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29 de abril de 2016

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE GLENN FORD – TODOS SEUS WESTERNS


Glenn Ford foi um dos grandes astros de Hollywood, isto quando a concorrência tinha nomes como Burt Lancaster, Tyrone Power, William Holden, Marlon Brando, John Wayne, Humphrey Bogart, Kirk Douglas, Gregory Peck, Gary Cooper, Henry Fonda, Robert Mitchum, James Stewart, Frank Sinatra e outros de igual e reluzente quilate. Ao contrário destes, poucas vezes Glenn Ford foi dirigido por diretores de fato renomados e mesmo assim muitos de seus filmes são hoje clássicos e sua presença na tela sempre foi garantia de boa diversão. Do drama à comédia e especialmente em westerns, Glenn Ford mostrou seus inegáveis predicados de ator e não por acaso esteve muitos anos entre os campeões de bilheteria. Os faroestes de Glenn Ford eram dos mais aguardados e na melhor fase de sua carreira ele se dedicou bastante ao gênero que mais apreciava. Chegou mesmo a dizer que se pudesse faria somente westerns pois sentia-se imensamente feliz nas pradarias e cavalgava como nenhum outro ator famoso. A carreira do canadense Glenn Ford, nascido em 1.º de maio de 1916, durou exatos 54 anos, desde sua estreia em 1937 até seu derradeiro trabalho como ator, em 1991. Dos 88 filmes que Glenn Ford fez, 24 foram westerns, muitos deles considerados marcos do gênero, nos quais ele invariavelmente usava seu chapéu de cowboy e jaqueta, ambos surrados como são as vestimentas de autêntico homem do oeste. Injustiçado pela crítica que poucas vezes reconheceu seu talento, Glenn Ford recebeu um único prêmio mais importante que foi o Golden Globe de 1962 por seu desempenho na comédia “Dama por um Dia”. Recebeu também o prêmio Bafta de 1958 como Melhor Ator Estrangeiro por sua atuação em “O Irresistível Forasteiro”. Glenn recebeu ainda dois prêmios Golden Apple (1947 e 1958) como o Ator Mais Cooperativo. Abaixo todos os westerns de Glenn Ford, impressionante conjunto de grandes filmes estrelados por um grande ator e incomparável cowboy.

OS WESTERNS DE GLENN FORD

Gloriosa Vingança (Texas), 1941, Dir. George Marshall – Primeiro western de Glenn Ford, ao lado de outra jovem promessa da Columbia que era William Holden. Amigos no início, passam a antagonistas quando se separam e Ford resolve ter seu rancho, enquanto Holden se torna fora-da-lei entrando para o bando chefiado por Edgar Buchanan. Claire Trevor é a mocinha indecisa entre os dois ex-amigos neste filme de pequeno orçamento bem dirigido por George Marshall. Durante as filmagens nasceu a grande amizade entre Glenn e Edgar Buchanan, amizade que perduraria até a morte de Edgar em 1979 aos 76 anos.Western imperdível também pela presença da magnífica Claire Trevor.

William Holden e Glenn Ford

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Império da Desordem (The Desperadoes), 1943, Dir.: Charles Vidor – Primeiro filme em cores da Columbia, dirigido pelo mesmo diretor que realizaria “Gilda”, encontro inicial de Glenn Ford com Rita Hayworth. Neste western o astro é Randolph Scott como o sheriff de Red Valley e Glenn Ford um estranho com passado comprometedor e acusado de um assalto a banco na cidade. Scott pouco aparece e abre espaço para Ford se destacar, ficando ainda com a mocinha Evelyn Keyes. Claire Trevor é uma condessa dona do bordel local. O ponto alto deste filme é a sequência do ‘stampede’ (debandada) invadindo Red Valley, sequência inteiramente dirigida por Budd Boetticher como diretor de 2.ª unidade.

