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24 de outubro de 2013

O PASSADO NÃO PERDOA (THE UNFORGIVEN) – INTOLERÂNCIA RACIAL NO TEXAS


Burt Lancaster foi uma das mais importantes personalidades ligadas ao cinema na década de 50. Lancaster obteve grande êxito não apenas como ator, mas também como produtor, sendo um dos iniciadores do movimento que transformou muitos atores em produtores. No final da década, porém, as coisas não iam bem para a produtora Hecht-Hill-Lancaster e apenas um enorme sucesso de bilheteria poderia salvar Harold Hecht, James Hill e Burt Lancaster da situação pré-falimentar a que a má gestão administrativa os levou. Apostaram tudo então no western “The Unforgiven” (O Passado Não Perdoa). A história original de autoria de Alan Le May, escrita em 1957, foi comprada por 75 mil dólares pela HHL. Burt Lancaster encabeçaria o elenco desse faroeste que teria ainda Kirk Douglas, Audrey Hepburn, Lilian Gish e Charles Bickford nos papéis principais. Kirk Douglas preferiu não atuar em outro western naquele momento o que levou Lancaster a sondar Tony Curtis que também declinou da participação. Richard Burton foi também cogitado, mas o papel de irmão de Burt Lancaster no filme ficou com Audie Murphy.

John Huston durante as filmagens de
"O Passado não Perdoa", em Durango.
As diferenças com John Huston - O roteiro começou a ser elaborado por A.P. Miller e o diretor contratado foi Delbert Mann, que havia dirigido “Marty” e “Vidas Separadas” para a produtora de Lancaster. Quando Miller e Mann perceberam que o filme que Lancaster queria era diferente daquele que imaginaram, afastando-se da questão da intolerância racial, desistiram do projeto. A esta altura muito dinheiro já havia sido gasto com “O Passado Não Perdoa” para que o projeto fosse engavetado e mesmo assim foi então contratado John Huston pela quantia de 300 mil dólares na tentativa de salvar o projeto. Um novo roteiro foi escrito então por Ben Maddow, autor do screenplay de “O Segredo das Jóias”, um dos melhores filmes de John Huston. Assim como A.P. Miller e Delbert Mann, Huston pretendia que o filme fosse o mais fiel possível à história de Alan Le May, mas logo percebeu as intenções de Burt Lancaster. Para o produtor e estrela do filme, aquele western deveria enfatizar o heroísmo de uma família de colonos no Texas. No final dos anos 50 as questões da segregação e indígena ganhavam força nos Estados Unidos e Hollywood se aventurava ainda timidamente na abordagem dos temas. Curiosamente, o próprio Lancaster era um dos atores que se destacavam por suas posições políticas liberais. Em sua biografia “An Open Book”, Huston afirma que não conseguiu dar ao filme a profundidade psicológica que pretendia, pois foi obrigado pelos produtores a transformar cada membro da família Zachary numa personagem heroica. Huston nunca concordou com isso e gostava de projetar em seus filmes tipos com carga maior de humanidade. À parte desse discutível argumento, todas as famílias de pioneiros que desbravaram o Oeste Selvagem não deixaram de ser figuras épicas da centenária epopéia dessa conquista que a literatura e o cinema tão bem retrataram, ainda que de forma quase sempre romanceada.


A verdadeira história nos anais Kiowas;
a família Zachary com a filha índia.
O obscuro passado de Rachel Zachary - “O Passado Não Perdoa” conta a história da família Zachary composta pela mãe Mattilda Zachary (Lilian Gish), Ben (Burt Lancaster), Cash (Audie Murphy), Andy (Doug McClure) e Rachel (Audrey Hepburn), a única filha. Ben, o filho mais velho tornou-se o patriarca da família uma vez que seu pai, William Zachary, foi morto pelos índios Kiowas. Quando criança Raquel foi sequestrada da tribo Kiowa pelo falecido Zachary para ficar no lugar de uma filha que não sobrevivera. Mais de 20 anos depois surge Abe Kelsey (Joseph Wiseman), um estranho cavaleiro vestido com farda do Exército Confederado, citando a Bíblia e praguejando ameaças aos quatro ventos nas pradarias do Texas. Abe Kelsey conhece a verdadeira origem de Rachel Zachary e revela a verdade, o que o leva a ser enforcado. Mattilda, que não admite que o passado obscuro de Rachel seja lembrado é quem açoita o cavalo no enforcamento de Kelsey. Zeb Rawlins (Charles Bickford), patriarca de outra família de pioneiros não aceita a presença da índia e rompe com os Zachary, incitando os demais colonos a rejeitar a jovem. O jovem chefe Kiowa ‘Lost Bird’ fica sabendo através de Kelsey da existência da índia, que é sua irmã, e que vive na casa dos Zachary. ‘Lost Bird’ decide resgatar Rachel e para isso os Kiowas cercam o rancho dos Zachary travando um confronto sangrento com a família.

