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24 de fevereiro de 2012

ARIZONA VIOLENTO (Ten Wanted Men) – RANDOLPH SCOTT, ‘O HOMEM DINAMITE’


Em 1955 foram rodados 70 westerns nos Estados Unidos. Quatro deles estrelados por Randolph Scott, incansável aos 56 anos antes ainda da lendária série de filmes com Budd Boetticher. “Arizona Violento” (Ten Wanted Men) foi um dos quatro filmes de 1955 e tinha tudo para ser um desses pequenos grandes westerns, apenas não teve um roteiro de Burt Kennedy e Boetticher não estava na direção. Produzido pela Ranown, produtora de Scott e Harry Joe Brown e distribuído pela Columbia, a direção foi entregue a Bruce Humberstone e este western desigual ficou abaixo do que se poderia esperar. A história bastante boa e o elenco masculino com inúmeros nomes que logo viriam a ser respeitados no cinema, ficou comprometida por alguns aspectos técnicos.


Vilões: Boone, Gordon e Van Cleef
A LEI DA VIOLÊNCIA - A história de “Arizona Violento” é de autoria da dupla Irving Ravetch-Harriet Frank Jr., responsáveis entre outros pelas histórias dos faroestes “Fora das Grades” (Run for Cover), “Hombre”, “Os Cowboys” (The Cowboys) e dramas como “O Mercador de Almas”, “O Indomado” e “Norma Rae”. O roteiro de “Arizona Violento”, porém, coube a Kenneth Gamet dono de uma invejável série de bons roteiros em seu currículo. Neste western John Stewart (Randolph Scott) é dono de muitas terras em Ocatilla, Território do Arizona. Stewart traz seu irmão, o advogado Adam Stewart (Lester Matthews) de Cincinnatti, Ohio, para dar início a um processo onde a Justiça não seja feita pelos mais poderosos, como o próprio John Stewart. Porem não compartilha dessa opinião o também dono de terras, em menor escala, Wick Campbell (Richard Boone). Campbell usa de meios escusos para se apropriar de pequenas propriedades importantes e apesar de seu poder não é correspondido por Maria Segura (Donna Martell), mexicana que trabalha para ele, Campbell, no saloon de sua propriedade. Junto com Adam Stewart chega também ao Arizona seu filho Howie Stewart (Skip Homeier), insatisfeito por estar longe da civilizada Cincinatti. Howie se enamora de Maria Segura e a jovem foge do domínio de Campbell. Determinado a aumentar seu poder no Arizona, Campbell contrata o fora-da-lei Frank Scavo e seu bando de pistoleiros. Clyde Gibbons (Dennis Weaver), o xerife de Ocatilla pouco pode fazer e a quadrilha de Scavo rouba gado para Campbell. Não satisfeito, Campbell mata o advogado irmão de John Stewart. Scavo percebendo certa fraqueza em Campbell decidi trai-lo e roubar todo seu dinheiro. Stewart, então se defronta com Campbell, matando-o e com a ajuda de Howie, Gibbons e outros enfrentam o bando de Scavo que é dominado por Stewart. Ao final ocorre um duplo casamento, o de John Stewart com a viúva Corinne Michaels (Jocelyn Brando) e o de Howie com Maria Segura.

Se o revólver falhar, lá vai TNT
O REVÓLVER QUE NÃO ESPOUCA - Entre os diversos temas abordados pelo roteiro, temos o da civilização do Velho Oeste, o do facínora traiçoeiro que se aproveita da tibieza de seu contratante, o do xerife impotente diante da violência e dois romances, um deles inusitado entre a jovem mexicana Maria Segura e o almofadinha recém-chegado da cidade grande. “Arizona Violento” comprova que uma boa história pode ser desperdiçada se não for bem tratada quando de sua roteirização. A visível aplicação dos atores para tornar seus personagens convincentes carece de uma melhor caracterização o que Burt Kennedy conseguia com suas frases de profundo alcance revelando a alma de cada personagem. O que se tem então em “Arizona Violento” é uma sucessão de clichês que mais lembra um faroeste B melhor produzido. Melhor produzido em termos, como será visto adiante. Os faroestes de médio orçamento dos anos 50, independente do estúdio que os produziam, tinham sempre uma excelente direção de arte e decoração de set e “Arizona Violento” não foge à regra, até que inesperadamente vem a catastrófica sequência em que Randolph Scott atira em Richard Boone que cai espetacularmente após ser alvejado por um revólver... que não dispara. Essa cena patética deveria ter sido refeita mas está lá para roubar a seriedade do filme. O que mais se espera em um bom e despretensioso faroeste são os tiroteios, mas em “Arizona Violento” foi descoberta a pólvora, ou melhor, as bananas de dinamite e é com elas que Leo Gordon ataca Ocatilla e até mesmo tenta acertar Scott num rio. E é também dessa maneira que Randolph Scott resolve a parada final expulsando os bandidos. O que mais havia em Ocatilla era dinamite, depois de cactus, claro.


