UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

24 de julho de 2014

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE WOODY STRODE, O GIGANTE NEGRO DO FAROESTE


John Wayne e Woody Strode e a cena
da carroça em disparada.
Durante as filmagens de “O Homem que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance) John Ford torturava todos os dias John Wayne dizendo a ele que Woody Strode era um exemplar cidadão norte-americano pois havia lutado pela pátria na II Guerra Mundial. Como se sabe, John Wayne lutou apenas no cinema. E Ford ainda diminuía John Wayne dizendo a ele que Woody Strode havia sido um dos mais destacados profissionais de American Footbal atuando pela UCLA, enquanto John Wayne nunca passou de um mero amador. Chegou um momento em que Wayne se desesperou e, poupando seu mentor, dirigiu sua raiva e mágoa contra Woody que jamais havia sido descortês com o Duke. Wayne conduzia uma carroça em velocidade desnecessária e encontrava dificuldade para deter o cavalo. Woody por precaução tentou tomar as rédeas do Duke e este o afastou bruscamente com um soco. Quando a carroça enfim parou, Wayne partiu para cima de Woody Strode que adotou posição clássica de defesa com os punhos fechados. O gigante negro era ainda maior que o Duke, mais novo e estava em excelente forma física aos 48 anos de idade. Wayne estava com 55 anos mas bastante fora de forma e não seria páreo para Strode que fatalmente o machucaria se ambos brigassem para valer. E uma luta de verdade acarretaria grandes prejuízos à produção pois um soco de Woody arrebentaria a cara de John Wayne. Mas Woody engoliu a seco os xingamentos que ouviu de Wayne e mesmo a agressão na carroça. Com isso demonstrou que era um homem de bom senso, serenidade e extremo profissionalismo. Ford, o verdadeiro causador do incidente, agradeceu Woody por sua atitude mas anos depois o ator negro culpou o diretor pelo fato. Em sua carreira como ator Woody Strode participou de grandes filmes, conviveu com diretores importantes como Ford e com e atores famosos como Wayne. E isso porque sua compleição física e altivez somadas a seu razoável talento interpretativo, fizeram dele um dos mais requisitados atores negros de seu tempo.

Wayne e Strode.

Atleta do decatlo, Woody arremessa o
disco; ao lado a pintura que irritou Hitler.
Afronta aos nazistas - Nascido em Los Angeles, em 25 de julho de 1914, Woodrow Wilson Wolwine Strode, apelidado ‘Woody’, era descendente de índios Blackfoot, Cherokee e Creek, além de naturalmente ser o que se convencionou chamar de afro-americano. Essa mistura de raças gerou um jovem fortíssimo, com 1,93m de altura e uma invejável musculatura, que se destacou nos esportes já na Jefferson High School, em Los Angeles, na prática de American Footbal. Mais tarde Woody se destacaria também como atleta de decatlo, com marcas impressionantes nos 100 metros rasos e no salto em distância. Woody Strode adquiriu certa notoriedade quando aos 20 anos de idade venceu um concurso para posar nu para o artista plástico Howard Stowitts. Os trabalhos de Stowitts foram selecionados para exibição nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. A presença do retrato de um atleta negro causou constrangimento no Führer e nos demais líderes nazistas e a exposição foi fechada e só reaberta depois de retirados os quadros retratando o gigante negro. Leni Riefenstahl declarou que aquele corpo (de Woody) era o mais perfeito físico de um atleta que ela havia visto na vida. Woody Strode não encontrou dificuldades para chegar à UCLA (Universidade da Califórnia – Los Angeles) onde se destacou no American Football, terminando por se profissionalizar e sendo um dos quatro pioneiros atletas negros desse esporte antes dominado pelos brancos. Com seu porte físico e fama alcançada, Woody Strode foi levado para Hollywood onde seu primeiro trabalho foi como figurante em “No Tempo das Diligências” (Stagecoach).

O jgador de American Football Woody Strode na UCLA.

