UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

31 de maio de 2013

TOP-TEN WESTERNS DO ‘FILMÉFILO’ JOAILTON CARVALHO BUENOS AIRES


         Meu nome é Joailton Carvalho Buenos Aires, nasci em Itainópolis, Piauí, tenho 52 anos, sou Médico Radiologista, moro atualmente em Caruaru-Pe. Entrei num cinema pela primeira vez aos 8 anos de idade em Teresina e vi uma televisão funcionando, em Picos-Pi, quando fui morar lá, início dos anos 70, para fazer um exame de admissão e o ginásio. Na minha cidade só havia o antigo primário e olhe lá! Em Picos, havia dois lugares que projetavam filmes regularmente: um improvisado(O Círculo Operário) e o outro oficial, O Cine Spark, que também não conseguiu fugir de uma sentença de morte , decretada e disseminada de forma epidêmica, no final das anos 80, que atingiu inúmeros cinemas deste Brasil:”Virar um templo evangélico”.
        Em Picos, a televisão era apenas uma promessa e cara, os circos não passavam por lá todos os meses, transformando assim, o cinema como a principal e constante fonte de diversão de massa, onde o filme “de faroeste”, reinava absoluto. Lembro-me que fui muitas vezes impedido de ver estes filmes, por falta de idade e também pelo excesso de lotação do espaço em dias de exibição de um faroeste famoso. Curiosamente, estas pequenas cidades do interior do Brasil, exibiam muitos filmes como novidades, que já haviam sido lançados há 4 ou 5 anos. Sempre achávamos que eram novos, nos integrando ao velho conceito, que todo filme que você não viu, é novo e é lançamento. Quando o gênero faroeste já estava sem fôlego em outros mundos, paradoxalmente, no meu mundo, o das cidades do interior, na década de70, ainda reinava o faroeste na preferência popular e ainda estava num galope desenfreado nas pradarias da nossa ilusão e nós, simplesmente ignorávamos o conceito de gênero ou subgênero. Com certeza, naquela época, no interior, poucos de nós estavam interessados em enumerar e analisar as diferenças entre um faroeste Americano e o Italiano, só queríamos nos divertir e sair do cinema dando tiros. A verdade é que os faroestes Italianos reinaram absoluto naqueles tempos e que deixaram muita saudade.
       Não me enquadro no conceito de Cinéfilo, sou mais um “filméfilo”, não sou nenhuma autoridade no assunto, tenho uma lacuna irreparável, de muitos anos sem ver filmes, pois estava cuidando da minha formação e perambulei por alguns Estados, com mudanças esporádicas de lugares e de empregos, dentro deste imenso pais, tentando sobreviver; lacuna esta, que só recentemente com a internet está aos poucos sendo preenchida.
       A escolha de dez filmes entre dezenas, é sempre difícil e injusta e quase sempre depende do emocional daquele momento em que o assistimos;  com bastante esforço consegui chegar ao final desta missão.


1.º) Três Homens em Conflito (Il Buono,Il Brutto, Il Cattivo), 1966 – Sergio Leone

Uma história em que três pistoleiros, por acaso, “Blondie”(Clint Eastwood), Tuco(Eli Wallach), Angel Eyes(Lee Van Cleef), ficam sabendo da existência de duzentos mil dólares em ouro, enterrados num cemitério, durante a guerra civil americana e que a contragosto, se associam para buscar esta grana, mas logo torna-se óbvio, que esta associação não correrá tranquila, pois nenhum dos três, sabe por completo aquele segredo e inevitavelmente, terão que “confiar’ um no outro, se quiserem chegar à tão almejada fortuna.
Este filme fechou com maestria a Trilogia dos Dólares. O western com o maior grau de diversão do gênero. Ainda me lembro do quanto fiquei impressionado quando o vi pela primeira vez. Voltei ao cinema no outro dia, num dia de 1972. Ele tem tudo que os outros cineastas, ao longo de sessenta anos não fizeram, com esta maestria.  É um espetáculo diferente, que foge praticamente dos padrões Hollywoodianos, do já visto, do previsível, do lugar comum, dando sempre a impressão de que nunca havíamos visto aquilo antes, daquela maneira, com aquela roupagem, com aquela trilha sonora do (G)Ennio Morricone (este maestro, já esgotou todos os adjetivos que o qualificam), com cenas de ação em sequencias contínuas, bem encaixadas, imprevisíveis, num casamento perfeito entre a violência e o humor, com poucos diálogos. Como poderia dizer o Tuco: Filme de ação é para atirar e não para falar.
Um filme compacto, que tem literalmente começo, meio e fim, num mesmo ritmo. Não há pausas irritantes. São três horas de um absoluto deleite. Uma homenagem perfeita aos personagens do oeste “spaghettiano”, considerados os protótipos dos atuais politicamente incorretos. Imorais, violentos, gananciosos, covardes, frios, selvagens e torturadores. Ia me esquecendo: humanos. Em suma, uma junção perfeita, impensável e pouco provável de três anti-heróis, que chegarão ao final das suas aventuras, com um desfecho espetacular. Os personagens não estão envoltos com dramas psicológicos, não há o mínimo interesse em deixar mensagens construtivas e elevadas, para o desenvolvimento pessoal e moral de qualquer expectador, nada de proselitismo. Ninguém vai ver um spaghetti para auto-ajuda, vai para se divertir, passar o tempo e este filme realmente cumpre este papel com sobras.
Destaque 1 – TUCO – O personagem chave deste faroeste é o Tuco (O Feio), um vagabundo errante , uma espécie de andarilho perigoso e esperto, cheio de inimigos, que praticava um miríade de crimes por onde passava, um espécie de serviço geral do crime, do submundo do velho oeste, que ao contrário dos outros personagens, tem um nome (Benedicto Pacífico Juan-Maria Ramirez), teve uma família, um passado, uma história. Tuco acaba por tornar-se o principal personagem da trama, fazendo ou fazendo as piores maldades, mas mesmo assim torcemos por ele.
 As cenas de pancadarias são muito comuns nos westerns Italianos, não sendo incomum o personagem principal levar umas três surras ou até mais, durante o filme. Após uma farta refeição oferecida pelo seu algoz, Angel Eyes, regada a vinho e com direito a um fundo musical que era para facilitar a digestão, Tuco leva uma das mais longas (5 min), consistentes e convincentes surras da história do western. É inesquecível e cômica, uma paradinha rápida, nesta sessão de porradas, para o Tuco conferir, com os dedos na boca, quais dentes estão faltando ou quais ainda estão presentes.
Destaque 2 – O TRIELO – A mais famosa e criativa cena de duelo, jamais vista em qualquer outro filme ou imaginada, em qualquer gênero, nem mesmo escrita. É a marca registrada de Leone, que prolonga uma situação de tensão, que nos coloca magistralmente, durante uns cinco minutos cruéis, dentro de uma sufocante ansiedade, numa expectativa que parece não ter fim, quando os três homens se defrontam, para decidir quem vai ficar com o ouro. É a única cena em que há realmente um drama psicológico entre os personagens, pois é pra lá de cruel numa situação destas, não saber em quem vou atirar primeiro ou quem primeiro vai atirar em mim.  O desfecho dura só uns segundos, quando involuntariamente podemos até soltar um palavrão.