A elegância de Randolph Scott em quatro modelos diferentes de camisas

Acima Tom Steele saltando sobre
a parelha; abaixo os dublês Robert
Morgan e Chuck Roberson em ação.
TRABALHO DOBRADO PARA OS DUBLÊS - Todos sabemos que em faroeste com Randolph Scott há muito trabalho para seus stuntmen. Numa sequência em que Scott salta de seu cavalo sobre a parelha de uma carroça desgarrada, temos a ação (vale a redundância) cinematográfica de Tom Steele como dublê; na troca de socos entre Randy Scott e Leo Gordon não houve nenhum cuidado na edição e o que assistimos é mesmo uma fantástica luta entre... Robert Morgan (Scott) e Chuck Roberson (Gordon). É quase impossível deixar de perceber a substituição dos atores, assim como é difícil conter o riso pela evidente constatação. E ao final da encarniçada luta fica-se sem saber se o bandido Scavo (Leo Gordon) é capturado vivo ou morto. Randolph Scott criou uma persona na tela quase no mesmo nível de John Wayne e Gary Cooper, transmitindo enorme respeito e admiração, o que incute em seus personagens praticamente sem nenhum esforço interpretativo. E mais até que Duke e Coop, Randy Scott abre espaço para os demais personagens, permitindo em certo momento que a subtrama entre Leo Gordon e Richard Boone se torne mais interessante que a principal. E isso é bom para o filme pois atores tido como característicos têm oportunidade de demonstrar que podem ser bons atores.


Acima Skip Homeier e Dennis Weaver;
raro beijo de Randy Scott na felizarda Jocelyn;
Alfonso Bedoya e Denver Pyle
A GENEROSIDADE DE RANDOLPH SCOTT - Richard Boone em seu quinto ano no cinema deixa entrever o excepcional vilão que se tornaria em tantos filmes, um deles ao lado do próprio Randolph Scott, em “Resgate de Bandoleiros” (The Tall T). Leo Gordon segue a linha do bandido cínico e enervante com seu riso sarcástico, linha criada por Dan Duryea. Mais contido, Lee Van Cleef com sua fisionomia sempre ameaçadora. Dennis Weaver e Skip Homeier são outros coadjuvantes cujos papéis ganham importância graças à generosidade do ator-produtor Randolph Scott. Da mesma geração de ótimos atores, num papel menor aparece Denver Pyle, aquele tipo de ator que enganosamente alguns chamam de característico como se isso significasse uma limitação a seu talento. Por falar em talento, que belo grupo de veteranos, a começar por Alfonso Bedoya, Clem Bevans, Minor Watson (coadjuvante de clássicos da Warner Bros.), Tom Powers (de “Pacto de Sangue”) e Francis McDonald. “Arizona Violento” tem no elenco três atrizes cujas carreiras nunca deslancharam, uma delas, Jocelyn Brando, mesmo carregando o honroso sobrenome do irmão. Jocelyn mais do que impressionar por sua interpretação, consegue a proeza de arrancar um beijo e até se casar com Randolph Scott no filme. Donna Martell, ex-contratada da Republic Pictures onde atuava como Donna DeMario é decididamente uma atriz de poucos recursos dramáticos. Kathleen Crowley aparece pouco como a esposa de Dennis Weaver. Para os que gostam de se aprofundar nos elencos dos filmes, ótima oportunidade para ver em cena como ator o stuntman Boyd ‘Red’ Morgan, de incontável presença em faroestes (até em “Spartacus”), quase nunca creditado.