Randolph Scott e Glenn Ford

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No Velho Colorado (The Man from Colorado), 1948, Dir.: Henry Levin – Reencontro de Glenn Ford com William Holden, desta vez em história de Borden Chase que é um estudo psicológico sobre os efeitos da guerra. Verdadeiro desafio para Glenn Ford pois exigiu dele uma intensa interpretação como um ex-oficial da Cavalaria que após a Guerra Civil torna-se um sádico assassino. Holden que era ajudante de ordens de Ford assume a função de delegado da cidade e tenta mudar o comportamento deste. Ellen Drew é a esposa de Ford que deixa o marido por Holden. Edgar Buchanan também no elenco. Glenn Ford sai-se esplendidamente bem interpretando um personagem detestável.
Glenn Ford e William Holden


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Escravos da Ambição (Lust for Gold), 1949, Dir.: S. Sylvan Simon – Certamente o êxito de “O Tesouro de Sierra Madre” um ano antes motivou a filmagem desta história real sobre a cobiça humana. Glenn Ford é o neto de um aventureiro alemão que descobriu uma mina de ouro. Ida Lupino é a esposa de Gig Young, ambos também envolvidos no encontro da mina nesta história contada em flashback. George Marshall chegou a dirigir algumas sequências tendo que abandonar a direção. Edgar Buchanan tem pequeno mas significativo papel num elenco que conta com Jay Silverheels, Arthur Hunnicutt, Will Geer e intérpretes dos western ‘B’ como Tom Tyler, Kermit Maynard, Trevor Bardette e outros.
Ida Lupino e Glenn Ford


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A Mensagem dos Renegados (The Redhead and the Cowboy), 1951, Dir.: Leslie Fenton – A ruiva do título original é a linda Rhonda Fleming como espiã confederada; Glenn Ford é o cowboy acusado de um crime e que para provar sua inocência precisa do testemunho da ruiva. Edmond O’Brien é um agente da União empenhado em caçar espiões neste western pequeno, divertido e bem dirigido por Fenton, por sinal seu último filme. O elenco de apoio traz Ray Teal e Morris Ankrum, uma ótima dupla de atores coadjuvantes, mas ainda há as presenças de Alan Reed (a voz de Fred Flintstone da série de TV) e Ralph Byrd (dos seriados 'Dick Tracy'). Este foi o primeiro western de Glenn Ford fora da Columbia.

Rhonda Fleming e Glenn Ford

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Sangue por Sangue (The Man from the Alamo), 1953, Dir.: Budd Boetticher – Western sobre o histórico cerco do Álamo mas cujo personagem principal não é Davy Crockett, nem Jim Bowie e nem o Coronel Travis. O filme conta a história de Niven Busch sobre um homem (John Stroud) interpretado por Glenn Ford que foi escolhido para abandonar a fortificação e cumprir a missão de ajudar as famílias dos homens que resistem no Álamo. As famílias foram dizimadas por mexicanos, assim como todos que se encontravam na fortificação atacada pelas tropas do Generalíssimo Sant’Anna. Excelente filme de Budd Boetticher em que a estrela é a doce Julie Adams e Hugh O’Brian e Chill Wills são os inimigos de Glenn Ford.

O diretor Budd Boetticher mostrando como queria o soco;
Glenn Ford dando um cruzado de direita em Hugh O'Brian.

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Um Pecado em Cada Alma (The Violent Men), 1954, Dir.: Rudolph Maté – O título que parece tirado das novelas radiofônicas dos anos 50 é bastante apropriado para este western trágico dominado pela maravilhosa Barbara Stanwyck. A grande atriz é a egoísta e oportunista esposa do barão de gado aleijado Edward G. Robinson, a quem pensa ter matado num incêndio retirando-lhe as muletas para que não consiga escapar ao fogo. Glenn Ford é um ex-oficial da União ferido em combate e que procura o Oeste para se recuperar. Brian Keith é o cunhado de Barbara usado por esta para matar o marido e Richard Jaeckel, como não poderia deixar de ser é um capataz nervosinho sempre a provocar Glenn Ford.

