UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

6 de junho de 2013

HISTÓRIAS DO ÁLAMO – A ACADEMIA VINGA-SE DE JOHN WAYNE


O mais cobiçado prêmio do cinema norte-americano é o Oscar, distribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com sede em Beverly Hills, Califórnia. Os membros da Academia são os responsáveis pela escolha dos premiados e nunca foram lá muito simpáticos com o gênero Western. Prova disso é que, ao longo dos 85 anos em que esse prêmio é distribuído (desde 1929), somente três faroestes foram premiados como Melhores Filmes do Ano. Foram eles: “Cimarron” (1930), “Dança com Lobos” (1990) e “Os Imperdoáveis” (1992). Na solenidade de entrega de 1961, referente aos filmes exibidos em 1960, um western obteve sete indicações, entre elas a de Melhor Filme. Esse western era “O Álamo”, dirigido e estrelado por John Wayne.

John F. Kennedy e Richard Nixon.
O grande reacionário - Se os membros da academia gostavam pouco de faroestes, em 1961 eles tiveram razões maiores para não premiar “O Álamo”. O contexto político da época mostrava o Partido Democrático no poder com a eleição de John F. Kennedy, em novembro de 1960. Kennedy venceu Richard Nixon num pleito acirradíssimo com porcentagens de votos de 49,7% para Kennedy e 49,6% para Nixon. Com Kennedy na Presidência os liberais, de modo geral, mostravam-se cada vez mais fortes, reivindicando e conquistando progressivamente direitos historicamente sonegados às diversas minorias. Enquanto Marlon Brando, Paul Newman, Burt Lancaster e até mesmo Charlton Heston lideravam passeatas por direitos humanos, John Wayne era visto, por suas posições políticas, como o grande reacionário do cinema. E a Academia tinha entre seus membros a chamada intelectualidade de Hollywood, a ‘esquerda’ política que representava um adversário para as intenções de John Wayne de ganhar prêmios com seu “O Álamo”.

Bette Davis, uma das candidatas a
Scarlett O'Hara.
O publicitário de “E o Vento Levou” - Há tempos havia-se concluído que o Oscar alavancava as bilheterias dos filmes e isso fazia com que as campanhas para tornar filmes e artistas vitoriosos na corrida por esse prêmio se tornassem rotina. “Ben-Hur” havia gasto uma fortuna em publicidade e arrematou nada menos que onze dos principais prêmios em 1960. John Wayne havia gasto todo dinheiro que tinha com “O Álamo”, sendo que seu filme, quando lançado em outubro de 1960, dividira as críticas. Apesar de ir bem nas bilheterias “O Álamo” estava longe de cobrir os 12 milhões de dólares gastos na produção. Wayne sentiu que era necessário fazer uma campanha para que seu filme tivesse o maior número de indicações possível para “O Álamo” arrecadar mais dentro e fora dos Estados Unidos. Para essa campanha Wayne contratou o publicitário Russell Birdwell, que já havia sido o responsável pela publicidade ‘normal’ do filme. A publicidade de “O Álamo” foi a maior até então feita para uma película. Russell Birdwell tornou-se uma lenda em Hollywood depois que inventou a famosa Escolha de Scarlett O’Hara, para “O Vento Levou”, criando uma expectativa inusitada na América para o filme de David O. Selznick. Birdwell foi também o responsável pela publicidade do filme "O Proscrito" com as famosas fotos de Jane Russell num celeiro, fotos que levaram muita gente a ver aquele western. Inteiramente descapitalizado, tendo de hipotecar a própria casa, John Wayne via no trabalho de Russell Birdwell a salvação financeira, já que não tinha mais onde pedir ajuda financeira e a própria United Artists se recusava a fazer novos gastos com “O Álamo”. Para ter algum dinheiro em sua conta bancária John Wayne foi para Tanzânia, na África, filmar “Hatari”, deixando sob a responsabilidade de Birdwell a criação da campanha de “O Álamo” visando a premiação da Academia na noite de 17 abril de 1961.