Bruce Humberstone
MELHOR ESQUECER BOETTICHER-KENNEDY – O diretor Bruce Humberstone dirigiu no cinema um pouco de tudo, desde os policiais de Charlie Chan na década de 30, passando pelo musicais da Fox nos anos 40, tempo em que dirigiu o clássico noir “Quem Matou Vicki?”, com Laird Cregar e Victor Mature, até chegar aos Tarzans de Gordon Scott. Mesmo sem ser o faroeste a sua especialidade “Arizona Violento” merece ser visto e pode agradar o espectador, desde que não seja comparado com os melhores filmes da dupla Boetticher-Kennedy estrelados por Randolph Scott, clássicos do gênero. Este western comprova que Scott merece o destacado lugar que ocupa como mocinho dos faroestes, ainda que tenha uma dívida enorme com Tom Steele, Bob Morgan e outros de seus dublês.



18 comentários:

  1. Nunca vi esse western, mas o Humberstone era apenas um artesão impessoal.


    O Falcão Maltês

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  2. Darci, embora seja eu um fã incondicional de Randy, considero este um dos filmes mais mal feitos estrelados por ele, e recentemente revi, e antes de vc abordar aqui no seu espetacular artigo, já havia reparado, por exemplo, a arma disparar sem sair uma fumaça em direção ao notável Richard “Paladin” Boone .

    Minha reação na hora foi de surpresa, e não pude conter o riso alto. Foi um erro grotesco, que fica difícil de entender como o editor não prestou atenção a este detalhe que é bem documentado.

    Bom, ao assistir a tal cena, como disse ri, dei uma pausa no DVD para poder me recompor, e posteriormente prossegui, pois afinal até onde pude conceber não estava se tratando de nenhuma comédia, e sim de um western que por sinal com uma boa história e estrelado por um dos mais formidáveis nomes do gênero.

    Quanto a briga entre Randy e Leo (que também brigaram em A SÉTIMA CAVALARIA), nota-se perfeitamente que não são eles a suarem a camisa na troca de socos.

    Geralmente quando um mocinho e vilão se enfrentam nos faroestes, o vilão até o último momento joga sujo para poder vencer o herói mas este sempre acaba com o espetáculo do oponente, e acaba matando, como no caso de uma luta entre Randy e Robert Ryan em A VOLTA DOS HOMENS MAUS, em que Randy domina Ryan (Sundance Kid) quando saca de uma arma e ambos travam um corpo a corpo pelo chão até que saí um tiro, e quando Randy se levanta, fica claro que o bandido Ryan se deu mal. Houve assim esta sugestão.

    Aqui em ARIZONA VIOLENTA, fica difícil saber realmente o fim do bandido Leo Gordon naquela luta livre cheio de desmoronamento e “quebra quebra”. Ele morreu naquele desabamento? Randy o entregou as autoridades? Não deixa sequer uma sugestão para o espectador.

    Sem dúvida que o filme aqui em post jamais pode ser comparado aos trabalhos monumentais de Budd Boetticher, mas vale cada centavo do ingresso, mesmo com falhas que são normais (se o espectador também não for exigente)- vale cada centavo pelo bom roteiro e por Randolph Scott. Abraços

    Paulo Néry
    Filmes Antigos Club Artigos.

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  3. Paulo, você certamente não chegou a ver os faroestes B nas matinês. Pois a garotada vibrava sem se preocupar com certas minúcias. Já neste tipo de faroeste como Arizona Violento e como não há mais matinês passamos a ser mais exigentes e críticos, longe do encanto e da fantasia da inocência das matinês. Mas cá pra nós, o Randolph Scott bem que podia entrar num corpo a corpo ao menos para disfarçar. Vale lembrar que em Shane, com o diretor mais perfecionista do cinema vimos cenas parecidas com dublês que de parecido só tinham as roupas.
    Um abraço - Darci

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    1. Darci, Realmente não acompanhei os faroestes B das matinês, mas assisti bastante destes filmes B pela TV e outros mais, e quando se é criança, além não ligar para detalhes porque esta compenetrado na ação, acredita fielmente que são eles próprios a realizarem todas as proezas, rsrs.

      Mas cá entre nós, são poucas as ações do Randy no momento de uma briga enquanto não há a intervenção de um stuntman, dependo sempre do ângulo voltado pelo câmera. Briga boa do Randy, onde sempre aparece em closes, é em OBRIGADO A MATAR, em que ele luta com aquele gigante do Don Megowan, que só de largura dariam uns três ou quatro John Wayne, e ainda mais alto.

