UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

15 de abril de 2011

"O PEQUENO SHERIFF" VIVE UMA AVENTURA CINEMATOGRÁFICA

Aquela pequena revista de faroeste cujo herói era ainda um adolescente, conseguiu uma extraordinária empatia entre os leitores. Tinha o menor preço entre as congêneres, o que também ajudou a conquistar um incontável número de leitores que semanalmente disputavam nas bancas o último número de O Pequeno Sheriff. Era, sem dúvida o maior sucesso entre os gibis de pequeno formato e igual periodicidade, como Xuxá e Júnior. Editado pela Casa Editora Vecchi, do Rio de Janeiro, desde seu lançamento, em 12 de janeiro de 1950, O Pequeno Sheriff conquistou seus fiéis admiradores, até que no início de 1957 mudou de formato, perdeu o charme, as vendas despencaram e, finalmente, desapareceu em 1958, deixando enorme saudade. A razão do êxito desse gibi certamente não pode ser atribuída ao sofrível desenho de Dino Zuffi, mas sim aos argumentos de Tristano Torelli e Giana Anguissola, que contribuíram decisivamente para que, por mais de quatrocentas semanas, os leitores aguardassem avidamente os capítulos seguintes, como faziam com os seriados do cinema que, àquela época, começavam a ser apenas uma doce lembrança da infância. Diferentemente da imensa maioria das histórias de faroeste dos quadrinhos, que eram rotineiras e previsíveis, as aventuras do jovem Kit Hodgkin (o pequeno sheriff da cidade de Prairie Town) surpreendiam por apresentar roteiros sempre renovados e interessantes, que fascinavam os guris daquele tempo. Mesmo hoje, a qualidade dessas histórias pode ser percebida pelo mais exigente dos leitores.

EU CONHEÇO ESSA HISTÓRIA...

Em 1953 André De Toth dirigiu o western “O Sabre e a Flecha” (The Sabre and the Arrow / The Last of Comanches), estrelado por Broderick Crawford. Quem reteve na memória algumas das melhores histórias de O Pequeno Sheriff certamente vai lembrar que em uma delas o argumento é idêntico ao do faroeste do húngaro De Toth. E foi justamente aquela publicada nos números 104 a 108, que foram às bancas nas semanas de 28/4 a 26/5 em 1955, já na 2.ª série do gibizinho. Um rápido exame nas edições citadas demonstra que a aventura não é nem igual, nem parecida com a do filme, mas simplesmente é a mesma história, em claríssimo plágio. Está certo que o roteiro de Kenneth Gamet, feito para o filme, não incluía a figura de nenhum pequeno sheriff, mas continha todas as situações e personagens que estão nas páginas das citadas edições, ou seja: a cidade dizimada, o encontro do sargento e os soldados sobreviventes com a diligência, os civis, a mocinha, o indiozinho, o traficante de armas, o deserto, a perda da água, o poço seco na velha missão abandonada, os índios ferozes e seus ataques e a chegada salvadora da Cavalaria. Tudo devidamente adaptado para que o pequeno sheriff Kit Hodgkin e sua namoradinha Flozzy participassem da trama, cujas ilustrações lembram com exatidão tudo que há no filme, desde os cenários, até as características dos personagens.

Reler outras aventuras de O Pequeno Sheriff fatalmente ocasionará a descoberta de novas ‘coincidências’, ou seja, encontrar roteiros já levados ao cinema em outros faroestes. Como se sabe, os italianos são os maiores fãs do western norte-americano, fato comprovado com as imitações no cinema e nos quadrinhos e que, mais que imitações, podem ser interpretadas como homenagem a esse mítico gênero cinematográfico. Além disso, o próprio “O Sabre e a Flecha” tem argumento idêntico ao do filme “Sahara”, de Zoltan Korda, de 1943, estrelado por Humphrey Bogart, Dan Duryea e Lloyd Brides. E não é que “Sahara”, por sua vez, reproduzia a mesma história de “A Patrulha Perdida”, clássica aventura dirigida por John Ford em 1935, com Boris Karloff e Victor McLaglen comandando o elenco! Essa constante refilmagem prova que no cinema (assim como nos quadrinhos), pouco se cria e muito se copia... Abaixo o final das histórias, em O Pequeno Sheriff e no filme de André De Toth.




4 comentários:

  1. Realmente meu caro eu que o diga, pois tenho uma ceeta vicencia de filmes, por ter acompanhado desde 1948 os grandes filkmes e seriados nas matinés dos cinemas aqui de Recife. Ja em 1952 com o surgimento da revista O PEQUENO SHERIFF, fui começando a colecionar, poiis sempre gosteide coleciona esse tipo de revista; inclusive XUXÁ, e uma outra chamada JUNIOR. UMA COINCIDENCIA: AGORA PELA MANHÃ MEDEUNA TELA DE EU VER ALUNS NUMEROS DO PEQUENO SHERIFF, e EIS QUE VI SUA REPORTAGEM., Por esse motivo estou aqui pra lhe dizer que ainda guardo com muito cuidado e lembrança vários numeros do PEQUENO SHERIFF na ordem de mais ou menos uns 200 numeros. Isso desde 1952 e as revistas continuam direitas, com muito cuidado. Apenas um ou outro capitulo, quetem algumas vbesteirinhas ,como: uma capa rasgada no meio, um outro faltando a capa principalmente essas coisas, mais isso se deve ao tempo que venho guardando. Tambem depois de tantos anos, vejo que esta me faltando aqui ou ali uma ou outrra revista,que não sei como desapareeeu. . Por acaso encontrei no Mercado Livre, só que o preço esta um pouco salgado. Ha 10,00 reais cada episodio. mais tudo bem . Foibom savber queainda rtem pessoas com lembraças dsaqueles tempos. Hoje,estou com 76 anos e nãoseionde isso vai para com tanta revista em casa e vendo a hora passar semsavbe oque vcaida isso no futuro. Tenha um bom fim desemana.

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  2. Olá, amigo fã do Pequeno Sheriff
    Peço-lhe que entre em contato comigo pois somos dois a ter boas recordações dessa revistinha tão menosprezada pelos grandes colecionadores. Meu e-mail é: darci.fonseca@yahoo.com.br
    Se achar melhor deixe seu e-mail aqui nos comentários.
    Um abraço do Kit Hodgin (Darci Fonseca)

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  3. Esta história em quadrinhos marcou minha infância, quando morava em Jaguaquara, BA, e comprava no jornaleiro que passava no trem da Estrada de Ferro de Nazaré. Hoje, descansando por volta das 11 horas, nesta fase de minha vida, depois que completei 80 anos, lembrei-me revistinha e descobri que era italiana (eles tinham mesmo que inventarem o Western Spaghetti), levantei-me e vim dar uma olha e topei com você. arakenvaz@g-mail.com Saudações.

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  4. Os gibis eram os celulares que embalavam nossos sonhos...
    Saudades do Fantasma...

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