Russell Birdwell, o gênio do marketing cinematográfico que jogou
a Academia contra "O Álamo".

Duke, Dick e Laurence Harvey.
Primeira decepção de John Wayne - De início tudo parecia correr bem e os anúncios criados por Russell Birdwell sugeriam que “O Álamo” merecia concorrer às indicações nas seguintes categorias: Melhor Filme – Melhor Diretor – Melhor Ator (John Wayne, Richard Widmark e Laurence Harvey) – Melhor Ator Coadjuvante (Chill Wills) – Melhor Atriz Coadjuvante (Joan O’Brien) – Melhor Canção (“The Green Leaves of Summer”) – Melhor Trilha Sonora – Melhor Cinematografia em Cores – Melhor Edição – Melhor Direção de Arte em Cores – Melhor Vestuário (Costumes) em Cores – Melhores Efeitos Especiais – Melhor Som – Melhor Decoração de Set em Cores. Entre os contatos de Birdwell estavam as influentes colunistas Louella Parsons e Hedda Hopper e também William Randolph Hearst com sua cadeia de jornais espalhada por todo país. A campanha de Birdwell continuou com notas sobre o filme plantadas diariamente na grande imprensa e com anúncios de página inteira nos órgãos especializados como “The Hollywood Reporter” e “Variety”. Em 27 de fevereiro foi publicada a lista das indicações, decepcionando John Wayne, que ainda estava na África. “O Álamo” recebeu apenas sete indicações: Melhor Filme – Melhor Ator Coadjuvante (Chill Wills) – Melhor Cinematografia em Cores – Melhor Edição – Melhor Canção – Melhor Trilha Sonora – Melhor Som. John Wayne comentou que não entendia como seu filme não obtivera indicações para Melhor Roteiro, Melhor Ator e Melhor Diretor, prêmios mais cobiçados depois de Melhor Filme. O cenário do Oscar tornava-se tão sombrio para “O Álamo” quanto o próprio cerco da missão espanhola em ruínas.

Kirk Douglas, Jean Simmons, Tony Curtis e John
Ireland, parte do grande elenco de "Spartacus".
“O Álamo” vs. “Spartacus” - Todos acreditavam que a disputa pelos prêmios mais importantes ficasse entre “O Álamo” e “Spartacus”, ambas superproduções com tendências políticas. Kirk Douglas trouxera de volta a Hollywood para escrever o roteiro de "Spartacus" o escritor e roteirista Dalton Trumbo, um dos ‘Hollywood Ten’ que foram parar na cadeia por obra do odioso macarthismo, movimento por sinal defendido por John Wayne. “Spartacus” teve somente seis indicações e a grande surpresa foi “Se Meu Apartamento Falasse”, comédia dramática de Billy Wilder, com dez indicações. Russell Birdwell decidiu então partir para uma campanha mais agressiva visando influenciar os membros da Academia. Os textos dos próximos anúncios veiculados lembravam que “O Álamo” representava, como nenhum outro filme, o espírito patriótico dos norte-americanos. Birdwell chegou a publicar que “Quem não votasse no filme de John Wayne era anti-americano”. John Wayne, que havia retornado da Tanzânia, pressentiu que a campanha de Birdwell representava um tiro de canhão no próprio pé e despediu sumariamente o publicitário. A Batjac, produtora de John Wayne divulgou alguns anúncios quase em forma de desculpas, respeitando a liberdade de escolha dos votantes e contrariando assim o tom autoritário e pretensamente patriótico da campanha de Birdwell. A intenção de Wayne era reconquistar votos perdidos e conquistar outros ainda indecisos. O Duke não contava com o desastre que seu amigo Chill Wills estava armando.

