UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

11 de janeiro de 2015

CHUKA (O REVÓLVER DE UM DESCONHECIDO) – WESTERN COM ROD TAYLOR


John Wayne e Rod Taylor; abaixo
 ensaio de "Os Pássaros" com
Rod Taylor e o Mestre do Suspense.
O ator australiano Rod Taylor, nascido em Sidney em 11/1/1930, fez carreira nos Estados Unidos e alcançou relativo sucesso no início dos anos 60. Após atuar como coadjuvante em inúmeros filmes, Rod estrelou “A Máquina do Tempo” em 1960, seguindo-se “Os Pássaros”, um dos ais famosos thrillers de Alfred Hitchcock. Simpático e viril, o australiano foi por duas vezes galã de Doris Day e escolhido para estrelar “O Rebelde Sonhador”, filme iniciado por John Ford e concluído por Jack Cardiff. A essa altura de sua carreira Rod Taylor decidiu criar sua própria produtora e escolheu um faroeste intitulado “Chuka” como o primeiro filme a ser por ele produzido. Rod havia atuado, em 1955, em “Ágil no Gatilho” (Top Gun), pequeno western de Ray Nazarro estrelado por Sterling Hayden. Já nos anos 70 Rod Taylor passou a atuar mais em filmes de aventuras, retornando vez ou outra aos faroestes como em “Os Chacais do Oeste” (The Train Robbers) com John Wayne e “Fúria no Sangue” (The Deadly Trackers), ao lado de Richard Harris. “Chuka” recebeu no Brasil o título “O Revólver de Um Desconhecido”, tendo sido dirigido por Gordon Douglas e lançado em 1967. A partir do ano 2000 Rod Taylor passou a atuar cada vez menos e seu último trabalho foi em “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, filme em que Rod interpretou Winston Churchill. Rod Taylor faleceu no dia 7 de janeiro último, quatro dias antes de completar seu 85.º aniversário.


Rod Taylor e John Mills
Cerco motivado pela fome - Richard Jessup, o autor da história e do roteiro de “Chuka” inspirou-se, sem dúvida em filmes como “O Sabre e a Flecha” (Last of the Comanches) e nas versões para o cinema do cerco do Álamo. Assim como nesses filmes, alguns civis são forçados a permanecer em um forte prestes a ser atacado por inimigos em muito maior número, no caso de “Chuka” índios Arapahoes. Chuka (Rod Taylor) é um pistoleiro de passado obscuro que, diante da fraqueza do Coronel Valois, (John Mills) comandante do Forte Ciendennon, assume a liderança dentro da fortificação. O ano é o de 1876 e os Arapahoes não estão em guerra contra os brancos, mas sim famintos e tudo que querem é saciar a fome saqueando o forte. Chuka sabe disso e diz ao Coronel Valois que entregar comida e armas para os Arapahoes é a única saída para ele pois o forte dispõe de apenas duas dezenas de soldados. Valois entende que aceitar a sugestão de Chuka é infringir o Regulamento Militar, e acaba sendo vítima de um motim por parte da pequena tropa que se sabe incapaz de enfrentar os índios. Chuka consegue acalmar os amotinados mas o enfrentamento desigual leva à destruição do Forte Ciendennon. Apenas Chuka e a jovem mexicana Helena Chavez (Victoria Vetri) são deixados vivos.

Rod Taylor;na foto maior Ernest Borgnine, Joseph Sirola, John Mills
e James Whitmore.

Luciana Paluzzi e Victoria Vetri com
Rod Taylor; abaixo Marco Lopez.
Clichês, clichês e mais clichês - “Chuka” é um verdadeiro álbum de clichês em que não faltam o comandante cruel e desumano; o estranho corajoso e digno, ainda que seja ele um pistoleiro com histórico de muitas mortes; o sargento violento e irascível (Ernest Borgnine); duas mulheres delicadas e aristocráticas que sabe-se lá por qual razão atravessam território hostil numa diligência; claro que o pistoleiro e uma das mulheres se enamoram para que a história tenha um toque romântico; se o leitor pensou no excêntrico batedor, acertou pois ele também está na história, quase sempre com uma garrafa na mão; e há a amizade e respeito que o pistoleiro consegue num momento fortuito em que encontra o chefe Arapahoe; e que não se pense em um chefe índio como o ‘Cicatriz’ de “Rastros de Ódio” (The Searchers), por exemplo, pois o bravo Arapahoe é capaz de arrancar mais suspiros das espectadoras que o próprio Chuka. Filmes podem, é certo, fazer referências a clássicos sem, no entanto, perder a linha narrativa própria, o que não é o caso de “Chuka”. Dirigido por Gordon Douglas – aquele que em cada 20 filmes acerta em um – o western produzido por e para Rod Taylor chega a ser até divertido na previsibilidade das ações da história.