      Paulo Néry

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  4. Não assiste este filme nem tive oportunidade de acompanhar
    o período aureo das matines, entretanto vi todos os westerns de Randy em parceria com Budd Boetticher, que afirmam ser seus melhores trabalhos.
    Quanto as cenas de ação de Randy enfrentando brutamontes, apenas ressalvo que como um homem tão magro, conseguia derrubar a socos aqueles massa bruta, todavia como sempre torciamos para o mocinho tudo era diversão e passatempo agrádavel. Sinto que as TVs pagas não se dediquem mais em exibir westerns antigos, por tenho observado que a reprise da série Bonanza no TCM chama a atenção de antigos fã de cinema em casa.

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  5. Nobre Paulo, como diria você mesmo. Somente seu pai, seus tios ou amigos com mais de 60 anos podem falar da esfuziante alegria que era frequentar as matinês e nelas assistir faroestes de Tim Holt, Rex Allen, Rocky Lane, entremeados por um trepidante seriado e como lembrou o baiano Jurandir, trocar gibis e figurinhas na porta do cineminha de bairro de cadeiras de madeira. A TV nunca conseguiu substituir a emoção de ir ao cinema, coisa que o Scorsese chama de espécie de ritual sacro. Quem nunca bateu os pés no chã nas cenas de emoção não sabe o que perdeu. O cinema parecia que iria cair e o pobre do guarda-civil e os vagalumes (lanterninhas) tentavam inutilmente acalmar a garotada.
    Vou rever Obrigado a Matar para comprovar se Randy Scott nesse filme de Joseph E. Lewis perdeu o medo de machucar o braço que o impediria de jogar seu adorado golfe.
    Por falar em Joseph E. Lewis, o Filmes Antigos Club poderia falar do Mortalmente Perigosa e de Império do Crime, cujas cópias circulam entre os cinéfilos. Bogdanovich tem uma bela entrevista com Lewis.
    Um abraço - Darci

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  6. É verdade. As séries vêm e vão e o Bonanza vai se eternizando no TCM, nas seis temporadas que esse canal colocou no ar. Claro que isso se deve à audiência.
    Darci

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  7. porque será que em alguns filmes, em lutas não necessárias, foram usados dublês? exigencia do sindicato de dublês parece ser o mais razoávael, pois os mesmos atores aparecem , as vezes anos mais tarde e velhos fazendo cenas mais arriscadas.
    Estou falando de cenas comuns de trocas de socos e não cenas especiais em que são jogados um por cima do outro, etc.
    Por outro lado, talvez od diretores e plateias mais simples quisessem socos lutas muito mais realistas. Só o Darci poderá investigar!

    evaldo

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  8. Evaldo, a presença dos dublês, até onde li, passa por duas situações: as seguradoras que exigem que os astros principais não corram riscos pois o investimento feito num filme é sempre segurado e há essas cláusulas. A segunda questão ao meu ver é a disposição do próprio ator em fazer determinadas cenas. Lembremos de Steve Mcqueen que, a todo custo não queria dublês nas cenas de motocicleta em Fugindo do Inferno. Os produtores, porém, foram obrigados a usar dublês em cenas que MQueen com sua habilidade de motociclista faria, sem dúvida, mas e se ele se machucasse? O Randolph Scott talvez tenha sido o caso mais gritante de dublês dispensáveis. O homem não queria machucar as mãos pois era com elas que ele segurava o taco (de golfe) e virava as páginas do Wall Street Journal para saber das cotações de seus investimentos em ações.
    Um abraço - Darci

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  9. Darci;

    Assisti a quase tudo que Randy fez de 1949 para a frente, até onde ele estancou, que foi ao lado de McCrea em Pistoleiros do Entardecer.

    Como a maior parte dos filmes que pões no Mania são fitas vistas por mim muitos anos atrás, das quais muitas delas me lembro vagamente, vou tentar encontrar Arizona Violento para rever e fazer, então, um comentário mais acurado e atual.

    Fato semelhante, e onde cometi um erro terrivel e que jamais voltarei a cometer, ocorreu com meu comentário sobre a fita A Fera do Forte Bravo.
    No meu comentário sobre a fita de Sturges, que tinha assistido muitos anos atrás, caí de pau sobre ela taxando-a de uma obra menor de Holden e do diretor.
    Não sei se recordas, mas houve até respostas e contra respostas sobre esta burrice minha.