Chill Wills, que sepultou de vez as suas chances
e as chances de "O Álamo".
“Primo Chill, vou votar em Sal Mineo” - Nos últimos dias que precederam o final da votação, Chill Wills publicou anúncios como representante dos “Texas Cousins” (Primos Texanos). Esse grupo conclamava os membros da Academia a votar em Wills para Melhor Ator Coadjuvante. Apelando para o sentimentalismo mais barato, um dos anúncios dizia: “Nós, da produção do filme ‘O Álamo’ estamos rezando mais pela premiação do nosso primo Chill Wills do que os texanos rezaram antes de morrer defendendo O Álamo. A atuação do primo Chill foi estupenda. – Ass.: Seus Primos do Álamo”. Quem coordenava essa campanha particular era um texano de nome W.S. Wojciechowicz, apelidado de ‘Bow Wow’. Assim como os outros dois mil membros da Academia, Hedda Hopper recebeu uma carta que dizia que ela votaria em Chill Wills. No dia seguinte Hedda Hopper anunciou em sua coluna que jamais votaria em Wills. Mais sarcástico que nunca, Groucho Marx, que também recebera uma carta, publicou um anúncio na “Variety” com estas palavras: “Caro Chill, fiquei contente de saber que sou seu primo, mas vou votar em Sal Mineo”. John Wayne desesperado postou outro anúncio informando que desconhecia o texto que conclamava a Academia a votar em Chill Wills, não concordava com o mesmo e jamais autorizaria a sua publicação, ainda mais ilustrada com a foto de todo o elenco diante da fachada d’O Álamo.

A foto que Chill Wills publicou em seu anúncio, na tentativa de ganhar um Oscar.

And the winner is... not The Alamo – John Wayne sabia que tudo estava perdido para seu filme, mesmo assim compareceu à noite de premiação. O Álamo resistiu treze dias, enquanto “O Álamo” de John Wayne foi derrotado fragorosamente nas poucas horas da cerimônia de entrega dos prêmios. Como consolação “O Álamo” recebeu um acachapante único Oscar de Melhor Som. O maior vencedor da noite foi “Se Meu Apartamento Falasse” que ficou com cinco prêmios Oscar, seguido de “Spartacus”, que ficou com quatro estatuetas. A Academia, numa votação claramente em represália à campanha de Birdwell e inegavelmente política, foi injusta com “O Álamo” e uma análise comparativa demonstra essa injustiça.
Melhor Filme – Nessa categoria “O Álamo” teria chances diante de “Entre Deus e o Pecado”, uma vez que “Spartacus” sequer foi indicado para Melhor Filme. Mas quem levou o prêmio foi “Se Meu Apartamento Falasse”. 
Melhor Diretor – Coerentemente a Academia premiou Billy Wilder, o diretor do filme vencedor, deixando de premiar Alfred Hitchcock por “Psicose”, um dos melhores filmes do Mestre do Suspense. Mas é discutível que o trabalho de John Wayne como diretor tenha sido inferior aos trabalhos de Jack Cardiff (“Filhos e Amantes”), Jules Dassin (“Nunca aos Domingos”) ou Fred Zinnemann (“Peregrinos da Esperança”). Essa clara ‘vingança’ da Academia deve ter doído muito no Duke.
Melhor Ator – Ainda que os três atores principais de “O Álamo” tivessem sido indicados, seria impossível Wayne, Widmark ou Harvey tirar o Oscar de Burt Lancaster (“Entre Deus e o Pecado”), ou mesmo de Spencer Tracy (“O Vento Será Sua Herança”).
Melhor Ator Coadjuvante – Em tempo algum Chill Wills poderia concorrer com o vencedor desta categoria que foi Peter Ustinov (“Spartacus”). E Chill Wills perderia fácil também para Charles Laughton (“Spartacus”) que nem indicado foi.
Melhor História ou Roteiro Original – O roteiro de James Edward Grant para “O Álamo” não foi indicado. Se fosse teria que enfrentar os roteiros de “Se Meu Apartamento Falasse” (vencedor), “Nunca aos Domingos”, “Hiroshima Meu Amor” (e pasmem!) os de “Momentos de Angústia” e de “O Jogo Proibido do Amor”. Teria a Academia desconsiderado o roteiro de Grant por entendê-lo não original por ser baseado num fato histórico?
Melhor Cinematografia em Cores – O prêmio ficou com “Spartacus”, num belíssimo trabalho de Russell Metty, mas ficaria melhor ainda se fosse entregue a William H. Clothier, por sua portentosa cinematografia em “O Álamo”. Aqui pode-se afirmar que a Academia reafirmou sua fama de injusta.
Melhor Direção de Arte – Outra vez “Spartacus” ganhou, mas sem ter a concorrência de “O Álamo”, que não foi sequer indicado. A Academia ignorou o maravilhosamente perfeito trabalho de Alfred Ybarra. “O Álamo” merece ser assistido várias vezes para que sua direção de arte e decoração de cenários sejam melhor admirados. Outra injustiça da injusta Academia.
Melhor Vestuário (Costumes) – Mais um prêmio para “Spartacus”, categoria na qual “O Álamo”, estranhamente, não foi lembrado. A Academia preferiu o bonito “Can-Can”, as roupas luxuosas de Doris Day em “A Teia de Renda Negra”, a deselegância de Cantinflas em “Pepe” e os tempos de Roosevelt na Casa Branca em “Dez Passos Imortais”.
Melhor Edição – Venceu “Se Meu Apartamento Falasse”, filme cujo roteiro intensamente dialogado determina a própria edição. Um filme em que o forte é o texto e que comparado aos perdedores “Spartacus” e “O Álamo” significa uma injustiça em dose dupla.

