs citados. Um abraço - Darci Fonseca

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  65. Nota 10 pela participação. Nota 10 pela lista. Nota 10 por ser amante do gênero. Nota dez por reconhecer que é impossível existir uma lista unânime dos melhores. O mais importante é que quase há uma unanimidada para todos que são citados... O legal é curtir os faroestes. Sabemos que existem para todos os gostos. mas sempre vai existir uma aproximação daquelesa que são considerados os melhores. Desses ciatados, só não tenho "o dia da desforra e Sabata, o homem que veio para matar". Apesar de minha cinemateca já contar com mais de 100 filmes do gêneros, cada dia percebeo o quanto vai ser dificil, não impossível, ter os cem maiores de todos os tempos. Agora, vale apena abrie uma cerveja e colocar um bom Western para assistir... Saudações. Viva o gênero Wester, Bang-Bang, faroeste ou o cinema americano por excelência.

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  66. O incêndio devorou toda a pradaria. Bem, retornando à questão do termo contrafação, foi algo que surgiu do meu subconsciente. Ninguem de fato usou esse termo aqui antes de eu tê-lo proposto para uma conceituação correta, precisa.Quando eu li a palavra imitação que o jurandir utilizou, de imediato algo clicou nos arquivos de minha memória e meus pensamentos remeteram para o início da década de 80, quando a Abril acompanhando o surgimento do VHS, e para "orietar" os cinéfilos (enquanto dava suporte às videolocadoras) começou a lançar aqueles "Guias de vídeo" com a listagem dos filmes lançados até aquele momento. Os filmes eram apresentados no começo por gênero, depois mudaram para ordem alfabética. O ponto da quetão: eu folheava e imediatamente ia para a parte dedicada ao gênero "Western" à procura das resenhas de O dólar furado, Por um punhado..., Tempo de massacre,Sua lei era a vingança, etc. e para meu desalento e raiva esses filmes eram apresentados resenhas tacanhas, rasteiras,discriminatórias,como único intento de fazer o cinéfilo crer que eram filmes de terceiro mundo (cuidado: não estou aqui discriminando meus irmãos dos países do glogo enquadrada pelos geógrafos nessa categoria), sem valor nenhum. Quase todos os westerns americanos eram cotados com cinco estrelas;os western de nacionalidade ítalo-espanhola (muitas vezes também tendo a co-participação da França e da Alemanha)eram avaliados com uma visão deturpada,rasteira e infame por críticos (se é que devem ser chamados de críticos) previamente orientados pela diretoria da revista, com certeza, para esculhambar os Spaghetti. Até os de Leone apareciam desvalorizados;Era uma vez no Oeste, lembro bem num desses "dicionários", chegou a aparecer com três estrelas;O dólar furado, Django e Tempo de massascre,lembro bem apareciam com no máximo duas estrelas, como filmes ruins, que não valiam a pena ser assistidos. Para se preservar a dita "tradição" da grande nação americana era necessário avacalhar os filmes feitos por outras; não fazer a análise correta;não analisar os pressupostos culturais dos diretores daqueles filmes para uma avaliação e conceituação correta; não apresentar as características diferenciadas daqueles filmes. O corolário "A América para os americanos" foi canalizado como não poderia deixar de ser para as atividades de entretenimento. Tinha vontade de estar cara a cara com figuras tão ilustres e olhá-los em close-up para ver se definiriam corretamente um Western-spaghetti.Algumas frases eram mais ou menos assim; "...na década de sessenta os italianos para aproveitar a queda das produções Norte-americanas, fizeram contrafações malfeitas. Sergio leone e Sergio Corbucci foram os únicos que se sobressaíram,etc. etc....". Quem tem alguns desses manuais por favor consulte-os e poderá constatar o que estou dizendo.As resenhas dos 'Made in USA' eram grandes e cheias de pormenores, com dados de bastidores, etc.; já as dos europeus eram curtas,sem dado nenhum de produção,diretores ou atores. Será que pensavam ou pensam que todo mundo é manipulado ideologicamente, que todos pensam que só os EUA é que sabem fazer um filme,que todo mundo tem a mente lavada com a água podre da ideologia para pensar de acordo com um sistema? Condenar a invenção, a criatividade ao anonimato apenas para preservar uma "tradição"? Apenas porque essa tradição é de um país da América, como o Brasil? Pelo amor de deus. Digo aqui e sustento: os filmes de Leone (nos EUA só John ford poderia estar à sua altura) e alguns de outros diretores como Corbucci e Sollima são melhores que muitos feitos nos EUA. Não estou fazendo apologia de nacionalidade, seja italiano, seja francês, alemão, etc. É apenas uma constatação que salta das imagens para a retina dos meus olhos. A invenção de leone foi definitiva e levará muito tempo para que alguem o supere.Essa é a grande relidade que provoca frio na espinha dos adoradores dos filmes 'Made in EUA'. Não conseguem suportar isso.

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  67. Aprigio, quantas orelhas puxadas nesses teus dois últimos comentários, hein? Gosto muito de Sergio Leone, mas dos "Sergios" é o único que conheço. Tenho muito que ver e aprender. Gostaria de fazer uma pergunta a ti e a todos os fãs do Spaghetti, bem como aos sobreviventes do incêndio.
    O cinema como um todo precisa "vencer" a realidade que nos cerca. Vamos ao cinema, pagamos, o chato que não para de falar durante um filme, etc. A magia está em esquecermos tudo e embarcarmos numa viagem de emoções variadas.
    Para este fim, todos os recursos técnicos são válidos.
    Não assisto filmes dublados. Nem seriados de TV consigo aturar sem o som original. O cinema nacional e o italiano em geral demoraram muito para adotar o som direto, devido aos custos.
    Claro que a dublagem foi (western, portanto) e continua sendo usada no cinema americano, mas como um recurso específico, não como regra. Glenn Close dublou Andie MacDowell em Greystoke recentemente. E sabemos todo o tratamento sonoro posterior que um maior orçamento permite.
    Finalmente, a pergunta: a dublagem no Spaghetti, esta "irrealidade" contrastando com o maior realismo cênico, não prejudica esteticamente o resultado pretendido?

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  68. Que estranho tipo de paranóia é esse capaz de levar alguém a acreditar que produtores, diretores e críticos, especialmente estes, orquestrem campanha contra o spaghetti-western, euro-western, western-polenta ou seja lá qual nome se dê ao surto de imitações que inundou os cinemas nos anos 60 e início dos anos 70? Produtores, em sua quase totalidade, visam apenas lucro e para eles o cinema é um negócio como outro qualquer. Diretores há de todos os tipos, inclusive aqueles que abrem mão de seus princípios estéticos-filosóficos-ideológicos para atender o gosto do público. Os críticos formam uma categoria muito especial. Representam quase sempre a extrema esquerda das redações e posicionam-se inflexivelmente contra o stablishment. Muitos críticos, no passado, atribuíam ao imperialismo norte-americano a causa de todos os males da Humanidade. Ah, e gostam tanto os críticos de descobrir pelo em ovo que seriam capazes de achar uma bela cabeleira na cabeça de Mussolini. Descobrem valores em filmes que ninguém conhece e se tornam uma espécie de donos de suas descobertas. Vão do kitsch e do camp ao cinema indiano, iraniano e até do Uzbequistão. Mesmo assim, com todas suas idiossincrasias formam uma categoria imprescindível, espécie de guia para os cinéfilos que só não podem fazer dos críticos seus gurus. O que poderia levar a crítica cinematográfica aqui de Pindorama ou de outros países a comungarem da mesma aversão ao spaghetti-western, euro-western ou western-polenta? Certamente a resposta é a baixa qualidade artística da enorme maioria da produção dessa vertente do faroeste, para muitos verdadeiramente um subgênero. E o tratamento da crítica ao spaghetti-western, euro-western ou western-polenta nas resenhas ressaltava a violência sempre gratuíta, bem como a incrível falta de talento artístico de seus atores, preocupados apenas em criar um tipo que impressionasse na tela. Em poucas linhas avisava o público sobre o que os esperava naqueles filmes de títulos cada vez mais jocosos, entre eles um que o público chamava de Vou no Mato e Volto! Queixa-se da crítica o adorador de spaghetti-western, euro-western ou western-polenta da crítica e queixa-se com virulência. Fala de críticas tacanhas, rasteiras, discriminatórias e sofre ao ver westerns de Mann, Ford, Sturges, Hawks, Ray, Fuller, Walsh, Daves, Peckinpah e outros receberem cinco estrelas e resenhas que mais parecem ensaios, tantos são os valores encontrados nos westerns desses diretores. Não teriam esses críticos nenhuma inteligência, nenhuma autonomia de pensamento, nenhum background cinematográfico? Fala ainda o adorador de spaghetti-western, euro-western ou western-polenta de uma crítica manipulada ideologicamente. E fala de modo brutal. Vem à minha mente aqueles facínoras com sangue nos olhos que morriam às dúzias pelas mãos dos anti-heróis Sartana, Ringo, Sabata e Django, sempre cercados, como bem lembrou Sidney Costarelli, por proxenetas, prostitutas, ladrões e juízes venais. (continua)

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  69. Hoje, passados 35 anos do lançamento de Keoma, simbolicamente o fecho do ciclo spaghetti-western, euro-western ou western-polenta, nada mudou. Os grandes westerns, muitos deles elevados à condição de obras-primas ou clássicos são os westerns norte-americanos. A meia dúzia de spaghetti-western, euro-western ou western-polenta aceita pela crítica (hoje renovada) é a mesma de sempre, o que deve causar esse tal de frio na espinha nos adoradores dos spaghetti-western, euro-western ou western-polenta. Ganhei de Natal um livro sobre cinema editado na Inglaterra em 2009, cujo título é 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer, compilação de resenhas de críticos de diversos países do mundo inteiro. Lá estão Era Uma Vez no Oeste e Três Homens em Conflito como que para confirmar que se não houvesse Leone-Morricone o spaghetti-western, euro-western ou western-polenta seria hoje lembrado como aquelas imitações de faroestes que a Itália, principalmente, criou para substituir os filmes do gênero sandália e espada. As pradarias do verdadeiro faroeste continuam tão maravilhosas e poéticas quanto no tempo de John Ford, ainda que raramente revisitadas pois tudo muda nesta vida, quem sabe até mesmo a visão de adoradores dos spaghetti-western, euro-western ou western-polenta.

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  70. "Os grandes westerns, muitos deles elevados à condição de obras-primas ou clássicos são os westerns norte-americanos" diz o Darci. Pelo amor de Deus. Será possível acreditar nisso?!

    Essa lista dos 1001 Filmes vale tanto como outra qualquer. A do IMDB por exemplo tem dois spaghettis no número 1 e 2 do género western. Mas o resto da lista é sobretudo americana. Questão: São todas elas obras primas? Respondo já... nem pensar, lembro-me de ter assistido a lixo daquele que não lhe voltava a tocar com um pau de 5 metros. O Blazing Saddles por exemplo aparece nos 40 melhores, mas pior, o Butch Cassidy and the Sundance Kid está nos 10 primeiros. Deve ser para rir?! Quem votou nessa bodega?!

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  71. Pereira, nada melhor que você se deleitar com os fantásticos westerns-spaghettis, euro-westerns ou westerns-polenta interpretadas por Djangos, Ringos, Sartanas, Sabatas e quetais. Enquanto isso, aqueles que tem gosto diferente podem ficar com as dezenas de faroestes norte-americanos que por uma estranha coincidência têm reputação de obras-primas e clássicos. Gosto e cor não se discute, ainda que mau gosto é sempre discutível.

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  72. É justamente isso que não consigo entender. O western europeu é de mau gosto?

    --
    Pedro Pereira

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  73. Caro Pereira, ao fazer a pergunta percebo que você carrega essa dúvida. A afirmação que fiz é que o mau gosto é sempre discutível sem me referir a qualquer gênero de filme. Não sou versado em estética e conheço uma parcela pequena dos westerns-spaghetti, mas posso lhe dizer que há sim extremo mau gosto em alguns dos filmes westerns-polenta que assisti. Lembro a você o caso de um amigo que após os primeiros dez minutos de C Era Una Volta Il West se recusou a continuar assistindo ao filme após ver Jack Elam em close com aquela mosca que o perturbava. Uma pena, nesse caso, pois não só a cena toda era uma homenagem a Matar ou Morrer como grande homenagem ao próprio Jack Elam. Para esse amigo essa sequência foi de extremo mau gosto, acostumado que ele está a ver cenas de grande beleza plástica em westerns norte-americanos. O apelido desse amigo é Rocky Lane, antigo ídolo dele e dos faroestes que você talvez não conheça. Sei de crianças que foram batizadas com os nomes de Sartana e Django, assim como há um seguidor deste blog que se chama Jesse James, bem como um ator paulistano. E não esqueçamos do famoso jazzista Django Reinhardt que nasceu antes dos filmes que você tanto admira. Shane há aos milhares nos Estados Unidos. O que é mau gosto para alguns pode encher os olhos de outros.

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  74. Em primeiro lugar, as listas feitas por "grandes críticos de cinema" não valem uma beata. Mencionar as listas do IMDB e acreditar naquilo que está lá escrito é um atentado à sanidade mental de uma pessoa de bem!

    Sim, há de facto muito mau gosto em muitos westerns-spaghetti... mas isso também acontece nos westerns americanos!
    Os europeus exageravam na violência, os americanos exageravam nos romances patéticos em que a mulher sempre pura e casta era salva pelo seu belo herói vestido com roupas bonitas e cabelinho bem penteado!

    "Vem à minha mente aqueles facínoras com sangue nos olhos que morriam às dúzias pelas mãos dos anti-heróis Sartana, Ringo, Sabata e Django, sempre cercados, como bem lembrou Sidney Costarelli, por proxenetas, prostitutas, ladrões e juízes venais."

    Os westerns americanos não têm nada disso? Não podem ter porque não corresponde à verdade? Naquela altura o Oeste Selvagem era composto só por pessoas que iam à igreja todos os dias rezar e ir a festas dançar?

    "As pradarias do verdadeiro faroeste continuam tão maravilhosas e poéticas quanto no tempo de John Ford"

    Não há dúvida que as paisagens americanas são excelente, nomeadamente Monument Valley, mas posso garantir que o deserto de Tabernas, em Almería Espanha deixa qualquer um impressionado.

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    1. Acaba de estrear uma nova lista no blog. Entre os 10 favoritos do autor, 4 filmes são da vertente defendida por ti, Emanuel. A lista dele vale uma beata? Ele também citou a lista do IMDB. Não percebi minha sanidade mental atingida. Ele pode acreditar ou não na lista do IMDB, mas a citou como curiosidade.
      Ter curiosidade sobre a opinião dos outros é um sinal de inteligência e um bom remédio contra o fanatismo.
      Concordo contigo, criticar o Spaghetti pela qualidade moral dos seus personagens me parece um erro. A descrição do "oeste" italiano me lembrou o Brasil. Uma parte dele, é verdade, mas que pode ser objeto de um bom filme.
      Neste acalorado debate, oportunizado pelo Darci e pela lista do Edelzio, critiquei fortemente um filme americano. Fiz uma pergunta sobre a dublagem, um ponto fraco do Spaghetti. Com uma foto do Sergio Leone autografada, procurei um lugar para me esconder deste fogo cruzado. Tentei dois prostíbulos, o Mummy Clean e o Un Boco Per Un Dollaro, mas estavam fechados.
      Ofereci um saco de ouro aos gritos. Vários políticos já se mostraram interessados no ouro do meu caso, ou em salvar meu saco, algo assim.
      Em tempo, eu prefiro o Congresso Nacional aberto e funcionando transparentemente. Também foi em nome de valores morais que o Brasil perdeu a liberdade.