Ernest Borgnine e John Mills;
abaixo o desatinado John Mills.
Do Sudão para o Oeste - Para se assistir a “Chuka” é necessário, inicialmente que o espectador aceite que um oficial do Exército Britânico que tenha lutado no Sudão e tenha sido expulso do Exército de Sua Majestade por covardia, acabe como comandante de um forte da U.S. Cavalry. É o caso do Coronel Valois (John Mills), que, não bastasse essa implausibilidade, é um homem atormentado, especialmente por ter sido mutilado em sua genitália no Sudão. E acompanhou Valois nessa trajetória internacional o rude Sargento Hansbach (Ernest Borgnine), a quem Valois teria, num ato de coragem, salvado a vida numa batalha no Sudão. Hansbach, por uma dessas incríveis coincidências, também esteve lutando por lá e sempre sob o comando do refinado Valois que admira igualmente bons vinhos e mulheres bonitas. O Coronel Valois convida a elegante Señora Veronica Kleitz (Luciana Palluzzi) para jantar, ele que se diz cansado de apenas se alimentar. Vinhos e brandy são servidos no jantar em que Valois resolve destilar seu ódio pelos seres humanos ‘normais’ humilhando a todos que estão à mesa, exceto as duas convidadas. E patético é o servilismo do Sargento Hansbach, mesmo diante da crueldade e inconsequência de Valois.

A bela italiana Luciana Paluzzi numa
cena de amor com Rod Taylor;
abaixo Louis Hayward com
Herlinda Del Carmen.
Reduto de covardes - Mas o filme não é do Coronel Valois e sim de Chuka e para isso Rod Taylor se esmera em fazer a mais áspera voz de homem do Oeste, como se a voz refletisse coragem e determinação. E coragem é o que não falta a Chuka, seja para enfrentar o brutamontes Sargento Hansbach ou para resgatar o batedor Trent (James Whitmore) em poder dos índios. E não é que os brutos também amam mesmo, pois Chuka ainda está loucamente apaixonado pela Señora Veronica, a quem já conhecia (e tome coincidência) de outros tempos. É explicado que a moça se casara por interesse fazendo com que o desprezado Chuka iniciasse sua vida itinerante de pistoleiro. Confuso o roteiro? Para o Forte Ciendennon parece que foram enviados quase todos os covardes da Cavalaria norte-americana pois além do próprio Coronel Valois, outros oficiais tem em suas fichas atos de covardia. O Major Benson (Louis Hayward) não é citado por covardia, mas sim por ser um desonesto jogador de pôquer e, pior ainda, mantém como amante no forte uma bela índia Arapahoe. E Chuka é o homem sobre quem recaem todas as esperanças de salvação, até o inesperado final deste filme do inefável Gordon Douglas.

Victoria Vetri e Rod Taylor
Western de final aberto - Nos anos 60 os faroestes foram se tornando mais e mais amargos e os heróis pareciam envergonhados de serem assim chamados, assumindo a condição de anti-heróis. Amorais e mercenários, lhes restava quase sempre uma dose mínima de honradez e assim é com Chuka que apenas aceita ajudar a salvar o Forte Ciendennon pelos 200 dólares (adiantados) que recebe do Coronel Valois. E para que Chuka quer esse dinheiro? Para reconstruir sua vida ao lado da amada e agora disponível Señora Veronica. Mas os faroestes se tornaram amargos e Veronica é morta quando do ataque dos Arapahoes. Chuka protege então a Señorita Helena, apontando-lhe o revólver à cabeça quando o chefe índio Hanu (Marco Lopez) os descobre escondidos ao fim do massacre. Chuka jamais permitiria que a jovem caísse em mãos dos Arapahoes e ambos são deixados à própria sorte por Hanu. ‘Western moderno’, “Chuka” tem final aberto, como era moda naqueles anos e o mistério se instala com o relatório feito pelo Capitão Foster (Ford Rainey). O capitão deixa no ar o que poderia ter acontecido, pois do pistoleiro Chuka apenas o revólver foi encontrado. E assim como havia feito John Ford em “Crepúsculo de uma Raça” (Cheyenne Autumn), o cinema revisa a ‘selvageria’ dos índios que apenas queriam sobreviver, direito que os brancos com a Cavalaria à frente sempre lhes negou.

