UMA REVISTA ELETRÔNICA QUE FOCALIZA O GÊNERO WESTERN

16 de setembro de 2012

“SHANE”, EXECRADO PELO CRÍTICO EUGÊNIO BUCCI


Paulo Perdigão, Ruy Castro,
Rubens Ewald Filho
e Eugênio Bucci.

Quando de seu lançamento em 1953, “Os Brutos Também Amam” (Shane) foi aclamado pela crítica como um clássico do gênero. Não poucos críticos elevaram imediatamente o filme de George Stevens à condição de obra-prima. Carregando essa fama “Shane” chegou ao Brasil e a outros países onde igualmente foi saudado com os maiores louvores, tornando-se uma unanimidade mundial. O primeiro crítico a colocar “Shane” em um plano inferior em relação a outros westerns foi André Bazin. Em 1958, um ano antes de falecer, esse respeitado crítico francês surpreendeu o mundo cinematográfico ao afirmar que “Sete Homens Sem Destino” (Seven Men from Now) apenas não era o melhor faroeste de todos os tempos porque havia “O Preço de um Homem” (The Naked Spur) e “Rastros de Ódio” (The searchers) em pé de igualdade com o filme de Budd Boetticher. Pouco depois foi a vez do crítico e historiador de cinema William K. Everson falar com pouca simpatia de “Shane”. Nos anos 60 a temida Pauline Kael se alinhou a esses dois influentes críticos com a mordacidade que lhe é característica dizendo que “Shane” era um filme afetado e pretensioso. Mesmo com essas opiniões contrárias o western de George Stevens continuava a arrebanhar uma legião cada vez maior de fãs que o idolatravam. Talvez o mais exacerbado desse grupo de críticos tenha sido o brasileiro Paulo Perdigão que escreveu um ensaio sobre “Shane” e como Perdigão, também Antônio Moniz Viana, Ruy Castro e Luís Carlos Merten se mostraram grandes admiradores de “Shane”. Contrariando tanta gente importante, Rubens Ewald Filho confessou certa vez que não considera “Shane” merecedor de toda fama que sempre carregou. Porém nenhum crítico, brasileiro ou do exterior, foi tão contundente nas críticas a “Os Brutos Também Amam” como Eugênio Bucci no artigo publicado na Folha de S. Paulo em 12 de dezembro de 1990. Como contraponto à quase unanimidade que “Shane” representa, sendo indiscutivelmente um dos faroestes mais queridos do cinema, WESTERNCINEMANIA reproduz na íntegra a crítica de Eugênio Bucci, cuja minibiografia pode ser lida ao final desta postagem.









Eugênio Bucci
Eugênio Bucci é um dos mais discutidos jornalistas brasileiros da atualidade. Nascido na cidade de Orlândia, interior do Estado de São Paulo, em 1958, Bucci formou-se em Comunicação Social pela Escola de Comunicações Sociais da USP e também em Direito pela mesma Universidade de São Paulo. Bucci foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto daquela Faculdade de Direito e filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 1980. Eugênio Bucci foi diretor de Redação das revistas Superinteressante, Quatro Rodas e Playboy e crítico de arte e cultura dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e revista Veja. Eugênio Bucci recebeu da Escola de Comunicações e Artes da USP o título de ‘Doutor’ na área de Jornalismo. De janeiro de 2003 a abril de 2007 dirigiu a Radiobrás. Por divergências com o Partido dos Trabalhadores afastou-se desse cargo passando a dar aulas na Universidade de São Paulo e na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), fazendo palestras e a escrevendo livros e colunas em jornais e revistas. Entre seus livros mais conhecidos estão “A TV aos 50 Anos”, “Sobre Ética e Imprensa”, “Videologias”, “Jornalismo Sitiado”, “A Imprensa e o Dever da Liberdade”, “Em Brasília 19 Horas - A Guerra entre a Chapa-Branca e o Direito à Informação no Primeiro Governo Lula”. Eugênio Bucci durante muitos anos dedicou-se à crítica de cinema, sendo desse período seu artigo sobre “Os Brutos Também Amam”.

25 comentários:

  1. Darci, muito boa a idéia de publicar essa crítica do Bucci. Vale sempre a pena lermos algo que contradiz o senso comum. No caso, a imensa maioria de opiniões que colocam "Shane" num pedestal.
    Mas após a leitura, não consegui perceber nenhum arranhão na minha percepção e sentimentos de que "Shane" é uma obra-prima não só do western mas também do cinema americano.