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    2. Creio que a questão das listas esteja a ser vista de forma pouco objectiva. Eu também já citei essa do IMDB uma ou outra vez, por exemplo.

      Estudiosos como Alex Cox apontariam a maioria dos postos de um top ao spaghetti. Tarantino faria certamente o mesmo, mas outros porventura preferirão westerns made in usa.

      Dependem sempre das preferências de quem as elabora...

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  75. Muitos Eurowesterns foram feitos originalmente com áudio em italiano e na composição do cast muitas vezes participavam atores de muitas nacionalidades,americana,italiana,espanhola alemã,etc. Depois eram dublados em estúdios de Cinecitá para o áudio em inglês. Isso não causava prejuízo algum ao realismo cênico, basta rever os filmes de Leone, onde a fotografia em close-up realçando a interpretação dos atores. Qualquer falha dos mesmos é perceptível. Nos filmes do diretor citado os resultados são de gande realismo cênico, ainda que alguns atores estivessem falando na língua inglesa como foi o caso de Lee Van Cleef e Clint Eastwood e outros em italiano ou espanhol. O sentimento passado através da interpretação exigida por Leone transcendia o obstáculo linguítico. Resultados satisfatórios ocorreram com filmes de outros diretores. Os europeus utilizaram o recurso de forma exímia enquanto os americanos possuíam,mas o desprezaram. Os defeitos dos Spaghetti são outros e não esse.O caro amigo Darci falou em paranóia. Se é para falar a verdade sou paranóico mesmo. Discuto com qualquer um (e o bom seria mesmo uma discussão tete a tete,essa coisa sem a gente olhar no olho do outro fica muito impessoal, as palavras parecem não transmitir o que realmente queremos dizer) sobre a quetão da ideologia impressa nas palavras dos críticos de cinema brasileiros, porque é uma verdade e muitos sabem disso.Persistiu e persiste ainda em certos meios uma visão colonizada, uma ideologia de que nós americanos somos todos iguais(eles na verdade quereiam eram, se pudessem, tomar nossas riquezas) e portanto temos que achar que os EUA são melhores.A política de alianças acabou interferindo e favorecendo sua predominancia até mesmo no entretenimento visual.Era preciso divulgar o superior modo de vida americano, o "American way of life" do "grande irmão do norte". Posso ser colonizado à maneira européia,e não nego, já que possuo mais afinidade com ela,mas sempre faço um esforço de neutralidade objetiva.Antes de conhecer o Spaghetti Western eu já havia visto muitos feitos em Hollywood,não obstante tive a perspicácia de perceber algo novo por trás daquela violência toda. Não sou mais inteligente do que você ou de qualquer outro, apenas defendo uma idéia que muitos talvez tenham mêdo de defender.Acho, portanto, que não devemos negar uma realidade quando esta salta aos olhos. Já ouvi muitos comentários preconceituosos e eivados de pura ignorância de pessoas que não conseguem admitir que existam outros centros cinematográficos no mundo, além de Hollywood. Logicamente esse não é o seu caso Darci.

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    1. A razão para dublar é conhecida. Falei de uma forma geral, mas como citaste o próprio Leone, encontro na trilogia, por exemplo, aqui e ali, uma cena que a dublagem "quebra o encanto", ganha uma dimensão indesejada. O que temos agora são opiniões bem consolidadas e diferentes. Vimos os mesmos filmes, admiramos Sergio Leone, mas divergimos. Acho que esta diferença eu levarei para todos os Spaghettis que assistir e não é esse o ponto que te fará elogiar eventualmente um western americano que ainda possa não ter visto.

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    2. Para mim a melhor forma de assistir a um western europeu é em italiano ou espanhol pois eram os países que possuiam melhor know-how na transformação sonora dos filmes. Muitas dobragens feitas para inglês são uma perca de tempo, capaz até de deturpar a qualidade de um filme.

      Por estas razões prefiro sempre adquirir filmes com o idioma italiano ou espanhol.

      O DVD da MGM de Il buono, il brutto, il cativo contém um extra bastante interessante relativamente ao tema das dobragens. Se tiveres oportunidade de assistir não te arrependerás.

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    3. Pedro, concordamos que a dublagem pode prejudicar seriamente um filme, de qualquer gênero.
      Gostaria de saber: as cenas filmadas em estúdio ou em locações com ambientes fechados, tinham a captação do som direto e depois recebiam alguma melhoria técnica? Ou, mesmo nos idiomas que citaste, sempre houve alguma forma de dublagem.
      Tenho o DVD da MGM de Il Buono, mas, infelizmente, sem esse extra referido. Com apenas o trailer e as cenas cortadas. Vou pesquisar se existe outro DVD no Brasil.
      Obrigado pela informação.
      Pedro, não sei quanto à lista do IMDB, mas Butch Cassidy foi feito para rir. Gosto muito do filme e de diferentes abordagens do western. Apenas minha opinião.
      Um abraço.

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  76. Nesse ponto concordo que a melhor forma de assistir a um western europeu seria realmente em italiano ou espanhol. Percebemos claramente a qualidade superior do aúdio quando comparada com as dobragens. Boa lembrança do Pedro. Mas ainda assim os filmes de Leone se saíram bem com a dobragem em inglês.

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  77. Olá, Emmanuel. Sem colocar em dúvida a sanidade de quem quer que seja, até porque de médico e de louco todo mundo tem um pouco, concordo que as listas da IMDb não devam ser levadas em conta pois quem delas participa são os internautas. E os internautas, de modo geral, são pessoas mais jovens e com conhecimento de cinema mais voltado para o descartável cinema moderno, cinema que sem qualquer saudosismo não dá para comparar com aquele feito nas primeiras sete décadas dessa arte. Pela sua ótica, Emmanuel, as verdades deste mundo devem ser ditas com metralhadoras cuspindo balas e com grandes jorros de sangue. Porém, bem antes do cinema adotar a violência explícita como linguagem principal, diretores diziam tudo que o mundo precisava saber e ver na tela. Você demonstra conhecer bastante bem os faroestes norte-americanos e deve então ter tido algum lapso de memória ao esquecer de diversas heroínas dos faroestes norte-americanos, que não eram assim tão puras e castas como você afirma. Muitas delas prostitutas talvez um pouco mais refinadas e quase sempre com um bom coração cujos memlhores exemplos são as maravilhosas Dallas e Frenchy. Talvez você tenha também se esquecido que ninguém foi tão má nos faroestes como Barbara Stanwyck, que o digam Judith Anderson e Edward G.Robinson. E vai por aí... Nem todos os homens do Velho Oeste eram sujos e andrajosos. O Frank de Era Uma Vez no Oeste, por exemplo, se encaixa no perfil que você traçou, com roupas bonitas e cabelo penteado. Houve, de fato, romances patéticos em alguns faroestes, mas qual gênero cinematográfico não os teve? E houve também belíssimas histórias de amor, o que nem toda sensibilidade aceita. Por outro lado, caro Emmanuel, conheço infinitamente menos que você sobre os westerns-spaghetti e admito que neles não eram comuns cenas passadas em igrejas ou sequências de danças. Estas últimas tornaram-se importantes, quando não sublimes, em diversos faroestes que você certamente deve ter assistido e não apreciado, cenas comuns em tantos westerns de John Ford, em The Big Country, Heaven’s Gate, Shane e tantos outros. Qual o problema com as igrejas, Emmanuel? Elas chegaram ao Velho Oeste junto com as tabernas, com os prostíbulos e com os general stores. Já os nativos da terra, os índios que eram figuras raras nos westerns-spaghettis, estes já estavam por lá...
    Um abraço do Darci

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  78. Caro amigo Aprigio, não precisamos ir longe para falar de centros cinematográficos importantes quando ali mesmo, em Roma, está Cineccità. Impossível imaginar a arte cinematográfica sem Fellini, Monicelli, De Sica, Visconti, Germi, Risi, Rosselini, Zurlini, Tornatore e outros. Que filmes memoráveis eles nos deram, alguns irretocáveis obras de arte. Outros cineastas lá da Bota, bem menos talentosos e mais interessados no dinheiro fácil garantido nas bilheterias, preferiram aquele tipo de faroeste que o amigo LeMarc cita como inovador e irresponsável (Vinicius, sei que palavras fora de seu contexto podem ter outro significado). Prefiro e sempre preferirei os registas acima citados, tão importantes no cenário do cinema internacional quanto os norte-americanos. Hollywood sempre esteve entre os maiores centros produtores de filmes e você está correto ao afirmar que era comum Hollywood exportar o American way of life, visto que seria difícil ter como cenários, por exemplo, a caatinga e retirantes nordestinos. Porém muitos cineastas conseguiram universalizar suas mensagens mesmo dentro desse reduzido limite, ou Vinhas da Ira não fez isso? Certo que é covardia falar em Billy Wilder, mas esse vienense realizou O Pecado Mora ao Lado estritamente dentro do American way of life e, mesmo assim, quem nunca se sentiu um pouco aquele idiotizado vizinho, ainda que sem pertencer à classe média norte-americana, sem tomar dry-martini ou jogar golfe. Cinema, quando bem feito, transcende esses limites. Por fim, que culpa tinham o cinema e a TV norte-americanos se seus produtos chegavam em outros países muitos mais baratos e mais bem acabados. Quando no Brasil ocorreu uma pioneira aventura chamada Vigilante Rodoviário (1959), os Estados Unidos produziam anualmente quase uma centena de séries semanais, muitas delas, claro, estritamente dentro do American way of life. (Continua)

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  79. Continuando caro Aprígio - Mário de Andrade, poeta, escritor, crítico, sociólogo e músico, entre outras atividades que exerceu em sua fascinante vida, foi uma pessoa de enorme influência em relação a autores mais jovens. Campeão absoluto de postar cartas nos correios, não deixava nenhuma missiva sem resposta, correspondendo-se – por carta – com todos que o procuravam. Um deles, que mal o conheceu pessoalmente, escreveu um livro que intitulou A Lição do Amigo e seu nome era Carlos Drummond de Andrade. Fosse necessário um Andrade olhar no olho do outro e certamente a obra de Drummond não contaria com a confessada influência e as lições do amigo Mário. Essa coisa de tete-a-tete que você repete tem um quê de intimidatório, ou você acredita que frente a frente com você aqueles que discordam de sua opinião passariam a achar o western-spaghetti a mais perfeita manifestação artística e cultural da Humanidade? Uma fotografia de Sebastião Salgado ou de Cartier-Bresson pode valer mais que mil palavras e Picasso com um só quadro mostrou os horrores da guerra melhor que todos os tomos de Ascensão e Queda do III Reich. Mas como não temos o talento desses artistas, fazemos uso mesmo da velha e boa palavra escrita, essa maravilhosa forma de comunicação que permanece para sempre, ao contrário dos tete-a-tete. Sem falar que a palavra escrita evita que ânimos mais exaltados aflorem desnecessariamente sendo necessária a intervenção de Wyatt Earps ou Matt Dillons.

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  80. Amigo Darci
    Fico contente de ter dado motivos pra essa galera toda de cowboys duelarem virtualmente nesse espaço sobre um assunto que sempre terá suas divergencias.
    Fique no topo da colina com meu monóculo observando tudo.
    Toda essa discussão saudável entre os forasteiros que passaram, passam e passarão por este saloon, só nos deixam a mensagem da certeza de que o western seja ele de onde for; Americano, Italiano, Alemão (vide Manitow), Yuguslavo, Tchecoslovaco (Limonade Joe - 1964) Romeno, Turco (Çeko - 1970), México (El Topo [sureal] 1970), Ásia (The Good, The Bad, The Weird – 2008), enfim todos que sobrevivem até hoje pelo mundo, nunca deixarão de existir.
    Todos os anos surgem bons novos filmes westerns de várias nacionalidades (até Argentino) acompanhando a nova linguagem cinematográfica atual.
    Hoje misturam ficção científica, terror, sobrenatural (Purgatory) e muitos exibem cenas em que dúvidas como [Aquilo foi real ou efeito especial?]. Isto é a atualidade, mas as tramas permanecem sempre as mesmas; Justiça, vingança, luta pelos direitos, pela honra e pela dignidade. Alguns até envolvendo especificamente relacionamentos sentimentais.
    Infelizmente o que sinto é que a maior parte das gerações atuais não tem mais a emoção que existia em tempos atrás. Acho que este seguimento do cinema influenciou muita gente na época para sermos o que somos hoje: Pessoas tentando mostrar o bom caminho, o respeito, o que é certo ou errado.
    Parece que ninguém mais pensa nisso; Cada um faz o que quer e como quer. A lei não existe mais.
    No velho oeste se você fizesse algo errado e quebrasse as regras, você pagava com a corda no pescoço.
    Não existem mais juízes, xerifes e carrascos como existiam naquela época.
    Costumo dizer aos meus filhos e sobrinhos que naquela época para ser feliz você só precisaria ter um bom cavalo, uma arma, uma garota, um rancho, ser esperto e ter respeito por tudo.
    Hoje se tem tudo que quer, e ninguém é feliz.
    Nós ainda carregamos alguma dignidade e lealdade a justiça.
    Portanto meu amigo Darci só tenho mesmo é de parabenizá-lo por ter me dado essa honra de ter conseguido arrumar essa grande briga em seu saloon e que parece que quebraram tudo o que tinham direito, cadeiras, mesas, garrafas e as barreiras do preconceito entre os cowboys.
    Espero que esta postagem continue a discussão com mais e mais seguidores e deixem lá o seu ponto de vista, sua opinião, crítica e manifesto pois acho que foi para isso que ele foi criado, se não, não haveria motivos para que ele existisse assim como penso no Bangbangitaliana.blogspot.com; Todos que gostam "e que não gostam" do Faroeste ou Western como chamamos querem se expressar e dificilmente encontram o espaço então devem sim ter a chance de escrever e se expressarem, pois todos tem direito de dizer se gostam ou não, de um jeito ou de outro de tudo isto.
    O Cinewesternmania está de parabéns por promover esta discussão saudável e muitas vezes bem humoradas por todos seus protagonistas que aqui passam.
    Acompanho de perto tudo o que é relatado e registrado nas discussões e confesso que estou aprendendo muito com tudo isso e isso e só nos vem enriquecer e satisfazer os nossos egos de viver um pouco dentro desse mundo que sempre irá existir "O Western Selvagem".

    www.bangbangitaliana.blogspot.com

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  81. Caro Darci o tete-a-tete não seria na violência,sou totalmente contrário a ela , apesar de admirar a forma artística como ela é apresentada no western europeu. Ao assitir apenas alguns desses filmes percebi o talento extraordinário de seus diretores ao representar a violência de uma forma totalmente inédita, e muitas vezes para refutá-la, repreendê-la, condená-la. Não vou atirar nem bater em ninguem, o que eu usei foi mais ou menos uma metáfora. Alguem lendo minhas palavras anteriores pensará com certeza que odeio o cinema americano. Não é bem assim, pois na minha infância assisti muitos e muitos filmes americanos e nem sabia que existia outros cinemas,o italiano, o inglês, o francês, etc. Sou grande fã de diretores americanos como Charle Chaplin, Jerry Lewis, Martin Scorcese, Francis Ford Copolla e outro que não me recordo agora. No entanto percebi depois de muitas observações (obervações com esforço de muita neutralidade)logo após o contatao visual com o gênero Spaghetti ou Eurowestern como prefere o pedro e o Emanuel muitas diferenças entre este último e o chamado clássico e já difundido a muito mais tempo. Depois de muito ver e comparar e por isso tenho também muitos americanos,mais do que europeus, inclusive, percebi o algo mais de que Alex Cox fala nos extras de Era uma vez no Oeste. E de fato ocorre o algo mais sim, quer queiram ou não, crítico A ou B, e não se trata apenas de análises apaixonadas.No entanto você não consegue ver esse algo mais. A verdade e a mais pura verdade é que se procurou esconder esse diferencial de todas as formas por questões puramente ideológicas aqui no Brasil. Aquela coisa de que tudo do EUA é melhor e por aí vai. Essa visão distorcida favoreceu sempre uma apreciação favorável ao que é feito por lá, seja o que for. Qual era a diferença da cãmara de filmar de Hollywood em relação às do cinema europeu? Era de ouro, de prata, de pedra preciosa,de que material mesmo era aquilo para ser tão superior assim? Proponho o seguinte: você e eu pegamos 5 filmes dos respectivos gêneros, aqueles que nós achamos os melhores e vamos compara quadro a quadro. Nos escolhidos por você eu quero que você me apresente onde está a superioridade deles em relação aos spaghetti e eu lhe apresentarei as diferenças dos últimos que os tornam artisticamente melhores em termos de fotografia,direção interpretação, montagem, etc. Vou ficando por aqui.

