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18 de fevereiro de 2012

BEN JOHNSON - A MARAVILHOSA CARREIRA DE UM COWBOY


A grande maioria dos artistas moveu céus e terra para chegar ao estrelato. Ben Johnson, no entanto, atingiu a fama mesmo sem persegui-la. Muito pelo contrário, pois chegou até a abandonar o cinema em certo momento, retornando depois para receber um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, muitos outros prêmios e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood. Justo reconhecimento para Ben Johnson, um autêntico cowboy que participou com brilho de tantos e tão memoráveis faroestes.


UM HERÓI EM “SANGUE DE HERÓIS” - Durante as filmagens de “Sangue de Heróis” (Fort Apache), um estampido assustou uma parelha de cavalos que estava atrelada a um carroção. Os cavalos saíram em disparada em direção ao local onde estava John Ford sentado em sua cadeira conversando com alguns atores. A tragédia parecia inevitável mas, de repente saído sabe-se lá de onde, um stuntman (dublê) saltou sobre um dos cavalos detendo a parelha desgarrada a metros do grupo. Refeito do susto John Ford disse ao corajoso jovem que ele era um herói, perguntou o nome ao rapaz, dizendo que iria recompensá-lo. As locações de “Sangue de Heróis” estavam terminando e tudo indicava que John Ford havia se esquecido da promessa, até que o diretor que também era produtor com a sua Argosy Company, mandou chamar Ben Johnson, entregando-lhe um envelope e pedindo que o stuntman levasse aqueles documentos para o advogado dele examinar. Ben abriu o envelope na frente de ‘Pappy’, leu as folhas de um contrato de trabalho como ator, parando de ler quando chegou nos números que indicavam cinco mil dólares por semana de trabalho efetivo. Johnson, que ganhava cem dólares por dia de trabalho como dublê, não leu mais nada e assinou ali mesmo o contrato como ator. Seu primeiro trabalho nessa condição foi em “E o Céu Mandou Alguém” (3 Godfathers).

DE CAMPEÃO DE RODEIOS A DUBLÊ EM HOLLYWOOD - Ben Johnson nasceu em Pawnee, Oklahoma, em 13 de junho de 1919 (algumas fontes falam em 1918 e outras em 1920, bem como dão outra cidade como local de nascimento). O pai de Ben, que também se chamava Ben Johnson, era o capataz de um rancho onde havia criação de cavalos. Johnson Jr. nunca teve bicicleta mas bem cedo ganhou um cavalo e também nunca teve um par de patins, mas ainda criança ganhou um par de esporas. Antes dos 20 anos ‘Ben Son’, como era chamado, já ganhava prêmios nos rodeios, acumulando dezenas de troféus e medalhas como vencedor de provas montando cavalos e touros bravos. O principal título conquistado por ‘Ben Son’ foi o de campeão mundial na categoria de laçar novilhos. O rancho em que Ben trabalhava era o ‘Fats Jones Stables’ e Fats Jones tinha uma filha chamada Carol que se enamorou de ‘Ben Son’ e acabou se tornando a senhora Ben Johnson, casando-se com o jovem campeão de rodeios. Fats Jones alugava cavalos para filmes e um produtor esquisito chamado Howard Hughes que estava iniciando as filmagens de “O Proscrito” (The Outlaw), alugou um lote de animais e levou junto também o cowboy Ben Johnson, que nesse tempo ganhava um dólar por dia no ‘Fats Jones Stables’. Johnson viajou de trem para Yuma, Arizona, no mesmo vagão dos cavalos. Durante a acidentada filmagem de “O Proscrito”, Hughes assumiu a direção do western e usou Ben Johnson como dublê e ainda fazendo figuração. Johnson não mais retornou ao rancho do sogro, passando a atuar em filmes na condição de dublê e figurante.