Acreditem, Chuka sobreviveu...
Clímax chocho - Filmado quase que inteiramente em estúdio, “Chuka” não propicia ao espectador sequer a tão comum beleza das paisagens do Oeste com suas pradarias, rios e montanhas. Pior ainda, o clímax do filme que seria o ataque mortal dos Arapahoes dura menos de dois minutos sem a menor dramaticidade comum nesse tipo de sequência. Duas coisas devem ter faltado: dinheiro para uma produção melhor e inspiração para o sempre pouco inspirado Gordon Douglas. Durante o ataque Chuka é trespassado por uma lança que lhe fura o abdome. Morte certa para qualquer mortal, mas Chuka consegue retirar a enorme lança que aparentemente não produziu muitos estragos no pistoleiro. Incomparavelmente melhor que a sequência da batalha final é a briga entre Chuka e o Sargento Hansbach, com duração até maior que o ataque Arapahoe ao forte. Ernest Borgnine e Rod Taylor evitaram até onde puderam a substituição por dublês e travam uma encarniçada luta que se transforma no grande momento do filme. Luta sem vencedor, ou melhor, em que sai vencedora a amizade e respeito entre os dois exaustos homens. Ah, já vimos isso muitas vezes no cinema e o leitor deve estar lembrando de “Da Terra Nascem os Homens” (The Big Country) com a luta entre Charlton Heston e Gregory Peck. E, sem dúvida, de “Depois do Vendaval” (The Quiet Man) com a interminável e inesquecível briga entre John Wayne e Victor McLaglen.

Luta entre Ernest Borgnine e Rod Taylor.

Rod Taylor
Rod Taylor matando de riso - Rod Taylor se esforça o quanto pode em “Chuka” para entrar para a seleta lista dos grandes canastrões do cinema e merece menção honrosa. Rod não nasceu para faroestes e a sequência em que ele desesperado após a morte de Veronica atira com seu revólver contra os Arapahoes é de matar de riso. O excelente John Mills cria um afetado e desatinado comandante, mas o problema é que nada em “Chuka” é convincente. Ernest Borgnine repete mais uma vez o tipo repulsivo-simpático que interpretava melhor que ninguém no cinema, isto desde sua inesquecível criação como o Sargento Fatso em “A Um Passo da Eternidade”. Assistir Borgnine vale qualquer filme, mesmo que seja dirigido por Gordon Douglas. Luciana Paluzzi desfila seu belo e impassível rosto pelo filme que tem ainda James Whitmore e Louis Hayward. O ótimo Whitmore é um desses atores que passaram a vida inteira à espera da grande oportunidade, ficando no mais das vezes relegado a papéis inexpressivos como o do batedor em “Chuka”. Louis Hayward, num de seus últimos trabalhos no cinema é uma lembrança do espadachim de tantas aventuras dos anos 40 e 50. Mas só isso.


Diretor sofrível e burocrático - Após assistir “Chuka” é inevitável a reflexão de como pôde esse mesmo diretor – Gordon Douglas – ter filmado “Rio Conchos” três anos antes, este sem dúvida um dos grandes westerns dos anos 60. Os tantos filmes fracos de Douglas atestam ser ele um diretor sofrível e burocrático e “Chuka” é exatamente isso: sofrível e monótono. Ponto negativo na carreira de Rod Taylor que será sempre lembrado como um ator correto que se sentia muito melhor em filmes de guerra ou conquistando com sua simpatia as leading-ladies.

Rod Taylor

12 comentários:

  1. Não conhecia o CHUKA , filme com o Rod Taylor ,comentado neste blog !!

    ResponderExcluir
  2. Na verdade Cris Cardoso sou eu Aurélio Cardoso meu caro Darci Fonseca.. lembra que eu disse que ia dar uns pitacos.. é minha esposa e ela tem como comentar..