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  82. Aprígio, agradeço a bem intencionada proposta de aula segundo a qual você pretende provar que o subgênero superou os mestres dos westerns originais. Estes são tantos e suas obras tão numerosas e extraordinariamente perfeitas, mesmo sem o uso de artifícios desnecessários, que prefiro assisti-las e reassisti-las para continuar amando o bom cinema. Nada contra filmes feitos fora dos States. Ontem assisti Marcha sobre Roma, de Dino Risi, com Gassman, Tognazzi e Mario Brega, daquelas comédias italianas tão inteligentes quanto engraçadas. Curiosamente entre os diretores norte-americanos que você citou (Chaplin era Inglês), nenhum deles dirigiu faroestes. Alguma coisa contra Ford, Mann, Peckinpah, Boetticher, Daves, Sturges, Walsh, Wellman, Hawks só porque fizeram os melhores westerns do cinema?
    Volte sempre, afinal há quase 400 matérias no CINEWESTERNMANIA falando do faroeste genuíno.
    Um abraço - Darci

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  83. Darci como curiosidade e ilustração a esta pauta...
    Gostaria se possível que deixasse este link sobre um vídeo interessante e que também está causando muita polêmica e discussão entre os cinéfilos westerns.

    http://www.cinereporter.com.br/outros-destaques/analise-estilistica-da-obra-de-leone/

    Grato
    Edelzio

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  84. Dia desse assiste o filme: OS Cruéis, com a Brasileira Norma Bengell, e o colocaria no top 10.
    Em todas listas, sinto a aus~encia de Dolar furado, na minha lista é o terceiro, Django é o numero 5. E Ringo, com antonny steffan é o numero 6.

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  85. Quanto à minha proposta de debate com o Darci para uma análise fílmica comparativa entre westerns americanos e os produzidos na Itália e outros países europeus,um confronto realizado através de um blog sempre culminará em valorações muito subjetivas de um de outro lado e nunca se chegaria a uma definição.Nem mesmo presencialmente com mediadores a neutralidade axiológica poderia triunfar num duelo desse tipo. Sem obstar não estou abrindo mão de minha posição, defendida até aqui. Deixemos para o devir.Caro Darci você tem suas convicções conceituais sobre arte e eu tenho as minhas. São opiniões contrárias apenas,peço desculpas por qualquer indelicadeza cometida. Dessa forma forma agradeço pelo espaço que me foi franqueado e encerro minha participação aqui.

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  86. Aprígio, considero que os tantos comentários externaram suficientemente as posições de cada um daqueles que se envolveram na discussão entre as diferenças entre o faroeste norte-americano e a vertente européia. Acredito ter sido a polêmica bastante proveitosa para todos que dela participaram ou que a acompanharam como meros leitores.
    Darci Fonseca

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  87. Consegui um contato com meu amigo Robert Woods "Pécos" no Facebook e ele afirmou em entrevista que para se fazer um Western Espaghetti não era preciso dublês e o ator tinha saber andar, galopar e cair do cavalo, se sujeitar a ficar sujo, torturado, as vezes hospedados em hotéis de quinta categoria, quebravam alguns ossos e as filmagens ficavam paradas semanas até sair do hospital e na américa não tinha graça fazer esses filmes.
    Na hora do vamo ver, chamavam um imortal e colocavam no lugar dele.
    O diretor era diretor, escritor, roteirista, contra-regra, figurante, ator, cameraman, faxineiro etc...
    Enfim dois mundos diferentes, duas moedas diferentes que se resumem em uma única "Ficção".
    WWW.bangbangitaliana.blogspot.com

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  88. José Fernandes de Campos17 de novembro de 2012 20:37

    DOLAR FURADO como um dos melhores westerns é muito forte. Sem comentarios. Em resposta ao ANONIMO de 6 de agosto

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  89. CARACA. Desde que tomei conhecimento deste blog atraves do meu amigo Campos tenho lido ele assiduamente e principalmente os TOP TEN. Me surpreendi com o numero de comentarios. SENSACIONAL. Discordo totalmente dele mas como li que você tem um blog dobre faroeste italiano me interessei e vou le-lo com carinho. Reaalmente aturar SABATA é muito estranho para um amante de filme italiano. Cade VINGANÇA CEGA, KEOMA. Meu Nome é ninguém é uma brincadeira. Mas os 101 comentários são mais bate-papo do que opiniões. Vou entrar nno seu blog, ler e tecer comentários. Me aguarde. O melhor comentário foi o do dono do blog datado de 5 de março. Corporativismo.Bela propaganda.

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  90. Realmente corporativismo é o que tem muito nesse blog. Todos defendem todos do mesmo grupo em suas opiniões, porque têm medo de ofender o amigo.

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  91. Olá, Anônimo - Este blog já recebeu algumas críticas, entre os muitos elogios, mas essa de corporativismo é de morrer de rir. Muito boa mesmo. - Darci Fonseca

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  92. Sem querer renascer este post o que mais causa estranheza na listagem do edelzio é ele não tem considerado estes classicos do spaguetti western abaixo que são bem melhores dos que ele escolheu:

    ONCE UPON A TIME IN THE WEST, Sergio Leone (1968) [ muito superior a “Quando Explode a Vingança" (Giù la Testa), 1971 ]

    THE GREAT SILENCE, Sergio Corbucci (1968)

    DEATH RIDES A HORSE, Giulio Petroni (1967)

    FACE TO FACE, Sergio Sollima (1967)

    A BULLET FOR THE GENERAL, Damiano Damiani (1966)

    COMPANEROS, Sergio Corbucci (1970)

    e o primeiro do Sartana:

    If You Meet Sartana, Pray for Your Death G. Parolini, 1968 [muito superior a “Sabata, o Homem que Veio para Matar” (Ehi Amico... c'è Sabata, Hai Chiuso!), 1969]

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  93. Vejam como comparativo a listagem do site:

    http://www.spaghetti-western.net/index.php/Essential_Top_20_Films

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  94. do 01 ao 20:

    1 THE GOOD, THE BAD AND THE UGLY, Sergio Leone (1966)


    2 ONCE UPON A TIME IN THE WEST, Sergio Leone (1968)


    3 FOR A FEW DOLLARS MORE, Sergio Leone (1965)


    4 THE GREAT SILENCE, Sergio Corbucci (1968)


    5 A FISTFUL OF DOLLARS, Sergio Leone (1964)


    6 DJANGO, Sergio Corbucci (1966)


    7 THE BIG GUNDOWN, Sergio Sollima (1966)


    8 THE MERCENARY, Sergio Corbucci (1968)


    9 DEATH RIDES A HORSE, Giulio Petroni (1967)


    10 FACE TO FACE, Sergio Sollima (1967)


    11 COMPANEROS, Sergio Corbucci (1970)


    12 DUCK, YOU SUCKER!, Sergio Leone (1971)


    13 A BULLET FOR THE GENERAL, Damiano Damiani (1966)


    14 DAY OF ANGER, Tonino Valerii (1967)


    15 KEOMA, Enzo G. Castellari (1976)


    16 CEMETERY WITHOUT CROSSES, Robert Hossein (1968)


    17 MY NAME IS NOBODY, Sergio Leone/Tonino Valerii (1973)


    18 RETURN OF RINGO, Duccio Tessari (1965)


    19 DJANGO KILL, IF YOU LIVE, SHOOT!, Giulio Questi (1967)


    20 RUN MAN RUN, Sergio Sollima (1968)


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  95. 21. If You Meet Sartana, Pray for Your Death G. Parolini, 1968 (341 points);
    22. Blindman F. Baldi, 1971 (313 points);
    23. Sabata G. Parolini, 1969 (269 points);
    24. Navajo Joe S. Corbucci, 1966 (240 points);
    25. And God Said to Cain A. Margheriti, 1969 (229 points);
    26. Mannaja S. Martino, 1977 (219 points);
    27. $10,000 Blood Money R. Guerrieri, 1967 (212 points);
    28. Light the Fuse ... Sartana is Coming G. Carnimeo, 1970 (205 points);
    29. Tepepa G. Petroni, 1968 (201 points);
    30. A Pistol for Ringo D.Tessari, 1965 (190 points);

    31. Massacre Time L. Fulci, 1966 (158 points);
    32. God Forgives, I Don't G. Colizzi, 1967 (142 points);
    33. Bandidos M. Dallamano, 1967 (141 points);
    34. The Grand Duel G. Santi, 1972 (131 points);
    35. Four of the Apocalypse L. Fulci, 1975 (130 points);
    36. Matalo! C. Canevari, 1970 (130 points);
    37. California M. Lupo, 1977 (127 points);
    38. El Puro E. Mulargia, 1969 (127 points)
    39. Ace High G. Colizzi, 1968 125 points);
    40. Johnny Hamlet E.G. Castellari, 1968 (119 points);

    41. The Forgotten Pistolero F. Baldi, 1969 (115 points);
    42. Kill and Pray C. Lizzani, 1967 (115 points);
    43. A Bullet for Sandoval J. Buchs, 1969 (96 points);
    44. Django the Bastard S. Garrone, 1969 (95 points);
    45. Death Sentence M. Lanfranchi, 1968 (95 points);
    46. Trinity is Still my Name E. B. Clucher, 1971 (95 points);
    47. They Call Him Cemetery G. Carnimeo 71 (93 points);
    48. The Specialists S. Corbucci, 1970 (91 points);
    49. Vengeance A. Margheriti, 1968 (90 points);
    50. Shoot the Living and Pray for the Dead G. Vari, 1971 (89 points);

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  96. texto sobre THE GREAT SILENCE, Sergio Corbucci (1968) da autoria do Rodrigo Carneiro:

    )))))))))))))(((((((((((((((((



    O Vingador Silencioso

    Duas mulheres conversam em um cemitério clandestino escavado no meio da neve, na pequena cidade de Snow Hill, em Utah (EUA). Uma delas acaba de enterrar o marido, morto por um cruel caçador de recompensas. Enfurecida, a mulher revela a intenção de contratar um vingador especializado em vingar viúvas, um excêntrico homem chamado Silenzio. “Eles o chamam assim porque não importa aonde ele vá, o silêncio da morte sempre o acompanha”, afirma. Com essa frase, Pauline (Vonetta McGee), a viúva enraivecida, define o sorumbático personagem principal do faroeste “O Vingador Silencioso” (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968).

    O filme de Sergio Corbucci ganhou fama entre os fãs de western por ter sido considerado pelo especialista Christopher Frayling, biógrafo de Sergio Leone, como o melhor longa-metragem do abundante ciclo de produções italianas de faroeste entre 1960 e 1975 que não tinha a mão de Leone. O título não-oficial é merecido. “O Vingador Silencioso” transpõe os arquétipos característicos do subgênero para uma paisagem gelada, dando-lhes um tratamento original, que confere ao filme um caráter melancólico e evocativo, um clima que vai além da simples soma de elementos técnicos (som, cenários, atores) que compõem um filme.

    A produção trata, como convém a um faroeste italiano, de uma saga de vingança encabeçada por um “estranho sem nome”, um pistoleiro de poucas palavras com passado misterioso e ágil no gatilho. Silenzio (Jean-Louis Trintignant), no entanto, possui uma condição que o coloca em uma dimensão diferente daquela ocupada pelo personagem imortalizado opor Clint Eastwood. Ele é mudo. Quando criança, teve a garganta cortada por um caçador de recompensas. Por isso decidiu toda a sua vida a matar quem vive desse ofício.




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  97. Silenzio chega a Snow Hill em um momento curioso. A cidade, castigada por um inverno rigoroso, encontra-se cercada por ladrões e assassinos. Vivendo nos bosques além dos limites da vila, os bandidos atraem a atenção de outro bando, formado pelos caçadores de recompensas, que montam acampamento da cidade para matá-los. Esses são liderados por Loco (Klaus Kinski), um assassino frio, traiçoeiro e sanguinário. Loco é o homem que a viúva Pauline quer ver morto. Ele e Silenzio chegam a Snow Hill na mesma carruagem, abarrotada de cadáveres de malfeitores postos por Loco para congelar em bancos de neve, à espera de transporte.

    Um detalhe a mais: no mesmo veículo, chega a Snow Hill o xerife Burnett (Franco Wolff). Militar condecorado, ele acaba de ser designado para controlar a terrível situação da cidade, acalmando os ânimos entre bandidos e caçadores de recompensa. Como se vê, Corbucci prepara a ação de modo a pôr três indivíduos em rota de colisão. Mais ou menos como Leone havia feito na sua famosa “trilogia dos dólares”, e como ele próprio havia realizado no violento “Django”, dois anos antes.

    A receita é parecida, mas “O Silêncio da Morte” conta com um trunfo inigualável: as maravilhosas paisagens de inverno dos montes Pirineus, que serviram de locação principal. O filme quebra a tradição do gênero, pródigo em ambientar os filmes em cidades cheias de poeira, lama e calor. Assim, Corbucci e o fotógrafo Silvano Ippoliti conseguem filmar panoramas gelados de tirar o fôlego, com imensas porções de neve branca como papel e um céu azul claro. Além disso, o contrate violento entre o branco da neve e o vermelho do sangue, nos tiroteios, serve de mote para uma série de grandes imagens. O visual de “O Vingador Silencioso” é belíssimo.