2.º) Era Uma Vez no Oeste (C’Era Uma Volta Il West), 1968 – Sergio Leone

Um Irlandês Brett McBain (Frank Wolff), dono de muitas terras num lugar isolado do velho oeste, se prepara para transformar este lugar numa estação de trem, com o sonho de ficar rico. Mas, as suas terras estão nos planos de um poderoso empresário, Morton (Gabriele Ferzetti), que quer tomá-las e para isto usa um pistoleiro, Frank (Henry Fonda), que elimina sua família. Mas há uma herdeira, Jill McBain (Claudia Cardinale), uma ex-prostituta casada com Brett, que estava vindo do leste, para viver neste lugar e isto muda todos os planos de Morton e Frank. Ao mesmo tempo, outro pistoleiro, Harmônica (Charles Bronson), procura Frank para uma vingança , sem que ninguém saiba os motivos. Ao assassinar aquela família, Frank espalha evidências falsas, que incriminam um bandido fugitivo, Cheyenne (Jason Robards), que passa a se interessar também por Frank. A viúva Jill fará de tudo, ajudada pelos dois, Harmônica e Cheyenne, para construir a estação sonhada pelo marido e deter Frank.
Difícil o enquadramento de quem é o melhor: “Três Homens em Conflito” ou “Era Uma Vez no Oeste’?
“Três Homens em Conflito” é pura aventura e divertimento e “Era Uma Vez no Oeste” um filme sério e reflexivo. Coloquei nesta ordem apenas por que vi o primeiro, primeiro.
Incrivelmente, Leone dá início a outra trilogia, desta vez batizada de Trilogia da América, com um western praticamente imposto pela Paramount, onde ela só financiaria um outro filme dele se ele fizesse este, antes.
Novamente Leone surpreende com um western completamente fora do esperado pelos produtores, onde uma mulher é a protagonista principal, com uma história do fim do velho oeste e seus personagens típicos. O filme é iniciado fantasticamente com uma cena que já está na história do cinema, com duração de 12 minutos, numa estação de trem distante de tudo, aonde chegam três pistoleiros perigosos. Esta cena acontece sem diálogos, com uma trilha sonora inimaginável para a época, feita de sons ambiente: o vento, um cata-vento, um telégrafo, portas, uma mosca irritante, o estalar de dedos de um dos facínoras, uns pingos d’agua e da movimentação e expressões dos personagens, olhando o horizonte, como esperando um trem. Cena esta que só é interrompida com o apito de um trem distante, sobrepondo a um zumbido de uma mosca presa no cano de uma arma e assim começa um dos mais belos filmes de western, se não o mais belo, de todos os tempos.
O duelo final é a chave para desvendar um mistério, que Leone habilmente esconde do expectador até o fim, dando apenas mínimas e desfocadas pistas em flash back, mas insuficientes para decifrá-lo. A preparação para o duelo tem um cerimonial quase macabro, onde os personagens circulam, com aquela trilha sonora, que parece estar sussurrando aos protagonistas, que chegou a hora de apagar o passado e fazer as pazes com a morte.
Este filme, como parece ser uma regra, de tão grandioso, inovador e diferente, não fez sucesso quando lançado, como muitas outras obras de vanguarda, que quebraram paradigmas e só muito tempo depois foram reconhecidas. Hoje, pertence a muitas listas dos 10 melhores de todos os tempos e já é considerado um clássico, um Cult, uma obra prima.
Leone é um dos raros exemplos de evolução dentro da sua arte; tinha talento, era original, independente, realizando obras cada vez melhores que valorizavam as suas anteriores e o coloca dentro de um padrão, dando-lhe uma identidade própria, uma marca registrada, facilmente reconhecida. Talvez, o seu maior talento era o de ignorar os críticos, aqueles seres parasitas, que vivem as expensas dos verdadeiros artistas.
“Era Uma Vez no Oeste” é considerado o Spaghetti Western de gala, de fraque e cartola, maduro, definitivo, uma jóia lapidada e reinventada pela maestria de Leone, uma espécie de Bíblia do western, com homenagens merecidas ao Western Clássico, trazendo neste filme, referências os trabalhos dos geniais diretores americanos, entre eles, Anthony Mann, Howard Hawks, John Ford, Fred Zinnemann...
Como referido anteriormente, Leone e todos os cineastas Europeus, beberam bastante no cálice dos grandes diretores americanos, onde tiraram idéias, que certamente foram usadas para o desenvolvimento das suas idéias inovadoras e para uma marcante repaginação do western, pois dificilmente alguém cria algo do nada, fato corriqueiro e normal no mundo artístico. Mas, poucos admitirão, que Leone ditou tendências e que outros diretores beberam no cálice de Leone, sem sombra de dúvida. Para exemplificar, com um olhar livre de preconceitos, não será difícil perceber que, o diretor do tão aclamado filme “Meu Ódio Será Tua Herança” (The Wild Bunch), 1969, de Sam Peckinpah, bebeu neste cálice. Muitos recursos empregados neste filme trazem traços fortes do DNA de Leone, como: tom de cores gastas, enquadramento, zoons, violência explícita, cenas com som ambiente e câmera lenta.