Categorias em que o "O Álamo"
concorreu.
As maiores injustiças – “O Álamo” recebeu um Oscar de Melhor Som e foi vitorioso numa categoria na qual o único concorrente possível seria o fraco “Cimarron”. Difícil entender por que razão não zeraram os prêmios do filme de John Wayne, o que atestaria a aversão da Academia a John Wayne. Não receber nenhum prêmio seria uma humilhação menor que atribuir a “O Álamo” este Oscar puramente de consolação. As maiores injustiças daquela noite foram sem dúvida os prêmios de Melhor Trilha Musical Dramática e de Melhor Canção, vencidos respectivamente por “Êxodus” (Ernest Gold) e “Nunca aos Domingos” (Manos Hadjidakis). A trilha musical composta por Dimitri Tiomkin para “O Álamo” é uma das melhores já feitas até hoje para o cinema e mais rica, inspirada e variada que a de Ernest Gold. Se pelo menos Tiomkin tivesse perdido para Elmer Bernstein, que compôs a excelente e inovadora trilha para “Sete Homens e Um Destino” seria aceitável a derrota, ainda que também injusta. E não é necessário ser músico para perceber que a canção “The Green Leaves of Summer” é melodicamente superior à deliciosa mas quadradinha canção grega. Na premiação do Oscar de 1961 John Wayne pagou, com “O Álamo”, o preço de defender vigorosamente uma visão política obtusa e radical. A isso foram somados os estragos feitos pela campanha desastrosa do ‘marqueteiro’ Russell Birdwell e pelos desatinos do desmiolado Chill Wills.

6 comentários:

  1. Ola Darci.
    Com mais esta postagem sobre as quase intermináveis agruras do Álamo, começo a desconfiar que você virou um grande especialista neste assunto. Como este filme gerou desdobramentos, que são muito mais interessante que o filme! Este filme só não gerou dinheiro.
    Parece-me que o fio da meada desta esquizofrenia cinematográfica, estava firmemente amarrada na cabeça dura do John Wayne, que me parece não tinha lá este tino comercial de produtor.

