UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

13 de agosto de 2011

OS INDOMÁVEIS (3:10 TO YUMA) - REMAKE DE UM WESTERN CLÁSSICO


Não se faz mais westerns como antigamente. Nem em número e menos ainda em qualidade. Entre os poucos exemplares do gênero nos últimos anos, está o remake de “Galante e Sanguinário” (3:10 to Yuma), em 2007, lançado no Brasil com o inadequado título “Os Indomáveis”. Rodado exatamente 50 anos depois do lançamento de “Galante e Sanguinário”, “Os Indomáveis” pode soar como uma homenagem mas é, isto sim, resultado da falta de melhores idéias para um filme novo. Estrelado por Russel Crowe e Christian Bale (serão eles os indomáveis do título nacional?) este western foi dirigido por James Mangold, prestigiado diretor da nova geração e responsável por “Johnny and June”, a biografia de Johnny Cash, em 2006. “Os Indomáveis” é uma bem cuidada produção que visou, como não poderia deixar de ser, fazer sucesso de bilheteria num tempo em que só faz sucesso aquele filme dirigido ao público jovem. Exemplos disso são os revivals capa-e-espadas “Piratas do Caribe” em sua enésima edição ou os super-heróis dos quadrinhos levados ao cinema usando efeitos especiais jamais sonhados por Stan Lee e companhia. O gênero western não é exatamente o melhor cenário para aqueles filmes cujo processo de criação é feito em sua maior parte com os superprogramas de computação gráfica. Hoje os amplos espaços das pradarias, cavalos, gado, carroças e histórias originadas na formação do Velho Oeste não atraem o público mais jovem. Por isso fogem do western os produtores de Hollywood que quando decidem filmar um western o fazem nos padrões cinematográficos modernos, o que aconteceu com “Os Indomáveis”.

De cima para baixo:
Christian Bale, Peter Fonda
e Ben Foster
SEGUINDO A ESCOLA ITALIANA - Assim como na versão de 1957, o roteiro de “Os Indomáveis” foi baseado na história de Elmore Leonard, porém tomando enormes liberdades e alterando bastante a história original. Muitas frases foram retiradas na íntegra do roteiro de “Galante e Sanguinário”, o que contrasta com a criação de inúmeras personagens e sequências ausentes no filme de Delmer Daves. O rancheiro Dan Evans (Christian Bale) passa por dificuldades financeiras em razão da falta de chuva e sonegação da água de um rio por parte de um poderoso da cidade de Bisbee. Isso faz com que Dan Evans aceite a incumbência de escoltar o perigoso bandido Ben Wade (Russell Crowe) até a cidade próxima de Contention. Lá Ben Wade será colocado num trem e levado para ser julgado em Yuma. Para isso Evans receberá 200 dólares. O bando chefiado por Wade tenta de todas as maneiras impedir que seu chefe seja levado até o trem e, do caminho de Bisbee até Contention, praticam uma série de tentativas para libertá-lo. Dan Evans ajudado por seu filho mais velho consegue afinal cumprir a missão e colocar Ben Wade no trem que passa às 3:10PM seguindo para Yuma. O novo roteiro foi concebido de modo a propiciar inúmeras cenas de ação o que torna “Os Indomáveis” um western com ritmo quase tão frenético quanto um videogame, não faltando nem mesmo uma metralhadora Gatling. E como nos faroestes norte-americanos modernos os cowboys parecem ter saído de Cinecittà rumo a Almería na Espanha onde nos anos 60 foram rodados centenas de spaghetti-westerns. As vestes mais próximas da autenticidade da vida árdua e empoeirada das plagas do Velho Oeste são típicas dos filmes de Sergio Leone, Gianfranco Parolini, Enzo Castellari ou Tonino Valerii. E da contrafação vêm também o modelo com intensa e exagerada violência. Quem melhor retrata essa tendência em “Os Indomáveis” é o caricato Charlie Prince (Ben Foster), homem de confiança de Wade e capaz de fazer qualquer coisa pelo venerado chefe. Temos então a retomada de um western da melhor fase do gênero em Hollywood, com os ingredientes dos spaghetti-westerns. Os excessos mais gritantes de “Os Indomáveis” ficam por conta do personagen de Christian Bale, aleijado de guerra, saltando sobre telhados como um gato sendo que andando no chão mal consegue pisar direito e ainda a sequência em que Byron McElroy (Peter Fonda) é baleado na barriga e perde litros de sangue, sendo operado por um veterinário e já no dia seguinte está em melhor forma do que antes de receber chumbo à queima-roupa.

Russel Crowe, o novo Ben Wade
ATIRANDO NO PÚBLICO CERTO - Russell Crowe é um dos melhores atores da atualidade e faz uma magnífica recriação do bandido Ben Wade. O mesmo não pode ser dito de Christian Bale, pouco convincente, ainda que se tente não lembrar de Van Heflin no clássico de 1957. Peter Fonda surge num personagem especialmente criado para ele como um caçador de recompensas quando seria muito melhor utilizado interpretando o fazendeiro Dan Evans em lugar de Christian Bale. Sem nenhum pudor o roteiro de “Os Indomáveis” redimensiona o papel de William Evans (Logan Lerman) filho adolescente de Dan Evans, tão heróico quanto o pai, de olho, claro, no público ginasiano. E temos Ben Foster como o sanguinário Charlie Prince, sendo difícil conter o riso desde a sua aparição inicial, passando pelas sequências em que dispara certeiramente tiros em profusão com os dois Colts simultaneamente, como que para provar que não mereça ser chamado de 'A Vadia Princesa Charlie’. Ben Foster acaba sendo o responsável pelos momentos divertidos de “Os Indomáveis”. Para um público ávido por muita ação, o filme de James Mangold é perfeito pois tem bela e autêntica fotografia, o som espetacular que os antigos westerns não conseguiam ter, tudo emoldurado pelo cenário do Velho Oeste, que por si só faz de “Os Indomáveis” um deleite para os fãs do gênero.

Um comentário:

  1. James Mangold, que é um diretor da nova geração e do qual não temos qualquer direito de lhe por defeitos graves em função de seu retrospecto na arte.
    Não vi Garota Interrompida, mas Johnny e June é uma pequena joia e Os Indomáveis é um trabalho que está muito mais para lá do que para cá. Um bom filme, mas que, como outros, estão introduzindo nestes do genero, aparatos técnicos os quais não estávamos acostumados a ver nos westerns dos bons tempos.
    Falo de truques, qualidade de som, efeitos especiais e coisas assim, que acho desnecessário para uma fita rodada em pradarias, onde deveriamos captar apenas o natural, mesmo que os disparos estejam com um tom muito alterado dos disparos normais dos filmes de décadas anteriores.
    Podem fazer westerns sem tudo isso. E posso dar aqui uma prova rápida; porque assistimos a Pacto de Justiça e o adoramos sem restrições?
    Respondo; porque ele foi um faroeste feito, exatamente como um faroeste deve ser feito. Daí aquele grande e elogiadissimo filme! E vai ser difícil algum filme da nova geração chegar perto. Ele é simplesmente ponta de linha.
    Mas Os Indomáveis passa, mesmo com todos seus exageros e a fuga espetacular que deram do roteiro original.
    jurandir_lima@bol.com.br

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