    Em sua longa introdução antes de tentar demolir o filme Bucci recupera aqueles que seriam os motivos de "Shane" ser tão apreciado pelos fãs.
    E depois não consegue, em minha opinião, mostrar que tais motivos não estão no filme.
    Fiquei sim foi com a impressão de que Bucci talvez estivesse meio indisposto ou mau humorado quando reviu o filme para realizar a crítica. Sabem aquele "Não gostei porque não gostei"?

    "Shane" é pretensioso? Nem vou discordar. Se é ou não não importa. Mas creio que ele consegue então se sair bem em suas supostas pretensões.
    O que vejo é um belo western repleto, concordo, dos clichês que deram fama aos faroestes mas tudo muito bem conduzido e orquestrado de forma a fazer sim uma síntese brilhante do gênero.

    Já as interpretações psicanalíticas ou intelectualizadas que tentam ver na película projeções que têm mais a ver com o olhar ou questões de quem a assiste do que com o filme em si eu acho apenas divertidas.
    Meu olhar é simplório, simplista e busca apenas a beleza da obra, a aventura, o heroísmo e o mito do gênero western.
    Prefiro ter o olhar do garoto interpretado pelo Brandon de Wilde e me divertir e sonhar com aquele herói clássico que traz justiça e segurança a um mundo violento e sem lei.
    Nessa minha perspectiva o filme é perfeito e atinge todos os seus objetivos.

    Enfim, como acho que já disse num outro comentário também sobre críticas aqui no blog, a opinião do Bucci é daquelas que ao serem lidam só reforçam minha avaliação positiva sobre "Shane". Porque se após lermos atentamente uma opinião radicalmente contrária a algo de que tanto gostamos ainda assim não sentirmos nenhum incômodo é porque tal obra é realmente grandiosa. Pelo menos para nós, nê?

    Edson Paiva

    P.S. Para não dizerem que discordo de tudo o que Bucci escreveu assino embaixo os comentários sobre o título brasileiro. Mas não podemos tecer críticas ao filme a partir dele, certo? Que culpa teria George Stevens pela fértil (?) imaginação brasileira?

    ResponderExcluir
  2. Edson - O crítico Eugênio Bucci bateu bastante forte no filme Shane. Bucci critica a concepção dos personagens e insiste no artificialismo que permeia o filme. Ele critica os atores e fala de Alan Ladd com certa dose de crueldade, reduzindo-o à insignificância. E diz ainda que Palance é quase um robô do Oeste, referindo-se a seu personagem marcante. Essa crítica demolidora de Bucci chega a parecer até excessiva, mas a questão é que ele, como se diz, mata a cobra e mostra a cobra apontando tantos defeitos no filme que deve chocar os fãs que admiram Shane. Não sou daqueles que vêem tantas qualidades nesse filme, mas acredito que deva ser chocante ler a contundência de Bucci. Isso talvez se deva justamente à enorme fama que Shane carrega. É inegável, porém, que essa crítica é provocantemente primorosa. - Darci

    ResponderExcluir
  3. Grande Darci,

    Eugênio Bucci pode ser Doutor, ex diretor da Superinteressante, Playboy etc porém foi infeliz escrevendo esse artigo. Levando em consideração que o mesmo foi escrito em 1990, hoje pode até ser, que o próprio autor da crítica tenha mudado de opinião a cerca do clássico de George Stevens. Nunca gostei muito do papel de alguns críticos, que parecem fazer questão de ser "do contra" criar críticas negativas e execrar filmes bons e consagrados, como fez Bucci. Mas enfim, a opinião dele em nada me influencia, (como imagino que também não tenha influenciado ninguém qdo surgiu no jornal). Aos meus olhos, Os Brutos Também Amam é e sempre será, um dos maiores clássicos do cinema.

    Grande abraço Darci.