O galante Ben Johnson com Terry Moore em
"Monstro de um Mundo Perdido" e com
Joanne Dru em "Caravana de Bravbos"
FRED ASTAIRE A CAVALO - A longa lista de atores dublados por Ben Johnson inclui Charles Starrett, Monte Hale, Bill Elliott, Robert Mitchum, Henry Fonda, John Wayne, Gary Cooper, James Stewart, Randolph Scott e Joel McCrea. Cita-se até Alan Ladd nessa lista, o que é estranho pois Ben Johnson tinha 1,88 de altura contra o metro-meia-cinco de Ladd. Aqui entra a história de “Sangue de Heróis” e a passagem de Johnson para a condição muito melhor remunerada de ator. Depois da ponta em “E o Céu Mandou Alguém” Johnson participou com maior destaque em outros filmes de John Ford ou produzidos por sua companhia, a Argosy, como “Monstro de um Mundo Perdido”. Nesse quase remake de King Kong, rodado em 1949, Ben Johnson teve o principal papel masculino, ainda que fora do lugar que mais gostava que era montado num cavalo. E veio então a sequência de westerns com personagens chamados ‘Travis’. O primeiro foi como o ‘Sargento Travis Tyree’ no sublime “Legião Invencível” (She Wore a Yellow Ribbon), em que Ben Johnson executa talvez a mais maravilhosa cavalgada já vista nas telas, em pleno Monument Valley, ao fugir de um grupo de índios. Alguém estupefato com a beleza plástica da sequência afirmou que se Fred Astaire fosse um cavaleiro seria assim que ele cavalgaria. No ano seguinte, 1950, John Ford disse a Ben Johnson que ele seria o ator principal de seu novo filme, “Caravana de Bravos” (Wagon Master), o western que John Ford sempre declarou ser seu preferido. Johnson interpretou um cowboy chamado ‘Travis Blue’. Nesse mesmo ano de 1950 Ben Johnson fez parte do elenco de “Rio Grande”, fechando a Trilogia da Cavalaria de John Ford, com John Wayne no papel principal e Ben Johnson agora como o ‘Soldado Travis Tyree’.
Ben Johnson montando no estilo romano em "Rio Grande"
Tudo bem, ainda, entre John Ford e
Ben Johnson em "Rio Grande"...
"SR. FORD, NUNCA MAIS GRITE COMIGO!” - É bastante conhecida a irascibilidade de John Ford e em “Rio Grande” ocorreu um episódio que mudaria a carreira de Ben Johnson. Ao final de cada dia de filmagem, John Ford tinha o costume de reunir os atores ao redor de uma grande mesa para tomar chá e se preciso discutir o que ocorrera nas filmagens. Ford à cabeceira da mesa tinha John Wayne à sua direita e Maureen O’Hara à sua esquerda e a ordem de importância do ator no filme definia a distância em que este se sentava em relação a Ford. Na outra extremidade da mesa Ben Johnson fez um comentário com Harry Carey Jr. dizendo que houve muitos tiros e nenhum índio havia morrido nas tomadas daquele dia. O comentário foi percebido por John Ford que perguntou a Ben: “O que você disse para o Dobe?” (Dobe é o apelido de Carey Jr.). Ben respondeu: “Nada importante, Sr. Ford.” O diretor perguntou novamente: “Você falou alguma coisa, o que foi que você disse?” Ben Johnson tornou a repetir: “Nada de importante, Mr. Ford.” Exasperado John Ford gritou: “Olha aqui, seu estúpido, eu perguntei o que você falou e eu quero saber o que você falou para o Dobe!” Ben Johnson levantou-se do seu lugar, caminhou até onde estava John Ford, abaixou-se e disse no ouvido do diretor: “Sr. Ford, nunca mais grite comigo. E pegue esse seu filme e enfie naquele lugar!” John Wayne e Maureen O’Hara conseguiram ouvir as duas frases e perceber que John Ford, surpreso com a reação de Bem, não conseguiu responder nada. Pouco depois Ford mandou chamar Ben Johnson mas este não retornou e Ford completamente sem graça comentou: “Que rapaz nervoso esse Johnson...” O diretor e o ator voltaram a conversar durante os últimos dias de filmagem, aparentemente em paz como se nada houvesse acontecido. Mas depois disso o vingativo diretor ignorou completamente Ben Johnson não mais o chamando para seus filmes, excluindo-o da Ford Stock Company. Somente 14 anos depois Ben Johnson voltaria a atuar num filme de Ford, fazendo uma ponta em “Crepúsculo de uma Raça” (Cheyenne Autun), último western do diretor.
Ben Johnson como assistente de xerife em "E o Céu mandou Alguém";
com John Wayne e Harry Carey Jr. em "Legião Invencível";
com Maureen O'Hara, Claude Jarman Jr. e Harry Carey Jr. em "Rio Grande".
Ben em "Wild Stallion";
em "Ataque ao Forte
Defiance" e como Chris
Calloway, em "hane".
PAPEL REDUZIDO EM “SHANE" - Ben Johnson tinha adoração por seu pai, Ben Johnson Sr., também campeão de rodeios. O ator gostava de contar que seu pai não lhe pode dar uma educação formal, mas o ensinou que “a honestidade é a maior honra que um homem pode ter na vida” e disso Ben Johnson jamais se esqueceu. Seu amigo Dobe (Harry Carey Jr.) que era afilhado de John Ford conta que Ford afastou Ben Johnson da Ford Stock Company não pelo incidente em “Rio Grande”, mas sim porque queria o ator para o papel principal de “O Preço da Glória” e ao contatar o agente de Ben este pediu um salário como se Ben fosse John Wayne. Ford entendeu isso como um insulto e Ben Johnson só veio a saber dessa confusão anos mais tarde. Claro que essa história contada por Harry Carey Jr. não pode ser levada a sério. Afastado de John Ford, Ben Johnson continuou sua carreira atuando em “Ataque ao Forte Defiance” (Fort Defiance), estrelado por Peter Graves e fez depois o papel principal em “Wild Stallion”, com Edgar Buchanan. Uma nova grande oportunidade em sua carreira Ben Johnson teria em “Os Brutos Também Amam” (Shane) em que desempenhou o regenerado bandido ‘Chris Calloway’. Na história original de Jack Schaefer o personagem ‘Chris’ tem uma dimensão maior e mesmo com Ben Johnson tendo uma das melhores interpretações do elenco do western de George Stevens, o diretor optou por cortar na edição a grande parte da participação de Ben Johnson, privilegiando outras sequências e personagens.