    E meu erro, que não quero cometer novamente, me fez entrar na realidade desta boa fita quando a revi há dois dias atrás.
    Trata-se de um muito bom faroeste, bem dirigido, com muitos bons interpretes e com momentos de ação inusitados, apesar de, conforme citaste, Holden começava a surgir para o estrelato, posição onde também não concordei.

    E, como redenção, como castigo por ter sido tão irrascível no meu comentário, vou voltar ao post e retificar o que coloquei, ou seja, vou emitir um novo posicionamento, falando o que tenho que falar quanto ao bom filme, e tentar rever Arizona Violento, o qual comentarei oportunamente.
    jurandir_laima@bol.com.br

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  10. Nery;

    Bom sermos assim tão detalhistas, observadores, catadores de minuncias nos filmes.
    São de coisinhas como esta (do disparo sem fumaça) que detona um filme. So em ver uma cena desta, um bom comentarista já derruba a fita.

    O diretor da fita é a pessoa com as melhores condições de fazer a edição de seu filme.

    Mas aí, Nery, pode ocorrer dele, o diretor, ser tão irresponsável, mau profissional, ou mesmo distraído quanto um editor deste, e a porcaria passar sem ele ver.

    Depois muitos criticos põem porrada em cima de um Wyler e outros diretores que primam por qualidade, refazendo as cenas dezenas de vezes, exigindo isso e aquilo dos atores e demais profissionais.

    Reconheço que às vezes pode ser um exagero. No entanto, vendo o que achaste em Arizona Violento, ficamos cientes de que estes diretores sabiam o que faziam.
    Quer ver? Veja se num filme de um destes exigentes se acha falhas como a que descobriste no de Humberstone, Arizona Violento? Acha não.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  11. Jurandir, a cena de Arizona Violento a que você se refere foi comentada na resenha no parágrafo O Revólver que não Espouca e foi até ilustrada com foto. Fiquei com a impressão que você (assim como o leitor que você cita) não leram a matéria, apenas os comentários. Muitos diretores preferiam o processo one take (uma só tomada) pois conseguiam assim mais espontaneidade dos atores. Alguns diretores levavam os atores ao desespero com as enfadonhas repetições, a ponto de nunca mais voltar a trabalhar com eles. Até porque trabalhavam de graça ao repetir a mesma cena por 20 ou 30 vezes, caso de George Stevens, tudo em nome de uma possível perfeição nem sempre alcançada, isto além de mandar a espontaneidade para o espaço.

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  12. Jurandir, todos erramos e aceitar que como todo ser humano somos falhos engrandece uma pessoa. Trágico mesmo é tentar driblar essa nossa condição para se fazer passar por infalível e muita gente faz isso, deixando a ética de lado. Mas falar de ética no Brasil parece utopia...
    Darci

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  13. Darci;

    Li seus dois comentários sobre minhas duas citações.

    Na primeira eu apenas comentei um tópico do Paulo Nery, lhe dando razão pelo disparo sem polvora, já que, conforme observei, somente irei comentar Arizona Violento depois de rever a fita. Já a mandei comprar.

    Quanto à rezenha sobre o Revolver, de fato eu não me lembro. Fineza me indicar titulo da postagem para que eu vá até lá, pois tem algumas postagens que passo por cima.

    A respeito da segunda, valeu pela força. O bahiano Jurandir é assim; quando se vê errado tem a honradez de se entregar, mas quando ele se vê com razão ele briga feito um leão até o fim.
    Grato por suas linhas.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  14. Amigo Nery,

    Novamente tenho de voltar a por pauta em algo que diz. E isso não é por acaso, é porque sua sensiblidade é um tanto quanto similar à minha.

    Além de ser detalhista e ter uma visão acurada para falhas e detalhes, quando o Darci fala sobre os BONS TEMPOS EM QUE IAMOS AO CINEMA APENAS PARA NOS DIVERTIR COM AS CENAS, TIROS E TUDO O MAIS, era uma época em que somente pensavamos em nos divertir.

    Mas hoje somos outros seres com obrigações novas. Hoje temos a obrigação de não imitar nosso comportamento daquela época, porque uma responsabilidade, embora não tão enorme assim, nos condiz a ser mais atentos.

    Isso porque hoje somos pessoas que falamos de cinema, que comentamos sobre a setima arte, que precisamos estar de olho ligado e procurar não cair em asneiras ao dizer coisas que outros podem vir a nos corrigir. E isso iria nos doar à bessa!