    ResponderExcluir
  4. Darci,

    Li ávido essa postagem. É daquelas polêmicas, sobretudo porque assume uma direção inversa da que se poderia esperar. Apesar da rapidez, tentei “ouvir” com qualidade, pronto até para mudar de opinião, conforme os argumentos do eminente crítico. Terminada a leitura não consegui mudar nada minha opinião sobre Shane. No meu modesto entender, o analista fez a opção equivocada em suas observações. Tomou como critério central a verossimilhança para fundamentar sua argumentação e daí não resultou em nada muito defensável, creio. Sobretudo os aspectos de maior relevância foram simplesmente abandonados. Mas, claro, tudo isso são, basicamente, opiniões e ele tem direito, como todos, à sua visão, embora, se dissecada, possa ser, como qualquer outra, desfavorecida. Continuo achando Shane um western que não poderia deixar de ser feito. Faria falta, embora não percebêssemos. Algumas coisas nele podem ser pedantes, mas isso não destrói de forma alguma o seu valor. Alan Ladd deu azar de ser massacrado injustamente, mesmo tendo protagonizado um dos maiores filmes de todos os tempos, mas isso não tem poder de mudar a realidade.

    Forte Abraço!

    Vinícius Lemarc

    ResponderExcluir
  5. Jefferson e Vinicius - Contando com a opinião do Edson Paiva já são três os cinéfilos muito respeitáveis que afirmam que a contundente crítica de Eugênio Bucci não teve maior relevância em suas opiniões. Da minha parte não concordo que Shane seja um dos maiores filmes de todos os tempos, como disse o Vinicius. Considero que Shane é, sem dúvida, um western muito influente. Acabei de ver Quadrilha Maldita e há muito de Shane no roteiro de Philip Yordan nesse faroeste de André De Toth. Por sua vez Quadrilha Maldita também influenciou Il Grande Silenzio, de Corbucci, tremendo western-spaghetti. - Abraços do Darci

    ResponderExcluir
  6. Darci e amigos !! Tenho este jornal de 12 dez 1990,onde Eugênio Bucci,provavelmente,de mau humor,fez este comentário,que para mim
    beira a desespero de alguém que apenas fazia parte da equipe de
    articulistas da Folha. O título,é sabido que pouco importa,e na
    época talvez significasse alguma coisa em termos de mercado.
    Depois de ler este artigo é que minha admiração por Shane aumentou. O filme de Stevens tem todos os ingredientes que o fazem ser um ótimo western. Os arquétipos do filme descritos na matéria estão precisos e muito bem destrinchados.
    Sem o exagero de Paulo Perdigão, André Bazin em 1961 diz :
    "Gênero simplista em seu período inicial,o western deve se tornar adulto e se fazer inteligente. A melhor expressão desta evolução é SHANE "
    Bucci,o destemperado,não viu nada de evolução,o que respeitamos.
    Para mim.Shane continua sendo o Number 1 entre os meus westerns preferidos . E vamos continuar a falar sobre êle,apesar dos quase 60 anos depois de filmado. Um abraço !!
    Lau Shane Mioli

    ResponderExcluir
  7. Não sou jornalista, sou apenas um cinéfilo curioso, mas vejo neste tipo de artigo que o objetivo do autor era chamar a atenção pela polêmica, além disso, a carreira do sujeito mostra que ele é na verdade um político, longe de se preocupar com cultura.

    Vejo o cinema como diversão, deve existir a crítica, mas até mesmo nos filmes ruins podemos destacar algo interessante.

    Detonar um clássico por puro prazer não é atitude de quem gosta de cinema.

    Abraço

    ResponderExcluir
  8. Olá, Hugo - Longe de querer defender Eugênio Bucci, esclareço que esse jornalista teve diversas fases em sua vida profissional. Bucci é um jornalista dos mais conceituados e respeitados por seus colegas de profissão. Até onde sei ele não é e nunca foi político no sentido estrito da palavra pois nunca se candidatou a cargo público. Além das críticas sobre cinema e artes em geral com que colaborou na Folha de S. Paulo, foi por algum tempo crítico também da revista Veja. Bucci teve por quatro anos um cargo público, que deixou para retornar à vida de jornalista, professor e escritor. Portanto a fase de 'crítico' de cinema foi apenas um momento de sua vida.
    Quanto a chamar à atenção para polêmica, você tem razão pois o artigo é altamente provocador. Analisado com cuidado o artigo de Eugênio Bucci sobre Shane pode-se perceber que ele considera o filme influente, ainda que chamando o mesmo, pejorativamente, de 'apostila'. - Um abraço do Darci

    ResponderExcluir
  9. Fui assistir Shane nos anos 50 achando que ia ver uma obra prima e foi uma tremenda decepção. Li tantas criticas favoraveis que realmente tentei gostar do filme, mas não deu. Inclusive li uma critica otima do Roger Ebert falando do filme e mencionando aspectos que eu nunca tinha percebido. Vou ver de novo na primeira oportunidade, quem sabe...