3.º) Uma Bala para o General (El Chuncho), 1967 – Damiano Damiani

Este filme se passa durante a Revolução Mexicana, quando um trem com armas, soldados e pessoas comuns é atacado por El Chuncho (Gian Maria Volonté), pois ele é um fornecedor de armas para o General Elias (Jaime Fernandez), um revolucionário, entretanto, ele tem dificuldades para parar este trem, mas inesperadamente, o trem é parado por um americano que estava no trem como passageiro, Bill Tate - El Nino (Lou Castell), que cai nas graças de Chuncho por este feito e pede para acompanhar o bando. Logo El Nino começa a dar sinais que tem um objetivo obscuro, uma bala de ouro guardada e não terá escrúpulos para usar os bandoleiros para este fim.
O director Damiano Damiani, pode-se assim dizer, inaugura uma vertente que faltava no Gênero spaghetti sestern, que ganharia duas denominações: Zapata Spaghetti e ou Zapata Western, pois tendo uma conotação fortemente política e situado dentro da Revolução Mexicana. Considerado um dos melhores filmes do período, mostra aquele clássico mosaico de miséria do povo Mexicano, com seus conhecidos contrastes entre os ricos latifundiários, a fome e a miséria da população, que ainda se arrastam até hoje. Este filme teve forte influência em outro grande filme com o mesmo tema, feito em 1971, “Quando Explode a Vingança”, por Sergio Leone, mostrando o grau de competência de Damiani, em produzir uma obra inspiradora para outro diretor de porte de Leone.
Mais uma vez Volonté, uns dos poucos atores de verdade, nos Spaghetti Westerns, que com sua presença abrilhantou dois filmes de Leone (“Por um Punhado de Dólares” e “Por Uns Dólares a Mais”) tem uma atuação impecável, encarnando um personagem complexo, Chuncho, que tem variações repentinas no seu comportamento e que nos deixa realmente sem saber quem ele é afinal. Quais os seus objetivos? É um revolucionário, saqueador ou um vagabundo perigoso?  Sempre com um riso escrachado, parece que está numa grande brincadeira, ri feito uma criança ao disparar uma metralhadora, toca tambor e canta ao atacar um trem, é impiedoso, nutre um grande afeto pelo El Nino e não se importa em matar um dos seus homens por ele. Apesar de parecer um desses mexicanos desmiolados e perigosos, vamos perceber que ele tem muito sentimento, uma personalidade forte, inteligência e um fino senso de observação e  discernimento,  qualidades estas,  que vão definir o sua ação num final sensacional e inesperado deste filme, final este, por sinal, muito emblemático que nos obriga a refletir entre princípios e amizade.
Destaco ainda a presença de Klaus Kinski (El Santo), irmão de Chuncho,uma espécie de beato que reza, dá tiros,  joga bombas, sempre dominando a cena com o sua expressão de desajustado e também uma trilha sonora impecável, de Luis Bacalov, que realmente nos leva e ao México e nos coloca no meio de uma revolução.



4.º) O Dia da Desforra (La Resa Dei Conti), 1966 – Sergio Sollima

A um xerife competente, Jonathan Corbett (Lee Van Cleef), lhe é oferecido uma oportunidade de ser eleito senador, por um político corrupto, se ele capturar um mexicano, Cuchillo (Tomas Milian), acusado de estupro e morte de uma adolescente. Corbertt sai na captura de Cuchillo, mas logo percebe que a tarefa não é nada fácil, o mexicano é inteligente, cheio de artimanhas e perigoso com uma faca. Logo percebe que pode estar perseguindo o homem errado.
Outro Spaghetti Western, de cunho político, dirigido por um dos famosos participantes do clube dos Sergios Italianos, Sergio Sollima. Os outros dos Sergios, conhecidíssimos são: Sergio Leone e Sergio Corbucci. Neste, Sollima dá ênfase ao binômio que já nasceu de mãos dadas: política e corrupção. Um filme bastante movimentado, com as belas, conhecidas e imortalizadas paisagens do deserto Espanhol, tendo um fundo musical do onipresente Morricone. O mexicano Cuchillo dá um passo à frente, escapando com criatividade de todos os cercos do caçador, repetindo sempre, que jamais será apanhado.

Destaco a atuação excelente do Tomas Milian, ator de origem Cubana, com mais um convencível desempenho que lhe é peculiar, em todos os filmes em que atua. Este ator já esteve no Brasil, para atuar em um filme de cangaceiro, “Rebelião dos Brutos”, em 1972 e também contracenou com Volonté em outro clássico Italiano, “Face a Face – Quando os Brutos se Defrontam”, também do diretor Sergio Sollima.


5.º) Mato em Nome da Lei (Lawman), 1971 – Michael Winner

Um xerife durão e inflexível, Jared Maddoxv(Burt Lancaster), vai a uma cidade vizinha à sua, Sabbath, para prender 7 vaqueiros, empregados de um rico fazendeiro Vincent Bronson (Lee J. Cobb), que ao passarem pela sua cidade e após em bebedeira, atiraram aleatoriamente e mataram acidentalmente um morador da sua cidade. O xerife desta cidade, Cotton Ryan (Robert Ryan), corrompido por Bronson, nega-se ajudá-lo diretamente. Maddox dá um ultimato de 24 horas para os homens de Bronson se entreguem, mas eles recusam-se a ser presos e preferem enfrentar o xerife, que não mudará de opinião e cumprirá a lei até as últimas conseqüências.
Com um elenco de primeira categoria, especializado em westerns, dificilmente decepcionaria. Faroeste com muita violência e uma dose certa de psicologia. É interessante como este filme mostra que uma brincadeira inconseqüente, pode levar pessoas boas não adeptas da violência a autodestruição, pelo desdobramento de situações que aparentemente poderiam ser controladas. Mostra também, que existe uma quase invisível fronteira, que delimita até que ponto podemos chegar com nossas condutas, como também existe outra, em que outras pessoas podem não permitir que avancemos tanto. Quando resolveu recuar, Maddox, já havia ido longe demais.
A entrada do xerife na cidade transportando um cadáver num cavalo, lembra o início de “O Homem dos Olhos Frios’, com Henry Fonda (Dir. Anthony Mann) e a tenacidade do xerife para cumprir a sua missão a qualquer custo, com aquele jeitão mecânico, impassível aparentemente sem sentimentos, sem nenhum sorriso, também lembra “O Exterminador do Futuro”, com Arnold Schwarzenegger.