Woody Strode em"Os Dez Mandamentos"
como o rei etíope; à direita como um guarda
 atrás de Charlton Heston e Martha Scott.
Dos ringues para a tela - Em 1941 Woody Strode contraiu matrimônio com a princesa Luukialuana Kalaeola, descendente da última rainha do Havaí. Casado e insatisfeito com a falta de oportunidades no cinema Strode voltou para o futebol americano profissional. A carreira de Woody foi interrompida quando ele foi convocado pela U.S. Army para lutar na II Grande Guerra. No retorno do conflito mundial Woody prosseguiu como jogador de futebol americano atuando também no Canadá, em Calgary. Quando encerrou sua carreira nesse esporte, Woody que já havia participado de espetáculos de luta-livre, voltou a atuar, no início dos anos 50, nesses shows que lotavam ginásios e alcançavam os índices mais elevados na audiência de televisão. Os embates entre Woody Strode e Gorgeus George são considerados antológicos no gênero. Porém novamente o cinema atraiu Woody Strode que reapareceu nas telas em “Caçadores de Leões” (The Lions Hunters), estrelado pelo ‘Bomba’ Johnny Sheffield. Nesse filme Woody interpreta o africano Walu, o primeiro de uma série de personagens parecidos que faria a seguir com nomes como ‘Mongo’, ‘Malaka’, ‘Ramo’, ‘Zanguma’, ‘Moor’, Binaburra e ‘Muwango’. Mas Woody teria oportunidades melhores em “Andócles e o Leão” e em “Demétrius, o Gladiador”, ambos com Victor Mature, sendo notado por Cecil B. DeMille. O célebre diretor contratou Woody para ser o Rei da Etiópia em “Os Dez Mandamentos” mas o aproveitou em um segundo papel de menor importância. Em “O Cálice Sagrado”, o filme que Paul Newman queria esquecer, Woody Strode teve pequena e também esquecível participação. Antes de terminar a década de 50 Woody Strode ainda amargaria aparecer em filmes como personagens bizarros, ele que chegou a ser ‘Lothar’ num filme para a TV que teve Mandrake, o Mágico como herói. Em 1959 Woody foi 'Toro', um pirata negro em “Corsário sem Pátria”, dirigido por Anthony Quinn e um soldado em “Os Bravos Morrem de Pé”, estrelado por Gregory Peck.

Acima Woody Strode em sua estréia no cinema em "Caçadores de Leões";
com Gregory Peck em "Os Bravos Morrem de Pé"; abaixo como o pirata
'Toro' em "Corsário Sem Pátria", saltando de um galeão para outro
com um pesado fardo.

Woody Strode como
Sargento Rutledge.
Westerns com John Ford - Nos anos 60 Woody Strode participou de diversos filmes importantes que o levaram a ser conhecido pelo nome e não apenas lembrado como 'aquele negro forte' de tantos outros trabalhos no cinema. A magnífica sequência começou em 1960 com “Audazes e Malditos” (Sergeant Rutledge), western de John Ford que Woody protagonizou. No mesmo ano, um dos melhores momentos do épico “Spartacus” foi a brutal luta entre o gladiador africano Draba (Woody) contra Spartacus (Kirk Douglas). Ao invés de matar Spartacus, Draba arremessa seu tridente contra o balcão onde se encontra o Senador e General Crasso (Laurence Olivier) e seus acompanhantes. Indicado para o prêmio ‘Melhor Ator Coadjuvante’ do Golden Globe (1961), por sua atuação em “Spartacus”, Woody Strode recebeu, enfim, o reconhecimento da crítica quanto a seu talento como intérprete. Fazer parte do grupo de atores preferidos de John Ford é, sem dúvida, uma honra para qualquer intérprete e Woody Strode atuou sucessivamente em “Terra Bruta” (Two Rode Together) e em “O Homem que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valance), ambos de John Ford. Neste último, que foi a derradeira obra-prima de Ford, Woody Strode interpreta Pompey, numa atuação tão marcante quanto aquela em que personificou o Sargento Rutledge. E Woody estaria presente no elenco de “Sete Mulheres”, a despedida de John Ford do cinema. Entre esses filmes Strode foi Khan, o líder espiritual de uma tribo na aventura “Os Três Desafios de Tarzan”, em que o Rei das Selvas é Jock Mahoney. Strode já estivera em outro filme do Rei das Selvas, que foi “Tarzan e a Tribo Nagasu”, com Gordon Scott.

Woody Strode como o envelhecido Pompey e ainda jovem
com Tom Doniphon (John Wayne).

Woody Strode em "Audazes e Malditos" com Jeffrey Hunter e com
Carleton Young na foto à direita.