Edward G. Robinson, Barbara Stanwyck, Brian Keith e Glenn Ford

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O Forasteiro (The Americano), 1955, Dir.: William Castle – Uma das maiores aventuras de Glenn Ford não foi vivida nas telas mas sim ao vir para o Brasil filmar esta curiosa história passada em Mato Grosso. Nada deu certo nesta produção que pretendia fazer uso do exotismo imaginado pelos norte-americanos sobre nossa terra e nossa gente. Iniciadas as filmagens em 1953 sob as ordens de Budd Boetticher, o elenco tinha Sarita Montiel, Arthur Kennedy e Cesar Romero, além do protagonista Glenn Ford. Os trabalhos foram interrompidos e do elenco original só permaneceram Ford e Romero, trocado Boetticher por William Castle. O resultado final é aceitável, tendo inclusive um subtexto homossexual.

Cesar Romero e Glenn Ford

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Ao Despertar da Paixão (Jubal), 1956, Dir.: Delmer Daves – Glenn Ford não havia ainda sido dirigido por um grande nome do western e isso ocorreu neste seu primeiro encontro com Delmer Daves. Adaptação para o gênero de “Othello”, de William Shakespeare, traz para o Oeste a maldade e a inveja de ‘Iago’ personificado por Rod Steiger. Em mais uma brilhante atuação Ernest Borgnine é ‘Othello’, enquanto uma diferente ‘Desdêmona’ é vivida por Valerie French. Glenn Ford é o vaqueiro contratado por Borgnine e que desperta o ódio de Steiger e o desejo da volúvel Valerie. Em meio a tantas intrigas Felicia Farr mais parece um anjo em sua adorável ternura. No elenco os quase iniciantes Charles Bronson e Jack Elam.

Charles Bronson, Ernest Borgnine e Glenn Ford

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Gatilho Relâmpago (The Fastest Gun Alive), 1956, Dir.: Russell Rouse – Mais um filme na linha chamada ‘psicológica’ de “O Matador”. Glenn Ford é um famoso pistoleiro em busca do anonimato, cuja fama é descoberta por Broderick Crawford, chefe de uma quadrilha que aterroriza a pequena Cross Creek. Crawford se considera o gatilho mais rápido do Oeste e não admite que exista alguém mais rápido que ele. Por essa razão provoca Glenn Ford até que este reaja e prove que Crawford estava errado, sucumbindo diante da destreza de Ford. Ao final o ex-pistoleiro ‘morre’ e muda de nome, iniciando nova e tranquila vida. Faroeste simples em preto e branco mas fascinante do princípio ao fim com ótima atuação de Glenn Ford.

Glenn Ford e Broderick Crawford


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Galante e Sanguinário (3:10 to Yuma), 1957, Dir.: Delmer Daves – Eletrizante western de Daves a partir de história de Elmore Leonard, narrando a dramática condução do prisioneiro Glenn Ford a Yuma, levado por Van Heflin. Este é um sitiante em dificuldades que aceita a difícil tarefa, arriscando a vida, para poder pagar sua dívida de 200 dólares, sabendo que Glenn Ford é um fora-da-lei aparentemente sem escrúpulos e perigoso. A integridade de Heflin comove Ford que termina facilitando sua condução, num intenso duelo psicológico neste claustrofóbico grande western. Felícia Farr é a boa moça que atrai Ford e Leora Dana faz ao lado de Heflin o mais perfeito casal simples do Velho Oeste. Outro triunfo de Ford.