Sentimentos mais que fraternos entre
Ben e Rachel.
Amor além de fraterno - Alan Le May aborda novamente em “The Unforgiven” o tema de sequestro de uma criança, mas de modo inverso àquele de “The Searchers” (Rastros de Ódio). Desta vez é uma criança índia que é sequestrada pelos brancos. No entanto o autor acentua ainda mais o ódio que brancos tinham pelos índios com a natural reação dos nativos às agressões sofridas. O racismo de Ethan Edwards é exacerbado na figura delirante de Abe Kelsey que vaga soturnamente pregando e provocando a morte como justiça divina. Assim como Ethan Edwards, Abe Kelsey esteve na Guerra Civil, carrega um sabre e é obcecado pela ideia de vingança. Kelsey perdera um filho na luta contra os índios e vê na inocente Rachel, que ele sabe ser Kiowa, a reparação da injustiça que entende ter sofrido. Raptada ainda bebê, Rachel cresce como branca em meio aos Zachary e o segredo só é conhecido pela velha Mattilda Zachary. Cash Zachary é o filho intolerante da família e não esconde o ódio que sente pelos nativos sem saber que sua ‘irmã’ é índia. Quando a verdade é revelada, mais complexa se torna a história de “O Passado Não Perdoa” ao expor o isolamento a que é submetida a família Zachary pela comunidade que não mais aceita a permanência de Rachel entre eles. Ben Zachary não permite que sua irmã adotiva seja devolvida aos índios pois tem grande carinho por Rachel, afeto correspondido com força ainda maior pela irmã. Ben e Rachel lutam contra seus sentimentos íntimos impedindo que o amor que acreditam incestuoso cresça. Visivelmente contrariado Ben permite que a constrangida Rachel fique noiva do tímido pretendente Charlie Rawlins (Albert Salmi). Com o ataque Kiowa ao rancho dos Zachary e na iminência do extermínio dos Zachary, Ben não mais esconde seu amor por Rachel, já não mais amor incestuoso.

Abe Kelsey e Hagar: ódio incontido.
‘Negra vermelha’ - Essa surpreendente história de amor, racismo e discriminação resultou num filme intenso e de grande dramaticidade, contendo sim, ao contrário do que apregoou John Huston, mensagem claramente fortemente antirracista. Houve mesmo quem enxergasse ainda uma crítica ao macartismo que naquele momento era apenas uma página virada da história do cinema norte-americano. A abominável conduta de Zeb Rawlis e sua esposa esquecendo-se da amizade antiga e transfigurando-se após a morte do filho, vítima dos Kiowas, nada tem de altruísta e demonstra a que ponto o ser humano pode chegar conduzido pelo ódio racial. A intolerância atinge o ápice quando o personagem Hagar Rawlins (June Walker) grita para a indefesa Rachel que ela é uma ‘negra vermelha’, englobando as duas mais execráveis formas de xingamento na América do Norte. Huston afirmou que entre todos os filmes que fez, “O Passado Não Perdoa” é aquele pelo qual não tem nenhum apreço e sequer reconhece como seu. O ressentido diretor deveria sim ter alguma admiração para este western que se não é uma obra-prima, como foram “Relíquia Macabra”, “O Tesouro de Sierra Madre” e “Uma Aventura na África”, não é de forma alguma um filme para ser desprezado.

