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16 de junho de 2011

"A GRANDE AUDÁCIA" (WAR ARROW) - ÍNDIOS CONTRA ÍNDIOS


Jeff Chandler já havia interpretado o índio Cochise nos westerns “Flechas de Fogo” (1950) e “A Revolta dos Pele-Vermelhas” (1952) quando passou para o lado da Cavalaria em “A Grande Audácia” (War Arrow), em 1953. Este western dirigido pelo veterano George Sherman foi outra produção norte-americana simpática aos índios, ainda que de forma prudente pois se há os seminoles como índios bons, os kiowas se encarregam de manter o triste estigma decretado pelo General Sheridan, autor da infeliz frase “índio bom é índio morto.” Além do excelente elenco o que torna “A Grande Audácia” importante é o nome do autor do roteiro, John Michael Hayes, autor dos roteiros de “Janela Indiscreta”, “Ladrão de casaca”, “O Terceiro Tiro” e “O Homem que Sabia Demais”, ou seja, alguns dos grandes thrillers de Hitchcock nos anos 50. E Hayes seguiu fazendo roteiros de alta qualidade, sendo um de seus últimos trabalhos o roteirista de “Nevada Smith”, com Steve McQueen. Porém “A Grande Audácia” acaba sendo um dos pontos mais baixos de sua carreira pois é um western apenas mediano.


ÍNDIOS PARCEIROS DA CAVALARIA – O Major Howell Brady (Jeff Chandler), é destacado para o Forte Clark que é comandado pelo Coronel Jackson Meade (John McIntire), oficial que não esconde seu ódio pelos peles-vermelha de qualquer tribo. No Forte reside Elaine Corwin (Maureen O’Hara), viúva do Capitão Corwin (Jim Bannon), dado como morto e carbonizado num ataque dos índios. Major Brady torna-se amigo de Maygro (Henry Brandon), chefe dos seminoles, ensinando-os nas táticas militares e uso de armas. A intenção do Major Brady é fazer com que os seminoles reforce o contingente da Cavalaria num iminente ataque dos kiowas liderados por Satanta (Jay Silverheels) ao Forte Clark. Satanta tem como aliado o Capitão Corwin que é um desertor. O Major Brady tem que vencer a resistência do inflexível Coronel Meade e ainda se decidir entre o amor de Elaine Corwin e da jovem índia Avis (Suzan Ball). Ao final, os kiowas são derrotados, o Capitão Corwin é morto, Avis volta para Pino (Dennis Weaver), seu namorado kiowa, o Coronel Jackson redime-se de sua conduta e o Major Brady fica com a (agora sim) bela viúva do Capitão Corwin. O tema central do roteiro procura demonstrar que, assim como os homens brancos, há também índios bons e índios maus. Porém é impossível levar a sério situação mais inverossímil e que não resiste minimamente ao rigor histórico. À parte dessa questão alguns diálogos beiram a estúpidez e são claramente descabidos, inclusive quando abre espaço para a trama amorosa que daria um toque romântico ao western.

CHAGA NORTE-AMERICANA - Um diretor competente é capaz de fazer um bom filme a partir de qualquer roteiro, mas “A Grande Audácia” não encontrou George Sherman num momento muito inspirado neste western da Universal Pictures quase inteiramente rodado em locações em Agoura, na Califórnia. Jeff Chandler é sempre correto, ainda que longe de ser um grande ator. Maureen O’Hara parece totalmente alheia ao filme enquanto Suzan Ball está excessiva em sua personagem. Bastante convincente na altivez e dignidade que confere a seu personagem é Henry Brandon, que mais tarde interpretaria o mais clássico índio já surgido nas telas, o Scar/Cicatriz de “Rastros de Ódio”. Ainda que haja boas cenas de ação, que é o forte de Sherman, com bom trabalho dos stuntmen, entre eles Richard Farnsworth, falta ritmo em “A Grande Audácia”. Tanto as situações românticas como as cômicas (com Noah Beery Jr.) estão sempre fora de lugar. e o melhor do filme é a disputa verbal entre Jeff Chandler e o sempre brilhante John McIntire. Os questionamentos do Major Brady (Chandler) colidem com o radicalismo do Coronel Meade (McIntire) expondo cruamente a secular chaga que determinou o extermínio das nações indígenas. Reside aí o momento maior de “A Grande Audácia”, o que é pouco para tantos talentos envolvidos nesta produção.