DIRIGIDO PELO EXIGENTE MARLON BRANDO - Bastante decepcionado com Hollywood, Ben Johnson chegou a abandonar a carreira de ator e stuntman, em 1954. Com o dinheiro ganho no cinema comprou seu próprio rancho onde passou a criar cavalos que alugava para os estúdios. Foi nessa condição que voltou ao cinema em “Oklahoma”, fazendo uma ponta nesse western-musical. Ben teve outro pequeno papel em “Rebel in Town”, western com John Payne que antecedeu “Tambores de Guerra” (War Drums), outro faroeste simpático à causa indígena, desta vez estrelado por Lex Barker. Triste a sina de Ben Johnson, coadjuvando Lex Barker e depois Jock Mahoney, este ator principal na comédia-western “Slim Carter”. Seguiu-se “Ten Who Dared”, com Brian Keith encabeçando o elenco. Melhores papéis Ben Johnson teria em “Forte Bowie”, em que foi o ator principal, em 1958, e principalmente no western dirigido por Marlon Brando, “A Face Oculta” (One-Eyed Jacks). Neste belo faroeste Ben Johnson deu, definitivamente, demonstração que era um muito bom ator interpretando o bandido Bob Amory. Veio então a ponta em “Crepúsculo de uma Raça” (será que Ford aos 70 anos estava senil e se esqueceu da insolência de Johnson?) Foi no western “Juramento de Vingança” (Major Dundee) que Ben Johnson viria a conhecer e se tornar amigo de Sam Peckinpah ainda que Ben Johnson tenha seu nome em décimo lugar nos créditos desse conturbado filme.

Nas fotos acima à direita, Ben Johnson em "Fort Bowie"; em "Tambores de Guerra"; e com Marlon Brando em "A Face Oculta".



