UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

24 de abril de 2011

GEORGE SHERMAN E DUKE, O GRANDÃO DE BOM CORAÇÃO


Doc Barretti, o fundador do clube paulistano que congrega os amigos do western, certa vez indicou “Jake, o Grandão” como um dos faroestes de John Wayne que ele mais admirava. Doc Barretti começou a ver filmes nos anos 30 e tornou-se fã do Duke vendo a série de B-Westerns “Os Três Mosqueteiros”, na qual John Wayne herdou o papel do Mesquiteer Stony Brooke, antes interpretado por Robert Livingstone. O diretor da grande maioria de filmes dessa série chamava-se George Sherman, novaiorquino nascido em 1908. Quando John Wayne passou para os filmes A, depois de seu encontro com John Ford em “No Tempo das Diligências”, Sherman continuou fazendo B-Westerns, alguns deles lembrados entre os melhores de todos os tempos, como “Mexicali Rose” (com Gene Autry e Noah Beery), 1939 e “The Tulsa Kid” (com Don Red Barry e Noah Beery), 1940. No final dos anos 40 George Sherman passou a dirigir filmes de melhor orçamento e assim como havia sido um prolífico diretor de B-Westerns, na Republic Pictures, Sherman prosseguiu incansavelmente na direção de policiais, capa-e-espadas e, claro, westerns, a sua especialidade. Nos anos 50 Sherman dirigiu muitos westerns e entre os mais conhecidos estão “A Revolta dos Pele Vermelhas” (Battle at the Apache Pass), com Jeff Chandler; “Coração Selvagem” (Tomahawk), e “Na Sombra do Disfarce” (The Lone Hand), ambos com Joel McCrea; “O Tesouro de Pancho Villa” (The Treasure of Pancho Villa), com Rory Calhoun; “O Grande Guerreiro” (Chief Crazy Horse), com Victor Mature; e um dos melhores westerns de Audie Murphy, intitulado “Com o Dedo no Gatilho” (Hell Bent for Leather). Sherman dirigiu outros gêneros de filmes e um de seus trabalhos mais conhecidos e bem produzidos foi “Contra Todas as Bandeiras” (Against All Flags), estrelado por Errol Flynn.

Nos anos 60 Sherman diminuiu consideravelmente seu ritmo de trabalho no cinema, mal dirigindo um filme por ano, ele que nos áureos tempos da Republic Pictures dirigia a média de dez westerns por ano e na década de 50 teve média de três a quatro filmes dirigidos anualmente. Com mais de 50 anos de idade Sherman passou a dirigir séries de TV como “Cidade Nua”, “Rota 66” e “Daniel Boone”. Conseguiu voltar ao cinema dirigindo dois longa-metragens estrelado por Fess Parker como o pioneiro Daniel Boone. Dirigiu ainda a biografia do Robin Hood mexicano, protagonizado por Jeffrey Hunter, em “Joaquin Murieta”. George Sherman emprestou então sua experiência para o cinema espanhol dirigindo a estrelinha Marisol em “A Nova Cinderela” (La Nueva Cenicienta) e em “Busqueme a esa Chica”. Antes que alguém estranhe, vale lembrar que até nosso querido Anselmo Duarte atuou em "Um Raio de Luz", filme da menina loura espanhola que desfrutava de prestígio igual ao do Pequeno Rouxinol Joselito. Parecia o fim da carreira do competente George Sherman. Mas não era porque John Wayne reservara para ele uma agradável surpresa quando, em 1970, o convidou para dirigir “Jake, o Grandão" (Big Jake), produção da Batjac de John Wayne. Aos 61 anos, dois a menos que o Duke, Sherman, os atores e a equipe técnica foram para Durango (México), locação para “Jake, o Grandão”. George Sherman dirigiu parte do filme, até adoecer e quem assumiu a direção e concluiu o western foi John Wayne, que em respeito ao amigo preferiu não ter crédito como co-diretor. Esse foi o último filme dirigido pelo veterano George Sherman, de quem Big John Wayne nunca esqueceu, prestando-lhe uma bela homenagem com a direção de “Big Jake”. John Wayne, o Grandão de bom coração.