Van Heflin e Glenn Ford

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Como Nasce um Bravo (Cowboy), 1958, Delmer Daves – Pela terceira vez Glenn Ford é dirigido por Delmer Daves, tendo como coastro Jack Lemmon que nunca havia atuado em um faroeste antes. E o filme é justamente sobre o aprendizado de um jovem ávido por se tornar um cowboy. Lemmon passa de atendente de hotel a vaqueiro sob as ordens de Glenn Ford que lhe ensina não só como lidar com gado mas também a camaradagem que existe entre os cowboys. Conduzem juntamente com outros vaqueiros um enorme rebanho por mais de três mil quilômetros. Anna Kashfi e Brian Donlevy no elenco deste western que tem belíssima fotografia de Charles Lawton Jr. Glenn Ford como cowboy não podia ser mais perfeito.

Glenn Ford e Jack Lemmon nas banheiras

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O Irresistível Forasteiro (The Sheepman), 1958, Dir. George Marshall – Glenn Ford num western com nuances de comédia, em que ele se sai bastante bem exibindo uma descontração inédita. Ford é um cowboy que cria ovelhas numa região em que homem de verdade cria só gado e tem a audácia de entrar num saloon e pedir... um copo de leite para espanto e reprovação dos presentes. Shirley MacLaine, tão boa comediante quanto atriz dramática faz bela parceria com Ford que a rouba do namorado Leslie Nielsen, este também revelaria quando veterano seu lado como comediante. Reencontro de Ford não só com o diretor George Marshall mas também com seu amigo pessoal Edgar Buchanan,igualmente muito engraçado.  

Glenn Ford e Shirley MacLaine

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Cimarron (Cimarron), 1960, Dir.: Anthony Mann – Refilmagem do clássico de 1931 estrelado por Richard Dix. Este épico de 147 minutos conta a saga de um homem (‘Cimarron’) que parte para Oklahoma para participar da corrida por lotes de terras de 1889, momento culminante do filme. Ao custo de 5,5 milhões de dólares, teve a participação de mil extras, 700 cavalos e 500 carroças, mas o resultado final não foi convincente e o filme fracassou nas bilheterias. Anthony Mann foi demitido em meio à produção e Charles Walters assumiu a direção. Russ Tamblyn e Anne Baxter também no elenco. Glenn e Maria Schell viveram intenso romance durante as filmagens, alimentando por meses as colunas de fofoca.

Glenn Ford e a 'landrush' em Oklahoma

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Avance para a Retaguarda (Advance to the Rear), 1964 – George Marshall – Em plena guerra do Vietnã, Hollywood decidiu fazer comédias com a Cavalaria norte-americana. Primeiro “Os Três Sargentos”, seguido deste filme com Glenn Ford e depois “Nas Trilhas da Aventura”. Mais uma vez dirigido por George Marshall, Glenn Ford é um capitão da Cavalaria enviado juntamente com um Coronel (Melvyn Douglas), ambos ineptos para missões contra confederados ao final de Guerra Civil. Os dois oficiais dão mais certo com as namoradas Stella Stevens e Joan Blondell que nas tentativas de capturar espiões. No elenco deste pouco visto western de Glenn Ford estão Alan Hale Jr., Jim Backus e Andrew Prine.

Stella Stevens e Glenn Ford

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Ginetes Intrépidos (The Rounders), 1965, Dir.: Burt Kennedy – Glenn Ford e Henry Fonda reunidos num western comédia que gostaram muito de fazer, parecendo mesmo se divertirem mais que os espectadores. Isto apesar da boa direção de Burt Kennedy que fez outros westerns-comédia. Os dois cowboys passam muito tempo tentando domar um cavalo que insiste em não obedecê-los. Assim como em seu western anterior, Glenn e seu companheiro Fonda tem namoradas interessantes (Sue Anne Langdon e Hope Holiday). O ótimo elenco de coadjuvante conta com Edgar Buchanan, Kathleen Freeman, Denver Pyle e Chill Wills. O público começava a ficar saudoso dos westerns mais dramáticos de Glenn Ford.