    ResponderExcluir
  3. Tinha um famoso critico de Sâo Paulo, não sei se o Rubem Biáfora que adorava os filmes de Gordon Douglas e este Chuka.
    Quando pré adolescente vi no cinema este Revólver de Um Desconhecido e lembro não ter entendido nada com flash back indo e voltando. como não podia entrar nos westerns italianos que eram todos 18 anos via os americanos que eram 10 anos ou 14 anos..

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Aurélio (e Cris) - Você lembrou bem... Os spaghetti eram tão violentos para a época que muitos recebiam censura de 18 anos. O flashbacj único é o do Capitão historiado o que se passou no forte dizimado pelos Arapahoes. - Abraço do Darci

      Excluir
    2. Cris-Aurélio - Não creio que o Rubem Biáfora tivesse gostado de 'Chuka'. E menos ainda do Gordon Douglas. O gosto dele, Biáfora, era mais para filmes de arte. Mas não custa pesquisar o que ele falou quando do lançamento desse filmes. O Rubem fazia uma resenha semanal dos lançamentos da semana nas edições dominicais do jornal O Estado de S. Paulo.
      Abraços do Darci

      Excluir
    3. Cris, Gordon Douglas nunca foi unânimidade (mas Orson Welles e Hitchcock, pra ficar em só dois exemplos) também nunca foram. No Brasil há defensores enérgicos de Douglas, como Luiz Carlos Merten (que anda insuportável de se ler desde que Dilma Roussef e o PT escorreram ralo abaixo). Merten diz que "Douglas, é o menos conhecido e mais desvalorizado dos grandes diretores do cinema (e não apenas Hollywood)"

      Recentemente a revista francesa "Positif", tão importante quanto a Cahiers, fez uma reavaliação positiva do diretor.

      Excluir
  4. Quando adolescente meu pai sempre comprava o Estadão aos domingos e a primeira coisa que eu fazia era ler a coluna dos lançamentos do BIÁFORA.. sempre polêmico mas me indicou o caminho para gostar de obras de PECKIMPAH e JOHN BOORMAN mas seu gosto era mesmo pelo filmes do KHOURI e japoneses.. que adorava..

    ResponderExcluir
  5. Percebo uma certa má vontade por estas plagas com o Gordon Douglas. De fato, foi um diretor subestimado por muito tempo. Mas lembremos que Cidadão Kane, por exemplo, desde sua estreia e por muitos anos foi apedrejado. E hoje encabeça qualquer lista como o grande filme do cinema.

    Felizmente, há uma certa revisão de Gordon Douglas por aí. Filmes como Rio Conchos, Barqueiro, Crime sem Perdão, Corações Enamorados...e Chuka já são vistos como obras acima da média.

    Quem estiver afim de conferir, recomendo ler os textos de Luiz Carlos Merten sobre o diretor. Como este, por exemplo:

    http://cultura.estadao.com.br/blogs/luiz-carlos-merten/gordon-douglas-em-dvd/

    ResponderExcluir
  6. Otávio, 'estas plagas' tem o nome Westerncinemania. Leitor do excelente Luís Carlos Merten que você é, certamente sabe que 'Cidadão Kane' foi alvo do maior boicote que se conhece no meio cinematográfico, não podendo sequer ser citado na rede de jornais do ofendido William Randolph Hearst. Esse fato explica porque tão poucos críticos citavam 'Kane', filme que lançado em 1941, vinte e um anos depois (1962) era já o número um da lista decenal da revista Sight and Sound. Por sinal já não encabeça mais essa prestigiosa lista, tendo perdido a primazia para 'Vertigo' em 2012. Pode ser então que com as revisões de Gordon Douglas que ocorrem 'por aí', como você diz, reconheça-se todo o talento desse diretor, assim como ocorreu em muito menos tempo com Welles. O último filme de Douglas 'Viva Knievel' é de 1977, portanto lá se vão 40 anos que ele encerrou sua extensa obra como diretor e confesso que não o vejo ser tão lembrado 'por aí'. Creio mesmo que 'estas plagas' seja um dos espaços dedicados ao cinema em que ele Douglas mais seja citado, ainda que se considere os textos de Merten sobre esse diretor que, aliás, você usa 'estas plagas' para indicar. Em tempo: sou fã de Doris Day e de Sinatra e 'Corações Enamorados' é um desperdício dos grandes talentos dos dois atores-cantores. Para cada 'Rio Conchos' dirigido por Douglas há sempre filmes como 'Semeador da Felicidade' para lembrar o quanto esse diretor era sofrível. Se 'Kane' é um dos melhores filmes de todos os tempos, 'Semeador da Felicidade' é um dos piores. - Darci Fonseca