O risível final de "O Passado não Perdoa".
Final piegas - Entre as melhores sequências de “O Passado Não Perdoa” está a do enforcamento de Abe Kelsey, a melhor entre tantas de homens pendurados por uma corda a uma árvore. E a forma como é mostrada a vida em família dos pioneiros e o encontro dos Zachary com os Rawlins são exemplares, bem como o cortejo de Charles Rawlins à vizinha Rachel, das poucas moças disponíveis para casamento na região. Ótimas as sequências com a participação de Johnny Portugal (John Saxon), domando o cavalo bravio e mais tarde perseguindo Abe Kelsey. Portugal cavalga com mais três cavalos, saltando sem dublê de um para o outro até alcançar o demente fanático. “O Passado Não Perdoa” só não é melhor pelo tratamento dado aos índios, sem oportunidade de mostrar suas razões para o comportamento hostil. Os pobres Kiowas na sequência de ataque ao rancho dos Zachary não demonstram nenhuma habilidade para lutar, sucumbindo quase na totalidade aos disparos dos Zachary. Porém nada compromete mais o filme de Huston que seu final inacreditavelmente piegas. A família reunida, menos Mattilda que pereceu vítima de um tiro, olhando para o céu onde um bando de pássaros voa livremente rumo a seu destino. “O Passado Não Perdoa” não merecia isso.

Lancaster e Murphy; John Saxon e Audrey;
Audrey com Albert Salmi.
Os muitos destaques do elenco - Burt Lancaster tem mais uma destacada atuação, mais contida desta vez, ensaiando uma performance que explodiria em sua interpretação seguinte como Elmer Gantry. Audrey Hepburn não consegue convencer como moça do campo, delicada demais, mesmo quando monta seu cavalo ‘Guipago’. Mas Audrey brilha nas sequências dramáticas. Brilham igualmente os veteranos Lilian Gish e Charles Bickford com ótimas interpretações. E há Joseph Wiseman, John Saxon e Albert Salmi, todos perfeitos, com destaque para Wiseman que criou um assustador tipo alienado que nunca mais sai da lembrança de quem vê o filme. A atuação de Audie Murphy em “O Passado Não Perdoa” é geralmente considerada a melhor de sua carreira, o que não quer dizer muito em sua monocórdica filmografia. Na sequência em que é mais exigido dramaticamente, aquela em que se atraca com o irmão Ben, fica clara a limitação de Murphy como intérprete, ainda mais diante de Burt Lancaster.

Lembrando Ethan e Debbie
em "Rastros de Ódio".
Poderia ser melhor... - A trilha musical de Dimitri Tiomkin não é das mais inspiradas e o tema principal é repetitivo e enfadonho, além de não se prestar para o gênero. Melhor funcionaria esse tema se utilizado em um drama urbano. Tiomkin demonstra sua criatividade nas sequências que antecipam a batalha final criando uma atmosfera quase de pesadelo com o uso de tambores e flautas contrapondo-se ao piano tocado ao ar livre por Mattilda. Todo filmado em Durango, no México, “O Passado Não Perdoa” tem belíssima cinematografia de Franz Planer utilizando em diversas sequências brumas, poeira e fumaça que tornam arrepiante a paisagem. Dentre os muitos westerns da carreira de Burt Lancaster “O Passado Não Perdoa” é um dos principais pelo ritmo, tensão dramaticidade e também pela atuação do excepcional ator. Quando Ben Zachary abraça Rachel e expressa seu afeto, cena que remete inevitavelmente a Ethan Edwards levantando Debbie em “Rastros de Ódio”, fica uma impressão que o filme de John Huston poderia ser ainda melhor, mais próximo da grandeza da obra-prima de John Ford realizada três anos antes.

Fotos dos bastidores de "O Passado não Perdoa": John Huston com Audie
Murphy; Burt Lancaster e Audrey Hepburn jogando golfe; Rita Hayworth
visitando o marido James Hill (à direita). Hill era sócio de Lancaster.

Audrey Hepburn ao lado de Audie Murphy; abaixo Joseph Wiseman
cavalgando pela pradaria de Durango, cenário de "O Passado não Perdoa".
Acima a família Zachary: audrey Hepburn, Doug McClure, Lillian Gish,
Burt lancaster e Audie Murphy; abaixo Burt Lancaster e John Saxon.




9 comentários:

  1. O passado não perdoa, é um grande filme, e um dos melhores do Burt Lancaster. Audie Muphy, um dos melhores atores de western. Também injustiçado pela critica. Seus filmes, são daqueles, que se vê e vê, e não enjoa, não cansa. Por esses dois atores, já, coloca o filme no top. E ainda tem Audrey, John Huston ....Mas a critica não perdoa .
    Dagmar.