Henry Fonda e Glenn Ford

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A Grande Cilada (A Time for Killing), 1967, Dir.: Phil Karlson – Logo no início deste western um muito jovem soldado confederado é condenado à morte pelo exército da União e o pelotão de fuzilamento é formado somente por soldados negros. Essa sequência dá o tom violento do filme de Karlson centrado na busca e captura de um capitão confederado (George Hamilton) pelo major da União vivido por Glenn Ford. Creditado como primeiro nome, Ford tem participação menor que Hamilton que teve destacada atuação. A sueca Inger Stevens está no elenco que tem uma participação pequena do então desconhecido Harrison Ford. A produção é de Harry Joe Brown, ex-sócio de Randolph Scott.

Inger Stevens e Glenn Ford

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O Pistoleiro do Rio Vermelho (The Last Challenge), 1967, Dir.: Richard Thorpe – Em 1967 Glenn Ford era um grande astro em luta inglória para manter seu status. Este western de pequeno orçamento é prova que os melhores dias de Ford já haviam passado. A história é bastante parecida com muitos outros westerns pois tem Ford como um ex-pistoleiro condenado que se torna xerife mas que pretende se aposentar e viver tranquilamente ao lado de Angie Dickinson. Surge então na cidade o pistoleiro Chad Everett disposto a desafiar Glenn Ford, mas acaba se tornando amigo e orientado pelo xerife. Os ótimos Jack Elam e Royal Dano no elenco deste que foi o ultimo filme dirigido por Richard Thorpe cuja carreira se iniciou em 1923.

Angie Dickinson e Glenn Ford

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A Pistola do Mal (Day of the Evil Gun), 1968, Dir.: Jerry Thorpe – O filho de Richard Thorpe, Jerry, dirigiu este western cujo tema principal é o antagonismo entre dois homens. Glenn Ford é um pistoleiro que ao retornar para seu rancho, após três anos de ausência, o encontra destruído por apaches, que segundo seu vizinho Arthur Kennedy, sequestraram sua esposa e duas filhas. Ford e Kennedy saem em busca das mulheres e Ford descobre que Kennedy assediou sua esposa que acreditava que o marido estivesse morto. O final, após resgatarem as sequestradas, com confronto entre os dois homens é surpreendente. Este western lembra “Rastros de Ódio” e Dean Jagger interpreta personagem parecido com o de Hank Worden.

Arthur Kennedy, John Anderson e Glenn Ford

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Smith! (Smith!), 1969, Dir.: Michael O’Herlihy – Trabalhando pela primeira vez para os estúdios de Walt Disney, Glenn Ford protagoniza o rancheiro do título que se une ao velho índio Chief Dan George para defender um jovem pele vermelha acusado de assassinato. Keenan Wynn é o xerife racista e que persegue o jovem índio. Durante a sequência de tribunal Warren Oates funciona como intérprete e se destaca neste western rodado no mesmo ano de “Meu Ódio Será Sua Herança”. Estréia, aos 70 anos de idade, no cinema de Chief Dan George que brilharia em “Josey Wales, o Fora-da-Lei”. Nancy Olson é a esposa de Glenn Ford e Dean Jagger é o juiz. Jay Silverheels também atua, além de dirigir os atores índios.

Chief Dan George e Glenn Ford

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O Céu a Mão Armada (Heaven with a Gun), 1969, Dir.: Lee H. Katzin – Novamente os conflitos entre criadores de gado e de ovelhas num western com Glenn Ford. E mais uma vez o ator interpreta um ex-pistoleiro que pendura as armas, aqui se tornando um pregador. O poderoso criador de gado John Anderson e seu sádico filho David Carradine usam de todos os meios para impor suas vontades, inclusive desafiando o ex-pistoleiro agora pastor de almas. Ford, no entanto, resiste e ao final leva a melhor sobre pai e filho. Barbara Hershey, na vida real, viveu um tempo com David Carradine, com quem teve um filho. Carolyn Jones é quem quer acabar com o celibato do pastor e Noah Berry Jr. tem boa participação.