    ResponderExcluir
  10. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  11. Olá amigos ! Creio que SHANE não envelheceu,como não envelheceram
    outros tantos westerns dos anos 50,de grandes diretores como Mann-Ford-Sturges-King igualmente clássicos como o filme de George Stevens. Os ingredientes e os
    personagens do filme o tornaram uma obra prima,mesmo com Alan Ladd.
    O pistoleiro Shane,exigia um ator mais introspectivo,e quieto,até com uma certa pureza,assim como
    Ladd,que também acho um ator mediano,mas esteve muito bem,no papel do cavaleiro solitário e misterioso. Um grande filme,nem sempre
    tem grandes atuações e nem precisa de grandes astros.
    É isto !! Um abraço ! Lau Shane Mioli

    ResponderExcluir
  12. Amigos - De verdade acho ótima a inclusão do texto que condena Shane. Mas o texto é ruim. Parece texto de partidário, de cabo eleitoral. É texto sectário. Infantil. Encrenqueiro.
    Escrito para demonstrar o quanto o crítico é superior ao filme.
    Sem pensar em “Shane”, sem nem me lembrar o quanto aprecio o filme, percebo que o texto é fraco. Ruim mesmo.
    O crítico deve ser um homem de esquerda saído dos fornos da USP. Que pessoa chata!
    Como pode falar de “Shane” sem aludir à fantasia? À ilusão de que a honradez, o sentido de lealdade, pode se sobrepor à paixão? E como passar por cima, atropelar o inusitado de revelar de frente, sem temor, a fragilidade do herói?
    Imagine um western sem herói? Imagine-se um mito sem o arcabouço da divindade? Isso é “Shane”.
    O ator é quebradiço? O herói também.
    Se quem escreve ou fala sobre “Shane” esquece disso, então não entendeu nada.
    Cibele Rocha Sousa - SP

    ResponderExcluir
  13. Caro Darci,
    Você volta a me fazer lembrar de Shane e, no momento, de Eugênio Bucci um seu comentarista.
    Gosto de Shane, sim. Isso eu sei, você sabe, todos que conversam comigo sabem.
    Mas não é por causa de gostar de Shane que discordo de Bucci.
    Tento me explicar a você e aos leitores do WesternCineMania.
    Lamento se chatear você. Mais grave ainda se chatear os leitores do WesternCineMania.
    Bucci, autor do comentário ao filme Shane transcrito neste Blog, se dedicou a falar sobre o filme como entendeu fazê-lo. Isto é, construindo um teorema linguístico no qual demonstra que o filme é ruim, é fraco, não faz jus aos fãs que tem.
    Admiradora que sou de Shane sempre comemoro que se fale sobre esse cinema de qualidade. Gosto de ler os comentários todos.
    Os comentários contrários como o de Bucci? Também, sem qualquer dúvida.
    Os contrários são parte integrante do Curriculum do filme, colaboram para o seu destaque, para mantê-lo na memória, para conquistar-lhe novos espectadores.
    Na qualidade de leitora, sou opositora ao comentário de Bucci. Entendo que o crítico joga barro em uma obra utilizando critérios que à obra não se aplicam. Critérios que são externos ao filme Shane, pertencem a outro tema, são de outra natureza.
    A mim parece que Bucci pensou Shane como se fosse o caso de submetê-lo às mãos de John Ford. Ou talvez, às mãos de Francis Ford Coppola.
    Quero dizer, como se Shane devesse ter sido entregue a um diretor capaz e mestre em emprestar a força, a energia, o empuxo da testosterona, aos enredos de seus filmes, às atuações de seus elencos. E fazê-lo primorosamente oferecendo prazer pleno ao espectador.
    Mais ou menos como se Bucci tivesse querido nos dizer, a nós todos seus leitores:
    Falta hormonio masculino ao filme e ao personagem Shane.
    O diretor, George Stevens, faz volteios em torno de um enredo.
    Trata os episódios como se tivessem sido escritos por M. Delly.
    O comentarista-crítico não utiliza linguagem direta. Em nenhuma linha nos diz algo como: sexo-é-sexo-e-western-é-um-seu-canal-perfeito.
    Pelo contrário, Bucci manobra com as palavras, e manobra com perfeição para com elas teorizar em torno de:
    Porque os símbolos fálicos, porque a cena do namoro não carnal, porque o menino de identificação apaixonada pelo homem adulto, porque a camaradagem, porque o herói que vai embora, porque o viajante errante que chega e impressiona, porque a transferência de valores locais ao estrangeiro e outras interpretações similares pensadas, acadêmicas, tornadas frias de propósito para a valorização do exercício intelectual.
    Resulta desse manobrar, dessa quase dissimulação, um comentário ausente da reflexão:
    Por que Shane emociona?
    Bucci nos conta que o herói é frágil. E faz isso como se apontasse um defeito.
    Ser frágil não é defeito. Entregar-se, amancebar-se da fragilidade é que pode ser defeito. Shane não comete esse erro.
    A fragilidade do herói, a ousadia em revelá-la, em torná-la evidente, é perfil do filme, integra o lado íntimo da narrativa.
    Na ficção pode haver preferência por esconder a fragilidade do herói. Iluminar, exclusivamente, a sua força, a sua capacidade de superar, de ir além.
    Em Shane a fragilidade anda junto do herói, caminha ao seu lado, é sua sombra pulsante. A fragilidade não reduz Shane. A fragilidade compõe, constrói Shane.
    Ouso dizer que ser frágil é mérito de Shane e, no filme Shane, também em outros personagens.
    Fragilidade? Emociona sim.
    Faltou a Bucci enfocar a emoção? Perante o trato com Shane esse enfoque é primordial.
    Só a emoção pode explicar o fato de Shane encapsular tanto e tantos espectadores há tão longo tempo.
    Faltou o primordial.
    É isso o que acho que foi feito por Bucci em seu bem escrito texto endereçado a Shane.
    Ou o texto terá sido endereçado ao público amante de Shane?
    Para angariar, junto desse público de perfil caloroso, o que há de aquecer amoroso na polêmica?
    Terá Bucci buscado esse aquecer?
    Talvez. Quem sabe?
    Cibele Rocha