Acima Ben em "Juramento de
Vingança"; com Clint em "A Marca
da Forca",  com Charlton Heston
em "E o Bravo Ficou Só"; e em
"Meu Ódio Será Sua Henrança".
DE FORD A PECKINPAH - Ben Johnson contava que sua amizade com Peckinpah se devia ao fato de ter salvado várias vezes a vida do esquentado diretor. Sam gostava de entrar nas bodegas, tomar muitos goles de tequila e provocar o camarada mais forte que lá estivesse. Quem sempre o socorria nessas ocasiões era Ben Johnson, gratidão que Peckinpah demonstraria em outros filmes. Johnson teria outro papel de pouca relevância em “Raça Brava” (The Rare Breed), western com James Stewart, em 1966. Como não poderia deixar de ser, Ben Johnson participou como convidado de inúmeras séries de TV, até que foi contratado, em 1967, como personagem fixo de “Os Monroes”, série estrelada por Barbara Hershey e que obteve razoável sucesso. Num tempo em que os westerns declinavam, até por falta de cowboys autênticos, Ben Johnson atuou no esplêndido “E o Bravo Ficou Só” (Will Penny), com Charlton Heston. A seguir interpretou um xerife em “A Marca da Forca”, primeiro western norte-americano estrelado por Clint Eastwood pós-Trilogia dos Dólares. Em 1969 Ben Johnson faria parte de um inesquecível quarteto de desajustados homens do Velho Oeste num tempo e lugar que não era deles. Dirigido pelo amigo Sam Peckinpah, “Meu Ódio será sua Herança” foi, sem dúvida, o maior filme da carreira de Ben Johnson, carreira que parecia recomeçar 20 anos depois de se encontrar com John Ford.

Ben Johnson em "A Última Sessão de Cinema"
UM OSCAR PARA ‘SAM, THE LION’ - Por falar em amigos, John Wayne era um dos grandes amigos de Ben Johnson que chegou até a administrar o rancho do Duke em Springerville, Arizona. Ao lado de Wayne, Ben Johnson atuou em “Jamais Foram Vencidos” (The Undefeated), com Rock Hudson no elenco e ainda em “Chisum”, em 1970. O ano seguinte, 1971, reservaria a maior glória para a carreira de Ben Johnson. Peter Bogdanovich se preparava para filmar “A Última Sessão de Cinema” e queria Tex Ritter e John Ritter nos papéis principais. Ainda bem que Bogdanovich teve juízo e esqueceu Ritter, chamando Ben Johnson para interpretar ‘Sam, the Lion’ nesse pungente e nostálgico drama passado numa pequena cidade do Texas. O tocante e sincero desempenho de Ben Johnson lhe valeu um Oscar como Melhor Ator Coadjuvante em 1972. Além do Oscar, Ben recebeu o Golden Globe, o People’s Choise, o English Award Academy e o New York Critics Award, prêmios que foram repousar na sua prateleira repleta de troféus e medalhas recebidos em rodeios, demonstrando que Ben Johnson era muito mais que um mero cowboy do cinema.

Nas fotos à direita, Ben com o elenco de "Jamais Foram vencidos"; com Duke em "Chisum" e em "Os Chacais do Oeste", em que também aparece Rod Taylor.

'Sam, the Lion' e o Oscar de Ben Johnson, ao lado de Sally Kellerman
e de Jim Henson, criador do Muppet Show
Acima Ben com Steve McQueen em "Os
Implacáveis"; com Cloris Leachman, Michelle
Phillips e Warren Oates em "Dillinger";
como Melvis Purvis e na foto menor com
Iron Eyes Cody em "Grayeagle".
QUASE SEMPRE UM HOMEM DA LEI - Com os prêmios Ben Johnson passou a receber mais propostas de trabalho, atuando em “Os Renegados”, com Dean Martin; “Os Chacais do Oeste” (The Train Robbers), com John Wayne; “Kid Blue não Nasceu para a Forca”, com Dennis Hooper e Warren Oates, western em que Ben Johnson interpreta um xerife. A imagem de Ben Johnson sempre transmitiu intensa dignidade e muitas vezes ele interpretou homens da lei como o lendário agente do FBI Melvin Purvis em “Dillinger, o Gângster dos Gângsters” com Warren Oates como Dillinger. Antes Ben Johnson havia sido dirigido outras duas vezes por Sam Peckinpah: no filme sobre rodeios “Junior Bonner - Dez Segundos de Perigo” e em “Os Implacáveis”, ambos com Steve Mcqueen e este último enorme sucesso de bilheteria e Johnson excelente como um corrupto homem da Lei. Em 1974 um jovem cineasta chamado Steven Spielberg se lançava no cinema com o alucinante “A Louca Escapada” em que Goldie Hawn e seu marido são perseguidos no Texas pelo Capitão interpretado por Ben Johnson. Seguiram-se “Risco de uma Decisão”, western sobre o amor pelos cavalos com Gene Hackman e James Coburn disputando uma extenuante corrida. Em seus filmes seguintes Ben voltou a ser homem da lei em “O Trem do Inferno” (Breakheart Pass), western estrelado por Charles Bronson; coadjuvou Catherine Deneuve e Burt Reynolds em “Crime e Paixão”; estrelou “Grayeagle”, filme sobre um lendário chefe índio; voltou a ser um xerife em “Caçador Implacável” (The Hunter), outra vez com Steve McQueen; foi o ator principal em “O Trem do Terror”, com Jamie Lee Curtis; atuou em “O Enxame”, com Richard Widmark.