6.º) O Último Pistoleiro (The Shootist), 1976 – Don Siegel

No início do século 20, na cidade de Carson City, um famoso pistoleiro, J.B. Books, doente e velho, procura um médico seu amigo, Dr. E.W. Hostetler (James Stewart), que diagnostica um câncer incurável e o pistoleiro resolve ficar naquela cidade, numa pensão de uma viúva, Bond Rogers (Lauren Bacall), para morrer em paz. Mas um homem com um passado daqueles, não ficaria restrito a um quarto de pensão esperando que os seus movimentados dias, cheguem ao fim, de uma maneira monótona, sem emoção e preferiria morrer lutando. Aconselhado pelo médico, toma uma decisão e resolver ter um fim digno da sua história e manda um recado para três desafetos seus...
Este filme me marcou muito, quando vi o ídolo máximo do western, John Wayne, viver a sua história real e também porque presencio no meu cotidiano, situações parecidas, pessoas que vão morrer, não por tiros, mas com a mesma doença do ídolo em questão. Impressiona-me aquela sua face de cansaço, envelhecida, mas serena, sem esperar nenhuma compaixão, cheia de dignidade e ainda esbanjando um interessante humor negro. Escolhe a própria maneira de morrer, encomenda sua lápide a um coveiro vestido à caráter (John Carradine, também velho e doente com as suas mãos fritadas pela artrite reumatóide). Não pensa em suicídio, prefere uma eutanásia, não aquela convencional, num hospital, mas no mais clássico dos ambientes urbanos de interação do velho oeste, o Saloon e de preferência levando uns desafetos consigo.
É simbólico quando J.B. Books, no seu quarto de pensão, ao desfazer sua bagagem, dizendo que era um agente da lei; como um mágico, retira várias armas que carregava nos seus bolsos, cintura, sob o olhar atônito da viúva, mostrando o quanto ele era feito de armas, íntimo e dependente delas.
Pela grandeza e imortalidade do astro, Don Siegel e o cinema, não poderiam ter-lhes prestado maior homenagem com tamanha sensibilidade. Realmente, foram necessárias duas mortes para derrotar o quase imortal John Wayne e uma delas teria que ser pelas costas.

7.º) O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio), 1968 – Sergio Corbucci

Filme realizado inteiramente na neve, traz como tema principal um pistoleiro mudo (Silenzio - Jean-Louis Trintignant), que quando criança teve sua família morta e a sua garganta cortada, por caçadores de recompensa, passando a partir de então a exterminar qualquer caçador de recompensa, que cruzasse o seu caminho.
Silenzio é contratado por uma viúva Pauline (Vonetta McGee), de Snow Hill, em Utah, para matar Loco (Klaus Kinski), um caçador de recompensas que matou o seu marido, covardemente, entretanto, esta missão na será tão simples. Loco vive rodeado de outros caçadores de recompensa tão perigosos quanto ele.
Este é mais um daqueles westerns spaghettis sensacionais, que ficaram longe do grande público por um bom tempo, como uma espécie de condenação injusta, muito peculiar no cinema, quando este apresenta uma obra que traz uma dose cavalar de criatividade, inova, sai do já visto, dos clichês, surpreende os fãs e deixa os críticos perdidos.
Também com Sergio Corbucci, a crítica não poupou referências pejorativas, como: o segundo Sergio, o Sergio menor, o primeiro e o maior Sergio, evidentemente era Leone, que a exemplo deste, Corbucci também deu uma banana daquelas para os críticos e outros tantos pseudos-cinéfilos de plantão, continuou a produzir filmes e com muita criatividade deixando uma obra de respeito, mostrou também que não precisava da sombra de Leone e ainda ditou tendências.
Mesmo num cenário deslumbrante e espetacular da região dos montes Pirineus, este filme não deixa de criar no expectador um clima melancólico e até opressivo, acentuado pela trilha sonora do onipresente maestro dos spaghettis, Ennio Morricone, dentro da sua normalidade, ou seja, no máximo.
Klaus Kinski, no seu melhor western, mostra todo o seu talento sem nenhum esforço, naturalmente, como um ser ruim, cínico (“sempre respeito os mortos”), racista (“que tempos são esses?-um negro valendo igual a um branco!”) perverso, sanguinário, mais frio que o clima local e um auto controle de fazer inveja .


8.º) Sete Homens Sem Destino (Seven Men from Now), 1956 – Budd Boetticher

Um ex-xerife, Ben Stride (Randolph Scott), anda à procura de sete homens, que ao assaltarem 20,000 dólares em ouro, de uma agência da famosa companhia Wells Fargo, matam a sua esposa que era uma funcionária. Nesta procura, Stride encontra um casal, Jack Greer  (Walter Reed) e Annie (Gail Russell) com sua carroça atolada. Após ajudá-los, ele os acompanha  como um protetor, pois o território está sendo atacado por índios e encontra um antigo fora-da-lei, que já havia sido preso por ele, Masters (Lee Marvin) e um seu cúmplice Clete(Donald Barry), interessados em ficar com o ouro roubado, mas eles não sabem que o casal tem um segredo.
Budd Boetticher dirigiu sete westerns com Randolph Scott, em meados dos anos 50 e em 1960. O primeiro foi Sete Homens Sem Destino. Se você viu este filme como o primeiro da série dos sete, há uma boa probabilidade de tratá-lo apenas como mais um western B típico dos anos 50: 80 minutos de duração, solução final da trama num piscar de olhos, nenhum glamour, roteiro com tema rotineiro e batido, a vingança, que praticamente é tema máximo de quase todos os westerns. Se os outros filmes posteriores a este forem vistos primeiro, aí sim, este filme ganha outras dimensões. Comparado rapidamente com outros filmes de Scott/Boetticher, de imediato é possível que não se perceba algumas diferenças, que transformam este filme tão igual em diferente.  Um faroeste que me cativou pela simplicidade, uma história muito simples sem rodeios, diria até um clássico da simplicidade, sem muita conversa, diálogos secos, cortantes, sem nenhuma lentidão, sem psicologismos, belíssimas paisagens rochosas e uma imagem magistral quando Scott entra num lago montado no seu inseparável star dust.
A cena inicial, já demonstra que este filme vai ser diferente. Um ambiente sombrio, chuvoso, relâmpagos, um homem a pé, de costas, lama, uma gruta, o encontro com dois bandidos, diálogos curtos, mas esclarecedores, um duelo que você sente subliminarmente que acontecerá (você não vai ver), a expressão facial dos dois homens, a tensão crescente, a maneira como Stride troca sutilmente a caneca de café de mão (café quente realmente!), dando a dica para o que vai acontecer, os disparos e a tensão dissipada pela agitação e relincho dos cavalos do lado de fora. Início de um western nada comum, para os americanos, Cena inicial por demais criativa e Incomum para um western americano, principalmente para um B.
Randolph Scott na sua naturalidade de sempre, face marmórea, respostas lacônicas,  sem sorrisos, tenso, com um férreo objetivo, cavaleiro nato, desenrolado com uma arma na mão. Sei que muitos outros westerns “enchem os olhos”, mas este também me presta para uma homenagem a um Cowboy, que fica apenas a um pequeno degrau do John Wayne. 
Lee Marvin mostra toda a sua categoria, como um bandido cínico e perverso; elimina um comparsa na maior tranquilidade e demonstra todo a sua frieza, ao acender seu cigarro com outro, retirado da boca do homem que acabara de covardemente liquidar.

