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6 de julho de 2013

AREIAS DO INFERNO (Southwest Passage) – ROD CAMERON É EDWARD FITZPATRICK BEALE


Acima Edward F. Beale trajado como
mexicano; abaixo Rod Cameron em
ação em "A Adaga de Salomão".
Curioso o fato de Edward Fitzpatrick Beale não ter despertado maior interesse do cinema norte-americano. Nascido em 1822, nos seus 71 anos de vida Beale foi General do Exército na Guerra contra o México, Oficial Naval, desbravador de terras, superintendente de assuntos indígenas, fazendeiro pioneiro da Califórnia e, no fim da vida, embaixador de seu país no Império Austro-Húngaro. Apelidado ‘Ned’ Beale, Edward Fitzpatrick foi homem de confiança dos presidentes norte-americanos Andrew Jackson, Abraham Lincoln e Ulysses S. Grant. O presidente Millard Filmore o nomeou Superintendente para Assuntos Indígenas na Califórnia e Nevada. O presidente James Buchanan fez dele o responsável pela implantação da importante ferrovia que ligaria o Novo México à Califórnia. Ao adquirir o Rancho Tejon, na Califórnia, Edward Fitzpatrick Beale se tornou o maior latifundiário norte-americano. Entre os amigos de ‘Ned’ Beale estiveram os lendários Kit Carson (Christopher Houston) e Buffalo Bill (William Frederick Cody). Enquanto Buffalo Bill foi vivido no cinema por atores como Paul Newman, Joel McCrea, Roy Rogers e Tom Tyler, entre outros, a figura de ‘Ned’ Beale foi levada ao cinema uma única vez e interpretada por Rod Cameron. Esse ator canadense de 1,96m de altura é mais lembrado por ter interpretado o herói Rex Bennett em “A Adaga de Salomão” (Secret Service in Darkest Africa), seriado da Republic Pictures que inspirou Steven Spielberg a criar seu Indiana Jones. E Rod Cameron é também citado sempre de forma jocosa como aquele ator que se divorciou da esposa para casar com a mãe dela, sua sogra. Mas Rod Cameron fez boa carreira no cinema, tanto como herói em dois seriados  ou como mocinho em muitos faroestes ‘B’, tendo ainda atuado na TV nos 40 anos em que esteve em atividade como ator.


A cáfila do Velho Oeste - Um dos mais conhecidos episódios da vida de Edward Fitzpatrick Beale foi quando incumbido pelo Governo Federal de descobrir um caminho mais curto entre Arkansas e o Novo México. Beale decide atravessar um deserto até então intransponível que já havia feito muitas vítimas. Para a empreitada Beale reuniu uma cáfila de 32 camelos pois sabia da resistência desse animal à seca do deserto e também da sua grande capacidade como animal de carga. A expedição foi chamada de ‘Camel Corps’ (Caravana de Camelos) e foi esse episódio que o roteirista Harry Essex adaptou para “Areias do Inferno” (Southwest Passage), faroeste dirigido por Ray Navarro em 1954. Navarro é um diretor conhecido pela série de faroestes 'Durango Kid' estrelada por Charles Starrett que dirigiu. Já Harry Essex  tem em seus créditos como roteirista, títulos como “O Monstro da Lagoa Negra”, “Os Quatro Desconhecidos” (Kansas Ciy Confidential), “Os filhos de Katie Elder” (John Wayne) e o western-spaghetti “Rápidos, Brutos e Mortais” (Anthony Quinn e Franco Nero).

Edward F. Patrick Beale (Rod Cameron) a camelo.
O visionário explorador norte-americano - Na adaptação do fato real para o cinema em “Areias do Inferno”, o roteirista Harry Essex introduziu o casal de foras-da-lei Clint McDonald (John Ireland) e Lilly (Joanne Dru), que se aproximam do visionário Edward Fitzpatrick Beale (Rod Cameron), líder da caravana cuja missão é atravessar um deserto e atingir a Califórnia. McDonald e Lilly acabaram de roubar um banco na cidade de Rio Gordo e McDonald se faz passar por um médico. Além dos carroções, cavalos, mulas e camelos, a caravana é composta também por um grupo de árabes recrutados por Beale. No caminho, além do calor inclemente e da falta d’água, a caravana tem de enfrentar bandidos que querem se apoderar do produto do roubo ao banco e com índios apaches. Impressionada com o caráter e honradez de Beale, Lilly se sente atraída por ele, o que provoca a ira de McDonald que, ao final, se redime salvando a caravana, devolvendo o dinheiro roubado e ficando com sua amada Lilly para iniciar nova vida na promissora Califórnia.

