UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

12 de novembro de 2011

ADORÁVEL INIMIGA (Tall in the Saddle) – A LINDA ELLA RAINES CONQUISTA O DUKE


John Wayne leu uma história chamada “Tall in the Saddle, de autoria de Gordon Ray Young, publicada numa revista e percebeu que ela daria um bom faroeste. Mostrou a história para seu amigo Paul Fix que além de ator tinha também talento para escrever. Fix fez um roteiro e devolveu para John Wayne que o mostrou para John Ford e este também achou a história interessante. Tempos depois, em 1944, o Duke perguntou a Ford se ele não queria dirigir um filme com aquele roteiro. Ford, que não dirigia um filme comercial desde “Como Era Verde Meu Vale” (1942), envolvido que esteve com documentários sobre a II Guerra Mundial, preparava então o filme “Fomos os Sacrificados” e recusou dirigir aquele western na RKO. John Wayne começava a se tornar poderoso na indústria cinematográfica e fez algumas exigências ao estúdio que chamou Robert Fellows para ser o produtor executivo e trabalhar em contato direto com Wayne. O script final, o elenco e tudo que se referia à produção de “Tall in the Saddle” era submetido por Fellows a John Wayne. Para dirigir o filme Robert Fellows contratou Edwin L. Marin, diretor que já havia dirigido 40 filmes mas nenhum deles western, fato que preocupou um pouco o Duke. Robert Fellows se entendeu tão bem com John Wayne que os dois acabaram criando uma produtora e produzindo outros filmes, entre eles “Caminhos Ásperos” (Hondo).


Ward Bond e sua vítima Audrey Long
ao lado de Ella Raines com Frank Puglia
ao fundo; abaixo Ella desafiando o Duke
UMA COMPLEXA TRAMA - No Brasil “Tall in the Saddle” recebeu o apropriado título de “Adorável Inimiga” uma vez que conta a história de um homem taciturno e misógino chamado Rocklin (John Wayne) que chega à cidade de Santa Inez contratado por Red Cardell para ser o capataz do Rancho K.C. Rocklin descobre que Red Cardell fora assassinado e a herdeira do rancho é Clara Cardell (Audrey Long), filha do rancheiro morto. O machista Rocklin se recusa então a trabalhar para uma mulher. Ocorre que quem administra os negócios de Clara Cardell é um sujeito pouco confiável de nome Harolday (Don Douglas) que age mancomunado com Elizabeth Martin (Elisabeth Risdom), a tia de Clara Cardell. Ambos são ligados ao desonesto Juiz Robert Garvey (Ward Bond). Harolday tem uma enteada chamada Arleta ‘Arly’ (Ella Raines) que mal conhece e logo se desentende com Rocklin. Atraída por ele Arly insiste para que seu padrasto o contrate apenas para poder mandar no forasteiro. A situação se altera quando Clara Cardell envia uma carta a Rocklin relatando a trama entre Garvey, Harolday e Elizabeth para se apoderarem do Rancho K.C. A enciumada Arly acaba revelando a Rocklin que o assassino de Red Cardell fora seu padrasto e Rocklin enfrenta os escroques Harolday e o Juiz Garvey. Ao final Rocklin deve escolher entre a suave Clara Cardell e a espivetada Arly.

UMA SENSUAL COWGIRL - O complicado roteiro de Paul Fix resultou num western repleto de situações misteriosas e com crescente tensão em que Rocklin se envolve num triângulo amoroso mais difícil de ser resolvido que o próprio enfrentamento com o desonesto trio e ainda os bandidos que para eles trabalham. Não faltam cartas secretas rasgadas em pedaços e cartas queimadas que desvendam a trama nefasta de Garvey. As sequências de lutas entre Rocklin e George Clews (Harry Woods) o capanga de Harolday e ainda com o próprio Juiz Garvey são até menos violentas que os desentendimentos entre a incontrolável Arly e Rocklin por quem ela é fascinada. Outro personagem importante de “Adorável Inimiga” é o cocheiro Dave (George Gabby Hayes) presente nos momentos de ação e mais ainda naqueles em que exterioriza sua esfuziante alegria. Gabby Hayes cria o humor na medida certa como eventual sidekick de Rocklin. “Adorável Inimiga” foi o filme em que John Wayne definiu o tipo de personagem que repetiria nos incontáveis westerns que viria a fazer. Porém o que torna este faroeste verdadeiramente memorável é a atuação expressiva de Ella Raines. Petulante, sensualíssima mesmo usando roupas de cowgirl que ao invés de a masculinizar fazem com que ela se torne irresistível ao espectador e afinal ao próprio Rocklin (Wayne) a quem vai aos poucos demolindo com a provocante e insinuante malícia de mulher. E é a própria Arly quem raivosamente esvazia seu Colt atirando seis vezes em Rocklin sem no entanto acertá-lo.