9.º) A Morte Anda a Cavalo (Da Uomo a Uomo), 1967 – Giulio Petroni

Após um assalto, quatro bandoleiros, se abrigam de uma tempestade numa fazenda e matam quase toda a uma família, excetuando um garoto que é salvo do fogo por um quinto bandido. Já adulto, Bill ( John Phillip Law), se prepara para encontrar os assassinos, tendo como pista apenas uma espora deixada na noite do crime. Um pistoleiro traído por seus comparsas, Ryan (Lee Van Cleef), que cumpriu 15 anos de prisão, sai em busca dos bandidos que o traíram. Bill e Ryan acabam se conhecendo e saindo em busca dos mesmos, com alguns segredos a serem revelados.
Filme com uns dos títulos mais fortes do western spaghetti, novamente com uma magistral trilha sonora do onipresente Ennio Morricone, dentro de um tema clássico, a procura de vingança, mas tratada de uma maneira mais criativa que a média, onde dois personagens distintos se cruzam com o mesmo objetivo e com desenrolar dos acontecimentos, seus conflitos vêem à tona, se misturam e se acentuam, pois o jovem cego por vingança põe a própria vida em risco, obrigando o velho pistoleiro a usar a sua experiência e assim não colocar em risco o seu plano de vingança. Chamo a atenção para a caracterização dos bandidos mexicanos, nunca os vi tão feios, com um visual de meter medo.
Lee Van Cleef em boa atuação, já bem confortável na Europa, com sua carreira resgatada por dois filmes anteriores de Sergio Leone (“Por Uns Dólares a Mais” -1965 e “Três Homens em Conflito” -1966) e um de Sergio Sollima (“O Dia da Desforra’ - 1966), num papel parecido com outro, que faria no mesmo ano (“Dias de Ira” - 1967), onde serve de professor para um jovem pária humilhado e lixeiro (Giuliano Gemma).
John Phillip Law, um desconhecido em westerns, não compromete com a sua boa atuação (não é preciso muito talento para ser um ator num western), faz bem o papel do jovem inexperiente e “cabeçudo”. Não tenho notícias de outro western feito por ele. Faleceu em 13 de maio de 2008


10.º) Jogada Decisiva (A Big Hand for a Little Lady), 1966 – Fielder Cook

Um casal Henry Fonda (Meredith) Joanne Woodward (Mary Meredith) e um filho Jean-Michel Michenaud (Jackie Meredith), em mudança para a Califórnia, chegam a uma cidade onde cinco milionários vão fazer uma maratona de pôquer entre eles, com altas apostas. Meredith, um péssimo jogador entra no jogo, arrisca todo o dinheiro da família, tem um ataque cardíaco durante o jogo e coloca sua esposa, Mary para jogar no seu lugar, mas ela não sabe nada sobre como jogar pôquer e aí as surpresas começam a acontecer.
“Quando nos é dito que certo filme é um western, qualquer que seja o enredo, a violência da natureza e dos homens, é parte essencial da paisagem; e provavelmente o clímax emocional e moral acontecerá durante um ato singular de violência. (Buscombe, 1988, P. 233).”
Esta citação acima, perde completamente o sentido em “Jogada Decisiva’. Sou adepto de westerns com uma boa dose de violência, mas seria impossível não abrir uma dessa exceção. Neste filme, zero violência, zero morte. Ninguém morre, ninguém agride ninguém. Os dois únicos tiros disparados serviram apenas de aviso, que um dos jogadores havia chegado à casa de um parceiro. Considero um dos filmes mais inteligentes e criativos que já vi, com Henry Fonda e elenco num desempenho extraordinário, numa trama realizada em torno de um  jogo de pôquer. Mesmo quem não sabe o que é  high stakes, western rules, all in ou high rollers, ou não entende nada do jogo, assim como Eu, não perde de maneira nenhuma, em nenhum momento, o interesse por esta bela comédia; se envolve na trama e acaba tendo a mesma ansiedade do personagem principal. As expressões faciais do Fonda te encantam e corroboram a maestria da estrela que foi.
É o outro lado da moeda do western. Incrível como este filme é desconhecido.

N.E. - Todos os textos acima são de autoria de Joailton Carvalho Buenos Aires.

33 comentários:

  1. Achei de uma sinceridade muito grande os comentários do Joailton. Seu relato é uma boa descrição de como funcionavam os cinemas nos interiores, Brasil afora, e de como eles desapareceram. Obviamente sua formação filméfila, como ele mesmo diz, coloca o western europeu em maior importância na sua preferência. Leone ocupa, claro, lugar de destaque e se sente a ausência de John Ford. É uma lista que não segue o habitual, e tem realmente autenticidade, algo sempre bom para debates e descobertas. Dos filmes, Jogada Decisiva eu ainda não vi. Quanto ao resto, gosto de todos. Um filme que não está na minha lista, mas que me agrada demais é O Último Pistoleiro, com o bom e velho Duke. Gosto também de “Uma Bala para o General”, que, como peça política não acho lá grande coisa, mas visto algo como estrutura, é bem interessante. Quanto às lacunas de que o filméfilo fala felizmente contamos com o trabalho desenvolvido por pessoas como o Darci, o Edelzio, etc, com seus sites e blogs, que ajuda todos a melhorar seus conhecimentos na área, e o que é melhor, gratuitamente, de modo democrático e com qualidade. Para finalizar, só gostaria de dizer que gostei e concordo com sua frase “poucos admitirão, que Leone ditou tendências e que outros diretores beberam no cálice de Leone”.