5 comentários:

  1. De todos os filmes vistos por mim e que foram dirigidos por Sherman (um bom diretor), Jack o Grandão foi o melhor deles.
    Bom conhecer seu rosto, que julgava de outra forma, e saber que ele e Duke eram tão grandes amigos.
    Não fica muito distante de se reconhecer que a fita fora criada para atender aos cliches preferidos de Wayne, por conseguinte, produzido por sua produtora. Ele faz o que mais gosta de fazer em seus faroestes, ou seja; ter situações hiláricas com alguém, a quem esmurra e esta se esparrama por terra, revertendo a cena bruta num momento hilárico. E faz isto com seu filho Pat Wayne, um ator de bons recursos técnicos e com a cara do pai em sua juventude.
    Para complementar e engrandecer mais a fita, ele volta a trabalhar com Maureen O'Hara, com quem já fizera antes, se não esqueço algum, mais tres ou quatro filmes. E sempre se dando muito bem com a mesma, parecendo haver uma boa quimica entre eles. Para rechear mais ainda a excelente fita, ele põe o perfeito vilão para enfrentar, Richard Boone, que imprimi à parte ruim do filme um perfil mais dolorido ainda.
    Enfim. um belo filme, bem dirigido (desconhecia também a mão de Wayne nele), bem interpretado e filmado num cenário espetacular, como muitas outras produções encabeçada pelo fantastico Duke.( vide Justiceiro Implacável, Bravura Indomita, Ruria no Alaska, dentre outras tantas).
    jurandir_lima@bol.com.br

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  2. Vou aproveitar a foto de G Roland para por um pouco de lembrança em sua imagem, nascida muito na minha infancia.
    Vi esta boa figura pela primeira vez em Bandido, com Robert Mitchum. Depois em Rochedos da morte, ao lado de Robert Wagner.
    Um perfeito latino vindo ao mundo com todas as caracteristicas para interpretar vilões.
    Um sujeito simpático, de riso fácil e agradável, com um bom talento e um biotipo de invejar a muitos atores. Tinha o hábito de dar conta de todos os recados que lhes impunham. E o que é melhor, de dá-los muito bem.
    Recordo dele em Cavalgada para o inferno, onde o ator principal era o ex-duble e tarzan Jock Mahoney. Um faroeste médio, porém enlevado pela interpretação correta deste magnifico ator.
    Posso igualá-lo em carisma a Ernest Borgnine. Foram atores que nos deixaram, mas que nos deram muito de seu talento em tardes de prazer e muita alegria naqueles cineminhas quentes de bairro.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  3. Falando do Gilbert Rolan e completando o que nosso amigo Jurandir disse, também adoro suas interpretações, no filme "Almas em Fúria" com a Bárbara Stanwick foi a primeira vez que o ví e desde então tudo que posso ver com ele me encanta.
    Um grande ator mexicano que eu fiz questão de pesquisar a vida , e soube que foi casado com a Constance Bennett ( irmã de Joan). Pena que embora tenham tido filhos tenham vivido casados pouco mais de 4 anos.
    Considero-o além de excelente ator, muito sexy, charmoso. Qualquer filme que tenha ele vale ser visto.
    :)

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  4. Olá, Darci!
    Que bela atitude de John Wayne em relação ao diretor e amigo George Sherman, que, assim como Henry King, viveu mais exatos 20 anos após dirigir seu último filme.
    Um abraço!

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  5. E que bom saber que "Jake Grandão" recebeu a honrosa admiração de ninguém menos que Doc Barretti. Sherman e Wayne certamente ficaram orgulhosos. O homem tem bom gosto!

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