Woody Strode enfrentando dois Tarzans: Gordon Scott e Jock Mahoney,
este na foto maior à direita, magérrimo perto dos músculos de Woody.

A espetacular luta dos gladiadores Kirk Douglas e Woody Strode em "Spartacus".

Woody Strode arremessa o tridente em direção à tribuna onde estão
Laurence Olivier, John Dall, Nina Foch e Jean Simmons.

"Era Uma Vez no Oeste": Woody Strode e
a irritante gota d'água; e com Jack Elam.
Destaque como atirador de flechas - A fantástica década de 60 reservaria ainda dois filmes memoráveis para Woody Strode, ambos faroestes. Em 1966 Woody foi um dos quatro especialistas de “Os Profissionais” (The Professionals”, como o atirador de flechas. Burt Lancaster desafiou inúmeras vezes Woody Strode, durante as filmagens, para disputar braços-de-ferro tendo perdido todas as disputas e nunca se conformando com a descomunal força do ator negro. E veio 1968, com Sergio Leone colocando Woody Strode na deslumbrante sequência inicial de “Era Uma Vez no Oeste” (C’Era Uma Volta Il West) com Woody como Stone, um dos bandidos que aguardam a chegada do trem. Depois desse conjunto de westerns Woody Strode poderia ser considerado o mais importante ator negro dos faroestes, ainda que nunca como ator principal. O filme seguinte de Woody foi outro western – “Shalako” – com Sean Connery e Brigitte Bardot encabeçando um grande elenco. Ao lado de Terence Hill e Bud Spencer, Woody atuou em “A Colina dos Homens Maus” (La Colina degli Stavali), prosseguindo a fase europeia de sua carreira. Com a dupla

Os profissionais Woody Strode, Lee Marvin, Robert Ryan e Burt Lancaster;
à esquerda Woody treinando atirar a flecha com pavio incendiário.

Cena de "Shalako" com Sean Connery em luta de lanças com Woody Strode;
à direita George Eastman, Terence Hill, Bud Spencer e Woody Strode.

Franco Nero e Woody Strode;
abaixo Woody com Henry Silva.
Fase europeia - Outros westerns-spaghetti, já nos anos 70, que contaram com Woody Strode no elenco foram “Keoma”, com Franco Nero; “Chuck Mull, o Homem Vingança” (Ciakmull – L’Uomo della Vendetta), de Enzo Barboni; “A Crista do Diabo” (The Deserter), de Burt Kennedy; Gianfranco Parolini dirigiu Woody em “Noi Siamo Angeli”. Woody que já fora o Rei da Etiópia foi o Rei da Numidia em “Scipião, o Africano”, comédia histórica italiana em que o africano Scipião é interpretado por Marcello Mastroianni. Ainda na Europa “Por Ordem da Cosa Nostra”, filme sobre a máfia teve no elenco Henry Silva e Woody Strode. Em “Colpo in Canna”, Strode foi o primeiro nome do elenco masculino, contracenando com Ursula Andress.

Woody Strode e Ernest Borgnine em
"Marcados pela Vingança".
Algumas bombas na filmografia – Retornando a Hollywood, Woody Strode atuou nos seguintes westerns: “The Gatling Gun”, com Robert Fuller; “Marcados pela Vingança” (The Revegers), com William Holden e Ernest Borgnine; “The Last Rebel”, com Joe Namath (ex-jogador de futebol Americano, como Woody Strode). “Winterhawk” foi um western que passou despercebido nos cinemas mas que tem no elenco, junto a Woody Strode, os nomes de Denver Pyle, Leif Erickson, Elisha Cook Jr., L.Q. Jones e Arthur Hunnicutt, conhecidos dos fãs de westerns. Fora do gênero western Woody Strode apareceu em “Travessia a Cuba”, com Stuart Whitman e Robert Vaughn e em "Causa Perdida" (Che!) biografia do guerrilheiro argentino protagonizado por Omar Shariff. Apenas para ganhar dinheiro Woody atuou em filmes terríveis como “A Maldição das Aranhas”, com William Shatner; “Ravagers”, com Ernest Borgnine e Richard Harris; “Jaguar Lives!”, com Christopher Lee. Por certo estes filmes devem ter deixado Woody com saudade de John Ford, de Richard Brooks e de Sergio Leone.