    Abraço a todos!

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    1. Olá Lemarc.
      Como sempre, os seus comentários são pautados pelo equilíbrio, poderação e inteligência. Tentei em poucas palavras, traçar um panorama da época em que o cinema começou a fazer parte do meu cotidiano. Achei que seria um pouco interessante alguém saber como era um cinema numa cidade do interior. Qualquer dia faço um relato de uns acontecimentos, mostrando como era a rotina de um cinema do interior..
      Realmente, quem começou a ver westerns no final dos anos 60 e meados dos anos 70, teve uma grande influência do Eurowestern, nas cidades do interior. A maioria não tinha televisão e o cinema era a diversão máxima.
      A falta de um Ford, Mann e outros geniais diretores, Hours Concours em qualquer lista dos melhores, não significou nem de longe, a falta de admiração por eles, como você entendeu, foi mais no intento de gerar um debate.
      Os trabalhos desenvolvidos pelo Darci e Edelzio, são admiráveis mesmo e esta lacuna está sendo sanada.
      Abraços-Joailton

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  2. Olá, Vinicius
    Conheci um fã de faroestes que dizia que os bons faroestes eram aqueles dirigidos por John Ford; os melhores faroestes eram aqueles dirigidos por John Ford e estrelados por John Wayne; as obras-primas do gênero eram aqueles faroestes de John Ford, estrelados por John Wayne e filmados no Monument Valley. Partindo desse raciocínio, não há como negar a falta de John Ford numa lista de melhores. Daí a falar de Anthony Mann, Peckinpah, Clint Eastwood, Shane, de George Stevens e Matar ou Morrer de Zinnemann, ou ainda John Sturges e Delmer Davis é um passo. Lembrando dessa gente toda, uma lista vai ficando cada vez mais parecida com as outras. Como você disse, a do Joailton é personalíssima.
    Você foi o primeiro a colocar O Vingador Silencioso num Top-Ten e esse grande filme começa a aparecer em outras listas.
    Contra fatos não há argumentos, costuma-se dizer, e negar a influência dos westerns spaghettis nos faroestes norte-americanos pós anos 70 (ou mesmo até um pouco antes) me parece insustentável, assim como seria também descabido negar a influência dos westerns norte-americanos na vertente européia.
    Um abraço do Darci

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    1. Olá Darci.
      Venho a público agradecer ao gigante apoio, sempre dispensado por você, quando os seguidores deste blog, tem seus tops publicados, aos quais não poupas trabalho, para que estes fiquem com um visual irreparável. Este me agradou profundamente. Obrigado, muita generosidade da sua parte, em dar oportunidades irrestritas.

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  3. Grande amigo Joailton desfilando sua rajada de balas por aqui.
    Fiquei contente e muito surpreso em conhecer melhor esse grande amigo e participante ativo em todas as postagens em meu blog durante alguns anos e confesso que não sabia qual era a sua profissão que por sinal uma das mais importantes e respeitadas mundialmente na medicina atualmente e nem tão pouco tinha visto uma foto deste grande conhecedor e apaixonado pelos filmes de Faroeste. (Já havia cobrado essa foto dele).
    Um Top 10 digno de quem conhece mesmo o assunto e sabe mesmo como analisá-los detalhadamente em todos os aspectos sejam eles de procedências americanos ou europeus.
    Só não concordo quando ele diz em se considerar um simples "Filméfilo", pois do modo com que faz as sínteses de cada filme em seu Top 10, está provando o contrário. (Contradição).
    "É sim um Cinéfilo" dentro deste seguimento e da forma com que escreve, descreve e narra suas sinopses, mostra
    [cirurgicamente] o quão observador que é e já havia percebido isso anteriormente em seus comentários.
    O nosso amigo Darci havia comentado comigo, que teríamos mais um Top 10 bem eclético de grande respeito este mês.
    Acho que o Joailton sentiu na pele a dificuldade de se escolher 10 entre dezenas dos filmes que mais gostamos e temos que respeitar cada um dos top 10 que por aqui desfilam.
    "Ninguém é obrigado a gostar do que outros gostam".
    Gostei de ver em seu Top 10 "O Último Pistoleiro"; É realmente um filme Western que mostra uma história de luta contra uma doença que mesmo na época dos pioneiros já começava a tirar muitas vidas ainda com uma cura desconhecida para ela. Hoje sabemos que na Encologia existem vários tratamentos e em muitos casos
    a cura completa, portanto John Wayne mostrava neste filme o que muita gente está vivendo hoje.
    Ironicamente ele viria a falecer realmente pela própria doença.
    Parabéns ao amigo Darci por ceder o espaço e ao amigo Joailton por este Top 10 mais uma vez "Diferente" e esperemos que o Joailton continue participando ativamente em nossos espaços, pois seus conhecimentos em Western são tão bons quanto suas mãos para a medicina.

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    1. Valeu Amigão, por suas palavras encorajadoras, típicas dos grandes amigos. Lembro-me quando cobrou uma foto, ao ser adicionado no facebook e respondi:breve.
      Realmente foi difícil ficar só com dez, principalmente com filmes que geralmente não estão em listas nobres publicadas pelos mais eminentes cinéfilos e isto sempre deixa um pouco de desconforto, pelo risco de sair algumas besteiras. Fico mais desconfortável, quando deixo de falar o que penso. Nenhuma lista desmerece outra, é uma soma construtiva. Legal você agradecer também o Darci.
      Abraços-Joailton

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  4. Retificando:
    onde se lê Encologia, leia-se Oncologia.
    Grato

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  5. O que dizer depois de tantos comentários gabaritados. Fica difícil dizer mais alguma coisa, mas vou tentar. Primeiro, concordando com Darci, que é uma lista eclética, rica, e que foge definitivamente dos lugares comuns dos Top Tens. Segundo, que este é o segundo em que os spaghetti superam os americanos em número: o placar foi pela segunda vez de 6X4. mas esse dado em si não deve servir para que alguns fiquem tristes, pois em sua grande maioria, pelo menos nesse conceituado blog, as listas são lideradas por westerns norte-americanos. Esse dado deve servir apenas para demonstrar a riqueza de gostos num universo de opiniões e que muitos bons westerns, sejam americanos ou italianos, foram injustamente negligenciados e que de repente alguém muito sensível precisou revisitá-los, escolhê-los e apresentá-los com inspiradas e sintéticas análises, numa lista "personalíssima". Todos são em seus respectivos estilos grandes westerns. Mas parece que o Darci erra quando diz que Joailton foi o primeiro a colocar "O vingador silencioso" num Top Ten. Se não me falha a memória nosso grande Vinícius Lemarc já o havia selecionado em seu Top.