    ResponderExcluir
  14. Cibele, muitos cinéfilos vêem Shane como uma obra-prima irretocável do cinema; outros o vêem com um muito bom e seminal faroeste ainda que possua defeitos que o impeçam de chegar à condição de obra-prima; há ainda os que positivamente não gostam do filme de George Stevens, que é o caso de Eugênio Bucci. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno, entendo exageradas tanta a posição de Bucci como a do outro extremo que é a de Paulo Perdigão. Considero saudável que não haja unanimidade em torno de Shane e que pessoas como Bucci abram processo de discussão sobre o filme. Não fosse assim não teríamos oportunidade de ler seu excelente texto divergindo de Bucci. Um ponto de seu comentário é sumamente importante: tolice desejar que Shane fosse dirigido por Ford ou Coppola, mas não deixa de ser curioso imaginar como ficaria. E o Ford Coppola ainda vive e filma. Quem sabe...
    Um abraço - Darci Fonseca

    ResponderExcluir
  15. Alguns leitores do blog já se manifestaram contrários ao que Bucci escreveu. Eu só viria aqui afirmar tudo, ou, talvez, complementar com outros detalhes.
    Não gostei do que ele escreveu.
    Ele já começa num tom negativo: "...recende a piquenique no pasto." Achei uma forma meio grosseira de falar de um filme, que para muitos é ótimo.
    Kitsch é o mesmo que algo vulgar, barato, de mau gosto... E o que tem Bucci de especial para chamar o filme de kitsch? E Shane não é kitsch.
    "Fez uma apostila." Como assim? Que apostila? O que ele quer dizer com isso?
    "Os modos do pistoleiro chegam a ser obsceno." Hum... o que Bucci percebeu que eu não percebi. Por que essa malícia?
    Bucci aponta, à sua maneira, uma série de defeitos de Shane, qualificando-o com palavras que tentam desacreditar o filme, mas ele não consegui, e nem conseguirá tirar o filme da posição como um dos melhores faroestes feito.
    É isso Darci.
    Abraços!