David Carradine e Glenn Ford

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Santee, o Caçador de Recompensas (Santee), 1973, Dir.: Gary Nelson – Outro western menos conhecido de Glenn Ford e que nenhum fã do gênero pode deixar de assistir. Ford é um ex-criador de cavalos que se torna caçador de recompensas, unindo-se ao jovem Michael Burns na busca de procurados pela justiça. Ocorre que Ford matara o pai de Burns e este jurara vingança e mesmo assim Burns se afeiçoa a Ford ao descobrir que ele é um homem sofrido por ter perdido seu filho vítima de uma quadrilha. Juntos enfrentam o bando assassino. O elenco traz Jay Silverheels e Robert Wilke, o que já bastaria como atrações extras, mas há ainda a bela atriz alemã Dana Wynter como interesse romântico de Ford.

Michael Burns e Glenn Ford

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Em Nome da Lei (The Sacketts), 1979 – Depois de seis anos longe dos faroestes, período em que continuou a atuar sendo inclusive o pai adotivo de Clark Kent, o Superman, Glenn Ford retornou ao gênero na mini-série para a TV “The Sacketts”. Com quatro horas de duração a mini-série foi estrelada por Sam Elliott, Tom Selleck e Jeff Osterhage, como os irmãos  Sackett e o grande elenco traz Ben Johnson em papel destacado, Gilbert Roland, Slim Pickens, Jack Elam, Gene Evans, John Vernon, Mercedes McCambridge e até o escritor Louis L’Amour, autor da história. Belos cenários excelentemente fotografados, direção segura de Robert Totten e ótimas interpretações fazem valer as quatro horas do filme. Fuja das cópias editadas.

Tom Selleck, Ben Johnson e Glenn Ford

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Border Shootout (Border Shootout), 1990, Dir.: Chris McIntyre – Aos 74 anos de idade Glenn Ford atuou em seu 24.º e último western, baseado em história de Elmore Leonard. Segundo Peter Ford, filho de Glenn, em seu livro “Glenn Ford – A Life”, este foi um filme sem inspiração e que o pai aceitou fazer por ter sido creditado com destaque e por receber 75 mil dólares por uma semana de trabalho. Rodado em Old Tucson, neste western Glenn interpreta um xerife envelhecido, sendo substituído por seu constante dublê Bill Hart nas cenas em que é mais exigido. Ford ainda faria seu derradeiro filme em 1991 encerrando uma das mais brilhantes carreiras de um ator em Hollywood. Como cowboy autêntico pode-se dizer que Glenn foi insuperável.

Glenn Ford e Michael Ansara

6 comentários:

  1. Nunca havia prestado atenção nisso: Glenn Ford, ao menos nos westerns, raramente foi dirigido por algum grande diretor. Com a exceção de Delmer Davis e talvez, Budd Boetchier.

    Nenhum John Ford, Howard Hawks, John Sturges, Anthony Mann, Sam Peckinpah....

    E no entanto foi bastante homogêneo na boa qualidade dos westerns em que atuou.

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    1. Olá, Otávio. Anthony Mann dirigiu a maior parte de Cimarron, até ser dispensado pela MGM. Portanto Glenn Ford foi sim dirigido por Mann em um western.

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  2. Concordo com Darci;Otávio;Cimarrom foi um dos grandes faroeste de Glen Ford,filme foi quase todo dirigido por Anthony Mann,lembrava as aventuras do pequenos xerife da Editora Vecchi ,as história de "Kit o Pequeno Xerife"meu heròi de infância quando aprendi a ler e desenhar

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  3. Parabéns Darci ,simplesmente em ler o blog ,apesar de não ser um fâ ardoroso de faroestes,mas seu conhecimento dos filmes e sua capacidade em saber contextualizar em relação a historia do cinema em geral e primorosa

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  4. Deveria ter escrito viciei-me ,mas acabei esquecendo,mas repetindo parabéns Darci e a todos que gostam do blog

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  5. Grato, Wellington, pelo elogio. Grande abraço.

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