    O trabalho de fotografia é realmente impressionante, pois abusa de técnicas distintas (tomadas de ângulos quase verticais, de cima para baixo ou de baixo para cima, câmera na mão em pelo menos uma seqüência) para dar ao longa-metragem um ritmo particular, lento mas jamais tedioso. Para completar, o maestro Ennio Morricone compõe um tema dramático, utilizando os corais masculinos tradicionais do western spaghetti de uma maneira bem diferente do

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  98. normal. A música dá o toque fúnebre definitivo que complementa a desolação das imagens com precisão.

    “O Vingador Silencioso” é um filme claramente mais ambicioso do que o normal no estilo. Isso seria de se esperar, já que Corbucci ganhou notoriedade por seguir os passos de Leone, então já consagrado como um cineasta maior. Isso fica evidente, por exemplo, nas tomadas que focalizam os rostos dos atores em close, uma característica de Sergio Leone que o xará incorporou aqui com brilhantismo (ajudado, é claro, pelos traços expressivos de Klaus Kinski, à vontade no papel do louco homicida que interpretaria tantas vezes ainda).

    Mesmo assim, o diretor italiano jamais abandona suas marcas registradas, como as mãos machucadas dos pistoleiros durante os tiroteios, as cenas passadas em cemitérios toscos (como o citado acima) e as doses expressivas de violência, aqui mais espaçadas mas ainda impactantes. Além disso, demonstra um carinho maior para com seus personagens, em especial para com Pauline e Silenzio, chegando mesmo a criar uma relação sem palavras entre os dois, em cenas que denotam muita intimidade, o que é muito bom.

    Para completar, Corbucci demonstra um domínio ainda maior da narrativa, inserindo na trama dois flashbacks bem colocados que conferem ao filme um novo sentido. “O Silêncio da Morte” também chama a atenção dos aficionados pelo final surpreendente, amargo e violento. Este é um daqueles finais que deixam o espectador em silêncio, ruminando os acontecimentos, impotente devido à impossibilidade de mudá-los – exatamente como na vida real. Não há dúvida de que Sir Christopher Frayling tinha razão ao analisar este filme.

    O selo Ocean Pictures fez o lançamento no Brasil sem muito alarde. A edição é baseada na edição norte-americana da Image Entertainment. O disco contém o filme com boa qualidade de imagem, no enquadramento original (widescreen 1.66:1) e com em inglês e português (Dolby Digital 2.0). Faz falta a dublagem original em italiano. Não há extras. Interessante é que a película pode ser encontrada em DVD semelhante (excetuando-se pela trilha em português,

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  99. ausente) da Classic Line, sob o nome “O Silêncio da Morte”.

    - O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968)
    Direção: Sergio Corbucci
    Elenco: Klaus Kinski, Jean-Louis Trintignant, Vonetta McGee, Frank Wolff
    Duração: 105 minutos

    fonte:
    [ http://www.cinereporter.com.br/criticas/vingador-silencioso-o/ ]

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  100. textos outros do Rodrigo Carneiro sobre spaguetti western:
    CARREIRO, Rodrigo . O papel de Sergio Leone no perfil contemporâneo do herói em filmes de gênero. Culturas Midiáticas, v. 5, p. 1-15, 2012.

    CARREIRO, Rodrigo . Era uma vez… a revolução: a trajetória de Sergio Leone nas páginas da Cahiers du Cinéma. Rebeca (Revista Brasileira de Estudos de Cinema e do Audiovisual), v. 1, p. 218-244, 2012.

    CARREIRO, Rodrigo . Notas sobre o papel da música de Ennio Morricone na passagem do cinema clássico para o moderno. Tempos Históricos (EDUNIOESTE), v. 15, p. 81-98, 2011.

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  101. CARREIRO, Rodrigo. Por um Punhado de Dólares?: Gênero, autoria e questões de valor na estética do spaghetti western. Ícone (UFPE), Recife-PE, v. 11, p. 1-15, 2009.

    CARREIRO, Rodrigo. O Dia da Desforra: A trajetória do spaghetti western na cultura midiática. Lumina (UFJF), Juiz de Fora-MG, v. 3, p. 1-17, 2009.

    CARREIRO, Rodrigo. Do desprezo à glória. Baleia na rede (UNESP), Marília-SP, v. 1, p. 157-172, 2009.

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  102. CARREIRO, Rodrigo. A figura do herói em três westerns de Sergio Leone. XXXIV Encontro da Intercom, Recife, 2011.

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  103. TESE DE DOUTORADO

    CARREIRO, Rodrigo. Era uma Vez no Spaghetti Western: Estilo e Narrativa na Obra de Sergio Leone. Biblioteca Digital da UFPE, Recife – Pernambuco, 2011.

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  104. A figura do herói em três westerns de Sergio Leone
    por Rodrigo CARREIRO:

    http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2011/resumos/R6-0354-1.pdf

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  105. No artigo, analiso o surgimento e a evolução de um herói com caracterização amoral, violenta e individualista, dentro do escopo de três filmes dirigidos por Sergio Leone em meados da década de 1960. O objetivo foi de identificar os contextos sócio-culturais que impulsionaram Leone a adotar esse novo perfil de herói, que está ligado diretamente a outro recurso de estilo típico na obra do diretor: uma representação mais realista da violência. Tentei mostrar, ainda, como o herói de moralidade ambígua extrapolou os filmes de Leone, ajudando a influenciar toda uma linhagem de filmes de ação contemporâneos. [Rodrigo Carneiro]

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  106. tese de doutorado do Rodrigo Carneiro:



    Era uma Vez no Spaghetti Western


    Minha tese de doutorado sobre a obra de Sergio Leone tem 322 páginas, mais de mil imagens coloridas, e pode ser baixada agora da biblioteca virtual da UFPE

    Por: Rodrigo Carreiro




    Minha tese de doutorado sobre os filmes de Sergio Leone já pode ser encontrada para download na biblioteca virtual da UFPE.



    A tese consumiu dois anos de pesquisas, entre 2009 e 2011. Gastei centenas de horas assistindo a velhos faroestes (americanos e italianos), lendo muitos livros, comparando anotações e trabalhando na redação propriamente dita.

    O grosso do texto foi escrito em janeiro de 2010, entre sessões de até doze horas de redação ininterrupta, e julho do mesmo ano, quando cortei o original de 600 páginas para cerca de 200 páginas e, num segundo momento, acrescentei novos trechos e muitas estatísticas. Mais de 1.000 imagens coloridas ilustram o texto (que, espero, é compreensível a todo mundo que se aventurar por ele, já que tentei evitar a todo custo o jargão acadêmico).

    O relatório final da pesquisa se chama “Era uma Vez no Spaghetti Western: Estilo e Narrativa na Obra de Sergio Leone”.

    Resumidamente, o texto tenta realizar uma análise estilística e narrativa minuciosa da obra de Leone, a fim de desvelar a real contribuição dos filmes dele ao repertório de esquemas circulantes no cinema contemporâneo. Partimos do princípio de que Leone ajudou a desenvolver recursos importantes para o processo de intensificação da poética cinematográfica clássica, que muitos pesquisadores afirmam ter ocorrido a partir dos anos 1960, tendo feito isso a partir de revisões sistemáticas dos esquemas dominantes de construção narrativa disponíveis na época.

    Para alcançar o objetivo, tentei identificar a recorrência de padrões estilísticos e narrativos nos filmes assinados por Leone, sempre procurando elencar e analisar os contextos sócio-culturais, tecnológicos, econômicos e ideológicos que o levaram a adotar e desenvolver esses padrões, além de mostrar como cada recurso abriu caminho dentro do repertório de técnicas utilizadas por cineastas contemporâneos. Ao final, procurei ainda investigar a conexão entre o relativo apagamento dessa contribuição estilística de Leone ao fato de ele ter trabalhado, durante toda a carreira, com o cinema de gênero, cuja filmografia tem recebido pouca atenção de historiadores do estilo cinematográfico.

    fonte:

    [ http://www.cinereporter.com.br/outros-destaques/era-uma-vez-no-spaghetti-western/ ]

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  107. Texto [antigo] do Carlos Thomaz Albornoz [sobre 02 filmes não incluidos na lista do Edelzio]:




    "Dois filmes de Sergio Corbucci:

    Grande Silenzio

    e

    Compañeros
    DVD sair com imagem e som melhor que o VHS é a norma: além do formato digital ter inúmeras possibilidades a mais que o analógico, normalmente os produtores aproveitam e dão uma restaurada/remasterizada antes do filme receber o upgrade digital. O que causa estranheza é quando uma fita de vídeo com 15 anos tem imagem ou som mais claros que o disquinho. Isso aconteceu duas vezes, agora, em filmes do mesmo diretor, Sergio Corbucci.
    O caso mais estranho é Il Grande Silenzio (1968), a obra-prima do diretor.
    A fita é considerada por Christopher Frayling, biógrafo de Sergio Leone e autor do livro Spaghetti Westerns: Cowboys and Europeans, estudo definitivo sobre o gênero, como sendo o melhor western italiano não dirigido por Sergio Leone, com sua ambientação gelada e final amargo. Conta a história de Silenzio, pistoleiro mudo vivido por Jean Louis Trintignant, que vai defender uma vila dominada pelo sempre ameaçador Klaus Kinski. Esse filme também foi uma extraordinária afirmação da técnica de Corbucci, visto com desconfiança pelos cinéfilos depois do ultraviolento (mas também excepcional) Django.
    Na fita lançada em meados dos anos 80 pela FJ Lucas, sob o título O Vingador Silencioso, o filme estava em widescreen (1.66:1), preservando as belíssimas composições de Silvano Hipolliti, e com o som em italiano, onde todo o elenco italiano se dublou (mas não os dois atores principais, Kinski e Trignitignat). No DVD lançado por aqui agora em 2003, sob o esquisito título O Silêncio da Morte, temos em mãos o filme em formato semelhante, e som em inglês (em que nenhum dos atores centrais se dubla). O DVD americano também tem som em inglês e utiliza provavelmente o mesma transfer, é apresentado pelo diretor inglês Alex Cox e tem um final feliz alternativo. Por mais que a gente não fosse imaginar que a produtora ia chegar ao requinte de duplicar o DVD japonês (com ambas as trilhas mais legendas em inglês, italiano e japonês), ou que fosse procurar uma dublagem em português para oferecer ao comprador (bela iniciativa que está sendo feita por algumas distribuidoras independentes - como no DVD nacional do já citado Django, por exemplo), o mínimo que dava para pensar é que a produtora ia usar o master inteiro da versão americana, que teoricamente está lá, prontinho, já em NTSC, com seus extras (inclusive os cinco minutos de entrevista e os seis do final feliz); era só colocar a legenda. Nem isso. É o tipo de economia boba, que desrespeita o comprador, disposto a colocar quarenta reais em um produto especial...
    Companheiros (Vamos a Matar Compañeros, 1970) é outra história. É um dos últimos grandes momentos do spaghetti western como gênero, instantes antes das paródia a la Trinity se tornarem a norma e por fim enterrarem o ciclo (que depois retornaria esporadicamente, em produções como Keoma (1976), de Enzo Castellari, e Mannaja (1977), de Sergio Martino). Este é da safra dos "Zapata Westerns", ou seja, é passado durante a revolução mexicana, narrando a parceria forçada de um mercenário sueco (Franco Nero) e um legítimo campesino mexicano (o sósia de Che Guevara, Tomas Millian), sendo perseguidos por Jack Palance. É menos sério (mas tão engajado quanto) que o resto dos filmes desse ciclo (que incluem Um Bala para o General, de Damiano Damiani, Face a Face, de Sergio Sollima, e Quando Explode a Vingança, de Sergo Leone), mas com montes de ação para distrair

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  108. quem não está interessado na pregação maoísta.
    O DVD que saiu por aqui tem todas as qualidades e defeitos do importado, que saiu nos EUA via Anchor Bay. Preserva o frame do techniscope (2.35:1) e as composições do diretor de fotografia Alejandro Ulloa (que meses depois filmaria One on top of the other com Lucio Fulci), inclui uma dublagem em português (que vai deixar felizes todos aqueles que viram esta produção na TV)... mas preserva o grande defeito do disquinho importado, ou seja, a trilha "falhada" em inglês.
    Explico: às vezes as produções italianas, por serem longas, eram lançadas nos Estados Unidos (e em vários mercados) com alguns minutos a menos. De uns tempos para cá, quando do lançamento em DVD destes títulos, as produtoras têm optado por lançar os filmes com trilha em inglês e, quando a cena não foi dublada, diálogos em italiano com legendas, para "demonstrar" quais cenas não chegaram a ser traduzidas. Isso aconteceu em Prelúdio para Matar, de Dario Argento, em Torso, de Sergio Martino, e em eventuais outros filmes. O problema é quando essas cenas existem, e fáceis de achar. Onde? Na fita que saiu no Brasil pela Reserva Especial, por exemplo. Só por isso a mesma não vai ser jogada pela janela pelos fãs do filme, pois o som em inglês é a melhor versão do filme, com Tomas Millian se dublando com sotaque fortíssimo e a excepcional performance do "man in black" Jack Palance.

    Carlos Thomaz Albornoz

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  109. fonte:
    http://www.contracampo.com.br/52/fitasdosotao.htm

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  110. texto do site por-um-punhado-de-euros.blogspot.com.br


    Il Grande silenzio (1968 / Realizador: Sergio Corbucci)


    Sergio Corbucci é um cineasta com extenso currículo e trabalhou em quase todos os ramos do cinema (peplum, comédia, drama, terror, western). Normalmente fazia vários filmes num só ano e talvez isso tenha prejudicado a sua reputação porque muitos desses projectos não ultrapassavam a mediocridade. A meu ver, Corbucci é um cineasta irregular, quase bipolar! Só assim se explica o facto de fazer westerns fracos e logo a seguir saca algo genial como “Django”. Dois anos após esse grande sucesso, e com alguns falhanços pelo meio, surge como o inventor de “O grande silêncio”, outro ponto alto da sua carreira. Apesar dos muitos defeitos, Corbucci é para mim o realizador de westerns-spaghetti mais corajoso (e mais louco) de sempre. Atreveu-se a fazer tudo aquilo que todos os outros tinham receio de experimentar! Com ele não há meias medidas nem presta qualquer tipo de homenagem a ninguém! Explora o subgénero para lá dos limites e deu-se muito bem! Provavelmente só Giulio Questi está na mesma linha com o incrível e brutal “Se sei vivo, spara!”


    Este filme triunfa porque é em tudo diferente do que as pessoas já estavam habituadas no subgénero. As paisagens áridas são substituídas por um quadro branco gélido e desolador. E é aí que surge “Silêncio”, um pistoleiro mudo (não de nascença) que será um dos vértices de um triângulo problemático composto por “Pauline” e “Tigrero”. Aqui não há alegria, risos, luz ou calor. Todo o filme é pessimismo, é violência, é frio porque, ao contrário do que queriam fazer passar nos westerns clássicos americanos do cinema e da televisão, o oeste selvagem era mesmo selvagem! E a selvajaria no ser humano resulta sempre no mesmo: Matar para sobreviver!
    Ao longo dos tempos criou-se uma imagem idealizada do herói imune às balas e à tentação carnal em forma de mulher! Pois bem, até nisso “O grande silêncio” é diferente. O protagonista envolve-se sexualmente com a sua amante numa sensual cena de amor, apoiada pela sempre brilhante música de Ennio Morricone.