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    1. Olá, Grande Aprígio.
      Concordo quando você diz que muitos filmes são negligenciados e parecem que nem existem. Jogada Decisiva,
      é um ilustre desconhecido e com um elenco de primeira linha.
      É um filme inteligente e duvido que alguém tenha uma "sacada" e preveja o seu final.
      O Darci comentou que com o tempo os tops ficaram muito parecidos e isto é um fenômeno natural que ocorre nos grupos, já comentado em outra ocasião, o famoso "Efeito Manada", cientificamente estudado, não por mim, que fique claro. Tenho uma estatística dos tops publicados que apontam para isto. Acho que você deve listar o que gostou, te impressionou e deixou alguma marca. Não importa se o alguém diga, que aquele não passou nem num cine poeira. Lá em casa tiram onda comigo quando estou vendo um daqueles filmecos de amargar e todos fogem da sala. Uso dosi argumentos fortes: Por pior que seja, todo filme tem algo de bom e não voi perder meus dois reais por nada(rsrsrs).
      Abraço-Joailton

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    2. THE MAN FROM ALAMO21 de junho de 2013 20:19

      JOGADA DECISIVA é um dos maiores westerns já feitos no cinema. ESPETACULAR. Voc~e foi magnifico em citar este filme. Nenhum critico no mundo iria se lembrar deste filmaço. Você quis ser diferente e conseguiu. Os top ten estavam sempre iguais, você revolucionou . Os outros sempre estiveram errados. JOGADA DECISIVA foi o máximo.. Você realmente conhece de filmes e especialmente de western. Não vou perder nenhum comentário seu. Fiquei seu fã

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  6. E, finalmente, depois de muito suspense, como num western leoniano, surge o rosto do homem no centro do quadro. Ficamos conhecendo a fisionomia de Joailton Carvalho. Ele tem pinta de diretor, não tem? O boné veio a calhar, meio estilo Scrcese. Um piauiense de tons europeus.

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    1. Aprigio
      Já havia me chamado a atenção a semelhança entre o Joailton e o diretor de Meu Ódio Será Sua Herança, Sam Peckinpah.
      Darci

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  7. Aprigio
    Quando eu escrevi "Você foi o primeiro a colocar O Vingador Silencioso num Top-Ten e esse grande filme começa a aparecer em outras listas" estava respondendo ao Vinicius LeMarc. Foi após o Top-Ten do LeMarc que 'descobri' O Vingador Silencioso e publiquei uma resenha sobre esse filme aqui no Westerncinemania. O Joailton foi, como você disse, o segundo a listar o western de Corbucci. Como a ordem dos fatores não altera o produto, o que vale é que O Vingador Silencioso seja assistido por quem ainda não o assistiu.
    Darci Fonseca

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  8. Valeu pela correção Darci. Não prestei bem a atenção na sequência de um parágrafo para o outro.
    Já que você foi despertado para o Vingador silencioso ao vê-lo na lista de Lemarc, eu gostaria de sugerir agora, com a lista de Joailton publicada, que você visse (se já não viu) Da uomo a uomo (A morte anda a cavalo) e fizesse uma resenha para ele.

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  9. bela lista. uma mescla de euro-westerns e americanos, incomum além de corajosa. sou suspeito de falar em eurowesterns, pois gosto muito, principalmente os que voce colocou, principalmente mesmo, estão no meu top ten. quanto aos americanos, acho que seu top ten deveria ter uns 20 filmes, com mtodo o respeito é claro. Tambem sou suspeito em falar em westerns americanos, pois tem alguns, que talvez por sentimentalismo, gosto muito. Enfim uma lista diferente.

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  10. Oi, Joailton

    Que top-ten legal! Adorei!
    Filmes interessantes, vários eu nem assisti. Fiquei curiosa. Quem sabe eu consigo achá-los em algum lugar.
    Além disso, seus comentários são ótimos!
    Parabéns pelas escolhas!
    Abraços!
    Janete

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  11. Olá Janete

    Fico feliz quando gostam e respeitarei também quando não. Sempre achei legal a sua participação neste blog. A minha esposa é fã de faroestes e geralmente me faz companhia quando vou assisti-los. Os filmes listados são facilmente encontrados e garanto que serão uma boa diversão. Se não encontrá-los, entre em contato comigo que te mando.
    Peça o meu email ao Darci, não sei se é permitido pelo blog, divulgar emails nete espaço.
    Abraço-Joailton

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  12. Olá, Joailton

    Respondi ao Darci para ele enviar meu email a você. E ele me deu o teu.
    Eu assisti a muitos faroestes com o meu pai, e depois com o meu cunhado Goia. E assisti também muitos dos seriados de faroestes como Batmaterson, Bonanza, James West e outros.
    Bom saber que eu tenho uma fonte de filmes de faroestes!!! Obrigada por oferecê-los!
    Um grande abraço!
    Janete

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  13. Gostei demais desse top ten, considerando-o até mesmo algo "eclético" nas origens, temas e cenários. Outra situação curiosa é verificar que Lee Van Cleef aparece como protagonista em 3 eurowesterns, depois de ter participado como coadjuvante em vários westerns americanos.
    Francisco.