    ResponderExcluir
  2. Olá, Joailton
    "O Álamo" produziu assunto que não acaba mais. Há uma série de postagens intitulada 'Histórias de O Álamo' falando dos bastidores desse filme. E muitas outras ainda merecem ser lembradas. Desconheço outro faroeste que tenha sido mais estudado e discutido (e achincalhado) que esse filme dirigido por John Wayne.
    Discordo quando você diz que John Wayne não tinha tino comercial de produtor. Um de seus westerns preferidos (Sete Homens Sem Destino)foi produzido justamente pela Batjac, de Wayne. E a lista de filmes que John Wayne produziu é extensa. O Álamo rendeu muito dinheiro e todos gostam de dizer que esse filme foi um fracasso financeiro, o que é uma inverdade. ainda rende bastante para a MGM-United Artists. Devo ainda falar sobre esse assunto expondo alguns números.
    O Álamo foi uma obsessão para John Wayne que afinal conseguiu realizar seu objetivo, ainda que a duras penas.
    É impossível falar de John Wayne sem esbarrar em O Álamo e quem lê muito sobre o Duke acaba descobrindo muita coisa sobre O Álamo, que por sinal teve dois livros exclusivos sobre esse épico.
    Darci

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Darci:
      Eu penso que um filme é um fracasso comercial quando ele num curto período, digamos um ano ou dois, após o seu lançamento, não paga com folga a sua produção e não esperar décadas para ir "juntando" dinheiro e no final contabilizar mais ou menos um faturamento, pois neste espaço de tempo as dívidas também se avolumam e muita gente já quebrou. Parece-me que o John Wayne passou anos tapando buracos e se não estiver errado, morreu pobre se levarmos em conta a sua fama e a sua atuação como produtor. É esta impressão que tenho ao ler a sua série de postagem sobre o assunto. Já vi em uma publicação que Randolph Scott deixou uma bagatela de cem milhões de dólares ao morrer e passou os seus últimos 20 anos de vida só na "moleza", golfe e água fresca. Este filme só produziu tanto assunto por que a impotância do Duke era incomensurável, mas daí a fazer mágica com dinheiro, só mesmo pedindo ajuda ao Tio Patinhas.
      Histórias de filmes e de pessoas ligadas a eles, são minhas preferida. Continue com elas.
      Abraço-Joailton

      Excluir
  3. Joailton, segundo os dados oficiais divulgados pela United Artists, O Álamo custou 12 milhões de dólares e rendeu no seu lançamento nos Estados Unidos oito milhões de dólares. Essa quantia faria de qualquer outro filme um grande sucesso, desde que, é claro, não tivesse custado tanto. Ocorre que as rendas das bilheterias em outros países não são computadas. Se isso fosse feito O Álamo teria rendido pelo menos outros oito milhões de dólares quando de seu lançamento, o que não significa fracasso de bilheteria. Lembro quando do lançamento do filme aqui em SP, fui às 7h30 para a sessão das 8h00 e as filas eram enormes no Cine Normandie. Só consegui entrar para ver o filme às 22 horas, com a sessão pela metade. Havia uma outra sessão à meia-noite e quem pegou pela metade pode ver o filme na íntegra. Em Tóquio o filme de John Wayne superou Ben-Hur nas bilheterias e fez igual sucesso em Londres, Paris, Estocolmo e em todo lugar que foi exibido. John Wayne perdeu toda a fortuna que acumulara devido a um contador que cuidava de suas finanças. O cara limpou John Wayne. Doris Day passou pelo mesmo anos depois, coisas que não dá para entender. Com o nome que tinha, John Wayne passou a cobrar mais pelos filmes que se seguiram, inclusive com porcentagem sobre os lucros (Os Comancheiros, Hatari, Eldorado) e voltou a ser um homem rico. Duke foi roubado até por um genro.
    Você tem razão quando diz que um filme deve se pagar no lançamento, mas porque abrir mão das reprises e de tudo que faz um filme vender? O Álamo está entre os 100 filmes mais rentáveis de todos os tempos. Lembro isso porque quando se fala em O Álamo sempre se fala em fracasso. Fracasso mesmo foram Cleópatra (que custou 40 milhões de dólares) e O Grande Motim com Marlon Brando (que custou 20 milhões de dólares).
    É estranho que astros como Bing Crosby, Randy Scott e Bob Hope tenham se aposentado como milionários enquanto tantos atores que ganharam muito dinheiro morreram quase pobres.
    O assunto O Álamo-John Wayne é, sem dúvida, fascinante.
    Um abraço do Darci