    Haveria muito mais a dizer mas prefiro guardar surpresa para quem ainda nunca viu o filme. Levanto somente a ponta do véu: o final é de tal forma chocante e violento que Corbucci foi obrigado a filmar um final alternativo para poder ser distribuído noutros países mais conservadores. Felizmente, hoje em dia a versão original mantém-se em quase todos os DVD disponíveis para venda (o ridículo final alternativo faz parte dos extras de algumas edições DVD). O filme conta com nomes consagrados como o francês Jean-Louis Trintignant, o alemão Klaus Kinski, o italiano Luigi Pistilli e os americanos Frank Wolff e Vonetta McGee. Boas sequências de tiroteio, drama, muita violência e morte são os ingredientes desta obra-prima do western italiano e de Sergio Corbucci, que entre 1966 e 1968 tirou da cartola dois filmes geniais que vão figurar para sempre na galeria dos mais notáveis! Para terminar, uma breve observação: “Homens duros” como John Ford, John Wayne, Howard Hawks e Anthony Mann ficariam arrepiados com este filme, se tivessem coragem para o ver!

    fonte:
    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com.br/2010/05/il-grande-silenzio-1968-realizador.html

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  111. Top 10 do Blog: "Por um punhado de euros" (Versão 2012)

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.pt/2012/06/top-10-do-por-um-punhado-de-euros.html

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  112. texto sobre o Top 01 do site 'por um punhado de euros':




    C'era una volta il West (1968 / Realizador: Sergio Leone)

    O enorme sucesso da “trilogia dos dólares” colocou Sergio Leone num pedestal e pôs em sentido os executivos dos grandes estúdios americanos. Agora, a prioridade de Leone era fazer o projecto que sonhara durante toda a sua vida, um épico sobre os gangsters judeus de Nova Iorque, no Lower East Side, baseado no romance de Harry Grey “The Hoods”. Após várias reuniões com os mais influentes produtores americanos, o resultado foi sempre o mesmo: o financiamento de “Era uma vez na América” só estava garantido se Leone fizesse um último western! Perante esta situação, o cineasta italiano aceitou, sob a condição de ter plenos poderes sobre o novo projecto. Seguiu-se então um animado duelo entre dois grandes estúdios de cinema: A United Artists colocou em cima da mesa de negociações muito dinheiro e ainda as super vedetas Charlton Heston e Kirk Douglas. A Paramount também acenou com um grande orçamento e Henry Fonda. Era bem conhecida a ambição que Leone tinha de trabalhar com Fonda. Não havia dúvidas, a Paramount venceu!


    Após um jantar de negócios, mediado por Mickey Knox, e um parecer positivo do seu amigo Eli Wallach, Henry Fonda aceitou a proposta. Claudia Cardinale e Jason Robards já estavam garantidos mas ainda faltava encontrar mais um protagonista. Inicialmente Leone falou com Clint Eastwood mas este recusou categoricamente. Isso não abalou Leone porque ele sabia no seu íntimo que a escolha certa seria Charles Bronson. À semelhança de Fonda, Bronson aceitou o convite porque agora Leone já tinha uma reputação e dinheiro mais do que suficiente, algo que não acontecia em 1964 quando tentou convencê-lo a protagonizar “Por um punhado de dólares”. Acompanhado por uma equipa técnica muito competente, o projecto foi concebido na Itália (Cinecittá), em Espanha (Almería) e nos Estados Unidos (Arizona).

    O enredo está ligado à expansão do caminho-de-ferro na América do Norte e aos negócios sujos dos grandes magnatas. O empresário Morton quer a todo o custo concluir a sua linha-férrea e conta com o pistoleiro Frank para tratar de todos os inconvenientes que possam surgir. Frank não é de meias medidas e assassina brutalmente a família de Jill para ficar com o terreno. O fora-da-lei Cheyenne é injustamente acusado de ter cometido esse crime. No meio disto tudo deambula o misterioso Harmónica, que carrega na sua memória lembranças traumatizantes.


    Este foi provavelmente o primeiro filme da História do cinema em que os actores actuavam ao som da banda sonora porque a partitura musical de Ennio Morricone foi composta antes das filmagens começarem. Isso

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  113. ajudou os protagonistas a perceberem melhor o ambiente do filme. Mas nem tudo foi um mar de rosas! A ideia inicial de Leone era fazer 4 horas de filme mas chegou-se a um entendimento e a versão final foi reduzida para pouco menos de 3 horas. Contudo, alguns energúmenos com poder de decisão mandaram cortar ainda mais o filme, retirando-lhe muita da sua magia! Leone sentiu-se profundamente injustiçado porque foi essa “versão amputada” que estreou nos EUA e na Inglaterra, tornando-se num desastre nas bilheteiras e na crítica! Felizmente, Itália e França não foram nessa cantiga e a versão integral original foi bem sucedida, principalmente em Paris que exibiu o filme diariamente durante mais de 2 anos!

    Já em pleno século XXI, o mercado DVD em Portugal fez justiça e presenteou os fãs com um excelente DVD, que além de conter o filme em todo o seu esplendor ainda oferece muitos documentários, entrevistas, fotografias e afins! “Aconteceu no Oeste” é um óptimo filme que sofreu durante muitos anos o estigma de muitos preconceitos. Eu, à semelhança de muitas pessoas, acho que o filme estava à frente do seu tempo. Naquela época a maioria das pessoas não estava preparada para um impacto tão profundo. Hoje, qualquer um que goste de cinema de verdade, vai adorar este filme!

    fonte:
    [ http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com.br/2011/02/cera-una-volta-il-west-1968-realizador.html ]

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  114. Texto sobre Django Top 04 do Por um punhado de euros:



    Django (1966 / Realizador: Sergio Corbucci)


    Quando se aborda o tema westerns-spaghetti, o primeiro nome que vem à memória da esmagadora maioria é “Sergio Leone”. É com inteira justiça que isso acontece, já que foi o grande mestre do género e realizou obras marcantes. Contudo, Sergio Corbucci segue de muito perto o seu compatriota, se tivermos em conta as suas duas obras-primas: “O grande silêncio” e “Django”. Concentremo-nos neste último. O ano é 1966 e várias dezenas de westerns-spaghetti surgiram no grande ecrã até à data. Alguns desses filmes são maus, uns são medianos, outros são agradáveis, outros muito interessantes mas quase todos ainda bebem inspiração da abundante fonte clássica americana. Eis então que surge “Django”, uma obra genial que consegue em alguns aspectos ir ainda mais longe que “Por um punhado de dólares”. “Django” define perfeitamente o que é o western-spaghetti: violência, crueldade, sadismo, vingança, ambição, abundância de símbolos religiosos (caixão, cruzes, cemitérios) e, naturalmente, muitos tiroteios e respectivos cadáveres. As paisagens lúgubres, a cidade de aspecto desolador, enlameado e fantasmagórico, as cores escuras falam mais alto e são o ponto de partida para um marco da história do cinema. O sucesso foi de tal forma gigantesco que deu origem a dezenas de outros filmes com o nome do protagonista mas nenhum deles chegou sequer aos seus calcanhares (o nome tem a ver com um músico de jazz europeu chamado Django Reinhardt).


    O enredo é simples: Django chega a uma localidade praticamente deserta a arrastar um caixão e envolve-se no meio de um conflito entre mexicanos revolucionários liderados pelo General Hugo e os fanáticos sulistas da Ku Klux Klan do Major Jackson. O objectivo é enriquecer às custas dos mexicanos e vingar-se de Jackson, o culpado pela morte da sua mulher. Após muita violência e um elevado número de mortos, Django defronta o seu inimigo mortal no cemitério. Dito desta forma até parece um filme perfeitamente banal mas a maneira como este projecto foi concebido (cenários, armas e figurinos são da responsabilidade de Carlo Simi) foi magnífica. A fotografia de Enzo Barboni e a arrepiante música do argentino Luís Enriquez Bacalov são excelentes. O leque de actores, liderados por Franco Nero, que passou de desconhecido a super vedeta, é composto por Loredana Nusciak, José Bodalo, Eduardo Fajardo e Angel Alvarez.


    O sucesso desta obra-prima foi proporcional à polémica. A censura inglesa, por exemplo, baniu o filme até início dos anos 90 devido à excessiva violência (cortar uma orelha, esmagar mãos, chicotear mulheres) mas contra todos esses atritos “Django” resistiu e é hoje um filme de culto e obrigatório a todos os fãs do género. Hoje em dia é muito fácil comprar edições DVD deste filme em qualquer loja on-line excepto em Portugal, que é uma pobreza franciscana. Eu optei pela edição espanhola que tem boa qualidade de som e imagem (1.85:1). Não existem filmes perfeitos mas, na minha opinião, “Django” roça a perfeição.

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  115. fonte:
    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com.br/2009/11/django-1966-realizador-sergio-corbucci.html

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  116. Este comentário foi removido pelo autor.

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  117. lembrete:
    Este blog já resenhou estes 2:


    ONCE UPON A TIME IN THE WEST, Sergio Leone (1968)
    http://westerncinemania.blogspot.com.br/search/label/1968%20-%20Era%20Uma%20Vez%20no%20Oeste%20%28C%27Era%20Una%20Volta%20Il%20West%29


    THE GREAT SILENCE, Sergio Corbucci (1968)
    http://westerncinemania.blogspot.com.br/search/label/1968%20-%20O%20Vingador%20Silencioso%2FO%20Grande%20Sil%C3%AAncio%20%28Il%20Grande%20Silenzio%29

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  118. outro toque:
    embora nao tenha colocado 'A morte anda a Cavalo' DEATH RIDES A HORSE, Giulio Petroni (1967) como seu favorito edelzio resenhou o filme no seu blog:

    A morte anda a Cavalo





















    “Da Uomo a Uomo”
    “Death Rides A Horse - USA”
    Itália 1967
    Direção: Giulio Petroni
    Música: Ennio Morricone
    Duração: 114 minutos
    Fotografia: Carlo Carlini
    Distribuição Original no Brasil: Reserva Especial
    Filmado em Tabernas - Almería – Andalucia - Espanha

    Lee Van Cleef - Ryan
    John Phillip Law - Bill Meceita
    Mario Brega - Caolho (Paco)
    Luigi Pistilli - Walcott - Lider dos bandidos
    Anthony Dawson - Burt Cavanaugh
    José Torres - Pedro
    Franco Balducci - Xerife
    Guglielmo Spoletini - Manuel - Bando de Walcott
    Bruno Corazzari - Cúmplice de Walcott
    Felicita Fanny - Garota da Vila
    Ignazio Leone - Shepherd
    Carlo Pisacane - Chefe da Estação de Holly Spring
    Angelo Susani - Bando de Walcott
    Vivienne Bocca - Bando de Walcott
    Walter Giulangeli - Sr. Meceita, Pai de Bill
    Elena Hall - Sra. Meceita, Mãe de Bill
    Mario Mandalari - Bando de Walcott
    Nazzareno Natale - Bandido
    Ennio Pagliani - Bando de Walcott
    Giovanni Petrucci - Bando de Walcott
    Romano Puppo - Prefeito
    Richard Watson - Bartender
    Archie Savage - Vigro
    Remo Capitani - Escolta do Ouro
    Carla Cassola - Betsy, garota de Bill
    Giuseppe Castellano- Xerife
    Nerina Montagnani - Esposa de Shepherd
    Claudio Ruffini - Diretor da Prisão
    José Terrón - Bando de Walcott
    Nino Vingelli - Jogador de Cartas


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  119. Ainda criança, Bill (John Phillip Law), escapa de um massacre e é a única testemunha do Assassinato de toda a sua família por quatro assaltantes. Traumatizado consegue memorizar algumas pistas deixadas pelos sádicos assassinos. Quinze anos depois, ele vai atrás dos assassinos em busca de vingança.
    Durante a sua jornada, ele cruza o caminho de Ryan (Lee Van Cleef), um Ex-Confederado que acabou de sair da cadeia e que também de alguma forma ficara preso por causa dos mesmos bandidos. Os dois formam uma dupla nada comum em busca do mesmo objetivo, mas por diferentes razões.
    Ryan de alguma forma se antecipa sempre às ações precipitadas de Bill, colocando um contra o outro. Dos seis westerns dirigidos por este diretor, este talvez tenha sido o mais sério e violento. Fez também duas comédias com o personagem "Provvidenza" com Tomas Milian (uma mistura de Trinity e Charlie Chaplin) e um outro de destaque foi "....E per tetto un cielo di stelle" (A Sky Full of Stars for a Roof - USA) de 1968 com Giuliano Gemma e Mario Adorf de muito sucesso.
    O que foi muito chocante e brutal para o ano de 1968, foi o fato de que os homens brancos do Velho Oeste começaram a mostrar suas armas para crianças e mulheres. Muito inusitado para o cinema de Hollywood.
    Mais uma ousadia e desafio para os Italianos nesta década que vinham quebrando todos os tabús a cada filme. A Aparência dos atores como Lee Van Cleef, Jack Palance, Gordon Mitchell, Bud Spencer, Gian Maria Volontè e tantos outros que não tinham seus rostos tão bonitos como os de príncipes como por exemplo Roger Moore, Tony Curtis e outros, mostrava que filme de faroeste não precisava ter um ator bonito mas sim justiceiro e que honrassem seu nome. Ainda não tão aparente no cinema, nunca fora feito a menos que fossem retratando com os índios que eram considerados selvagens sanguinários. John Wayne não gostava de ver esse tipo de Western, pois manchava o código do Cowboy-Mocinho disciplinado.
    Os Espaghettis Westerns lotavam as salas de cinema e quanto mais feio era o ator, melhor era retratada a vida difícil do cowboy forasteiro que tinha que conviver em meio a bandidos o tempo todo. Estes atores se consagravam pela sua atuação e não pela sua beleza, pois o homem que era macho não precisava ser bonito; Ele tinha que resolver o problema com suas próprias mãos e seus próprios meios.
    John Phillip Law participou de grandes clássicos do cinema Fantástico na década de 70e 80 em filmes como “Barbarella – 1968, As Novas Viagens de Simbad – 1973, Perigo: Diabolik – 1968, Rebelião Espacial – 1988” e muitos outros vindo a falecer em 2008.
    Aqui ao lado de Van Cleef mostra sua única e inesquecível performance em um Faroeste Europeu.
    A música de Ennio Morricone é outro ponto alto do filme especialmente em momentos como nas cenas onde Ryan (Cleef) acaba de sair pela porta da prisão e está comprando o cavalo e quando conhece Bill (Law) pela primeira vez como um adulto em sua fazenda.
    Um agradável e grandioso filme, enfatizando a cenografia de Luciano Vincenzo.
    Descobri uma música tema do filme cantada pela poderosa voz de Raoul que está disponível aos fãs.
    Outro detalhe interessante é que Quentin Tarantino aproveitou parte da trilha sonora deste filme para as sequencias de ação do filme “Kill Bill”. Nada bobo ele.