    ResponderExcluir
  7. Darci meu querido. Sei bem que estas plagas tem o nome de westerncinemania, de longe o melhor site sobre o western na internet que conheço.

    Mas parece que vc não sabe bem o que significa "plaga". É a única explicação que encontro para ter ficado tão ofendido.

    Plaga: região, espaço de um território. Ou, combinado mais com o western: extensão de terra.

    Traduzindo a minha frase: "Percebo uma certa má vontade neste espaço, por aqui, com o Gordon Douglas"

    Quanto ao "por aí" me referia, por exemplo, à revista francesa ‘Positif’ que tem uma seção intitulada Cinéma Retrouvé assinada pelo critico Jean-Pierre Coursodon, que em Janeiro de 2010 rasgou a maior seda para Gordon Douglas em filmes como ‘Resistência Heróica’, ‘Rio Conchos’, ‘Revólver de Um Desconheciodo’, ‘Crime sem Perdão’ (The Detective), ‘O Mundo em Perigo’ (Them!) e .........‘Corações Enamorados’ (Young at Heart)

    Tá vendo Darci, não é porque você "não o vê ser tão celebrado por aí", que ele efetivamente não o esteja sendo.

    ResponderExcluir
  8. Otávio, sou do tempo das muitas HQs voltadas para o Velho Oeste nas quais o termo 'plaga(s)' era bastante comum. Hoje anda um tanto anacrônico mas ainda assim com ironia eu o usei na minha resposta ao seu comentário, o que me parece você não percebeu pois se prontificou a didaticamente a explicar o significado.
    Claro que gostaria que o blog fosse chamado pelo nome pelo qual é conhecido, daí ter chamado a atenção para o 'esquecimento' que por sinal se deu também com meu nome, certamente não proposital penso eu.
    Leitor da Positif que você é, deve conhecer também outras opiniões em outras publicações sobre Gordon Douglas, por exemplo as opiniões de Andrew Sarris e do nosso Rubens Ewald Filho, opiniões estas muito mais próximas às minhas que as da Positif e a de Luís Carlos Merten. Este crítico deve também ler essa conceituada publicação, ele que todo ano cobre o Festival de Cannes para o Estadão.
    Depois de suas observações fui ler as resenhas que escrevi sobre westerns de Gordon Douglas, algumas de fato críticas e outras elogiosas como a feita para "Investida de Bárbaros". E até hoje ainda não fiz nova resenha para "Rio Conchos' por não possuir uma cópia de melhor qualidade desse filme.
    Já chamei Douglas de 'pau para toda obra' e merece esse tratamento alguém que já dirigiu de tudo na vida. O estúdio precisou de um diretor? Chama o Douglas e lá vai ele fazer seu trabalho em nome da necessidade de dinheiro, como ele próprio afirmou, lembrando em seguida que assistir a muitos de seus filmes pode levar alguém a nunca mais ir ao cinema... Assim é a vida e outros diretores aceitavam qualquer trabalho pois eram contratados de seus estúdios. Lembro de cara de Henry King, Michael Curtiz e o próprio John Ford. Há alguns títulos melhores na filmografia de Gordon Douglas, mas a meu ver insuficientes para que ele seja classificado como um grande diretor e distante do panteão em que estão os três citados acima.
    Quanto aos franceses nem tudo que eles 'descobrem' merece crédito indiscutível. Jerry Lewis, muito mais importante que Douglas, foi considerado nos anos 60 um gênio do cinema por boa parte da crítica francesa. Glauber Rocha também foi elevado à condição de gênio pelo pessoal do Cahiers.
    Nestas plagas Gordon Douglas continua sendo um diretor que mais erra que acerta, parecendo mesmo que seus acertos são exceções à regra. - Darci Fonseca

    ResponderExcluir