Woody Strode, o storyteller de "Posse".
A morte da sua princesa - Em 1980 Woody Strode passou pela tristeza de perder sua esposa Luana, com quem esteve casado por 40 anos e com quem teve dois filhos. Dois anos depois, em 1982, Woody tornou a se casar, desta vez com Tina, companheira até o fim da vida do ator. Nos anos 80 desapareceram as boas oportunidades em filmes para Woody Strode que participou de dez películas nessa década. A mais importante delas foi “Cotton Club”, de Francis Ford Coppola na qual Woody Strode tem um papel menor. Menos importante mas interessante pelo elenco foi “A Louca Corrida do Ouro” (Lust in the Dust) western escrachado dirigido por Paul Bartel com o travesti Divine e mais Henry Silva, Geoffrey Lewis, César Romero e Tab Hunter, com Woody Strode perdido no meio deles. Em 1992 Strode atuou em “Storyville – Um Jogo Perigoso”. Em 1993 o diretor negro Mario Van Peebles reuniu um elenco composto por muitos negros para o faroeste “Posse”, com Woody Strode interpretando o velho contador de histórias que abre o filme.

Woody Strode como o fabricante de caixões em "Rápida e Mortal",
(The Quick and the Dead), seu último filme

Woody Strode
Hall da Fama dos cinéfilos - O último filme da carreira de Woody Strode foi o western “Rápida e Mortal” (The Quick and the Dead), com Gene Hackman, Sharon Stone, Russell Crowe e Leonardo Di Caprio. Woody interpreta o pistoleiro ‘Charlie Moonlight’ e dá a impressão de estar já doente do câncer do pulmão que o levaria à morte aos 80 anos em 31 de dezembro de 1994, em Glendora, na Califórnia, onde vivia com a esposa Tina. “Rápida e Mortal” foi produzido nesse ano e lançado em 1995 quando Woody já era falecido. Em 1992 Woody Strode foi conduzido ao Hall da Fama dos Atletas da Universidade da Califórnia (UCLA). Um tanto tardiamente, em 2012, foi a vez do Museum of Western Heritage honrar Woody Strode colocando-o no seu Hall da Fama. Justa homenagem a um ator que dignificou cada personagem que interpretou, especialmente o Sargento Rutledge de “Audazes e Malditos”, o gladiador de “Spartacus” e o negro Pompey, empregado de John Wayne em “O Homem que Matou o Facínora”. Esses três filmes apenas bastariam para colocar Woody Strode no hall da memória dos verdadeiros cinéfilos.

Woody Strode já envelhecido: à direita recebendo homenagem.

Woody Strode teve que se vestir de índio e interpretar guerreiros
africanos muitas vezes no cinema.

Woody Strode e Clint Eastwood ainda jovens num episódio de "Rawhide",
série de TV estrelada por Eastwood.

Woody Strode em "Gengis Khan" com James Mason na foto à esquerda.

Woody Strode com Omar Shariff e Barbara Luna em "Che!";
com o famoso jogador de futebol americano Joe Namath que tentou sem sucesso
a carreira no cinema; à direita Woody em "O Retorno do Corcel Negro". 

Woody Strode nos tempos de luta-livre enfrentando Gorgeus George,
o mais famoso astro daquele tipo de espetáculo.

Cena de "Spartacus" com Woody pendurado de cabeça para baixo
após ser morto pelos nobres romanos.




8 comentários:

  1. belissima pesquisa novamente

    e é muito legal descobrir que ele fazia anos no mesmo dia que eu

    25 de julho:

    ---------------

    ELOGIO DO WESTERN

    Se o José Duarte pode dizer que o jazz é a melhor música do mundo, sinto-me no direito de considerar o western o melhor genero cinematográfico do mundo. As mulheres à minha volta não gostam de westerns, passam a vida a limpar o pó às casas e ficam preconceituosas quando vêem no ecrã a poeira levantada pela passagem dos cavalos. Dantes, as ruas eram de terra batida. E esse dado é fulcral na afirmação do western como o melhor genero cinematográfico do mundo. Mesmo quando a terra batida se transforma em lama, o que ali vemos é a civilização a despertar. O western coloca em conflito tudo o que é verdadeiramente importante, as culturas, os generos, o homem e a natureza, o campo e a cidade. É o mais filosófico dos “tipos” de cinema, sem deixar de ser histórico, pragmático, romântico, humorístico, pois no bom western todas estas dimensões confluem sob o signo da Vida. Os gregos só inventaram a tragédia porque ainda não haviam cowboys, mas a criação do universo segundo os textos bíblicos pode ser considerado o primeiro dos westerns alguma vez escrito. Adão e Eva, Abel e Caim, são personagens-tipo em inúmeros westerns. A vantagem do western sobre os restantes generos é poder oferecer-nos tudo isto ao mesmo tempo que nos coloca diante de um espelho onde o bem se reflete no mal e vice-versa, trazendo à luz do dia o nascimento de uma nação e, lá está, a destruição de uma outra. A destruição da grande nação índia da América do Norte e o nascimento dos EUA como hoje os conhecemos.