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  120. fonte:
    http://bangbangitaliana.blogspot.com.br/2011/08/morte-anda-cavalo.html

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  121. texto da revista Cinemin sobre Leone:

    SERGIO LEONE
    O cineasta do silêncio
    Nos anos 50 e 60, os westerns viviam seu auge, levando multidões aos cinemas. De olho nesse lucrativo filão, muitos estúdios italianos passaram a fazer filmes do gênero, a maioria rodados na Cinecittà. Eles logo foram batizados pela mídia de spaghetti-westerns. A maioria era de péssima qualidade, e só visavam o lucro. O caminho foi aberto por um diretor talentoso, mas ainda desconhecido, que costumava trabalhar como diretor-assistente nos estúdios italianos: Sergio Leone. Seu segundo filme, “Por um Punhado de Dólares” (1964) iria revolucionar o gênero. Um roteiro simples, sobre um estranho sem nome, que chega a uma pequena cidade do Oeste americano e se envolve na briga entre duas famílias locais. Visivelmente inspirado no clássico “Yojimbo”, de Akira Kurosawa (que tinha um samurai sem nome), o filme chamou a atenção pelo visual barroco e pelo uso de closes em detalhes como olhos, mãos, pernas, que explodiam nas telas grandes do cinemascope. Em seus filmes seguintes, a forma estilizada das cenas de violência e o uso de flashbacks para explicar a ação ou obsessão de um personagem iriam tornar-se sua marca registrada, e impressionar a crítica da Europa e EUA.
    Curiosamente, Kurosawa já vinha inspirando os westerns americanos. “Os Sete Samurais” foi praticamente refeito, e muito bem, por John Sturges, em “Sete Homens e um Destino”. “Rashomon” foi copiado por Martin Ritt em “Quatro Confissões”. Assim, de certa forma, “Por um Punhado de Dólares” é uma tripla clonagem. Além de imitar os westerns na Itália, copiou um clássico japonês e também a moda americana de refilmar clássicos de Kurosawa. Mas o filme é tão talentoso que isso não lhe tira o brilho.
    Com “Por um Punhado de Dólares” nascia um dos mestres do cinema mundial, que iria influenciar toda uma geração de cineastas, como Sam Peckinpah e Martin Scorsese. Elementos de seu estilo podem ser visto ainda hoje na obra de cineastas recentes, como Quentin Tarantino, e mesmo em John Woo. Sua filmografia é pequena. Depois de um início mediano com “O Colosso de Rodes”, em que ele dirigiu e escreveu o roteiro, seguiram-se seis filmes autorais, todos de grande importância: “Por um Punhado de Dólares”, “Por uns Dólares a Mais”, “Três Homens em Conflito”, “Era uma Vez no Oeste”, “Quando Explode a Vingança” e finalmente “Era uma Vez Na América”. Além do estilo ousado, povoado de flashbacks, dos planos longos e clima árido, seus filmes têm em comum uma belíssima trilha sonora, sempre assinada pelo amigo Ennio Morricone. Maestro e diretor formaram uma das mais perfeitas parcerias da história do cinema. No começo da carreira, como diretor contratado da Cinecittà, era sempre chamado para refazer uma ou outra cena de algum filme já pronto. Assim, possui dezenas de pequenas participações não creditadas em filmes de terceiros. A mais famosa é em “Ben Hur”, de Willian Wyler.

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  122. Melhor Filme

    É difícil escolher qual dos filmes de Leone é o melhor. Os quatro últimos figuram com facilidade em qualquer lista dos 50 melhores filmes da história do cinema. Eu destacaria “Três Homens em Conflito” e “Era uma Vez na América”, embora muita gente boa prefira “Era uma Vez no Oeste”.
    Os spaghetti-westerns tiveram outro efeito colateral benéfico. Como a idéia era exibir os filmes também no mercado americano, os estúdios levaram para a Itália diversos astros iniciantes ou decadentes de Hollywood, e acabaram revitalizando a carreira de muitos deles. O maior exemplo foi Clint Eastwood, mas também ganharam destaque Lee Van Cleef e outros. À exceção de “Era uma Vez na América” e “Por um Punhado de Dólares”, em seus filmes o personagem principal fala pouco. Há sempre longos planos com silêncio, nos quais os gestos e olhares dizem mais do que muitos diálogos. Pode-se definir Leone como o cineasta para quem um silêncio vale mais do que mil palavras.
    Sergio Leone nasceu em Roma, no dia 3 de janeiro de 1929. Seu pai, Vicenzo Leone, era um mediano diretor que chegou a ter relativo sucesso nos tempos do cinema mudo. Sua mãe, Francesca Bertini, era atriz. Influenciado pelo meio, Leone logo trilhou o caminho do cinema, a despeito dos apelos de seus pais, para que se tornasse advogado. Ele começou como roteirista e trabalhou como assistente de direção em dezenas de filmes na Cinecittà, como “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio De Sica, no qual fez também uma ponta como padre. Em 1959, trabalhando como assistente de direção, teve sua grande chance ao substituir o diretor e amigo Mario Bonard, que havia ficado doente depois de filmar mais de dois terços do roteiro de “Os Últimos Dias de Pompéia”. Embora não esteja nos créditos, o trabalho lhe abriu as portas da Cinecittà. Logo veio o convite para dirigir “O Colosso de Rodes”, e também para ser diretor das cenas na Itália de filmes como “Quo Vadis” de Mervyn LeRoy, “Ben-Hur”, de Willian Wyler, “Sodoma e Gomorra”, de Robert Aldrich, e “Helena de Tróia”, de Robert Wise. Em pouco tempo viriam as oportunidades de dirigir seus próprios roteiros. Foi ainda roteirista de filmes como “Meu Nome é Ninguém”, de Tonino Valerii.
    Não se pode falar em Sergio Leone sem citar Ennio Morricone, responsável pelas belíssimas trilhas de todos os seus filmes, exceto o primeiro. Maestro e ex-colega de classe de Leone, eles eram amigos pessoais. Embora já tivesse assinado a trilha de três filmes, Morricone foi revelado por Leone em “Por um Punhado de Dólares”, e a partir daí iria tornar-se um dos mais requisitados autores de trilhas sonoras. Trabalhando ativamente até hoje, ele é um dos mais prolíficos compositores do cinema, sendo responsável pela trilha de mais de 350 filmes. Isso sem levar em consideração o fato de que às vezes ele se dava ao luxo de esconder-se por trás de pseudônimos como Nicola Piovani e Leo Nichols. Morricone é tão produtivo, criativo e versátil, que é difícil enumerar seus trabalhos. Eclético, ele vai bem em filmes de suspense, dramas românticos, comédias, épicos e, claro, spaghetti westerns. Além dos seis filmes de Leone, merecem destaque as trilhas de “Os Intocáveis” de Brian de Palma, “Queimada”, de Gillo Pontecorvo, “1900”, de Bertolucci, “Cinzas do Paraíso”, de Terence Mallick, “Cinema Paradiso”, de Giuseppe Tornatore, etc. Suas trilhas têm sempre um ar renovado, mas também guardam semelhanças, fazendo lembrar umas às outras. É uma espécie de Woody Allen da música, ou seja, consegue renovar-se sem deixar de ser o mesmo.

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  123. Clint Eastwood

    Também revelado por Leone, Clint Eastwood merece igualmente uma citação à parte. Clinton Eastwood Jr. nasceu em 30 de maio de 1930, em San Francisco, no auge da depressão. Passou a infância acompanhando o pai, vendendo gás nas estradas de terra da costa oeste americana. Serviu nas forças especiais do exército por quatro anos, e em 1955 foi tentar a sorte em Hollywood. Chegou a fazer algum sucesso em westerns feitos para a TV, mas estava em declínio, sem fazer nada há seis anos, quando foi chamado por Leone para filmar na Itália. A trilogia sobre o Oeste catapultou-o ao estrelato, que se consolidaria definitivamente nos EUA com “Meu Nome É Coogan”, de Don Siegel, de quem também se tornaria amigo e parceiro. Pouco depois, Clint iria revelar-se um excelente diretor, com “Perversa Paixão” (“Play Misty for Me”, 1971), repetindo a dose diversas vezes, sempre mostrando talento e criatividade. Em seus filmes, é visível a influência de Siegel e também de Leone. Este último principalmente em “Josey Welles, o Fora da Lei” (1976), e em “Os Imperdoáveis” (1992), que consagrou seu talento e lhe valeu os Oscars de filme e direção. Não por acaso, o filme é dedicado a “Sergio e Don”. Apesar do estilo durão e violento que o caracterizam no cinema, o republicano Eastwood é um homem culto, inteligente, que adora jazz e poesia, a ponto de produzir um documentário sobre Thelonius Monk, em 1989, ou produzir e dirigir “Bird”, a biografia do saxofonista Charlie Parker, uma lenda dos anos 40, com Forest Whitaker no papel principal.
    Voltando à carreira de Leone, o sucesso como segundo diretor de produções americanas o gabaritou a dirigir um filme inteiramente seu. Seria “O Colosso de Rodes” (1961), superprodução para os padrões da época, financiada em parceria por Espanha, Itália e França, do qual Leone também é co-autor do roteiro. Trata-se de um épico considerado mediano pela crítica, que destaca mais as cenas de batalha (que ele aprendeu nas produções americanas) e os imponentes cenários construídos na Cinecittá. Os filmes com atores musculosos no papel de heróis gregos ou romanos, como Hércules e Maciste, estavam na moda no cinema italiano da época. O halterofilista Rory Calhoun lidera uma revolta de escravos, no tempo da Grécia antiga.
    “Por um Punhado de Dólares” (1964), com East- wood e Gian Maria Volonté, viria mostrar ao mundo o talento do diretor. O roteiro foi escrito por Leone, Duccio Tessari, Victor Catena e G. Schock; e a fotografia é do parceiro Massimo Dalamano. Não é seu melhor trabalho. Pelo contrário, chega a ser um pouco tosco, demonstrando os parcos recursos orçamentários de que dispunha. O próprio personagem de Eastwood não está bem delimitado. A cena em que ele foge a galope sob os tiros dos bandidos é incompatível com suas atitudes posteriores. A cena em que explica ao casal de fugitivos os motivos de estar ajudando-os ficaria bem melhor sem falas, podendo ser explicada pelos flashbacks que o diretor passaria a utilizar com frequência posteriormente. Eastwood fala demais aqui. Só depois Leone entenderia a força que têm os silêncios e os olhares significativos que viriam a ser suas marcas registradas. O amadurecimento viria no filme seguinte, não apenas pelo aumento do orçamento disponível (por conta do sucesso), como também por sua percepção de que o gênero poderia servir como veículo para discutir suas teses. Ainda assim, não se pode negar que ele mostrou aqui talento suficiente para firmar-se como um autor criativo. Um mérito importante foi revitalizar Clint Eastwood que, embora seja um ator limitado, possui inegável carisma. Após a trilogia de Leone, firmou-se como um ícone do gênero.

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  124. Ennio Morricone

    “Por um Punhado de Dólares” foi também o primeiro trabalho importante do músico Ennio Morricone. Aqui sua trilha sonora ainda está longe do que viria a mostrar nos filmes seguintes. Apesar dos altos e baixos, tem bons momentos, marcou o gênero, e iniciou uma valiosa parceria ao longo de toda a carreira do diretor. Ela só foi interrompida com a morte de Leone, vítima de um ataque cardíaco em 1989, na mesma Roma onde ele havia nascido. No filme, Eastwood é um estranho sem nome, que chega a uma cidade do oeste e envolve-se com um conflito entre duas famílias da região, como em “Yojimbo”. Seu personagem muda de um lado para outro, conforme a conveniência, embora seja perceptível desde o início o antagonismo com a família de Gian Maria Volonté. A abertura em desenho animado ganharia qualidade nos filmes seguintes. Em resumo, este filme tem mais valor por sua importância histórica do que por sua qualidade propriamente dita. É uma espécie de ovo da serpente, para usar uma expressão bergmaniana, onde pode-se entrever em gestação as qualidades de um cineasta talentoso, que iria eclodir em seguida.
    Com o sucesso internacional do filme, Leone, Eastwood e Morricone repetiriam (e aperfeiçoariam) a parceria em “Por uns Dólares a Mais” (1965), tendo no elenco Lee Van Cleef e novamente Gian Maria Volonté. Como no filme anterior, é uma co-produção entre Espanha, Itália e Alemanha, com todas as cenas em estúdio rodadas na Cinecittá, a Hollywood italiana. O roteiro foi escrito por Leone, em parceria com Luciano Vicenzoni. Como o nome em português força a semelhança com o filme anterior, muita gente confunde os dois. Mas este é um clássico, uma obra de um autor já maduro, que teve mais liberdade para ousar, por conta do sucesso anterior. Clint e Lee são dois caçadores de recompensa que resolvem se unir para levar, vivos ou mortos, um bando de criminosos que estão com a cabeça a prêmio. Mas como Randolph Scott em “O Homem que Luta Só”, de Bud Boetticher (“Ride Lonesome”, 1959), que curiosamente traz Lee num papel pequeno, Van Cleef tem outros motivos para capturar Volonté. Neste filme, Leone mostra ousadia, ao criar um roteiro mais próximo à linha dos westerns psicológicos, onde alguns personagens têm motivações para apresentar determinadas atitudes. A trama é repleta de flashbacks, que serão explicados no final. A fórmula seria repetida (e aperfeiçoada) nos filmes seguintes. Ao mesmo tempo, os enquadramentos são cada vez mais ousados, alternando closes que quase fazem necessário o uso de lentes macro, de tão próximos, com planos gerais com muita coisa acontecendo, num estilo próximo ao barroco. A cena de um duelo entre Clint e Lee é enquadrada mostrando parte da perna de Lee, tendo Clint ao fundo. Como no filme anterior, Leone escorrega na excessiva violência. A cena do ataque à prisão, para libertar Volonté, por exemplo. Ou em desnecessárias tentativas de humor, como na cena em que Lee atira seguidamente no chapéu de Clint. Mas isso fica em segundo plano diante da vitalidade e energia esbanjadas pelo filme, outro grande sucesso de bilheteria.

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  125. “Três Homens em Conflito” (1966) tem no elenco novamente Lee Van Cleef, e Eli Wallach. O roteiro é de Leone e Luciano Vicenzoni, e a fotografia desta vez é de Tonino Delli Colli, que tem um estilo semelhante a seu antecessor Massimo, mas aqui é menos afeito aos visuais barrocos. Ele será o fotógrafo de todos os próximos trabalhos do diretor. O filme encerra o que a crítica costuma chamar de “trilogia dos dólares”. Parte da crítica americana chama erradamente o conjunto deste filme com os dois anteriores de “trilogia do Oeste”, desconsiderando “Era uma Vez no Oeste” e mesmo “Quando Explode a Vingança” (que foi rodado na Itália, mas ambientado no México, com todo o clima de velho oeste), que possuem temáticas e ambientação semelhantes. Por esse raciocínio, teríamos uma pentalogia sobre o Oeste, com outros temas em comum, como a motivação da vingança, personagens caladões (James Coburn, como o especialista em explosivos de “Quando Explode...” e Bronson em era “Era uma Vez...”, que também não tem nome e é chamado de Harmônica, por conta de sua inseparável gaita). Há ainda críticos que se referem aos três filmes iniciais como trilogia do homem sem nome. Mas no segundo filme, Eastwood chama-se Monco. Como em todos os filmes de Leone, novamente em “Três Homens em Conflito” os olhares e gestos valem mais que mil palavras. Logo no começo, Van Cleef chega à casa de um homem que está almoçando com a família. Ele entra sem falar nada. O homem também nada diz. Mas o espectador sente, pelos olhares, que um dos dois morrerá. O clima de tensão vai num crescendo até o desfecho inevitável.


