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26 de junho de 2013

ENNIO MORRICONE COMPÕE A MAIS SUBLIME CANÇÃO DE UM FAROESTE


“Era Uma Vez no Oeste” (Once Upon a Time in the West / C’Era Uma Volta Il West) é um majestoso faroeste dirigido por Sergio Leone. Muito da beleza visual desse filme deve-se ao maestro e compositor Ennio Morricone pois como é sabido, Leone pediu a Morricone que compusesse os temas musicais do filme, o que o compositor fez a partir da leitura do roteiro e de suas conversas com o diretor. Para as sequências e personagens principais, Morricone criou composições específicas e Leone executava essas peças durante as filmagens. Isso não só ajudou os atores, mas despertou nele, diretor, uma transcendente inspiração.

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Ennio Morricone e Sergio Leone
Em 1968 Ennio Morricone já havia criado admiráveis e inovadoras trilhas sonoras para westerns spaghettis. Nenhuma delas, porém, atingiu a perfeição das peças musicais composta para “Era Uma Vez no Oeste”, especialmente o tema principal que tem o mesmo título do filme. Outros temas de “Era Uma Vez no Oeste” tornaram-se clássicos como “Man With Harmonica”, “Farewell to Cheyenne” e “As a Judgement”, respectivamente compostos para os personagens Harmonica, Cheyenne e Frank. A alegre canção “Bad Orchestra” mostra uma indisfarçada influência de Henry Mancini, outro grande maestro compositor que fez trilhas imortais para o cinema. “Death Rattle” é o próprio macabro caminho sonoro trilhado pela Morte. E há ainda “The Transgression”, “The First Tavern” e “The Man”, completando os momentos escolhidos para compor o extraordinário álbum de “Era Uma Vez no Oeste”.  Ouve-se durante a sequência no rancho dos McBain a canção irlandesa “Danny Boy” interpretada por Simonetta Santaniello (Maureen no filme) que não faz parte do álbum.

Edda Dell'Orso, a magnífica soprano,
que colaborou com Ennio Morricone em
muitos trabalhos do maestro-compositor.
As peças musicais “A Dimly Lit Room” e “Jill’s America” reutilizam o tema principal criando atmosferas igualmente dramáticas. O tema principal de “Era Uma Vez no Oeste” tem duas versões. A primeira delas quando Jill (Claudia Cardinalle) chega à estação de Flagstone, executada pela orquestra regida por Morricone e contando com as vozes do Coral Alessandroni. A segunda versão é ouvida no Finale, com destaque para a voz da soprano Edda Dell’Orso. Ambas as versões são exuberantes, mas a voz de Edda Dell’Orso torna a canção ainda mais assombrosa e ao mesmo tempo lânguida e enternecedora. Edda Dell’Orso fazia parte do grupo I Cantori Moderni, criado por Alessandro Alessandroni e participou de muitos trabalhos de Ennio Morricone para o cinema, entre eles o filme “Três Homens em Conflito”. Nesse clássico western spaghetti de 1966 a voz de Edda é ouvida na sequência em que Tuco (Eli Wallach) procura desesperadamente pelo ouro enterrado num dos túmulos.

O coral I Cantori Moderni, de Alessandro Alessandroni, em 1964. Edda Dell'Orso
está no centro da foto, de vestido preto, com Alessandroni à sua esquerda.

Uma das mais belas páginas musicais do cinema, “Era Uma Vez no Oeste” foi ignorada pelo Oscar, em 1969, seja como trilha sonora musical ou como canção. Sobrevive, no entanto, esse trabalho do grande compositor Ennio Morricone aos tempos e mesmo ao gênero western, ao qual extrapola, convertendo-se num dos mais ricos momentos musicais criados para um filme.



8 comentários:

  1. Olá Darci
    Já comentei que (G)Ennio Morricone esgotou todos os adjetivos para qualificá-lo. Tem no currículo 500 ou mais trilhas sonoras entre filmes e televisão. Sempre achei o Morricone injustiçado pela academia. Recebeu uma Oscar de consolo pelo conjunto da obra entregue por Clint Eastwood em 1977("pelas suas magníficas e multifacetadas contribuições musicais ao cinema").
    Acho que isto tem uma relação com a ojeriza dos críticos ao spaghetti, ao western. Se detonaram o John Wayne, um símbolo americano, imagina este penetra do outro mundo.
    Acho que a academia de Hollywood, deu uma lição em Morricone, para nunca mais ele se meter com este negócio de spaghetti(rsrs).
    Abraço-Joailton

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  2. Darci,

    As duas últimas postagens colocam Era uma vez no Oeste em destaque. Leone e Morricone eram muito melhores que Batman e Robin. Já andei falando sobre ambos em outros posts do WCM e serei econômico. Em suma, um filme que nos dá muita informação (não no sentido comum em que se usa o termo) e, por isso, é meu favorito.

    Abraço!

    Vinícius Lemarc

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  3. Sempre quis conhecer o grupo I cantori moderni di Alessandroni desde que que vi essa rubrica, vamos dizer assim, no LP Bang Bang à italiana Vol. 3 de 1971- que eu comprei já tardiamente em 1980, aqui em minha cidade. Imaginava através das vozes do coral como seria os rostos dos participantes. Finalmente esse sonho está se realizando agora na foto do grupo postada acima. Nós fãs devemos agradecer ao Darci. Obrigado.

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  4. Grande Darci,
    Mais um grande Post! Parabéns pela homenagem a esse gênio da música. Morricone sem dúvida é um dos maiores compositores que o cinema já viu. É impossível não se emocionar com essa trilha aqui em destaque, do filme ERA UMA VEZ NO OESTE. Além dessa,gosto muito também da trilha de A MISSÃO, sempre estou com ela rodando em meu computador....

    Grande Abraço

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  5. Jefferson
    Quantas vezes você escutar, quantas vezes você se emociona com esse tema principal de Era Uma Vez no Oeste. A música conjugada com as imagens é uma das coisas mais bonitas que o cinema já proporcionou.
    Darci

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  6. José Fernandes de Campos5 de julho de 2013 16:33

    É uma das trilhas mais belas da história do cinema. Carrega o filme todo. Nas cenas paradas, você fecha os olhos e se deleita com a musica. Os filmes de Leone eram basicamente a musica do fenomenal Morricone. Quem não se emociona com a voz de Edda. Valeu o artigo. Quando tiveres tempo escreva sobre Hugo Montenegro que fez belas trilhas para o western italiano destacando TOMORROWS LOVE. Até derepente.

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  7. Meu jovem José Fernandes, o western de Leone seria bom até com a música de Montenegro que não era um Morricone. Leone foi gênio e teve o tino certo para encontrar outro gênio, o Morricone. Seus filmes tinham história, conteúdo e principalmente rigor formal que nenhum outro teve, isso é cada vez mais incontestável. Se tivesse vivo hoje continuaria espantando e influenciando, não e à toa que lamentaram tanto ele ter morrido apenas com 60 anos, porque sabiam que continuaria a romper com todos os limites. Não será estranho para mim se um dia disserem que foi o maior cineasta que já nasceu na Itália.

    Antonio Trocate

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  8. È musica para quem tem muito amor para dar.

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