    fonte:
    [ http://universosdesfeitos-insonia.blogspot.com.br/2012/11/elogio-do-western.html ]


    mrl-x

    ResponderExcluir
  2. Parabéns ao caro leitor pelo aniversário.
    Darci

    ResponderExcluir
  3. OI, DARCI!
    TAÍ UMA PESSOA QUE MERECE SER LEMBRADA SEMPRE. DEPOIS DESSA MATÉRIA FANTÁSTICA ENTÃO, ME ADMIRAÇÃO CRESCEU MAIS AINDA POR ESSA FIGURA EXTRAORDINÁRIA. STRODE FOI DAQUELES ATORES QUE TEM UMA PRESENÇA TÃO MARCANTE, SEU PORTE, SEU OLHAR, QUE MESMO TENDO POUCOS DIÁLOGOS, COMO NA MAIORIA DE SEUS FILMES, ATRAÍA O OLHAR DA PLATEIA PARA ELE AUTOMATICAMENTE. TANTO É ASSIM QUE, POR EXEMPLO, NÃO TENDO MAIS QUE UMAS 5 FALAS EM “OS PROFISSIONAIS”, É IMPOSSÍVEL SE ESQUECER DO RASTREADOR DO GRUPO INTERPRETADO POR ELE, PRINCIPALMENTE EM SUAS DEMONSTRAÇÕES FÍSICAS, COMO PUXAR BURT LANCASTER NUMA ESCALADA PARA INSTALAR EXPLOSIVOS EM ROCHAS ALTAS OU SUA HABILIDADE DISPARANDO FLECHAS COM DINAMITES ATADAS NESTAS, SERGIO LEONE ENTÃO, ANTES DE TUDO, GRANDE FÃ DE WESTERN E DO CINEMA AMERICANO EM GERAL, SABIA DISSO MAIS QUE NINGUÉM, E PRESENTEOU STRODE, E NÓS PÚBLICO, EM “ERA UMA VEZ NO OESTE”, COM AQUELE ANTOLÓGICA PARTICIPAÇÃO, AO LADO DE JACK ELAM E AL MULOCK, SEM FALAR NA ESPOSA DO PRÓPRIO WOODY, FAZENDO A ÍNDIA QUE FOGE DA ESTAÇÃO, EM QUE ELE NÃO PRONÚNCIA UM “AI”, MAS LHE OFERECEU COM CERTEZA A MAIOR QUANTIDADE DE CLOSES DE TODA CARREIRA DELE, ALÉM DA HOMENAGEM AO SEU IMPONENTE FÍSICO, POIS DOS 3 PISTOLEIROS, O ÚNICO QUE NÃO CAI DE PRIMEIRA, NO DUELO COM CHARLES BRONSON, E AINDA CONSEGUE FERI-LO, É STRODE. TOMA BRONSON! PENA QUE, PROVAVELMENTE PELA GRANDE PRECONCEITO DE SEU PAÍS, WOODY NÃO TEVE MAIORES OPORTUNIDADES COMO PROTAGONISTA, POIS, EM MINHA OPINIÃO, ELE TINHA TALENTO, PENA QUE NÃO PODE DESENVOLVÊ-LO MAIS, AFINAL, COMO DEMONSTROU O INÍCIO DA MATÉRIA, O GRANDE MESTRE FORD PODIA SER O MAIS DESAGRADÁVEL, PARA DIZER O MÍNIMO, DOS SERES HUMANOS, MAS NÃO SE PODE NEGAR QUE ELE RECONHECIA UM TALENTO DE LONGE, MESMO QUE ELE TIVESSE QUE MOLDAR ESTE A “PATADAS”, COMO FEZ COM JOHN WAYNE POR EXEMPLO, E TENHO CERTEZA, QUE O “HOMERO DAS PRADARIAS” NÃO OFERECERIA O PROTAGONISMO DE UMA OBRA SUA SE ELE NÃO ENXERGASSE (APESAR DE TER UM OLHO SÓ) ALGUM TALENTO NO INDIVÍDUO. E O TALENTO DE STRODE PODE SER COMPROVADO EM TODA METRAGEM DE “AUDAZES E MALDITOS”, IMPONDO UMA DIGNIDADE, UMA ALTIVEZ E UMA GRANDE SENSIBILIDADE AO SEU PAPEL, INCLUSIVE NAS CENAS MAIS DRAMÁTICAS, COMO