Lilly (Joanne Dru) experimentando o
teodolito de Beale (Rod Cameron).
Apaches e as estranhas divindades - “Areias do Inferno” foi filmado em 3.ª Dimensão e Pathecolor (um dos muitos processos criados para concorrer com o caríssimo Technicolor) e teve uma produção melhor elaborada que a média dos westerns ‘B’ dos anos 50. Contou ainda com Ray Nazarro em um de seus momentos de rara inspiração conduzindo a história de forma dinâmica. Para isso Nazarro contou com um ótimo elenco de apoio (John Dehner, Morris Ankrum, Guinn ‘Big Boy’ Williams), a excelente cinematografia de Sam Leavitt e o cenário da região de Kanab, em Utah. Um western em que o herói monta camelos e em que muçulmanos se agacham para reverenciar Maomé poderia parecer bizarro, o que não acontece em momento algum. O personagem 'Hi Jolly', interpretado por Mark Hanna, acompanhou de fato ‘Ned’ Beale em sua aventura com o ‘Camel Corps’ e no filme sofre nas mãos de Matt Carroll (John Dehner), que desrespeita sua cultura e credo. E há ainda um interessante episódio em que os apaches acreditam ser os camelos criaturas divinas, isto até descobrir um camelo morto, o que os libera para o ataque à caravana. Os camelos não chegam a demonstrar no filme a real superioridade sobre mulas e cavalos naquele tipo de região desértica. Isso certamente porque o destaque maior ficou para o triângulo amoroso entre Beale-Lilly-McDonald.

Joanne Dru e John Ireland;
abaixo Morris Ankrum.
Joanne Dru em outro western - Casados na vida real desde que se conheceram em “Rio Vermelho”, John Ireland e Joanne Dru formam um par convincente. Uma pena que o filme enverede para um final feliz, bem ao gosto dos estúdios, uma vez que as relações amorosas acabam sendo mais interessantes que a própria grande aventura de atravessar o deserto. Joanne Dru deve ser sempre lembrada como uma das principais atrizes de faroestes por suas excelentes criações como heroína dos inesquecíveis “Legião Invencível”, “Caravana de Bravos” (ambos de John Ford) e o já citado “Rio Vermelho” (de Howard Hawks). Mesmo bonita e delicada, Joanne Dru parece ser uma autêntica mulher do Velho Oeste. John Ireland, sempre à vontade em faroestes, é um daqueles atores que sempre deixam a impressão de que podiam ter chegado mais longe e se tornado grande astro. John Dehner é sempre melhor quando interpreta bandidos, como neste caso em “Areias do Inferno”. E num dos poucos momentos cômicos do filme Dehner (Carroll) ouve de Guinn ‘Big Boy’ Williams que “Quando se distribuiu cérebros no Tennessee você (Carroll) estava em New Orleans". Um dos pontos altos deste western é a pequena participação de Morris Ankrum como um médico alcoólatra. Rod Cameron é uma espécie de Randolph Scott menor, apesar de ser um gigante na altura. Mas este western merecia alguém ainda maior que Cameron.

Justiça a um personagem - “Areias do Inferno” poderia mesmo ter sido um filme de melhor expressão se produzido por um grande estúdio, como a figura de Edward Fitzpatrick Beale fazia (e faz) por merecer. “Areias do Inferno” com sua caravana faz lembrar John Ford e que filme teria sido com John Wayne, Gary Cooper, James Stewart ou Gregory Peck interpretando Beale. Quem sabe o cinema que mitoligizou Waytt Earp, Bat Masterson, Billy the Kid, Jesse James, Wild Bill Hickok e tantos outros personagens do Velho Oeste, ainda faça justiça ao homem dos camelos Edward Fitzpatrick Beale.

Painel explicativo sobre Edward Fitzpatrick Beale.


Joanne Dru em "Areias do Inferno".

Rod Cameron como agrimensor; John Ireland empunhando o revólver;
Joanne Dru e John Ireland; John Dehner.

Rod Cameron e John Ireland.

Um comentário:

  1. José Fernandes de Campos12 de julho de 2013 20:34

    è muito bom filme. John Ireland foi meu preferido vilão nas matines do cine palacio. Era um sr. vilão. O palacio de tres em tres meses fazia um especial (festival) de western com filmes da fox.era sensacional. Este foi umdos B que assisti. Me lembro que no dia seguinte passouO JARDIM DO PECADO e depois a obra prima WA|RLOCK ( que filmaço) Um abraço e atél derepente.

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