    ResponderExcluir
  16. Olá, Janete - Shane é um filme tão endeusado que choca mesmo ler uma opinião como a de Eugênio Bucci. Ao contrário de você, achei a crítica dele excelente por se diferenciar dos padrões de crítica cinematográfica. Podemos discordar de suas opiniões, mas Bucci as fundamenta segundo sua maneira de ver o filme. Certamente o crítico leu muito as resenhas de Pauline Kael pois o estilo da Mestra está inteiro ali com frases cortantes como navalha. Você não acha que o que fez Bucci ser tão contundente foi justamente o fato de Shane, como você afirmou, ser uma daquelas unanimidades que tanto incomodam?
    Abração do Darci
    PS - Que ótimo as opiniões femininas como a sua e a da Cibele Rocha.

    ResponderExcluir
  17. Caríssimo Darci,
    há situações em que é necessário pensar duas vezes, antes de emitir uma opinião. Creio que o Sr. Eugênio Bucci cometeu esse erro. Nascido em 1958, portanto seis anos após Shane ter sido feito (filmado em 1952, permaneceu longo tempo na montagem, tendo sido lançado em 1953 e concorreu ao Oscar em 1954), o Sr. Bucci deve ter levado pelo menos uns 15 anos (1973) para entender o que era cinema, assim, Shane já tinha 21 anos. E Alan Ladd havia falecido há 9 anos atrás, em 1964. É fácil encontrar defeitos em algo feito muito tempo antes. O Sr. Bucci deveria, sim,retratar-se de uma manifestação tão infeliz.
    Eu tenho guardado o recorte de jornal da época em que ele produziu essa infeliz crítica e, sinceramente, penso que ele fez as considerações que fez, porque queria ferir alguém (talvez o Paulo Perdigão, apaixonado pelo filme), e não porque pensasse aquilo.
    Shane, indiscutivelmente, é uma magnífica obra cinematográfica e, diferentemente do que o Sr. Bucci quer fazer crer, fez escola. Inúmeros outros filmes o copiaram. É tido como uma quase perfeita obra, objeto de análise e estudos em cursos sobre cinema.
    Alan Ladd desempenhou seu papel com indiscutível e surpreendente competência, o que só lhe dá méritos. Não mereceu e não merece uma crítica tão feroz e descabida quanto essa.
    E sua crítica, se não é uma ofensa aos milhões de admiradores do filme no mundo todo, pelo menos é uma ofensa a George Stevens, o grande diretor de inúmeros outros bons filmes. Cito apenas um, para não me alongar: Um lugar ao sol.
    Ao Sr. Bucci recomendo calma quando falar de outros filmes.
    AFONSO.

    ResponderExcluir
  18. Olá, Afonso - Eugênio Bucci escreveu essa crítica há 22 anos. Seria interessante saber se hoje ele ainda pensa da mesma forma. Considero a resenha de Bucci primorosa no aspecto da forma de abordagem. Quanto à aclamada qualidade do faroeste de Stevens penso que como todos os filmes deva-se respeitar opiniões contrárias, desde que bem fundamentadas, como no caso de Bucci falando de Shane, que por sinal não é o único a ver defeitos no filme de Stevens. Este blog já mostrou críticas destruindo faroestes extraordinários como Rastros de Ódio, Vera Cruz, Rio Bravo e essas críticas são igualmente importantes como contrapontos à chamada (quase) unanimidade. Um abraço do Darci

    ResponderExcluir
  19. O que mais me impressiona é um jornal conceituado como a 'folha ' publicar este desacato cultural. Alguns críticos se julgam acima do bem e do mal e se preocupam em desmitificar histórias edificantes que ajudaram a melhorar as relações humanas tão prejudicadas nos últimos tempos. Shane é grandioso em todos os sentidos - o clássico que define a palavra!