No pôster com Scott Glenn e
Kate Kapshaw
HONRANDO NOSSOS HERÓIS - Quando o cinema praticamente já não produzia mais westerns, Ben Johnson se reencontrou com Ernest Borgnine em “Outlaws: The Legend of O.B. Taggart”, protagonizado por outro veterano: Mickey Rooney. Ben Johnson continuou atuando regularmente em filmes de ação e em dramas, um deles cujo título mais parece uma homenagem ao próprio Ben: “Nossos Heróis Sempre Foram Cowboys”. Nesse drama sobre rodeios Ben interpreta o pai de Scott Glenn que em certo momento comenta com a irmã a respeito do pai: “Ele é um herói e ninguém joga fora os seus heróis”. Ela então pergunta: “E quando eles ficam velhos doentes e cansados?” Scott Glenn responde: “Nós os honramos!” O derradeiro trabalho de Ben Johnson no cinema foi como um vizinho de Shirley MacLaine em “O Entardecer de uma Estrela”. Ben Johnson ficou viúvo em 1994 depois de 53 anos de casamento com Carol. Passou então a viver num retiro onde já estava sua mãe. Quando foi fazer uma visita à genitora Ben Johnson sofreu um ataque cardíaco, vindo a falecer em 8 de abril de 1996, aos 77 anos. Meses antes havia sido entrevistado com exclusividade por Rubens Ewald Filho, em Cannes, num evento que homenageava John Ford. Ben Johnson fez cinco filmes com John Ford e dez com John Wayne. Lembrar Ben Johnson é lembrar de John Ford, de John Wayne e da própria história do faroeste.



15 comentários:

  1. Triste a sina contracenando com dois “Tarzans”, rs.
    Darci, vc bem disse: “ Lembrar Ben Johnson é lembrar de John Ford, de John Wayne e da própria história do faroeste”. Verdade absoluta, pois foi um dos atores que mais atuou nas grandes fitas do gênero que tão bem conhecemos. Uma trajetória de vida muito bela, digna mesmo de uma biografia. Aliás, seria interessante colocar um dia esta entrevista, se possível, do Ben para o Rubens Ewald no blog.

    Curioso fazer menção, mesmo incerto, que Johnson teria dublado Alan Ladd. Bom, não pude deixar de me lembrar da clássica briga entre Ladd e ele em “Shane”, onde é bem percebível a diferença de estatura entre os dois, aliás, uma das mais espetaculares brigas dos westerns. No livro do Perdigão, “Gênese e Estrutura de Shane”, tem umas fotos em que o diretor George Stevens esta orientando os dois a como lutar, muito embora também tivesse a intervenção de dublês. Nesta obra, pude perceber como Johnson era um ótimo ator e direi porque: O personagem interpretado por Ben, o Chris, é regenerado depois que perde a luta com Ladd (Shane).

    Era tão arrogante que Shane não somente fez desabar o grandalhão de 1m88, como também fez desabar a prepotência do personagem, que ali passou a ser uma pessoa reflexiva e viu que tudo andava errado com a turma do Ryker. Lembro da cena do enterro (no caso do Elisha Cook Jr, “morto” pelo Jack Palance), que Chris ficava sentado e pensativo em uma cadeira de frente para o saloon, observando o cortejo, quando pude prestar atenção num certo olhar de arrependimento, redenção, e de tristeza de Ben Johnson, refletido em Chris. Aqui, a expressão falou bem alto, e Ben, por Deus, como era expressivo.

    Depois desta cena, que foi a penúltima do personagem, vem a seguir a cena em que Chris avisa a Shane do perigo que estaria Van Heflin indo ao encontro de Ryker (Emilie Mayer), que queria emboscá-lo. Shane estranha e diz: “não entendo vc”, e Chris responde: “apenas tive um impulso”. Depois Shane agradece e os dois se cumprimentam, selando o perdão.

