UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

25 de abril de 2011

JOHN WAYNE E SEUS FILHOS NO CINEMA


John Wayne era um homem muito poderoso em Hollywood. E com todo aquele poder podia até se dar ao direito de fazer uso de nepotismo no cinema, que a bem da verdade, não foi ele quem inventou. Mas se não inventou, o Duke aperfeiçoou o nepotismo no faroeste. Tudo começou em “Rio Grande”, quando o diretor John Ford permitiu que um garoto de 10 anos chamado Patrick, filho do astro e amigo John Wayne aparecesse naquele que foi o terceiro western da trilogia do Pappy sobre a Cavalaria. Como Ford e Wayne eram praticamente compadres, o adolescente Patrick fez pontas em “Depois do Vendaval”, “O Sol Brilha na Imensidão” e “Mister Roberts” (Ford dirigiu parte do filme), dirigidos por Ford e também em “Sangue de Bárbaros” (The Conqueror). Em “Depois do Vendaval”, todos os filhos de John Wayne estão na cena da corrida de cavalos: Michael Morrison, Tony (Maria Antonia Morrison), Patrick Wayne e Melissa Ann Morrison. Em 1955, aos 16 anos, Patrick Wayne fez uma participação totalmente dispensável em, “Rastros de Ódio”, interpretando o Lt. Greenhill, sob o olhar orgulhoso do pai que interpretava o errante Ethan Edwards nesse grande western. A partir daí Patrick se soltou um pouco na carreira de ator, mas em 1959 estava filmando novamente sob a direção do papai Wayne em “O Álamo”, por ele dirigido. Nesse épico sobre os 13 dias de glória do bravo grupo de homens que defendeu o Texas, John Wayne estendeu o nepotismo a suas filhas Aissa, então com quatro aninhos, e Tony, então com 23 anos. “O Álamo” foi um filme realizado pela Batjac, produtora de John Wayne, o que quer dizer que era ele quem mandava em tudo e para ajudá-lo trouxe seu filho mais velho, Michael Anthony Morrison que atuou como produtor e primeiro assistente de direção. Ninguém poderia contrariar o dono de “O Álamo” que por pouco não colocava toda a família em seu filme.

O nepotismo de John Wayne procurava impulsionar a carreira do filho Patrick que apareceu sucessivamente em “Os Comancheiros”, “Quando um Homem é Homem”, “O Aventureiro do Pacífico” e “Crepúsculo de uma Raça”, ou seja filmes em que o paizão atuava, os dois últimos dirigidos pelo ‘titio’ John Ford. Para selar sua amizade com John Wayne, Andrew V. McLaglen deu a Patrick Wayne um bom papel em “Shenandoah”. John Wayne produziu e dirigiu “Os Boinas Verdes” e aproveitou para vestir Patrick como soldado do exército norte-americano e o colocou nessa espécie de tropa de elite das forças de Tio Sam na na sua versão da guerra do Vietnã. Quando não atuava em filmes com John Wayne, Patrick só conseguia trabalho em séries da televisão, até que em 1970 John Wayne produziu “Jake, o Grandão”. Wayne não teve dúvidas e promoveu a gloriosa estréia de seu filho caçula, John Ethan Wayne no cinema, aos oito anos, já que Ethan nascera em 1962 e recebera na pia batismal o nome da maior personagem vivida por John Wayne nas telas: Ethan. Produzido pela Batjac, o produtor de “Jake o Grandão” só poderia ser Michael, o filho mais velho do Duke. E Patrick teve também uma participação destacada nesse western que acabou sendo outra clara evidência que John Wayne acreditava no dito popular que “Família que trabalha unida permanece unida”. Como produtor Michael não teve carreira muito notável, assim como Patrick e Ethan que insistiram na profissão de ator, mas em nada lembrando a extraordinária vida artística de John Wayne. A filha caçula do Duke, Marisa, nascida em 1966 foi a única, entre seus sete filhos, a não ser encaminhada para o cinema. E John Wayne sabia o que estava fazendo com seu indisfarçado nepotismo pois, como ator, acumulou razoável fortuna e legou aos filhos um espólio que seguramente lhes permitiu viver longe da pobreza até os dias de hoje.

Os filhos de John Wayne em épocas diferentes: acima com o pai e Gene Autry
estão Tony, Melissa, Patrick e Michael. abaixo por ocasião do lançamento do
selo com a estampa de John Wayne aparecem Patrick, Marisa, Ethan, Aissa
e Melinda. (O senhor grisalho é da comissão que elaborou a homenagem)

2 comentários:

  1. Perfeito o comportamento do Duke, procurando dar caminhos à sua prole. Um bom ator, um excelente amigo e um cawboy sem igual, entre outros bons adjetivos, não poderia ser um pai sem qualidade. Fez o que um genitor de verdade deve fazer por aqueles que põe no mundo.
    Não recordo do Patrick, seu filho mais atuante no cinema, no filme Sangue de Herois. Acho que precisarei reve-lo para localizar o Dukinho.
    Porém, lembro dele a partir de Rastros de Òdio, principalmente o momento da cena da espada que Patrick carregava com o Ward Bond vociferando para ele tomar cuidado com aquilo. Mais uma cena hilariante, como as costumeiras que John Ford punha em seus faroestes.
    Por outro lado desconhecia ainda a numerosa familia do Duke, apenas tendo conhecimento do Patrick. Uma bela noticia para seus fãs, que o colocam ainda mais alto nos seus conceitos, a partir do momento em que somos pais, que zelamos por nossos filhos e ficamos sabendo que nosso grande herói era um homem também com pensamentos e atitudes semelhantes às nossas.
    jurandir_lima@bol.com.br

    ResponderExcluir
  2. No caso de patrick wayne foi merecido era bonito e tinha um pouco de talento e acho muito legal que tenha se dado bem com o pai já que em hollywood a maioria dos pais e filhos vivem em conflito.

    ResponderExcluir