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  2. Um grande filme,sem dúvida ! Lendo a matéria,como sempre acontece,dá uma vontade de rever o filme. Aí,é buscar na estante o filme esquecido, levar pro dvd
    e curtir novamente este belo western !!
    Prá mim,acho Burt melhor em "Vera Cruz" depois em "Os profissionais" e "Sem lei e sem alma". Depois vem "O passado não perdoa" . Sem dúvida um dos maiores atores do cinema !! Abraços !!

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    1. Lau Shane
      Burt Lancaster está insuperável em Vera Cruz. Melhor mesmo só em O Pirata Sangrento. Em Sem Lei e Sem Alma ele está sem graça. Não esqueça dos westerns que ele fez no início dos anos 70.
      Abraço do Darci

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  3. Poor little Audie Murphy apanha até quando é coadjuvante... mas ver Rita Hayworth com chapéu de cowboy compensa tudo, ela que começou como Rita Cansino nos faroestes B do Tex Ritter!

    Outro belo texto, parabéns. Adoro este filme, concordo que Jean Simmons foi mal escalada, que Joseph Wiseman arrebenta e que o final é digno de Fernando Capelo Gaivota!

    Abraços
    José Tadeu

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    1. Olá, José Tadeu
      Você quis dizer Audrey Hepburn e escreveu Jean Simmons, é isso?
      Estou com você quanto a Rita. Começou nos faroestes B e depois praticamente não deu mais as caras no gênero. Mesmo madura Rita está linda em Heróis de Barro. E houve A Divina Ira, já com o Alzheimer lhe devorando o cérebro.
      Audie em meio a Lancaster, Audrey, Bickford, Lilian Gish, Wiseman e outros é como ser jogado aos leões...
      Abraços do Darci

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  4. Prezado Darci,

    Concordo com o seu comentário principalmente com o tratamento dado por Huston no final, a fim de transmitir um propenso otimismo não mostrado até então caminhando para uma tragédia. Como você citou, a história de Alan LeMay, na qual o filme foi baseado trata de modo inverso a de "Rastro de ódio" (The Searchers) de John Ford. Mas, o tema permanece como o racismo, o amor materno, a luta dos colonos contra o meio ambiente hostil, a revelação de sentimentos entre irmãos não sanguíneos, o despontar do sexo entre os jovens etc. Apesar de não ter agradado a critica e de não obter a renda esperada pelos produtores, é para mim um western muito bom. Há cenas de forte dramaticidade como o enforcamento Abe Kelsey movido pelo ódio da mãe Mattilda a fim de manter o seu segredo não revelado, o ódio racista que Audie Murphy (Cash) sente à primeira vista por Johnny Portugal (John Saxon) e posteriormente por sua irmã de criação quando é contido por Burt Lancaster (Ben), o surgimento das sombras de Abe Kelsey pregando trechos da Bíblia no deserto etc.
    Quanto a Audie Murphy, ator que sempre foi desprezado pela crítica, ele interpreta em personagem chave como o irmão que se situa entre o seu ódio de índios e o amor por sua irmã adotiva que ele desconhecia ser índia, é para mim um dos pontos altos da trama. Murphy se não está perfeito no papel como muitos acham, no entanto, chega bem perto. Em entrevista ao autor Boyd Maggers no livro “The Filmes of Audie Murphy” (McFarland), John Saxon comenta:”Audie era um ótima pessoa, mas pirado. Mas, era,também, um ótimo natural ator, John Huston costumava dizer que poucos críticos reconhecia a potencialidade da Murphy. Ele tinha um relaxante grau de honestidade em suas interpretações, sua habilidade como ator talvez fosse confinada, mas ele interpretava suas cenas com muita honestidade. É pena que ele não levasse sua carreira à sério”.
    Burt Lancaster era um ator que eu muito admirava e assisti a maioria de seus filmes, principalmente os de aventuras e westerns. Em “Elmer Gentry’ ele está excelente, seu personagem está para Lancaster como o Coringa está para Nicholson. Porém, fiquei profundamente decepcionado com os comentários feitos pelo diretor Hector Babenco na SescTV, em Sala de Cinema, quando estava escolhendo o elenco para o filme “O Beijo da Mulher Aranha” e foi convocado por Lancaster para ir até sua residência na Espanha (Palma de Mayorca) para propor sua contratação para o personagem, alegando que seria sua maior interpretação antes dele encerrar seu carreira. O papel foi posteriormente interpretado por William Hurt. Não sei se você soube ou assistiu a entrevista, não vou entrar em detalhes aqui (caso você se interesse pelo assunto posso relatar por e-mail), pois não gosto opinar ou comentar sobre a vida particular das pessoas ou principalmente atores e atrizes. Acredito que tenha sido verdade , considerando que Babenco falou em público e deve estar gravado.