    ResponderExcluir
  4. Prezado Darci,

    Como sempre os seus comentários são excelentes, além do conteúdo histórico e ilustrativo. É por demais sabido que John Wayne tinha uma obsessão para realizar o "Álamo" e que suas posições políticas eram reacionárias, mas não se pode negar que ele ele possuía uma personalidade muito forte, lutava para conseguir o seu objetivo e era leal a sua família e aos seus amigos. Felizmente a Academia reconheceu seu valor quando ainda em vida, isto é no final de sua vida. Acho que John Wayne poderia ter sido, também, indicado por "Os Cowboys" (The Cowboys) e "O Último Pistoleiro" (The Shootist).

    O "Álamo" é um ótimo filme, talvez não merecesse algum Oscar (tenho dúvida quanto à musica e trilha sonora), embora filmes piores tenham sido premiados. Por outro lado, perece-me que a grande maioria dos filmes baseados na tomada do Texas dos Mexicanos não foram sucesso de público (será que os Americanos em geral, não digo os Texanos, têm restrições ao fato histórico ?).

    Quanto a Randolph Scott ter sido um milionário, deve-se aos seus investimentos em petróleo, terras, gados etc., além de ter nascido de uma família rica. Era engenheiro e tinha um tino econômico-financeiro privilegiado. O cinema para ele era mais uma forma de ganhar dinheiro e ganhou muito. Recentemente, em entrevista, o ator Michael Dante comentou que se ele tivesse ouvido os conselhos de Randy sobre investimentos financeiros hoje estaria milionário.

    Bob Hope e Bing Crosby, também, eram astutos "businessman". Pode-se enquadrar nesse grupo Gene Autry e Roy Rogers.

    John Wayne além de sua produtora BATJAC tinha outros investimentos em terras, hoteis e gado. Rex Allen foi um dos seus sócios. Mas, Wayne vendeu muitos dos seus ativos para financiar o seu sonho.

    Mario Peixoto Alves

    P.S.: Mudando de assunto, aproveitando a oportunidade, pergunto: Quando você vai comentar "Django Unchained" ?.


    ResponderExcluir
  5. Olá, Mário
    Assisti ao Django de Tarantino e não gostei, ao contrário da crítica que, de modo geral, admirou esse filme. Na ocasião do lançamento preferi comentar Um por Deus e Outro pelo Diabo (Buck and the Preacher), com Belafonte e Poitier. Curioso que já houve diversos pedidos para que sejam resenhados westerns spaghettis e o Django Livre se enquadra nesse subgênero, se é que hoje ainda existe essa divisão.
    Bem lembrado que Randy Scott era rico de berço, mesmo assim só fez aumentar patrimônio. Otro que morreu milionário (apesar de cinco casamentos) foi Cary Grant. Gene autry talvez tenha sido o mais rico entre os cowboys e você deve ter pisado em algumas das cinco estrelas que Autry tem na Calçada da Fama No Hollywood Boulevard. O homem fez sucesso e ganhou dinheiro em todas as áreas, mesmo afirmando que era bom ator e que não cantava bem.
    Dizem que White Christmas vendeu 400 milhões de discos 78 rotações porque eles se quebravam e todas as famílias compravam esse disco anualmente para o Natal. E Crosby foi, por alguns anos o número um das bilheterias.
    Próximo de começar a filmar O Álamo, John Wayne descobriu que o administrador de sua fortuna perdera tudo em maus investimentos.
    Para um ator que não possuía muitos predicados interpretativos, John Wayne até que fez uma bela carreira como 'ator'. Além dos filmes que você citou eu lembraria Iwo-Jima, O Portal da Glória, Rio Vermelho, Legião Invencível e, mais que todos, em Rastros de Ódio.
    Assino embaixo da sua afirmação que O Álamo é um ótimo filme. Por sinal, raramente discordo de suas abalizadas opiniões.
    Darci Fonseca

    ResponderExcluir