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14 de fevereiro de 2011

WARD BOND MORDIDO EM "CARAVANA DE BRAVOS"

Ward Bond separa os briguentos e Jane Darwell examina o estrago...

“Caravana de Bravos” (Wagon Master) era o western preferido de John Ford. E é um dos mais singelos e poéticos dos faroestes dirigidos pelo Mestre. Rodado em 1949, não foi concebido para ser um retumbante sucesso, tanto que não tinha nenhum nome estelar num elenco que contava com quase toda Ford Stock Company, grupo de atores e técnicos que sempre participavam dos filmes do Velho Jack. Entre esses nomes, é claro, estava Wardell Edwin (Ward) Bond, o preferido entre todos para Ford descarregar sua ira quando algo dava errado nas filmagens ou ainda a vítima preferida também para 'Pappy' endereçar sua sarcásticas ‘brincadeiras’. “Caravana de Bravos” teve uma perfeita reconstituição da difícil vida dos desbravadores do Velho Oeste, inclusive com muitos cães acompanhando as caravanas e descansando nos acampamentos. Havia dois desses cães que não se entendiam muito bem e a todo momento se atracavam em violentas brigas. Numa cena do filme ‘Sandy’ (Harry Carey Jr.) se engalfinha com ‘Jackson’ (Chuck Hayward) e os dois cães briguentos vendo a confusão correram para o local. ‘Wiggs’ (Ward Bond) deveria entrar e apartar a briga, mas exatamente nesse momento um dos nervosos cães decidiu morder a perna de Ward Bond. John Ford percebeu mas não se incomodou com a dor que o ator devia estar passando e filmou tudo, inclusive o cachorro rasgando uma das pernas da calça de Ward Bond, cuja panturrilha mostrava as marcas da dentada. Depois de gritar “corta!” e antes que Bond esbravejasse, Ford o cumprimentou pelo realismo da cena e por ele ter se portado como verdadeiro ator... Se fosse para reclamar, Harry Carey Jr. e Chuck Roberson também teriam até mais direito, pois Ward Bond, para separá-los, os agarrou violentamente pelos cabelos, o que deve ter doído mais ainda que a mordida que levou do raivoso cachorro. “Caravana de Bravos” é uma filme que se assiste com enorme prazer pois tudo nele é enternecedor. E as tocantes canções de Stan Jones completam esse belo Western que só mesmo John Ford seria capaz de fazer.

Um comentário:

  1. Foi, principalmente, sob a batuta de John Ford, (acho que, como falou o Darci, fazia parte da troupe do diretor, pois fez com o mesmo mais de 10 fitas) que vi as grandes virtudes deste ator de mão cheia. Com seu ar e sotaque resvalando entre a seriedade e a hilariedade, o velho Bond (grande amigo de Duke e que viveu apenas 57 anos) nos presenteou com bons momentos nos filmes em que atuou. Ótimo em Rastros de òdio, no papel do incorruptivel xerife que vive no rastro de Wayne, tb muito bom e sério homem da lei em Johnny Guitar, de Nicholas Ray/54, perfeito em O Ceu Mandou Alguem, e sempre cumprindo sua missão de bom ator e com bons papeis em mais; Paixão dos Fortes, Aconteceu naquela noite, Onde começa o Inferno, de Hawks, em Mr. Roberts, uma comédia gostosissima com Fonda, Cagney e Lemmon, A Felicidade não se Compra, Depois do Vendaval, Em Sangue de Herois, novamente ao lado do Duke. Esta fita eu vi a primeira vez com o título de Forte Apache. E o Bond nos deliciou em muitos outros mais bons filmes.
    Quanto sentimento me bate, amigos! A vida é tirana, hostil, imperdoável. Não apenas conosco, mas com nossos herois ela também pega muito seguro e forte. E este arrasto deles de nosso meio que ela faz, os tirando do nossos dia a dia, nos machuca por demais, abrindo constantemente mais e mais crateras em nossos já bastante sofridos corações.
    jurandir_lima@bol.com.br

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