4 comentários:

  1. Recentemente baixei este filme no Blog Sofilmaços.
    Fiquei super feliz de poder ter este filme.
    Sou fã de Jeff Chandler, está entre os meus colecionáveis.
    Considero a parceria com Maureen O'Hara fantática e o filme muito bom e bem dirigido por George Sherman.
    Bons tempos em que se fazia cinema de verdade. Atores de primeira , um elenco que fascina pela simplicidade das atuações.
    "Índio bom é índio morto", triste esta frase e por anos a fio fiquei sempre torcendo pelos índios nos filmes.
    Boa matéria sobre este filme, adorei. :)

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  2. O mais engraçado de tudo é que a carreira de Jeff Chandler não foi lá tão dilatada (nos deixou em 61), e ele não fez, portanto, tantos filmes assim. Por esta maneira, em razão de sua filmografia ser meio podada, eu assisti a quase todos os filmes seus.
    Entretanto, nunca ouvi falar desta fita. E vou fazer como a siby13; vou baixá-lo para ver.
    Porém tem uma coisa; o Chandler nunca foi AQUELE ator. Mas fez, sim, muitos bons filmes. Epilogo de Uma Sentença, Na Encruzilhada dos Facinoras e A Soldo do Diabo, dentre alguns poucos mais, foram filmes de algum porte e muito bons de ver. Tem mais; ele fez um filme que muitos poucos falam dele e que eu credito como um dos seus mais sérios e bons filmes, que foi; Pilastras do Céu, de George Marshal, acho que de 1956. Uma fita que recomendo e que sei irão adorar, pela seriedade do tema e pela boa interpretação de Chandler.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  3. Cara Siby13,

    Vi seu comentário, quando disse ter visto A Grande Audácia no Sofilmalços. Achei bem vinda a idéia sua e tentei acessar o site. Mas não consegui ir a lugar algum.
    Agradeceria se a amiga me desse uma orientação de como obteve sucesso neste acesso.
    Fico no seu aguardo.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  4. Adquiri este DVD e o assisti de imediato. Mas a decepção foi enorme. Assisti a um filme sem qualquer qualidade, descartável e até decepcionante. Tudo nele é de uma negatividade terrivel.
    Posso estar errado e ter me envolvido muito com a má qualidade da copia que obtive mas, meu olho cinemaníaco me informa que, se me engano, engano pouco quanto a este filme.
    Vamos ver; George Sherman, um aceitável diretor, podia ter deixado este trabalho para um Ray Nazarro, um Leslie Fenton. Foi sempre um diretor razoável e esteve em seu ponto alto em Jack, o Grandão. Maureen O'Hara está transparente, magra, feia, perdida, sem falas e como se estivesse longe de seu patamar de interpretação. Nunca a vi tão ruim. E ela não é ruim, ele é ótima.
    John McIntire totalmente fora de sintonia. Acho que ele parecia não saber como interpretar seu papel, dado ao seu mal posicionamento, falas, atuação e papel. Nunca o vi assim! Completamente afastado e diferente do McIntire de O Homem dos Olhos Frios, A Estrela de Fogo e outros filmes mais onde esteve maravilhoso.
    Chandler? Bem; nada muito a se esperar dali. É aquele constante e eterno café com leite. Aceitável, dentro de suas parcas qualidades.
    Denis Weaver nem parece estar presente.
    A história se mostra falsa, desestimulante e ilógica, independente de quem fez o roteiro, que pode ter sido danificado pela direção abaixo do possível.
    Nunca vi coisa assim! Afinal, quem melhor se destaca no filme são os dois batedores que trabalham ao lado de Chandler.
    Até aquela india muito bonita, não se mostra segura no que diz ou como se comporta, alternando suas posições a todo momento sem uma lógica explicação. No fim, quando ela se abraça a Weaver, indagamos? Onde os dois começaram aquele romance,que na fita não se viu nada a respeito?
    Ademais, não há nada além para comentar sobre este pobre filme. Apenas um faroeste de classe C que somente fanáticos como nós, cinefilos doentes, assistimos pelo prazer de ver mais um western.
    jurandir_lima@bol.com.br

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