O bandidão Harry Woods
UM FAROESTE COM SABOR DE “B” - Realizado num tempo em que predominavam os filmes de guerra, dizer que “Adorável Inimiga” foi o melhor western do bastante pobre (para o gênero) ano 1944 não dá a importância merecida a esse brilhante faroeste. Pouco lembrado por fãs e críticos, “Adorável Inimiga” está sem dúvida entre os melhores faroestes dos anos 40 dominados pelos clássicos e obras-primas de John Ford. Além de tudo, “Adorável Inimiga” tem ainda o saboroso estilo dos filmes Bs, aqueles que complementavam as sessões duplas e faziam vibrar a garotada nas matinês dominicais. E isso é devido não só à intensa movimentação com as várias lutas mas e principalmente ao elenco recheado de atores dos westerns feitos em séries, entre eles Raymond Hatton, Harry Woods, Hank Bell, Clem Bevans, Cy Kendall, Paul Fix, Russell Simpson, Eddy Waller e mais que qualquer outro George Gabby Hayes. Outro show fica por conta dos stuntmen Fred Graham e Ben Johnson (sim, ele mesmo, o ex-campeão de rodeios e futuro ator da Ford Stock Company). Completam o fantástico elenco Ward Bond desta vez como bandido, Donald Douglas e Russell Wade. Muito engraçada a participação de Elisabeth Martin como a ranzinza tia da tímida Audrey Long. Esta última sem nenhuma chance diante da sedutora atuação de Ella Raines, a adorabilíssima inimiga do gigante da sela (tall in the saddle) John Wayne.

John Wayne disputado por Ella Raines e por Audrey Long;
a raivosa Ella Raines disparando contra o Duke.
Abaixo cena de luta entre Ward Bond e John Wayne, mas quem
luta mesmo são os stuntmen Ben Johnson (Bond) e Fred Graham (Duke);
terminada a luta John Wayne sai naturalmente ileso...

5 comentários:

  1. Ella tinha tudo para ser uma grande estrela, mas o cinema tem desses mistérios.

    O Falcão Maltês

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  2. Post indicado nos melhores da semana nos Blogs de Cinema classico. Abraço
    http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/11/links-da-semana-de-7-1311.html

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  3. Está aí uma fita do Duke que jamais ouvi falar ou passar. Aliás vi muito pouco de Wayne desta sua época, o acompanhando melhor de John Ford para cá, o que quer dizer, a partir de 1948 e, claro, No Tempo Das Diligencias, de 1939.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  4. Um grande faroeste! Ella Raines formou uma dupla e tanto com Wayne e provou ser uma atriz completa ( ela que brilhou em filmes " noir " de Robert Siodmak , comédias e dramas )! Além disso, Raines pertence ao seleto grupo das atrizes mais lindas de toda a História do Cinema! Um rosto simplesmente perfeito, um sorriso deliciosamente malicioso, feminina ao extremo ( sem nenhuma vulgaridade ) e muita atitude! Abandonou o cinema aos 32 anos de idade e só voltou em apresentações especiais na TV! Os verdadeiros cinéfilos não se esquecem delas e os mais jovens precisam descobrir Ella Raines. " Adorável Inimiga " ( lançado em DVD no Brasil pela Continental )é uma oportunidade!

    Adriano Miranda - Franca-SP

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  5. Realmente um misterio a curta carreira de Ella Raines, atriz
    bonita e de talento, lançada pelo genial e influente Howark Hacks, produtor independente muito esperto, tanto que foi apelidado de "raposa cinzenta". Ela começou muito bem e em poucos anos estava acabada fazendo filmes ruins e sem trabalho. A enaltecida descrição da atriz por Adriano Miranda, nos deixa curioso e ao mesmo sentindo falta do trabalho que ela ainda poderia nos ter proporcionado. SC

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