    Só um ser humano de alma reluzente como Ben Johnson para tirar Peckinpah das confusões. Tinha que ter muita tolerância para com um camarada como o Sam, que não dispensava confusões fossem dentro ou fora das filmagens.

    Sei de um fato que durante as filmagens de MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA, ele teria provocado Robert Ryan, que na vida real era um homem controlado e pacífico, e este mesmo assim não tinha disposição para aguentar o diretor, quando alguém avisou a Peckinpah que Robert era campeão amador de boxe e que sabia brigar bem. Daí Sam ao saber deste fato REAL (Tanto que em The Set-Up, de Robert Wise, Ryan não usa dublê) parou de provocar o ator.

    Ben Johnson era um ator extraordinário, e ainda bem que ele tem uma estrela na Calçada da Fama, e com todo merecimento, pois ainda faz parte de nossas lembranças, que felizmente não são distantes, porque nos legou grandes interpretações que estão à disposição de todos, graças à tecnologia do DVD (e antes, vídeo cassete, rs). Abraços!

    Paulo Néry

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  2. Paulo, durante as filmagens de Meu Ódio Será Sua Herança Robert Ryan já estava doente e se Sam o provocou isso foi uma grande maldade. Mas como muitas vezes ele estava bêbado ou drogado, tudo é possível. O tão meticuloso George Stevens deixou passar os quase closes dos dublês de Ladd e Heflin em Shane durante a luta. Alan Ladd precisou da famosa plataforma durante as filmagens para não desaparecer diante de Ben Johnson na cena do bar. Uma pena que Stevens tenha decidido sacrificar o plot entre Chris (Ben Johnson) e a flha de Fred Lewis (Edgar Buchanan), que foi o que levou Chris a mudar de lado. Com isso perdemos a oportunidade de ter mais tempo com Ben Johnson na tela. Muito boa a sua idéia de colocar no CINEWESTERNMANIA a entrevista do Rubens Ewald Filho com Ben e Harry Carey Jr. Provavelmente essa tenha sido uma das últimas entrevistas de Ben Johnson.
    A menção aos ex-Tarzans é lembrar que tantos bons atores tiveram que servir de escada para os asgtros dos filmes, que nem sempre tinham igual talento.
    Um abraço - Darci

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  3. Todos que gostavam ou gostam de western conhecerão Ben Johnson, figura marcante no velho oeste de Hollywood. Seu desentendimento com John Ford, prejudicou sua presença em outras grandes produções do renomado diretor. No entanto mesmo permanecendo sob contrato de Ford, ele ficaria a sombra
    de John Wayne como ficaram todos os demais. Considero Ben um
    ator mediano, não tinha grande carisma para a ação, nem tipo
    atraente para o publico feminino, o que tinha a seu favor era um porte inquestionavel de cawboy, um tipico homem do oeste
    americano, por isso mesmo um ator esteriotipado. Sua carreira foi muito longa, e com o passar do tempo tornou-se um ator
    experiente e conseguiu fazer algumas boas atuações. SC

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    1. Caro colega anônimo, de Santa Catarina, só não concordo com uma coisa: Ben Johnson tinha carisma,e de sobra. Mas isto, claro, é um ponto de vista.

      Ele foi um galã convincente para Terry Moore em O MONSTRO DO MUNDO PERDIDO, primeira versão de PODEROSO JOE. Ele não tinha uma má aparência, mas foi evoluindo como ator ao longo dos anos, contudo, como se diz, ele foi sendo lapidado durante toda sua trajetória até conseguir adquirir experiência, pois no fundo, já havia nele um talento a ser produzido. Esta é minha opinião.

      Ainda bem que ele não largou o cinema, pois ficaríamos sem suas futuras grandes atuações e ele, sem o Oscar merecido.