    Mario Peixoto Alves

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  5. Caro Mário
    Nas duas biografias de Burt Lancaster que eu conheço - 'An american Life' (Kate Buford) e 'Against Type' (Gary Fishgall) - não é citado esse encontro em Palma de Majorca. Exatamente nesse período de preparação para o filme de Babenco, Lancaster se submeteu a uma arriscada cirurgia no coração que exigiu longo período de recuperação e o afastou de diversos compromissos já assumidos, entre eles 'O Beijo da Mulher Aranha', que ele queria muito fazer. Lancaster corria atrás de um papel desse tipo, forma de contrastar com a masculinidade que exibiu em praticamente todos os filmes de sua carreira. Babenco, que queria Lancaster como Luís Molina teve que ir atrás de outro ator.
    Depois do filme de Babenco ter sido realizado, Burt Lancaster tentou bastante conseguir o papel de Georges em A Gaiola das Loucas, que na Broadway foi interpretado por Gene Barry, numa peça de origem francesa de enorme sucesso. Quando finalmente o filme foi feito, o papel acabou ficando com Robin Williams. Lancaster acreditava que interpretar um homossexual seria o complemento ideal de sua carreira, quebrando um tabu em Hollywood.
    Não conheço a entrevista de Babenco, que, como pessoa não tenho a menor simpatia por sua arrogância e por se considerar um gênio, o que ele não é, claro.
    Não li a biografia sobre Audie Murphy escrita por Boyd Maggers, mas de tudo que sei e que li a respeito de Audie Murphy, parece que ele tinha problemas mentais originários de sua participação na Guerra. Sei que você vê qualidades no trabalho de Murphy como ator, mas ele provou em muitos e muitos filmes que tinha bastante a aprender quanto a interpretação, coisa à qual nunca se propôs, me parece. Uma diferença enorme entre ele e Burt Lancaster que passou a vida tentando se aprimorar mais e mais na arte de interpretar.
    Darci Fonseca

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    1. Darci,

      O fato de Lancaster ou outro ator qualquer querer ou interpretar papeis de homossexuais, para mim não tem alguma importância e nos dias atuais passou até ser modismo, a fim de ficaram dentro do contesto da sociedade moderna, por exemplo posso citar Tom Hanks, Colin Farrel, Michael Douglas, Matt Damon, Sean Penn, Jim Carey e alguns outros que ainda virão. Quando citei a entrevista de Babenco, foi porque ele comentou o seu encontro pessoal com Lancaster com detalhes que francamente me chocaram. Acho que eu errei em tocar no assunto.

      Quanto a Audie Murphy não há como compará-lo como ator com Lancaster, apesar de eu ter uma grande simpatia por sua pessoa e por sua história de vida. Ele tinha problemas com " Post-Traumatic Stress Disorder" adquirido durante sua participação na 2ª Guerra Mundial, sendo muito violento. Lilian Gish, ficou com medo dele durante a filmagem de "The Unforgiven", da mesma forma Tony Curtis quando filmaram "Kansas Raiders" e Mara Corday quando teve um rápido namoro com Murphy.

      Assunto encerrado.

      Mario

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  6. José Fernandes de Campos1 de novembro de 2013 19:21

    O filme não acrescenta nada a estoria do western. Huston perdeu a mão. O enredo não encaixa, os artistas estão pessimos (coitada da Hepburn) O wiseman caricato ao extremo. Não tem final e é extremamente politizado para a época. Filme muito fraco. O que salvou foi o texto do editor, dá vontade de assistir o filme.

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