UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

18 de outubro de 2011

A UM PASSO DA MORTE (The Indian Fighter), HISTÓRIA DE AMOR A CAMINHO DO OREGON


Kirk Douglas, a exemplo de Burt Lancaster, decidiu no início dos anos 50 criar sua própria produtora – a Bryna Productions – passando a fazer os filmes que queria e do jeito que queria. A primeira produção de Douglas foi o western “A Um passo da Morte” (The Indian Fighter) e, ao contrário do que indica o título original, o personagem principal é um amigo dos índios, respeitador dos direitos dos indígenas e isento de quaisquer preconceitos. Kirk Douglas foi muito além do que se poderia esperar produzindo um filme ousado para aquele tempo pois “A Um Passo da Morte” conta uma história de amor entre um branco e uma índia, romance emoldurado pelas deslumbrantes paisagens da região de Bend, no Oregon.


A PAZ AMEAÇADA PELA COBIÇA - Baseado em uma história de Robert L. Richards e dos roteiristas Frank Davis e Ben Hecth, “A Um Passo da Morte” mostra uma caravana de pioneiros seguindo rumo ao Oregon. Johnny Hawks (Kirk Douglas) é o guia da caravana , escolhido por conhecer bem a região e principalmente os índios Sioux que em outros tempos ofereciam perigo aos brancos invasores das terras em que viviam. A paz no entanto será quebrada por Wes Todd (Walter Matthau) e Chivington (Lon Chaney Jr.) dois contrabandistas de uísque que sabem que há ouro na região e tencionam descobrir esse local. Os bandidos matam um índio e Wes Todd é capturado por Lobo Cinzento (Harry Landers). Johnny Hawks, no entanto, resgata o bandido prestes a ser morto na fogueira para levá-lo a julgamento pela justiça dos brancos. A amizade de Johnny Hawks com o chefe índio Nuvem Vermelha (Eduard Franz) fica comprometida justamente quando Hawks se enamora de Onahti (Elsa Martinelli), filha do cacique. Num momento em que Hawks está com Onahti o comboio é atacado e o guia é quase linchado pelos membros da caravana. Em seguida os Sioux atacam o forte e é Hawks quem consegue dialogar com Nuvem Vermelha entregando-lhe Wes Todd, que é morto, e fazendo a paz voltar.

Kirk heróico, energético e apaixonado
KIRK DOUGLAS EXAGE-RADAMENTE BOM - “A Um Passo da Morte” é um western bem intencionado porém inconvincente em seus pontos vitais que são o relacionamento dos brancos com os Sioux e o amor que nasce entre os personagens de Kirk Douglas e Elsa Martinelli. Dotado de muita coragem, integridade, inteligência e poder de persuasão incomuns, Johnny Hawks (Kirk Douglas) comete um único erro quando se afasta da caravana para um encontro amoroso com Onahti (Elsa Martinelli), erro justificado pelo amor interracial. E Hawks se redime em seguida ao liderar a defesa do forte atacado pelos Sioux colocando em situação de ilógica inferioridade o Capitão Trask (Walter Abel) comandante do forte. Quando as forças dos índios se mostram muito superiores é Hawks quem milagrosamente reverte a situação convencendo Nuvem Vermelha da inutilidade de novas guerras. Essa heróica trajetória possibilita a Kirk Douglas a criação daquele tipo de personagem que os norte-americanos gostam de chamar de ‘bigger than life’, ou seja, imbatível e capaz de tudo, composto sob medida para Kirk Douglas, não por acaso produtor do filme. Se André De Toth não conseguiu desenvolver convincentemente o personagem de Kirk Douglas, por outro lado realizou um filme excelente nas cenas de ação, especialmente o ataque dos índios ao forte com o uso estratégico de tochas incendiárias e carroças em chamas. E o próprio Kirk Douglas colabora decididamente para a qualidade das cenas de ação mostrando estar numa esplendorosa forma física, correndo e lutando com grande vigor, montando e cavalgando exuberantemente, tudo sem dublês.