      Paulo Néry

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  4. Olá, Paulo, o SC é o Sidney Costarelli, seguidor opiniudo, como se diz no Nordeste do Brasil. Você acabou respondendo por mim mas gostaria de aduzir lembrando a atuação de Ben Johnson em A Face Oculta, dirigido pelo exigente Brando. Nesse filme Johnson pode ser chamado de tudo menos de ator estereotipado. Não vamos lembrar de A Última sessão de Cinema porque aí é covardia. Golden Globe, Oscar e todos os principais prêmio para aquela maravilhosa interpretação de Ben. Fazer o que se ele tinha o tipão do homem da lei destemido, sério e honesto (não em Os Implacáveis em que está soberbo como policial corrupto). Muitos falam que John Wayne era um ator que interpretava a si mesmo sempre, mas há inúmeros filmes que mostram que ele sabia atuar e bem. Afinal o que é um estereótipo? Pela definição da palavra muitos e muitos atores o seriam, a começar por Humphrey Bogart. Então, viva os atores estereotipados...
    Um abraço - Darci

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  5. Outro grande coadjuvante. Fiquei feliz com o seu Oscar no final de carreira. Cumprimentos cinéfilos!

    O Falcão Maltês

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  6. Somente quero esclarecer que não sou de Santa Catarina, sou de
    São Paulo, e que talvez não estive tão atento ao trabalho de Ben. Sou muito grato as informações que foram acrescentadas nos comentarios sobre o referido ator. Continuarei opiniudo como disse o mestre Darci, porque dessa forma posso aprender
    e mudar alguns dos meus pontos de vista sobre os personagens que povoaram o maravilhoso Velho Oeste de Hollywwod. Quanto a
    Humphrey Bogard o grande monstro sagrado, já li sua biografia escrita por seu filho, que descreve situações que demonstram
    como ele era dificil no relacionamento com as pessoas. Li também comentarios de criticos que alegavam que quando Bogart
    trabalhava ele interpretava a si mesmo. SC

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  7. PARTE 1;

    É. Uma justa recompensa do diretor a quem, praticamente, lhe salvou a vida.
    Mas o Ben Jhonson merecia tal oportunidade, principalmente, por ser ele o bom ator que era. Dificil provar o contrário diante de tudo o que ele fez no cinema.

    Quem neste momento estiver na memória com a cena dele com Allan Ladd em Shane, poderá observar que a beleza dela, da cena, está muito mais no visual de Johnson que na do próprio heroi, Ladd.

    Não é fácil esquecer seu comportamento, mais que natural de quem participa de uma briga e está perdendo-a quando, depois de receber o primeiro soco de Ladd, que o leva para fora do estabelecimento e ele retorna, se observa suas feições, entre vacilante em retornar ao combate e incrédulo pela porrada que toma sem que esta andasse em seus planos.

    Sua face muito ensanguenta conota tudo isso num rápido close que Stevens dá em sua fisionomia cheia de dilemas. Ele retorna ao combate, mas sem aquela convicção anterior de que aquela briga seria sua e de mais ninguém.

    Somente um ator de estirpe maior daria à cena a autenticidade que ele forneceu para a mesma. Muito ao oposto da briga de Gary Cooper com Jack Lord, em O Homem do Oeste, onde o combate é quase que perfeito, porém o Lord não tem a qualidade do Ben para fornecer ao espectador uma conotação de brilhantismo como o outro oferece na fita de Stevens. Possivelmente Mann não tinha o tino do Stevens para com estes momentos em seus filmes, que nos trnsmitiam ares de autencidade e violencia real em suas fitas.

    Ainda seguindo na linha onde o Ben tão bem se comportou, posso dizer que o Rock Hudson em Giante, ao lado de toda sua familia, tem comportamento bem parecido ao de Ben, só que este interpreta tudo sozinho em Shane.

    Aquela luta no restaurante é uma das melhores cenas que já vi no cinema, em se tratanto de combate corpo a corpo. Sei que já toquei neste assunto mais de uma vez. No entanto, como comparação entre diretores e atores, não custa nada repetir.

    Assim como as de Shane e Giante têm realismo, a de Mann peca pela falta deste, mesmo com Cooper se esforçando para dar autencidade à cena, conforme podemos observar em sua fisionomia atormentada, maltratada e dotada de um odio anormal.

    O que quer dizer que, Stevens sabia transmitir aos atores de como, o que queria, deveria ser coreografado. Porque, o comportamento de Lyz e de Baker no momento em que seu pai e esposo está perdendo a luta, tomando socos sobre socos, é um dos grandes instantes do cinema. Isso à independencia da fuga natural e assustada dos clientes, todos se esgueirando pelos cantos das paredes até desaparecerem do local da tormenta.
    Perfeita! Perfeitissima a cena, que a inda conta com a tangente fundamental do adversário de Hudson, que entoa uma qualidade a mais no combate.