    ResponderExcluir
  20. Bucci nascido em 1958 !!! Escreveu a crítica em 1990. Portanto, tinha 32 anos.
    Não vejo, portanto, nem experiência, nem competência a referido senhor para escrever o que escreveu e espalhar sujeira pelo ventilador.
    Concordo plenamente com o Sr. Afonso, acima, quando diz que "ele produziu essa infeliz crítica e, sinceramente, penso que ele fez as considerações que fez, porque queria ferir alguém (talvez o Paulo Perdigão, apaixonado pelo filme), e não porque pensasse aquilo."
    Não é razoável imaginar que a crítica feita no tom que fez e com as palavras utilizadas, tenha saído da mente de alguém plenamente consciente e conhecedor do assunto. Aliás, acredito que ele conheça muito de "piquenique no pasto". Talvez por isso, ele pense ter conhecimento ´para escrever o que escreveu. Um desorientado. Felizmente pessoas como essa passam e ninguém percebe.
    Shane não. É simplesmente eterno. Ficará para sempre em nossas mentes, voltará de vez em quando em sessões especiais nos cinemas, será exibido frequentemente na TV e - para consumo do Sr. Bucci - está guardado em uma cápsula do tempo, americana, que deverá ser aberta somente no final deste século, se não me engano, simplesmente por ser uma obra de valor inestimável. E isto porque, aqueles que assim julgaram Shane, não têm a mente adubada como a do Sr. Bucci.
    Quanto a esta coluna, nada contra a publicação do texto do Sr. Bucci, só lamento o fato de o considerar "primoroso". Me desculpe, Darci, escrever bem eu também escrevo - tenho dois livros publicados - mas o que interessa é o conteúdo do que se escreve. Ironia e sarcasmo não cabem em lugar algum. E muito menos crítica infundada. É bom que esse infeliz tenha noção disso. Em tempo: Orlândia já produziu coisa melhor.
    abrs., Renato

    ResponderExcluir
  21. Olá, Renato
    Considerada essa questão cronológica por você levantada pode-se deduzir que ninguém que não tenha visto um filme à época de seu lançamento tenha experiência ou competência para analisá-lo.
    Duvido muito que Bucci tenha escrito para atingir Paulo Perdigão e não porque visse 'Shane' da maneira como o criticou. E discordo que Bucci não tenha uma 'mente consciente' e não seja ' conhecedor do assunto'. E chamá-lo de desorientado também me pareceu excessivo diante de suas atividades que a postagem parcialmente listou.
    O fato de o filme ter sido guardada na tal cápsula do tempo para que seja visto daqui a muitas décadas não faz com que se torne intocável ou que todos tenham que considerá-lo da mesma forma que Paulo Perdigão considerava.
    Permita-me adjetivar a crítica de Bucci primorosa, como já disse, quanto à forma e ao estilo, que diferem da mesmice que de modo geral são as críticas sobre filmes. Concordo que Eugênio Bucci, aos 32 anos de idade, foi sim ferino e sarcástico e o alvo, não tenho dúvidas, é a exagerada louvação feita ao filme de George Stevens. Muitos se irritaram com a crítica de Bucci, mas 'Shane' está longe de ser essa unanimidade com que é visto. Cito como exemplo a mais conceituada enquete sobre filmes que se conhece, aquela feita decenalmente pela revista inglesa 'Sight and Sound'. Este blog fez uma postagem sobre a referida enquete (busque na coluna das postagens mais visualizadas) da qual participam críticos e cineastas do mundo inteiro, ou seja, teoricamente pessoas com competência e experiência para julgar filmes e veja que 'Shane' ficou com uma modesta 447.ª colocação entre filmes de todos os gêneros. Entre os faroestes votados há 13 faroestes melhores votados que 'Shane' que ficou empatado com outros três westerns. Esse fato atesta que Bucci não está sozinho e tem entre as companhias nomes que merecem respeito como André Bazin, Pauline Kael, William K. Everson e Rubens Ewald Filho. O que causou mal estar foi justamente a crítica irreverente de Bucci que, ao contrário do que você diz, considero bastante bem fundamentada. O 'infeliz', como você chama Eugênio Bucci, foi diretor de redação de publicações importantes e é Doutor em Jornalismo pela Escola de Comunicações da USP.
    Abraços do Darci