    Eastwood repete novamente o personagem com cara de mau, sempre de barba por fazer, de pouca conversa e com sua inseparável cigarrilha. Como no filme anterior, ele é um caçador de recompensas. Só que, dessa vez, vive de dar golpes nos xerifes, pois ao mesmo tempo em que entrega o bandido procurado (Eli) e pega a recompensa (que será dividida entre os dois), trata de libertá-lo pouco antes de seu enforcamento. Depois vão para outra cidade, e Clint repete o ritual, entregando-o a outro xerife e levando nova recompensa. A ação ocorre nos tempos da guerra civil americana, dando um bom panorama da época. Os problemas começam quando eles encontram um homem agonizante, que conta a Clint o local onde está enterrada uma pequena fortuna. Mas um perigoso pistoleiro (Lee) também está em seu encalço. Neste filme, Leone começa a apresentar um lado mais politizado. Por exemplo, na cena em que Eli encontra o irmão que se tornou padre. Ela mostra a gênese da formação do criminoso, que seria discutida de forma mais abrangente em “Quando Explode a Vingança”, e também em “Era uma Vez na América”. Quando o irmão padre o critica por ter abandonado a família, Eli responde: “Nesse lugar miserável onde nascemos, as

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  126. únicas chances de sobreviver são virar padre ou bandido”. Leone mostra como prática comum as torturas inflingidas aos soldados capturados, e o desprezo que os nortistas tinham em relação aos soldados do Sul. É também seu filme mais violento. Há uma cena muito forte, em que os confederados presos formam uma banda e são obrigados a tocar para abafar os gritos dos soldados torturados, o violento espancamento a que Eli é submetido, e o atropelamento, por um trem, de um cadáver ao qual Eli está algemado.
    Por último, vale destacar também a veia cômica do diretor, que a utiliza para quebrar a tensão dos momentos mais violentos. Esse viés se desenvolveria mais nos filmes seguintes. Nesse sentido, as melhores cenas ficam por conta de Eli Wallach, um excelente ator, que encarna um personagem sem caráter, mau e desbocado. A série interminável de palavrões que destila para Eastwood é impagável. Eastwood o liberta da forca atirando na corda. Mas sua pontaria vai piorando, fazendo com que eventualmente tenha de atirar duas vezes, o que deixa Wallach furioso. Em uma discussão, ele diz: “Sou eu quem está na ponta da corda. Eu deveria ganhar mais”. Ao que Eastwood responde: “Mas se eu receber menos, isso pode afetar minha pontaria...”

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  127. O grande filme

    “Era uma Vez no Oeste” (1968) é outro dos grandes filmes de Leone, uma espécie de síntese de todos os seus westerns anteriores, com flashbacks, homens calados e sem nome, pistoleiros sem caráter, etc. É também o primeiro e único com uma presença feminina marcante, feita pela belíssima Cláudia Cardinale. Como em “A Moça com a Valise”, de Zurlini, ela chega à estação com suas valises, mas não há ninguém esperando-a . O roteiro é baseado numa história que foi escrita também por Bernardo Bertolucci. Mostra a mudança de costumes no velho Oeste americano, o crescimento das cidades e a decadência dos pistoleiros diante da modernização. Fonda faz Frank, um pistoleiro mau (que lembra Lee Van Cleef em “Três Homens em Conflito”), contratado pelo poderoso dono de uma estrada de ferro para intimidar os donos de terras que ele pretende comprar. O pistoleiro é perseguido por um misterioso homem sem nome (Charles Bronson), que está sempre tocando uma gaita. Seus motivos só ficarão claros no final, depois de vários flashbacks. A cena final, com o homem que parte com uma bala no corpo, lembra o final de “Os Brutos Também Amam”, de George Stevens, outro grande clássico do western. Já a cena inicial, que mostra a tediosa espera numa estação de trem, é referência ao belíssimo clássico “Matar ou Morrer”, de Fred Zinneman, onde os pistoleiros esperam a chegada do chefe no trem do meio-dia. Essa sequência inicial é um show à parte. Entre os pistoleiros que esperam estão Woody Strode, um ator muito apreciado por John Ford, e também Jack Elam, um conhecido vilão de Hollywood. Também é memorável o final com um belíssimo travelling mostrando a cidade em construção, ao som de Morricone. É a chegada do progresso, que transforma os pistoleiros em velhos dinossauros rumo à extinção. As cenas internas foram rodadas na Itália, mas muitas locações foram feitas no Monument Valley, um dos cenários favoritos de John Ford.
    “Quando Explode a Vingança” (1971) é de longe seu filme mais politizado, adotando um viés visivelmente anarquista. É também onde ele mais exagera nos closes. Há cenas mostrando apenas o olho de personagens. O herói é James Coburn, um ex-membro da guerrilha irlandesa, especialista em explosivos, que foge de seu país e vem esconder-se no México, onde acaba conhecendo um bandido picareta (Rod Steiger, em atuação genial), que assalta viajantes com a ajuda de seus seis filhos. A cena inicial já dá a idéia do que será a fita. Steiger, pobre e sujo, pede carona a uma luxuosa diligência que transporta milionários. Ele é praticamente desprezado e humilhado pelos passageiros. No caminho, seus filhos já esperam em uma emboscada e ocorre uma mini-revolução, com os miseráveis tomando o poder na diligência. Eles expulsam-nos sem roupas, depois de roubar todos os seus pertences. Steiger não perde a chance de dar o troco e chega a violentar uma esnobe passageira, em uma cena que costumava ser cortada na TV, principalmente no puritano canal pago TNT.

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  128. Viajando na luxuosa diligência, a família de bandidos, uma espécie de exército de Brancaleone, tenta assaltar Coburn, que está passando com sua motocicleta, mas ele acaba explodindo o veículo. Convidado a assaltar um banco, ele resolve envolver a família de bandidos na revolução zapatista. Steiger torna-se herói meio sem saber onde está se envolvendo. Os diálogos entre os dois são de uma ironia sutil e evidente cunho anarquista. Steiger diz: “Não quero ser um herói. Eu quero dinheiro”. Em outra cena, Coburn está lendo “O Patriotismo”, do teórico anarquista Bakunin. Logo no início, há uma citação à revolução chinesa e seu líder, Mao Tse Tung (ou Mao Zedong, como pede a nova grafia).
    Em outra cena, Steiger está escondido num vagão de carga, embaixo de uma gaiola dourada com um pássaro, que faz uma ‘sujeira’ na sua cabeça. Ele levanta, olha para o pássaro e diz “Pros ricos você canta!”. Em outro diálogo com Coburn, ele fala: “Eu sei o que acontece numa revolução. As pessoas que lêem vão falar com as que não lêem. As que lêem ficam lendo e os pobres lutam. No final, as que lêem estão lá e o que acontece com as pessoas pobres? Estão mortas!” Há ainda inúmeras cenas duras, mostrando o implacável fuzilamento dos rebeldes capturados pelo governo. A despeito de sua excepcional qualidade, acuidade visual, roteiro e atuações, o filme foi um retumbante fracasso de bilheteria. Curiosamente, em seus três últimos filmes, Leone passou a dispor de grandes orçamentos, o que passou a ser uma faca de dois gumes. Com o dinheiro, vieram também as cobranças de resultados por parte dos produtores. Nesta fase, os efeitos especiais e cenografia são de primeira. Aqui há uma impressionante explosão de uma ponte, no momento em que passa um comboio de militares mexicanos. Infelizmente, enquanto os filmes baratos de Leone alcançaram enorme sucesso de público, sua fase rica não foi bem-sucedida. O prejuízo com este filme fez com que Leone ficasse 12 anos sem dirigir. É triste imaginar quantos bons filmes deixaram de ser feitos.
    Ele passou esse período apenas trabalhando como produtor, e só voltaria a dirigir em 1983, com o belíssimo “Era uma Vez na América”, talvez sua obra-prima. Trata-se de uma impressionante superprodução que reconstitui a época dos gangsters. O filme faz um excelente complemento a “O Poderoso Chefão”, de Coppola. O diretor acompanha um grupo de garotos judeus pobres, que começam a vender proteção nas ruas de Nova Iorque. A coisa prospera e logo eles se tornam poderosos mafiosos. Com o fim da lei seca, o negócio começa a decair. Mas tudo é contado de maneira tão poética que chegamos a gostar dos bandidos. A trilha de Morricone, como sempre, é um primor, mas o grande achado do filme é fazer a história ir e vir numa sequência de flashbacks. A fita é muito longa (227 minutos, quase quatro horas), que fluem agradavelmente, sem nunca cansar o espectador. Mas os produtores americanos resolveram retalhar a versão original (injustificadamente ressabiados pelo fracasso do filme anterior), lançando-a nos cinemas em uma criminosa versão com cerca de 90 minutos a menos (o mesmo havia acontecido em “Era uma Vez no Oeste”, que perdera 50 minutos). Para piorar, remontaram à revelia, dando-lhe uma absurda ordem cronológica que é quase um assassinato, algo como pintar um sorriso na Mona Lisa. Depois de tudo, os produtores ainda tiveram coragem de reclamar que o filme foi um fracasso. Por conta dele, Leone nunca mais voltaria a dirigir.

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  129. A exibição deste filme em canais pagos e em DVD, já na versão integral, permitiu dimensionar a importância desta obra-prima, até então subestimada. Robert De Niro e James Woods dão um show como os meninos que se tornam gangsters e são massacrados depois do fim da lei seca. Apenas De Niro escapa. O filme já começa com essa cena, para depois recontar tudo em flashbacks que passeiam pelos anos 20, 30 e 60. Embora estejam bem demarcadas, essas constantes idas e vindas exigem bastante atenção do espectador.
    Há pelo menos uma dúzia de cenas memoráveis. Vale destacar uma delas, de alto teor filosófico e um toque de poesia. Os meninos descobrem que uma menina da rua faz sexo em troca de um delicioso doce coberto com creme que é feito numa doceria da região. Um deles compra o tal doce e bate na porta da casa da menina. Ela demora muito para atender e ele fica ali, diante da irresistível guloseima. Afinal, o que é melhor? Diante da demora, ele vai beliscando o doce e, quando a menina abre a porta, ele já comeu tudo. Um dos grandes momentos do cinema. O diretor aparece numa pequena ponta, como o funcionário da estação.

    Em 1986, o nome de Leone apareceria nos créditos de um filme pela última vez em “Troppo Forte”, no qual ele assina o roteiro. Segundo a crítica italiana, trata-se de uma comédia fraca, dirigida e estrelada pelo então popular Carlo Verdoni, e com Alberto Sordi no elenco, sobre um ator que tenta conseguir um papel num filme, mas é rejeitado e parte para uma desastrada vingança. Ainda na Itália, ele produziu também quatro filmes pouco memoráveis, como “Um Genio, Due Compari e um Pollo”, em 1975; “Il Gatto”, 1978; “IL Giocattolo”, 1979; “Um Sacco Bello”, 1980; “Bianco, Rosso e Verdone”, 1981.
    Os fãs de Leone devem recorrer aos três filmes lançados em DVD: “Por uns Dólares a Mais”, “Três Homens em Conflito” e “Era uma Vez na América”. Este último foi lançado em bancas de jornal e pode ser encomendado junto aos jornaleiros. Os DVDs respeitam o enquadramento original e exibem os filmes em widescreen, ou seja, com a imagem retangular e tarjas pretas em cima e em baixo. Isso é importante porque os filmes dos anos 60 eram feitos em cinemascope e seus similares (como o techniscope), ou seja, eram filmados visando a projeção em tela grande e larga. O sistema foi desenvolvido para se oferecer um visual grandioso, tentando vencer a concorrência com a televisão, que começava a roubar público dos cinemas. Para exibir na TV (que tem a tela quase quadrada) os filmes feitos em cinemascope, é preciso cortar muito das laterais. Assim, é comum que em cenas onde dois personagens falam, apenas um apareça. Nos duelos, só se vê um dos protagonistas atirando. Além disso, os enquadramentos de Leone eram tão cuidadosamente elaborados que a exibição na TV sem as tarjas é quase um crime contra sua obra. Um exemplo: em “Era uma Vez no Oeste”, no duelo entre Bronson e Fonda, Leone dá um super close nos olhos de Bronson. Na TV, o espectador praticamente só vê o nariz do ator.
    Pouco antes de morrer de um súbito ataque cardíaco, em 1989, Leone planejava um lance ainda mais ousado. Ele vinha arquitetando uma intrincada engenharia de produção para filmar o cerco alemão à cidade russa de Leningrado, durante a 2a Guerra. Seria uma superprodução de US$ 70 milhões (em termos atuais, muito mais cara que o recente “Titanic”), financiada por produtores russos e italianos.