    O DILATADO TRABALHO SEGUE NA PARTE 2, EM RAZÃO DA QUANTIDADE DE CARACTERES ACEITOS EM CADA COMENTÁRIO.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  8. PARTE 2;

    A irrascibilidade do diretor Ford não é um tema apenas decantado pelo que ocorreu com Johnson. A Ava Gardner mesmo o chamou de CAVALO durante as filmagens de Mogambo, mesmo depois reconhecendo que devia a ele sua performance na fita.

    Comportamento que eu não concordo em qualquer situação. Não se trata pessoas como animais apenas para que estes tenham um comportamento de gente numa filmagem ou em um afazer qualquer. Isso é absurdo, tirania e senso de superlatividade que abomino.

    Pessoas precisam ser tratadas como pessoas, como gente que são. Se com todas tivesse que ocorrer a habitual brutalidade do Sr. Ford (neste tópico com o Jhonson e a AVA), a Marilyn jamais conseguiria terminar uma fita, haja visto que ela era por demais dotada de defeitos pessoais, os quais ningúém conseguiu corrigir até o fim de sua carreira.

    Foi por uma atitude muito parecida com a do Sr. Todo Poderoso Ford, que Preminger, outro irracional, além de embirrar com a Marilyn em O Rio Das Almas Perdidas, quase a perde na fita, assim como seu emprego esteve a pique de dançar.

    E, o mesmo satânico Preminger, por sua natural intolerancia e senso superior, em outra fita (Alma em Pânico/52), recebeu uma boa porrada de Mitchum nas fuças, que o aquietou por todo o resto das filmagens, onde sua falta de critério ficou escondida em definitivo no bolso.

    Gente precisa e sente necessidade de ser tratada com tal. O contrário somente irrita a criatura e o faz sentir-se inferior quando, na verdade, todos são iguais, e a diferença estando apenas na posição social.

    Agora; Ben Jhonson coadjuvando Lex Barker é de lascar! Até que para com o Mahoney, que era muito mais ator que o paradão Barker, pode-se levar, mas...

    Enfim, depois de tantos faroestes, onde sua figura tinha uma presença muito natural, possivelmente por sua vida inteira dentro do ramo fora e nas telas, Johnson foi um heroi em vida e no cinema, onde sua imagem parecia se assemelhar aos tons das pradarias.

    Me desculpo pela longa escrita, porém a matéria regia comentário dilatado como ela própria o é. Isso além de eu ser por demais detalhista. Defeito de comentarista.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  9. Fiquei alguns dias sem acessar o "Cinewesternmania" e quando volto encontro essa pá de artigos de primeira.
    E depois do Pickens agora temos aqui Ben Johnson, outro cowboy legítimo que marcou uma série de faroestes importantes com sua imponente figura.
    Como sempre é um prazer ler textos como esse, que nos dão uma vontade enorme de ver, ou rever, certos atores e filmes.

    Obrigado de novo, Darci.
    E paro por aqui pois tem vários novos artigos para eu apreciar.

    Edson Paiva

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  10. Olá, Édson, o blog estava sentindo a sua falta, ainda mais porque a falange dos spaghettis espantou os fãs dos faroestes norte-americanos.
    Um abraço do Darci

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    1. Estava justamente lendo os novos comentários sobre a produção do "bang-bang macarronada", Darci. Uma discussão antiga essa, não? E sempre despertando paixões.
      Mas não foi isso que me espantou não. É que fiz uma espécie de "retiro de carnaval", em que fui prá Minas recarregar as baterias, meu caro.

      Mas meu sumiço o blog ficou mais movimentado que tiroteio de faroeste italiano. Daqueles que abordavam a revolução mexicana, com bandos de numerosos figurantes com sombrero caindo como moscas sob as balas dos mocinhos. Aliás, em faroestes italianos nunca apareciam índios. Mas como tinha mexicanos, não?

      Edson Paiva

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  11. Édson, a falange não vai ler esse seu comentário muito engraçado por aqui. Parece que fiquei sozinho na luta contra os fãs do western-polenta... e esse seu argumento eu vou usar, sem dúvida.
    Darci

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  12. SERIA BOM SE VOLTASSE ESTE FILMES DE FAROES
    TE

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