    Desta forma, como comentaristas que somos (claro que uso este termo em sentido amador), mesmo que comentaristas sem os créditos de um profissional, nossa máxima atenção em tudo se torna essencial.

    E quando falas que Randy esteve melhor no combate da fita OBRIGADO A MATAR, assino e carimbo em baixo. Tudo isso por uma coisa só; este é, para mim, o melhor filme de Scott.
    Aquela luta tem closes diversos. E é ele mesmo quem é erguido pelo grandalhão e atirado longe. Não percebi presença de buble ali, e vi sim, uma das grandes lutas dos filmes do mesmo.
    Tudo isto sem adicionar que a fita tem vários momentos diferentes dos de outros filmes dele. São cenas bem feitas e até inéditas no genero.
    E posso até dizer uma delas; "quando ele termina a luta com o gigante Megowan naquele saloon todo despedaçado, ele deixa o ambiente como se estivesse muito bem e, ao dobrar uma esquina, se recosta à parede e começa a tossir e a ofegar, mostrando que, ao contrario do que demonstrava ao sair, ele estava era muito mal.
    É Quando dois braços o amparam, um ator cujo nome ora me foge, acho que o Wallace Ford, e o sai levando para a delegacia ao tempo em que diz para ele; "vamos, não precisa se mostrar um super homem para mim. Venha, vou cuidar destes ferimentos", ou algo neste sentido.
    É uma cena linda, bem feita, inédita num faroeste e bem aquitetada. Por isso e muito mais,estou de seu lado ao tocar no titulo deste filme enlevando-o.
    jurandir_lima@bolk.com.br

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    1. Amigo Jurandir.

      Só esqueci de um detalhe importante a esclarecer: na fase anos 50 de Randolph Scott, as melhores cenas de luta dele são, além de OBRIGADO A MATAR, também em O LAÇO DO CARRASCO, com o sensacional Lee Marvin. Falei apenas do primeiro filme porque foi o que surgiu logo na mente, e foi muito bem realizada.

      Mas se compararmos as melhores lutas do ator, acho que nenhum supera a que ele teve contra John Wayne em A INDOMÁVEL e depois em ÓDIO E PAIXÃO, onde se nota que os dois suaram um pouco em certos ângulos, mesmo sem dúvida com a interferência dos dublês. Revi recentemente ÓDIO E PAIXÃO, e vale ressalvar que foi interessante ver o "Duke" num personagem arrogante e aproveitador, e posso dizer que perdeu a luta com Scott, que foi interrompida com o acidente da personagem de Marlene Dietrich.

      Paulo Néry

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  15. Tudo bem, amigo Anonimo e Editor Darci;

    Falta a TV, ou alguém de lá, ler o CINEWESTERMANIA, O FILMESANTIGOSCLUB, O CINEMASCOPE, dentre outros, para eles sentirem como o faroeste anda VIVISSIMO.

    Os canais passam um faroeste ou outro, muitas vezes 1 por semana. Mesmo assim teimam em reprisar os filmes sem nada de novo nos dar.

    Ando brigando com o Cult/68 da SKY, para nos presentear com filmes diferentes e até dei uma lista de bopns faroestes. Mas eles não fazem nada, acham que nossas falas não têm valor e, portanto, não tomam qualquer providencia.

    Sabem o que vou fazer? Amanhã mesmo vou mandar emails para O TCM e o CULT para que eles leiam estes blogs e vejam seus conteudos e as opiniões de seus seguidores. Quem sabe com eles lendo nossos comentários eles se semsibilizam e nos dão um canal somente de faroestes ou, ao menos, que passem mais filmes do genero?

    Olhem; o TCM veio, inicialmente, com uma proposta de nos dar fitas antigas de todos os generos. Nos primeiros meses fizeram isso. Mas relaxaram e hoje somente vemos séries e os melhores filmes, que não são nada classicos, somente passam de madrugada.

    Também já reclamei sobre isso. Mas minha voz é pequena. Vamos ver se indicando os blogs eles os leem e se senbilizam.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  16. Prezado Darci, li a matéria e vim a entender em seu comentário. Sem dúvida, me era desconhecida tantos detalhes que justificam estes falhas que hoje mais abertamente podemos perceber nos westerns antigos.

    Agradecemos por implantar tantas informações a respeito de curiosidades técnicas por traz das fitas, que tanto quanto os filmes, são meramente importantes.

    Paulo Néry

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