    Filmografia

    (1961) “O Colosso de Rodes” (“Il Colosso di Rodi”)
    (1965) “Por uns Dólares a Mais” (“Per Qualque Dollaro in Piú”)
    (1966) “Três Homens em Conflito” (“Il Buono, il Brutto, il Cattivo”)
    (1968) “Era uma Vez no Oeste” (“C’Era uma Volta il West”)
    (1971) “Quando Explode a Vingança” (“Giu la Testa”, )
    (1984) Era uma Vez na América” (“Once Upon a Time in América”)

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  130. TEXTO RARO DO ANTIGO BLOD Dollarirosso sobre 'O Grande Silêncio':

    O Silêncio da Morte (Em DVD)
    Il Grande Silenzio (Itália)
    The great Silence (EUA)
    Direção: Sergio Corbucci
    Com: Jean Louis Trintgnant, Klaus Kinski, Vonetta McGee, Frank Wolff, Luigi Pistilli

    Texto por Rafael Hansen Quinsani:


    O ano não poderia ser mais significativo. 1968. Ano fundamental para a edificação do Spaghetti Western e para o alargamento de sua influência ao redor do mundo. Com tantos Spaghettis de sucesso e o furacão Sergio Leone devastando os cinemas pelo mundo (a ponto de o crítico L.C. Merten escrever em 1969: “No plano internacional, nem o cinema faturando altíssimo (2001 à frente) nem a reativação do musical e do policial puderam conter a investida do anti-western italiano [...]”) compreende-se o ofuscamento da obra-prima de Sergio Corbucci, O silêncio da Morte. Mas o tempo e a percepção dos espectadores operaram a retirada do silêncio dessa película magistral.
    O roteiro em si não se configura original: com o avanço da civilização e do capitalismo, torna-se necessário o fim dos criminosos fora-da-lei. Mas onde suas amarras não são tão fortes, como na cidade de Snow Hill há um desvio na aplicação dessas leis. Nesta cidade, o juiz financia os caçadores de recompensa e depois recupera o dinheiro com juros. O pistoleiro mudo Silenzio (Jean-Louis Trintignant) persegue esses caçadores de recompensa agindo como vingador dos oprimidos. Por meio de flash backs descobrimos o componente pessoal de sua vingança: seus pais foram assassinados pelos caçadores que ele persegue. Temos a configuração do Herói-Bandido e ao mesmo tempo em que a população precisa de Silenzio também o teme e este temor é expresso não só pelos diálogos e atitudes, mas pela argumentação estética e narrativa de Corbucci.
    A ambientação na neve marca a constituição dos tons da fotografia e aqui se insere a dualidade natureza/pureza X humanidade/civilização. A música de Ennio Morricone acentua os primeiros elementos dando um tom de espetáculo, quase que se contrapondo ao unívoco tom alvo da fotografia. A música também pontua uma bonita cena de amor, algo pouco comum nos Spaghettis.
    Assim, Silenzio traz o que a lei não oferece, mas também se vale dela quando usa o argumento da legítima defesa para sacar primeiro e escapar de punições. Ele equilibra o jogo das instituições valendo-se delas próprias e assim ressaltando sua importância para a população oprimida. O questionamento da fundamentação da civilização e suas estruturas no século XIX se justapõem ao contexto do final dos anos 1960 onde estas apontavam uma crise e decadência. A civilização cria e usa as leis conforme lhe convêm, mas a atuação dos indivíduos não se descola desse processo. Após o sangrento final, temos a inserção da seguinte frase: “As botas dos homens poderão levantar poeira por mil anos. Mas nada poderá apagar as manchas de sangue dos pobres indefesos que aqui tombaram”. Lembrar o passado, não esquecer, para que se possa ter um presente diferente e revolucionário. Este desejo de construir uma identidade cultural e política marca a obra de vários cineastas, entre eles Corbucci.


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  131. Este comentário foi removido pelo autor.

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  132. fonte do texto original [mas nao existe mais na net]:

    ;(

    http://dollarirosso.blogspot.com/2006/07/o-vingador-silencioso-1968.html#links

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  133. TEXTO RARO DO ANTIGO BLOG Dollarirosso sobre 'O DIA DA DESFORRA':

    O Dia da Desforra (Brasil)
    The Big Gundown (EUA)
    Direção: Sergio Sollima
    Com: Lee Van Cleef, Tomas Milian, Walter Barnes, Nieves navarro e Gerhard Herter

    Texto por Rafael Hansen Quinsani:

    No Spaghetti Western destacaram-se três grandes “Sergios”: Sergio Leone, Sergio Corbucci e o não menos genial e provocador Sergio Sollima. Em 1966 quando realizou LA RESA DEI CONTI (um ano antes de Face a Face), Sollima inseriu inovações ao abordar temas políticos e também ao inserir novas formas de duelo neste filme. Ambos os fatores são marcados, por vezes expostos, por vezes mais subliminares pelo paradigma da fronteira e sua influência nos indivíduos.
    O personagem Corbett (Lee Van Cleef) nos é apresentado primeiro no meio político e burguês para depois ser inserido no “oeste”. Um poderoso capitalista oferece apoio a Corbett para sua candidatura ao Senado em troca da captura do mexicano Cuchillo Sanchez (Tomas Milian) que pode ameaçar seus planos de construir uma ferrovia ligando o México ao Estados Unidos. A ferrovia visto como elemento de expansão da fronteira, elemento chave e norteador de Era uma vez no oeste fica em segundo plano em LA RESA DEI CONTI para ressaltar como a fronteira influencia o meio social e a constituição do comportamento dos indivíduos. Logo no início do filme, quando os capitalistas fazem o acordo com Corbett, eles se referem ao mexicano como um vagabundo ao qual só sentem desprezo. O poder dessas pessoas fica destacado quando eles entregam a estrela de xerife a Corbett. Num lugar longínquo o Estado se subtrai ante o personalismo de certos indivíduos que se adaptam ao meio e ao “sistema” que este impõe. E para acentuar ainda mais as diferenças, Sollima transpõe seu olhar do ambiente burguês para um povoado mexicano, destacando as diferentes condições de vida. Mesmo quando não visualizamos o personagem Cuchillo Sanchez, fica apontada sua esperteza ante um formalismo do americano e quando visualizamos o mexicano temos sua risada estridente e um tom caricatural. Uma clara diferenciação que traz a ambigüidade presente na fronteira: um tom pejorativo e certa elegia ao elemento que fica “do outro lado”. Esta ambigüidade também se faz presente pelo caráter europeu dos realizadores do filme, que traz a necessidade de olhar e resgatar os elementos do Terceiro Mundo e refletir sobre o processo de descolonização e a atuação da Europa nos séculos precedentes. Uma crítica também se faz presente, pois o personagem europeu do filme, um Barão, se alia com os americanos e apresenta uma postura fria e elitizada que o diferencia das culturas americana e mexicana.
    Nesta relação de dois mundos entrelaçados fica destacada a atitude impositiva e expansionista americana, quando Corbett prestes a entrar em solo mexicano diz que “- o que vale é a lei de seu país”, mas é avisado que se atravessar a fronteira a questão se transforma em um assunto pessoal. Para Corbett, Cuchillo é um assassino que deve ser enquadrado no seu mundo e ele não consegue perceber e aceitar a diferença cultural. Isto é destacado quando na prisão Cuchillo canta a mesma música que o guarda (uma pequena, mas peculiar participação do grande Fernando Sancho) e apesar de estar preso como Corbett, a identidade cultural é diferenciada, bem como sua forma de atuação naquela situação.

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  134. Contudo, a fronteira não deixa de modificar o próprio Corbett, quando ele rouba o cavalo de uma família agredindo um homem. Temos uma modificação dos traços individuais e também coletivos, pois os poderosos mobilizam o “seu exército” para perseguir Cuchillo Sanchez. Novamente o Estado e as instituições não se fazem presentes.
    Sollima insere um tom mais bizarro nas cenas em que Cuchillo se esconde numa fazenda dominada por uma mulher autoritária e sadomasoquista. Com os agitados anos 1960 e a Revolução feminina, a personagem de Nieves Navarro exprime a revolta e o enfrentamento do mundo masculino, mas o filme aponta o despreparo para essa autonomia, quando ela pede a Corbett que não a deixe sozinha. Devemos destacar a inserção da história no século XIX, mas não podemos esquecer da possibilidade do viés masculino ainda predominante e uma possível reação apontada pelas lentes de Sollima. O filme apresenta dois duelos peculiares para um Spaghetti: quando Cuchillo enfrenta um touro e quando embate-se com os americanos onde ele não usa armasn de fogo, mas uma faca. Quando Corbett descobre que a morte de Cuchillo era desejada por que ele assumiu a culpa pela violação de uma menina para encobrir o genro do poderoso capitalista, Corbett dá a esse a chance de enfrentar seus algozes. Numa cena memorável, Cuchillo caminha pelas montanhas e emerge “do deserto”, onde os ângulos dão uma supra-dimensão ao mexicano, mas também mostra a grandeza do ambiente e a pequenez do ser humano. Duas dimensões que se imbricam, como a relação entre Cuchillo e Corbett, mas entre esses os caminhos a seguir são diferentes e ainda não conseguem se encontrar.

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  135. fonte do texto original [mas nao existe mais na net]: :(

    http://dollarirosso.blogspot.com/2006/08/la-resa-dei-conti-1966.html#links

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  136. TEXTO RARO DO ANTIGO BLOG Dollarirosso sobre 'FACE a FACE':

    Face a Face (1967)

    Faccia a Faccia (Itália)
    Face to Face (EUA)
    Direção: Sergio Sollima
    Com: Gian Maria Volonté, Tomas Milian, William Berger, Gianni Rizzo e Aldo Sambrell.

    Por Rafael Hansen Quinsani

    Depois de abordar o funcionamento das estruturas de poder e a influência que a fronteira exerce no comportamento humano, Sergio Sollima fez o que parecia impossível: foi mais longe e aprofundou estas questões no magnífico Face a Face (Faccia a Faccia - 1967). Sollima constrói uma análise sobre o homem e a história tendo como eixo a ação dos dois personagens centrais: Solomon 'Beauregard' Bennet (Tomas Milian) e o professor Brad Fletcher (Gian Maria Volonté).
    De maneira direta somos apresentados ao personagem de Gian Maria Volonté, o professor Brad Fletcher, que num tom melancólico profere sua última aula para seus alunos. A postura, seu tom de voz e as roupas demonstram a imponência do ambiente e os valores burgueses agregados ao elemento da educação. Brad Fletcher comunica que aquela é a sua última aula, pois precisará se tratar de uma enfermidade. Antes, não deixa de passar uma mensagem aos alunos: “- Cada homem escolherá sua parte na história”, mas em seguida Sollima insere um contraponto, pois o diretor da escola indaga a Brad Fletcher sua falta de ambição por seus interesses. Do cenário de Boston a ação se transpõe para o Texas e é inserida a abertura do filme para marcar esta diferença.
    Já sob o sol escaldante do Texas o desenrolar da história busca mostrar que o caráter de Brad Fletcher não se alterou. Quando 'Beauregard' é jogado no chão pelas autoridades da diligência o professor reclama da ausência dos direitos humanos. Ou seja, sua postura de humanista é ressaltada ante o cenário e os outros personagens do oeste. E é justamente com esses fatores que o professor irá se confrontar daqui para frente: como exemplo, temos sua inaptidão para atirar e a falta de sangue frio para retirar uma bala em 'Beauregard'. O professor fica a margem da ação e diferencia-se do contexto do oeste que é claramente destacado quando o personagem de William Berger (Charlie Siringo, disfarçado de pistoleiro a serviço do governo) apresenta aquilo que caracteriza como “suas credenciais”: uma série de cartazes com anúncios de recompensa pela sua captura. Não deixa de ser curioso a denominação ao personagem de William Berger, um dos mais característicos dos Westerns americanos, se caracterizar como uma ironia por parte de Sollima. A passividade e “falta de ambição” do professor são acentuados quando este assiste pela janela de um prédio da cidade a ação realizada por 'Beauregard'. Contudo, pelo seu caráter, além do papel de observador também está intrínseco a atitude de estudar o ambiente para dele tirar um julgamento adequado.

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  137. Nesta seqüência Sollima insere a presença dos capitalistas e burgueses William (Gianni Rizzo) e Taylor que detêm o poder da localidade. Seus interesses influem no cotidiano e nas relações econômicas e de poder da cidade. Sua importância é acentuada na cena do confronto, ao qual Sollima narra a partir do vista dos dois, confortavelmente sentados no alto de um prédio. Suas fisionomias e reações descrevem o andamento do confronto. Uma ruptura é inserida quando o professor salva a vida de 'Beauregard', pois esta atitude pode ser caracterizada como um ritual de passagem, um estágio que marca uma transposição da fronteira de mundos diferentes que ironicamente se dá em Purgatory City. Deste ponto em diante não há mais como desligar-se do oeste e a sua inserção começará a se aprofundar.
    As transformações e o avanço da lei começam a se acentuar nesse contexto, apontado pela chegada de 'Beauregard' e Brad Fletcher a uma propriedade onde uma mulher diz que seu proprietário está juntando escravos e acrescenta: “- ou deveria dizer criados ... as palavras não mudam nada”. O professor e 'Beauregard' seguem caminho até Puerta del Fuego uma comunidade de “renegados” no deserto. Este lugar marca o último estágio dos elementos sobreviventes do oeste, da resistência ao avanço do capitalismo e suas instituições. Estes fatores são declarados por um membro do grupo que exclama: “- ele (um bandoleiro) vive do passado, tem que dar um pouco de vida a ele. Tem muito trabalho por aqui. Todos aqui em Fuego são fantasmas. Caçadores de búfalo quando não há mais. Caubóis quando não há mais vacas. Garimpeiros quando não há mais ouro. A fronteira é seu único divertimento, nem conseguem aceitar o telégrafo. O trem é a única realidade”.

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  138. O professor passa a se inserir cada vez mais envolvendo-se numa briga por ter “tomado” a força a mulher de outro (a bela Jolanda Modio) e planeja um assalto ao banco sem violência e tiroteio. O plano não funciona por que 'Beauregard' não reage quando uma criança descobre o assalto e avisa ao xerife. 'Beauregard' é preso e o professor passa a assumir o controle de Puerta del Fuego suprimindo a liberdade e instalando uma divisão de trabalho de forma autoritária. A reação da civilização não tarda e os cidadãos são conclamados a se unirem para enfrentar a barbárie que ameaça a todos. Após o massacre em Puerta del fuego, um sobrevivente exclama a 'Beauregard' “ – a lei veio me buscar....não houve testemunhas para o massacre”. Podemos traçar um paralelo com tantos outros acontecimentos da história que são esquecidos ou renegados conforme diversos interesses.
    A grande seqüência de Face a Face se dá quando o professor interroga um espião da comunidade. Brad Fletcher exalta: “- sempre olhei a vida como espectador antes de descobrir minha força interna .... uma alma violenta pode guiar cem ou cem mil. Esse é o ponto: separe os fora-da-lei dos assassinos seguidos pela multidão... isso chama-se história”. Na primeira cena do filme o professor destaca a possibilidade de escolha que é oferecida ao ser humano. Ao longo do filme diversas dualidades são oferecidas: Certo X Errado; Humano X Desumano; Civilização X Barbárie; Cidadãos X Bandidos, etc. Se o ser humano tem a possibilidade de escolha, de autonomia, portanto, logo suas ações e escolhas estão inseridas dentro de um processo histórico, que se constrói, que não é fixo e passível de mudança. Não é sem razão que Carlos Reichenbach caracteriza Face a Face como um Spaghetti dialético. Sollima constrói sua história através de uma argumentação gerada por oposições que se resolve não exatamente em uma unidade. Sollima mostra que o ‘civilizado’ pode ter o bárbaro dentro de si e vice e versa. Em alguns casos barbárie e civilização podem se equivaler. Idealizamos o civilizado como aquele que possui um comportamento elevado, que pertence ao um Estado ou uma sociedade mais evoluída em contraponto aos bárbaros cruéis e selvagens. Sollima mostra que os civilizados podem ser bárbaros quando massacram a cidade, matando mulheres e crianças e que os bárbaros podem ser civilizados quando uma mulher cede seu lugar no cavalo para salvar uma criança. Sollima também destaca que o ‘civilizado’ tem consciência dos seus atos mas não retira a possibilidade dos ‘bárbaros’ de adquiri-las ao longo do processo histórico. A diferença está na forma de agir de cada um deles.
    Sollima constrói sua obra-prima com uma narrativa marcada por panorâmicas e travellings que descrevem o cenário ao mesmo tempo em que os diálogos. Ao fim Siringo conclama a 'Beauregard' que se entregue em nome da lei, em pleno deserto... a lei, as instituições e os valores podem chegar a todos os lugares, até mesmo no interior do ser humano...

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  139. fonte do texto original [mas nao existe mais na net]:

    :(

    http://dollarirosso.blogspot.com/2007/01/face-face-1967.html#links

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