Os bandidos: Walter Matthau e Lon
Chaney Jr; as mulheres apaixonadas:
Diana Douglas e Elsa Martinelli
ELENCO DESPERDIÇADO - Kirk Douglas conta que escolheu pessoalmente Elsa Martinelli para interpretar Onahti após vê-la numa foto de revista. Elsa aos 20 anos já era modelo das mais famosas e foi contratada pela Bryna deixando seu nome na história dos westerns pois pela primeira vez nesse gênero se vê a nudez possível para a época de uma índia e cenas do mais atrevido idílio, quase sempre passado nas águas transparentes dos riachos do Oregon. Em “A Um Passo da Morte” Elsa Martinelli pouco fala mas mostra muito dividindo com os belíssimos cenários naturais a atenção do espectador. Interessante que Kirk Douglas estava cercado neste filme pela ex-esposa, a atriz Diana Douglas que interpreta Susan Rogers, membro da caravana que segue para o Oregon, e ainda pela esposa belga Anne Buydens com quem havia se casado em 1954. Anne Buydens é creditada em “A Um Passo da Morte” como ‘casting supervisor’, seja lá o que isso for... E se Kirk Douglas brilha intensamente neste western o mesmo não pode ser dito do resto do elenco. Walter Matthau em seu primeiro filme, parece inteiramente deslocado e longe do incomum ator que se revelaria ser. Curiosamente o filme seguinte de Matthau seria outro western, “Homem Até o Fim” (The Kentuckian), tendo como ator-diretor Burt Lancaster. Walter Abel, Eduard Franz e Alan Hale Jr., têm participações apagadas enquanto Hank Worden foi transformado em um patético índio bêbado. Salvam o elenco de apoio Lon Chaney Jr., tristemente envelhecido aos 48 anos de idade, com ótima atuação e Elisha Cook Jr. bastante engraçado como o obcecado fotógrafo que tudo quer registrar com sua enorme câmera fotográfica.

FANTÁSTICO ATOR - Kirk Douglas, através da sua Bryna Productions, produziu filmes memoráveis como “Glória Feita de Sangue”, “Duelo de Titãs” (Last Train from Gun Hill) e “Spartacus”. Esta sua produção inicial foi o primeiro passo do futuro produtor importante que como ator é uma verdadeira lenda da Sétima Arte. Poucos atores podem se orgulhar de terem participado de tantos e tão bons filmes, especialmente os faroestes como ele. Kirk Douglas está prestes a completar 95 anos (em 9 de dezembro próximo) e assistir a seus filmes de ação é sempre uma alegria que leva àquela redundante conclusão: “Já não se faz mais atores como Kirk Douglas”.

Kirk Douglas e Elsa Martinelli nos aquáticos idílios amorosos

3 comentários:

  1. De fato, um desperdicio de elenco, salvando-se Elsa por sua beleza jovial, e a surpresa de Douglas ter dado a direção deste muito fraco filme para André de Toth. Surpresa mesmo, já que ele pouco dá de ineditismo ao filme, que rola com Douglas o salvando com seu fácil jogo de cintura e exibicionismo.
    Talvez até justifique o ator de cabelos de fogo ter dado a direção ao fraco Toth, pois assim ele deitaria e rolaria, como o fez, e sem existir forças com competencia e poder suficiente para lhe segurar o ardor de fazer e desfazer.
    A um Passo da Morte me lembra muito O Levante dos Apaches/52, de Sherman, quando o filme, mais que simplista, é salvo pela grandiosidade da fotografia a cores em cenários naturais de belezas raras.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  2. A Um Passo da Morte foi um filme bom, mas o que marcou para
    mim foi as cenas atrevidas de Kirk com a bela italiana Elza
    Martinelli rolando nas águas de um riacho. Tais cenas não eram
    muito comuns mesmo para os anos cinquenta, período que inicia
    grandes mudanças sociais.
    Sob Kirk Douglas considero o melhor desempenho de sua carreira
    no filme Sua Ultima Façanha, talvez apareça alguém que não
    considera este filme um western. No entanto na minha opinião tem tudo a ver com a vida do cawboy, que se sente tolhido pelo progresso que cerceia o que mais ele ama que é liberdade, cujo palco eram as grandes planícies do Velho Oeste. O filme demonstra também a forte ligação entre o cawboy e seu cavalo.
    Kirk Douglas fez neste filme um trabalho digno de um Oscar
    de Melhor Ator. Portanto Kirk foi mais injustiçado na longa
    lista do Oscar. Por esta e outras razões o simples fato de
    um ator ganhar um Oscar não quer dizer nada.

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    Respostas
    1. Jose Fernandes de Campos9 de novembro de 2012 19:18

      Gostei muito do seu breve comentário sobre o filme Sua Ultima façanha. Não chega a ser um western mas é. Realmente é um grande filme e o velho Douglas está excepcional. Até derepente

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