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  14. Olá Francisco.
    Leone era uma apaixonado por westerns e certamente estava atento para o que acontecia e realmente o Lee Van Cleef era um coadjuvante que praticamente não era notado e levava muita bala em todas as suas participações. Conta-se que Leone, com seu olho clínico, percebeu que aquela fisionomia incomum do Lee Van Cleef cairia muito bem nas suas pretensões. Perceba que nos seus filmes, o cineasta dá muito valor aos tipos faciais diversos.
    Abraços-Joailton

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  15. É isso mesmo Joailton, os diversos tipos faciais e "closes" nos rostos dos atores acontece muito em todos os filmes de Sergio Leone, mas é em "Era Uma Vez no Oeste" que acontece o melhor "close" de todos e talvez a melhor expressão que vi numa cena, que é a entrada de Jason Robards na taverna perdida naquele deserto, muito forte; por sinal tanto Jason Robards como Henry Fonda estão juntos em dois filmes de seu Top Ten. Citamos o Lee Van Cleef, mas não podemos esquecer que Clint Eastwood teve a carreira impulsionada na trilogia dos dólares, pois também fez vários papéis menores antes de ir para o eurowestern. Finalmente, prefiro "Por Uns Dólares a Mais" talvez porque o personagem de Lee Van Cleef não morre no final. Rsrs.
    Abraço.
    Francisco

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  16. MY NAME IS TRINITY21 de junho de 2013 19:27

    LONGE E DISPARADO O MELHOR TOP TEN DESTE BLOG. VOC~E É O MELHOR ANALISTA DE FILMES DE WESTERN QUE APARECEU NESTE BLOG. FILMES FANTASTICOS. RESENHAS ESPETACULARES. VOCê ESTA DE PARABENS. WESTERN SEMPRE FORAM OS ITALIANOS. A INCLUSÃO DE JOGADA DECISIVA, MOSTROU QUE VOCÊ É DEMAIS. P A R A B EN S. vai conhecer assim de western em sapucaia do sul

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  17. Rapaz. Você não sabe da emoção que eu tive ao ler este explendido TOP TEN. Você é maravilhoso. Só filmes fantasticos. Você é o unico, singular. Não vai na onda de criticos,de ninguém. É DIFERENTE. O seu gosto é exemplar. E A INCLUSÂO DE Jogada decisiva. Você é demais. Profundo conhecedor de western. P A R A B E N S

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    1. Olá Allan e Trinity.

      Agradeço aos elogios e até fico surpreso, sem falsa modéstia, por esta postagem ter agradado tanto a vocês.
      Sou apenas um assistidor crônico de filmes e com o tempo vai-se criando umas percepções pessoais, as vezes equivocadas, mas vamos evoluindo lentamente.
      Gosto de repetir que o melhor filme é aquele que cumpre a sua primeira missão básica, ou seja, DIVERTIR, depois vem a segunda, DAR LUCRO e assim por diante. Jogada Decisiva me surpreendeu, comprei gato por lebre e fiquei feliz, passei o tempo todo esperando um tiroteio, que alguém virasse a mesa e sacasse uma arma e de repende(esse "de repente" é clássico neste blog), percebi que estava diante de um filme muito criativo e singular e que realmente, nada de "tapas", só de demonstração de criatividade.
      Abraços-Joailton

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    2. Sou quem sou e não o que a vida fez de mim23 de agosto de 2013 13:02

      Allan Parsons. Não seria Allan Parsons Project? Mat´ria paga.

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    3. Sou quem sou e não o que a vida fez de mim23 de agosto de 2013 13:05

      Allan Parsons. Não seria Allan Parsons Project? Mat´ria paga.

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  18. Olá, Trinity e Allan Parsons
    Pelos horários dos comentários presumo serem a mesma pessoa usando pseudônimos. Acredito que esse Allan Parsons não seja o músico inglês de Rock Progressivo pois aquele é Alan, com apenas um 'L'.
    Certamente o Joailton ficará feliz com os sinceros elogios à bela postagem que fez.
    Darci

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    1. Sou quem sou e não o que a vida fez de mim23 de agosto de 2013 13:04

      O senhor é uma pessoa mui sábia. Trinity e Allan Parsons Project são verdadeiramente as mesmas criaturas

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    2. Sou quem sou e não o que a vida fez de mim23 de agosto de 2013 13:05

      O senhor é uma pessoa mui sábia. Trinity e Allan Parsons Project são verdadeiramente as mesmas criaturas

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  19. Concordo plenamente com os dois westernmaníacos Trinity e Allan Parsons, independentemente de serem as mesmas pessoas. Na minha humilde opinião esse foi o Top Ten mais bem pensado, criterioso independente e original-ainda que o de Edelzio também tenha sido também independente e fora da tendência da maioria dos frequentadores desse blog, mas isso é compreensível pois ele tem um blog dedicado ao gênero italiano e forçosamente teria que contemplá-lo mesmo. Acho até que o caro Joailton abriu mão de algumas preferências pessoais (sentimentais) ligadas ao spaghetti para evitar o ideologismo tendencioso, privilegiando uma apreciação geral dos dois gêneros e das qualidades específicas de ambos, ainda que diferentes e singulares em si mesmas. Acho que todos nós deveríamos nos comportar assim, com essa humildade valorativa, em vez de ficarmos buscando supostas superioridades de origem, etc.

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  20. oswaldo lemos bechara9 de maio de 2014 20:29

    Mas que top ten e este. Fã incondicional do faroeste italiano fez um apanhado realmente dos melhores. É um top ten muito bom como disse o Allan Parsons. Posso não gostar deles, mas o sr. Joailton escolheu realmente os melhores. Que filme é JOGADA DECISIVA. Acho que foi charme. TOP TEN digno de estar na lista dos melhores já publicados. Pena para quem gosta do verdadeiro western, mas os italianos mencionados são realmente os melhores.

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  21. Joailton, parabéns pela lista autêntica e de qualidade apresentada. Sobre ERA UMA VEZ NO OESTE, na época da publicação de meu TOP TEN, escrevi = "Cinema puro, sentido em cada diálogo tecido, a cada sombra, a cada plano aberto ou fechado, em olhares que falam, em cenas memoráveis e inesquecíveis que nos fazem esquecer de sua duração, restando as espectador aplaudir de pé. Entre todos os gêneros, fica atrás, apenas e tão somente, de “Ben-Hur”. O melhor de LEONE e de MORRICONE. Também relacionei a obra-prima de CORBUCCI, O VINGADOR SILENCIOSO, um clássico imperdível e que merece sempre ser lembrado, como bem ressaltou o Darci ( kkkk mas acho, Darci, que fui o primeiro a citá-lo no início de fevereiro ). Obras como O Vingador Silencioso, Nevada Smith e À Sombra de Uma Arma não deveriam ser tão negligenciadas por aqueles que curtem um bom filme. Algo que vc fez muito bem, Joailton, ao mencionar O Dia da Desforra, Mato em nome da lei, A morte anda a cavalo e o ótimo western zapatista Uma Bala para o General. Abraços ....

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