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| Rex Allen |
Com uma coleção de filmes que já
atingiu dez mil títulos (isso mesmo, dez mil filmes), José Flávio Mantoani é um
cinéfilo muito especial. Seu fantástico e diversificado acervo contém por volta
de três mil westerns, ou seja, provavelmente a mais completa coleção particular
de westerns do Brasil. Desnecessário dizer que José Flávio conhece faroestes
como poucos, gênero que começou a assistir ainda menino, nos anos 50, quando
mal conseguia ler as legendas dos emocionantes westerns B. Dos ‘far-wests’ com
Rex Allen (seu mocinho favorito), Rocky Lane, Hopalong Cassidy, Roy Rogers e
tantos outros, assistidos em Brodowski (SP), sua cidade natal, José Flávio
passou, com a mesma paixão, para os faroestes de melhor qualidade e grandes
filmes de modo geral. Marlon, Brando, Paul Newman, Burt Lancaster, Dirk Bogarde e Tony Curtis passaram a ser os astros preferidos de José Flávio, que se
extasiava diante da beleza de Audrey Hepburn, Rita Hayworth, Ingrid Bergman,
Sophia Loren e Jane Russell, atrizes que mais gostava. Se eram exibidos faroestes ele procurava não perder e John Wayne, Gary Cooper, Randolph Scott, Glenn Ford,
Henry Fonda, James Stewart, Audie Murphy, Gregory Peck estavam entre os atores
que também atraíam o cinéfilo brodosquiano nos muitos westerns que faziam.
O grande colecionador musical - Quando as telas de nossos cinemas foram
invadidas por protagonistas com nomes estranhos como Ringo, Django, Sartana e
Sabata, todos com caracterizações que pouco lembravam os ídolos
norte-americanos, José Flávio aceitou a novidade com naturalidade. Mais ainda
quando a trilha sonora musical desses filmes era assinada por Ennio Morricone. Apaixonado
por trilhas sonoras de filmes, José Flávio percebeu que cada trilha do
maestro-compositor era uma preciosidade musical e corria às lojas para adquirir
o long-playing correspondente ao western-spaghetti. Quando ainda não existiam
as fitas VHS, muitos cinéfilos adquiriam o álbum com a trilha musical dos
filmes e José Flávio não fugiu a essa regra, com a diferença que adquiria todo
e qualquer disco que trouxesse músicas de filmes. E se o álbum fosse com a
orquestra do maestro-compositor Henry Mancini, seu preferido, a alegria do
cinéfilo era ainda maior. Como resultado de tantas aquisições, a coleção de
José Flávio chegou aos 1.500 LPs de trilhas sonoras, parte especial dos cinco
mil álbuns que suas estantes acomodam. Para o bem ou para o mal vieram os CDs
que perdiam quanto à beleza gráfica das capas dos LPs e hoje o colecionador
possui oito mil CDs, mais da metade deles só de trilhas sonoras de filmes.
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| José Flávio Mantoani junto a seus amados LPs, grande parte deles trilhas sonoras originais de filmes. |
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| Algumas das trilhas preferidas. |
As melhores trilhas musicais dos faroestes - Profundo conhecedor de músicas de
filmes, José Flávio cita a trilha de Elmer Bernstein composta para “Sete Homens
e um Destino” (The Magnificent Seven) como uma das mais perfeitas no gênero
western. Mas lembra que Victor Young compôs tantas e tão belas trilhas, entre
elas a de “Os Brutos Também Amam” (Shane), afirmando ser quase impossível
dizer que uma trilha sonora musical seria a melhor de todas. E cita ainda
como magníficas trilhas musicais para westerns as compostas para “Matar ou
Morrer” (High Noon), de Dimitri Tiomkin; “A Árvore dos Enforcados” (The Hanging
Tree), de Max Steiner; “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country), de Jerome
Moross; “O Ouro de Mackenna” (Makckenna’s Gold), de Quincy Jones. O compositor
italiano Ennio Morricone está entre aqueles que José Flávio mais admira e mais possui discos, entre Lps e CDs, ultrapassando 300 itens em sua coleção,
pontificando as trilhas que Morricone compôs para “Três Homens em Conflito” (Il
Buono, Il Brutto, Il Cattivo) e “Era Uma Vez no Oeste” (C’Era Uma Volta Il
West).
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| José Flávio Mantoani como ator em "Dioguinho - O Retorno do Matador". |
Fazendo cinema - José Flávio Mantoani é destacado membro
do Grupo de Cinema de Brodowski, que em parceria com a TV Educativa da cidade,
já produziu nada menos que 18 longa-metragens. Entre esses muitos filmes está
uma excelente refilmagem do faroeste caboclo “Dioguinho” (2002), bem como
“Dioguinho - o Retorno do Matador” (2015). Nessas produções José Flávio foi o
responsável pela trilha sonora musical, além de escrever roteiros, dirigir e
atuar desempenhando convincentes personagens. Com essa invejável bagagem José
Flávio Mantoani não poderia deixar de indicar para o WESTERNCINEMANIA quais os
faroestes que considera os melhores de todos os tempos. O cinéfilo brodosquiano
listou não só os dez melhores westerns mas também os dez subsequentes, filmes
igualmente clássicos. Eis o Top-Ten do eclético cinéfilo de Brodowski:
1.º) Rastros de Ódio (The Searchers), 1956 – John Ford
* * * * *
2.º) No Tempo das Diligências (Stagecoach), 1939 – John Ford
* * * * *
3.º) O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance),
1962 – John Ford
* * * * *
4.º) Matar ou Morrer (High Noon), 1952 –
Fred Zinnemann
* * * * *
5.º) Os Brutos Também Amam (Shane), 1953 – George Stevens
* * * * *
6.º) Vera Cruz (Vera Cruz), 1954 – Robert Aldrich
* * * * *
7.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Uma Volta Il West), 1968 – Sergio Leone
* * * * *
8.º) O Matador (The Gunfighter), 1950 –
Henry King
* * * * *
9.º) Os Imperdoáveis (Unforgiven), 1992 –
Clint Eastwood
* * * * *
10.º) Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven), 1960 – John
Sturges
* * * * *
11.º) Três Homens em Conflito (Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo), 1966 –
Sergio Leone
12.º) Duelo ao Sol (Duel in the Sun), 1946 – King Vidor
13.º) O Homem dos Olhos Frios (The Tin Star), 1957 – Antony Mann
14.º) Winchester 73 (Winchester ’73), 1950 –
Anthony Mann
15.º) Correio do Inferno (Rawhide), 1951 – Henry Hathaway
16.º) O Homem do Oeste (Man of the West),
1958 – Anthony Mann
17.º) Viva Zapata! (Viva Zapata!), 1952 – Elia Kazan
18.º) Pistoleiros do Entardecer (Ride the
High Country), 1962 – Sam Peckinpah
19.º) Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), 1959 – Howard Hawks
20.º) Um de Nós Morrerá (The Left Handed
Gun), 1958 – Arthur Penn

















