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23 de maio de 2011

CORREIO DO INFERNO, ESPLÊNDIDO WESTERN COM SUSAN HAYWARD


Henry Hathaway foi um dos grandes diretores de westerns e são muitos os magníficos faroestes que pontilham em sua longa carreira. Um deles é “Correio do Inferno” (Rawhide), de 1951, um perfeito clássico do gênero, ainda que pouco se fale dele. Filme conciso, intenso na sua ação e excepcionalmente bem interpretado, “Correio do Inferno” é exemplar na ambientação de um posto de troca das parelhas de cavalos das diligências e mais ainda na caracterização das personagens do Velho Oeste. O roteiro é de Dudley Nichols, bastante conhecido pelo screenplay de “No Tempo das Diligências” e por outras colaborações com John Ford. Se na obra-prima de 1939 (“Stagecoach”) os grandes espaços e as cenas de ação eram o ponto alto do filme, “Correio do Inferno” é quase claustrofóbico, dando ênfase especial aos personagens dessa pequena e emocionante história.

CORREIO DO TERROR - Quatro bandidos fugitivos de uma prisão - Zimmerman (Hugh Marlowe), Tevis (Jack Elam), Yancy (Dean Jagger) e Gratz (George Tobias) - dominam um posto intermediário de rota de diligências. Pretendem aguardar uma diligência que deverá chegar para fazer a troca das parelhas no dia seguinte. Permaneceu no posto aguardando embarque nessa diligência a Senhorita Vinnie Holt (Susan Hayward) que tem sob sua guarda um bebê, que é sua sobrinha e que tem pouco mais de um ano de idade, ensaiando ainda os primeiros passos. O líder do bando quer que tudo no posto pareça normal, mesmo assim o responsável pelo local, o velho Sam Todd (Edgar Buchanan) é morto pelo sanguinário Tevis. O sobrinho deste, Tom Owens (Tyrone Power) é mantido sob estreita vigilância. Tom, Vinnie e o bebê Callie (Judy Ann Dunn) ficam confinados a um quarto no posto. Durante as horas de espera as diferenças entre os bandidos se acentuam e alteram a situação quando Tevis mata Zimmerman e Gratz. Tom e Vinnie conseguem escapar e ocorre um inesperado desfecho quando Tevis ameaça o bebê e acaba morto por Vinnie. Quando a diligência do dia seguinte finalmente chega, a situação aparenta normalidade escondendo o horror vivido nas últimas 24 horas.

WESTERN SOBRE MALFEITORES - O que torna “Correio do Inferno” um western fascinante e diferente é a fragmentação do bando chefiado por Hugh Marlowe. De modo geral um bando de foras-da-lei é formado por um líder mais inteligente e os chefiados que lhe prestam irrestrita submissão. “Correio do Inferno” faz um estudo do caráter de alguns homens e das razões que os levaram ao crime. Marlowe foi condenado por haver cometido um crime passional, uma vez que matou a esposa e o amante dela. Jack Elam é um psicopata com desvios libidinosos. Dean Jagger é um arrependido ladrão de cavalos sem a maldade necessária para se tornar bandido. O fora-da-lei interpretado por George Tobias não é inteligente o suficiente para decidir seu destino, precisando de um líder para tutelar sua vida de fora-da-lei. Jack Elam não se conforma em ser humilhado por Marlowe que lhe impõe um comportamento que o impede de saciar seu sadismo e sua incontida sede de sexo, até que seu descontrole o leva a liquidar Marlowe. Elam é psicótico e também cínico, capaz de uma dura ironia contra Marlowe quando, ao manifestar seu interesse por Susan Hayward, diz a Marlowe que este não gosta de mulher e que ele gosta porque não tomou o remédio que Marlowe teria tomado, numa referência à traição da esposa deste. Dean Jagger é o bandido da alma boa e muito vaidoso, aprumando-se diante de um espelho e tentando calçar sapatos finos que não lhe cabem nos pés. Jagger é preso novamente depois de tentar fugir, mas Tyrone Power recomenda-lhe uma pena leve. Essa acurada análise de Dudley Nichols sobre malfeitores seria igualmente bem repetida em “O Homem do Oeste” (Man of the West), de Anthony Mann e em “Meu Ódio Será Sua Herança” (The Wild Bunch). Mas nenhum destes filmes têm Susan Hayward no elenco.

A FASCINANTE SUSAN HAYWARD - O rol das grandes atrizes norte-americanas tem em Susan Hayward um dos nomes mais brilhantes. Seus desempenhos dramáticos a alçaram àquele honroso panteão onde se encontram os maiores talentos femininos do cinema. Ver Susan atuar é motivo de enorme satisfação pois além de sua arte de intérprete, era ela uma belíssima mulher. Linda e sensual. Neste western, praticamente sem mostrar nada de seu corpo (há apenas uma rápida cena de banho), ela fascina o espectador masculino, assim como fascinou o personagem de Jack Elam. Tyrone Power pouco tem a fazer em “Correio do Inferno” pois seu personagem nada exige. Por outro lado dimensionam-se os personagens dos quatro bandidos propiciando a cada um deles ótimas interpretações. Excelente Dean Jagger como o bandido vaidoso. E o filme tem Jack Elam! Certamente Henry Hathaway percebeu o grande potencial artístico do ainda esquálido Jack Elam, em início de carreira. Mas sua incrível interpretação como o sádico facínora Tevis em “Correio do Inferno” pouco ajudou em sua carreira pois Jack Elam teria de esperar muitos anos ainda até ser descoberto como o ator excelente que foi. Não por acaso Sergio Leone o homenagearia com o célebre início de “Era uma Vez No Oeste”. Deve ser ressaltado o trabalho de Henry Hathaway com o bebê, algo jamais visto no cinema, especialmente em um western. Acredito que ninguém jamais tenha perguntado a Hathaway qual a técnica por ele utilizada para extrair de um bebê de pouco mais de um ano uma “atuação” tão perfeita. E Hathaway por certo exagerou, especialmente na cena em que Jack Elam alveja a criança e os tiros de festim espocam a centímetros dela, assustando-a. Essa sequência levou à proibição do filme em alguns países como a Finlândia, onde “Correio do Inferno” foi simplesmente banido. No elenco, em papéis menores estão James Millican e Jeff Corey.

HATHAWAY, DIRETOR DE WESTERNS CLÁSSICOS - Filmado em Lone Pine, “Correio do Inferno” reafirma a competência de Henry Hathaway na direção de westerns. Hathaway começou sua carreira como diretor, nos anos 30, dirigindo uma série de westerns estrelados por Randolph Scott. Retornou ao western com “Correio do Inferno” e enriqueceu o gênero com “Jardim do Pecado”, “Caçada Humana”, “Fúria no Alaska”, “A Conquista do Oeste” (Hathaway dirigiu a maior parte do filme), “Os Filhos de Katie Elder” e “Bravura Indômita”. Hathaway merece ser lembrado como um dos grandes diretores do faroeste. Para quem ainda tiver dúvidas, assista “Correio do Inferno”, assuste-se com Jack Elam e fique fascinado com Susan Hayward.




3 comentários:

  1. Gosto muito desse western. Como sempre, a Susan se destaca, não é só adorno.

    O Falcão Maltês

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  2. Podem haver duas Rainhas do Western? sempre contei com Barbara Stanwyck para este título, mas cá entre nós, Susan também não fica atras. Ela era ótima.

    Paulo Néry

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  3. Um dos grandes clássicos do cinema,assisti à essa película no auge de meus 13 anos,nunca a esqueci,quero saber como adduirir um DVD do mesmo.

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