NA CENA DO DEPOIMENTO DE SEU PERSONAGEM, O SARGENTO RUTLEDGE, EM QUE AO FINAL, CADA VEZ MAIS PRESSIONADO PELO ADVOGADO DE ACUSAÇÃO, SOLTA UM DESABAFO EMOCIONANTE, TENTANDO CONTER LÁGRIMAS, QUE POR FIM, ACABAM ESCORRENDO PELO SEU ROSTO. O DIRETOR FORD PERMANECE COM SUA LENTE PRATICAMENTE O TEMPO TODO NO ROSTO DE STRODE NESTA CENA, DEMONSTRANDO A CONFIANÇA QUE TEM NO ATOR, QUE CORRESPONDE NUMA ATUAÇÃO EMOCIONANTE E SEM EXAGERO NENHUM. ISSO VINDO DE UM EX-ATLETA E NÃO DE ALGUÉM QUE ESTUDOU ARTE DRAMÁTICA, VEJAM COMO UMA INTERPRETAÇÃO ASSIM, SEM CAIR NO EXAGERO, PODE SER DIFÍCIL COMPARANDO, POR EXEMPLO, A DE JAMES DEAN EM “VIDAS AMARGAS”, QUE COM SEU “MÉTODO” DO ACTOR STUDIOS, VISTA NOS DIAS DE HOJE, PARECE ENVELHECIDA, DE TÃO EXAGERADA. OUTRO ÓTIMO MOMENTO INTERPRETATIVO DE STRODE, MAS DESSA VEZ SEM DIÁLOGO, A INTENSA E TENSA TROCA DE OLHARES ENTRE ELE E KIRK DOUGLAS, QUE DEMONSTRA TODA A AFLIÇÃO DE SEUS PERSONAGENS, MOMENTOS ANTES DE ENTRAREM NA ARENA, PARA SE ENFRENTAREM, EM “SPARTACUS”. VALEU DARCI, POR ESTA MAIS QUE MERECIDA HOMENAGEM E ESPERO QUE, PELO MENOS, SE LEMBREM DESTA DATA LÁ NOS “STATES”, PRESTANDO ALGUMA HOMENAGEM A ESTE “GIGANTE” QUE COM CERTEZA AJUDOU ABRIR “MUITAS PORTAS” PARA AS FUTURAS GERAÇÕES DE ARTISTAS NEGROS POR LÁ. ABRAÇO.
    ROBSON

    ResponderExcluir
  4. Olá, Robson
    Como sempre ótimos e esclarecedores seus comentários. A sequência por você citada de 'Audazes e Malditos', do tribunal, merece uma postagem que pretendo fazer proximamente.
    Grande abraço do Darci

    ResponderExcluir
  5. Parabéns pelo seu extraordinário conhecimento e por esse maravilhoso blog.

    ResponderExcluir
  6. O filme "Rápida e Mortal", com Sharon Stone, é dedicado a memória deste grande ator coadjuvante: Woody Strode. A esposa Tina (índia) esteve com ele em "Era Uma Vez no Oeste". Me lembro dele também na série "Tarzan" com Ron Ely.

    ResponderExcluir
  7. A aparição de Woody Strode no filme Rápída e mortal é de menos de 30 segundos, sendo que as demais tomadas foram feitas de longe. Me parece que se tratava de um stuntman, uma vez que ele já deveria ter falecido. Seu personagem no filme deveria aparecer mais, pois ele era o fazedor de caixões num filme em que morrem diversos personagens importantes. Por isso a suspeita de que o ator já estaria morto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, perfeita sua observação, Mário.

      Excluir