    ResponderExcluir
  22. Prezado Darci, só para explicar melhor a questão cronológica que levantei, aliás não fui eu, foi o Sr. Afonso - registrado um pouco mais acima - que também citei. Eu me referi à idade do Sr. Bucci à época de seus lamentáveis comentários, afirmando que não vi (e continuo não vendo) competência nele em relação ao que produziu, mesmo, segundo suas palavras, tendo sido diretor de redação de publicações importantes e sendo Doutor em Jornalismo.
    Lembrando, quando ele nasceu, Shane já era um filme admirado e consagrado no mundo todo. George Stevens já havia realizado, inclusive, um outro grande filme: Giant.
    Apenas para situá-lo e não como promoção pessoal, informo: eu fui diretor de três grandes empresas brasileiras, em uma delas dirigindo, entre outras áreas, a de comunicação social e já escrevi muita coisa, sem nunca ter sido irresponsável.
    Mas fique tranquilo, não pretendo mais perturbar sua coluna, posto que, já percebi, vc se armou de todo um arsenal de defesa em relação ao assunto (conseguiu descobrir um 447º lugar para Shane - parabéns).
    Eu mesmo considero que o filme tem falhas, não é perfeito, mas nem por isso considero a crítica do Sr. Bucci adequada. Pelo contrário, continuo considerando referido "diretor de redação", um infeliz, que produziu algo totalmente inadequado e dispensável. E volto a afirmar: Orlândia já produziu coisa melhor.
    Um grande abraço, Renato.
    (ando aparecendo como Anônimo em seu site, porque ele não aceita minha identificação via Google - parece que não tenho aqui o tratamento dispensado ao Sr. Bucci - mas meu nome está aí).

    ResponderExcluir
  23. Olá, Renato
    Quanto a essa questão de idade, quando fazia crítica de filmes para a Folha de S. Paulo, revistas Set e Veja, Eugênio Bucci tinha a idade dos críticos do Cahiers du Cinema que revolucionaram o cinema nos anos 60. Godard, Truffaut, essa turma. Lembro quando trabalhava na Folha de S. Paulo e Orlando Lopes Fassoni, o crítico de cinema do jornal tinha por volta de 30 anos e um dia, quando eu conversava com Fassoni na redação, eis que ele recebe a visita de um jovem com uma barbicha chamado Rubens Ewald Filho. Era 1968, 69, por aí. E Rubens era já um dos mais conceituados críticos de cinema do Jornal da Tarde. Por falar em Rubens Ewald, pouco mais de 30 anos tinha Rubem Biáfora quando se tornou o principal crítico de cinema de O Estado de São Paulo. Isabela Boscov faz críticas há mais de 20 anos e me parece que mal chegou aos 50 anos agora, se é que chegou. Paulo Perdigão não tinha 30 anos quando se apaixonou por Shane e era editor do magnífico 'Guia de Filmes' do INC e fazia parte dos críticos do Jornal do Brasil e da revista 'Filme Cultura', também editada pelo Instituto Nacional de Cinema. Lembro destes críticos e de sua idades para situar que, na minha opinião, não é a idade que dá competência a alguém para se tornar bom crítico. Talvez até ocorra o contrário pois com o passar dos anos a tendência é as pessoas ficarem mais conservadoras. Você não gosta de Eugênio Bucci e eu não perco a coluna quinzenal dele no Estado de S. Paulo, na qual Bucci fala de política e não de cinema.
    George Stevens dirigiu também Um Lugar ao Sol antes de Bucci nascer, cito esse grande filme porque você lembrou dos trabalhos de Stevens.
    Renato, de modo algum considero Eugênio Bucci irresponsável pela crítica irreverente que fez de um filme que não considera bom, contrariando muita gente que idolatra esse Shane. Pauline Kael é considerada quase que unanimemente como uma mestra da crítica cinematográfica e a irreverência, sarcasmo e ironia são marcas de Pauline Kael. que por sinal também não morre de amores por Shane, assim como André Bazin.
    Não 'descobri' a classificação de Shane na lista decenal da Sight & Sound. Apenas, para efeito de publicar uma postagem o mais interessante possível para fãs de faroestes, relacionei todos os westerns que ficaram entre os 1000 filmes melhor votados. Na sequência, atrás de Shane (você pode comprovar lendo a matéria), há 20 outros westerns escolhidos por 846 críticos de 73 países.
    Em absoluto você não perturba o blog pois considero que a discussão sadia é a melhor forma de aprendizagem, ainda que por vezes fiquemos chocados com determinadas opiniões. Ao longo destes anos que edito o Westerncinemania já me defrontei com muitas opiniões contrárias às minhas e expressas nem sempre de forma ponderada como a sua.
    Um abraço e apareça sempre, amigo Renato.

    ResponderExcluir
  24. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. "Shane" não é o filme que Paulo Perdigão achava ser, mas também não é a porcaria vista por Bucci.
    Francisco Sobreira

    ResponderExcluir
  25. Shane continua sendo um grande filme é um grande Western.Alguém sabe que foi feito de Eugênio Bucci?

    ResponderExcluir